O que tem por trás de uma carinha de anjo?
21 Capítulo 21
Notas iniciais
— Não sei porque você a trata desse jeito, custa nada ser gentil? — Estefânia dizia indo até onde a sobrinha tinha ficado estática.
— Eu dei ordens pra ela não vir mais aqui. Custa nada vocês facilitarem e obedecerem as ordens?
— Eu que chamei ela, não sei se você percebeu, mas faziam dois dias que a Dulce não comia, a Ceci veio pra ajudar nisso.
— Pura birra e vocês caem na dela.
— Não fala assim com ela.
— Deixa titia, é só isso que ele sabe fazer mesmo. Só me crítica e não está nem aí pra mim. — Disse e saí correndo, subindo as escadas em direção ao meu quarto.
Estefânia On— Não quis discutir com o Gustavo e deixei à Dulce um pouco sozinha, fui para o quarto estava cansada acabei dormindo, acordando de madrugada com a Dulce me chamando.
— Oi princesa. — Falei sonolenta.
— Minha rabiga doi titia. — Falou enquanto acendia o abajur.
— Vem cá. — Chegou mais perto com certa dificuldade, estava ardendo em febre outra vez.
— Titia faz o quarto parar de girar.
— Como assim meu amor?. — Não tive resposta, pois a mesma caiu desmaiada. — Socorro Gustavo. Socorro.- Gritei desesperada, enquanto segurava a pequena em meus braços.
— O que aconteceu Estefânia? — Gustavo entrou assustado em meu quarto, ficando ainda mais desesperado ao ver a Dulce em meus braços. — O que aconteceu com ela? — Falei me abaixando, e colocando a mão sobre sua testa. — Ela está muito quente.
— Ela veio me acordar, reclamando de dor na barriga. Mais não é de agora, hoje mais cedo ela estava do mesmo jeito. A dor voltou mais forte e a febre também, ela acabou desmaiando.
— Eu vou levá-la agora ao hospital. — Gustavo falou pegando Dulce no colo, e saindo rapidamente do quarto.
— Eu vou com você Gustavo. — Me levantei e vesti qualquer roupa que vi na frente, indo atrás dele.
Peguei um casaquinho dela estava frio e os documentos, enquanto o mesmo a colocava no carro, já estávamos próximos da emergência quando ela começou a delirar. — Ceci. Não vai, fica aqui comigo. — Repetia. Dulce estava com a cabeça sobre o colo de Estefânia, que media sua febre.
— Gustavo acho melhor avisar a Cecília. Você aceitando ou não, a Dulce precisa dela.
—Ela não vai querer vir, fui tão grosso com ela.
— Mais é pela Dulce e por ela a Cecília faz tudo.
— Estou com vergonha. — Disse enquanto tirava o carro da garagem.
— Você foi homem suficiente pra dizer aquelas palavras grosseiras, agora seja homem para se redimir.
— Ceci, Ceci. — Dizia delirando. — Calma meu amor, alisei seus cabelos. — Vai logo Gustavo to ficando com medo de acontecer algo ruim com a nossa menina.
— Estou indo o mais rápido que posso. -Acelerei o carro, que por sorte não tinha trânsito para atrapalhar. Não demorou muito e logo estacionei o carro em frente ao hospital. Desci do carro e fui em direção ao banco de trás, pegando a Dulce em meu colo, adentrando rapidamente o setor de emergência. A Dulce queimava em febre e isso estava me deixando agoniado e bastante assustado, estava segurando a vontade de chorar.
— Por favor alguém pode ajudar? — Dizia apressado. — Um médico nos parou e logo nos atendeu tive que ficar preenchendo o formulário de entrada enquanto a Estefânia o acompanhava. Olhei para o celular inúmeras vezes tentando criar coragem para ligar, mas fui vencido pelo egoísmo e guardei o mesmo. Andava de um lado para o outro no corredor daquele hospital. Eu odiava aquele lugar, não tinha boas lembranças desde que a Teresa veio a falecer e me lembrar disso aumenta meu desespero. — Oh minha filha, você precisa melhorar. — Dizia já com os olhos cheios de lágrimas. Me sentei em uma das cadeiras, abaixei a cabeça e coloquei as mãos sobre o rosto.
Flashback On
— Parentes da Tereza Larius?
— Sou marido dela doutor.
— Bom, tivemos algumas complicações no estado de saúde dela e...
— Por favor doutor, me diga que ela vai ficar bem.
— Calma Gustavo não adianta desespero agora. — Estefânia sussurrou me abraçando.
— Infelizmente a situação dela é irreversível, sinto muito senhor. -Disse isso e saiu, nos deixando ali aos prantos.
— E agora? O que será de mim?
Flashback Off
Peguei o celular novamente, passava das três horas da madrugada, Nicole já havia me ligado três vezes e não quis atender afinal a culpa era dela. Pensando bem, tinha uma parcela enorme de culpa afinal, Nicole não é nada da minha pequena pode querer mandá-la para onde for, já eu sou PAI e não estou a tratando como tal. Não queria a Nicole aqui, por Deus como eu sinto saudades da Cecília. Disquei seu número na esperança de que ela atendesse, fui duas vezes direto para a caixa postal sem sucesso. Resolvi então gravar um áudio via Whatsapp onde ela havia vizualizado à cinco minutos atrás .
Boa noite Cecília, nem sei como começo escrevendo isso, mas é que a Dulce precisa de você, ela está internada no hospital central e ninguém é mais culpado do que eu em toda essa história. Sei que pode parecer estranho, mas também desejava você aqui comigo, mesmo que já viesse reclamando e me xingando pela minha falta de responsabilidade. — Fraquejei na voz fungando. — Sei que errei muitas vezes com vocês duas e seria correto dizer que não mereço o perdão, principalmente da minha filha, mas sou humano, o mais errado de todos pode ser, mas to com tanto medo Cecília de perder minha menina. — Chorei — Enfim se não puder vir eu entenderei perfeitamente, mas isso não significa que deixarei de tentar. Faça isso por ela, que deliria te chamando, sei que não me decepcionará, se quiser finja que eu não existo e venha por ela. Obrigado! — Finalizei o áudio e mandei, travando o celular não queria ver quando ela escutasse ou quando me ignorasse. Estefânia apareceu com a cara de poucos amigos de sempre.
— Cadê minha filha? Pelo amor de Deus não me diz que... — Não consegui terminar a frase.
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