Notas iniciais
Finalmente um capítulo maior! o/ Espero que curtam! Boa leitura!

O lanche transcorrera tranquilamente. Gary lavara toda a vasilha, enquanto Chelsy o observava. Podia sentir o olhar fixo do garoto sobre si, mesmo de costas. Aquilo incomodava, pensava. Ele terminara de limpar tudo em total silêncio, e após isso fora para a sala, deixando o rapaz na cozinha, sem olhar para ele.

Pegara os óculos e um dos livros de economia que estava lendo, e pôs-se a sentar em sua poltrona de leitura na sala.

– Você ainda usa óculos? – Perguntara Chelsy. Não haveria como ler, concluíra Gary, ao notar o rapaz se aproximando. Fechara os olhos levemente.

– Se está vendo, porque pergunta?

– Você... é muito chato, Gary! – Dissera o garoto.

– Se você acha, porque veio à mim pedir ajuda?

– Porque... – Chelsy sentara-se ao chão, em cima do tapete persa que ficava próximo aos pés da poltrona. Dobrara os joelho, pousando as mãos delicadas sobre os mesmos. – Acreditei que fosse o único que me aceitaria... como eu sou.

– Um corvo preguiçoso?

– Ei! Eu não... – Ele levantara os olhos para mirar o primo, desaprovando-o. Mas ao encarar aqueles olhos azuis o mirando sob os óculos, parou o que ia dizer.

– Você o que? – Ele virara o rosto, olhando para o chão. Nada dissera. – Vou ligar para seus pais, avisar que está aqui.

– NÃO! – Gary o mirara surpreso com o grito repentino do rapaz. Ele se levantara sobre os joelhos, segurando Gary pelas roupas. – Por favor Gary! Eu pedi aos seus pais para não falarem que estou aqui, por favor, não fale com eles! – Gary continuava mirando-o sem entender.

– Como não? Tenho que falar onde você está! Devem estar preocupados com você!

– ELES NÃO ESTÃO! Já não disse que me expulsaram de casa? – Gary estava de fato estupefato com a reação dele.

– Você ainda não me contou o porquê de terem te expulsado.

– E nem vou contar.

– Ah você vai sim!

– Não vou.

– Escuta aqui Chelsy, você chega na minha casa montando banca e eu não tenho o direito de saber o que aconteceu? Você vai me contar sim! – Apesar de aparentemente com raiva, Gary ainda possuía um “quê” de frieza em sua voz.

– Pra que? Pra me expulsar como todos fizeram? – Gary deixara o livro na mesinha de centro, e retirara os óculos, cruzando as pernas.

– Diga. – Chelsy estava com os olhos cheios d’água.

– Eu... – Ele mirara o chão novamente, como se nele pudesse encontrar uma saída. Mas sabia que não haveria outro jeito. – Eu... Eu sou... Tá! Eu sou GAY! G-A-Y, gosto de homens! — Vomitara as palavras de uma só vez.

– E daí?

– E daí?– Chelsy estranhara a reação calma de seu primo, ante à sua confissão. — E daí que não sou como meus irmãos, ou nossos outros primos!

– Graças aos céus que você não é como seus irmãos!

– Você não entende! Sou o fiasco da família! A ovelha negra...

– Não... A ovelha negra, sou eu. Não pense em tomar esse posto de mim. – Dissera Gary sério. Chelsy parara de falar, mirando-o incrédulo.

– Colorida então?

– Pode ser... – Dissera, considerando. — Então é por isso?

– Por isso...?

– Que te expulsaram, porque descobriram que você é gay?

– Não, eu contei. Tá... eu contei porque meu irmão me viu com outro rapaz, e... Bem, isso não vem ao caso.

– Não, não vem.

– E então? – Perguntara Chelsy, parecendo aguardar uma reação preconceituosa de Gary.

– E então, o que?

– Vai dizer pra eu ir embora?

– Você tem outro lugar pra ir?

– Não, mas eu...

– Então eu não vou pedir para ir.

– Ah! Então se eu tivesse, você iria pedir isso?

– Sim. – Chelsy arregalara os olhos surpreso, que repentinamente ficaram completamente marejados. Gary percebera isso. O rapaz abaixara o rosto rapidamente.

