O príncipe e a feiticeira
3 Convidada inesperada part. I (começa o jogo)
Notas iniciais
“.... You ain’t gotta worry it’s an open invitation;
I’ll be sittin’ right here real patient;
All day, all night I’ll be waitn’ standby;
Can’t stop because I love it;
Hate the way I love you;
All day, all night;
Maybe I’m addicted for life, no lie;
I’m not too shy to show I love you;
I got no regrets;
I love you much too, much to hide you;
This love ain’t finished yet;
This love ain’t finished yet;
So, baby whenever you’re ready...”
Come & Get It
Selena Gomez
Pátio interno do Palácio (domingo, 9:57 a.m)
Narrador
Ao adentrarem o pátio, Thomas e os guardas reduzem o ritmo até pararem, desmontando, o riso divertido da princesa Thereza chamando atenção do príncipe.
—Banhe-o, alimente-o e o ponha a descansar. Andou correndo livre pelo prado parte da manhã — recomenda, entregando as rédeas ao cavalariço, caminhando em direção aonde se encontravam a prima e algumas crianças do palácio enquanto descalça as luvas, sorrindo ao descobrir o motivo do riso da princesa – Salvo engane-me, meu pai pediu-lhe que viesse prestar ajuda a Paul, não para divertisse as custas dele – ralha, postando-se ao lado da jovem.
—Estou ajudando-o. Trouxe-os para longe donde outros pudessem rir-se dele – rebate a princesa, olhando-o de soslaio – Onde esteve? – quer saber.
—Cavalgando – responde, evasivo, sacudindo a cabeça negativamente, rindo, quando Minnie, Athena e Alexandra juntamente com Owen e Josh, levam o pobre guarda ao chão, cobrindo-o com seus corpos pequenos – Acho que precisa rever sua noção de ajuda, prima – Thomas comenta, ambos erguendo o olhar ao escutarem dama Bárbara, tutora responsável pela educação formal das crianças do palácio, chamar.
—Crianças, para dentro. Devem lavarem-se para o desjejum. Princesa Thereza, príncipe Thomas, vossos pais os esperam no salão de refeições – avisa, batendo palmas – Andem crianças, apressem-se!! – ordena.
—Queremos revanche!! – as cinco crianças avisam, erguendo os indicadores em direção a Paul.
—Estarei a espera e já os alerto que não serei mais tão bonzinho – avisa o guarda fazendo uma breve reverência, bagunçando o cabelo dos meninos antes que estes disparassem em desabalada carreira para o interior da construção, sendo prontamente seguidos por Minerva e Athena – Não os acompanha milady Alexandra? – Paul pergunta, olhando a menina arrumando-se da melhor maneira possível.
—Decerto que não!! – responde ela, limpando a face com o dorso da mão — Já tive minha cota de infantilidade por este dia – declara, voltando-se para o príncipe e a princesa – Dêem-me licença altezas – ergue a barra do vestido, fazendo uma reverência curta antes de obedecer a tutora, caminhando calmamente em direção ao interior do palácio.
—Cinco minutos atrás estava tão encapetada quanto a irmã. Agora me sai toda daminha. Vê se pode?? – Thea graceja, levando as mãos a cintura, não dando chance a Thomas ou Paul responderem – Deve ser algo nos genes de irmãos gêmeos posto que Connor vez ou outra parece-se por demais com você – supõe, fazendo-o arquear a sobrancelha – Mistérios sem resposta!! – exclama, enlaçando seu braço ao do primo – Vamos comer? – convida.
—Sim – Thomas responde curto, dispensando a mesura que o guarda ensaiava, caminhando de braços dados a ela.
—Por onde cavalgou? – questiona-o a princesa, curiosa, ao adentrarem a área coberta.
—Pelo bosque – responde, evasivo, um sorriso formando-se em seu rosto quando a imagem de Caitlin vem-lhe à mente.
—Que viu por lá para o fazer sorrir desta forma? – quer saber, curiosa, cutucando-o – E nem tente mentir-me dizendo que nada pois sua expressão o contradiz claramente! – avisa.
—Está tão evidente assim? – devolve o príncipe, respondendo ao cumprimento feito pelos guardas ao passarem pelas portas que conduzem ao salão.
—Deveras evidente!! – reafirma Thea, sorridente – A conheço? – pergunta, matreira.
—Por que pensa tratar-se de uma dama? – novamente ele devolve, olhando-a de soslaio.
—Porque o conheço bem, meu primo querido – afirma a princesa, erguendo o queixo, altiva – A você, a seu irmão e ao meu. Nada conseguem esconder de mim – afirma, rindo enviesado.
—Bom, desta feita devo dizer que... estas correta! – exclama Thomas, fazendo-a rolar os olhos – Mas não a conheces – garante.
—Estas certo disto? – inquere a jovem, arqueando a sobrancelha – Tenho passeado bastante pela cidadela e arredores ultimamente. Conheci diversas pessoas novas. Damas inclusive. Algumas muito belas – confidencia.
—Duvido que a tenha visto– assegura Thomas, sorrindo mais.
—Que lhe dá tanta certeza? – rebate Thea, curiosa.
—Porque teria comentado posto não ser todo dia que se tem a chance vê-se uma ninfa em pleno dia!! – exclama, radiante, deixando-a boquiaberta, a conversa sendo interrompida ao aproximarem-se da mesa.
—Irá contar-me tudo, com riquezas de detalhes, mais tarde ou o entrego a vossos pais!! – ameaça baixinho.
—Se te comportares, quem sabe te conto! – Thomas rebate, soltando-a, puxando a cadeira para que se sentasse, afastando-se logo em seguida sem dar a jovem chance retrucar.
—As crianças, onde estão? – o rei pergunta.
—Dama Bárbara os levou a aprontarem-se, meu rei – Thomas responde, tomando assento ao lado do irmão após beijar a face da mãe – Os trará tão logo estejam apresentáveis, estou certo – completa.
—Deseja que os esperemos, meu senhor? – a rainha questiona.
—Não se faz necessário. Podemos começar a refeição – libera, a rainha sinalizando aos criados iniciarem o serviço.
Durante os primeiros minutos nada é dito, apenas o som dos talheres e pratos se ouve pelo salão, sir. William sendo o primeiro a quebrar o silencio.
—Lord Merlin, acaso foi-lhe entregue a listagem do que já está pronto para os festejos? Desejo, se possível, repassar com o senhor o que ainda falta ser providenciado antes de minha partida – pergunta, o nobre encarando-o, sério.
—Sim e já a submeti ao rei. Ambos estamos deveras satisfeitos com a rapidez que cuidou de tudo – lord Merlin responde – Temos apenas algumas ressalvas sobre as quais conversaremos após a refeição – avisa.
—Sinto que não possam permanecer conosco para os festejos – lady Rebecca lamenta.
—Por que não permanecerão, Will? – Connor questiona, o ruivo voltando-se para ele.
—Fui avisado de alguns problemas em minhas terras que exigem minha atenção, alteza – explica o nobre.
—Nada grave, espero – Oliver deseja, encarando-o.
—Não é alteza, não se preocupe – assegura Will, a chegada de dama Bárbara trazendo as crianças interrompendo momentaneamente a conversa.
—Perdoem-me a demora meus senhores – pede a mulher, posicionando-as uma a uma nos devidos lugares, postando-se estrategicamente perto para o caso de precisarem dela.
—Lady Halstead, Owen e Josh disseram-nos que irão embora antes dos festejos, é verdade? – Athena questiona, encarando a mais velha.
—Sim. Partiremos ao cair da tarde – confirma lady Natalie, sorrindo-lhe gentil.
—Mas por quê? – Minerva inquere.
—Sir. Halstead explicava-nos isto agora meu bem. Há negócios que requerem sua presença, portanto precisam partir – lady Rebecca responde, afagando o rostinho contrariado
—Não quero que eles vão – diz a menina, fazendo bico.
