O príncipe e a feiticeira
2 Lendas, mitos e verdades
Notas iniciais
Pátio interno do palácio real (sábado, 8:17 a.m)
Lady Sara Lance
—Roy – chamo, segurando e erguendo meu vestido, apressando-me a alcançá-lo, xingando por calças não serem permitidas a damas – ROY! – grito, bufando, entendendo o que passava-se– Guarda Harper – retifico-me e estanca de imediato, voltando-se com um sorriso vitorioso – Sério Roy? – inquiro, parando a seu lado, Felicity e Laurel bufando quando finalmente me alcançam – Nos conhecemos desde criança e agora vai ignorar-me?? – acuso, levando ambas mãos a cintura, o encarando decepcionada.
—Não trata-se de ignorá-la Sa... Milady – corrige-se ligeiro – Há regras a serem seguidas. Devo respeitá-las ou serei punido – justifica-se– E já não somos crianças!! – completa.
—Entendo – suspiro, resignada. Esta era outra coisa que detestava em minha atual vida: regras!
—Alguma notícia?? – Felicity pergunta tão ou mais ansiosa que eu.
—Estava indo verificar milady Smoak – Roy responde, pondo-se de lado para que tomássemos a dianteira, como manda a etiqueta a um subalterno– Uma caravana comercial chegou a pouco e informaram ter visto cavaleiros vindo em direção a cidadela– revela, caminhando alguns passos a minha esquerda– Também um dos falcões de propriedade de sir. Gomez, chefe da guarda avançada Sul, chegou ao palácio trazendo a mesma informação – conta, mantendo a postura usual da guarda que faz a segurança da realeza, e minha posto que sou amiga pessoal da noiva de um dos príncipes herdeiros(Oliver, no caso) e irmã da postulante ao mesmo posto de outro (Thomas, caso o convençam aceitar, evidente ), o que destruiu minha já escassa liberdade – Não foi possível identificá-los posto que passaram ao longe –completa.
—É o príncipe Connor no alto da muralha? – Felicity questiona e ergo o olhar, encontrando o gêmeo de Tommy apoiado a fresta na edificação que protegia o palácio, a jovem de cabelos encaracolados cor de mel a seu lado me fazendo sorrir.
—Sim, e ao que parece ele e lady Reese fizeram as pazes – presumo, satisfeita.
Amo-os juntos por diversas razões, a principal ela o fazer sorrir com mais frequência desde que se havia mudado para o palácio juntamente com a família de Felicity. E por um ser o contraponto do outro. Onde ela terminava, ele começava e vice-versa. Apesar da pouca idade, Sarah (seu nome diferia do meu por ter um H ao final) já passou por muita coisa nesta vida incluindo a morte prematura dos pais, obrigando-a ficar responsável pelas irmãs menores, as gêmeas Athena e Alexandra. Por sorte, a família Smoak, da qual sua família eram arrendatária de terras, as havia acolhido tão logo a matriarca, Donna, soubera do fato, adotando-as como filhas.
—Ao menos para isto essa confusão toda serviu – ouço minha irmã dizer, com sua falta de tato habitual, irritando-me.
—Se o Isto a que se refere é maltratar uma criança indefesa por puro medo do desconhecido, então talvez deva rever sua maneira de pensar, minha irmã – reclamo, subindo os degraus de pedra.
—Sabe bem que não estou de acordo com o que aqueles idiotas fizeram a Minnie, Sara. Por favor não dramatize. Não faz seu gênero – rebate logo atrás de mim e rolo os olhos, irritando-me mais ao atingir o topo da muralha, os guardas ali dispostos fazendo reverência quando de minha passagem
—Poupem-me!! – bufo, chamando atenção de Reese e Connor, que se voltam. Se disser não me causar estranheza olhar uma pessoa que tem exatamente a mesma face de outra, seria hipocrisia, mesmo os conhecendo de uma vida inteira. Gêmeos não são tão comuns por estas bandas e nosso reino tem logo duas duplas!! – Alguma novidade alteza? – pergunto e sim, apesar de criticar a atitude de Roy, eu mesma vejo-me obrigada fazer uso das convenções em público.
—Não – limita-se responder, a voz fanhosa entregando seu estado de saúde.
—Deveria estar em seu quarto. Não me parece muito bem – comento, dirigindo meu olhar a Reese, que confirma minhas suspeitas com um aceno – Seria melhor que entrasse– sugiro, preocupada, a culpa oprimindo-me o peito ...Maldita hora em que os desafiei!!, penso, a lembrança do banho de chuva duas madrugadas atrás corroendo-me. Sem dúvidas fora a responsável por seu estado deplorável de saúde!
—Pare de culpar-se Sara. Aceitei seu desafio e por conseguinte as consequências – pega-me de surpresa, conseguindo deixar-me envergonhada em haver verbalizado meu pensamento – Amarrou-me ou arrastou-me por acaso?– questiona e nego com um meneio – Então pare — repete, voltando seu olhar para o horizonte, tossindo um pouco quando uma lufada de vento mais fria nos atinge -Não sou de cristal como alguns pensam – retruca, tranquilo conseguindo-me constranger uma segunda vez embora não o considerasse assim.
Connor era o mais novo (por um minuto, salvo engane-me)e também o mais compenetrado e taciturno dos dois, isto desde criança. Tommy era o mais velho, descontraído e sorridente, meio moleque algumas vezes (o que irritava deveras lord Malcom). Nem mesmo o fato de ser o próximo a ascender ao trono, cumprindo a tradição, o deixava de mau humor. Ao menos não sempre.
-Devo concordar com lady Lance. Melhor seria esperar em vosso aposento, alteza. Não está totalmente recuperado. Precisa descansar – lady Reese diz, carinhosa, e mesmo contra vontade suspiro baixinho, olhando de lado a fim de certificar-me ninguém haver notado.
Connor erguer-se, voltando-se lentamente para nós, permitindo-me ver o quão debilitado ainda estava...Definitivamente está é forte candidata a maior mancada que já cometeu em sua curta existência, Sara Lance! Foi estupidez pensar que iriam desistir mesmo que por mera cortesia. Maldita teimosia masculina!!... esbravejo mentalmente, tentando ao máximo não demonstrar quão condoída estava por haver-lhe causado mal. Mesmo que tivesse sido Tommy ou Ollie a adoecerem, me sentiria igualmente péssima.
—Como posso descansar sabendo que algo aconteceu a Tommy? – a pergunta me tira do transe.
—Que aconteceu a Thomas? – pergunto, tensa.
—O príncipe teve um pesadelo com o irmão – informa ela, com sua calma habitual, me trazendo certo alívio.
—Não foi um pesadelo Sarah, eu o vi ferido, senti sua dor. Sei o que digo. Tommy está machucado – Connor assegura, pausadamente, a certeza em sua fala deixando a todos tensos.
—QUE DIABOS ESTÃO FAZENDO AI? – o grito nada discreto da princesa Thea pega-nos de surpresa, fazendo alguns (incluindo guardas) sobressaltarem-se, o som ecoando pelo pátio– Mamãe e tia Rebecca estão enfartando e fazendo papai e tio Malcom quererem cometer um haracari!! — exclama, subindo os degraus, levando as mãos a cintura tão logo junta-se a nós, olhando nada amistosamente para Connor – Que faz fora da cama? Está doente. Deve guardar repouso e não expor-se, ainda mais numa manhã gélida como essa! – ralha entrado em seu modo mãe e espremo os lábios para não rir.
