O que Realmente Importa no Amor?
7 Paciência Tem Limite!
Notas iniciais
A madrugada estava fria e chuvosa. Chelsy acordara às quatro da manhã. Não escutara som algum pela casa. Levantou-se devagar. Ainda estava um pouco escuro. Mirara pela janela, próximo às escadas. Uma chuva fina caía lá fora. Gary ainda não havia se levantado. A verdade era que Chelsy não conseguira dormir. Talvez pelo fato de ter ficado tão contente com as palavras do primo, que foi difícil pegar no sono. Envolto em pensamentos, notou que seus pés o haviam levado inconscientemente, à porta do quarto de Gary. A mesma estava entre aberta. Ele mirou no canto da fresta. Abriu-a devagar. Uma luz fraca iluminava o local. Gary dormia profundamente, com a luz baixa de seu abajur. Chegara mais perto. O mesmo estava seminu, usava somente uma samba canção branca, o edredom jogado de lado. Chelsy pode ver claramente seus braços, cujo os músculos eram perfeitamente equilibrados, não sendo exagerados, mas o suficiente para ser forte. Seu peito possuía poucos pelos, seu abdômen era rígido, digno de quem malhava, mas não se lembrava de vê-lo visto malhar alguma vez na vida... Ele se mexera, exibindo as coxas perfeitas e grossas. Chelsy sentia afobar-se com aquela cena tão sensual. Arrependera-se de ter entrado ali. A verdade era que, nunca entendera o que sentia por Gary. Desde sempre gostara dele, mas... que forma de gostar era essa afinal? Ele não sabia responder, um sentimento de admiração e talvez... amor? Atração? Poderia ser... paixão? Ele engolira em seco. Sabia que cairia do cavalo, Gary era arredio e assexual! Como alguém tão lindo e perfeito poderia ser, assexual? Que nova espécie de ser humano era essa, que não desejava ter um contato mais íntimo? Que não sentia tesão! Ele não compreendia, mas também não poderia culpar Gary... Pois ele fora o único até agora que não o questionara. Sentara-se ao chão, observando o mais velho dormir. Vê-lo daquela forma tão vulnerável, o fez se sentir um tantinho melhor, pois o sempre "todo poderoso Gary", também era um ser humano, chato, mas um ser humano, como ele, como qualquer outro... Sentira uma sonolência repentina, seus olhos pareciam pesados, e aquela luz fraca só aumentava o estado entorpecedor.
Acordara como de costume às cinco. Esquecera-se que não trabalharia naquele dia. Levou os pés ao carpete do chão, até notar uma figura em posição fetal, perfeitamente colocado no tapete.
– Tsc... É mesmo um gato... — Dissera Gary em tom baixo. Normalmente gritaria com Chelsy, como ele se atrevera a entrar em seu quarto?! Mas não o fez. Sentia-se triste pelo garoto. Como não desconfiara que ele estivesse machucado? Como Mark fora capaz de judiar tanto do seu filho mais novo? O que mais o impressionava, era Chelsy não ter dito uma só palavra a respeito. Por mais que não aparentasse, sabia que ele estava tentando ser forte. — Mas é só um garoto... – Dissera, agachando-se para pegá-lo no colo. Colocara-o sobre os lençóis, ajeitando seu cobertor sobre ele. Continuara ali, sentado na cama, vendo-o dormir. Usava uma calça preta, e uma blusa de manga comprida da mesma cor. — Um gato preto... Dizem que dá azar... — Falara num sussurro rindo-se da ironia. Ele observara que a raiz dos cabelos de Chelsy já estavam começando a mostrar sua verdadeira cor. "O seu cabelo é bonito. Acho bonito cabelo preto. O meu é feio... Amarelo e escorrido." Lembrara-se de ter ouvido aquilo antes... Sorrira. Ele pintara os cabelos por causa disso? Perguntara-se. Vendo-o melhor, havia se tornado um belo rapaz, esguio, com um “quê” andrógino que o tornava diferente e ao mesmo tempo, encantador. Só seu gênio que não era lá dos melhores... Concluíra. Lembrara-se do selinho que recebera na noite anterior, sentira o rosto esquentar, o que aquele garoto estava pensando pra fazer aquilo? Tentaria não lembrar disso de novo. Levantara-se. Sua cabeça começava a latejar. Iria preparar o café.
Novas nuvens negras eram vistas pelo céu. O sol não aparecera afinal. Um sentimento estranho alojara-se no peito de Gary, ele sabia, uma enorme tempestade viria em breve. Mas estava pronto para enfrentá-la... Pensou ele, erguendo os olhos ao mirar a janela, com um copo de café fumegante em suas mãos.