—Não quero que se vão pequena milady – dama Bárbara a corrige, fazendo-a bufar.
—Que seja! Nenhuma de nós quer que partam! – Alexandra exclama – Há tão poucos de nossa idade com quem podemos manter um diálogo decente e ainda nos divertirmos e agora não estarão conosco nos festejos. É deveras frustrante!! – reclama a menina, a maneira como o fizera provocando risos nos adultos.
—Agradeço a consideração e folgo que pense desta maneira, milady Alexandra – lady Natalie diz, mantendo o sorriso — Quem sabe voltamos em breve, para o casamento do príncipe – deixa escapar, arrependendo-se ao notar a expressão taciturna do rei e lord Merlin – Quando este for realizar-se, evidente – emenda, sem graça.
—Só se for de Oliver, porque a depender de Thomas, não nos veremos tão cedo! – Athena comenta, servindo-se de mais bolo.
—Poderiam os meninos permanecerem para os festejos? Depois o rei mandará levá-los em segurança – Minerva sugere, voltando sua atenção para o monarca – Faria isto, não faria majestade? – inquere menina, esperançosa – Por favor, por favor, por favorzinho!! – implora a menina de mãos unidas.
—Decerto que sim minha querida criança — confirma o rei – Se assim desejarem, não vejo problema algum em satisfazer o desejo das pequenas princesas, meu caro Halstead – afirma, dirigindo seu olhar ao casal.
—Se não for, de fato, incomodar, meu senhor– lady Natalie condiciona.
—Nenhum incomodo, minha, querida. O contrário. Estando os cinco juntos facilita-nos muito saber o que fazem e onde fazem – garante lady Smoak, afagando a cabeça de Athena.
—Concordo plenamente com lady Smoak – lady Rebecca corrobora, repetindo o gesto da loira com Minerva, a menina sorrindo e piscando aos amiguinhos, matreira.
—Neste caso, podem ficar – sir. William libera, rindo ante a comemoração eufórica do quinteto.
—EEEEEEEE!!! – dizem juntos, erguendo os braços.
—Tenho até medo quando ficam assim, animados! – lady Sara cochicha, fazendo lady Reese tapa a boca, escondendo o riso.
—Eu tenho dó da pobre dama Bárbara!! – lady Felicity comenta.
—Acredito que o guarda Paul será quem mais irá amar a novidade! – a princesa Thea comenta, rindo divertida.
—Quantas delegações enviaram mensageiros confirmando presença até agora, minha senhora? Já sabem? – lady Laurel questiona a rainha, mudando o foco do assunto.
—Algumas – a rainha responde – Além da comitiva de Midiãm, que trarão a princesa Kara, virão representantes de várias outras partes do reino, perto e longe, inclusive representantes do povo das distantes terras mágicas – revela, chamando atenção de todos.
—Povo mágico? Há anos nenhum deles vem aqui – lord Lance comenta.
—É sempre tempo de reatar laços antigos – lord Merlin comenta, levando uma garfada generosa de seu desjejum a boca.
—Também a terra dos cavaleiros, avisou que enviará representantes, entre eles a jovem herdeira, lady Dayana – acresce a rainha.
—Hum, teremos belas jovens solteiras aqui este ano. Ouvi falar da beleza sem par de lady Dayana e da princesa Kara, além, claro, da beleza notória que se diz o povo mágico ter! – lady Donna Smoak comenta, sua observação seguinte causando visível desconforto em Thomas – Ótima oportunidade aos solteiros do palácio encontrarem sua cara metade!! – exclama, batendo palmas, alheia ao mal-estar instalado.
—Seria esta uma indireta a alguém específico milady? – inquere o príncipe, irritado.
—De forma alguma alteza – apressa-se em dizer Donna, desconcertada– Apenas comentei a possibilidade de jovens como sir. Barry Allen por exemplo, encontrar sua alma gêmea dentre as damas que se farão presentes, nada além disto – garante – Se me fiz entender erroneamente, peço humildes desculpas – pede, fazendo uma breve reverência em direção a Thomas.
—Nada há para desculpar-se lady Smoak. Meu filho anda sensível em demasia quando o assunto é casamento – lord Merlin afirma, encarando-o – De fato, será uma excelente oportunidade a qualquer solteiro em encontrar uma jovem de boa estirpe com a qual possa contrair matrimônio, inclusive, a provável futura rainha – insinua, aumentando o desconforto do filho – Soube que saiu a cavalgar. Espero tenha usado o tempo para repensar sua declaração de mais cedo – continua ainda a encarar o filho.
—Meu senhor, por favor — lady Rebecca tenta contemporizar, pondo a mão sobre o braço do marido num pedido mudo.
—Se refere-se a abrir mão de meu direito ao trono, repensei – Tommy informa, sustentando o olhar do pai – Quanto a escolher uma rainha... -faz uma pausa breve deixando a todos, excerto as crianças, tensos — Aceitarei conhecer a tal princesa, mas não comprometer-me-ei com ela ou qualquer outra – avisa, não dando ao pai tempo rebater – Nada farei para que me deteste nem me passarei por meu irmão a fim de evitá-la – promete, Connor olhando-o rápido – Conhecerei a todas que porventura queiram apresentar-me sem protestar. Nada além disto – declara, erguendo o queixo em desafio.
—Está calor aqui não?? Engraçado que deveria ser justamente o oposto, posto ser o inverno a aproximar-se – lady Laurel comenta na tentativa de mudar o rumo da conversa.
—Existe uma dama, não existe? Alguém que parece ter conquistado seu coração inquieto, mas que certamente não o sabe ter feito ou talvez não o corresponda.... Ainda – lady Rebecca intui, a observar o filho atentamente.
—Valeu a tentativa Laurel!! – Thea exclama, franzindo o nariz numa careta, afastando o prato quase intocado – Perdi o apetite – diz, cruzando os braços, emburrada.
—Diga-nos Thomas, vossa mãe está correta? Alguém despertou seu interesse? – o rei questiona, a observá-lo, a inquietação visível em Diggle, Barry e Oliver não lhe escapando o olhar atento.
—Sim – responde, finalmente, causando espanto em alguns dos presentes — Não a conhecem ainda. Ao menos não todos – revela, olhando de soslaio para Oliver — Confessei-lhe meu interesse mais cedo, quando a encontrei, por acaso, no bosque – conta — É ela, e mais ninguém, quem desejo ter a meu lado quando assumir o trono – declara, encarando o rei, o silêncio caindo sobre a mesa. Mesmo as crianças silenciando entendendo ser algo importante que estava sendo discutido.
—É sincero o sentimento que diz ter por essa dama misteriosa ou trata-se apenas de mais uma conquista a qual logo após conseguir realizar, perderá o interesse? – interroga o rei, fazendo Thomas rir torto.
—Isto, meu senhor, terá de aguarda para saber – desafia o príncipe, sustentando ao olhar do rei e também do pai – Para deixar meu rei e meu pai mais calmos – começa dizer — Comprometo-me aceitar qualquer dama ou princesa que escolham se, e somente Se, ela recusar-me. Se falhar em provar-lhes, a ela e a meus senhores, quão sincero é meu sentimento, submeter-me-ei-me ao que meu senhor ordenar – promete, inclinando a cabeça levemente em sinal de respeito ao pai e ao rei – Agora, se meu rei me der permissão para sair, desejo recolher-me. Sinto as costas e a cabeça a doerem um pouco – pede, afastando a cadeira.
—A tem – o rei libera, Tommy erguendo-se, cumprimentando todos com um aceno curto antes de se retirar sob o olhar atento do pai, este suspirando impaciente – Paciência Malcom. Thomas é jovem e impetuoso tal qual fomos um dia – relembra, rindo discretamente, seu olhar recaindo sobre Oliver – Acaso sabe a quem seu primo refere-se, filho? — inquere.