—É haraquiri baixinha! – Connor corrige-a, tocando-lhe a ponta do nariz.
—Foi o que eu disse, haraquiri! – ergue o queixo desafiadora – Agora pare de enrolar-me e responda-me, que faz aqui tão cedo?? – insiste, não dando-lhe tempo responder – E onde estão Oliver e Tommy? Não os vejo desde que acordei. E quanto a Minnie, alguém a viu? Fui a seu quarto verificar se estava bem e descobri que não havia dormido lá. A cama está intacta – conta, olhando-nos desconfiada – O que está acontecendo e nem tentem negar pois não lhes darei crédito – avisa e rolo os olhos, me voltando para Laurel em busca de auxílio, surpreendendo-me ao ver que não prestava atenção a nós. Seu olhar mirava um ponto no horizonte.
Sigo-o retendo o ar. Ainda estavam longe, mas o brilho do sol refletido em elmos e escudos não deixava dúvidas se tratar de cavaleiros, o alerta do guarda na torre provocando novo sobressalto em todos.
—CAVALEIROS APROXIMANDO-SE!! – berra e xingo-o baixinho.
Sei que era sua função alertar a aproximação de qualquer um, seja indivíduo ou caravana, mas só desta vez gostaria que não a tivesse cumprido posto que alertaria pessoas que não queria fossem alertadas (entenda-se, o rei, a rainha, lord Merlin e lady Rebecca).
—Droga!! Não podia deixar passar só desta vez!? – Felicity dá voz meu pensamento e desta vez rio discretamente, atenta ao pequeno grupo a aproximar-se.
Retenho o ar ante a confirmação de serem nossos cavaleiros, a angústia me tomando ao notar a ausência de Tommy entre eles. É com apreensão crescente que os vemos aproximarem-se, a coroça chamando nossa atenção. Não consigo conter a interjeição de dor quando, ao pararem alguns metros abaixo d’onde nos encontramos, vemos o príncipe estendido dentro dela, apático, Minnie a seu lado, afagando lhe o rosto.
—Tommy!! – Thea exclama ao mesmo tempo em que Connor passa por entre nós voando, descendo a escadaria igual um vendaval.
—Ele estava certo – lady Reese sopra, segurando a saia do vestido, seguindo-o.
Fazemos o mesmo, Thea, Laurel, Felicity e eu, após trocamos um olhar tenso. Alcançamos o pátio interno segundos depois de Connor e Roy (que evidente nos superara na corrida), ao mesmo tempo (infelizmente) que o rei, a rainha, sir. Malcom e lady Rebecca juntamente com as gêmeas Reese e os pais de Felicity, Donna e Noah, além de alguns serviçais.
—O que está acontecendo aqui? – rei Robert pergunta, postando no centro do pátio, sir Malcom indo ao encontro do grupo liderado por Oliver, que adentrava naquele instante – Oliver, para que a patrulha? – inquire, a voz agoniada de lady Rebecca chamando atenção de todos.
—Thomas, meu filho!! Que aconteceu a meu filho? – questiona, acercando-se da carroça na qual Connor já se encontrava, ao lado do irmão e Minnie.
—Foi minha culpa mãezinha! Fugi. Tommy e Oliver foram me buscar. Desculpa! Me desculpa!! – acusa-se a pequena, chorosa, atirando-se ao pescoço da aia que a retirava da carroça – Desculpa mãezinha, desculpa! – repete, agoniada e começo temer repetir-se o mesmo da noite passada.
—Venha aqui minha princesinha – lady Merlin a chama, tomando-a em seus braços – Em nada é culpada meu anjo. Estava assustada – tranquiliza-a, afagando rosto e cabelo — Se há culpados estes somos nós, seu pai e eu, por não a termos protegido daquelas pessoas horríveis – declara, emocionada.
—Mas afinal, que aconteceu? – sir. Malcom repete, acompanhando a retirada de Tommy.
—Explicarei tudo meu tio, mas agora é importante levarmos Tommy para dar continuidade seu tratamento. O ferimento precisa ser reavaliado por nossos alquimistas – Ollie diz, ajudando pô-lo numa maca que Roy trouxera, voltando-se para lady Rebecca, tranquilizando-a – Ele já recebeu um primeiro atendimento, minha tia, ainda em campo. A jovem camponesa a nos ajudar garantiu não haver mais perigo, nos fez diversas recomendações as quais repassaremos a sir. Goodwin – informa — John, as plantas, onde estão? – pergunta de repente, voltando-se para o chefe da guarda real.
—Comigo alteza – responde, exibindo uma sacola.
—Entregue-as o mais rápido possível a sir. Goodwin e os demais alquimistas e repasse-lhes as recomendações feitas pela camponesa. Irei com meu pai e meu tio a sala do trono prestar os devidos esclarecimentos– ordena, Barry intervindo.
—Neste caso melhor que eu vá com Tommy e John convosco Oliver – sugere, Diggle concordando.
—Penso o mesmo, alteza – entrega a sacola a Barry, encarando Eddie — Thawne ....
—Cuidarei dos guardas feridos– adianta-se ele e somente então percebo três cavalos contendo, cada, um corpo pendurado sobre eles mais ao canto – Precisamos ser rápidos se quisermos que sobrevivam – completa e respiro mais aliviada, posto que já os julgava mortos.
—Pedirei a sir. Stein que vá até o alojamento vê-los – Barry diz, apressando-se em seguir os soldados com a maca ladeada pela rainha, Felicity, lady Rebecca com Minnie em seus braços, lady Reese, minha irmã, as gêmeas e Connor.
—Malcom, se desejar acompanhar Thomas primeiramente entenderei – o rei libera, ele negando.
—Irei depois. Quero saber o que se passou antes – declara, adiantando-se em direção a sala do trono, Oliver, John e o rei o seguindo.
Admito: fiquei indecisa. Queria acompanhar Eddie pois estava aflita pelos guardas. Queria ir atrás de Tommy pois também preocupava-me com ele. Mas estava bastante curiosa em saber dos fatos que lhes causara os ferimentos igualmente. Por fim, a curiosidade vence-me. Seguro e ergo meu vestido, seguindo para a sala do trono o mais discretamente possível.
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Sala do trono (trinta e cinco minutos depois)
Narrador
Um silêncio pesado paira na sala do trono após a narrativa feita pelo príncipe Oliver e o chefe da guarda, John Diggle, o primeiro ministro quebrando-o.
—Então os boatos eram verdadeiros? O mal reerguer-se em nossas fronteiras – diz, tenso, olhando do príncipe para o chefe da guarda alternadamente.
—Nosso velho inimigo armar-se contra nós novamente – o rei murmura, levantando-se, passando a mão pelo cabelo, preocupado – Nossos pais deviam ter-lhe dado ouvidos Malcom, não aos conselheiros – lamenta-se fazendo Oliver enrugar o cenho.
—De nada adiantaria meu amigo. Não naquela época. Não tínhamos força ou mesmo voz para intervirmos nos assuntos do reino – Malcom rebate, encarando-o – Além do mais, fazia parte do acordo permitir ao rei de Sérpia puni-lo posto se tratar de um dos seus. Savage estava sujeito as leis de seu povo, não as nossas – relembra.