Acordara sentindo um cheiro amadeirado e sutil de perfume masculino. Abrira os olhos. Um trovão estrondoso fora escutado lá fora e gotas pesadas de chuva, bateram na janela. Chelsy recordara-se de ter pegado no sono no quarto de Gary, e notando pelas cobertas, concluiu que estaria em sua cama. Que maravilha! Pensara feliz, aconchegando-se entre os cobertores.
– Tom, pode segurar as pontas pra mim? Não vou poder ir hoje (... ) Sim, sim, problemas de família... Eu vou cobrir esse dia, pode deixar... Sim (...) Ok, obrigado. — Chelsy escutara a voz do primo, falar ao telefone. Quem seria Tom? Perguntara-se. — Já acordou? Achei que dormiria mais... — Dissera Gary, mirando Chelsy descer as escadas. Havia trocado de roupas.
– Se eu dormisse mais, você me jogaria com a cama e tudo na piscina... Acertei?
– Em cheio.
– Carrasco... — Balbuciara o rapaz.
– Café?
– Não obrigado. Muito ácido, sabe? — Gary sorrira com a clara provocação.
– Acontece que este que tomo, possui um teor bem abaixo de ácido, do que normalmente teria.
– Ah meu Deus! Você pensa em tudo mesmo, hem!? — Gary esboçou um sorrido.
Aquele fora um dia normal para ambos. Embora nenhum dos dois tenha tocado no assunto da noite passada. Gary queria perguntar mais coisas, mas era um homem de poucas palavras.
Era quase seis da noite, quando o interfone soou.
– Sim?
– Senhor Frost, há um homem aqui na portaria, chamado Mark, que deseja falar com o senhor.
– Deixe-o entrar.
– Ah, ok.– Chelsy que estava lanchando, viera.
– Quem era? — Perguntou.
– Seu pai está aqui.
– O que?! — Chelsy arregalara os olhos. As lembranças da surra que levara dele vieram à mente.
– Vou dizer que não está. Fique no quarto. — Chelsy ficara parado. — Chelsy! Estou falando com você!
– E-Eu não posso... Eu vou ficar aqui e encará-lo. — Gary nada mais dissera, até a campainha tocar.
– Você tem certeza? — Perguntara ao rapaz.
– Absoluta. – Falara, mirando-o.
– Ok. — Gary abrira a porta.
– ONDE ELE ESTÁ? — Mark gritara. Gary nem entreabrira a porta direito, quando teve a cara grande do tio invadindo sua sala. Sem que esperasse, vira a grande mão branca e gorda de Mark, se fechar em direção a si. Sentira uma dormência gigantesca no meio da face. Seus pés desequilibraram-se, e quando dera por si, estava no chão.
– GARY! — Ele escutara a voz de Chelsy, então reagira imediatamente. Mark talvez lhe daria um segundo soco. Mas antes que isso acontecesse, Gary o atingira também, fazendo-o cambalear para trás.
– Desgraçado! Você desonrou o meu filho! — Gritara Mark, avançando para ele novamente.
– Você não sabe do que está falando! — Rebatera Gary, segurando o tio pela camisa.
– Ahh, não sei? Eu duvido que você não tenha transado com ele! — A raiva invadira ainda mais Gary, que não pensou duas vezes em socá-lo novamente.
– Nunca mais duvide da minha integridade! Seu velho lunático! Você precisa de tratamento! Seu hipócrita nojento! — Chelsy vira o primo sangrar pelo nariz, enquanto gritava com Mark. Não sabia o que fazer, estava em desespero. O velho avançara novamente para Gary.
– PAREM AGORA!– Chelsy gritara com toda a força que conseguira. Sua respiração e seu coração estavam à toda.
– Ahh então você está aí! Seu gayzinho ridículo! — Mark avistara Chelsy ao pé da escada, não o tinha notado até então. O rapaz porém nada dissera, só observava o pai latir palavras à esmo. Mark mirara Gary, em seguida o filho novamente. — Seu imprestável! Eu avisei você, Chelsy! Se viesse aqui, eu não iria pensar duas vezes! — Ele avançara para o garoto. — Você me envergonha! — Mas antes que pudesse alcançar o filho, Gary o segurara pelo pulso.
– Você não vai encostar no Chelsy. — Dissera. Embora sua voz mantivesse seu tom frio, Chelsy poderia ver os olhos do primo faiscarem.
– Me solta, rapaz! — Dissera. — Gary porém não movera um músculo.
– Eu não vou a lugar nenhum pai. — Chelsy falara. — Vou ficar aqui.
– Ahhh mas não vai mesmo! — Ele tentara se desvencilhar de Gary, mas não conseguira. O mesmo o puxara pelo braço.
