O que você seria capaz de deixar por uma amizade?
72 Nada vai nos separar
Notas iniciais
Continuação:
Ligação on:
— Oi! Mãe, e aí o que vocês decidiram?
— Já vem me perguntando, né. Sem nem um oi. — Minha mãe falou, já me dando bronca.
— Oi! Mãezinha.
— Muito melhor. Oi, Valéria, sim nós já decidimos o melhor para todos. — Minha mãe me disse e eu fiquei ansiosa.
— Fala logo, o que vocês consideram o melhor?
— Nós consideramos o melhor voltar para o Brasil, afinal o que nós queremos mesmo é a sua felicidade total e completa. — Minha mãe me respondeu e eu comecei a pular de felicidade.
— Sério? Vocês são os melhores pais do mundo.
— Sim, você que é a melhor filha do mundo e desculpe-nos por ter achado que o melhor para você era mudar de país.
— Tudo bem mãezinha, pais erram também, não é?
— Sim, apesar de erramos menos que os filhos nós erramos também, pois errar é humano, nós vamos voltar daqui a um mês, afinal precisamos de um tempo para a papelada da transferência, mas já está tudo certo, nós já entramos em contato com o senhor Zapata.
— Tudo bem, estarei esperando ansiosa, tchau mãe.
— Tchau filhota. — Ela falou e eu desliguei.
Ligação off
— Deu tudo certo, Majo. – Eu disse e nós começamos a pular de alegria.
— Eu sabia, meus planos são os melhores, né. – Majo falou.
— Com certeza e o melhor é que você nem se acha. – Eu disse e nós rimos.
— Mas agora só me resta uma coisa a fazer.
— O que? – Majo perguntou.
— Ir falar a ótima notícia ao Paulo.
— Ah... com certeza isso é muito importante, pois ele deve estar morrendo de tristeza.
— É, ele está muito triste mesmo, nem falou comigo no recreio hoje.
— Eu percebi que hoje vocês não ficaram juntos o recreio todo como sempre fazem, você vai conversar com ele, agora?
— Sim, vou ligar para ele, nesse segundo. – Eu falei pegando meu celular e procurando o número de Paulo, quando eu achei, liguei para ele.
Ligação on:
— Oi, minha vida, aconteceu mais algum coisa ruim? – Ele me atendeu rapidamente.
— Não, quero conversar com você, nós podemos nos encontrar na lanchonete aquela perto da casa da Majo?
— Tudo bem, eu sei qual é, que horas?
— Daqui a meia hora, meu sol.
— Ok, estarei lá.
— Então tchau.
— Tchau. — Ele disse e eu desliguei.
Ligação off
— Pronto, nós vamos nos encontrar daqui a pouco na lanchonete aqui perto.
— Então você tem que se arrumar imediatamente, não é. – Majo falou.
— Mas eu já estou arrumada, vou com esta roupa mesmo.
— De jeito nenhum vou deixar você sair com seu namorado assim desse jeito, você já foi mais vaidosa, sabia? Esse vestidinho azul não está com nada e essa sapatilha você sempre usa.
— Eu sou vaidosa e eu sempre uso essa sapatilha, pois é a minha preferida, ok? Mas o que você acha que eu devo vestir, hein....
— Eu acho que você deve vestir aquele seu vestido roxo com aquela bota coturno preta. – Majo disse indo até meu armário e pegando o vestido e a bota.
— Mas esse é um look mais tipo noite.
— Eu sei, porém se você colocar uma maquiagem simples e em tons pasteis, se transforma em um look dia tranquilo. Não, você tem razão, é melhor trocar a bota por essa sapatilha branca aqui. – Majo falou mostrando uma sapatilha branca rendada.
— É melhor mesmo. – Eu falei e peguei as peças da mão de Majo e fui até o banheiro para trocar de roupa.
— E aí, como eu estou? – Eu perguntei uns minutos depois, quando eu saí do banheiro já pronta.
— Você está perfeita, irmãmiga.
— Obrigada, vou indo.
— Ok, bom encontro. – Majo desejou.
— Valeu.
Eu saí e fui andando em direção a lanchonete, chegando lá avistei Paulo e fui até ele.
— Oi! – Eu falei enquanto me sentava na mesa, ops, na cadeira.
— Oi! Então o que houve? – Ele me perguntou.
— Eu conversei com a minha mãe e ela e meu pai decidiram voltar para o Brasil, ou seja, não vou mais para a França, então se você achou que ia se livrar de mim, se deu mal.
— Sério? Eu pensei que finalmente eu ia me livrar de você. – Ele brincou e nós rimos juntos.
— Mas falando sério, fiquei muito feliz que você vai continuar aqui no Brasil comigo. – Ele completou e me abraçou.
— Você sabe que quando eles chegarem você vai ter que pedir permissão a eles para namorar comigo, não sabe?
— Sei, entretanto, para namorar com você eu enfrentaria até um milhão de pais.
— Eu sei, ainda mais depois desse medo todo de ficar longe de mim, né.
— Com certeza. – Ele disse e me beijou.
Depois nós continuamos conversando e nos olhando.
Um mês depois:
Estar aqui de novo neste mesmo aeroporto depois de tanto tempo, ainda mais em pensar que eu vou ver meus pais de novo, é emocionante, estou tão ansinervosa que o meu corpo todo treme, estou torcendo para não cair, estamos eu a Majo e a Laura, como na primeira vez.
— Está ansiosa, Vale? – Perguntou Laura.
— Ansiosa é apelido, Laurinha.
— Imagino, ver seus pais depois de tanto tempo. – Comentou Majo.