—Talvez meu pai – responde o príncipe, massageando o queixo pensativo– Acredito que refira-se a camponesa que nos ajudou – revela — Ao menos suponho seja ela posto ser a única jovem pela qual meu primo demonstrou interesse recentemente – mente, silenciando a Barry com um olhar de advertência.
—E que sabem a respeito desta jovem? – Malcom questiona-os.
—Não muito além de que vive com dois irmãos em uma cabana afastada, próximo ao território que a feiticeira branca entende como seu – Oliver conta.
—Isto não me agrada. Quero respostas. Há muito em jogo para nos darmos ao luxo de aguardar meu sobrinho conquistá-la, trazendo-a para nosso convívio, para as obtermos – determina – Não se trata apenas de mais uma conquista que Thomas deseja realizar. Trata-se da provável futura rainha. É preciso saber de onde procede esta dama com urgência – decreta o rei, voltando-se para Diggle – John, encarrego-o pessoalmente em descobrir as origens desta moça. Use os recursos que precisar para tal. Comece agora mesmo– ordena, encarando-o.
—Sim, majestade – responde o chefe da guarda, retirando-se após reverência, dirigindo um rápido e discreto olhar a Oliver.
—Acho que... talvez possamos, Oliver, Connor e eu, tentar descobrir algo junto a Tommy — Barry sugere.
—Façam isso – o rei anui, permitindo-os deixarem a mesa – Quentin, redobre a segurança em volta do castelo. Ordene também aos guardas dos portões externos terem maior atenção aos viajantes que chegarem para os festejos. Coordene tudo pessoalmente – ordena.
—Pois não, majestade. Considere feito– prontifica-se o nobre, levantando-se e retirando-se a fim de fazer o que lhe fora designado.
—Permissão para deixarmos a mesa meu rei – pede a princesa Thea, indicando a si mesma e as demais damas.
—A tem – libera o monarca, pensativo, as jovens saindo em silencio.
—Dama Bárbara, leve as crianças para que tomem suas instruções – a rainha ordena.
—Mas hoje é domingo!! – Minerva protesta, baixando a vista ante o olhar de censura de lady Rebecca.
—Vamos crianças. Prometo que farei algo leve, rápido e divertido – avisa a tutora, fazendo-os levantarem-se.
—Duvido! – resmungam baixinho Alexandra e Athena, seguindo-a para fora do salão.
—Se nos permite, nos retiramos agora, majestade. Agilizarei o que ainda falta dos preparativos – sir. Halstead pede, levantando-se, a esposa fazendo o mesmo, ambos fazendo reverência antes de saírem.
—O que o preocupa, meu senhor? – a rainha questiona tão logo o grupo se reduz a ela, o rei, lord e lady Merlin, lord e lady Smoak — O que teme? Acaso acredita que Savage possa aproveitar-se dos festejos para atacar? – preocupa-se.
—Na verdade, não havia pensado nisto minha rainha – admite o rei – Mas indiretamente servirá para tal possibilidade – diz, fazendo-a enrugar o cenho.
—Então por qual razão, meu senhor, pediu aumento na segurança? – insiste a rainha.
—Nosso filho não foi de todo honesto em sua resposta – revela, causando surpresa — A jovem camponesa não foi a única dama a despertar o interesse de meu sobrinho, pelo que soube. John deu-nos entender que outra também o fez. Alguém mais perigoso e temerário posto não conhecermos suas reais intenções, nem por quem ou o pelo quê luta – argumenta, recebendo olhares confusos – Sabe a quem refiro-me, não sabe? – inquere, voltando-se para Malcom, este assentindo com um aceno afirmativo.
—A feiticeira branca!
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Algum lugar nos arredores da cidadela de Star (11:23 a.m)
“...You got the kind of love that I want, let me get that;
And baby once I get it I’m your no take backs;
I’m gon’ love you for life, I ain’t leaving your side;
Even if you knock it ain’t no way to stop it;
Forever you’re mine baby I’m adicted no lie;
No lie...”
Caitlin
Respiro fundo buscando no âmago de meu ser paciência, ouvindo meus irmãos postiços “cochicharem” próximo a mim.
—Acaso desejam dizer-me algo? – inquiro, dando demasiada atenção a panela a minha frente, vendo-os, pelo canto do olho, cutucarem-se a incentivar um ao outro falar.
—Não é que contestemos o que fez Cait– Ralph começa, cuidadoso- Mas a verdade é que não entendemos a razão pela qual o príncipe teve tratamento melhor, por assim dizer, que o certo comerciante que cometeu o mesmo deslize tempos atrás – relembra e rolo os olhos, deixando um suspiro impaciente escapar.
—Veja irmã, não concordamos com o castigo dado por Frost àquela feita– Ramon toma a palavra, igualmente cuidadoso – Mas há de reconhecer que usar dois pesos e duas medidas foi no mínimo injusto. O pobre comerciante, até hoje corre ao sentir a brisa fria passar!! – comenta, ambos rindo divertidos.
—Não concordam, porém divertem-se, não é mesmo? – os repreendo, voltando-me para encará-los – Quanto a queixa, não foram usadas duas medidas e sim a mesma, caso tenham esquecido. Igualmente condicionei o castigo que dar-lhe-ia ao espião olhar-me sair d’água. O príncipe passou. O comerciante não – lembro-os, ouvindo o riso pouco discreto de Ralph.
—De fato, o homem não desgrudou os olhos de você um segundo ao passo que vossa alteza o fez. A duras penas, como bem pudemos ver, mas o fez — senta-se na ponta de uma mesa próxima – Ainda assim, pensamos ter sido condescendente ....
— O príncipe merecia ao menos um susto – Ramon intervém, apoiando-se ao ombro dele– Afinal, trata-se do futuro monarca e como tal deve mostrar respeito por tudo e todos, desde leis a pessoas, das mais simples as mais abastadas. Sem mencionar o quanto é repudiante um rei ser pego a espiar damas banharem-se – diz, brincando com as folhas de athelas que trouxéramos.
—Em que dimensão? Rei algum foi punido ou ganhou má fama por tal ato. Bem o contrário. Há regiões em que tem-se isto como mais uma prova de virilidade– Ralph afirma, mastigando uma de minhas flores julgando ser comestível, cuspindo-a com uma careta ao sentir o amargor – O que eu comi??? O que eu comi? – alarma-se, passando a mão na língua.
—Se ainda não sabe diferenciar o que é comestível do que não é, não irei dizer-lhe – respondo, retirando a panela do fogo, rindo-me dele.
—Sério Cait, o que eu comi? Não é venenosa é? Já estou a sentir a língua dormente e inchada...meu rosto está inchando também...e minha...arrfff, arrff, minha garganta está tapando...eu sinto...vou sufocar!! – dramatiza, apertando a própria garganta.
—É apenas uma margarida silvestre, amarga como fel mas inofensiva – Ramon elucida, vindo ajudar-me pôr a comida nos pratos – Decerto ficará sim, sem ar se continuar apertando a garganta, estupido! – xinga, dispondo os pratos nas bandejas – Ande, ajude-nos. Há muito ainda a ser feito – chama, ele obedecendo após uma torrente de xingamentos os quais finjo não ouvir.
Deixamos a cozinha adentrando a sala da humilde residência nos arredores da cidadela, apinhada de gente de todas as idades, sentadas e organizadas em volta das amplas mesas ali dispostas. Para a maioria, aquela seria a única refeição do dia.
—Sentem-se aqueles que estão de pé para que nossos bons amigos possam servir a refeição. E comportem-se – recomenda a rechonchuda e sorridente senhora Fonzi, vindo em nosso auxílio.
—Há mais lá dentro – aviso, servindo a primeira mesa enquanto meus irmãos servem a segunda e a terceira respectivamente. Havia ainda mais gente que no dia anterior posto que o boato se espalhara como rastilho de pólvora.
