O príncipe e a feiticeira
4 Convidada (in)esperada part. II (segue o jogo!)
Notas iniciais
“You can run free, I won’t hold it against ya;
You do your thing, never wanted a future;
Fuck if I knew how to put it romantic;
Speanking my truth, that’s no need to panic;
No, let’s not put a label on it;
Let’s keep it fun;
We don’t put a label on it;
So we can run free, yeah;
I wanna be free like you...”
Cool Girl
Tove Lo
Palácio Real (algumas horas antes da abertura dos festejos)
Narrador
—Connor, poderia emprestar-me uma de suas .... – Tommy estanca, surpreso, ao adentrar o quarto do irmão gêmeo, sua gargalhada sonora ecoando pelo recinto.
—Não sei o que tanto acha graça– Connor retruca, levemente irritado, voltando-se para o espelho após o servo avisar ter prendido a capa a seu traje.
—Sério? – Tommy inquere, sentando-se sobre o colchão a observa-lo, divertindo-se ante a expressão espantada do jovem pajem – Resolvestes tirar a barba justo hoje? Nosso pai decerto julgará tratar-se de uma trama minha a fim de ludibriar a tal princesa! – comenta, estirando-se, apoiando-se a cabeceira, as mãos por detrás da cabeça, sorridente.
—Não resolvi, precisei, é diferente – Connor corrige-o, voltando-se para encara-lo– Podes ir-se Estevão e grato pela ajuda – dispensa o pajem, que se retira após fazer-lhes uma reverência – Estive com os alquimistas pela manhã, enquanto tu se exibias para a tal princesa no campo de treinamento – faz aspas no ar, imitando o tom entediado usado pelo irmão — A qual, ouvir dizer, encantou-se com teus atributos! – provoca-o.
—Que a visita aos alquimistas tem a ver com tua mudança repentina de aparência? – Thomas quer saber, ignorando a provocação.
—Estavam a realizar experiências com um novo elemento, Nitrogênio, e aconteceu uma pequena explosão que me chamuscou a barba, abrindo buracos – relata Connor, indicando pontos avermelhados em sua face – A pele ainda está irritada, como podes ver. O barbeiro real achou por bem fazê-la na integra, não apenas apará-la, como era minha intenção, logo...- indicando a própria face, Tommy rindo alto outra vez.
—Perfeito! Se tivesse pedido ou desejado não seria tão perfeito! – exclama ele, sentando-se, esfregando as mãos, seu riso agora sendo travesso.
—Nem pense, por um segundo sequer, que irá tirar vantagens de meu infortúnio! Não vai acontecer Tommy. De jeito nenhum! – adverte-o, dedo em riste – Lembre-se do que prometestes a nosso pai.
—Como esquecer se a cada meio minuto alguém faz questão lembrar-me? – resmunga o herdeiro ao trono.
—Sinal de que pretendia descumpri-lo em algum momento, o que certamente irritaria não apenas vosso, mas meu pai também – ouvem, dirigindo seus olhares a porta do quarto onde Oliver, Barry e Eddie encontravam-se parados a observá-los.
—Valham-me os deuses! É hoje que a casa cai! – Barry exclama, olhando-os de boca aberta.
—Me digam, por tudo que é sagrado, essa mudança não ter sido planejada ou irei agora mesmo me esconder no fundo dos calabouços a fim de escapar a ira do rei! – Eddie dramatiza, fazendo ambos, Tommy e Connor, rolarem os olhos.
—Não para tanto Eddie – Thomas minimiza, levantando-se – E não. Não foi planejado. Agradeça sir Goodwin e os demais estarmos idênticos novamente – brinca, franzindo o cenho – Aliás, qual a finalidade das experiências? – inquere, encarando o irmão novamente.
—Encontrar uma cura para nossa tia, a rainha – revela Connor, deixando Oliver surpreso.
—Então não desistiram de tentar? – surpreende-se o terceiro na linha de sucessão.
—Nem nunca desistirão. Meu pai assegurou-me – Barry assegura, orgulhoso – De tanto insistirem, estou certo encontrarão resposta. Talvez mais rápido do que imaginamos – garante, misterioso, recebendo olhares inquisidores.
— Por que diz isto? – Oliver dá voz ao pensamento dos demais.
—Apenas algo que ouvi, mas não posso falar sobre ainda – responde o rapaz, ajustando as luvas – Mesmo porque não há como garantir que irá acontecer – acresce em tom mais baixo, a batida leve na porta fazendo-os voltarem-se.
—Altezas, vossa majestade solicita vossa presença no salão principal para recepcionar as comitivas – anuncia o mestre de cerimônia, arqueando a sobrancelha ao olhar os gêmeos – Pedi-vos apressarem-se o mais rápido possível– acresce, fazendo uma longa e pomposa reverência antes de se retirar.
—Já mencionei como amo estas formalidades? – Thomas ironiza, soltando um suspiro pesado.
—Bom acostumar-se meu amigo, posto que em breve serás tu a recepcionar comitivas e delegações para eventos e reuniões, quiçá sejam todas em tempos de paz – Oliver deseja, pensativo.
—Estou certo de que tu, meu irmão e amigos estarão a meu lado todo o tempo, ajudando-me suportar tudo isto – declara, completando antes que qualquer deles dissesse algo – E, claro, minha bela rainha também se fara presente – anima-se, os olhos brilhando.
—Decerto a princesa Kara está sendo preparada para tal função – Eddie declara em franca provocação.
—Como se fosse a ela que meu se referia! – Connor exclama, calçando as luvas– A propósito, que vinha pedires? – lembra-se, voltando-se para Tommy.
—Luvas. Não encontro as minhas em lugar algum e as que achei não serviriam para a ocasião – esclarece.
—Escolha a que desejar – Connor libera, indicando o móvel no canto do recinto – Calce-a enquanto caminhamos. Não é aconselhável iniciar os festejos irritando o rei com atrasos – aconselha, encaminhando-se para a porta.
—Certamente que não – Oliver anui, sinalizando a Eddie e Barry seguirem a frente, estes o atendendo – Altezas – sinaliza Thomas e Connor fazerem o mesmo, mexendo as mãos em um gesto de mesura, sorrindo divertido.
—Poupe-me Ollie! – Tommy exclama, empurrando o loiro para fora do quarto, o trio rindo junto, unindo-se a Eddie e Barry, seguindo pelo corredor até o salão principal, ganhando a companhia do recém-chegado sir. Palmer.
A aproximação do grupo chama atenção aos guardas postados diante das enormes portas duplas, em madeira de lei, toda entalhada com símbolos e histórias das duas casas que ora governavam a terra média.
-Oh, merda! – a expressão pouco usual escapa da boca um dos jovens guardas fazendo com que John Diggle, chefe da guarda real, e seu terceiro em comando, Paul Harley, se voltassem – Perdoe-me sir. Diggle. Eu...- vacila o rapaz, baixando a vista ante o olhar severo do homem.
—É nestas horas que agradeço poder tratá-los tão e simplesmente por .... Altezas! – Paul exclama, inclinando o corpo em uma reverência solene quando os nobres estão alguns passos deles, que retribuem o cumprimento.
—Altezas – John faz o mesmo, sinalizando os dois guardas abrirem as portas de acesso ao salão.