– É claro, não é...? Eu sou uma aberração. – Falara, um sorriso doentio e infeliz brotando de seus lábios.

– Eu não disse isso.

– Não importa. – Ele se levantara, enxugara as lágrimas resignando-se. – Vou ver se consigo outro lugar para ir o quanto antes. – Falara. Gary ficara com vontade de bater nele. Porque adolescentes eram tão impertinentes assim? Perguntara-se. Não se lembrava de ter sido um adolescente tão cheio de marras assim... Chelsy saíra da sala antes que Gary pudesse impedi-lo, e subira as escadas quase correndo. Ele respirara fundo fechando os olhos, friccionando os mesmo com a ponta dos dedos. Queria ser mais frio do que isso, pensara, enquanto levantava-se, indo em direção ao quarto de hóspedes.

Ao abrir a porta, deparara-se com um montinho embrulhado em cobertores em cima da cama, as luzes apagadas. Sentara-se ao lado do rapaz.

– Eu nunca disse que você era uma aberração. – Falara. A voz calma, passara uma tranquilidade familiar a Chelsy, mas ele não se movera. – Eu sou assim mesmo. Você me conhece. E... – Ele parara, respirando fundo. – Eu sempre soube disso, sobre você. E sempre temi por isso, justamente por causa de seus pais. – Dissera. Chelsy arregalara os olhos. Não esperava ouvir aquilo. – Na medida em que foi crescendo, eu fui notando.

– Eu não escolhi ser assim. – Falara Chelsy sob os cobertores. Sua voz estava abafada e baixa.

– Eu sei. Ninguém escolhe. – O rapaz tirara o cobertor do rosto, exibindo somente parte dos olhos.

– Não... Eu.. eu nasci assim. – Gary meneou a cabeça positivamente. Levara as mãos até o topo dos cabelos de Chelsy, descendo-as para sua testa. O garoto pareceu surpreso, não se lembrava de algum gesto de carinho por parte do primo. Fechara as pálpebras, e muitas lágrimas desceram de seus olhos dourados. Gary fez menção de puxar a mão, mas Chelsy a agarrara rapidamente, passando-a pelas laterais de seu rosto. O mais velho arregalara os olhos. Seria aquilo um gesto claro de carência? Puxara a mão, desta vez, não dando espaço para Chelsy a apanhar novamente. Levantara-se apressadamente.

– Eu... Tenho que estudar. — Dissera caminhando à passos rápidos para a porta. Saíra, puxando-a até fechá-la. Chelsy sorrira. Estava feliz. Quem sabe um dia não conseguiria quebrar "aquele gelo" que era seu primo?

Gary acordara cedo, prepara um rápido café e torradas integrais. Por mais que entrasse somente às oito horas da manhã, nunca conseguia dormir mais, sempre acordava por volta das cinco. Talvez porque dormisse cedo... Não tinha muito o que fazer de noite, a não ser preparar sua janta e ler. Não tinha o costume de assistir tv, raramente um filme, mas nada mais. Acompanhava as notícias pela internet, e se mantinha atualizado dessa forma. Ele mirou o relógio de pulso. Marcavam exatas sete e meia. Chelsy não deveria acordar cedo, pensara. Levantou rapidamente, deixando um bilhete preso à geladeira, informando que havia torradas e café. Mas chegou a duvidar se ele comeria as torradas integrais.

Mesmo pela manhã, o transito já estava insuportável. No que dependesse de Gary, preferiria trabalhar somente pelo computador, deslocar-se de sua casa era muito chato e incômodo. Mas era necessário, pelo menos por enquanto... Lembraria de passar no chaveiro e providenciar uma cópia das chaves para Chelsy.

***

– Está com a cara horrível Gary! O que aconteceu? — Perguntara Oswald, claramente preocupado com o amigo, vendo-o ajeitar as coisas em sua sala. Costumava passar ali para dar bom dia.

– Meu primo.

– Quem?

– Chelsy, um primo por parte de pai, me pediu asilo.

– Sério? E quantos anos ele tem?

– Dezoito.

– Ai ai ai... Adolescentes... Deve estar sendo um incômodo pra você, estou certo? — Perguntara. Conhecendo o companheiro de trabalho como conhecia, na certa as coisas não estariam indo bem para Gary, já que o mesmo era tão antissocial que nem namorada tinha.