Era algo que fazíamos sempre no começo do inverno: ir de vila em vila ajudando aplacar fome e frio daqueles que não tinham onde se abrigar, amenizando o sofrimento daquelas pessoas tão sofridas.
Não que o rei não o fizesse. Fazia. Mas nem sempre conseguia atingir aqueles que mais necessitavam ou por suas tropas não avançarem muito além dos limites da muralha, ou por alguns mal cidadãos que desviavam a ajuda por ele enviada, ou simplesmente porque algumas pessoas não tinham condições de irem até onde as refeições eram servidas. Logo, os auxiliávamos na tarefa.
—Que os deuses a abençoe minha linda criança – uma senhora diz, retendo-me pela mão quando retornava à cozinha – Abençoe a todos os três – acresce, fazendo menção beijar minha mão, mas não permito.
—Por favor, não faça isto – peço, tentando evitar o gesto.
—Mas quero – insiste ela e me deixo beijar, sorrindo sem graça -Os deuses hão de presenteá-la com um bom marido e muitos filhos. Terá uma vida abençoada com certeza – prediz e sinto meu íntimo gelar.
Instintivamente puxo a mão com certa rudeza, desculpando-me a seguir.
—Perdoe-me. Eu...- peço, a voz falhando – Vou pegar mais comida – consigo dizer, indo refugiar-me na cozinha, retendo a muito custo as lágrimas.
—Ela não fez por mal meu bem. Quis expressar o quão grata sente-se– a boa senhora Fonzi diz, pondo a mão em meu ombro – Não entristeça criança. Tudo nesta vida tem concerto, já dizia minha avó – tenta alegrar-me.
—Não para mim – rebato, amarga.
—Tem certeza? Acaso ganhou mais um dom, o de prever o futuro? – questiona-me e a olho, magoada.
—Dom? Não considero o que sou um dom!! – retruco, enxugando uma lágrima furtiva – Uma maldição, talvez castigo, mas não um dom – reitero.
—É especial Caitlin, como tantas outras pessoas que existem por aí as quais conhecemos ao longo destes anos – lembra, estendendo a mão quando Ralph e Ramon se aproximam – Cada um de vocês o é e a maior prova é o que fazem pelo povo sem nada esperar em troca – diz, afagando nossos rosto um por um – Lembro quando os recebi em casa, tão pequenos e assustados. E hoje os vejo fortes, lutando por justiça! Poderia inflar tamanho orgulho que sinto!! – exclama.
—Melhor não nona Fonzi, ou não conseguirei carregá-la no colo como tanto gosta – Ralph brinca, recebendo um aperto e um puxão de orelha que me faz sorrir pequeno – Mas ela está certa irmãzinha. Ela e a boa senhora lá fora. Os deuses irão olhar por você...por nós, e nos darão um futuro brilhante, estou certo disso – reafirma, abrindo um de seus sorrisos largos.
—Se é que já não o estão fazendo! – Ramon pensa alto, a julgar pela cara que faz quando o olho – Melhor voltarmos a servir. Temos de partir o quanto antes – desconversa, pondo-se de pé.
—Não irão ficar para os festejos do solstício? – nona Fonzi pergunta fazendo sua expressão predileta: pidona!
—Temos de ir em casa e depois mais ao sul visitar nona Calidi – explico, pondo-me de pé, alisando o avental florido que fizera-me colocar ao chegar – Mas sim, voltaremos para os festejos e ficaremos um pouco mais – revelo, ganhando um enorme sorriso – Agora façamos o que Cisco disse — sugiro, recomeçando a encher os pratos.
Nas horas seguintes, concentro toda minha energia em servir comida e distribuir roupas e colchas, jogando para o fundo de minha mente a dor causada pela declaração da mulher.
Mas ao final do dia, quando finalmente deito-me para dormir, o sono não vem.
Saio da cabana silenciosamente, refletindo sobre minha vida, deixando-a vir à tona enquanto me recolho, vagando pelos prados, desfrutando a leveza e alegria que Frost demonstra algumas vezes, aliviando o peso em meu coração.
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Palácio real (três dias depois – 9:00 a.m)
Minerva
Deslizo a mão pela mureta olhando a movimentação lá embaixo, no pátio interno, onde meu irmão mais velho, Thomas, mais Oliver, o jovem príncipe Mon-el, irmão da princesa Kara, o chefe da guarda, Dig (o chamávamos desta maneira) e mais três guardas, treinavam sob os olhares atentos de nossa mãe, da rainha Moira, da senhora Eowyn, que viera da terra mágica, das princesas Thea e Kara, das ladies Felicity, Reese, Sara, Laurel, Edwyna (filha da senhora Eowyn) e Dayana além de outras damas da corte.
Desde o amanhecer até o entardecer do dia de ontem, comitivas e mais comitivas chegaram para os festejos. A última havia sido a comitiva do povo do reino mágico (meu povo, pelo que mamãe disse) que deixara a todos encantados com sua beleza.
Apoio as mãos sobre a mureta, meu queixo nelas, sorrindo ao reparar no jeito de lady Sara. Claramente queria participar dos exercícios, mas lógico não a deixariam. Não em frente a convidados. Mas sabia que treinava com meus irmãos e Dig (as vezes guarda Paul ou Eddie) as escondidas, sempre que escapava a vigilância de dama Aurea, uma das responsáveis pela educação de damas adultas, longe do olhar de seu pai, lord Lance, e claro, de meu pai e do rei.
Olho a rainha, depois mamãe e por fim para a senhora Eowyn (nossa como ela era linda!!), admirando a calma e elegância delas. Logo meus olhos vão para as princesas. Thea e Kara são muito bonitas, de verdade, mas lady Edwyna era .... era....nem sei como a descreve!! Acho que seu parentesco com os elfos que a deixava assim, etérea, segundo lady Reese disse (seja lá o que isso for!!). O mesmo pode-se dizer da princesa Estel e do príncipe Eldarian.
—É, deve ser por causa dos parentes elfos que são tão lindos!! – concluo, assustando-me ao escutar uma voz perto.
—Qual deles é?? – volto a cabeça para a direita, sorrindo para o príncipe Eldarian. Ele é só um ano e meio mais velho que eu, mas é bem sério. Já Estel é risonha e falante – Seu irmão, quero dizer – esclarece, apontando o pátio– Ainda os confundo – confessa.
—Esperado, alteza. Mesmo nossa mãe, os confunde algumas vezes – conto, ficando de frente para ele – Aquele é o Tommy. Ele está sem barba no momento – digo.
—Ah, então Connor é o que vi a pouco adentrando aquela sala ali – diz, indicando as portas duplas que dão acesso ao laboratório dos alquimistas.
—Connor entrou ali? – inquiro, ele acenando que sim – Ué, por quê? – questiono, curiosa.
—Caham! Se não estou enganado estávamos a brincar de esconde-esconde não é isto? – Owen pergunta, cutucando meu ombro – Ou a já paramos?? – quer saber.
—Ainda estamos. Acho – Eldarian dar de ombros, me seguindo com o olhar – Aonde vai milady? – pergunta quando passo por ele.
—Saber o que meu irmão faz na sala dos alquimistas e me chame de Minnie por favor alteza– peço, seguindo até as portas duplas.
—Se me chamar Eldarian, milady – responde, me alcançando — Por que quer saber o que vosso irmão faz aí dentro, Minnie? – pergunta, parando a meu lado junto as portas.
—Minnie, sir. Wells não gosta que entremos desde que derrubamos aqueles tubos de vidro– Owen relembra e bufo.
—Mas foi ele quem nos assustou – rebato, apoiando as mãos em um lado da porta – Estou curiosa, ponto! – exclamo, forçando a madeira, que range baixinho, para meu alívio, abrindo uma pequena fresta – Ajudem aqui– peço, os dois obedecendo.
—Que estão fazendo? Acabou a brincadeira? – escuto e olho de lado vendo Athena, Estel, Alexandra e Josh nos olhando – Minnie, sabe que....