—Ainda assim deveríamos ao menos ter tentado. Eu não deveria ter-me calado – insiste Robert, lord Lance, que se juntara a eles, Oliver e John olhando-se sem nada entender.
—Se o fizesse, não estaríamos aqui hoje. Nem nossos filhos – Malcom revela, a curiosidade fazendo lady Sara deixar seu “esconderijo”.
—Perdoe-me majestade, mas a que referem-se? Que acordo foi este e por que lord Merlin disse tal coisa acerca dos príncipes??- dispara, curiosa, corando ante o olhar repreensivo que o pai lhe dirige.
—Perdoem a mim, majestades, por não conseguir manter minha jovem e insensata filha longe de assuntos que não lhe dizem respeito – lord Lance pede, Oliver e John espremendo os lábios para conterem o riso.
—O tem. Ambos – rei Robert declara, rindo discretamente – Além do mais, estou certo que a jovem milady tenha verbalizado o que alguns aqui queriam saber– presume, olhando diretamente para o filho.
—Apesar de conhecer parte da história, não entendi as referências feitas pelo senhor e meu tio– assume Oliver – Ademais, até o ver em pessoa, julgava que Savage seria apenas mais uma lenda dentre tantas de nosso reino. Ou algum mito. Pensava que as histórias, algumas delas, fossem apenas isto: histórias – confessa.
—Infelizmente nem todos os mitos e lendas assim o são – Malcom declara, suspirando – Vandal Savage é bastante real, infelizmente – lamenta — Quanto a referência, se conhecemos nossas amadas esposas, em parte devemos a este maldito mago! – revela, deixando o príncipe, John e Sara surpresos – A guerra entre os reinos do Norte e do Sul estava acirrada e boa parte era culpa do mago, que semeava a intriga em ambos os lados, secretamente. Mas esta parte já deve saber. Está nos livros – diz, sorrindo complacente.
—A parte que não sabem é que fomos nós, Malcom e eu, a descobrir ser ele o instigador e quase pagamos com nossas vidas por isto – o rei revela – Por uma destas coincidências que apenas o destino pode explicar, fomos feridos em batalha e acabamos socorridos por vossos avós. Eles viviam no limiar entre nossos reinos e o reino mágico de Sérpia. Durante semanas permanecemos sob seus cuidados e assim descobrimos as maledicências do mago. Quando nos recuperamos, pudemos intervir e por um fim a guerra. Para tal solicitamos a vosso avô nos apresentar o rei mago da época, Demeter, um misto de elfo e feiticeiro – relembra — Ele aceitou lutar a nosso lado contanto que Savage lhe fosse entregue ao final para ser punido seguindo suas leis e aceitamos mesmo sem consultar nossos pais.
—Esta foi a parte mais complicada não apenas por duvidarem do que dizíamos mas também por terem grande receio do povo mágico – Malcom conta, massageando o queixo – Não fosse a mediação de nosso futuro sogro decerto a história seria diferente – reconhece – Depois disto, vencemos a guerra contra o mago e seus asseclas, conseguimos permissão para casar-nos com Beca e Moira e a paz entre nossos reinos foi selada. Mas tivemos de entregar o mago – ressente-se.
—Que os conselheiros têm a ver com isto, então? Não foram os reis a escolherem respeitar o acordo que fizeram? – Oliver questiona.
—Quando Savage caiu, cogitamos, Malcom e eu, não cumprir o acordado mesmo cientes do risco de o povo mágico viesse nos punir de alguma forma, muito embora, acredito eu, não o fariam – revela o rei, pensativo – Os conselheiros acharam por bem não arriscar e aconselharam nossos pais a cumprirem o trato – diz, Malcom bufando a seu lado.
—Eles, que nunca concordavam em nada, justo nisso concordaram – resmunga, provocando risos – Savage jurou vingar-se de nós e temo que agora pretenda cumprir a ameaça – diz.
—O que não faria se estivesse morto!! – Sara solta, revoltada – Desculpem-me novamente meu rei, mas a verdade é que morto ele não seria mais uma ameaça – pondera – Era o que pretendiam, não era? – indaga, duvidosa.
—Por mim sim. Robert queria mantê-lo em nosso calabouço – Malcom declara, sincero – Agora isto não importa. Temos de lidar com sua volta e sede de vingança – diz, cerrando os punhos.
—Se me permite uma opinião meus soberanos, pelo que pude notar o mago já não é tão poderoso quanto outrora e julgo ter uma grande rival na feiticeira branca – Diggle declara.
—De fato, Frost pareceu-me bem mais irritada com o mago do que conosco, por havermos adentrado o que considera como seu território – Oliver acresce.
—Por falar nela, qual aparência tem? Acaso a viram? E por que julgam ter-lhes ajudado? – Sara quer saber, não escondendo a curiosidade.
—Não saberia lhe responder milady – Oliver declara, sério – Só posso supor ter ela simpatizado com Minnie, por alguma razão desconhecida, posto parecer ter-se suavizado quando ela intercedeu em favor de Tommy – supõe ele.
—Minnie disse tê-la visto – Diggle lembra.
—Tommy confidenciou-me o mesmo– Oliver acrescenta.
—Seja qual as razões de ela ter feito o que fez, seremos eternamente gratos. Salvou-lhes a vida sem dúvida – o rei declara.
—Isto não me agrada majestade – Quentin Lance diz, incomodado.
—Meu pai preferia que ela tivesse ficado ao lado de Savage? – Sara interroga, espantada.
—Evidente que não. Mas dever favor a um ser mágico já não é agradável. Dever a feiticeira branca é ainda menos. E dever algo que não se pode pagar é ainda pior – exemplifica ele.
—Entendo seu ponto de vista lord Lance – o rei afirma, suspirando – Não sabermos quais as intenções dessa feiticeira tampouco a quem serve – pondera, uma ruga de preocupação formando-se em sua testa.
—Atrevo-me dizer que Frost não serve a ninguém, meu rei. Mas também não me parece uma rebelde, como Savage o foi. Para nossa sorte – Diggle opina.
—Penso o mesmo – Oliver corrobora – É muito poderosa e mesmo tendo sensibilizando-se com o apelo de Minnie, não acredito seja dada a sentimentalismos ou piedade. Sinto termos sido exceção a regra – acresce.
—E quanto aos camponeses para os quais os enviou a fim de tratarem de Thomas, que me diz? São de confiança? Qual relação têm com a feiticeira? — interroga o rei.
—Honestamente? Não faço idéia meu pai – admite Oliver, olhando Diggle de soslaio – Pensamos que sim, do contrário por que nos enviaria a eles e estes a atenderiam? – devolve – Se são amigos, se têm algum tipo de parentesco ou lhe devem favores, apenas eles poderiam responder – completa.
—E a jovem parecia ansiosa em ver-se livre de nós. Até mais do que os dois rapazes – Diggle revela.
—Estranho – Malcom diz, massageando o queixo – Quando forem devolver a carroça, irei junto – avisa, a troca de olhar entre o chefe da guarda e o príncipe não lhe passando despercebido – Algum problema nisto? – questiona-os.
—Achamos que não será possível fazê-lo meu senhor – Diggle diz, explicando-se – Frost nos mostrou o caminho mediante uma trilha esculpida na neve que formara-se durante seu ataque ao mago. Já quando nos afastávamos, olhei para trás e verifiquei ser praticamente impossível acertar o caminho – revela.