—Irá juntar-se a nós Dig? – Oliver pergunta, parando diante dele.
—Dentro em pouco alteza. Estaremos, Thawne e eu, no pátio para supervisionar a segurança durante o discurso de vossa majestade, rei Robert – avisa.
—Mas decerto após isto irão aproveitar os festejos – Connor pondera, arqueando a sobrancelha.
—Após os reis recolherem-se, quem sabe – é Eddie quem responde, não dando chance qualquer contestação – Agora devem apressar-se. O rei vos espera – aconselha, sinalizando adentrarem o salão.
—Quem disse que príncipes não recebem ordens!! – Barry brinca, esquivando-se dos petelecos desferido por Thomas e Oliver.
—Harley, após a família real e as comitivas retirarem-se para o palanque, conduza uma averiguação por todo o salão e demais cômodos ao redor. Certifique-se não haver nenhum tipo de ameaça a qualquer deles. Regressarão por outra entrada, portanto esteja certo de que nada irá ameaçá-los – Diggle recomenda.
—Assim o farei senhor – prontifica-se o guarda, inclinando levemente a cabeça.
—Feche as portas após entrarmos e abra-as somente quando solicitado – faz uma última recomendação, juntando-se a Eddie, os dois seguindo alguns passos atrás do grupo liderado por Thomas, indo ao encontro do rei, da rainha e demais membros da corte, posicionando-se a espera dos convidados, Lord Merlin e rei Robert nada comentando sobre a aparência dos gêmeos.
—Asseguro-lhe não se tratar de nenhum plano de meu irmão, minha tia, mãe – Connor cochicha ante os olhares interrogativos de ambas – Vi-me obrigado fazer a barba por conta de um incidente mais cedo. Tommy sequer sabia do fato até bem pouco – assegura.
—O que não impedirá a ele fazer algo impensado – Lady Rebecca diz, suspirando – Peço-lhe que não se deixe envolver tampouco levar pelas loucuras de vosso irmão, meu filho. Sejas sensato e o faça ser igualmente – pede – Ao menos enquanto a princesa estiver hospedada conosco – acresce, o som das cornetas anunciando a entrada da primeira comitiva, fazendo com que mãe e filho retomassem a postura formal de antes, relegando o assunto a segundo plano.
Uma a uma as comitivas adentram, sendo saudadas pelo rei, que os convida a seguirem ao pátio externo e de lá para o palanque montado defronte a muralha norte, donde faria o pronunciamento, abrindo oficialmente os festejos do solstício.
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Salão principal do palácio real (agora)
Narrador
—Que há com o príncipe Thomas? – lady Felicity questiona, em tom baixo, enquanto caminha ao lado do príncipe Oliver, este desviando seu olhar rapidamente na direção do primo.
—Não sei, minha senhora, mas a julgar por sua expressão pressinto que poderemos ter problemas – responde igualmente baixo.
—Parece-me que viu alguém em meio a multidão e isto o deixou mexido – lady Sara, que escutara o casal, sussurra.
—A tal camponesa, talvez?? – Felicity inquere, rodopiando a fim de posicionar-se no início da fila juntamente com Oliver.
—Provavelmente – anui o príncipe, erguendo a mão de forma que ela pusesse a sua sobre a dele, levando a outra as costas da jovem, preparando-se para a dança que iniciar-se-ia tão logo todos estivessem posicionados – Só espero, caso tenha sido isto, que meu primo não resolva sumir na primeira oportunidade, largando Connor e a mim nas mãos das feras! – sussurra, inclinando a cabeça quando o rei e a rainha passam por entre o corredor formado pelos casais.
—Se o fizer, teremos de ser rápidos a fim de evitar desconforto maior perante os convidados – Felicity diz, olhando-o de soslaio, empertigando-se – Não seria o caso de procurardes ter com o chefe da guarda? Pareceu-me, a certa altura, estar prestes a ir ter com alguém em meio a multidão. Ele e sir. Thawne – comenta.
—És muito observadora, minha senhora! – Oliver elogia, sorrindo-lhe, fazendo a jovem dama corar – Observei o mesmo e irei ter com ambos tão logo a oportunidade surja – afirma, dirigindo seu olhar aos primos perfilados no lado oposto ao que estavam – Por hora, fiquemos atentos aos passos – sugere, sorrindo ao olhar de lado e ver a expressão entediada da princesa Thea – Alegre-se minha irmã. Os festejos pelos quais tanto ansiava chegaram – anima-a.
—Oba. Ehhh ....Uhuu – responde ela, sem vontade, erguendo a mão, voltando a pô-la sobre a de sir. Barry, seu parceiro na dança.
—Que desânimo é este, princesa? – quer saber o rapaz, olhando-a com um sorriso discreto em seu rosto – Como vosso irmão lembrou, estamos em festa agora. Dentro em pouco iremos dançar – acresce.
—Se considera esse tédio dançar, ok – rebate Thea, a resposta dele sendo adiada quando os primeiros acordes ecoam pelo salão.
Logo os casais começam moverem-se pelo local, seguindo os passos milimetricamente ensaiados e passados de geração em geração. Por trinta minutos, os movimentos se repetem no enorme salão palaciano, finalizando com os casais reverenciando o rei e a rainha.
—Digníssimos convidados. Agradeço-lhes desde já terem aceito o convite a unirem-se a nós nas festividades do solstício de Inverno – rei Robert começa, atraindo atenção de todos para si, os serviçais apressando em servi taças de vinho a todos os presentes– É sempre uma grande alegria poder rever alguns antigos amigos, fazer novos e principalmente ter aqui, em meio a nós, representantes de antigos aliados que andavam distantes, fato que iremos corrigir – diz, direcionando sua atenção a Lord Faramir e sua comitiva, este devolvendo a tenção com um menear de cabeça — Os convido agora erguermos um brinde a novas e antigas amizades e futuras alianças que porventura surgirão deste evento – conclama, erguendo a taça que o serviçal lhe entregara, notando, com o canto do olho, expressão sisuda de Thomas, único a não erguer a taça para o brinde – Sigamos comemorando. Música! – ordena, os músicos reais voltando entoar melodias clássicas, convidados e membros da corte espalhando-se em rodas, conversando e bebericando.
—Se, meu senhor, me permite, irei ter com os serviçais se tudo está pronto para o banquete – a rainha Moira pede, olhando-o.
—Tem minha permissão senhora — libera-a, ela retirando-se discretamente tendo Lady Rebecca a seu lado.
—Parece-me que vosso sobrinho não ficou satisfeito com o brinde, majestade – um dos conselheiros sussurra tão logo ambas mulheres estão distantes – O herdeiro ao trono deveria ter mais consideração! Vários convidados notaram não ter erguido sua taça quando conclamado fazê-lo – segue, voltando-se para Malcolm – Lord Merlin decerto irá ter com o príncipe acerca deste comportamento controverso – sugere, irritando o nobre.
—A mim parece-me que lord Wilson ocupa-se em demasia tomar de conta da vida de meu filho – rebate, encarando-o, os olhos em brasa -Nada com que preocupar-se, asseguro-lhe. Thomas tem plena ciência de suas responsabilidades como próximo rei – afirma, a voz passando uma calma que não sentia.
