Notas iniciais
Hello minna! E aí estão curtindo a copa? xD Se forem igual eu, estarão shippando os jogadores.. u_u Well, sem mais delongas, vamos ao capítulo! Desejo à todos uma boa leitura! ;D

Embora tenha sido uma bela surpresa, Gary ficara feliz e aliviado em saber que sua mãe não o julgara, e sim o apoiara. Mas sentia-se profundamente tocado pela história que Chelsy havia lhe contado na noite anterior. Queria poder ajuda-lo, pois a sua desconfiança quanto ao nível alto de carência que o rapaz possuía, havia se confirmado para si. Embora ele tenha uma postura alegre e divertida, estava claro que assim como ele, também usava uma máscara.

Carmen fora logo pela manhã, tomara o café com o filho e o sobrinho, e partira em seguida.

– Tia Carmen é sempre muito simpática... – Dissera Chelsy, enquanto comia uma fruta, enrolado em um grosso casaco que havia pego do primo, enquanto observava Gary ajeitar a gravata diante do espelho da sala.

– Sim... Minha mãe sempre teve a mente aberta.

– Você teve quem puxar então... Só não digo o mesmo do humor. – Gary o mirara de soslaio. Mas continuara a se arrumar. — Qual o endereço do seu trabalho?

– Porque quer saber?

– Sei lá... Quero saber... Quero um dia te visitar. – Gary parara o que estava fazendo, para fitar o primo.

– Nem pense nisso.

– Por quê? Tem vergonha de mim?

– Não é isso, é só que meu trabalho é algo profissional, não um divertimento.

– E quem falou que irei lá pra me divertir?

– Eu te conheço.

– Nem tanto... Vou no centro da cidade hoje, tenho que comprar algumas coisas... Daí pensei em passar lá pra te “buscar”.

– Vai comprar o que? – Chelsy mirara-o.

– Pra que quer saber? – Gary o fitara sério. Vendo Chelsy rir de sua cara. – Provando das próprias patadas... Cavalo!

– Corvo!

– Ca-va-lo!

– Cor-vo!

– Melhor ser corvo, pelo menos eu posso voar... – Dissera Chelsy, mordiscando a fruta. – Meu cabelo tá uma desgraça, preciso de tinta. Sem contar que minhas unhas também estão uma bosta... – Gary chegara mais perto, fuçando os bolsos do paletó, lhe entregando um cartão.

– Este é o endereço. – Chelsy apanhara o cartão.

– Empresa de celulose?

– Sim. – Respondera, vendo o rapaz ainda ler seu cartão. – Vai saber se virar em uma cidade que não conhece? Aqui é uma cidade grande...

– Não se preocupe, existem mapas, gps, pra isso... Não é?

– E você tem senso de direção?

– Quem precisa de senso de direção quando se tem a tecnologia? – Dissera sarcástico, então sorrira. – Eu cheguei até aqui, não é? – Perguntara, se aproximando do primo.

– Tem dinheiro?

– Tenho cartão de crédito.

– Seu? Ou dependente do seu pai?

– Há! É claro que é meu! Você acha que eu ia ficar dependendo daquele velho alcoólatra? E pior, ele nunca me daria dinheiro... Lembre-se que eu sou o filho gay dele, a “ovelha colorida” da família... E de “ovelhinhas coloridas” ele quer distância... – Gary rira de canto.

– Quer dizer que você trabalhava, certo? – Chelsy o analisara.

– Está fazendo muitas perguntas...

– Eu não sei quase nada sobre você, Chelsy...

– Não sabe por que não quer... Eu não voltei para este estado antes porque não podia, mas custava você ter me ligado, ou procurado saber sobre mim?

– E porque você também não fez isso?

– Por quê? Porque não dava pra descobrir nada sobre você! Você não tem conta em nenhuma rede social, troca de celular a cada três meses, sem falar do seu e-mail que tem um nome mais complicado do que eu podia imaginar e que eu demorei um século pra descobrir!

– É o nome da empresa onde eu trabalho. – Chelsy o fitara, em seguida puxara o cartão. Realmente, era o mesmo nome.

– Ah, é mesmo... – Dissera sem graça. – Bem que poderia ter um e-mail com seu nome, né?

– Já tinha usuários com meu nome.

