Notas iniciais
Olá flores. Seguindo com as atualizações, conforme havia prometido. Estou a um passo de terminar Perfect, mesmo com toda correria, e LH está bem adiantada. Este final de semana será bem corrido pois estarei servindo em minha paroquia. Mesmo assim, se sobrar um tempinho, corro para att meus bbs!! Cortando a conversa, por aqui, algumas surpresas, um susto, casamento e nosso casal sendo resgatado. Grata por todas as rewies passadas.....Aguardo mais rewies pleaaaassseee! ....Boa leitura...Bjinhos flores P.S: ficou grandinho porque não quis, como em A Outra, deixar para depois o resgate.Sorry!

“Ei dor, eu não te escuto mais;

Você, não me leva a nada;

Ei medo, eu não te escuto mais;

Você, não me leva a nada;

E se quiser saber pra onde eu vou;

Pra onde tenha sol, é pra lá que eu vou;

E se quiser saber pra onde eu vou;

Pra onde tenha sol, é pra lá que eu vou...”

O Sol

Jota Quest

***Starling City (quinta, 29/7 — 8:04 a.m)***

Narrador

—Lembre-se de manter as celas sempre fechadas e não deixar-se enganar por estes patifes! – Donald Ferris, subdelegado, recomenda encarando o jovem e inexperiente auxiliar Jerome Lacrosse – Regressarei o mais breve possível, quem sabe trazendo Barton e Lince comigo posto que a esta altura, caso tenham seguido o planejado pelo delegado, devam estar retornando das buscas.

—Não deveriam regressar apenas quando encontrassem os jovens? – questiona o rapaz, entregando-lhe o cinto com o coldre.

—Não. A busca pode alongar-se por demais e não há como deixar a cidade desprotegida...

—Como irá fazer?! – interrompe-o.

—Não estou deixando a cidade desprotegida. Deixo aos seus cuidados...por menos de vinte e quatro horas. Basta que mantenha a calma, não espalhe que estará sozinho este tempo e tudo correrá bem até minha volta – alerta-o, prendendo o cinto.

—É de fato necessário Donnie? Não seria aconselhável aguardarmos o delegado regressar? – questiona o jovem.

—Jerome, repetirei uma vez mais para que faça-me entender: o delgado Lance, ele em pessoa, regressará apenas e tão somente quando encontrar os jovens, quer vivos, quer mortos. Os demais sim regressarão independente de os encontrarem ou não. Quanto a necessidade, prefere que deixe os pobres infelizes morrerem a mingua? Doutor Hallowey fez o que era possível mas necessitam de maiores cuidados que não dispomos aqui. Não poderia deixa-lo viajar pelas estradas com três moribundos sem proteção correto?- interroga-o, calçando as luvas.

—Seria deveras desaconselhável – reconhece o rapaz, coçando a cabeça – Quanto as recomendações, tranquilize-se. Posso não ter tanta experiência quanto vocês, mas não sou tolo! – assegura fazendo o mais velho sorrir – Se duvida deveria deixar-me ir e permanecer você na cidade – sugere, irritado.

—Não irrite-se meu amigo. Saiba que em minha primeira vez sozinho a cuidar da delegacia, dois malandros que encontravam-se aqui detidos, convenceram-me com teatro a deixa-los sair para usar a casinha por não estarem conseguindo fazer suas necessidades no penicos ante olhares estranhos. Deve adivinhar o resultado – revela, rindo do espanto na face do rapaz – Pois é meu amigo. Por isto não zangue-se com meu conselho. Agora venha, acompanhe-me a porta – convida, pegando chapéu e casaco.

—E quanto a mulher, que farei? – Jerome lembra de perguntar.

—O agente Rossi encarregou-se de orienta-la. Contanto que permaneça no quarto do hotel, longe das vistas de todos, nada acontecerá. A mais do que, é de interesse dela não expor-se – informa, abrindo a porta – Madame Fonseca também foi devidamente instruída a seguir a rotina de sempre até meu regresso – revela, sobressaltando-se quando, ao pisar fora da delegacia, depara-se com a jovem loira, a mesma tendo a reação igual – Senhorita Danvers, bons dias. Que faz aqui tão cedo? Algum problema? – questiona-a, arqueando a sobrancelha ao notar o rubor na face da garota.

—Nenhum problema senhor Ferris. Estava a passear, aproveitando o sol matinal em companhia de minha aia...e também indo ao mercado a pedido de minha mãe quando resolvi parar para cumprimenta-los– explica-se – Bons dias senhor Lacrosse – cumprimenta, sorrindo gentil, ruborizando mais.

—Bons dias senhorita. Deseja que a acompanhe ao mercado? – sugere o jovem, corrigindo-se ante o raspar de garganta que seu superior emite – O que infelizmente não poderei fazer posto estar responsável pela delegacia doravante até o senhor Ferris regressar – acrescenta, recebendo um olhar duro do mais velho – Não que esteja ficando sozinho, longe disto. Eu...

—Melhor calar-se Jerome, antes que alardeie a toda cidade o que está a ocorrer aqui – corta-o Ferris, irritado – Começo a pensar não ser de fato uma boa ideia partir neste momento! – pondera, olhando os jovens alternadamente.

—Se está a preocupar-se que espalhe o que acabo de ouvir, despreocupe-se senhor Ferris. Não será por mim que saberão o que ocorre. Não sou fofoqueira!– assegura a garota, erguendo o queixo altivamente.

—Quanto a mim, não comentarei com mais ninguém além da senhorita...o que ocorreu por acidente, diga-se – frisa o jovem ajudante – E se pretender manter o mínimo sigilo acerca de sua partida, melhor ir-se antes que a cidade fique mais movimentada, o que por conseguinte acarretara em olhares curiosos e muitas perguntas – aconselha, erguendo o dedo indicador.

—Espantoso!! – exclama o subdelegado, rindo de lado, descendo os degraus após dirigir um olhar curioso ao jovem casal.

—O que é espantoso senhor Ferris? – Kara Danvers questiona, pondo-se ao lado de Jerome Lacrosse.

—Como a simples presença da senhorita trouxe mais determinação e segurança a meu ajudante – elucida, montando, rindo ao ver que ambos coravam – Mantenha este espirito e por certo nada da mau acontecera meu rapaz – diz, sorrindo abertamente – Agora deixe-me seguir seu sábio conselho – brinca – Estarei de volta em um dia e meio no máximo. Fique atento e em caso de problemas, recorra aos conselho. Não hesite ou tente bancar o herói querendo impressionar a jovem senhorita – recomenda, não dando tempo ao outro responder – Cuide-se. Até mais ver Jerome. Senhorita – cumprimenta ambos, tocando a ponta de seu chapéu, apertando as esporas nas ancas do animal, que reage, movendo-se na direção por ele indicada, adiantando-se rapidamente a casa do médico da cidade.

—Aonde o senhor Ferris irá e por que? Pensei que não poderia ausentar-se enquanto o delegado não regressa – quer saber a jovem, postando-se a frente do auxiliar.

—Os agentes doentes pioraram e doutor Hallowey terá que leva-los a Central City e de lá partirão em navio para um grande centro – conta, apoiando os dedo no cintos antes de prosseguir – Deixou-me encarregado da cidade no período que encontrar-se-á fora – declara, orgulhoso.

—Quanta responsabilidade! Deve confiar no senhor por demais – declara a garota, o som de risadas vindas do interior da delegacia chamando atenção de ambos.

—Silencio, patifes! – ralha o rapaz, dirigindo-lhes um olhar furioso.

—Não lhes dê atenção Jerome, digo, senhor Lacrosse – corrige-se ela rapidamente, corando ainda mais ante o sorriso radiante dado pelo rapaz – Hã...quer dizer que os pobres coitados pioraram? – inquire.

—Sim, infelizmente – confirma ele – Nosso bom doutor fez tudo a seu alcance, porém preocupa-se que possam vir a óbito caso não tenham um atendimento melhor. Se ao menos o tão almejado porto prometido pelo prefeito anterior houvesse saído do papel, esta pequena viagem não far-se-ia se necessária – lamenta-se.