—Reforço o dizer de meu primeiro conselheiro – o rei diz, dirigindo um olhar frio ao conselheiro – Na hora certa, Thomas estará preparado ascender ao trono e terá total apoio de Todos meus conselheiros – frisa, os demais membros, que fingiam não prestar atenção a conversa, anuindo com acenos e múrmuros em concordância.
—Vossa majestade perdoe-me se pareci, de alguma forma, ser contrário ao príncipe Thomas assumir seu lugar de direito no trono – Wilson pede, inclinando a cabeça em sinal de respeito.
—Não é a mim que deve desculpas – o rei diz, sem o olhar.
—Lord Merlyn, peço-lhe desculpas igualmente – retifica-se, repetindo o gesto na direção do nobre, este limitando-se olhá-lo friamente desta feita, ambos homens voltando sua atenção aos convidados como o rei fizera.
Enquanto isto, Tommy permanecia imóvel, segurando sua taça, intocada, parecendo estar alheio a tudo a seu redor, o olhar perdido no nada.
—Tente ao menos não parecer tã irritado meu irmão – a voz de Connor o forçando sair da inércia, seus olhos recaindo sobre o gêmeo –Estou certo de que as palavras do rei não tiveram o sentido que deu a...
—Não? – rebate Tommy, cortando-o, retorcendo os lábios em um riso irônico – A mim parece terem sim, posto que estão a olhar-me preocupados desde então – indica o irmão, Oliver, Felicity, Sara, Barry, Reese e Thea – Até mesmo sir. Palmer parece-me temer que eu vá fazer ou dizer algo inapropriado a qualquer momento – pressupõe.
—Acaso não o fará? – Thea questiona-o, estreitando os olhos ao encará-lo – Nega ter engolido a malcriação que ensaiava para não a ferir? -inquere, indicando a princesa Kara, que conversava distraidamente com as ladies Dayana e Edwyna.
—Talvez – Tommy responde de forma ambígua, silenciando novamente.
—Juro que prefiro a versão malcriada, respondona e até meio maluca dele a está, compenetrada e pensativa – Barry confessa, estremecendo minimamente -Chega dar arrepios! – exclama.
—Gostaria de dizer o contrário, mas igualmente não me agrada está versão silenciosa de meu primo – Oliver admite, olhando-o preocupado.
—Tommy...- Sara começa, ele cortando-a
—Nada farei de temerário, acalmem-se – tranquiliza-os, olhando-os um a um – Ao menos não agora – acresce, rindo de forma travessa.
—Sabia! – Thea e Sara exclamam juntas.
—Tinha certeza de estava a maquinar algo em seu silencio! – acrescenta a princesa, estalando a língua.
—Digo o mesmo – Eddie comenta, surgindo por detrás de Thea, está sobressaltando-se, levando a mão ao peito.
—Pelos deuses Thawne! Acaso deseja matar-me de susto? – exagera, Oliver rolando os olhos.
—De forma alguma alteza – responde ele, formal.
—Algum dia irá responder-me sem tanta pompa, Eddie – Thea comenta, sorrindo-lhe gentil.
—Essa, pago para ver! Irá chover armaduras ou algo estranho caso isto aconteça! – Sara exclama, provocando risos.
—Não para tanto – Eddie rebate, arqueando a sobrancelha, acompanhando a aproximação de Laurel Lance – Milady, algo a incomoda? – inquere, enrugando o cenho.
—Frio!! – responde ela, esfregando as mãos – Não estão sentindo? Mesmo com luvas está frio! – diz, soprando-as.
—Estava para comentar isto agora mesmo milady – Felicity diz -Inclusive, quando falou sobre arrepios sir. Barry, pensei estar referindo-se a isto – comenta, escondendo as mãos sob a capa de Oliver, como vinha fazendo nos últimos minutos – É tão estranho! – exclama, olhando de lado – Porque estas pedras são famosas por preservarem calor e aquecer ambientes mesmo sob grande nevasca – pondera, pondo Eddie, Oliver, Barry e Thomas imediatamente em alerta.
—Milady disse... Nevasca??? – o jovem Allen inquere, tenso, olhando em volta.
—O que há? Por que a aparente preocupação Barry? – Connor quer saber, olhando do irmão para Oliver e a seguir para Eddie, retornando a Barry novamente – Por que os quatro parecem-me preocupados? – questiona-os, uma lufada de vento mais forte fazendo-se sentir naquele momento, provocando reação imediata em todos dentro do salão.
—Pelos deuses, alguém abriu alguma porta externa!! Deveriam fechá-la– um convidado próximo reclama, encolhendo-se, outros fazendo coro a sua fala.
—Algo me diz que porta nenhuma foi aberta.... Ainda! – Oliver exclama, dirigindo seu olhar a John, este olhando fixamente as portas de entrada do salão, começando caminhar discretamente naquela direção, a mão apoiada ao cabo de sua espada.
—Será que ...Poderia ser....? – Eddie inquere, olhando de Oliver para Thomas.
—Talvez – Oliver responde, tenso – A questão é saber o que a traria até aqui – pondera.
—A quem refere-se alteza? -Felicity pergunta, apertando seu braço.
—Alguém que, supostamente, não deveria estar aqui...
—A menos tenha sido convidada – Barry os surpreende, fazendo-os voltarem-se em sua direção– Acho que posso ter permitido algo não muito bom acontecer! – exclama o rapaz, rindo amarelo.
—Poderia ser mais claro – Tommy pede, o estalido ecoando pelo salão, fazendo com que a atenção de todos ali presentes voltar-se-á para a entrada do lugar, alguns retendo o ar, outros recuando, assustados – Barry....
—Que está acontecendo aqui? – a pergunta da rainha perdendo-se em meio aos sussurros de assombro ao verem paredes e pilastras começarem congelar.
—É. Ajudei algo muito, muito sério mesmo acontecer! – repete o jovem Allen, buscando Minerva e as demais crianças, que se encontravam no lado oposto ao seu, com o olhar, uma única expressão saindo dos lábios deles:
—Ferrou!!
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Portas de acesso ao salão (alguns minutos antes)
Paul Harley
—De fato, há belas damas na corte por estes dias, mas nenhuma se compara a beleza da futura rainha – o comentário tem o poder de tirar minha mente do limbo por onde caminhava.
Ergo meu olhar para os dois jovens guardas que montavam vigilância junto a porta de entrada do salão principal comigo.
—O que disse? – inquiro, encarando aquele que julgo ser o autor da frase.
—Que nenhuma das princesas a nos visitar é tão bela quanto a futura rainha – repete, sustentando meu olhar – Discorda? -interroga, de forma desafiadora e rio com o canto da boca.
—Decerto que não .... — anuo, o riso em seu rosto esmaecendo quando completo a fala – Se houvesse uma futura rainha – friso, dando um passo em direção a ele, que não recua, mas claramente estremece — Até onde sei, o príncipe herdeiro Ainda não fez sua escolha, logo, não posso afirmar qualquer das princesas visitantes ser mais ou menos bela do que alguém inexistente – concluo, estreitando os olhos, desconfiado – Agora diga-me Dick, aonde ouviu tais comentários? – quero saber.
—Em lugar algum. Em todo lugar. Trata-se de minha opinião, tão somente – responde, evasivo, evitando olhar-me diretamente e rio.