—Sei, mas Connor entrou aqui e quero saber por que – não a deixo falar, limpando as mãos em meu vestido – Pode ter a ver com aquele problema que escutamos outro dia, lembram? – questiono, olhando de Athena para Alexandra e delas para os meninos.
—Ahhhh! – dizem juntos.
—Neste caso, vale a pena o risco de uma bronca de sir. Wells – Josh diz, adiantando-se a olhar lá dentro – Não os vejo por perto. Devem estra mais para o fundo, no laboratório mesmo – avisa, nos olhando de volta – É seguro entrar.
—Todos? – Alexandra indaga, girando o dedo em círculo.
—E por que não? – Athena se adianta – Ouviu o que dama Bárbara disse: “Não é de bom tom deixar vossos convidados sozinho!” – imita nossa aia nos fazendo rir – Estou tão curiosa quanto Minnie e você também, não negue! – exclama, Alexa rolando os olhos, erguendo as mãos, vencida.
—No palácio de meu pai temos livre acesso a todos os cômodos – Eldarian diz, Estel tossindo discretamente – Bem, quase todos – se corrige – Os magos e alquimistas também não gostam de nos ter por perto. Dizem que fazemos perguntas demais! – revela.
—E fazemos! – Estel exclama e novamente rimos, tapando nossas bocas com a mão.
—Se vamos entrar, o façamos em silêncio – Owen pede, tocando o próprio peito indicando que iria primeiro.
Entrarmos, em fila, seguindo-o aposento adentro já que, de todos, era quem melhor conhecia o local (seu pai, lord William, era amigo de sir. Goodwin).
—Isto deveria estar acontecendo sir. Stein?? – a voz de Connor ecoa, nos fazendo parar um segundo, ouvindo atentamente.
—Sim...Não!! – escutamos segundos antes de um Pluft alto ecoar, uma nuvem cinza surgindo a nossa frente, espalhando-se por todo o ambiente.
—Frio!! – Alexa reclama, esfregando os braços.
—Muito frio!! – exclamo imitando-a, soprando e ao fazer isto uma fumacinha sai de minha boca, Estel e Athena rindo baixinho.
—Olha, é inverno! – Josh brinca, soprando lufadas de fumaça.
—Shiiii! – Owen ralha, chamando-nos para junto da mureta de madeira no topo da escadaria que levava ao cômodo mais abaixo donde estávamos, indicando locais onde poderíamos ver o que se passava.
Através das frestas, vemos meu irmão com os alquimistas. Connor estapeava o próprio rosto enquanto sir Wells e sir Stein abafavam algo sobre a bancada.
—Perdoe-nos alteza. Isto não deveria ter acontecido – sir. Goodwin pede, estendendo a ele um pano limpo – Isto o ajudara a limpar-se.
—Não há do que desculpar-se. Deveria ter mantido a distância recomendada pelos senhores – meu irmão responde, olhando em direção um ponto logo abaixo de nós, visível apenas se nos expormos – Deu certo? – quer saber.
—Não exatamente – ouvimos sir. Allen responder – Das três cobaias, uma acordou um pouco, digamos, confusa, outra virou um zumbi e a terceira, infelizmente não resistiu – ouvimos e nos olhamos sem entender – Voltamos a estaca zero – lamenta.
—Não desanimem. Estou certo que terão sucesso – meu irmão aconselha– Agora melhor que eu vá ao barbeiro real cuidar destas falhas. Os vejo logo mais, no baile – despede-se, caminhando para a escada e de imediato nos encolhemos num canto escuro, todos, sem que alguém mandasse, meu irmão passando, tão distraído que não nos nota.
—Que julgam ter dado errado? – escutamos sir. Allen perguntar.
—Tudo, a julgar pelo estado de nossas cobaias – sir. Gooddwin responde, nos fazendo sair do “esconderijo” – Vamos reconhecer, essa idéia foi estapafúrdia desde o princípio – acresce, sentando-se.
—Talvez, mas não vejo outra saída no momento – sir. Stein afirma, pondo algo dentro de uma gaiola – Se conseguirmos uma fórmula capaz de fazer um ser de sangue quente baixar de temperatura a um nível semelhante da hibernação dos ursos....
—Mas não conseguimos – sir. Allen o corta.
—Ainda não conseguimos – sir. Wells o corrige – Das três cobaias, apenas uma não resistiu. Apesar das sequelas, duas ficaram congeladas alguns minutos. Não o suficiente, mas um passo foi dado. Não consideremos este um fracasso total – diz e faço uma careta tentando entender.
—Honestamente Harrisson, acredita que conseguiremos reproduzir tal ato da mãe natureza? – sir. Allen questiona, aumentando minha confusão.
—Ou fazemos isto ou rendemo-nos e a doença que acomete nossa amada rainha vence– sir. Goodwin diz e levo minhas mãos ao peito. Sabia que a rainha estava doente, mas não a ponto de correr risco de morte.
—Desistimos? – sir. Allen pergunta, apoiando-se a mesa, olhando-os um a um.
—Talvez – é sir. Wells quem fala, olhando esquisito – Ou.... — se cala, pensativo.
—Ou??? – sir. Goodwin pergunta, Josh e Owen imitando-o, baixinho.
—Podemos tentar convencer uma criação da mãe natureza capaz de fazer o que não conseguimos, nos ajudar – declara, e antes mesmo que fale, sei o que diria – Killer Frost.
—A feiticeira branca, nos ajudar? Impossível!! – ainda escuto antes de me levantar e sair correndo sem esperar meus amigos, parando apenas quando Eldarian me retém pelo braço.
—Minerva, o que foi? Por que chora? – pergunta e me dou conta das lágrimas.
—Nossa rainha está muito doente. Nada que se fez até agora foi capaz de curá-la – é Athena quem responde, enxugando as lágrimas – Sequer deveríamos estar falando nisto, é segredo para os que não são do palácio e mesmo para alguns que são– conta, fugando.
—Não contaremos a ninguém, nem nossos pais – Estel garante, abraçando-a– Não fiquem tristes. Seus alquimistas me pareceram decididos a achar a cura – pede, segurando a mão de Alexandra.
—Mas pode demorar e aí será tarde demais. Nossa esperança está na feiticeira. Ela pode salvar a rainha – digo, enxugando meus olhos – Precisamos pedir-lhe ajuda – decreto.
—E como faremos isto? Ninguém sabe onde encontrá-la – Owen comenta, segurando, não tão discretamente, uma armadura vazia que enfeitava o corredor e trato de controlar meus nervos antes de causar um desastre, uma idéia me ocorrendo.
—Eu sei como mandar um recado pedindo que venha ao palácio – revelo fazendo-os me olhar, surpresos – Sem perguntas! Se querem ajudar, troquem-se, vistam algo simples e me encontrem no pátio lateral leste em vinte minutos – peço — E não digam nada a ninguém! – recomendo.
—Certo – Owen anui, soltando a armadura, que vai ao chão fazendo muito barulho – Oops!! – exclama, a aparição de um dos guardas sendo a deixa para todos corrermos em direção nossos quartos, rindo.
Mal entro sigo para o armário, escolhendo e trocando de roupa o mais rápido que consigo sem ajuda das aias, agradecendo mentalmente todos estarem envolvidos com a festa, o que nos daria chance sair sem ser notados. Espero. Me olho no espelho retirando a tiara, fazendo uma trança. Saio do quarto, correndo pelo corredor, até a porta do pátio leste, abrindo-a com facilidade.
—Espere por nós!! – ouço e me volto vendo meus amigos correndo a meu encontro. Sorrio.
—Pensei que haviam desistido – admito, caminhando pelo pátio rumo ao portão tendo-os a meu lado.