—De fato. É deveras lamentável o quanto as atitudes do antecessor do senhor Darhk ainda prejudiquem a cidade e a nós, seus habitantes – comenta a garota, suspirando – Starling poderia estar bem mais evoluída se o porto tivesse sido realizado – acresce.

—Tenho para mim que depois dos fatos recentes o conselho irá tomar uma atitude drástica – pondera o jovem, massageando o queixo, pensativo.

—A quais fatos refere-se senhor Lacrosse? – pergunta a garota, curiosa.

—Para começar, se o porto fosse uma realidade, o jovem senhor Snow não precisaria abalar-se daqui para Central City a fim de viajar. Por conseguinte, a jovem senhorita Caitlin e o senhor Thomas não o teriam acompanhado e estariam, agora, na segurança e conforto de seus lares e não correndo risco de morte...se já não o estiverem – elucida.

—De fato. E diria mais: nosso comércio seria bem mais abastecido, o que faria as especiarias e tecidos chegarem até nós, descartando a necessidade de irmos buscar o que desejamos para nossos vestidos de festa, como Cait fez para sua irmã, pondo-se, por conta disto, na situação de perigo na qual encontra-se – acrescenta ela.

—Por certo que não. Ou seja, o digníssimo senhor Coltreine continua a prejudicar-nos mesmo após sua morte! – exclama Jerome, Kara anuindo com um aceno – A respeito deste assunto, soube que foi convidada a ser dama da senhorita Yvie, verdade?

—Sim. Juntamente com Íris e Thea – confirma ela — Estivemos a um passo de recusar, porém nossas mães não permitiram-nos o fazer. Impressionou-nos a frieza de Yvie, planejando o casamento tão animadamente mesmo com a irmã desaparecida! – comenta a garota, balançando a cabeça negativamente – Não consigo conceber tal fato fosse eu em seu lugar.

—Por certo teme que o noivo não resista. Ouvi dizer que o senhor MacKinney anda tendo mal-estares constantes – lembra o jovem ajudante – Caso esperem demais, pode não haver casamento ou pior: o noivo pode vir a morrer durante a cerimônia...

—Ou durante a recepção – Kara acresce.

—Ou durante o ato! – exclama um dos presos, provocando risos.

—Caso a jovem viúva precise de consolo, ofereço-me para suprir tal necessidade – outro acrescenta, causando mais risos.

—E caso sobreviva, ofereço-me para o posto de amante. Duvido o bode velho dar conta da fogosa senhorita!! – um terceiro declara, as gargalhadas ecoando pelo recinto, chegando a rua.

—Já disse-lhes para calarem não disse? Prossigam no mal comportamento e nada de refeição matinal para vocês! – ameaça Jerome, risos e expressões irônicas sendo ouvidas em resposta, fazendo-o bufar de raiva.

—Melhor que me vá e o deixe exercer sua função em paz – Kara diz, envergonhada – Ademais, minha mãe deve estar a preocupar-se pela demora. Mais tarde irei tirar as medidas para o vestido de dama de honra. Caso não seja incomodo, trar-lhe-ei alguns biscoitos que irie prepara eu mesma, o que acha? – propõe a jovem, não escondendo a ansiedade.

—Acho que será deveras bem vindo um lanche em meio à tarde – anuo o rapaz, rolando os olhos ao escutar os apupos vindo do interior do prédio – Pode pedir a sua aia que traga, caso deseje evitar certas pessoas – sugere ele, indicando os detentos com a cabeça.

—Não importo-me com o que dizem – garante a jovem, aproximando-se mais do rapaz, falando-lhe junto a face – Trarei extras para ajudar convence-los permanecerem em silencio – avisa, afastando-se, corando intensamente ante o olhar do rapaz – Bem, vou-me indo. Até mais ver senhor Lacrosse – despede-se, sorrindo timidamente.

—Até mais ver senhorita Danvers – responde, suspirando enquanto a segue com o olhar.

—Oh, Romeu, agora que Julieta foi-se, poderia dar-nos atenção fazendo o favor? – a reclamação chega-lhe aos ouvidos fazendo-o bufar, voltando-se e adentrando a delegacia.

—Que querem? – questiona, levando as mãos ao cinto mais uma vez, uma em postos sobre o cabo do revolver em sua cintura.

—Primeiramente, nosso desjejum, ou deseja matar-nos de fome? – reclama um.

—Em segundo lugar – outro começa dizer, apontando o balde no canto da cela – Isto está fedendo! Precisa retirar daqui ou logo empesteará todo o lugar e por certo não deseja que o fedor esteja presente quando a jovem senhorita regressar mais tarde! – alerta.

—De fato, já estar a feder por demais! – anui o rapaz, aproximando-se da mesa do delegado.

—Sabia tratar-se de um jovem capaz, inteligente e...o que está fazendo? – interroga um dos presos, cortando o elogio que fazia-lhe – Para que as algemas?

—Para que acha? – devolve Jerome, girando-as no dedo indicador, sorridente – Encostem-se as grade, no canto. Os três lado a lado. Braços estendidos para fora por entre as frestas – orienta.

—Sério? – questiona o outro, bufando ante a confirmação – Sinceramente, que tipo de pessoas julga sermos? – pergunta, encarando-o.

—Do tipo que ouvem conversa alheia e tentam aproveitar-se – responde, algemando-os uns aos outros, somente então abrindo a cela, adentrando-a e retirando o balde contendo os dejetos – Urgh! Isto aqui fede como os diabos! – reclama.

—Queria que cheirasse por acaso? – ironiza o detento mais velho.

—Pois bem, já que demonstraram interesse em manter a cela limpa – começa a dizer Jerome, pondo o balde com dejetos num canto, pegando outro com água, sabão, duas vassouras e alguns panos, pondo tudo dentro da cela – Enquanto o desjejum não chega, podem ir limpando tudo – ordena, fechando-a para somente então soltar-lhes as mãos.

—Deve estar a brincar!? – espanta-se o mais jovem.

—Por certo que não meu caro Sampaio – Jerome garante, voltando-se ao escutar a porta ser aberta.

—Perdoe-me o atraso senhor Ferris, mas a tempestade de ontem arrebentou parte de meu telhado e...- o padeiro anuncia, estancando – Por céus, que fedor é este? – inquire, tapando o nariz com a mão livre.

—Dejetos! – exclamam os presos e Jerome em conjunto –Que pena ajudante! O desjejum acaba de chegar, portanto....

—Portanto farão a limpeza após o tomarem! – emenda rapidamente o jovem ajudante do delegado – Não escaparão Sampaio. Limpeza antes ou depois, escolham – determina, decidido – E caso reclamem, não lhes darei os biscoitos que a senhora irá trazer mais tarde. Ficarei com todos para mim! – diz, sorrindo ante os protestos – Basta! Escolham.

—Depois – os três respondem em uníssono após rápida troca de olhares – Melhor a barriga forrada antes de enfrentar a dureza!

—Que seja. Pode entregar-lhes – libera, o padeiro atendendo enquanto Jerome dirige-se aos fundos da delegacia, livrando-se dos dejetos no local apropriado.

—Deixei-lhe o seu sobre a mesa meu jovem – avisa o homem gorducho, limpando as mãos no avental – Ferris, aonde está? – quer saber.

—Ainda não chegou – mente o rapaz, sentando-se a fim de tomar seu desjejum.

—Certo. Mais tarde meu ajudante irá trazer-lhes o almoço. Caso ocorra algum problema, peço a senhora Tomazzo que substitua-me – avisa.

—Agradecido senhor Brunno – Jerome diz, erguendo o garfo, o homem saindo após breve aceno.

—Até quando acha irá conseguir esconder estar sozinho aqui? – Sampaio questiona-o.

—Até que regressem e em seu lugar, não tentaria nada ou arrepender-se-á Sampaio – alerta – Não estou tão sozinho quanto julga – declara, misterioso.