—Sei... – ironizo, dando mais um passo em sua direção – Escutem com muita atenção. Ambos – pontuo, apontando o jovem Percy a seu lado – Não se deixem ludibriar. Nada irá mudar. Será o herdeiro da casa Merlyn a ascender o trono e não um outro da casa Queen novamente, mantendo o acordado a gerações. Ir contra pode e será interpretado como alta traição, passível de morte – alerto-os – Não se deixem iludir, vos peço – reforço, os dois trocando olhares tensos.
—Não o faremos — é Percy quem diz, tenso – Mas....
—Mas...??? – instigo-o prosseguir, desconfiando saber o que diria.
—Correm boatos de que talvez o príncipe herdeiro renuncie em prol de seu primo – confirma minhas suspeitas – Ou mesmo de seu irmão, o que não seria traição, correto? – questiona-me, ansioso.
—Depende de como lord Merlyn receber a notícia – Dick adianta-se e o encaro outra vez – Talvez seja melhor para todos o segundo em linha de sucessão assumir, porque, sejamos francos, o primogênito não parece inclinado a assumir a responsabilidade que governar todo um reino exige – acresce e rio mais abertamente.
—Que sabe você a este respeito? – inquiro, não lhe dando chance responder – Asseguro-lhe que quando chegar a hora o príncipe Thomas estará preparado assumir o trono e as responsabilidades que a posição exige. É bem mais preparado do que parece, garanto-lhes, e irá surpreender àqueles que conspiram contra ele – afirmo.
—Não se trata de conspiração e sim constatação – Dick teima.
—Uhum. E quem constata isto? Com que propriedade? Acaso convive com ele para afirmar tal coisa? Se a resposta a algumas destas questões for negativa, tratar-se-á de conspiração sim e novamente os aconselho não se envolverem – reforço, um calafrio estranho percorrendo minha espinha.
—Não o faremos – Percy adianta-se, dirigindo um olhar tenso ao primo – Por favor, não comente com o rei ou mesmo o chefe da guarda – pede.
—Não preciso comentar o que eles já sabem – digo, me voltando para o corredor aparentemente vazio.
—Sabem? – ouço-os questionar.
—Sim – confirmo, dando um passo a frente, a sensação em minha espinha aumentando.
—E não fazem nada? Digo, não predem os conspiradores por qual razão? – Dick quer saber e volto meu rosto em sua direção.
—Porque nos interessa a voz que incita, não as que repetem -respondo, dando mais dois passos adiante, olhando para todos os lados.
—O que há? Por que olha para os lados desta maneira? – Percy pergunta com voz tensa – Acaso pressentiu algo? – quer saber.
Meus pressentimentos, quase todos assertivos, haviam-me dado certa fama por entre os corredores do palácio e entre meus comandados, o que por vezes irritava-me.
—Paul, que há? – é Dick quem inquere, postando-se a meu lado, lança a frente, em posição de ataque.
—Recolha isto! – sussurro, sentindo agora mais forte uma presença estranha -Ande, recolha -repito, ele obedecendo reticente.
—Sente algo, não sente? – Percy, que também aproximara-se, murmura – O que é?
—Não sei ainda – admito, fixando o olhar em um ponto alguns metros a nossa direita, o vento gélido me fazendo reter o ar ao dar-me conta o que estava prestes acontecer — Haja o que houver, não ataquem a menos que eu ordene, fui claro? – alerto.
—Sim senhor – respondem, arregalando os olhos ao visualizarem, assim como eu, um clarão estranho começar se formar, aumentando gradativamente até atingir o tamanho de uma bola gigante.
Através dele, um vento gelado começa soprar ao mesmo tempo em que o ar torna-se mais e mais frio, dando forma de fumaça a nossa respiração. Pouco a pouco uma fina camada de gelo toma chão, teto e pilastras. Flocos de neve surgem junto com mais vento, precedendo a chegada, através do mesmo clarão, de três figuras distintas.
—Oh, merda! -xingo baixinho – Recuem -comando, abrindo os braços – Recuem! – repito mais incisivamente, Dick e Percy obedecendo, o pavor em seus rostos avisando-me haverem reconhecido a figura imponente e temerariamente bela que se aproximava, trazendo consigo mais gelo e neve além de seus dois amigos – Então.... Você veio! – exclamo, mantendo-me o mais firme que consigo (evidente que também amedrontava-me com ela!).
—Não costumo recusar um convite — a voz gélida responde – Permitira minha passagem ou terei de forçá-la? – inquere, encarando-me desafiadora.
—Como disse, foi convidada...ainda que não pelo rei – digo, respirando fundo, postando-me de forma a permitir a ela passar – Abram as portas – ordeno aos estupefatos (ou devo dizer embasbacados??) Dick e Percy, que não movem um dedo tamanho assombro os toma -Pensando bem, eu mesmo o faço – bufo, caminhando a passos largos em direção as portas, notando que o gelo já espalhava-se por todo corredor, adentrando o salão através da fenda, congelando parede e portas – Imagino como deve estra lá dentro! – murmuro, não tão baixo quanto deveria, apoiando as mãos na madeira congelada, imaginando se não iriam ruir assim que empurrasse.
—Frio. Bem frio – uma voz nasalada responde e somente então me dou conta que um dos acompanhantes dela estava a meu lado – Teria cuidado em seu lugar. Se forçar muito irão ruir como gelo sob o sol – alerta, segurando o outro friso que permite as portas serem abertas – Juntos? – sugere e anuo com um aceno, puxando o friso que segurava ao mesmo tempo em que ele, um estalido seco reverberando por todo o palácio no momento em que as porta se abrem permitindo-nos ver as pessoas dentro do salão voltando-se em nossa direção, surpresa, assombro e medo tomando o rostos próximos tão logo divisam a recém chegada – Seja o que os deuses quiserem! – escuto-o soprar enquanto uma rajada forte de vento e neve precede a entrada de Frost no salão.
—Amém! – murmuro, seguindo os dois homens que a acompanhavam da mesma forma como eles a seguiam: discreta e calmamente, rezando para nenhum incidente acontecer até que tenha a chance de falar com sir. Diggle, caso contrário muita gente sairia ferida...Ou pior!
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Thomas
Demoro alguns segundos acreditar no que meus olhos viam.
As portas do salão haviam sido abertas dando passagem a Frost, que adentrara envolta em uma nuvem de neve e vento, ficando apenas parcialmente visível. Ainda assim, podia vê-la com clareza. Da mesma forma como a vira em campo aberto.
Este detalhe, aliás, estava a preocupar-me: o pouco espaço do salão e como um ataque direto a ela poderia ser prejudicial a todos em volta, em especial àqueles que não possuíam treinamento de combate (a maioria, infelizmente).
De imediato busco por Diggle com o olhar, encontrando-o a direita, seguindo-a discretamente ao mesmo tempo em que retinha a reação dos guardas com a ajuda de Harley. Ambos sinalizavam com as mãos, mantendo-os afastados, porém alertas, prontos ao combate caso se fizesse necessário (o que mantinha esperança não o fosse).
O mesmo pensamento faz-me olhar em volta em busca de possíveis rotas por onde as pessoas pudessem sair em segurança, mas logo meu olhar é atraído de volta para ela.
Agora já não estava tão escondida. Era possível vê-la quase que totalmente...