—Lembrando que tal cabana jamais dantes foi notada mesmo por patrulhas avançadas – Oliver comenta, seu olhar dirigindo-se a noiva, que adentrava em companhia da rainha – Tommy, como está? – quer saber, dando um passo ao encontro delas.
—Está bem, graças aos céus! – a rainha exclama, aceitando a mão que o rei estendia-lhe – E também aos cuidados precisos e preciosos desta camponesa, qual o nome dela mesmo?? – pergunta, encarando o filho.
—Caitlin – responde Oliver, enlaçando seu braço ao de Felicity.
—Ela deve ser uma mestra com as ervas. Athelas é sensível e não tão fácil de manusear. Estraga com facilidade e é de difícil reprodução. Gostaria de conhecê-la – comenta a rainha, sorrindo gentil.
—Athelas? Minha nossa, não fossem vocês a terem passado por tudo isto diria tratar-se de um embuste ou mesmo delírio coletivo – Malcom comenta, surpreso – Um mago que deveria estar exilado, uma feiticeira que misteriosamente se mostra benevolente e uma erva que supostamente estaria extinta...muita coisa duma só vez – enumera.
—Imagino a euforia de nossos alquimistas quando viram tal planta – o rei comenta, rindo.
—Pareciam crianças que acabaram de ganhar algo a muito desejado! – Felicity exclama, a sorrir.
—Imagino que sim!! – Malcom rir-se, voltando-se para o rei – Dê-me licença meu amigo. Irei ter com minha esposa e filhos – pede, fazendo uma reverência curta antes de se retirar.
—Foi um susto tremendo que passaram, Beca e ele – a rainha comenta, solidária – Nem goste de pensar se fosse comigo – diz, afagando o rosto do filho – O motivo foi mais do que justo, bem sei, mas não deveriam ter-se posto em perigo meu filho. Ou permitido ao futuro rei o fazer. A paz é algo tênue e delicada, necessita cuidados diários. Pessoas má intencionadas poderia acusá-lo de tentar livrar-se de Thomas para assumir seu lugar – alerta-o, tensa.
—Jamais faria isto. Tommy não é apenas meu primo. É meu amigo – declara o loiro, sorrindo tranquilo – A bem do que, Connor seria o seguinte na sucessão, portanto teria de livrar-me de meus dois melhores amigos para subir ao trono, algo que não desejo – frisa, suspirando – Mas entendo e aceito seu conselho minha mãe. No entanto, como é possível deter-se um vendaval? – brinca, fazendo os presentes rirem – Tommy é resoluto e decidido. Quando deseja algo, vai atrás e geralmente consegue – elogia.
—De fato – concorda o rei – Será um excelente rei, não tenho dúvidas, se conseguirmos domar e moldar este temperamento em seu favor – pondera, voltando-se para a esposa – Minha querida, é manhã de seu aniversário e sequer tomamos o dejejum – lembra, beijando-lhe a mão – Pedirei aos servos providenciarem uma mesa farta. Enquanto isto, terá tempo de banhar-se e trocar-se assim como nós – determina, sinalizando a um criado para aproximar-se, este vindo rápido – Avise que o banquete em honra a rainha deve ser aprontado e servido nos jardins conforme planejado. Depois vá até sir. Merlin e o comunique que o iremos aguardar lá– ordena, o jovem retirando-se após fazer-lhe reverência – Vamos nos aprontar minha rainha – convida, conduzindo-a para fora da sala.
—Só espero que o comportamento resoluto de nosso futuro rei não o leve a um encontro perigoso demais – John deixa escapar, fazendo uma reverência antes de sair.
—O que ele quis dizer? – Sara inquire, encarando Oliver.
—Digamos que Tommy andou flertando com a morte e não me refiro ao fato de ter sido ferido – responde, evasivo, oferecendo o braço a ambas, saindo acompanhado de perto por um pensativo lord Lance.
Meia hora depois se encontravam nos jardins, lady Rebecca e sir. Malcom mais tranquilos após os alquimistas garantirem que o príncipe não corria risco de morte, desculpando-se pela ausência de Connor, que além de não querer deixar o irmão sozinho, encontrava-se febril novamente.
—Queria entender que raios fazia debaixo de chuva torrencial e com tão baixa temperatura em plena madrugada – Malcom comenta, massageando o queixo, Sara, Oliver e Eddie entreolhando-se, tensos e envergonhados.
—E não apenas ele, mas outros, incluindo guardas, ao que soube. Teria sido algum tipo de treinamento noturno? – inquire sir. Stein, pensativo – Que me diz lord Quentin? Alguma opinião a respeito? – questiona, encarando o nobre.
—Infelizmente não. Mas irei descobrir esteja certo – garante, olhando diretamente para a filha mais nova, que finge não entender a indireta.
—Deixemos esta e outras preocupações de lado por hora. É tempo de celebrar a vida de minha amada rainha que deu-me dois belos filhos – o rei conclama, segurando a mão da esposa, tendo uma taça na outra – Agradeçamos com um brinde sua vida e também pelo regresso a salvo de Minerva e os que a buscaram, sãos e salvos – acresce, erguendo-a, os demais fazendo o mesmo.
—Graças a feiticeira branca e sua amiga camponesa – Sara Lance sussurra, recebendo um cutucão da irmã.
—Vida longa a rainha!! – John Diggle conclama antes que alguém dissesse algo contra a jovem, um coro repetindo seus votos antes de beberem o conteúdo da taça.
—Que os festejos se iniciem – declara o rei, sorridente, uma salva de palmas se fazendo ouvir em concordância.
—Quanto tempo costumam durar os festejos de aniversário por aqui? – Lady Felicity pergunta posto ser este o primeiro ano que passa inteiramente no palácio.
—Uma semana – Oliver revela, deixando-a surpresa – Quanto tempo costuma durar em vossa aldeia meu amor? – quer saber o príncipe.
—Dois ou três dias no máximo. Dependendo do grau de nobreza quatro – responde– Lógico que não temos reis e rainhas por lá – acresce rapidamente.
—Lógico – as duas Saras comentam, sorrindo com franqueza, a atenção do grupo sendo chamada pelo comentário de sir. Wells.
—Aproveitemos estes dias de festa...porque sinto que iremos ter poucos destes novamente por um bom tempo!! – exclama, sorvendo o último gole, pensativo enquanto os jovens trocavam olhares tensos.
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“Baby, lay on on back and relax;
Kick your pretty feet up on my dash;
No need to go nowhere fast;
Let’s enjoy right here where we at;
Who knows where this road is supposed to lead?
We got nothing but the time...”
Três semanas depois (manhã de domingo, 8:01 a.m)
Príncipe Thomas
Calço minhas botas, levantando-me, optando em vestir o casaco apenas se resolvesse caminhar pelos jardins do palácio.
O penduro no braço e caminho até a porta de meu quarto abrindo-a devagar, espiando lá fora de um lado para outro a fim de me certificar não haver ninguém no corredor para somente então sair. Mal dera dois pares de passadas e escuto a voz de minha prima, fazendo-me fechar os olhos e xingar baixinho.
—Aonde tenciona ir, Tommy Merlin? Ao que me consta não foi liberado a deixar seus aposentos – pergunta, postando-se a minha frente com ambas as mãos na cintura, o nariz empinado conferindo-lhe um ar mais pueril do que propriamente adulto.