– Poxa! Você acha uma saída pra tudo! – Gary rira, levando umas das mãos a tocar as maças do rosto de Chelsy. O mesmo colocara as próprias mãos em cima das do primo. Ambos se entreolharam por bons minutos. – Eu trabalhava no comércio, em muitas lojas diferentes... Foi o suficiente pra começar a guardar em uma conta que abri...

– Começou bem... Poupar dinheiro é sempre um bom negócio.

– De dinheiro você entende, não é? – Dissera ele, sorrindo.

– É claro... – Respondera, apanhando uma mecha dos cabelos de Chelsy. — Vai renovar a tinta preta? – Perguntara.

– Não gosta do meu cabelo preto?

– Eu gosto do seu cabelo como ele é de verdade...

– Meu cabelo não é mais loiro... Agora é castanho claro.

– Não tem importância, é como você é de verdade. – Chelsy dera uma piscadela a ele.

– Preto é mais bonito... Assim, como os seus... – Dissera, acariciando os fios curtos de Gary. – É agora que você me beija, não é? – Gary sorrira, aproximando seu rosto ao de Chelsy. Selando seus lábios com um beijo doce e calmo.

– Eu... tenho que... ir trabalhar... – Falara, pois sabia que poderia perder a hora se continuasse assim.

– Então vai logo, se não vou te prender aqui. – Falara, beijando-o novamente, antes de empurrá-lo. – Anda, vai logo!

– Depois eu que sou o cavalo.

– Estou aprendendo com você, priminho. – Dissera, rindo-se.

Gary dirigia sorrindo inconscientemente. Não acreditava que estava se transformando em um idiota apaixonado. Não podia ser verdade... Pensara, mirando seu sorriso bobo pelo retrovisor, então fechara o semblante imediatamente.

– Que baboseira toda é essa... – Balbuciara rabugento.

Aquele fora um dia puxado, era uma sexta-feira agitada em que muitos dos funcionários acabaram por sair mais cedo do que de costume. Tom os dispensara, já que a agitação do dia os havia deixado um caco. Porém Gary ainda precisava ficar, estava revisando alguns documentos importantes com Tom. Apesar do frio, não havia nevado naquele dia.

– Quer beber algo, Gary? – Tom perguntara, espreguiçando-se na cadeira, e se levantando.

– Não, obrigado.

– Um suco, água, café...? – Gary soltara os documentos, mirando-o por cima dos óculos.

– Café.

– Ok. – Tom saíra em seguida. Observando as salas das quais já estavam vazias. – Quase todos já foram... – Balbuciara para si. – Perfeito. – Dissera, um sorriso maldoso brotando em seus lábios.

Eram quase cinco quando Gary soltara as papeladas. Tom havia lhe trazido um café, enquanto Gary verificava seu celular. Chelsy havia lhe mandado uma mensagem, dizendo que passaria na empresa assim que terminasse suas compras. O café estava amargo, tomara metade da xícara, mas não pode tomar o restante.

– Quem fez esse café? – Perguntara, mirando Tom, que o fitava já fazia algum tempo, sem que Gary tivesse notado.

– A cozinheira. Porque, está ruim?

– Não sei, o gosto está estranho, parece mais amargo...

– Não notei nada de diferente. Deve ser impressão sua. – Concluíra. Gary fizera menção de se levantar, mas tudo a sua volta girara, e ele acabara cambaleando para o lado, esbarrando na cadeira.

– Ei, ei! Está se sentindo bem? – Tom apressara-se em segurá-lo.

– Eu... – A mente de Gary começara a se embaralhar. Não conseguia formar uma frase claramente. O que estava acontecendo? Perguntara-se, confuso. Levantara os olhos para Tom, mas vira algo que não entendera. Ele sorria maliciosamente.

– É lógico que você não está bem... – Dissera, empurrando-o contra a mesa.

– O que você... está...?

– Você é muito inocente, Gary... Inocente demais pra nunca ter notado isso.

– Do que está falando? – Gary sentira suas costas serem totalmente postas contra a superfície de madeira rústica da mesa de Thomas.