—Uma bela visão, sem dúvida! -o comentário faz-me voltar o rosto para a esquerda, encontrando um dos conselheiros do rei, sir. Wilson -Terrivelmente bela! – repete, olhando-a de uma forma que faz meu sangue ferver – Alteza -cumprimenta-me ao perceber que o encarava.
Inclino levemente a cabeça em resposta, voltando minha atenção a Frost outra vez, nossos olhares se encontrando quando passa em frente a mim. Por um segundo um fio de reconhecimento me acomete ao ver-lhe o rosto tão claramente.
—Caitlin?? -sopro, meu corpo movendo-se sem que pudesse impedir, impelindo-me ir a seu encontro.
—Tommy, não! – Connor murmura ao mesmo tempo em que me retém, segurando-me pela capa de um lado, Oliver fazendo o mesmo do outro.
—Fique conosco primo, peço-lhe – Ollie diz, pondo-se, discretamente, mais próximo de forma a barrar-me a passagem.
Nada respondo a ambos. Limito-me continuar segui-la com o olhar, preso ao magnetismo que exala, confuso ante a dúvida que me corroía.
—Feiticeira, a que devemos tão inusitada e inesperada visita? – a voz imperiosa de meu tio faz cessar os poucos cochichos pelo salão, um silencio pesado instalando-se a espera da resposta dela.
—As informações que temos dão conta de que não costuma frequentar locais públicos ou permitir-se ver facilmente – é meu pai quem diz ante a demora dela em responder.
—Não estamos em local público. Não vejo plebeus aqui — Frost retruca, abrindo minimamente os braços em indicação seu entorno, sua voz soando gélida e levemente retorcida, fazendo-me duvidar do que meus olhos insistiam querer me fazer crê ser diferente do que via – A poucos, de fato, permito-lhes ver-me – afirma e enrugo o cenho, correndo o olhar pelo salão.
De fato, alguns dos presentes pareciam confusos, como se não a estivem enxergando com clareza. De imediato recordo-me do dia em que a vi, em como Barry, mesmo estando a poucos metros, não a viu ao passo que Minnie e eu a viramos perfeitamente. Como a vejo agora.
—Devo crer que algo importante a fez quebrar este hábito – meu tio supõe, e noto a sombra de um sorriso passando pelo rosto de Frost. Seria mais uma impressão minha?
—Fui convidada a vir – revela, provocando burburinho pelo salão.
—Barry??? – ouço Ollie dizer, porém não me volto. Ela estava olhando em minha direção outra vez e novamente senti-me impelido ir a seu encontro.
—Convidada? – minha tia repete, olhando para meu tio, confusa, e antes que alguém pudesse verbalizar a pergunta em nossas mentes, Minnie adianta-se.
—Eu a convidei, vossa majestade – acusa-se, pondo-se entre Frost e meus tios – Sem vossa permissão — reconhece, abaixando levemente a cabeça, ganhando, para surpresa de todos, as companhias das irmãs de lady Reese, do filho de sir. Halstead, do príncipe Eladrian e de sua irmã Estel.
—Nós também, vossa majestade – Eldarian declara, indicando-os com um gesto de mãos, me deixando impressionado, admito, com a forma tranquila com que o faz.
—Eu estava presente quando o convite foi enviado — Barry apresenta-se, sir. Allen abrindo a boca, espantado – Perdoe-me não ter avisado majestade – desculpa-se.
Também percebo, pelo canto do olho, Paul dar um passo a frente para logo em seguida recuar, atendendo sinalização de Diggle.
—Senti-me impelida fazer o convite para agradecer a feiticeira ter-me salvo quando estava perdida – Minnie explica sem entrar em detalhes, alguns dos envolvidos em sua fuga aquele dia, escondendo-se discretamente.
—Entendo – meu tio diz, olhando diretamente para Frost – Um convite feito por qualquer membro de umas das casas equivale um convite do rei em pessoa – declara – Bem vinda aos festejos do solstício de inverno – diz, Frost surpreendendo a todos ao fazer uma breve reverência a ele – Estávamos para sair em direção aos jardins aonde um banquete nos aguarda. Sinta-se convidada tomar parte juntamente com vossos acompanhantes – convida, fazendo-os dar um passo a frente – Menestréis, por favor, music.... – começa dizer, voltando-se em direção aos músicos, calando-se ao vê-los erguer seus instrumentos...congelados -Hã....bem....
Enquanto meu tio buscava palavras, Frost move as mãos delicadamente, fazendo o gelo derreter, permitindo aos menestréis utilizarem seus instrumentos.
—Ao banquete – meu tio reitera o convite, sinalizando a nós tomarmos posição, em fila, cada qual com seu par, a fim de nos dirigirmos aos jardins.
Hesito, não querendo, por alguma razão inexplicável, que ela visse-me com a princesa Kara.
—Tommy, precisa nos acompanhar — Oliver avisa junto a meu ouvido de forma incisiva, praticamente obrigando-me tomar posição ao lado da princesa.
Sinto, de imediato, o olhar de Frost recair sobre mim. Retenho o ar ao encontrar seus olhos uma terceira vez, a acusação latente ali contida me deixando inquieto. Por pouco não desfaço o contato com a princesa, afastando-me. Isto só não ocorre porque neste momento a atenção da feiticeira é chamada por Minerva, que, tocando sua mão, a conduz ao encontro de sir. Wells.
De onde estou e por ter de posicionar-me, não escuto o que dizem, mas vejo o efeito causado por suas palavras. Ainda trocamos um último olhar antes de ela se afastar, discretamente, na direção oposta a nossa em companhia de Minnie, Wells e Goodwin, os dois amigos de Frost, Diggle e Paul com eles.
Suspiro impaciente, desejando mais do que nunca ter a liberdade de não ser obrigado cumprir protocolos.
—Sorria Tommy. As pessoas estão começando a notar seu desagrado – lady Laurel sussurra ao passar por mim e dirijo-lhe um olhar frio, não lhe dirigindo resposta alguma.
Seguimos, em ordem pré-determinada, rumo aos jardins internos aonde tendas foram espalhadas, a maior delas direcionada a família real e seus convidados, a enorme mesa ao centro repleta de bandejas com comidas das mais diversas. Um segundo grupo de menestréis tocava, tornando o ambiente lúdico e sereno (tedioso na opinião de minha prima a julgar pela expressão em seu rosto).
Após tomarmos nossos lugares, aguardamos os reis sentarem-se, o que demora um pouco posto que Diggle o chamará, juntamente com meu pai, a parte e agora confidenciava-lhes alguma coisa. Minutos depois, meu tio e meu pai regressam, tomando seus lugares a mesa, assentando-se para somente então a rainha liberar a criadagem começar o serviço.
Apesar de o clima agradável e de a princesa Kara ser uma boa companhia (admito), minha mente estava distante. Bom, nem tão distante assim.
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“...Rules you don’t like, but you’re still gonna keep ‘em;
Said you want fines for whatever reason;
Show we can chill, try and keep it platonic;
Now you can’t tell if I’m really ironic...”
Laboratórios alquimistas
Frost
—Não imagina o quanto sentimo-nos honrados que tenha aceito o convite de milady Minerva – escuto enquanto caminho pela sala ampla, observando todo o ambiente – Ainda mais tendo sido por nossa causa! – rio ao escutar tal observação, prosseguindo a examinar o lugar sem dar-lhe atenção.