—Estou indo à cozinha, a biblioteca, aos jardins, qualquer lugar contanto que seja fora daquelas quatro paredes! – respondo, fazendo menção passar, ela barrando-me.
—E quem deu-lhe permissão? – inquere e arqueio a sobrancelha.
—Minhas pernas deram-me! – respondo, começando perder a paciência.
—Pois avise-as que não têm autoridade para tal. Somente sir. Goodwin ou outro dos curadores podem fazê-lo, portanto, meia volta volver!! – ordena, girando o indicador em sentido horário.
—Não quereria dizer curandeiros? – questiono-a, não lhe deixando responder – Mas creio não iriam gostar de serem chamados desta maneira – pondero, segurando-a pelos ombros — Quanto a sua ordem, declino – digo, erguendo-a e pondo-a de lado de forma que pudesse seguir meu caminho.
—Thomas Merlin, não se atreva ignorar-me!! – esbraveja, vindo atrás de mim – Não pode sair por aí antes que de ser liberado por sir. Goodwin ou sir. Wells, ou quem quer que seja! Quase foi morto a menos de quinze dias. Não pode sair por aí sem mais nem menos. E se sentir-se mal?? – indaga, segurando-me pelo braço, me impedindo prosseguir.
—Thea, pare de drama. Não irei sentir-me mal e não lhe devo obediência! – bufo, tentando desvencilhar-me dela.
—Mas deve a mim – ouço e me volto, deparando-me com meu pai e irmão aproximando-se – Que faz fora da cama Thomas? – pergunta, me encarando e enrugo o cenho ante o gesticular de Connor a suas costas.
—Estou cansado de olhar as paredes e permanecer deitado. Quero andar, cavalgar, respirar ar fresco...
—Correr até a cabana da tal camponesa que o socorreu!! – Thea alfineta, exibindo seu melhor sorriso inocente – Disseram-lhe que chamou por ela enquanto febril? – interroga, não me deixando responder – Por ela e por certa feiticeira temida por meio reino – me provoca.
—Por quem chamo ou deixo de chamar em estado febril não é de sua conta priminha, bem como também não o é se decido ir em busca d’alguma delas – friso, encarando-a e ela a mim.
—Ótimo – meu pai diz de repente, e o olho com estranheza, Connor gesticulando ainda mais, indicando meu quarto – Se está curado o suficiente para brigar com sua prima e tencionar fazer bobagem, também o está para a conversa que adiamos na noite em que sua irmã foi achacada – declara fazendo-me entender os alertas de meu irmão – Seu soberano e tio nos aguarda, os três, na sala do trono – avisa, sorridente.
—Pai, eu não... – tento argumentar, ele não permitindo.
—Vamos – ordena, sinalizando para seguirmos, Connor e eu, a sua frente.
—Sim senhor – anuímos, resignados.
—Princesa Thereza, poderia fazer-me um favor? – questiona-a, ainda sorridente – Iria ao pátio interno auxiliar o guarda Paul com Minerva, as gêmeas Smoak e as demais crianças? Temo que ele não consiga dar conta deles – pede.
—Maneira gentil de dizer que o assunto sobre o qual tratarão com meu pai não diz-me respeito – insinua Thea, fazendo-me reter o riso – Ainda assim farei o que me pede meu tio .... Porque sei que meu primo estará em maus lençóis, o que não ocorreria se tivesse me escutado em primeiro lugar, e retornado a seus aposentos!! – declara, vitoriosa, empinando o nariz outra vez, e sinto ânsias de esganá-la!!– Dêem-me licença – pede, segurando a barra de seu vestido, fazendo uma reverência leve antes de se retirar, sua aia seguindo-a a certa distância.
—Quando ela crescer, vai dar trabalho! – Connor brinca e mesmo estando chateado por, de certa forma ela estar com a razão (o que não admitiria nem sob tortura!!), rio.
—Especialmente a quem desposá-la – nosso pai comenta, voltando nos dar atenção – Como disse, o rei nos aguarda – reitera, tomando a dianteira desta feita.
—De uma próxima, fale claramente – resmungo ao ouvido de meu irmão – Ou ao menos pratique sua habilidade em mímica! – sugiro, ele rindo com o canto da boca.
—Levarei em conta sua sugestão... meu rei!! – provoca-me e considero por um segundo cometer fratricídio!!
—Ao menos sabe qual assunto o rei deseja falar-me? – inquiro, temendo sua resposta.
—Não com certeza... mas faço idéia – diz, abaixando o tom de voz, aproximando-se mais – Temo que o estado de saúde da rainha tenha-se agravado e o nosso tio esteja considerando renunciar em seu favor – revela e sinto minhas entranhas contraírem-se.
Caso fosse, de fato, este o assunto, significaria dizer que ascenderia ao trono antes do previsto, logo a pressão para que escolha minha futura rainha aumentaria. E muito.
—E quanto a tal erva poderosa a qual curou-me? Lembro de ouvir sir. Stein e sir. Wells comentando algo a respeito – inquiro, atento a nosso pai, que voltara sua atenção para nós por um segundo.
—Até onde sei, nada disseram de bom ao rei acerca de uma cura utilizando athelas – meu irmão informa calando-se ante o olhar duro de nosso pai e faço o mesmo, seguindo, os três, dali em diante em total e absoluto silêncio.
Quando adentramos a sala do trono, o primeiro que vejo é Oliver, cabisbaixo, junto ao trono. A seu lado, Eddie e Dig pareciam distantes e reflexivos ao passo que lord Quentin Lance massageava a lateral da cabeça como a tentar aliviar alguma dor. Por último, visualizo meu tio, o rei, mais afastado do grupo, a conversar com sir. Goodwin, sir. Wells, sir. Stein e sir. Allen.
—Majestade, desculpe a demora – meu pai pede, parando alguns passos deles.
—Não estão atrasados Malcom e por favor, deixemos as formalidades de lado um segundo – pede e estremeço. Não era bom sinal o rei declinar das formalidades. Ao menos não para mim – Thomas, folgo em vê-lo recuperado – declara e me aproximo, fazendo uma reverência ante ele.
—Obrigado majestade, digo, meu tio – corrijo-me, sorrindo-lhe.
—Athelas é realmente a erva dos reis!! – exclama, me deixando ainda mais tenso – Pena não ter o mesmo poder curativo para todos os males – lamenta, entristecendo.
—Então vossas pesquisas não deram o resultado esperado? – meu pai interroga os alquimistas
—Nada encontramos na literatura existente que comprove o poder de cura para o tipo de mal que acomete nossa estimada rainha – sir. Stein declara.
—O que não significa termos desistido – sir. Goodwin apressa-se em dizer – Seguiremos com nossas pesquisas não apenas com athelas, mas com outras possibilidades. Estamos ampliando nossos horizontes, buscando alternativas de cura – comenta deixando a todos curiosos.
—Quais alternativas? – Oliver verbaliza o pensamento dos presentes, estou certo.
—Alternativas alteza. Coisas, fatos que requerem um estudo maior e mais detalhado bem como experiências práticas – sir. Wells reforça com sua habitual tranquilidade.
—Mesmo porque travamos conhecimento há muito pouco tempo e não desejamos alimentar falsas esperanças – sir. Allen completa.
—É tão grave assim o estado de minha tia? – quero saber, chamando atenção para mim.
—Nem mais nem menos do que no início deste ano – meu tio responde – Apenas a descoberta de a erva do rei ainda existir nos trouxe novas esperanças – relata, tristonho.
