Notas iniciais
Mais um!!

— Então fica quietinho e dorme, porque eu estou precisando dormir. — Disse e fechei os olhos tentando relaxar novamente, mas essa noite seria a mais longa da minha vida.

— Não é tão simples poxa, eu to tentando.- Sussurrou.

— Gustavo desculpa, é que você ta inquieto e eu estou morrendo de sono, acordo com um mal humor terrível quando não me deixam dormir.-Sorri. – Esqueci que você está doente, foi grosseiro da minha parte e bastante egoísta também. — Disse sincera.- Olha pra mim. Não precisa ficar com vergonha, não é culpa sua.

Gustavo virou seu corpo com dificuldade e olhou para ela.

— É você não que admitir, mais tá velho sim. — Disse rindo.

— Muito engraçadinha, já disse que eu estou na flor da idade. Isso sempre aconteceu devido minha altura, ficar na mesma posição nunca dá certo.

— É na hora de voltarmos, Estefânia ou eu teremos que assumir o volante. Você sempre arruma desculpas pra tudo, mas não precisa disfarçar, não vou espalhar pra sua noiva que você é idoso, vou deixar ela se iludir. — Gargalhei. — Por falar na sua noiva cadê ela?

— Você acorda sempre bem humorada assim ou é porque ta comigo?.- Ela não curte muito o interior, nem tão pouco os bichos. — Sorriu.

— Sou sempre bem humorada meu amor. Porque a risada? — Perguntei curiosa.

— Ela veio uma vez, mas a Dulce aprontou uma...

— Não creio, o que aquela sapeca aprontou?

— Como eu disse, a Nicole tem pavor a bichos. E a Dulce sabe muito bem disso. E como ela tem o amigo dela aqui, o Zé Felipe você já imaginou não é? Os dois pegaram um sapo e colocaram sobre as coisas da Nicole. Ela saiu desesperada gritando pela casa e eu gargalhei, ela me xingou e a Estefânia gravou tudo disse que um dia ainda passa isso pro pessoal dos desfiles dela acho que ela não teria essa coragem, mas não chego a duvidar também, juro que pensei que nunca mais a veria.

— Não tivemos essa sorte. — Disse colocando a mão sobre a boca, agora já era.

— É, pois é. Ela ficou alguns dias sem falar comigo. Mas, logo voltou, só que o relacionamento dela com a Dulce ficou ainda pior depois dessa travessura.

— Ela nunca fez nada pra conquistar ela?

— Nada, você sabe porque já discutimos sobre isso. — Falou sem jeito. — Sempre é a mesma história de querer coloca- lá num internato.

— E o que você acha disso Gustavo?

— Antes eu até ia na conversa da Nicole não vou mentir pra você. Mas, depois de tudo, eu percebi que o lugar da minha filha é aqui do meu lado. Por ser pequena, ela já sofreu muito com a morte da mãe. E não quero que ela sofra de novo, e sem contar que jamais viveria sem a minha sapeca.

— Um alívio escutar isso de você.

— Não teria essa coragem.- Falou fazendo um carinho terno em meu rosto.- Mas me fala mais, você já namorou?

— Que pergunta boba é essa?

— Ué, uma pergunta. — Disse rindo.

— Aí Gustavo... — Balancei a cabeça e sorri. — Eu já namorei uma vez, ele era bonito, carinhoso. Como eu poderia dizer, era o menino que todas as garotas gostariam de ter por perto. Ele me tratava muito bem, sempre foi atencioso. Só que nem por isso, a Fátima ia com a cara dele. Mas como nem tudo é um conto de fadas, eu acabei descobrindo que ele me traiu.

— Como ele traiu alguém como você?

— Traindo ora. — Sorri.- Não preciso te ensinar como neh?

— Suas piadas sem graça. — Revirou os olhos.- Eu não teria coragem de trair você. — Sussurrou chegando mais perto, pude sentir sua respiração junto a minha boca, tão próximos estávamos.

— É, vamos dormir está muito tarde e amanhã temos que ter energia pra segurar o furacãozinho Dulce Maria. — Disse quebrando todo o clima e me afastando um pouco.

— Você tem razão afinal o sábado está apenas começando, boa noite Ceci.- Disse beijando minha bochecha.

Ceci On— Sorri com o apelido carinhoso, mas nada respondi, virei pro outro lado e sorri largamente. Acordei com a claridade invadindo o quarto, um braço descansava sobre minha cintura. Não me mexi muito e olhei de lado pro Gustavo, que dormia profundamente. Acho que ele encontrou um jeito confortável para dormir, já que suas costas não paravam de doer. Como eu faço pra sair daqui? Tentei tirar o braço dele com o maior cuidado para não acordá-lo. Tentei não fazer movimentos bruscos, mas já era tarde demais, seus olhos azuis já haviam me capturado.