– Nem imagina o quanto! — Oswald sorriu. — Não me lembro de ter sido um adolescente tão problemático!

– Pergunte à sua mãe... Ela terá a reposta. — Gary parou um segundo, pensando.

– Vou me lembrar de perguntar.

Aquele fora um dia puxado. Não sabia dizer se era impressão sua, mas Tom aparentava estar lhe dando mais obrigações do que lhe cabia em seu cargo. Analisara tantas papeladas, negociações com fornecedores, entrevista de contratação de novos funcionários, análise das mercadorias e checagem de qualidade das mesmas. Sim, definitivamente estava muito além de suas funções, mas não se incomodava, para ele, quanto mais envolvido estivesse com os funcionários, mas ganharia deles confiança e credibilidade. Ele já estava mesmo querendo há algum tempo, mudar a política de relação "patrão x funcionários" naquela empresa. Eu vou mostrar a você como se faz, Tom. Pensara ele, mirando os olhos de seu chefe após analisar uma papelada. Tom, embora sendo seu patrão, parecia temer por vezes seu olhar austero e suas atitudes imponentes. Seu celular tremera em seu bolso. Gary deixara os documento à mesa, visualizando a tela que piscava incessantemente. Era um número diferente. Chelsy lhe veio à mente. Escrevera seu número no bilhete que deixara na geladeira.

– Estou trabalhando.

– Eu sei, mas é que...– Era a voz de Chelsy, que pelo telefone mais parecia uma criança.

– Fale rápido Chelsy, não tenho a tarde toda.

– Certo, pode trazer biscoitos, salsicha e pão de cachorro quente, quando voltar?

– O que?

– Eu estou com fome! Você só tem mato na sua geladeira! Eu não sou um boi pra comer esses trecos!

– O que está insinuando?

– Nada! Eu não te chamei de boi! É só que...

– Tá, tá Chelsy... Era só isso?

– Era sim... Ah! Traz também refrigerante?

– Ah não, refrigerante não! Isso não presta! Eu faço um suco quando chegar aí...

– Mas...

– Sem "mas" e fim de papo. E vê se arruma sua bagunça! Quando eu chegar quero minha casa exatamente como deixei!

– Ou vai fazer o que?

– Isso não vem ao caso... Se era só isso irei desligar.

– Sim, era só isso... – Ele podia notar um "quê" sorridente na voz do rapaz.

– Até mais. — E desligou, sem esperar Chelsy responder. Encostou-se na cadeira, respirando fundo, levando a mão à testa.

– Sua namorada? — Gary arregalara os olhos de susto, esquecera-se que Tom estava na sala revisando os documentos com ele.

– Ahh não! Era meu...

– Filho?

– Não! Meu primo...

– Ah... Não sabia que morava com um parente.

– Não moro, na verdade ele chegou ontem. — Tom era um homem com cerca de vinte e cinco anos. Possuía o rosto fino, o nariz alongado e pele morena. Seu rosto era marcado por traços fortes dos povos do Oriente Médio, seus pais eram descendentes de lá.

– Entendo... — Dissera. Ambos eram de poucas palavras, o que piorava a relação de trabalho dos dois.

Conseguira sair em cima da hora. Passara no mercado na volta. Não costumava ir naqueles locais. Geralmente Margareth comprava tudo que ele precisava pra uma semana, raramente Gary ia ao mercado.

– Vejamos... — Ele parou na sessão de biscoitos. Pegara um pacote, mirando o lado de trás na parte "Informações Nutricionais", eram raros produtos industrializados sem gorduras trans, mas estava disposto a procurar por um sem a famosa frase "Contém quantidades não significativas". Ele ria de raiva. Na frente informava "não conter", mas atrás porém... Depois de ler cerca de vinte pacotes diferentes, encontrara um à seu gosto, talvez não ao gosto de Chelsy, mas isso não importava. Não daria porcarias pra ele, nem que a vaca, ou melhor, o boi, tossisse. Pegou logo uns quatro pacotes, pra não ter que voltar lá depois. Então encaminhara-se para a parte dos frios. Espera aí, ele pediu salsichas? Perguntara-se. De jeito algum gastaria seu dinheiro com uma bomba de sódio como os embutidos! Não, não... Chelsy teria que se contentar com sanduíche natural. Comprara pães, — não integrais — a contra gosto, mas comprara, e laranjas para o suco.