*** Planície do homem morto (8:20 a.m)****

Tommy

—Podemos ir senhorita? – pergunto, impaciente, muito embora o atraso não fosse culpa dela. Ou minha. Ou mesmo dos filhotes, posto que insistira que não partiria sem despedir-se dos mesmos, no que argumentei que dificilmente ver-nos-íamos livres deles.

—Só mais um segundo Thomas. Deixe-me habituar andar com meu novo calçado – pede, caminhando de um lado para o outro, acostumando-se a minhas botas por sobre as suas. Melhor dizendo, as suas botas dentro das minhas, o que julguei justo.

Recosto-me a parede da caverna observando-a. Mesmo com botas desconfortáveis e maiores ainda consegue manter-se graciosa ao caminhar.

Havíamos atrasado nossa saída por conta da tempestade que desabara ontem. Chovera forte durante toda a noite, amenizando quando amanhecia, o que me possibilitou testar minha invenção, descobrindo que de nada serviria em caso de chuva, fosse ela forte ou não. Talvez nos protegesse do sol quando e se este surgisse. Sua única utilidade atual fora provocar uma crise de riso em Caitlin que a levara as lágrimas.

Aconteceu assim: quando a chuva amenizou, resolvi testar a sombrinha/guarda chuva que improvisara com o casaco do falecido. No começo, parecia daria certo. Tanto que exibi-me tal qual um pavão diante dela, que olhava da segurança e conforto seco da caverna, aplaudindo-me. Quão não foi minha surpresa quando o tecido desabou sobre minha cabeça após haver acumulado água, encharcando-me por inteiro, deixando-me em tal estado de desolação que a fez cair em riso desatado. Por certo meu rosto deveria estar pandego posto que quanto mais olhava-me mais se ria. Fora difícil fazê-la parar

—Estou pronta! – avisa, tirando-me do devaneio – Sigamos em frente, rumo a nosso lar – declara e por uma razão não tão desconhecida, sinto a tristeza crescer em meu íntimo.

Tinha para mim que quando chegássemos a cidade, independentemente do quão grato o senhor seu pai estivesse por leva-la sã e salva, não me seria dada permissão corteja-la. De fato, estou certo que iriamos nos afastar cada dia mais e mais pois sua mãe tinha outros planos para a filha. Minha melhor chance consistia num fato que não pretendia fazer uso salvo em último caso.

—Thomas, que estamos a esperar? Acaso pensa desistir? – questiona-me e por um breve segundo pondero dizer sim. Mas ao invés disto, ouço-me dizendo:

—Vamos – arrumando a carga da melhor maneira possível em meus ombros – Sigamos – convido, estendendo-lhe a mão, que prontamente aceita, sorrindo-me.

—Este mau cheiro que começo a sentir, é do falecido? – questiona enquanto nos afastamos do que foi nosso porto seguro estes dias.

—Sim. Já começa a decompor-se e o fedor só tende aumentar por conta da podridão – explico – Logo tornar-se-ia pouco seguro ou mesmo agradável para nós permanecermos na caverna – concluo, olhando-a de soslaio.

Sabia, pela alegria em sua face, que não fazia ideia do que nos esperava. Nem eu o tinha para ser honesto. No entanto, de uma coisa tinha certeza: precisava encontrar a rota usada por carruagens e outros rapidamente ou estaríamos fadados a morte. Teríamos comida para no máximo dois dias. Água, caso regrássemos, pouco mais que isto. Poderíamos contar com a sorte e conseguirmos mais frutas no caminhar. Talvez alguma água. E ainda precisávamos rezar para não cruzarmos com nenhum malfeitor ou animais selvagens além de nossos amiguinhos, que como previ, nos seguiam.

O fato é que a partir daquele momento, estaríamos a mercê de nossa própria sorte!

**** Grupo de buscas (8:21a.m)***

Eddie Thawne

Respiro fundo olhando o horizonte a frente, tentando, literalmente, adivinhar qual direção tomar dali por diante.

Tinha plena consciência do quão vasta seria a área. Mas estar ali, as portas da decisão mais difícil em minha curta existência, sabendo que ao toma-la duas outras vidas, caso ainda existam sobre a terra, poderiam extinguir-se, e que estas vidas pertenciam a duas pessoas por quem tinha muito apreço, estava a deixar-me deveras preocupado.

—Senhor Palmer, uma vez mais peço-lhe: pare de tratar-me como a um bibelô!! Já provei não precisar disto! – ouço e sacudo a cabeça negativamente, rindo.

Por sorte, não precisava tomá-la sozinho. Meus amigos e principalmente, o melhor guerreiro de minha tribo, estavam a meu lado.

—Mulher difícil! – Killi comenta, parando a meu lado já montando Espirito, o garanhão negro que ele próprio laçara e domara aos doze anos de idade – Tenho pena do pobre coitado que tentar domá-la – acresce e rio discretamente.

—Por sorte, Raymond é paciente e não pretende domá-la – Oliver diz, juntando-se a nós, seu pai e o delgado fazendo o mesmo segundos depois – Para onde? – pergunta, seguindo a direção de meu olhar.

—Estava a refletir acerca disto – admito – Que pensa Killi? – pergunto, olhando-o de soslaio.

—Reto – responde, indicando a direção com o braço estendido.

—Alguma razão especial ou apenas palpite? – Lance questiona, rolando os olhos ao escutar Sara e Raymond, juntos desta feita, a implicar com Barry e Cisco por algo que não entendi bem.

—Meu caro Quentin, ao retornarmos para Starling, faria a gentileza de selar compromisso entre estes dois antes que matem-se ou a algum pobre desavisado que ouse meter-se numa contenda, por mais simples que seja, entre eles? – Robert Queen sugere fazendo-nos rir.

—Certamente o farei. Mas cuidadosa e meticulosamente, de forma acreditarem terem sido eles a desejarem firmar compromisso ou ambos recusarão! – exclama, puxando ar ante nova rodada de implicâncias.

—Boa sorte – deseja-lhe Harper, que aproximara-se – Não será nada fácil ludibria-los – afirma, sorridente.

—De fato, mas para isto servem os amigos – declara, olhando de Oliver para mim e depois Harper, que abre os braços, isentando-se – Mas este assunto demanda esperarmos outro momento. Por hora precisamos resgatar a senhorita Snow e o filho de Malcom, preferencialmente com vida – decreta, voltando-se para Killi outra vez – Então meu rapaz, qual motivo de seguirmos em linha reta? – retoma.

—Trata-se da área menos inóspita e perigosa – explica e franzo o cenho – Ainda que as ordens tenha sido abandoná-los a morte, aqueles que o fizeram também pôr-se-iam em risco caso escolhessem área muito perigosa – pondera.

—Não atentara-me a isto – admito sem nenhuma vergonha – Há alguns passos e descampados, com poucas arvores e água neste trecho. Esperemos que os algozes de nossos amigos tenham pensado igual a você meu amigo – digo, esperançoso.

—A sorte há de sorrir-nos senhor Thawne, confie – Harper opina, otimista.

—Assim espero meu rapaz. Assim espero – Lance declara — Sigamos...Isto é...- faz uma pausa onde volta-se – Se a contenda entre minha filha e nossos jovens amigos encerrou-se! – arqueia a sobrancelha.

—Completamente – ouço Sara Lance declara, surgindo ao lado de Oliver tendo Raymond consigo – Podemos partir – declara de queixo erguido.

—Em frente – convido, pondo Hidalgo em movimento, Killi e Oliver ladeando-me, Robert Queen e Quentin Lance assumindo a retaguarda do grupo, Sara, Raymond, Cisco, Barry e Harper espalhando-se de modo permanecerem dentro de um círculo imaginário, cada um perdido em seus próprios pensamentos... e temores.

*** Starling City (Sábado, 31/7 – 8:15 a.m)***

Dinah Laurel Lance

Abro as cortinas da janela em meu quarto, os primeiros raios de sol adentrando. Parece que o tempo iria firmar-se de vez. Só não sabia se isto seria bom ou ruim para o grupo de buscas. Ou para Thomas e Caitlin.