—Falando nisso... Como Frost pode ajudar a rainha? Que mal a acomete? – Cisco questiona.
—E que coisa estranha é esta??? – Ralph chama minha atenção ao perguntar e me volto, vendo-o segurar um objeto esquisito.
—Algo que inventamos na tentativa de recriar aqui dentro as condições climáticas que Frost consegue – um dos alquimistas declara e o encaro, arqueando a sobrancelha – O frio intenso a ponto de congelar pessoas e coisas sem, no entanto, destruí-as ou matá-las, como fez a três guardas quando do resgate a milady Minerva – relembram.
—Quiseram criá-la usando isto? – Cisco aponta confuso, apontando de mim para o tal objeto.
—Não a criar no sentido de fazer existir outra Frost, mas sim recriar, reproduzir, seus poderes, de maneira controlada, para que pudéssemos utilizá-lo na cura de nossa rainha – outro dos quatros alquimistas responde, entusiasmado.
—Recriar meus poderes? – inquiro, curiosa, admito.
—Sim. Para curar nossa rainha. Ou tentar – o mais forte deles diz, massageando o queixo.
—E caso houvessem conseguido, seria tão somente para este fim – Cisco observa fazendo-me estreitar os olhos, atenta a cada um dos quatro homens.
—Lógico! Para que outro fim usaríamos? – o mais idoso deles questiona.
—O que meus colegas tentam explicar é que.... – outro, o mais alto e jovem, me parece, começa dizer, silenciando alguns segundos, movendo as mãos de forma engraçada – Em verdade não há uma explicação plausível nem temos como assegurar o uso apenas para tentar livrar a rainha do mal que a acomete – admite, sincero, olhando-me diretamente – O que fez aos guardas salvou-lhes a vida. Dois deles ao menos – revela – E deu-nos esperança de podermos fazer o mesmo a rainha – diz, tomando o objeto estranho de Ralph, apontando-o a um jarro e ao fazê-lo, tanto os demais alquimistas quanto as crianças (que surgiram vindas não sei de onde!!) bem como meus irmãos, afastam-se o máximo que conseguem.
O homem aperta um tipo de botão e logo sai do objeto um jorro quase tão gélido quanto os que produzo com um simples gesticular. O atingir o jarro (com certo ruído) este se esfacela antes mesmo de congelar, fazendo-o suspirar.
—Hã... não deveria ter congelado? – um garotinho ruivo pergunta.
—Deveria – confirma o alquimista, me encarando – Deveria acontecer como aconteceu às colunas lá fora quando de sua aproximação – diz, gesticulando em minha direção.
—Diz, assim? – inquiro, tocando um pequeno e longo tubo de vidro, congelando-o sem esfacelar.
—É – confirma novamente, inclinando levemente a cabeça, olhando do tubo para o que sobrara do jarro com ar triste – Faz parecer tão... simples! E fácil – comenta.
—Porque é – digo, congelando mais alguns tubos de tamanhos e formas variadas que se encontram próximos a mim, sem os destruir.
—Jamais conseguiremos reproduzir isto! – o mais velho declara, sentando-se pesadamente em uma cadeira próxima – Não com tamanha precisão — acresce
—Não fique triste sir. Stein. Ao menos tentaram – outro garoto diz, pondo a mão sobre seu ombro.
—Sim. E aposto que Frost também quebrou alguns vasos e jarros antes de acertar – uma das garotinhas gêmeas diz, dirigindo seu olhar para mim – Quebrou, não é? – inquere, franzido o nariz em uma careta engraçada e rio.
—Certamente – confirmo, aproximando-me deles – Vários vasos e plantas e alguns bichinhos não muito amistosos que tentaram devorar-me! – exclamo de maneira dramática, sobressaltando os pequenos, fazendo o homem sorrir de forma complacente e ... gentil???
—Imagino que tido um tipo de mentor que a orientou em como dominar seus poderes – comenta, o sorriso esmaecendo quando não respondo – Não teve? – pergunta, parecendo surpreso.
—Nenhum de nós teve – Ralph revela, sentando-se em um banco – Aprendemos com nossos erros e acertos, já que ninguém prontificou-se nos ensinar – diz.
—Por que não? – a outra menina gêmea quer saber, curiosa.
—Medo – Cisco resume, suspirando – Ainda não entendo o que pretendem. Como congelar vossa rainha pode curá-la e não a matar e principalmente em que Frost ajudaria? – questiona-os.
—Como sir. Goodwin bem lembrou, o ocorrido aos guardas fez-nos buscar outra alternativa que não a medicinal que utilizávamos até então – o primeiro a falar explica, dando um passo a frente, me olhando de maneira intensa – Não apenas os congelou. Os levou a um estado de hibernação semelhante aos ursos no inverno. Jamais pensamos algo assim poder ocorrer em humanos! – declara, entusiasmado – Isto nos levou a tentar reproduzir as mesmas condições em laboratório a fim de pôr nossa estimada rainha em estado semelhante e assim, quem sabe, obtermos sucesso em salvá-la, mas, como ficou provado a pouco, não obtivemos sucesso em nossas tentativas – revela – E por esta razão cogitávamos em falar com o rei procurá-la e pedir-lhe, humildemente, que nos ajudasse – elucida, fazendo-me uma mesura educada.
—Mas nós quem fomos a sua procurar, sem consultar o rei – Minerva adianta-se de nariz empinado e sorrio. Eu realmente estava cada vez mais amando essa menina! – E você veio, o que significa não ser má como algumas pessoas dizem ser – entrega e ergo o olhar, arqueando a sobrancelha.
—Nenhum presente neste aposento, creia-me – o tal sir. Goodwin apressa-se em dizer.
—Qual mal atinge a rainha? – inquiro, deixando-me vencer pela curiosidade, admito, posto não entender como congelá-la iria ajudar na cura.
—Um tumor – revela o tal Wells, tomando pergaminho e tinteiro – Presumimos, pelas dores que sente, esteja situado no fígado – explica, desenhando enquanto fala – Nossa intenção seria fazê-la hibernar – move os dedos no ar – E então retirar o tumor – demonstra através do desenho.
—O estado de hibernação reduz o fluxo sanguíneo e respiratório, o que nos dará a chance realizar a cirurgia com o mínimo de danos a rainha – o mais velho, Stein, diz.
—O único e principal problema consiste em sabermos quanto tempo iremos precisar para tal – o mais forte acrescenta – Quando os guardas chegaram ao palácio ainda estavam frios, mas infelizmente não nos atentamos o quanto gastamos para trazê-los ao normal e depois nossa atenção recaiu sobre o príncipe. Precisávamos dar seguimento ao tratamento iniciado pela camponesa, aliás, temos de falar com sir. Diggle sobre encontrá-la. Amaria trocar informações sobre athelas e outras ervas medicinais que suponho tenha conhecimento – diz, me fazendo sorrir discretamente.
—Há outro problema nesta situação toda – Ralph se pronuncia, levando o dedo indicador ao queixo tique seu quando raciocina – Frost terá de vir aqui mais vezes para que possam descobrir quanto tempo precisará manter a rainha hibernando e não sei se isto irá agradar vossa majestade. Já me pareceu bastante desconfortável com nossa presença hoje – pondera.