—E perder uma boa aventura? De forma alguma Minnie – Josh diz, ele e os outros meninos se adiantando a abrir o portão, mais pesado do que a porta – Vai ser muito bom poder dar dois passos sem ter algum guarda em nosso...- para, assim como todos, ao darmos de cara com guarda Paul – Calcanhar!!
—Que fazem aqui? Por que não estão na sala de estudos com dama Bárbara? – Paul pergunta após alguns segundos.
—E principalmente, que roupas são estas?? – sir. Barry, surgindo do nada, nos assustando, pergunta.
—Danou-se!! – Athena deixa escapar, tapando a boca com ambas as mãos.
—Uou! Vossa mãe ficaria chocada com seu linguajar mocinha!! – Barry comenta, rindo divertido – Resposta em três, dois, um! – pede, estalando os dedos.
—Então.... dama Bárbara nos mandou ir as ruas, andar entre o povo, para....para....
—Ouvirmos as histórias sobre o solstício, as lendas sabem...
—E apresentarmos mais tarde diante do rei e seus convidados....- Athena, Owen e eu mentimos, cruzando os dedos atrás das costas.
—Os jovens visitantes inclusive? E sem um guarda a acompanhá-los? – Paul pergunta, desconfiado.
—Se saíssemos acompanhados por guardas não passaríamos despercebidos, logo não poderíamos realizar o que dama Bárbara pediu-nos, não acha? – Alexandra questiona, levando as mãos a cintura.
—E minha irmã e eu temos permissão andar livremente onde quisermos – Eldarian afirma, altivo e seguro o riso a muito custo.
—Ficamos curiosos em conhecer mais de vosso povo e vossas histórias – Estel completa.
—Querem mesmo nos fazer acreditar que dama Bárbara poria vossas vidas em risco por um estudo?? – Paul questiona e suspiro, decidindo contar a verdade. Ou parte dela.
—Guarda Paul, sir. Barry, a verdade é que estamos em uma missão importante para o bem da rainha. Nos ajudem, por favor!! – imploro, tentando não ficar ansiosa. Isto sempre me causava problemas, como a armadura minutos atrás.
—Que tipo de missão? – Barry quer saber.
—Precisamos enviar um recado a alguém que pode ajudar na cura de vossa rainha, mas não podemos revelar muito além disto – a princesa Estel diz e rio novamente. Havia conseguido ótimos cúmplices!
—Está bem – responde Paul, finalmente – Mas iremos convosco. Não posso permitir membros de família real, quaisquer sejam, tendo ou não permissão, saírem sem proteção – avisa, despojando-se de parte de seu traje, ficando apenas com uma camisa simples, calça e botas, além de suas armas, Barry fazendo o mesmo.
—Grata – agradeço, sorrindo, tomando a dianteira pela trilha pouco conhecida que nos levaria para fora dos muros sem sermos vistos – Antes que perguntem, sim, foi por aqui que fugi e não, quase ninguém conhece este caminho – me adianto, rindo ao escutar Paul e Barry resmungarem algo.
Fora dos muros, caminhamos em direção a cidadela, cantando e dançando sob o olhar atento de nossos guardiões. Era tão bom poder passear sem milhares de olhares sobre mim, criticando, apontando, caso considerassem ter feito algo impróprio e ao que podia notar, meus amigos também estavam gostando.
Mais ou menos vinte minutos depois chegamos a rua principal, repleta de gente de todas as partes, comprando, vendendo ou simplesmente andando por entre as tendas, curiosas com os preparativos para a festa.
—Para onde lady Minerva? – Barry pergunta, Paul não me deixando responder de imediato.
—Antes, prometam não se afastar de nós em momento algum. A cidadela está cheia de estranhos, nem todos confiáveis. Mantenham-se juntos, por favor – pede, olhando a tudo atentamente.
—Não nos afastaremos – prometo – Quanto aonde ir....- me volto, olhando a multidão logo a frente. A verdade era que não tinha idéia de por onde começar – Talvez...- olho de um lado para outro – Por ali! – aponto o mercado principal aonde era vendido de um tudo: roupas, jóias, especiarias – Vamos! – convido, confiante ao lembrar algo dito por Dig quando voltávamos: Caitlin e os irmãos decerto precisariam comprar mantimentos e outras coisas.
Caminhamos por entre as barracas, parando aqui e ali quando Alexandra e Estel, principalmente, veem algo que gostam, pausas nas quais aproveito para olhar em volta buscando por Caitlin e seus irmãos, voltando a caminhar logo em seguida.
Quase uma hora depois, já havíamos percorrido boa parte do mercado, andando por entre as vielas. Começava desanimar, confesso, julgando que não conseguiria achá-los quando algo chama minha atenção alguns metros de onde estávamos parados. Um cabelo para ser mais precisa. Cor de mel, longo e lindo como sua dona. Sorrio, tocando a mão do guarda.
—Paul, me acompanha até ali? – peço, ele concordando com um aceno.
Seguimos ao local enquanto os demais permanecem na barraquinha fazendo compras com Barry, parando alguns passos do trio (seus irmãos haviam se unido a ela). Respiro aliviada.
—Lady Caitlin – chamo, ela se voltando de imediato, me encarando – Sou eu, Minerva, irmã do príncipe cuja vida salvou – cochicho, a vendo sorrir.
—Sei quem é pequena – diz, sorrindo discretamente — Como estão? – pergunta, olhando de mim para Paul.
—Bem milady, obrigado – responde ele – Não deseja saber do príncipe??- pergunta, ela negando com a cabeça.
—Sei que vossa alteza recuperou-se plenamente – responde.
—Que coincidência nos encontrarmos todos aqui, não é mesmo? – um dos irmãos, o de cara engraçada, Ralph acho, indaga, sorridente.
—Não foi coincidência. Estava a procurar Caitlin – confesso – Podemos falar em particular um segundo? – pergunto, olhando-a, pidona.
—Certamente – concorda, indicando um cantinho ao lado da barraca.
—Isto é uma varinha em suas mãos?? – Owen pergunta quando o restante do grupo se aproxima, apontando as mãos do outro irmão de Caitlin, o de cabelo comprido, Ramon, acho.
—Não, mas pretendo transformá-la em uma – escuto ele dizer, mas não dou atenção. Agora precisava convencer Caitlin a mandar uma mensagem para Frost.
—Em que posso lhe ajudar?? – pergunta ela assim que nos afastamos, Paul mantendo discreta distância.
Tomo fôlego e coragem para falar.
—Lady Caitlin, preciso que envie uma mensagem a feiticeira branca para que venha ao palácio com urgência! – digo, direta.
—Oi??? – escuto Paul dizer e olho para ele, brava – Minerva, que idéia é esta de convidar a feiticeira para os festejos? O rei foi informado disto? – pergunta, se aproximando.
—Algo errado em convidar a pessoa que vos salvou de morte certa? – Caitlin pergunta, parecendo brava.
—Além do risco evidente de ser morto pela convidada? Nenhum! – é Barry, que se aproximara trazendo os demais consigo, quem responde, parando ao lado de Paul – Em minha opinião, foi milady quem salvou nosso príncipe da morte – declara e rolo os olhos, impaciente. O Assunto estava se desviando do foco.
—As duas nos salvaram, para ser justo – Paul o corrige – O que não justifica convidar a morte branca para nosso meio – insiste e bufo.
—E salvar a vida da rainha justifica?? – questiono-o, fechando os olhos e apertando as mãos com força, abrindo-os quando sinto o toque em meu rosto, encontrando os de Caitlin a me observar.
—Acalme-se pequena – pede e respiro profundamente algumas vezes – Agora, explique-me o que quis dizer – pede, carinhosa.
—A rainha está muito doente. Pode morrer – confidencio, entristecendo, abaixando minha voz e olhar – Os alquimistas estão tentando salvá-la, mas não conseguiram nada até agora – continuo, enxugando meus olhos com a mão – Os ouvi falar que Frost pode ajudar e por isso resolvi te procurar, pra pedir que a chame até aqui pra falar com eles porque senão minha tia vai morrer! – desabafo, soluçando, abraçando-a de volta quando me abraça.