—Não perca as esperanças meu pai. Estou certo de que nossos fiéis alquimistas encontrarão alguma forma de a erva ser útil à minha mãe – Ollie declara.
—Isso mesmo meu tio. Só precisam de tempo para realizarem suas experiências – Connor acresce.
—Sei disto meus caros – começa dizer, tomando forte respiração, olhando-me diretamente quando voltar a falar – E é para dar-nos, a mim e a rainha, este tempo, que tomei uma decisão: abdicarei do trono em seu favor meu sobrinho. Tornar-se-á rei o mais breve possível – avisa e me sinto gelar – Deve estar a perguntar-se que isto tem a ver com o que foi dito até agora, não é mesmo? – inquere, sorrindo.
—De fato estou meu rei – assumo, o olhar duro de meu pai quase fazendo-me recuar – Não vejo em que vossa permanência no trono possa prejudicar a busca pela cura de minha tia. Pelo contrário. Penso que poderia usar de seu poder para enviar mensageiros a outros reinos em busca d’alguma cura – pondero.
—E deixar que nossos inimigos saibam que o rei está enfraquecido pela doença da rainha? – meu pai inquere e compreendo.
—Não – respondo, abaixando a cabeça – Perdoe-me, meu rei. Não quis ofendê-lo – peço, sem graça, xingando-me intimamente.
—Não o fez Thomas e acredite, ponderei fazer o que sugeriu mais de uma vez. A própria rainha segurou-me a mão – confessa, orgulhoso e o encaro, o brilho em seu olhar deixando claro o quão amava a esposa – As pessoas julgam sermos nós, os homens, a comandarmos um reino, mas estão enganados. Não fosse a presença sábia, generosa e forte de uma rainha a nosso lado, apoiando-nos e aconselhando-nos, não passaríamos de meninos crescidos com seus brinquedos de guerra! – declara, me deixando entre perplexo e orgulhoso por saber que meu pai pensava da mesma forma.
—Se todos os reis tivessem a sorte em ter mulheres tão sábias a seu lado e as dessem ouvidos, muitas guerras seriam evitadas – papai completa, sorridente.
—Como o fazem, estou certo meu tio – Ollie adianta-se, não escondendo sentir o mesmo orgulho que eu.
—Decerto que sim filho – anui o rei– Até porque lhes devemos a vida e não somos nem loucos de contrária-las! – brinca, piscando, numa rara demonstração de bom humor, voltando a sua postura séria no minuto seguinte – E é por esta razão que deve escolher sua rainha Thomas – anuncia, direto.
—Rainha? Mas... eu pensei...- titubeio, inseguro – Meu pai... meu rei ...– olho-os alternadamente – Não sinto-me preparado a assumir tal responsabilidade – confesso – E não digo isto como forma de escapar ao casamento. Falo por ser este o sentimento em meu íntimo. Tenho dúvidas se conseguirei conduzir nosso reino de forma tão brilhante como meu rei o faz – elogio, arrancando-lhe um sorriso terno.
—Sabemos disto Thomas – admite e o encaro, confuso – Meu rapaz, não será coroado amanhã ou mesmo este mês. Evidente que dar-lhe-ei um tempo para preparar-se melhor, embora tempo algum seja suficiente para estarmos aptos assumir tal responsabilidade, posso assegurar-lhe – diz, ainda a sorrir – Também tive dúvidas se seria capaz de governar bem e por isto fiz seu pai meu braço direito bem como procurei acercar-me de pessoas nas quais confio plenamente – revela, abrindo os braços, abrangendo todos a sua volta – O mesmo acontecerá a você. Terá seu irmão, seu primo, seus amigos além de John e vários outros que continuarão a servi-lo. Além do mais, vosso pai e eu não iremos embora ou sumiremos. Apenas nos afastaremos do trono, não de você – aponta cadeira a suas costas – Sempre que precisar estremos aqui para ajudá-lo – garante e suspiro.
—Neste caso, não vejo qual a necessidade em casar-me agora!! – exclamo, notando, pelo canto do olho, meu irmão, primo e amigos ali presentes disfarçarem o riso como podem. Até mesmo Lord Lance e sir. Diggle o fazem.
—Em momento algum dissemos que deveria casar-se de imediato Thomas – contesta meu tio — Apenas que escolha sua futura rainha. O casamento pode acontecer depois da coroação sem problema algum. Muitos outros já fizeram isto. No entanto, é preciso que ao menos uma candidata seja apresentada ao povo no dia em que ascender ao trono – afirma, calmo.
—Evidente que não o forçaremos uma união sem amor quando nós mesmos não fomos forçados a tal – meu pai afirma – Mas como espera encontrar alguém sem ao menos tentar? E não estou a referir-me as meretrizes com as quais deita-se para satisfazer-se – diz, irritando-me.
—Por que não? Acaso não são dignas de ser a futura rainha? – questiono – Não julguei terem este tipo de preconceito meu pai – digo, a tensão tomando o ambiente de imediato, os risos morrendo instantaneamente.
—Não se trata de preconceito Thomas. Apenas de zelo – responde, sério – A que se ter cuidado em quem põe a seu lado para governar, não apenas pelo que seu tio declarou a pouco, mas também pelo bem de seus herdeiros.
—Não há exigência ser uma jovem de sangue nobre, no entanto, nem todas que vão a cama pode-se levar a mesa, se é que me entende – meu tio insinua, não me dando chance responder – Evidente que se o casamento de um monarca puder trazer benefícios ao povo, melhor – diz e pressinto algo por detrás de sua fala mansa – Foi com este pensamento, e por sabermos não estar envolvido com nenhuma dama, que vosso pai e eu aceitamos receber a comitiva do rei Kaleb, das terras altas. Dentro de três dias, no começo das comemorações do solstício de inverno, a princesa Kara será nossa hospede a fim de que possam se conhecer e quem sabe, ao término dos festejos, firmarem compromisso – avisa e sinto a raiva crescer dentro de mim.
—Que me diz? – meu pai pergunta e antes que responda sinto a mão de Connor em meu ombro.
—Julguei terem dito teria direito a escolher minha rainha – digo, controlando-me, pondo o casaco sobre uma cadeira próxima.
—E terá. A princesa não lhe será imposta filho – meu pai garante, encarando-me – Queremos que tenha opções e ela é uma – diz – Assim como as jovens ladies Sara e Laurel Lance podem vir a ser. Ou alguma outra dama na qual tenha interesse. Mas como foi dito, se uma aliança puder beneficiar o povo, tanto melhor – conclui fazendo meu sangue ferver ao entender o que se passava.
—Se ter uma rainha é assim tão importante, posso muito bem abrir mão em favor de Connor ou Oliver visto que ambos já têm suas escolhidas, que me diz pai? – inquiro, não o dando chance responder – É isto! Abro mão de meu direito ao trono em favor de um dos dois. Fiquem à vontade para escolher! – declaro, fazendo uma reverência curta e rápida, aproveitando o choque que minhas palavras provocaram em todos para sair dali.
Caminho a passos firmes e rápidos pelos corredores, meu irmão e Oliver alcançando-me quando já estava perto da entrada para o pátio principal.
—Não falou sério lá dentro, falou? Não pode abrir mão de seu direito Tommy – Connor diz, me acompanhando sem dificuldade.