Pagara tudo e assim, saíra do mercado o mais rápido que pode, colocando tudo no banco de trás do carro. Em alguns minutos, já estava em casa. Ao mirar a porta, seu coração estava à mil, como estaria sua casa? Pensara apreensivo, girando a chave e empurrando a maçaneta. Esperava encontrar tudo uma verdadeira bagunça, seu tapete persa à um canto, sua poltrona favorita desmontada, suas coisas reviradas, e outras tantas que preferiu não pensar, porém... Estava tudo na mais profunda paz. Gary no entanto não confiara. Trancara a porta e entrara. Escutara movimento na cozinha, ao entrar viu um Chelsy de cabelos presos em um coque no alto da cabeça, usando uma avental, que era grande pra ele, descalço e ouvindo música nos fones de ouvido. Estava lavando vasilhas e... dançando.

– Chelsy? — Ele nada respondeu, o rapaz dançava em frente à pia enquanto esfregava um prato. Fazendo movimentos com os quadris de um lado para o outro, claramente absorto na música que escutava.

– What is love!!! Oh baby don't hurt me!!! Don't hurt me, no more...– Cantara o garoto bem alto, enquanto enxaguava o prato. Gary meneara a cabeça negativamente. Entrara na cozinha, largando as compras sobre a mesa. Ele se aproximou de Chelsy, puxando seu fone de ouvido.

– Ei! — Exaltara-se o rapaz.

– Ei? Não escutou eu chegar?

– Não... — Dissera Chelsy mirando-o. — Trouxe os biscoitos??? — Perguntara com um entusiasmo infantil.

– Sim, eu trouxe...

– Ahhh!!! — O rapaz terminara rapidamente o que estava fazendo, indo a toda velocidade fuçar as sacolas. Mas sua empolgação acabou quando mirou os biscoitos secos e tristes dentro das embalagens. — O que é isso, Gary? — Perguntara, erguendo uma sobrancelha.

– Biscoito.

– Não. Isso não são nem de perto os biscoitos que eu estava esperando. — Gary afrouxou a gravata, sentando-se à cadeira.

– É...? Você não descreveu, até onde me lembro. Esses eram os únicos sem gorduras trans.

– Ah não! Lá vem você com isso de novo?

– Com "isso" não! Porque "isso" é um assunto muito mais sério do que você pensa garoto! As indústrias estão matando todo mundo descaradamente, enquanto todos sorriem e apreciam a própria morte ingerindo com alegria esses venenos! Você não vai comer essas porcarias enquanto estiver vivendo comigo! — Chelsy engolira em seco.

– É melhor morrer feliz comendo coisas deliciosas, do que viver muito comendo... isso. — Ele mirara o biscoito triste.

– O que disse?

– Você é muito chato!

– E você é um bebê chorão!

– Eu não sou não!

– Não vou discutir com uma criança.

– Eu não sou uma criança!

– Sim, você é. Não sabe diferenciar aquilo que faz mal, daquilo que faz bem pra você. É como a grande maioria dos jovens: alienados e influenciáveis. Esperava que fosse diferente de seus irmãos, esperava no mínimo que fosse mais esperto do que eles, mas eu errei. — Gary levantara-se rapidamente. — Se quiser continuar comendo essas bostas, se encher de ácido e morrer de câncer, então vá em frente! Fiz minha parte em avisar. — Dera as costas e saíra às pressas da cozinha. Chelsy porém ficara imóvel. Mirou os biscoitos com pesar, até notar um molhinho de chaves próximo às sacolas. Ele apanhara-o, lendo no chaveiro de adesivo "Cópia para Chelsy". Sorrira instantaneamente.

Gary ficara uma pilha. Trancara-se no quarto, arrancando as roupas de qualquer jeito. Abrira o chuveiro ao máximo, só uma ducha gélida para acalmar os ânimos. Sentira a água fria escorrer por seu corpo quente de raiva. Sabia que não era o tipo tolerável, mas Chelsy conseguia exalar com toda sua pouca paciência. Como ele podia ser tão birrento? Ao terminar o banho, vestira-se com uma roupa leve, bermudas soltas e regata branca. Descera as escadas. Um silêncio tortuoso caia sobre o local. Até um "Crac crac" ser ouvido ali perto. Ele procurou a fonte do som, seguindo à passos lentos. Vira Chelsy sentado ao chão em um canto da cozinha, comendo os... biscoitos. Seu olhar vazio, parecia perdido mirando o piso branco e impecável.