– Não ouviu o que ele disse? — Perguntara. Vira o tio bufar de ódio. Sangue também escorria por seu rosto.
– O QUE VOCÊ ENTENDE? SEU MOLEQUE! — Gritara o tio a Gary.
– O que eu entendo? Que você está sendo um péssimo pai! Olha o que você fez ao seu filho! SEU FILHO! Que tipo de pai surra o próprio filho por um motivo tão banal? – Dissera, soltando seu punho.
– BANAL? Queria ver se fosse seu filho!
– Eu aceitaria, porque isso não faz diferença... Isso não importa. Na verdade, eu não tenho o que aceitar. É a vida dele, é o que ele sente, é o que ele é! Isso faz parte de cada um... Mas é claro que eu não poderia esperar uma atitude sensata de uma pessoa como você, que jamais ligou para seus filhos, aliás! Não liga nem para si próprio, o que diria de seus filhos, ou de sua esposa, que é uma coitada infeliz!
– Repete o que disse!
– É isso que ela é. Uma mulher que aceita esse tipo de coisa, também não merece ser chamada de mãe! Uma pessoa que não intercede quando um bosta como você, toma atitudes como essa! — Mark levara as mãos para esbofetear Gary, mas algo inesperado ocorrera, Chelsy impedira o tapa, segurando com todas as suas forças, as mãos do pai.
– CHEGA! — Gritara ele. Seus olhos redondos estavam inchados, vermelhos e inundados de lágrimas. — Chega... por favor... — Pedia ele. Mark arregalara os olhos, vendo os braços e ombros do filho, repletos de hematomas gigantescos, já que o mesmo usava uma regata. Mark enfraquecera a mão, soltando-a. Dera alguns passos para trás, ainda mirando Chelsy, que chorava de cabeça baixa. Gary passara as mãos pelos ombros do rapaz, trazendo-o para si, uma expressão dura no rosto, enquanto o tio os observava, parecendo completamente estarrecido.
– Eu... Eu vou embora. — Disse. – Mas eu volto. – Mirou Chelsy, em seguida Gary. Girou nos calcanhares, e se encaminhara até a porta. Saíra a passos lentos, até fechá-la com tudo. Chelsy se deixara levar, afundando o rosto na camisa do primo, enquanto a segurava com força, e então chorara... Chorara como uma criança.
– Desculpe Gary... Desculpe... — Repetia ele em meio ao choro excessivo. Gary permanecera em silêncio, enquanto acariciava levemente os cabelos negros do rapaz. Não era dado a carícias, e se surpreendera consigo, quando notara o que estava fazendo. — Eu só... trouxe problemas... pra você... — Falara, soluçando. Gary o afastara, a fim de mirá-lo melhor.
– Está tudo bem...
– Não... Você está machucado! — Chelsy passara as mãos pelo rosto do mais velho. — E isso é culpa minha, eu...
– Para. Já disse que está tudo bem. — Falara. Gary se afastara, subindo as escadas. Fora para seu quarto sem olhar para trás. Mais uma vez, tentava evitar o rapaz. Chelsy permanecera em silêncio, sem saber exatamente o que fazer. Porque Gary agia sempre daquela maneira? Resolvera seguir o primo.
Não o vira no quarto, mas a luz do banheiro estava acesa. Ele caminhou lentamente até parar na soleira da porta. Gary estava em frente ao espelho. Passava algodão pelo nariz, que já havia parado de sangrar. Limpara parte do sangue que secara em sua face, revelando uma grande área vermelha, próxima aos olhos.
– Isso vai ficar roxo... — Dissera Chelsy adentrado o local. Gary estava sem camisa, que estava ensopada de sangue, deixada a um canto.
– Eu sei. — Dissera ele.
– Vou pegar gelo. — Falara, saindo rapidamente.
– Não precisa! — Gritara.
– Eu vou pegar sim! — Bufara em resposta Chelsy, que já havia saído do quarto. Retornara em seguida, trazendo alguns cubos de gelo, enrolados em um pano, provavelmente pano de prato.
– Prontinho... — Dissera ele, que se colocara entre a pia e o primo, sentando-se sobre ela, ficando frente à ele, que ainda mirava o espelho. O rapaz pode notar o quanto Gary ficara vermelho quando o mirou naquela posição, com as pernas abertas nas laterais de seu corpo.
– Desce já daí garoto! — Ele ia tentar tirá-lo da pia, mas parou o ato quando sentiu o gelo em sua face. — Ahh... — Um alívio imediato acometera o local ferido.