—Não entendo. O que a feiticeira pode fazer a respeito disto?? – escuto Barry perguntar.
—Não saberemos explicar, mas escutamos a pouco vossos alquimistas dizerem algo sobre hibernar e congelar, que isto podia ajudar vossa rainha de alguma maneira e que a feiticeira, por ser uma força da natureza, poderá socorrê-los – Eldarian explica antes de mim.
—Sério? – Barry pergunta – O que os terá levado a pensar assim? – questiona, fazendo uma careta gozada.
—Talvez o fato de dois, dos três guardas por ela congelados quando ajudou-nos, terem sobrevivido tempo suficiente para receberem socorro – Paul relembra, a mão apertando o queixo – Ainda assim, não acredito ser uma boa idéia fazer tal convite sem o consentimento do rei e...
—Mas Eddie, esperar a permissão pode ser tarde!! – Athena protesta.
—E tempo parece é tudo que não temos! – Alexandra acrescenta.
—E nossa rainha pode não ser tão carismática quanto algumas anteriores a ela, mas é, sem sombra de dúvidas, a mais atenta e justa aos clamores do povo – o comerciante, que se aproximara sem que o notássemos, opina, todos o olhando – É o que penso. Com todo respeito que ela merece – defende-se, erguendo as mãos.
—Um aviso: caso o que ouviu espalhe-se pelo reino, irei pessoalmente fazer o mesmo com o senhor. Pedaço a pedaço – Eddie ameaça, o comerciante recuando um passo.
—Minha boca está selada! – garante o homem, tapando-a com as mãos.
—Assim espero – reforça ele.
—Fará isto Caitlin? Por mim, por favor? – imploro, unindo as mãos.
—Posso fazer, mas não garantir que será atendida pequenina – ela responde e me sinto murchar.
—Mas...ela não é vossa amiga? – Athena pergunta – Peça com jeitinho, quem sabe a atende – sugere, Cait negando com um gesto de cabeça.
—Mas você atendeu ao pedido dela para que salvasse meu irmão. Por que ela não fará o mesmo? – protesto, sentindo as lágrimas escorrem por meu rosto.
—Pequenas, tentem entender. Não controlo a feiticeira. Ela é livre. Vem e vai a seu bel prazer. Igualmente não lhe digo o que fazer – explica, afagando meu cabelo – Não somos exatamente amigas. Ela salvou-me e a meus irmãos mais de uma vez. Lhe somos gratos e por esta razão ajudamos quando nos pede. Mas ela não se vê obrigada fazer o mesmo por nós, entende? – pergunta, gentil.
—Ao menos pode tentar? – questiono, esperançosa.
—Tentarei, mas não tenha muita esperança – avisa – Frost não confia em ninguém – completa.
—E se julgar estarmos tentando trazê-la a uma armadilha, voltar-se-á contra nós e decerto teremos problemas. Sérios problemas! Grandes e frios problemas!! – Ralph diz e o encaro confusa – O que estou querendo dizer é que...bem...
—A feiticeira não é uma boa pessoa – Caitlin o corta, fazendo-me olhar para ela – Ajudou-os àquele dia por razões que apenas ela conhece, mas não é o que faz. Ela não ajuda ninguém além de si mesma– garante.
—Permita-me discordar milady – o comerciante pede, chamando nossa atenção para si outra vez – Os relatos que ouvi daqueles chegados para os festejos, contradiz tudo que sabia dela até hoje – diz, sério – Ouvi ter sido dura, até cruel algumas vezes, de fato, mas apenas àqueles que mereceram. Nunca ninguém a viu maltratar inocentes ou indefesos e isto, para mim, a torna uma pessoa boa. É estranha, temerária com certeza, mas boa essencialmente em minha modesta opinião – discursa.
—Penso o mesmo – digo de imediato, voltando-me para Caitlin – Frost não é uma fada ou anjo, bem sei, mas com a gente foi boa e tem sido igualmente com você e seus irmãos...
—Ainda assim não posso lhe dar certeza atender-lhe – Caitlin me interrompe, suspirando, olhando o vazio e por um segundo vejo algo diferente em seu rosto. Uma mudança tão rápida que penso ter imaginado – Como disse, farei o que me pede. Mas...
—Obrigada – não a deixo terminar, surpreendendo-a com um abraço, seu corpo me parecendo frio demais a princípio – Mesmo que ela não venha, serei grata a milady por tentar – digo, sentindo-a mais quente. Era estranho isso.
—Todos seremos – Athena garante, batendo palmas, animada.
—Especialmente o rei – o comerciante comenta – Por falar nele, verdade que o príncipe irá desposar uma das princesas visitantes? – pergunta e de imediato sinto outra mudança em Caitlin. Ela esfria novamente, me afastando com cuidado.
—Quê? Onde escutou tamanha sandice?? – Barry pergunta.
—Pelas ruas – responde o homem – Estão todos a comentar que para isto o rei convidou tantas comitivas. Para que o príncipe possa escolher sua rainha dentre elas – declara.
—O rei e lord Merlin decerto queriam isso. Thomas não! – Athena comenta, rindo.
—Então é verdade? – Ralph pergunta.
—Que lord Merlin e o rei pretendem que Thomas firme compromisso sim – Barry conta – Que ele não gostou nada de saber também – garante – Tanto que saiu para cavalgar e...
—Isto se deu quando exatamente? – ouço Caitlin pergunta, sua voz soando estranha.
—Três dias atrás, se não me falha a memória – responde ele, duvidoso.
—Três dias sim. Lembro porque estávamos no pátio treinando quando ele retornou. Estava todo alegre e durante o café disse que iria fazer o que o rei quer – Owen comenta e de repente sinto frio.
—Gozado, sou eu ou parece ter esfriado de repente?? – o comerciante comenta, esfregando os braços.
—Parece que o inverno chegará mais cedo do que se espera este ano – Paul comenta, ele, Estel e Eldarian olhando Caitlin de forma estranha.
—Amo o inverno!! – exclamo, segurando a mão dela (gelada por sinal) – É um tempo tão divertido, não acham? – pergunto, distraindo-os.
—Tomara que tenha bastante neve! – Josh deseja.
—Tomara não congelarmos!! – Ramon exclama, esfregando as mãos.
—Tomara não sejamos soterrados por uma avalanche!! – é Ralph quem diz e faço uma careta, não entendendo nada.
—Melhor voltarmos ao palácio – Eddie diz de repente, olhando a volta – O dia adianta-se e decerto sentirão falta das crianças – supõe, dando atenção a Caitlin — Milady, agradeço vossa atenção. Espero que aproveitem os festejos – deseja, inclinando levemente a cabeça.
—Aproveitaremos, com certeza – responde e de novo sua voz soa estranha – Hoje mesmo enviarei uma mensagem a feiticeira. Quem sabe ela não está por perto resolve atendê-la? – indaga, sorrindo para mim.
—É?? – ambos irmãos dizem e rio baixinho.
—É – repete ela, encarando-os.
—Então é – anui Ralph.
—Andemos. O trajeto é longo e precisamos nos apressar – Paul chama novamente.
—Até mais Caitlin. Espero possamos nos ver durante os festejos– desejo, abraçando-a novamente – Obrigada – cochicho em seu ouvido, deixando um beijo em seu rosto antes de despedir-me de seus irmãos.
Após todos despedir-nos, refazemos o caminho de volta ao palácio, Paul e Barry na retaguarda.
—Minerva, aquela moça...ela é ...
—Não sei ao certo Eldarian – me adianto responder antes que os outros nos ouvissem – Mas ela é diferente. Senti desde o primeiro momento em que a vi. Não entendo qual sua ligação com a feiticeira, mas espero ela a atenda – digo, suspirando.