O Excesso de ambos, chuva ou sol, decerto ser-lhes-ias prejudicial posto que um, se lhes daria chance matar a sede, lhes turvaria a visão além de dificultar o caminhar. Já o outro, o sol, lhes queimaria a pele, dar-lhe-ias sede e fome ao extremo acrescido pelo calor escaldante.

—Melhor que chova, leve que seja, do que faça sol – sopro, minha atenção sendo chamado pelas figuras do outro lado da rua, quase defronte nossa residência. Um, reconheço de imediato: Adrian Chase.

—Então, o verme deu as caras! – bufo, enojada com o provável responsável pela situação de angustia e tristeza de duas famílias queridas por mim — Ao menos alguns membros de uma dela – sussurro, notando o estranho aproximar-se de Chase.

Mesmo Starling não sendo considerada uma vila pequena, era fácil reconhecer forasteiros quando se via um e aquele definitivamente o era.

—Bons dias senhorita Laurel – a voz jovial de Alice, ajudante de nossa governanta, faz-me voltar em direção a ela – A senhora Belmont pediu-me para avisá-la que foi as compras levando o senhor Belmont consigo. Deixou-me encarregada, juntamente com Abigail, de preparar-lhe o desjejum, ajuda-la em sua higiene matinal e adiantar as tarefas da casa para a reunião de logo mais à noite – comunica-me, pondo a jarra que trazia dentro da bacia sobre o criado mudo, dirigindo-se a banheira, enchendo-a com a água previamente deixada lá por nosso faz tudo, marido de nossa governanta.

—Grata Alice – agradeço, suspirando só em pensar em receber Yvie Snow em minha casa mais tarde – Como pude deixar-me convencer realizar tal evento aqui é um mistério!! – murmuro, o movimento na rua chamando-me atenção mais uma vez.

Franzo o cenho novamente ao ver Chase ainda a conversar com o estranho, gesticulando como a indicar locais no entorno de si.

—Alice, acorda muito cedo não é?- questiono-a sem desviar o olhar dos homens lá fora.

—Sim senhorita. Tenho que caminhar bastante para chegar a tempo de ajudar a senhora Belmont com as primeiras tarefas bem como as senhoritas – responde.

—Notou algo de estranho na rua? Ou alguém? – interrogo, seguindo o estranho, que afasta-se de Chase após o cumprimentar, com o olhar.

—Para lhe ser franca notei sim, senhorita – diz e volto-me para vê-la – Havia dois homens que nunca vi antes parados defronte a delegacia. Deram-me a entender que estavam a vigiar o movimento lá dentro. Por conta disto, tomei a liberdade de avisar Jerome posto que o subdelegado não retornou ontem conforme previsto – revela.

—O senhor Ferris não regressou? – repito, empalidecendo ante sua confirmação – *Homessa!! Que terá se passado? O subdelegado está ciente de que não deve ausentar-se por demais estando meu pai fora. Terá acontecido algo grave? – questiono, respondendo a mim mesma – Evidente que não ou já saberíamos. Notícia ruim anda a cavalo! – exclamo fazendo-a rir – Ajude-me a banhar-me por favor, Alice. Preciso estar revigorada para aturar as insanidades e futilidades de Evelyne Snow. Oh céus, onde estava com a cabeça quando deixei-me convencer por Thea Queen e as demais!? – dramatizo, reconheço.

—As senhoritas Queen e Danvers, em especial, sabem ser bastante convincentes quando desejam. Meu pobre irmão que o diga! – Alice exclama e rio pelo nariz.

—De fato – anui, despindo-me e entrando na banheira – As vezes esqueço-me de que Jerome é seu irmão. São tão diferentes – deixo escapar – Não que isto seja ruim ou que esteja eu a julgar a conduta da senhora sua mãe, longe de mim o fazer, não entenda-me mal, por favor – apresso-me dizer.

—Não entendi senhorita – assegura, sorrindo gentil enquanto despeja a água sobre meu corpo lentamente.

Não era segredo para ninguém em Starling o infortúnio que sucedera a então jovem Bernadete Logan quando de uma dos vários ataques ocorridos na cidade, que por ser uma colônia muito nova não dispunha ainda de forte proteção. Não dispunha ainda, sendo honesta. O sequestro e conseguinte estupro por pouco não a tornaram uma párea em meio a sociedade em formação. Por sorte, o jovem e apaixonado Frederic Lacrosse, não deu importância ao fato e a desposou mesmo estando grávida de outro homem (seu estuprador). Admirava ambos não apenas pelo sentimento sincero e verdadeiro que os unia, mas por terem sido capazes de criar magnificamente bem um filho fruto de tal ato de brutalidade. São de fato pessoas notáveis.

—Agora diga-me Alice, o que a bondosa senhora Belmont pensou para banquetear minhas convidadas após xingar-me de toda sorte de palavrões!? – questiono-a, brincando com a água envolta de mim, escutando-a rir antes de começar a contar-me o planejado pela governanta.

*** Thea Queen ***

—Bons dias senhorita Queen! – a voz entusiasmada de minha aia desperta-me. Ergo a cabeça olhando por entre a brecha posto que mal conseguia abrir os olhos tamanho sono que ainda me tomava – A senhora Queen pediu-me que a despertasse posto que o dia será longo – acresce, parando ao lado de minha cama.

—Qual das duas? Especifique por favor Claudia, para que possa, em se tratando de minha cunhada, esganá-la e fazer a alegria das moçoilas casadouras da cidade deixando Ollie viúvo! – ameaço, enfiando o nariz em meu travesseiro.

—Essa senhora Queen Thereza! – mamãe responde com voz firme e ergo-me de um salto, sentando-me sobre o colchão, encarando seu rosto... risonho!?! Era um sorriso aquilo que via discretamente estampado em sua face? – Vamos menina! Espante a preguiça e levante-se. Acaso esqueceu-se qual dia é hoje? – questiona-me, indo ao armário, abrindo-o, escolhendo minhas vestes.

—Sendo-lhe sincera minha mãe, sim – assumo, bocejando, relaxando um pouco – Qual motivo da alegria matutina? – pergunto, pondo-me em alerta repentinamente – O grupo de buscas retornou? Tommy e Cait estão bem? Oliver conseguiu traze-los sãs e salvos? – empolgo-me, murchando quando me responde.

—Infelizmente ainda não. Mas estou certa de que ocorrera em breve – apressasse dizer, esticando um de meus vestidos de festa no espaldar da cama.

—Como pode ter certeza mamãe? Ninguém tem. Nem mesmo os senhores Snow e Merlyn! – lamento, torcendo os lábios numa careta ao recordar o evento ao qual referia-se – Mãe, o chá é apenas a tardinha. Não preciso arrumar-me tão cedo!

—Sei disto meu anjo e quanto a certeza de que logo regressarão. Chame de instinto materno! – responde-me, voltando-se quando a porta de meu quarto é aberta – Aqui senhora Jones, quero que lave e passe este vestido para mais tarde– ordena, nossa governanta pegando-o e saindo se nada dizer.

—Minha mãe, poderia dizer-me por qual razão estou acordada? – peço, fazendo um muxoxo, ela rindo divertida, o que era deveras estranho – Mãe, está bem? Parece-me tão... radiante – pergunto e sorri-me mais uma vez.

—Estou maravilhosamente bem meu anjo e acordei-a cedo para que possamos ir a costureira realizar os acertos finais em seu vestido de dama com tranquilidade. Sei bem como demora arrumar-se Thereza, portanto, mexa-se minha filha! – ordena, saindo de meu quarto fazendo outra coisa que normalmente não faz: cantarolando.

—Diga-me Claudia, acredita em possessões? – interrogo vendo-a arregalar os olhos e benzer-se – Porque esta senhora que acaba de ver-me não pode ser minha mãe! – exclamo e ri-se – Todos nesta casa estão com o riso frouxo hoje? – inquiro, levemente irritada, deslizando (já que não havia outra escolha) para fora da cama.

—As regras de sua cunhada não desceram. Estão atrasadas – comunica e abro os braços.

—E??? – indago-lhe, aceitando sua ajuda para despir-me.