– Você é um idiota... Nunca percebeu o que eu sentia por você... Acha que aguento todos os dias a sua pose de sabe tudo, à toa? Se eu quisesse, você não estaria mais aqui! Eu só te mantive nesta empresa, porque sempre pensei que talvez fosse perceber, fosse me perceber! Mas é claro que não! Você é um idiota que só pensa em si! Agora eu vou fazer você pagar por cada segundo que aguentei o seu “ar de líder”, em uma empresa em que você é o subordinado! Vou lhe mostrar o seu lugar! – Gary arregalara os olhos, ao ter sua camisa arrancada de uma só vez, vendo os botões voarem para os lados. Queria se mexer, empurrá-lo, mas não tinha forças para tal. Thomas desabotoava suas calças, até senti-las serem abaixadas.

***

Era uma empresa grande, e sem dúvidas, se não tivesse referencias, não teria encontrado o andar e onde ficava a sala de Gary. Chelsy notara que poucos funcionários ainda estavam ali.

– Talvez porque é sexta? — Perguntava-se, caminhando a passos rápidos, pelo corredor de pisos brancos. — Sala... 4. — Dizia, enquanto mirava a porta. — Vice presidente! Deve ser essa. — Ele a abrira sorrindo, porém ninguém estava ali.

– Está procurando o Gary? — Oswald mirava o rapaz esguio de mochila às costas, com natural curiosidade.

– Sim! — Dissera, virando-se para mirá-lo. — Sou Chelsy, primo dele. Sabe onde ele está?

– Ah! Você é o famoso Chelsy! — Oswald fez menção de cumprimentá-lo, o que foi prontamente correspondido.

– Sim, sou eu... — Dissera ele, apertando a mão do mais velho, sorrindo.

– Você é muito bonito! Gary sempre fala de você...

– Obrigado... Mas suponho que ele fale mal... Acertei? — Oswaldo o mirou sem graça, mas acabara rindo. — Eu sabia que tinha acertado... — Dissera Chelsy, que gargalhara com ele. — Mas ele me ama, tenha certeza disso. — Dissera dando uma piscadela a Oswald, que ficara sem jeito.

– Ah sim, Gary está no fim do corredor, na última sala à direita. Lá é a sala do Thomas, o presidente.

– O que ele está fazendo na sala do presidente? — Chelsy sentira uma pontada estranha no peito.

– Estavam revendo umas papeladas. Pode entrar lá.

– E eu ia mesmo que dissesse para não ir. — Respondera rindo de maneira safada, girando nos calcanhares a caminho da sala. — Foi um prazer conhecê-lo! — Dissera acenando antes de virar as costas, apertando o passo.

– Ah, ok. — Respondera Oswald, que notara a pressa do rapaz.

Algo não estava certo, pensara Chelsy, que não entendia o porquê, mas sabia que não deveria ser coisa boa. Encontrara a porta, e sem demoras a abrira, esperou que estivesse trancada, mas graças à uma força maior, não estava. Demorara alguns poucos segundos para processar o que vira.

– Chelsy...! — Gary gritara, a voz notavelmente fraca. Chelsy mirou seus olhos cheios de lágrimas, e talvez aquilo tenha o despertado do susto de alguns segundos. Tom estava debruçado sobre ele, que já estava sem roupas, apoiando as mãos com dificuldades sobre a mesa.

– Seu filho de uma DESGRAÇA! — Antes que Tom pudesse pensar, levara um chute certeiro no rosto, sendo arremessado instantaneamente para o chão pelas pernas longas e, inacreditavelmente fortes de Chelsy. — Nunca mais encoste no MEU Gary! — Gritara, aproximando-se de Thomas. — Está me ouvindo? — Segurara-o pela gola da camisa, sangue escorrendo de sua boca. Ele o jogara de volta ao chão, depois voltara-se para Gary, que estava nu, em cima da mesa.

– O que está acontecendo aqui?! — Oswald adentrara a sala, os olhos arregalados ao se deparar com Thomas ensanguentado e quase desacordado ao chão, e com Chelsy, que ajudava o primo totalmente pelado, a se levantar.

– O que acontece é que o chefe de vocês é um tarado pervertido!

– O que você fez, Thomas? — Perguntara Oswald que erguera Tom, fazendo-o sentar-se, encostando-o na parede.

– Eu... — Tentava falar, mas notara que parte de seus dentes da frente estavam quebrados. — Vofe quevrou o meu denfe! - Dissera, ou ao menos tentara dizer, fitando Chelsy.

– Devia era ter quebrado você ao meio! — Chelsy tentara avançar nele novamente.