—Ela não enviara mensagem alguma – ele rebate e o encaro, abrindo a boca para protestar, mas não deixa – Não enviará porque Já o fez Minnie! – sustenta, sorrindo, misterioso, enquanto seguimos para o palácio.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Pátio externo do Palácio junto a cidadela (17:44 p.m)
Narrador
O dia passa rapidamente e logo a tarde cai sobre o reino.
Aos poucos, moradores e visitantes se aglomeram sob as tendas espalhadas pela área que contorna quase toda área externa do palácio, ansiosos a espera do pronunciamento do rei que daria início aos festejos do solstício.
—Não sei se é boa idéia termos vindo – Ralph diz, olhando de um lado para o outro, incomodado com a presença da guarda real.
—Digo o mesmo – Cisco concorda, cruzando os braços, emburrado.
—Engraçado, não eram vocês a me atormentar por nossa permanência para os festejos? – Caitlin rebate, aceitando um lenço que lhe era entregue por uma criança, sorrindo para ela.
—Isto foi antes – Ralph contesta, também aceitando o mimo.
—Antes de...??? – Caitlin indaga, caminhando por entre a multidão, aproximando-se do palanque montado sob a maior de todas as tendas, lugar onde, em breve, a realeza e seus convidados se fariam presentes.
—Antes de a menina procurar-nos e principalmente antes de certos comentários sobre você sabe quem chegarem a nossos ouvidos – Cisco diz, sorrindo ao ser cumprimentado por alguns cidadãos.
—Não entendo. Poderia ser mais claro? – provoca-os ela, posicionando-se o mais próximo que consegue do palanque.
—Entendeu sim!! – Cisco exclama, parando a direita dela – Tanto que estamos aqui – apontando o chão.
—Agora quem não entendeu fui eu! – Ralph reclama, posicionando-se a esquerda da irmã, o som dos clarins que precedem a chegada da realeza os fazendo silenciar e erguer o olhar no exato momento em que o rei e a rainha surgem a frente do cortejo real – Ah...Entendi! – responde a si mesmo quando o príncipe Thomas surge, sorridente, acompanhado da princesa Kara– Oh. Droga!! – resmunga ao ver o brilho nos olhos de Caitlin.
—Cait, não...- Cisco começa, a voz do rei o fazendo calar-se.
—Ano após ano nos reunimos para comemorar o início do solstício, seja de verão, seja de inverno. Este ano, temos o prazer em receber diversas comitivas vindas de terras distantes em uma prova de harmonia entre vossos líderes. Em especial, demos calorosas boas vindas àqueles que nos visitam pela primeira vez. Saudemos os representantes da terra dos cavaleiros, sir. Edward, Milady Dayana e comitiva – pede, convidando-os virem a frente – Os representantes de Midiãm, príncipe Mon-el, princesa Kara e comitiva – convida, Thomas conduzindo a princesa quando esta vem a frente ao lado do irmão, seu sorriso morrendo nos lábios ao divisar o rosto de Caitlin em meio a multidão – Os representantes do reino mágico, senhor Faramir, senhora Eowyn, o jovem príncipe Eldaria e sua irmã, princesa Estel – prossegue o monarca mas Thomas mal o escuta tamanha tensão o tomava.
—Algo errado? – Connor questiona-o discretamente – Tommy, que há? – insiste ante o silêncio do irmão.
—Depois – limita-se responder, seu olhar encontrando o de Caitlin, retesando-se ao sentir Kara aproximar-se mais dele.
—Vosso povo parece-me bastante alegre alteza – comenta ela junto seu rosto, passando, para aqueles que o viam de longe, a impressão de o estar beijando.
—E são princesa – Tommy confirma, sem desviar o olhar.
—Esfriou de repente não acham? – lady Felicity comenta, esfregando os braços, Oliver a envolvendo com sua capa rapidamente – Grata – agradece, sorrindo-lhe.
—Lady Reese, sente frio? – Connor questiona-a, não aguardando resposta, repetindo o gesto de Oliver – Princesa Kara??? – inquere posto que Tommy permanecia estático.
—Estou bem alteza. As temperaturas em minha terra são altas logo não estranho um friozinho à toa – comenta ela – Grata pela atenção – agradece, estranhando o silêncio do jovem a seu lado, voltando aconchegar-se a Thomas novamente, nova onda de ciúmes assolando Caitlin.
Enquanto o rei segue seu discurso de abertura, mais e mais pessoas começam sentir frio buscando protegerem-se da melhor maneira possível, algumas notando a nevoa fina espalhando-se pelo chão.
—Cait, por favor, vamos embora – Ralph implora, olhando a volta, tenso – Daqui a pouco irão perceber o que se passa – diz, aflito, seu olhar encontrando o chefe da guarda, que os observava atentamente, Eddie comentando algo ao ouvido do mesmo – Cait....
—Ainda não – ela responde, o cortando, cerrando os punhos ao ver novamente Kara aproximar o rosto do de Thomas – Os festejos não foram abertos ainda – pondera a jovem, seus olhos brilhando de forma mais intensa, acabando por chamar atenção de John Diggle.
—Não devemos mais nos arriscar – Cisco diz, interpondo-se entre ela e Tommy, quebrando o laço invisível que os prendia – Está perdendo o controle irmã. Devemos sair agora, neste instante, sob pena, caso permaneçamos, sermos convidados a uma conversa com o chefe da guarda – alerta, ela rindo torto ao encará-lo.
—Mal posso esperar por isto! – exclama, desafiadora, sua aparência começando mudar perigosamente.
—Frost, eu imploro, não nos exponha! – pede, diminuindo o tom de voz.
—Chefe da guarda vindooo!! – Ralph cantarola, dando as costas ao mesmo, buscando rotas de fuga.
—Frost...por favor – Cisco volta implorar, ela dirigindo-lhe um olhar gélido antes de girar no próprio eixo, afastando-se sem nada dizer – Graças!! – exclama, unindo as mãos ao segui-la juntamente com Ralph, a declaração do rei causando euforia, ajudando esconde-los aos olhos de Diggle e Eddie.
—Que os festejos comecem!! – declara o monarca, fogos e aplausos misturando-se, cidadãos e visitantes mesclando-se em danças animadas enquanto a família real e seus convidados retornam ao interior do castelo.
—Consegue vê-los? – Diggle questiona, esticando-se em busca de Caitlin e seus irmãos.
—Não – Eddie informa, acenando a Paul – Temos de regressar ao palácio – avisa, aguardando-o – Você vem? – inquere.
—Sim – responde, procurando-os uma última vez antes de o seguir.
—Foi por pouco. Por muito pouco!! – Ralph exclama, acalmando-se, recostando-se a parede do beco onde se haviam refugiado.
—Grato por ...- Cisco começa dizer, retendo o ar ao voltar-se.
—Oh, oh! – Ralph murmura, encarando a feiticeira.
—Não agradeça...ainda – recomenda ela, sorrindo enviesado – Afinal, fui convidada visitar o palácio e aceitarei – afirma, caminhando ao longo do beco.
—Está brincando, não é? Não pretende mesmo ir, pretende? – Cisco inquere, seguindo-a.
—Não – responde a feiticeira, estacando e voltando-se para os dois – Nós iremos! – exclama, apontando-os, rindo divertida ante o espanto deles, retomando a caminhada, fazendo tudo a volta congelar a seu toque.
—Sempre quis conhecer o palácio, admito – Ralph diz, parando – Mas dispenso o calabouço!! – acresce, suspirando antes de a seguir.
—Digo o mesmo – Cisco corrobora, indo atrás deles, suas vestes e de Ralph transmutando-se enquanto caminham.
“...I’m not too shy to show I love you;
I got no regrets;
So baby whenever you’re ready;
When you ready come and get it;
Na na na, na na na, na na na....
This love will be the death of me;
But I know i’ll die happily;
I’ll know, I’ll know, I’ll know;
Because you love me so, yah;
When you ready come and get it...”

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