—E por que não? Estão tão qualificados quanto estou e ainda tem a vantagem de já estarem comprometidos com...
—Eu estou comprometido – Oliver corta-me – Pelo que consta-me Connor não pediu lady Reese ainda. A menos que o tenha feito as escondidas – completa e rio curto.
—Estejam certos que pretendo pedi-la, mas no momento certo – meu irmão garante, me encarando quando paramos perto dos estábulos – Quanto a estarmos qualificados, acho que falo por nosso primo também quando digo estar enganado meu irmão– afirma.
—Não vejo como. Recebemos as mesmas aulas, o mesmo treinamento desde que erámos crianças – rebato, sinalizando ao cavalariço trazer meu cavalo – Como posso estar preparado e vocês não? – inquiro, olhando de um para o outro.
—É o futuro rei Tommy, o que lhe é passado não é o mesmo que nos é – Ollie afirma e enrugo o cenho.
—Jamais notei qualquer diferença – afirmo, calçando as luvas de montaria.
—Não mesmo? Sempre estivemos juntos em todas as aulas e treinamentos de fato. Mas acaso acompanhamos o rei em alguma audiência com ministros e representantes de outros reinos? Ou participamos d’algum conselho com ele? – relembra meu primo e estanco – Alguns ensinamentos são restritos ao rei ou futuro rei, no caso, você –reforça, apoiando a cerca do estábulo – Tommy, tente não levar para o lado pessoal o que foi dito na sala do trono. Estou certo de que nossos pais visam o melhor para você – pede.
—Não estou fazendo isto Ollie – asseguro, segurando as rédeas entregue-me pelo cavalariço.
—Então por que está preparando-se para sair? – Connor interroga – Aonde tenciona ir meu irmão? – quer saber.
—Não irei em busca da feiticeira, acalmem-se. Ambos – digo, montando – Quero apenas espairecer um pouco longe deles – indico meu pai e tio, que nos observavam de uma das janelas – Sabem tão bem quanto eu que não terei escolha coisa nenhuma! Está tal princesa me será empurrada goela abaixo em favor de acordo, pacto ou o que seja em prol do reino – declaro, os vendo trocar um olhar preocupado – Não farei besteira alguma, já disse. Quero apenas esfriar a cabeça, nada mais – reitero – E levarei dois de meus guardas pessoais – adianto-me dizer.
—Tommy, não nos agrada as coisas terem chego a este ponto. Mas infelizmente, como nos foi dito diversas vezes, um rei precisa fazer alguns sacrifícios em prol de um bem maior – Oliver pondera e o olho, refletindo um segundo.
—Diga-me primo, abriria mão de sua Felicity caso o conselho resolvesse ser ela a rainha ideal para mim? – inquiro, vendo-o cerrar o punho direito discretamente, uma luta intima travando-se em seu interior, mas antes que responda, completo – Não se preocupe. Mesmo que viessem a cometer tal sandice, eu não aceitaria – garanto – Já se a escolhida fosse lady Reese, poderia pensar aceitar – não resisto provocar Connor, instigando meu cavalo a mover-se antes que pudesse esboçar reação, rindo alto e acenando sem voltar-me ao escutar seu xingamento.
Cavalgo por entre os jardins tortuosos, alcançando o segundo pátio em poucos segundos, parando junto a casa da guarda aonde espero o portão ser aberto. Ao sair, quatro guardas acompanham-me. Seguimos por entre as ruas laterais, evitando o fluxo maior de pessoas a formasse na cidade àquela hora. Devido a proximidade dos festejos em comemoração ao solstício, muitos viajantes, pequenos e médios proprietários, arrendatários de terras bem como nobres de várias partes do reino, começavam a chegar. Durante as próximas semanas, a cidade e o entorno do castelo estariam fervilhando de gente, animais, saltimbancos e qualquer um que desejasse participar, o que implica dizer que a segurança seria reforçada. Muito em breve, nenhum de nós poderia dar um passo sem que no mínimo quatro guardas estivessem a nos seguir, como acontecia agora. Reconhecia ser válido o cuidado e preocupação, no entanto isto não impedia sentir-me como um prisioneiro.
Ando algum tempo sem rumo certo, apenas saboreando o vento e o sol nascente a tocar-me a pele. Adentramos um vale próximo e me dirijo a um aglomerado de arvores aonde sabia existir um pequeno lago formado por uma cascata proveniente do riacho que nascia mais acima. Costumávamos brincar no lugar quando crianças e por vezes o usáramos como refúgio para escondermos de nossas mães ao fazermos alguma peripécia.
—Fiquem aqui. Quero caminhar um pouco a sós – ordeno tão logo apeamos sob uma arvore frondosa.
—Sim alteza – respondem os guardas quase em coro.
Prendo meu cavalo a um galho mais baixo e saio a caminhar em direção ao lago, refletindo tudo que ouvira a pouco, perguntando-me se desejava de fato abrir mão do trono. Não ansiava poder, como algumas vezes notara em meu avô e mesmo meu pai, mas seria cinismo se dissesse não apreciar a idéia. Fora preparado minha vida inteira para tal, sabia, mesmo que intimamente, o que significava. Então por que a surpresa? Por que nao concebia ter de aceitar uma noiva desconhecida? O que havia mudado dentro de mim que fizera-me rebelar contra as tradições? Questionava-me, distraído, sentando-me a sombra de uma arvore nos arredores do lago a buscar uma resposta, irritando-me quando esta não vem.
Deslizo a mão pelo solo arenoso, segurando uma pedrinha irregular e chata, girando-a entre os dedos como costumava fazer quando criança. Volto-me para o lago, erguendo a mão, tencionando atirá-la contra o espelho d’água e estanco, surpreso. Estivera tão perdido em meus pensamentos que não notara a presença de outra pessoa no lugar. Na água cristalina do pequeno lago, uma jovem banhava-se.
Ergo-me lenta e silenciosamente, temendo assustá-la, protegendo-me atrás da mesma arvore sob a qual sentara-me, observando-a nadar graciosamente. Era errado, bem sei, no entanto não conseguia desviar o olhar da visão matinal alguns metros a frente.
Apesar da distância, as águas cristalinas permitiam-me ver o suficiente para saber estar nua, a pele tornando-se ainda mais alva sob a transparência do lago, os movimentos precisos impulsionando-a ora para a direita, ora para a esquerda, ora para mais distante donde me encontro. Retenho o ar nos pulmões quando, apoiando as mãos numa saliência logo abaixo da cascata, ergue parcialmente o corpo esguio e curvilíneo, parecendo saborear o contato da grossa cortina d’água sobre si.
Apesar de o clima estar um pouco frio (as brumas matinais não haviam cedido por inteiro) sinto meu sangue ferver e ser bombeado com mais força por meu acelerado coração. Era a mais linda e tentadora visão que tive até hoje em minha vida. Enlevado, somente me dou contar não estar mais sozinho em meu “esconderijo” ao sentir a lâmina fria ser pressionar contra minha pele.
—Dê-me um bom motivo para meu punhal não varra-lhe a garganta de um extremo a outro! – ouço ao mesmo tempo em que um jovem de cabelos longos e negros surge a minha frente olhando-me ameaçadoramente, a leve pressão em meu pescoço cobrando-me uma resposta.
—Gostaria, mas sendo-lhes honesto, não encontro – admito, tenso ante a possibilidade de ser morto, buscando os que fazem minha segurança com o olhar.