– Uau! Se eu soubesse que você ia gemer desse jeito, eu mesmo teria te batido... — Brincara Chelsy. Mas se arrependera, ao ver os olhos de Gary faiscarem, embora estivesse mais vermelho do que antes. — Desculpa eu... Exagerei na piada... Eu nunca faria isso... — Falara o garoto, abaixando os olhos. Gary fizera menção de puxar a bolsa de gelo improvisada das mãos do rapaz, mas Chelsy impedira. — Pode parar!
– Eu posso fazer isso.
– Não pode... — Retrucara ele, que continuara a massagear a área ferida na face do primo. — Meu pai não podia ter feito isso... — Lamentara, reparando no ferimento mais de perto.
– Tudo bem... Ao menos foi comigo dessa vez... — Dissera. Chelsy silenciara. Gary o havia defendido bravamente, enquanto que ele estava ali, fazendo piadinhas e insinuações pervertidas com seu salvador. As vezes repugnava-se de si mesmo por ter aquela personalidade.
– Gary... — Dissera ele, baixando a mão. — Vou dar um jeito de ir embora. — Gary o fitara, sério.
– Por que isso agora?
– Porque você não merece passar por isso... — Chelsy baixara os olhos. — Eu estou estressando você, sei que não é fácil conviver comigo e... Minha personalidade é horrível. Eu sei disso. — Uma lágrima escorrera por seu rosto, pingando no mármore branco da pia. Gary levara uma das mãos ao queixo do rapaz, erguendo-o em sua direção. Chelsy que não esperava por isso, o mirou nitidamente surpreso.
– Não precisa ir embora. — Dissera.
– Mas...
– Eu quero que fique. — Sua voz fria e seu olhar sagaz, pareciam fuzilar Chelsy. O rapaz baixara os olhos para os lábios entreabertos do mais velho. Ao mesmo tempo, passara a língua molhada pelos seus próprios, umedecendo sua boca que estava seca. Não podia negar que tinha vontade de beijá-lo.
– Porque quer que eu fique? — Perguntara, diminuindo a distância entre suas faces.
– Porque... — Gary perdera sua linha de pensamento, ao ter a infeliz ideia de fitar os olhos âmbar à sua frente. — Porque eu... — Droga! Pensara. Era tão difícil para si, expor o que pensava ou sentia. Mas por um segundo, vira uma brecha em sua mente furtiva e escorregadia, como um pequeno momento de insanidade, que sabia que o faria se arrepender depois. Era por isso que queria manter distância.– Porque eu... — Chelsy ainda continuava a mirá-lo, embora fosse difícil sustentar o olhar, vira uma sombra de insegurança ali, um lado de Gary que poucos viam e que ele raramente deixava transparecer.
– Você..?
– Eu... não quero ficar sozinho. — Gary pode ver um enorme e gentil sorriso, brotar dos lábios róseos do rapaz. Chelsy levara uma das mãos pelo ombro de Gary, fazendo-as passearem por suas costas, até alcançarem sua nuca, prendendo seus dedos por seus fios curtos e negros.
– Eu nunca vou te deixar sozinho... — Falara, trazendo-o para mais perto de si. Gary apoiara as mãos na pia, ao ter-se debruçado sobre o outro. Viu-se como um adolescente, seu coração batia à mil com a aproximação. Até sentir os lábios quentes e macios de Chelsy lhe acariciarem a boca. Fechara os olhos instintivamente. Chelsy sorrira com o gesto inocente e verdadeiro. Levara a outra mão ao peito de Gary, e pode notar o quanto seu coração batia depressa. Embora fosse frio na maioria das vezes, ali dentro escondia-se um Gary sensível e amável, que ele sabia que o mesmo não conseguiria sustentar por muito mais tempo. Gary sentira sua boca ser invadida repentinamente pela língua quente do mais novo, que procurou pela sua, enroscando-se nela. Há muito que Chelsy quisera beijá-lo, que quisera prová-lo, mas sabia desde sempre que não seria fácil. Sentira Gary intensificar o beijo, e Chelsy sorriu por dentro ao saber que o mesmo pedia por mais de si. Aumentara o ritmo, em que ambos moviam suas cabeças freneticamente, procurando um melhor encaixe. Era agora ou nunca, pensara Chelsy, que levara uma das mãos por dentro do jeans do mais velho, acariciando as nádegas roliças e firmas de Gary. O mesmo arregalara os olhos, e se afastara rapidamente.
– Pare. — Dissera. O rosto corado, a respiração falha. Chelsy o mirara confuso.
– O que eu.. fiz de errado? — Perguntara. Gary parecia envergonhado, mas ainda assim o encarara.
– Não adianta fazer isso. Já disse que não dá! Não comigo! — Ele disse, virando as costas e saindo o mais depressa que pode dali.
Fale com o autor