—E que poderá torna-se tia dentro em breve senhorita! – diz, rolando os olhos quando mantenho a expressão de desentendimento – O senhor Oliver poderá ser pai. A senhora Felicity pode estar a esperar um filho dele! – elucida.

—O QUÊ? – grito, tencionando deixar o quarto.

—Senhorita, por Deus volte aqui! Está despida! – lembra-me e estanco, arrancando-lhe a toalha das mãos, envolvendo-me nela, saindo as pressas pelo corredor, adentrando o quarto de meu irmão de supetão.

—Jesus Thea, acaso quer matar-me de susto?? — Felicity questiona-me, as mãos no peito, pálida como cera, a aia que lhe servia limpando o chão sob seu pés.

—O que houve? Sente-se mal? – preocupo-me, indo sentar-me a seu lado, não lhe dando chance responder – Verdade que espera um filho de Oliver? – interrogo, ela rindo-se serena.

—Muito provavelmente a julgar pelos recentes enjoos matinais e tonturas que comecei sentir – conta-me, respirando profundamente, levando uma mão a cabeça – Como a que está acometendo-me agora!! – exclama, deitando-se sobre três travesseiros previamente postos as suas costas.

—Fiquei alegre quando disseram-me que estaria grávida...mas agora não sei se é algo bom – pondero, prendendo a toalha, que escorregava, com mais força em meu corpo.

—É bom...mas não no começo. Depois melhora – garante, tranquila.

—Como sabe? Já teve bebê antes? – questiono-a, tocando sua barriga por cima da camisola – Não parece-me diferente. Está tão magra quanto quando a conheci e isto é um elogio em se tratando do tanto que anda comendo! – exclamo fazendo-a rir.

—Este é mais um fator indicativo de gravidez: fome! – responde, mantendo o sorriso – Ainda é cedo para mudanças serem notadas em meu corpo e não, nunca tive um bebê, mas já acompanhei duas gravidez. Sei um pouco do que acontece até a criança nascer – revela e sorrio-lhe.

—Oliver ficara radiante – digo. Seu sorriso tomando proporções diferentes, iluminando seu rosto inteiro. Na verdade, ela toda ilumina-se quando lembro meu irmão – Estou com saudades. E preocupada – assumo, suspirando – Gostaria que regressassem logo. De preferencia trazendo Tommy e Cait vivos!

—Eu também – corrobora e suspiramos juntas.

—Que faz aqui Thereza? Pensei a encontraria quase pronta e sequer banhou-se! – mamãe adentra o quarto trazendo uma bandeja com uma xicara fumegante e algumas torradas – Aqui minha querida. O chá fara sentir-se melhor e estas torradas aliviarão a fome enquanto vemos algo mais substancial e que não seja devolvido mal caia em seu estomago. Tome-o todo — pede, me dirigindo um olhar de aviso.

—Estou indo, estou indo! – levanto-me, saindo do quarto tão rápido quanto entrara, rindo satisfeita ao pensar que seria....- Tia?? – estanco – Fiquei pra titia??? – relembro o dito popular, dando de ombros – Não. Serei titia!! – reformulo, voltando a meu quarto de onde sai apenas quando termino de arrumar-me, passando para ver minha cunhada antes de descer e tomar meu desjejum.

Quando estou de saída tendo apenas Mina, minha aia, posto que mamãe decidira ficar com Felicity, a senhora Danvers chama-me e paro, aguardando-a no alpendre de casa, Kara e Íris com ela.

Após explicar-lhes o porque de minha mãe não acompanhar-nos, seguimos para a residência e também local de trabalho da senhora Lewis.

Lá chegando, encontramo-nos com a noiva, sua mãe e irmã já em processo de provas.

Evelyne tagarelava sem parar, não notando o mal estar causado por seu entusiasmo excessivo em sua irmã e em nós. Mesmo sua mãe parecia esmerar-se em aparentar felicidade.

—Mal posso crer que a esta hora, na quarta-feira, estarei adentrando a igreja para casar-me!! – comemora, segurando e girando levemente a saia de seu vestido enquanto Kara e eu despíamos os nossos – Está ficando um brinco não mamãe? Mesmo com os recursos parcos de que dispomos – comenta a olhar-se no espelho.

—Está sim filha – anui a mulher, agora sem tanto entusiasmo – A senhora Lewis aqui é uma fada – elogia, a costureira fazendo uma reverencia discreta – O que foi Olivia? Por que o pranto? – questiona, chamando nossa atenção para a filha do meio.

—Só estava a pensar no quanto Cait ficaria bela neste vestido de dama. O tom de azul combina magnificamente com ela. Fica linda sempre que usa! – lembra, enxugando a lagrima no canto do olho.

—Senhora Lewis, minhas damas já podem retirar-se? – Yvie questiona de repente e enrugo a testa, confusa, terminando de vestir-me.

—Sim senhorita. Já marquei todas as alterações a serem feitos nos vestidos de cada uma – informa a mulher, sua ajudante passando-lhe a almofada com alfinetes.

—Neste caso, importa-se que Liv vá-se com as demais mamãe? – pergunta, aumentando minha confusão mental – Estou certa de que senhora Danvers não incomodar-se-á em acompanha-la além do que está com duas damas – argumenta, sem nada esclarecer.

—Por certo que não será incomodo algum – prontifica-se a mãe de Kara – Ademais, prometi ajudar a jovem senhorita Laurel a preparar o chá de logo mais à noite – lembra – A pobre nunca recebeu antes e deve estar aturdida.

—De fato – concorda a senhora Snow – Ainda não entendi o porquê de o ser em casa dos Lance, mas não quero discutir isto novamente – avisa, cortando o protesto da noiva – Pode ir-se juntos com suas amigas Olivia e mais uma vez fico-lhes grata, senhoritas, por terem aceito o convite tão em cima da hora – agradece e sorrimos, Íris, Kara e eu, em resposta, fazendo uma mesura antes de dar-lhe as costas, saindo, infortunadamente não tão rápido a ponto de o comentário feito por Evelyne passar-nos despercebido.

—Amo minhas irmãs...mas não quero lagrimas manchando meu belo vestido. Basta-me a poeira destas ruas a mancha-lo no dia. Além do que, dá azar a própria irmã chorar sobre o tecido! – resmunga e estanco, não voltando-me para dar-lhe a resposta merecida por Íris impedir-me.

Seguimos pela rua acompanhando a senhora Danvers até o armarinho, onde para em busca de produtos para incrementar (palavras dela) o chá de panela daquela entojada.

—Ama as irmãs...Pois sim!! Sequer recebemos notícia alguma acerca das buscas e obriga-nos engolir uma festa de casamento. Fingida duma figa! – esbravejo, esquecendo-me da presença de Olivia.

—Thea!! – Kara chama-me atenção, indicando-a com um balançar de cabeça.

—Não por mim, Kara. Também estou insatisfeita com este casamento – assume Olivia, suspirando, brincando com um jogo de fitas – Por mais que Yvie use a idade de seu noivo pra justificar, desagrada-me festejar estando Cait ausente. Ainda mais sob as circunstancias que está! – novo suspiro – Sei que nossos pais também estão aborrecidos, mas Yvie sempre consegue o que deseja. Sempre – comenta com um toque de amargor.

—Liv, sua irmã não gosta de Cait não é? – Kara solta de repente e a olhamos, incrédulas, Íris quase deixando cair o bibelô de porcelana que segurava – Outro dia fez insinuações maldosas sobre ela e Thomas....que eles estariam...bem, você sabe! – atrapalha-se e rolo os olhos.

—Que Cait poderia, caso estejam vivos, dar-se ao desfrute com o senhor Thomas? Já ouvi bastante disso pelas ruas e estabelecimentos da cidade – surpreende-me – Agora mesmo, aquele grupo a apontar-nos por certo esta a perguntar-se como posso andar em companhia da irmã do homem que muito provavelmente irá desonrar minha irmã mais nova – diz e volto-me para o tal grupo, que nos acena sorrindo descaradamente.