– Ei, ei! — Oswaldo entrara no meio. — Chelsy, leve Gary daqui. — Falou, mirando de soslaio o rapaz que estava visivelmente alterado. — Vou ter uma conversinha com seu pai, Thomas.

Chelsy havia ajudado Gary a se vestir, então o levara de volta a sua sala, dando-lhe água.

– Ele te molestou, Gary? O que ele fez com você?

– Ele... — Chelsy notara que Gary estava visivelmente dopado. A mente parecia confusa e embaralhada, mas ainda conseguia formar algumas poucas palavras.

– Não vai me dizer que ele te estuprou! — Chelsy parecia desesperado, notara Gary, observando-o. Apesar da fraqueza sentia-se grato pelo mesmo ter aparecido naquele exato momento. Sorriu. — Gary! Me responda pelo menos isso! Ele chegou de fazer alguma coisa? ME RESPONDA!

– Não... — Dissera Gary, reunindo forças. Sentia que ia desmaiar a qualquer momento.

***

Abrira os olhos mirando uma luz forte que insistia em lhe acordar. Seu corpo parecia estar entorpecido. Escutara vozes, que começaram a se tornar definíveis por sua audição embaralhada.

– Em breve o efeito da droga passará. Certifique-se de que ele beba muita água.

– Mas ele não está ferido, não é? — Era a voz de Chelsy, identificara Gary.

– Não, não... Apenas alguns arranhados no peito, e em parte das cochas, mas não aconteceu o que você está pensando, meu rapaz.

– Ufa... — Chelsy sentia-se aliviado. O médico notara, sorrindo.

– Ele ficará bem. Só precisa descansar.

– Muito obrigado doutor. Eu morreria se soubesse que algo pior tivesse acontecido à ele.

– Eu sei... Dá pra notar. — Disse o médico, com a expressão terna, devido a aparente preocupação na voz do rapaz. Gary escutara os passos de ambos se distanciarem da onde estava. Se perguntara como havia parado ali. Estava em seu quarto, reconhecera. Mas não se recordava de mais nada. Alguns minutos depois, escutara as escadas. Chelsy havia chegado ao quarto novamente. Trazia um copo com água em suas mãos, depositando-o na mesa de cabeceira. Sentara-se ao lado de Gary na cama, o mesmo havia fechado os olhos. Sentira as mãos quentes do rapaz, acariciarem seus cabelos. Abrira os olhos lentamente, mirando duas esferas douradas, que o fitavam com ansiedade.

– Gary! Você acordou! Como está se sentindo? – Gary sorrira.

– E-Estou bem... – Chelsy o mirara com pesar e preocupação.

– Aquele desgraçado... Eu vou mata-lo!

– Xiii, está tudo bem. – Dissera ele, que acariciara o rosto do mais jovem. Tentara se levantar para sentar-se à cama, Chelsy o auxiliara, erguendo os travesseiros para apoiar suas costas. – Obrigado.

– Como pode dizer que está tudo bem? – Perguntara Chelsy. — Aquele filho da mãe tentou abusar de você! E o covarde ainda te drogou!

– A culpa é minha.

– C-Como? – Chelsy o olhara confuso.

– Eu... Não percebi o meu jeito de ser. – Dissera, baixando os olhos. — Chelsy, eu sempre fui prepotente e arrogante. E eu só fui notar isso recentemente... – Ele levara uma das mãos, às maças do rosto rosado do rapaz. – Depois que... convivi com você.

– Do que você est...

– Você me fez enxergar o quanto fui um idiota e... Tom ele... – Ele mirara Chelsy. – Ele teve muita paciência comigo, esse tempo todo eu... Nunca notei o quanto o humilhei, e como ele mesmo disse, eu era só um subordinado... Eu sou mesmo um chato. Deve ser por isso que sou sozinho.

– Não, Gary!

– É sim Chelsy, eu sei... Eu nunca parei pra observar os outros... Eu nunca soube o que era ter um amigo porque eu... Sempre pensei só em mim. Não percebi o que Thomas sentia por mim. Jamais notei. Nem mesmo sabia que ele era gay.

– Talvez ele nunca tenha dado na pinta. Se você não tem gaydar*, você não consegue notar isso.

– Não tem o que...? – Chelsy sorrira.

– Ao contrário de mim, tem homens que não aparentam ser, e outros que ainda nem se quer sabem que são.

– Como eu...