—Mais ainda – Cisco põe-se ao lado dele, brincando com algumas bolas de metal – Quem ou o que servirá de cobaia para o experimento? Ou pretendem o fazer com elementos inanes como jarros? – questiona.
—Isto, de fato, é uma questão a ser resolvida! – Goodwin reconhece, estalando os dedos -Não havíamos pensado nisso.... Ou havíamos? – inquere, voltando-se para os colegas.
—Mais ou menos – Wells assume, movendo as mãos – Andei conversando com....
—Falamos disto em outro momento – corto-o, indicando as quatro crianças que nos observavam, atentas – Por hora, devem conversar tão somente com o rei acerca deste assunto. Como bem foi lembrado, terei de retornar outras vezes. igualmente acredito não ser do agrado dele minha presença – digo, atraindo uma das bolas com as quais Cisco brincava, girando-a e congelando-a no ar, deixando os pequenos paralisados a olhar – Também seria adequado consultar a rainha. Pode ser não goste ou aprove a idéia pôr sua vida em minhas mãos – aconselho, fazendo mais duas bolas, estas de gelo, girando-as em voltas dos pequenos, retirando de seu alcance quando tentam pegá-las, fazendo-as rirem enquanto pulam.
—Como.... -Goodwin ensaia dizer algo, mas não permito.
—Resolvam as questões e somente então envie-me nova mensagem – ordeno, permitindo as crianças segurá-las, para delírio delas – Não as segurem por muito tempo ou queimarão as mãos – alerto, vendo-as brincar passando-as de um para o outro enquanto riem e correm pelo ambiente – Vamos – chamo, dirigindo-me a porta.
—E quanto ao banquete? Fomos convidados a....- Ralph protesta, calando-se ante o olhar que lhe dirijo – Ou não! – exclama, pondo-se de pé.
—Deveriam ficar para o banquete – Wells sugere – Quem sabe conseguimos uma....
—Não – o interrompo — Já permaneci por demais aqui – declaro, movendo-me novamente, mas antes que a alcance, a porta é aberta, pondo a mim e meus irmãos em alerta.
—Oh! Pelos deuses, não me machuque!! – uma mulher com cara de broa implora, praticamente ajoelhando-se.
—Erga-se dama Bárbara. Se a feiticeira a quisesse morta assim o estaria – a voz imperiosa afirma. Antes que se mostrasse, já sabia a quem pertencia – Minnie, nossa mãe a procura bem como lady Smoak está a caça de vocês – o belo moreno recém-chegado avisa, apontando as três crianças postadas junto a Ralph – Acompanhem vossa tutora antes que se metam em encrenca – ordena, olhando-as carinhosamente.
—Mas Tommy...
—Sem, mas! Obedeçam – reforça, fazendo os pequenos murcharem, perfilando-se para sair.
—Promete que voltará outras vezes? – Minerva inquire-me, tencionando segurar minha mão, mas não permito.
—Não depende de mim voltar aqui – digo, recuando um passo quando os quatro veem em minha direção.
—Minerva, Owen, Athena, Alexandra – as nomeia, fazendo-as estancarem, voltando-se para ele – Obedeçam – repete, sinalizando que saíssem com um gesto de cabeça.
Novamente murcham, obedecendo-o a contragosto, a tutora seguindo-as após fazer-lhe uma reverência.
—Alteza, foi providencial vossa vinda. Estávamos a pensar se o rei conceder-nos-ia uma audiência enquanto nossos novos.... amigos ainda estão no palácio – Wells adianta-se, tentando obter atenção dele, que me fita de maneira insistente e irritante.
—Acaso pretendiam ir-se sem comparecer no banquete ao qual foram convidados? – questiona-me diretamente.
—Ambos sabemos que o convite foi meramente figurativo, a fim de evitar o rei ser visto por seus convidados como indelicado – respondo, sustentando seu olhar.
—De fato, meu tio o fez por polidez – reconhece — Mas não significa que não possam aceitá-lo – contesta, não dando-me chance rebater – De qualquer maneira, uma mesa lhes está sendo preparada na saleta ao lado – avisa e arqueio a sobrancelha – Quanto a audiência, terá de esperar o final do banquete. Meu tio não poderá ausentar-se por hora – responde, desviando o olhar para os alquimistas – Vossas esposas os procuravam, aflitas – alerta.
—Geórgia! Melhor ir ter com ela – Goodwin diz, retirando-se apressadamente, sequer recordando-se reverenciar seu futuro monarca.
—Façamos o mesmo -Stein sugere, dando-me atenção – Assim que tivermos a audiência com os soberanos mandaremos chamá-la – avisa, rumando até a porta, estancando no meio do caminho, voltando-se – Como o faremos? – inquere.
—A menina sabe como – respondo sem o olhar.
—Ah, sim. Certo. Certo – diz, e vejo-o, pelo canto do olho, sinalizar os outros dois o seguirem para fora da sala, estancando uma vez mais ao escutar o príncipe os chamar.
—Senhores, conduzam os amigos da feiticeira a saleta – ordena – A mesa já deve estar posta, a vossa espera – acresce, Ralph e Cisco inclinando minimamente a cabeça, dando-nos as constas.
Cogito fazer o mesmo, porém o príncipe impede-me, pondo-se a minha frente.
—Preciso lhe falar. Não irei me demorar – garante, erguendo a mão com a palma voltada para mim – Peço-lhe que me escute...
—Por que o faria? – rebato, encarando-o.
Travamos um pequeno e silencioso duelo durante alguns segundos, meu irmão interrompendo nossa contenda
—Hã... Frost, que fazemos? – Ralph questiona, olhando-me confuso.
—Vão – ordeno – Encontro-os dentro em pouco – aviso.
—Tem certe...- começa dizer, calando-se ante meu olhar duro– Estamos indo! Já fomos – ergue as mãos – Cavalheiros – faz uma mesura com as mãos, o trio de alquimistas hesitando antes de baterem em retirada juntamente com eles, Cisco me dirigindo um olhar de advertência antes de passar pela porta, deixando-a, propositadamente, estou certa, aberta, fazendo-me rir.
Como se fizesse alguma diferença! penso, dando atenção ao homem que me examinava atentamente, perscrutando cada parte de meu rosto sem importar-se estar sendo indelicado, os olhos azuis estreitando-se quase em uma linha, indicando a desconfiança que povoava sua mente. Devolvo o exame minucioso, encarando-o de volta na busca por entender o que Caitlin virá nele. Além da beleza física, obviamente.
Era um belo homem, não havia como negar. O rosto moreno exibia os traços clássicos típicos da realeza. Os ombros largos e a altura lhe conferiam um porte altivo. Era forte, sem exageros e sem dúvida alguma o azul dos olhos era um atrativo a mais. No entanto, sabia não ser este fator, o físico, determinante para atraí-la, fazendo-a apaixonar-se em tão pouco tempo.
“Decerto que não!! Nada disto é determinante para atrair-me, bem o sabe, Frost” ... Ouço-a protestar e sorrio contidamente ....
O quê, então? ... Questiono-a, movendo-me devagar, deslizando um dedo pelo tampo da mesa, criando uma tênue linha de gelo, notando-o seguir-me ...
“Eu... eu... não sei. Apenas... apenas senti-me atraída, nada mais” ... explica-se sem de fato o fazer e rolo os olhos...