—Esqueceu o bastarda – retifico, voltando-me para ela – A irmã bastarda do Tommy Merlyn! – enuncio, desenhando as palavras no ar – Sabe o mais engraçado nisso tudo? O mesmo grupo que me aponta por vezes tentou aproximar-se por meu irmão ser amigo de Thomas. Todas com segundas intenções! – exclamo, voltando-me novamente para elas – Falsas, hipócritas! – digo mediante um sorriso falso, cometendo o erro de acenar-lhes – Homessa! Estão vindo para cá!

—Então vamos para lá – Íris declara, rápida – Senhora Danvers, importa-se se formos a confeitaria? Prometi levar doces a meu priminho e estava a esquecer-me – mente na cara dura.

—Por certo que não meu bem. Encontro-as lá dentro em pouco – libera ela, dando atenção a vendedora.

—Brigadinha!! – exclama minha amiga, puxando a fila em direção a porta de saída justo quando as chatas achegavam-se, a frustração ficando evidenciando-se me seus rostos quando acenamos-lhes da porta.

—Cara Íris, estamos em divida com você! – Kara declara após pararmos de rir.

—Por certo que estamos – Olivia e eu anuímos, chocando-nos com ela quando para sem aviso.

—Au! Íris por que parou? – indago, esfregando meu nariz, o qual batera contra sua nuca.

—São eles – diz ela, enigmática, dando dois passos em direção a borda da calçada.

—Eles quem? – interrogo, seguindo seu olhar até dois sujeitos esquisitos parados no lado oposto da rua. Bem defronte à delegacia – Quem são? Forasteiros?

—Forasteiros curiosamente interessados na delegacia – recita, explicando-se – Hoje cedo vi-os da janela de meu quarto já a observar o entra e sai por lá – conta.

—Também notei-os quando despertei mais cedo – Kara corrobora – Talvez devamos alertar Jerome sobre estes homens estranho. Está sozinho posto que o subdelegado não regressou – revela e estremeço lembrando dos tais federais doentes e o misterioso prisioneiro que ninguém viu a face estes dias todos.

—Não seria perigoso?- Olivia pondera temerosa.

—Por certo que sim senhoritas – uma das aias dela alerta – Melhor seria alertar algum dos senhores, como vosso pai, ou o prefeito, ou talvez o senhor Merlyn e contar-lhes o que há – sugere.

—Vejam lá, estão interpelando o jovem ajudante do senhor Brunno, Dante – Mina observa.

—Irão atacar a delegacia!! – Kara assombra-se, precipitando-se para a rua – Não posso permitir que atentem contra Jerome! – diz, seguindo sem dar-nos atenção, sua aia desesperada a tentar demove-la.

—Que faremos? – Olivia inquire, apreensiva.

—Seguimo-la, óbvio. Talvez ante nossa aproximação os malfeitores desistam do ataque – pondero, precipitando-me a segui-la, Mina, Íris e sua aia, bem como Olivia e suas duas jovens acompanhantes fazendo o mesmo.

Porém antes mesmo que alcancemos as varandas do outro lado, percebemos que os homens recuaram deixando o jovem Dante seguindo sozinho rumo a delegacia, afastando-se rapidamente, como se algo os tivesse pego de surpresa.

—Que terá acontecido? Terá o senhor Jerome os visto e assustado com sua arma? – Kara supõe, olhando-me.

Respondo com o dar de ombros, prosseguindo, assim como elas, rumo a delegacia, sobressaltando-me quando um homem alto surge a nossa frente saído de dentro da mesma. Olho-o de alto a baixo tentando reconhece-lo.

—Boas...bons dias senhoritas. Desejam algo? – questiona-nos fazendo o espanto tomar-me ao reconhecer a voz, mesmo que disfarçada.

—Laurel?? Senhorita Laurel??? – interrogo, parando em frente a porta, uma mão puxando-me para dentro.

—Não grite, Thea, ou estragara a farsa! – outra voz conhecida pede e abro a boca estupefata.

—Fe. Li. Ci. Ty ! – soletro tamanho espanto me toma.

—Aqui, Feliciano! – uma terceira pessoa, que não reconheço diz em tom de brincadeira.

—Se pretendemos que este engodo funcione, melhor cessarem a brincadeira – Jerome Lacrosse alerta, saindo ao alpendre – Bons dias madames – cumprimenta uma mulher eu passa olhando-nos desconfiada – Melhor entrarem. Estamos a chamar atenção por demais – diz, conduzindo Kara e as demais para dentro.

—Que está a acontecer senhor Lacrosse? – Íris pergunta, encarando mais duas pessoas estranhas com desconfiança.

—O fim dos tempos, é isto que está a acontecer! – um dos presos diz, balançando a cabeça negativamente – Mulheres de calças, onde já se viu!! – exclama.

—Prefere arriscar-se morrer por conta de pessoas que sequer conhece então? – o desconhecido mais baixo contesta de desta feita reconheço a voz como sendo da garota da confeitaria.

—Alameda??? – indago, ela confirmando – Que estão fazendo aqui? Felicity, não estava a sentir-se mal? – questiono minha cunhada, que vigiava a rua tendo Jerome e Laurel a seu lado – Alguém irá dignar-se responder-me? – levo as mãos a cintura, olhando-as uma a uma.

—Estes sujeitos ai defronte estavam a vigiar a delegacia desde muito cedo. Pareciam saber não haver contingente suficiente aqui dentro. A irmã do senhor Jerome, que trabalha em casa dos Lance, alertou-nos de tal fato e nós viemos para servi-lhe de reforço! – Alameda esclarece, ajeitando as calças folgadas.

—Então, estão a usar estes trajes...

—Para ludibria-los levando-os a crer haver mais homens aqui do que julgavam – Felicity elucida, voltando-se – E a julgar terem-se ido, funcionou! – comemora.

—Mas podem voltar e não podemos ficar vestidas desta maneira todo o dia — Laurel preocupa-se, retirando o chapéu que escondia seu cabelo – Faz ideia quem possam ser senhor Lacrosse?

—Nenhuma senhorita – diz ele, pondo uma mão no queixo — Posso apenas supor estarem atrás da testemunha sob proteção dos federais, posto que nossos amigos aqui ....

—Alguém aproxima-se! – a outra garota, que começo reconhecer como sendo aquela a nos revelar a vida obscura de Yvie Snow, alerta-nos no exato segundo em que a porta é aberta dando passagem ao senhor Ferris seguido de perto pelos demais ajudantes do delegado.

—Homessa! Que diabos significa isto? – interroga, correndo o olhar pelo interior da delegacia – Lacrosse, quero uma explicação agora! – ordena, espantando-se ao reconhecer Laurel Lance – Senhorita Lance??? Que faz trajada desta forma? E o que raios as senhoritas fazem aqui? – questiona, olhando-me e a minhas amigas e nossas aias.

—Longa história que deixarei a cargo do senhor Lacrosse contar-lhe posto que já passa da hora do almoço e todas precisamos estar em nossas casas – Laurel lembra – Thea, vocês devem-se ir...

—E quanto a vocês? – quero saber, preocupando-me com minha cunhada.

—Trocaremos nossos trajes lá dentro e sairemos pelos fundos tão discretamente quanto entramos – informa – Agora vão. Mais tarde, no chá da Snow, caso tenhamos chance, explicamos tudo – promete.

—Está bem – concordo – Até mais ver – despeço-me, saindo em companhia de Kara, Íris, Olivia e as aias.

A tarde, durante o chá de Evelyne, como prometera, Laurel e Felicity põe-me a par do acontecido na delegacia enquanto a noiva distraia-se com seus presentes, acrescendo as a novidades trazidas pelos homens do delegado que tinham partido com o grupo de buscas.

Haviam-se divido em três grupos. Dois não obtiveram sucesso por essa razão, seguindo as ordens do delegado, retornaram. Contou também que o desagradável senhor Adrian Chase regressara da repentina viagem que fizera bem como de sua estranha conversa com os desconhecidos. Quanto a estes, sumiram.

No frigir dos ovos, ao final do dia, apesar de Evelyne Snow ter-nos exaurido mentalmente (fora preciso muita força de vontade para suporta-la durante o bendito chá!) e do quase atentado (ou não. Jamais saberíamos) a delegacia, tudo acabara na santa paz, o que trouxe-nos certa dose de alivio.