– Exatamente. Na verdade você está mais pra bi, do que pra homo... Mas isso não vem ao caso agora. – Dissera, segurando os dedos do mais velho entre os seus. – Só queria que parasse de pensar que a culpa é sua. – Dissera. Gary mirou suas mãos, sendo amparadas tão carinhosamente pelas pálidas e quentes de Chelsy.

– Mas eu... ainda assim, não odeio o Tom. – Chelsy o fitou, pensativo. Gary estava diferente, havia mudado, mais do que podia imaginar.

– Você se transformou em uma outra pessoa, né? – Dissera o mais jovem, sorrindo docemente ao primo.

– A culpa é sua!

– Ah! Agora a culpa é minha? – Gary rira, o puxando para si, prendendo os lábios fartos de Chelsy aos seus.

– Sim... – Balbuciara, antes de ter sua boca calada por Chelsy. – Obrigado... – Dissera, em meio ao beijo. Chelsy apartara o beijo.

– Pelo que?

– Por ter bancado o herói. Agora já sei pra que servem essas pernas enormes aqui! – Chelsy gargalhara.

– Ohh! Pra alguma coisa teriam que servir! – Falara, ainda rindo.

– Eu nunca imaginei que um dia, alguém faria isso por mim... – Chelsy o mirara.

– Era o mínimo que eu podia fazer... Você é que é meu herói! Você me salvou um dia, e eu nunca vou esquecer... – Dissera. – Gary sabia que ele estaria se referindo à sua festa de oito anos.

– Ah... Aquilo não foi nada... – Dissera.

– Pra mim foi! – Chelsy o fitara intensamente. Gary sorrira. – E eu não posso nem imaginar alguém lhe fazendo mal... – Dissera. — Ainda mais algo como aquilo. – Gary se sentira grato. Chelsy se preocupava com ele, como não notara? Assim como Tom, ele jamais havia reparado nos sentimentos de Chelsy para consigo. Como podia ser tão tapado? Perguntava-se. Com Chelsy, estava descobrindo coisas que jamais imaginaria que chegaria a descobrir. Ele mirara-o, procurando seus olhos, aqueles mesmos olhos que mirara há tantos anos atrás pela primeira vez, aqueles mesmos olhos que lhe dera tanta segurança, uma segurança que jamais entendera, mas que seu coração nem fazia questão de racionalizar. Estava enjoado de sempre ter que recorrer à lógica para viver... Pela primeira vez, escutaria seu coração.

Gary demorara a acordar. Ainda se sentia fraco. Ligara para empresa logo pela manhã, Oswald o informara de que Tom havia se afastado da empresa temporariamente, e seu pai, Sr. Onófolis, iria assumir ao menos três dias, até que Gary voltasse, pois o mesmo havia lhe dado aqueles dias para descansar. Sentira-se grato pelo tempo de descanso, mas preocupara-se com Tom, apesar de tudo, como ele mesmo havia dito, não conseguia odiá-lo.

O cheiro de café fresco invadia a cozinha. Gary caminhou até ela, dando de cara com uma figura alta e magra, de cabelos... claros?

– Chelsy?! – O rapaz o mirara.

– Bom dia!

– O que você fez com seu cabelo? – Chelsy sorrira. Seus fios que eram razoavelmente longos e negros, agora porém, estavam bem mais curtos, e castanho claro.

– Saí do cabelereiro agora pouco. Comprei minha cor original ontem, e aproveitei para cortá-los. Não gostou? – Gary piscara os olhos algumas vezes.

– Eu... Você ficou... Muito diferente! – Dissera ele, Chelsy estava de fato, diferente. E para ele, mais belo.

– "Diferente" quer dizer o que? – Perguntara, aproximando-se. Usava um moletom azul claro, e chinelos atoalhados.

– Mais bonito... – Chelsy rira da expressão surpresa do mais velho.

– Era tudo que eu queria ouvir... – Falara, antes de lhe dar um selinho nos lábios.

Notas finais
*Gaydar - Termo utilizado para se referir a um tipo de "radar" que identifica homossexuais. Você pode ler mais em: http://vidaeestilo.terra.com.br/homem/ciencia-mostra-que-o-gaydar-existe-mesmo,a91875844d137310VgnCLD100000bbcceb0aRCRD.html ----------------------------------------------------------------------- E o que acharam? xD Espero que tenham gostado... *o* Até o próximo, minna!