O que tem por trás de uma carinha de anjo?
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Cecília sempre teve a vida muito simples, desde nova assumiu as responsabilidades da casa quando aos 15 anos sua mãe faleceu, deixou a diversão de lado tendo que criar sua irmã mais nova, Fátima sozinha. Tentava muitas vezes esconder a tristeza abrindo um sorriso largo, mas a vida muitas vezes a castigava. Já se passaram 6 anos desde que tudo aconteceu e agora ela estava um pouco mais acostumada, com tudo o que acontecia.
— Ceci — Gritava Fátima do Banheiro.
— Esqueceu a tolha de novo Fafa? — Sorria enquanto ia até o quarto.
— Foi Ceci, desculpa, não precisa brigar dessa vez.- Falou colocando a cabeça pra fora do banheiro.- Você está ansiosa com o novo emprego? Não está atrasada?
— Estou apreensiva Fátima, o meu novo patrão parece ser rigoroso demais, está voltando para o Brasil e quer que eu fique de babá de sua filha de apenas 4 anos, não sei o que me espera, mas to bem preocupada.
— Fica assim não, vai dar tudo certo você vai ver, sempre dá. – Gritou enquanto fechava a porta.
— Assim espero meu amor... – Falei sussurrando. – Já vou indo me arrumar, cuidado na vida mocinha, uma boa aula. – Falei sem sucesso, já que a mesma cantava alguma música que não compreendia mais.
Arrumei o café da manhã e fui até o quarto procurar uma roupa que me fizesse ficar um pouco mais “elegante”, se é que isso é possível, para uma entrevista na temida casa dos Larius, pelo histórico três babás já tentaram em vão conquistar o pequeno coração da Dulce Maria, não entendo com uma criança inocente pode fazer tão mal segundo elas. Optei por uma camiseta pólo vermelha, minha preferida, calça jeans simples e minha velha sapatilha preta que tanto amava, fiz um coque nos cabelos, maquiagem simples. Tudo pronto para ir até lá. Não era tão distante de casa então o percurso era feito andando mesmo, observei o parque e tudo ao meu redor, estava contente e apreensiva ao mesmo tempo, poderia dar uma vida mais confortável a minha irmã e por isso teria que me esforçar bastante. O apartamento luxuoso deles não me impressionou. Logo fui recebida pelo adorável Silvestre que já sabia da minha entrevista.
— Bom dia senhora ou seria senhorita? – Perguntou envergonhado.
— Apenas Cecília, Silvestre. – Sorri tímida. – Cheguei muito atrasada?- Observei tudo ao meu redor.
— Não sen.... Quer dizer Cecília, a Dulce está relutante em querer conhecê-la e o senhor Gustavo está se arrumando para vir falar com você. Venha tomar um café enquanto espera.
— Obrigada, mas não gostaria de incomodar.
— Incomodo algum, esperamos realmente que agora de certo, a pequena já sofreu muito, tenha apenas paciência com ela e irá conquistá-la.
— Amo crianças, ainda cuido de uma que nunca irá crescer pra mim. – Sorri.
— Tão nova e já tem filhos? Desculpe a intromissão Cecília, não irá mais acontecer.
— Sem problemas Silvestre, é minha irmã, tem 14 anos já, mas pra gente eles nunca crescem né?
— É mesmo, mas vamos ou você quer conhecer a pequena ferinha logo? – Sorriu cúmplice.
— Adoraria, conhecê-la. Confesso que estou nervosa.
— Então não vamos perder tempo, venha. – Me guiou até a parte superior onde tinha uma placa com o nome da pequena. – É aí, você quer que eu entre com você?
— Não precisa. – Engoli seco. – Qualquer coisa eu te chamo, obrigada. – Tentei abrir meu melhor sorriso. Ele saiu sem ao menos me responder, estava realmente soando frio, girei a maçaneta esperando encontrar tudo revirado, mas não era o que tinha ali.
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