Deixar-se guiar por instintos ou por seu coração mole pôs a todos nós em perigo outras vezes. Já deveria ter aprendido que isto não pode acontecer-nos. Quantas vezes mais terei de defender-nos para que entenda? .... relembro, irritando-me levemente.
“Nenhuma. Perdoe-me Frost, mas é... Senti que podia ser diferente desta feita” ... justifica-se e deixo escapar um suspiro.
Diferente? Com ele? Um nobre conquistador, herdeiro do trono e que provavelmente firmará compromisso com a princesinha encantada antes de os festejos terem fim? Sério irmãzinha?... ironizo, fechando os olhos por um segundo, buscando a lembrança do encontro entre eles mais cedo ... Apega-te, acaso, a declaração que te fez no lago? Sabes a quantas deve ter dito o mesmo tão somente para conseguir deitar-se com elas? Acreditas que iria encontrar-te, como combinado, na mesma hora e lugar em sete dias? ... questiono-a, olhando-o de soslaio ... Vês como me segue? Notas o claro interesse masculino demonstrado em relação a mim? Como podes ter dado crédito as palavras adocicados ditas por ele esta manhã? .... interrogo-a, seu silencio me servindo de resposta. Paro ao atingir o final da mesa, voltando-me para encará-lo com a firme intenção de o desmascarar ante Cait.
—Não deveria estar em um banquete agora, junto a vossa família e convidados? – questiono-o – Acaso passou a seu gêmeo a tarefa de entreter a princesinha, sua futura rainha, enquanto escapole para flertar? – acresço, surpreendendo-me quando rir.
—Como sabes sobre a princesa? Não lembro-me ver-te no pátio enquanto o rei abria os festejos – rebate, prosseguindo sem me deixar falar – Já milady Cailtin estava presente com os irmãos – aproxima-se mais, ainda sorrindo – A vi em meio a multidão. Acaso ela comentou algo ao fazer-te o convite de minha irmã? – questiona, estreitando os olhos novamente, atento a minhas reações, o riso esmaecendo levemente.
—É mais esperto do que faz parecer, alteza – elogio, recostando-me a mesa, sondando seu rosto atentamente – Preocupa-te por ela o ter visto ao lado de sua futura rainha quando lhe fez juras de amor mais cedo? – interrogo, não o deixando responder – Falamo-nos, de fato, minutos antes de adentrar ao palácio. Somos meio que irmãs, eu diria. Quase gêmeas – digo, a sombra da dúvida passando por seu olhar – Não temos segredos uma para a outra. Ela me dá conselhos e faço o mesmo. Como, por exemplo, não se deixar iludir por palavras doces e mentirosas...
—Não menti! – corta-me, surpreendendo-me novamente ao segurar-me o braço -E não tenho futura rainha excerto se Caitlin aceitar o ser – declara, firme, olhando-me dentro dos olhos como a procurar por respostas – São mesmo irmãs ou tenta ludibriar-me? – inquere, enrugando o cenho, inclinando-se um pouco mais – Seus olhos, seu rosto.... Você é tão... parecida com ela! – exclama – Quando a vi aquele dia, envolta em neve e ventos, encantei-me, não nego – confessa, mantendo-se perigosamente perto – Depois, ao ver Caitlin, senti o mesmo que quando a vi em meio a nevasca. A mesma sensação me dominou nos dois lugares aquele dia – diz, o brilho em seu olhar conseguindo prender-me – A mesma a me dominar neste exato momento – afirma, tocando meu rosto com o dorso da mão, parecendo não incomodar-se com a frieza de minha pele – Não posso estar enganado – sussurra, a voz soando levemente rouca — Não estou enganado – sopra, o hálito morno tocando-me a pele acompanhado do leve roçar em meus lábios fazendo-me dar conta o que estava prestes acontecer.
—NÃO! – grito, empurrando-o para longe ao mesmo tempo em que faço surgir uma pequena nevasca no interior do lugar – AFASTE-SE! – ordeno ao vê-lo tencionar aproximar-se novamente, o vento soprando neve e gelo para fora através de portas e janelas -COMO OUSA TENTAR BEIJAR-ME? É ASSIM QUE DIZ AMAR CAITLIN? – elevo a voz, fazendo-o recuar minimamente.
—VOCÊ É CAITLIN! EU SEI. EU SINTO! – rebate, deixando-me furiosa
—COMO OUSA.... -aumento a intensidade, neve e cristais de gelo espalhando-se pelo ambiente, fazendo-o ergue o braço a fim de proteger o rosto, segurando-se a uma cadeira, mantendo-se firme.
—FROST, PARE! – ouço o pedido dentro do vento, que agora soprava bravio, levando a neve e o gelo para fora do recinto no qual nos encontrávamos – PARE! – o pedido se repete seguido do toque em meu ombro, fazendo-me voltar o rosto, deparando-me com Ralph, Cisco ao lado dele – CONTROLE-SE IRMÃ, OU SEREMOS ALVEJADOS! – pede.
Respiro profundamente, fechando os olhos, acalmando-me devagar, reduzindo a nevasca a quase nada. Abro os olhos, dando de cara com o sorriso sincero e límpido do príncipe Thomas, os cabelos negros e os ombros recobertos de neve. Não havia medo e sim uma resoluta certeza em seu olhar.
—Devemos partir – Cisco diz, olhando-me preocupado — Decerto o que houve chamou atenção da guarda real. Será questão de minutos virem ver o que.... — é interrompido pelo abrir, de forma abrupta, de as diversas portas existentes no cômodo.
—UOU! Foram rápidos! – Ralph exclama.
—O que está acontecendo aqui? – o rei surge seguido de perto pelo chefe da guarda e outros membros da realeza – Thomas??? – inquere, olhando dele para mim alternadamente.
—Guardas! – um homem moreno postado ao lado dele exclama, indicando-nos e me preparo para o ataque.
—NÃO!! – Thomas toma nossa frente com uma rapidez admirável – Minha culpa meu pai. Eu provoquei – assume, de braços abertos, impedindo os guardas atacarem – Recuem – ordena, imperativo, fazendo-o titubear.
—Thomas...- o mesmo homem que ordenara nos atacar chama, dando um passo a frente, espada em punho, e ergo a mão na intenção de atingi-lo, Ralph detendo-me com um menear de cabeça.
—Vamos embora. Agora! – Cisco anuncia, erguendo as mãos na direção oposta, abrindo o portal sob o olhar surpreso e temeroso dos presentes.
—Gratos pela rápida estadia majestade – Ralph diz, fazendo uma mesura exagerada – E pela deliciosa refeição! – acresce, postando-se de forma a proteger-me caso algum guarda saísse do estado de letargia e tentasse atacar – Passem! – exclama, sem nos olhar.
Cisco e eu movemo-nos ligeiro, adentrando o portal, ele seguindo-nos depressa. Ainda dirijo um breve olhar ao príncipe, vendo-o, para minha surpresa, sorrir e não sem bem porque, faço o mesmo.
“...I’m a,I’m a cool girl, I’m a, I’m a cool girl;
Ice cold, I roll my eyes at you, boy;
I’m a cool girl, I’m a, I’m a cool girl;
Ice cold, I roll my eyes at you, boy”
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