Restava-nos agora rezar para que o grupo formado por nossos pais fosse mais feliz e trouxesse Tommy e Cait de volta.

Neste ponto, estava a cada minuto mais disposta a confiar no instinto materno de minha mãe!

*** Planície do homem morto( segunda, 2/8-5:07 a.m) ***

Thomas

O suspirar profundo faz-me baixar o olhar para jovem adormecida em meus braços, o tremular leve de seus lábios avisando-me que sonhava e aperto-a mais contra mim a fim de transmitir-lhe segurança. Estava sendo assim desde que abandonáramos a proteção tênue oferecida pela caverna, três dias atrás.

Envolvo lhe o corpo delicado com o casaco, aquecendo-a melhor. Por sorte não o arruinara quando desmanchei a “sombrinha” que improvisara usando-o, sua função como coberto mostrando-se mais útil do que a primeira.

Os grunhidos dos filhotes chamam-me atenção e olho em volta, pondo-me em alerta junto com eles, relaxando quando o fazem.

Estavam bem maiores do que quando nos encontraram. Mesmo assim permaneciam conosco após partirmos. Sequer afastavam-se a ponto de sumirem de nossas vistas. Cercavam-nos com tal cuidado que chegava surpreender-me. Especialmente a Caitlin. A fêmea e um dos machos mantinham-se mais próximos a ela enquanto o outro, que parece-me ser o mais “velho” dos três, caminhava sempre a meu lado, jamais afastando-se.

Saiam apenas a noite, após acendermos a fogueira ( o que agradeço a Deus estar conseguindo fazer) e nunca os três ao mesmo tempo. Geralmente a fêmea, Prateada, era a primeira a ir-se, o mais velho, Guardião, seguindo-a pouco depois enquanto Recruta, o mais novo, permanecia junto a nós (sim, Caitlin os nomeara mesmo eu sendo contra!). Saiam, caçavam e regressavam trazendo parte de seus espólios ao irmão que ficara a guardar-nos.

—Pena não podermos comer o mesmo que vocês! – suspiro, sentindo meu estomago doer.

As poucas frutinhas que trouxéramos acabaram ao termino do segundo dia e hoje seria a vez de nosso estoque de água. Por mais que tenha tentado regrar, nossos parcos recursos não durariam mais que isto. Era impossível mesmo que não estivéssemos dividindo com os filhotes (água no caso). Os dois cantis e a garrafa de uísque, o qual trocara por água antes de partirmos, não nos dariam estoque suficiente ainda mais que o tempo melhorara consideravelmente, o sol servindo-nos de companhia impetuosa durante todo o dia. A pele de Cait já sofria as consequências por mais que tentasse protege-la: estava vermelha e sensível.

—Thomas, esta acordado? – ouço-a perguntar.

—Sim – respondo.

—Que faremos? – questiona e puxo ar, fechando os olhos.

—Não resta-nos opção senão seguirmos adiante Caitlin. Recuarmos terá resultado igual a prosseguirmos – argumento, permitindo-a sair de meu abraço, fitando os olhos castanhos e assustados cuja dona descobri amar desesperadamente – Alcançaremos uma rota movimentada, seremos resgatados e voltaremos para nosso lar, estou certo disto – tento animá-la ao ver-lhe o desanimo.

—Reparou que não falou sobre um possível grupo de buscas? – observa e retenho o ar – O resgate não virá não é Thomas? – inquire-me, retendo forçadamente as lágrimas.

—Esquecer-me de falar não significa não crer que haja um Cait – retruco, afagando sua face com carinho – Estão a nossa procura, estou certo disto – insisto na tentativa de fazer não apenas ela mas eu mesmo crer nisto- Venha, aproveitemos que o sol ainda dorme e iniciemos nossa caminhada. Quero alcançar aquele grupo de arvores que visualizamos ontem antes que ponha-se. Havemos de encontrar um fonte de água, mesmo que escassa e aplacaremos nossa sede – animo-me, fazendo-a erguer-se.

—Está bem mas antes quero que prometa-me uma coisa Thomas – pede, ajudando-me enrolar o casaco – Se tornar-me um peso morto para você, deixe-me e siga em frente – pede e olho-a, pasmo – Estou fraca e isto tende a piorar, sabemos bem. Não quero que morra....

—Ninguém irá morrer senhorita – corto-o, o simples pensamento de perdê-la angustiando-me ao mesmo tempo que dá-me forças para não desistir – Fomos postos nesta aventura contra nossa vontade juntos e sairemos dela igualmente nem que precise carrega-la em meus ombros! – decreto, evitando seu protesto com um beijo que interrompo apenas quando falta-nos ar, afastando-a com relutância – Vamos – chamo, segurando sua mão.

Apago os restos da fogueira, ofereço-lhe um gole de água, bebo um pouco, sirvo os filhotes para somente então seguirmos adiante.

Deveria passar do meio dia (acredito pelo posição do sol) quando o cansaço e a sede cai com força sobre nós obrigaram-nos sentar sob a única sombra, mínima, que encontráramos. Uma ponta de rochedo.

Bebemos o que restava-nos da água e quando levantava Cait pede para que permaneçamos mais um pouco ali. Estava ainda mais fraca do que no amanhecer, assim como eu, devo admitir. Aceito, recostando-me a parede rochosa pondo-a sobre meu corpo.

O calor era sufocante e até mesmo a brisa era quente, ressecando nossos lábios e bocas. A fome ajudava abater-nos mais. Meus braços e pernas doíam não apenas pela caminhada mas por tê-la, como disse que o faria, a carregado algum tempo. E mesmo meu corpo implorando por descanso, sabia que ficar deitados ali decretaria nossa sentença de morte.

—Cait...senhorita, devemos continuar. Se permanecermos ...- ela não me deixa completar a frase.

—Só mais um pouco Thomas. Minhas pernas e cabeça doem por demais. Por favor, deixe-me descansar um pouco mais – implora, aconchegando-se mais a mim, parecendo adormecer.

Rendo-me, em silencio, sentindo o peito oprimido....Não cumprirei minha promessa afinal ...penso, sentindo as primeiras lágrimas brotarem.

—Perdoe-me senhorita! – peço, beijando-lhe a cabeça, apoiando meu queixo sobre a mesma, envolvendo-a em meus braços, o uivo dos filhotes embalando meu adormecer.

*** Grupo de buscas (13:13 a.m) ***

Oliver Queen

—Não é Thomas! – Quentin Lance anuncia e volto a respirar, aliviado, os demais membros do grupo fazendo o mesmo.

Desde que avistáramos abutres, um dia e meio atrás, aceleramos ainda mais o já acelerado ritmo que desenvolvíamos. Cavalgávamos todo o dia, parando apenas para comer e bem tarde da noite para descansarmos.

—Há quanto tempo julga estar morto Quentin? – meu pai pergunta, tirando-me do devaneio.

—Entre três e quatro dias a julgar por seu estado de decomposição – responde, calçando as luvas novamente.

—Será que encontrou Thomas e lutaram? – Barry supõe, enxugando o rosto suado com o lenço que trazia ao pescoço.

—Por certo que não. Foi executado com um tiro único na cabeça – relata, olhando a volta – Onde estão Sara e Palmer – pergunta.

—Desceram a encosta junto com Cisco, Thawne e Killi – Harper informa, parado junto a descida, segurando as rédeas dos cavalos – Encontraram algo? – questiona, olhando para baixo.

—Sim. Desçam aqui – ouço Ray dizer e desmonto, Barry e meu pai imitando-me.

Amarramos os cavalos em uma arvore próxima e descemos a encosta íngreme, juntando-nos a ele, Sara e Eddie.

—Que descobriram? – pergunto, seguindo-os.

—Vejam por si mesmos – Eddie indica uma caverna a nossa frente.

Lá dentro, retalhos de roupas, vestígios de fogueira e pegadas preservadas nos dão a certeza de estarmos na direção certa.