— Mas como você mesma costuma dizer você está ansinervosa. – Disse Laura.
— Estou mesmo e muito.
— Que horas chega o voo dos seus pais? – Perguntou Majo.
— Daqui a uns dez minutos, mas é claro que se não atrasar, né. – Eu falei olhando a hora em meu relógio.
Resolvemos nos sentar em um dos bancos do aeroporto para esperar o voo chegar.
Dez minutos depois:
— Vamos esperar lá no desembarque? O avião deve estar pousando.
— Sim, vamos. – Disse Majo.
— Tudo bem. – Laura falou.
Nós fomos até o desembarque.
— Com licença, você poderia me informar se o avião que saiu da França com destino a São Paulo teve algum atraso? – Eu perguntei no balcão de atendimento do aeroporto.
— Só um minuto. – Uma moça me respondeu olhando em uma lista.
— Esse voo não teve atrasos. – Ela completou, após consultar a lista de voos.
— Obrigado. – Eu disse e me retirei.
— Então Vale, o voo atrasou ou não? – Perguntou Majo.
— Felizmente não, meninas.
— Não são seus pais, ali? – Perguntou Laura apontando para o portão de desembarque.
— São eles mesmo.
Eu corri até lá e assim que eles me viram me abraçaram.
— Que saudade filha. – Disse meu Pai.
— Como você está linda, já tínhamos te visto por foto e por Skype, mas assim ao vivo é totalmente diferente. – Minha mãe falou.
— Também estava morrendo de saudades de vocês e a propósito obrigado mãe, você também está lindíssima.
Nós fomos ao encontro das meninas.
— Oi, Maria Joaquina, olá, Laura. – Meus pais cumprimentaram as meninas.
— Olá, tia Rosa, tio, Ricardo. – Majo e Laura cumprimentaram eles de volta.
— Como vocês cresceram meninas e que mudança radical, hein... Laura. – Minha mãe comentou.
Nós pegamos um taxi até o nosso antigo apartamento para onde nós vamos voltar a morar e Majo e Laura foram também.
— Que saudade de casa. – Meu Pai disse.
É tão estranho estar aqui de novo depois de tantas primaveras, quantas lembranças surgem num flash de segundo, meu primeiro amor, o Davi, quando éramos pequenos, as reuniões das meninas, reuniões essas em que a Laura acabava com os lanches e tantas outras coisas.
Todos os móveis estão cobertos e conforme vou tirando os panos, percebo como eles estão tão bem conservados.
Meu quarto está exatamente como eu o deixei há anos atrás, é como se o tempo não tivesse passado, sabe?
Nós vamos fazer a mudança hoje mesmo, ou seja, trazer as minhas coisas da casa da Majo para cá, quer dizer o motorista vai trazer porque eu já separei tudo e deixei no meu quarto lá.
— Vale, meu motorista ligou e disse que já aí em baixo, vamos lá pegar as suas coisas? – Majo perguntou.
— Ele já trouxe tudo?
— Sim, a mala do carro da minha família é enorme. – Majo falou se gabando.
— Então, está bem, vamos.
Nós descemos e depois subimos tudo rapidinho, não havia muitas coisas, apenas três malas e duas caixas com coisas pessoais e o motorista da Majo ajudou também.
Depois elas me ajudaram a organizar tudinho.
Muitas das minhas coisas eu deixei aqui no meu quarto de verdade, no meu apartamento, na minha casa de verdade, não que eu não me sentisse em casa na casa da Majo, mas estar aqui no apartamento onde eu cresci e ainda por cima com meus pais é totalmente diferente.
Algumas horas depois:
— Prontinho, obrigada meninas, vocês me ajudaram muito.
— De nada. – Disse Laura.
— Conte sempre conosco, né, Laurinha. – Majo falou.
— Com certeza. – Laura concordou.
— Vou depois na casa dos seus pais com os meus para agradecermos por eles terem me hospedado todo esse tempo.
— Tudo bem, eles vão amar rever seus pais. – Majo me disse.
Depois de terminar de arrumar as coisas nós lanchamos e elas foram para casa.
Eu fiquei olhando para meu quarto e me lembrando de mais coisas.
O tempo tudo muda, essa frase está certíssima.
Valéria off
No outro dia na escola:
Maria Joaquina:
Nós estávamos no recreio e nós meninas decidimos ir falar com a professora e diretora Helena.
— Com licença diretora, será que você pode nos receber por uns minutos? – Eu perguntei abrindo a porta.
— Com certeza minhas queridas, entrem. – Disse a diretora Helena, como sempre doce e angelical.
— Estamos entrando.
— Então, aconteceu algo com vocês? – A diretora Helena perguntou.
— Não, só queríamos saber como você está. – Disse Vale.
— É, e saber também como o seu bebê está. – Falou Marg.
— Eu e meu bebê estamos ótimos, meninas, obrigado por se preocuparem tanto assim conosco. — Disse a diretora.
— De nada professora, mas e o sexo do bebê, você já sabe? Eu sei que você está no começo gravidez, porém você sabe? – Perguntou Alícia.
— Sei sim, estava ansiosa, então eu fiz um exame diferenciado, vai ser menina. – Disse a diretora Helena.
— Sério? Que legal, professora.
— É, muito legal. – Disse Laura.
— Não vai nos esquecer, hein... professora. – Falou Vale.
— Eu nunca vou esquecer de vocês minhas alunas queridas. – Disse a diretora e professora.
Nós nos abraçamos e depois nos retiramos da sala da diretora, pois o sinal tocou.
Maria Joaquina off
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