– Vai pegar um resfriado, o chão está frio.

– Você não liga nem se eu tiver um câncer, porque está preocupado se eu pegar um resfriado? — Disse sem mirá-lo. Gary respirara fundo, não podia negar que o garoto tinha resposta pra absolutamente tudo.

– Não vou ligar, se você também não ligar para os conselhos que lhe dou.

– Conselhos? Ou seriam regras? — Gary nada dissera. Será que ele era mesmo muito chato? Perguntara-se. Sentara ao chão ao lado de Chelsy, para a surpresa do mesmo, que o mirou desta vez. Mas Gary continuara calado. — Quer? — Disse o garoto, oferecendo os biscoitos. O mais velho o mirou, apanhando um.

– Vou comer porque não tem tantas porcarias... — Chelsy dera uma gargalhada.

– Ahh meu Deus... Não vou mais falar nada...

– É bom mesmo. — Gary disse.

– Vem cá, você... namora? — Perguntara ao primo. Gary o olhou por um tempo, mastigando os biscoitos.

– Não tenho tempo pra essas futilidades...

– Espera aí, futilidades? Namorar é saudável, sabia?

– É? Não, eu não sabia...

– Pra quem é "tão bem informado"... — Falara em tom de provocação.

– Eu me informo somente daquilo que me interesso.

– Ah sério? E você não tem interesse em conhecer gente nova, sair com alguém, e namorar?

– Não. Isso é muito problemático. Relacionamentos em si são problemáticos, os amorosos então são ainda piores.

– Meu santo amado... Gary, você não deve ser humano... Né? — Gary apanhou mais um biscoito, gostara daquilo.

– Porque? Acha que sou um E.T?

– É o que tá parecendo... Você não faz muito sentido, quer dizer... Não conheço nenhum ser humano que não goste disso!

– "Disso" o que?

– Ah.. sei lá, sair... beijar, transar... Essas coisas que pessoas normais fazem. Entende? — Gary parou de mastigar.

– Quer dizer que na sua cabeça, pessoas normais amam transar e sair com meio mundo?

– Eu não disse isso! Só disse que é normal!

– Hum... Não.

– "Não" o que?

– Eu não gosto disso. Sei que está falando de sexo. Não gosto da ideia de outra pessoa me tocando e me sujando.

– Sujando?

– Sim. Sexo é um ato muito nojento. — Chelsy estava de boca aberta. Jamais, em seus dezoito anos de vida, escutara aquilo!

– Gary...

– Eu sou assexual. Não tenho desejo sexual. — Chelsy se calara, mirando-o com os olhos arregalados. Gary por outro lado, apanhara mais um biscoito, e continuara a comer.

– Eu não... Na verdade eu... Nunca ouvi falar disso!

– É lógico, você não me parece ser um leitor ávido... Não iria saber.

– Está me chamando de burro?

– Não. Só de mal informado.

– Mas ainda assim... me parece estranho...

– Não é estranho. Assim como você que é homossexual, eu sou assexual. Não há nada de estranho nisso. Só somos diferentes. — Chelsy estranhara a calmaria na voz do primo, em falar sobre aquele assunto que lhe parecera tão delicado.

– Então... — O garoto sorrira levemente. — ... É por isso que me aceitou tão rapidamente, sem me questionar... Você é como eu, só que... um pouco diferente, mas é como eu. — Gary sorrira. O que era no mínimo raro.

– Sim. — Ele apanhara mais um biscoito, e juntos ficaram ali por mais algum tempo. Até Gary decidir fazer o jantar.

Notas finais
E o que acharam do desenho lá em cima? xD É como imagino esses dois.. *o* Meu desenho não saiu 100% mas espero que tenha curtido, e principalmente o capítulo! *--------* Ah sim, a música cantada por Chelsy é "What Is Love?" do Haddaway.. xD Até o próximo minha gente! ^^