—Seus guardas não virão alteza – o rapaz moreno avisa – Não os matei, fique tranquilo – prossegue, parecendo ler minha mente – Apenas providenciei uma distração – conclui – Ainda não respondeu meu irmão – lembra, cruzando os braços.
—Ainda não a tenho – assumo, engolindo a seco, a lâmina machucando-me – Respeito a vosso rei, talvez?! – sugiro, escutando-o rir baixo.
— Não sirvo ao rei, além do que, presumo estar em meu direito cobrar-lhe por espionar nossa irmã banhar-se – argumenta, aumentando a pressão.
—Não seria o caso de ela decidir, então? – rebato, tentando ganhar tempo.
—Hummm...por que não? – pega-me de surpresa ao declarar — Vejamos o que ela nos diz. Andando – ordena, transferindo o punhal da garganta para meu flanco direito, pressionando a ponta contra minhas costelas.
Obedeço sem entender o motivo de haver concordado, buscando os guardas com o olhar novamente.
—Aqui está bom – anuncia e paramos alguns metros da borda do lago – Irmã, veja quem encontramos a espiá-la!! – chama, fazendo-me olhar para o lago novamente no instante em que ela também o faz em nossa direção, nossos olhares encontrando-se – Que devo fazer? Cortar lhe a garganta? Ou talvez outra parte do corpo – sugere, deslizando o punhal até a altura de meu quadril, numa clara ameaça a minha masculinidade – Que me diz alteza? Devo torná-lo um eunuco?? – inquere, pressionando mais firmemente.
—Ou talvez devamos contar a Frost e deixá-la decidir – sugere o outro rapaz – Quem sabe ganhe um beijo – insinua, me deixando confuso, porém antes que cogite perguntar o porquê, percebo a jovem no lago mover-se sob a água, nadando lentamente em nossa direção.
Por mais que tente, não consigo desviar o olhar ou mesmo mexer-me. É como se uma força invisível estivesse a prender-me ao solo. Acompanho-a braçada a braçada, cada vez mais perto, até que para junto a margem, protegida de meus olhos pela saliência, observando-me sem nada dizer durante o que parece-me uma eternidade.
— Então, estava a espiar-me? Não é uma atitude digna de um nobre, muito embora não seja anormal tal hábito entre os de sua classe – acusa, quebrando o silêncio, a voz estranhamente calma – Diga-me alteza, que devo fazer? Permitir a meus irmãos castigá-lo... ou pedir a Frost o fazer? – inquere, prendendo-me em seu olhar.
—Primeiramente, peço-lhe desculpas milady. Não é meu hábito nem tive intenção espiá-la. Sequer a tinha visto no lago quando cheguei – admito tão logo recupero o dom da fala – Se não consegui desviar o olhar, como um cavaleiro deve proceder, isto deve-se a sua beleza incomparável, que encantou-me – confesso, sentindo o coração acelerar novamente quando ri.
—Faz jus sua fama de galanteador alteza – diz, movendo os braços graciosamente, provocando ondas na água e em meu interior, parecendo refletir acerca de algo – Façamos o seguinte: sairei e caso mantenha seus olhos longe de meu corpo até estar vestida, não o punirei – condiciona, não me dando tempo argumentar.
Retenho o ar nos pulmões uma vez mais quando começa erguer-se devagar, saindo d’água. Ergo o olhar para o céu, desvio-o para os lados ou qualquer outro lugar na medida em que a ouço aproximar-se, a lâmina amenizando a pressão, para meu espanto. Mesmo que quisesse, não conseguiria mover-me. Permanecia preso ao solo, incapaz de mexer um musculo sequer. A sinto passar junto a mim, seu braço roçando o meu, fazendo meu sangue correr mais rápido nas veias. Preciso de todo meu auto-controle para não a buscar com os olhos.
—Tem força de vontade, qualidade que admiro em homens e mulheres – escuto-a dizer as minhas costas, o farfalhar de tecido avisando-me que se vestia – Ou talvez tema meu irmão o transformar num eunuco!! – exclama, o tom divertido trazendo-me alívio.
—De fato, a idéia não é de meu agrado – digo, arrepiando-me ao sentir seu toque por cima da roupa, a mão deslizando vagarosamente por meu braço.
—Imagino quantas jovens sentir-se-iam igualmente desapontadas, sem contar vosso pai. Decerto espera dê-lhe muitos descendentes!! – insinua, postando-se a minha frente – Tranquilize-se alteza. Passou no teste. Irá manter sua masculinidade intata! – afirma – Irmãos, ajudem os guardas de sua alteza recuperarem as montarias – ordena, me dando as costas, caminhando pela mesma trilha a qual eu fizera, ambos os rapazes a obedecendo sem protestar, tomando-lhe a dianteira.
—Fui sincero ao declarar-me encantado por vossa beleza, milady – reitero, seguindo-a tão logo minhas pernas obedecem o comando de meu cérebro, escutando-a rir melodicamente – Não caçoe de mim, bela dama – elogio, tomando-lhe a frente, obrigando-a parar – Encantei-me desde o dia que salvou-me. Tornei-me um escravo de vossos encantos – afirmo, um joelho indo ao chão o passo que faço uma mesura com a mão.
—Reconheceu-me? – questiona não me dando tempo responder – Humm... escravo!?! – murmura – Imagino que tais palavras causem um efeito devastador nas damas que o cercam.... Portanto, guarde-as para elas alteza. Palavras não me seduzem, por mais belas que sejam – aconselha, tocando meu ombro ao passar.
Levanto-me de imediato, seguindo-a novamente.
—Que posso fazer para provar-lhe ser sincero? – insisto, estancando alguns passos da carroça na qual subia sem requisitar minha ajuda, abrindo a boca ao ver meus guardas correndo atrás das montarias pelo prado. Seria cômico não fosse preocupante saber que os homens responsáveis por proteger-me foram tão facilmente ludibriados.
—Uma semana – ouço e volto-me para ela – Se em uma semana ainda considerar-se encantado e escravo meu, encontre-me a beira do lago a esta mesma hora e então conversaremos – propõe, surpreendendo-me ao emitir um assobio alto e limpo que faz homens e animais estancarem no prado – Parem de brincar. Temos muito a fazer – ralha, seus irmãos arrebatando as rédeas dos animais numa velocidade assustadora, entregando-as aos guardas – Adeus alteza – escuto, voltando-me a tempo de vê-la partindo em sua carroça, os irmãos correndo a seu encontro, saltando dentro da mesma, acenando.
—A vejo em sete dias milady – a corrijo alto, seguindo-os com olhar enquanto afastam-se.
—Alteza, devemos segui-los? – um dos guardas pergunta.
—Não – respondo curto – De voltar para o palácio – ordeno, montando meu cavalo, sorrindo, confiante a olhá-la afastar-se outra vez– Até breve....minha rainha!
“.....I don’t mean be so uptight;
But my heart’s been hurt a couple times;
By a couple guys that didn’t treat me right;
I ain’t gon’ lie, ain’t gon’ lie;
Cause I’m tired of the fake love;
Show me what you’re made of;
Boy, make me believe...;
If it’s meant to be,, it’ll be, it’ll be;
Baby, just let it be;
So won’t you ride with me, ride with me?
See where this thing goes..."
Meant To Be
Feat Flórida George Line/ Bebe Rexha

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