—Aonde estão Killi e o jovem Cisco? – meu pai interroga, voltando-se para Eddie.

—Verificando algo mais a frente – Eddie responde.

—Acha que estavam refugiados aqui? – indago, encarando meu amigo.

—Ao que parece sim – confirma, deixando-me animado – Mas estes rastros preocupam-me por demais – indica o canto esquerdo do local – São pegadas de lobos. Pequenos, talvez filhotes, mas são lobos....

—Não há sangue em parte alguma, portanto não devem ter sido atacados...certo?? – Barry inquire, tenso, assustando-se ao ouvir a voz poderosa de Killi.

—Atacados não. Protegidos, provavelmente – afirma, deixando-nos confusos – Explico pelo caminho. Não devemos perder mais tempo. Devem ter partido depois do assassinato sobre a caverna – afirma.

—Três a quatro dias atrás o que significa dizer....

—Que já devem estar longe! – concluo o raciocínio de Lance.

—Não entendo. Há um laguinho naquela direção do qual usufruíram, está claro. Há frutas silvestres, sombra e proteção. Por que abrir mão de tudo isto e arriscar-se numa caminhada erma? – Cisco questiona.

—Por não ser uma rota usual para começar, que impediria serem encontrados. Nós mesmos tomamos este rumo especificamente após enxergarmos os abutres – meu pai relembra – Os recursos que citou não durariam para sempre e ainda a o corpo. Por certo animais vieram, logo estariam em perigo permanecendo aqui – conclui.

—Thomas deve ter dado um jeito de levar algo consigo ou já teríamos avistados mais aves agourentas, mas estes recursos devem ter ou estar para acabar, portanto não percamos mais tempo – Eddie afirma, inquietando-se – Precisamos determinar qual direção tomariam para...

—Leste – Barry diz de repente e voltamo-nos para ele – Rumo ao nascente – acresce.

—Por qual razão fariam isto?- Sara Lance inqueri.

—Starling localiza-se a leste, aonde nasce o sol – Barry justifica – Eu o faria! Seguiria o sol – justifica e reconheço a validade de seu argumento.

—Sigamos para leste então. E rápido – convido, caminhando de volta para o local por onde descêramos seguido de perto pelos demais.

Após alcançarmos o topo, montamos e cavalgamos rumo a leste, atentos. Estava por reconsiderar nossa decisão, quando algo faz-me estancar chamando atenção, inicialmente, de Eddie e Killi.

—Oliver?? – Eddie inqueri parado a meu lado, os demais reduzindo até paparem alguns metros a frente – Ollie?? – chama novamente e volto meu rosto para ele.

—Escutou isto?? – questiono, voltando-me rápido ao ouvir o som outra vez – Ouviram? – volto-me para o grupo, que aproximara-se.

—Parecem...uivos – Sara diz, olhando por sobre meus ombros – Oliver...- sua voz engasga ao mesmo tempo em que Killi, Cisco e Eddie disparando como raios antes que qualquer um pudesse dizer ou fazer algo.

Seguimo-nos igualmente rápido, alcançando-os quando já desmontavam, Killi e Cisco agachando-se junto a três filhotes de lobo enquanto Eddie faz o mesmo junto a....

—Tommy!!! – exclamo, saltando do cavalo, correndo ao encontro dele – Eddie, eles...

— Estão vivos, mas fracos – avisa meu amigo, abrindo seu cantil e levando-o aos lábios de Caitlin Snow. Agacho-me a seu lado fazendo o mesmo a Tommy enquanto os demais acercam-se de nós – Allen, veja o que tem em sua maleta médica que possa ajudar – ordena, Barry obedecendo rapidamente, mexendo em sua mochila.

—Teremos chego a tempo? – interrogo, a tosse de Tommy e logo a seguir de Caitlin acalmando meu coração – Sim – respondo a mim mesmo, respirando aliviado.

—Como os levaremos de volta à cidade? Certamente não podemos coloca-los no lombo de um cavalo...ou podemos?? – Sara interroga, assustando-se ao sentir o focinho do filhote tocar seu braço.

—Não mova-se senhorita. Nenhum de vocês mova-se – Killi alerta fazendo-nos permanecermos estáticos, três filhotes de lobo cinzento cheirando-nos de alto a baixo, mostrando os dentes vez ou outra, indo até Quentin, meu pai, Harper e Ray após finalizarem nossa “avaliação”.

—Eddie...- Harper chama, temeroso.

—Aquiete-se Harper. Querem apenas saber se representamos ameaça – assegura e franzo o cenho.

—Ameaça? A quem? – questiono, Cisco respondendo-me.

—Aos seus amigos. Parecem tê-los posto sob proteção – diz, sorridente.

—Cait...- Tommy murmura, abrindo os olhos minimamente, tentando erguer-se.

—Ela está bem – tranquilizo-o, fazendo-o deitar-se novamente ao passo que Eddie levanta-se, indo ter com Killi – Não sabe o quanto alegra-me vê-lo meu amigo. Temi tanto não os encontrarmos a tempo! Que não ....- calo-me, a emoção embargando-me a voz.

—Todos tememos – ouço meu pai dizer, agachando-se a meu lado – Como ela está? – questiona, olhando Barry e Sara, que assumiram os cuidados a jovem Caitlin.

—A pele está muito vermelha e sensível, está fraca...mas bem no geral – Barry assegura, preparando uma mistura em um vidro que trouxera – Aqui, dê-lhe isto senhorita Lance enquanto preparo o mesmo para Tommy. Irá hidrata-la e fortalecer um pouco – pede, Sara obedecendo.

—Estão feridos? – é Quentin quem pergunta, meu pai e eu examinando Tommy cuidadosamente, Sara fazendo o mesmo a Caitlin após dar-lhe a bebida preparada por Barry.

— Nada além de aranhões, machucados e alguns cortes superficiais – Sara avisa, ajudando Caitlin deitar-se, mantendo a cabeça dela em seu colo.

—O mesmo para Tommy, além dos ferimentos pré-existentes das chicotadas que Chase aplicou-lhe – informo, dando atenção a Eddie e Killi – Que decidiram? – interrogo, auxiliando Barry a fazer Tommy beber a medicação.

—Killi e eu os levaremos conosco. Somos mais experientes em carregar feridos – determina, voltando-se para Sara – Senhorita Lance, poderia vestir seu casaco na senhorita Snow? Dar-lhe-ei o meu. Preciso que fique aquecida e firme para que possamos amarra-la a Killi – pede, ela anuindo com um gesto – O mesmo para Tommy – avisa.

—Darei o meu – Ray adianta-se, despindo o mesmo.

—Não faz-se necessário nenhum dos dois abrirem mãos de seus casacos – Quentin Lance avisa, indo até seu cavalo, retornando com dois casacos – Achei que poderia precisar – justifica, entregando-os a Eddie – Partiremos agora? – inquire.

—Sim. Não podemos perder tempo. Não quero arriscar-me a pegarem uma infecção ou algo do gênero – meu amigo avisa, ajudando-me a vestir Tommy.

—Seguiremos o mesmo caminho? – Harper questiona, ajudando Sara e Barry a vestirem Caitlin.

—Não. Outro. Mais curto e rápido – Killi anuncia e o olho, confuso – Quando partimos, não sabíamos para onde nem qual distancia teríamos que seguir até encontra-los. Agora sabemos muito bem para onde ir – explica, tomando Caitlin em seus braços tão logo Sara terminar de vesti-la – Sugiro que comamos frutas e pães, sem paradas a menos que se faça necessário. Eddie, está certo. O risco ainda existe, portanto sejamos rápidos – alerta, caminhando em direção seu cavalo.

Faço o mesmo, ajudando Eddie com Tommy, Harper, meu pai, Quentin, Cisco e Barry dividindo-se para ajudar abancar ambos nas montarias, prendendo-os a Eddie e Killi conforme nos instruíam, nós mesmos tomando nossas montarias ao finalizarmos a tarefa.

—E quanto a eles? – Sara inquire, indicando os filhotes, que misteriosamente permaneciam sentados, observando-nos atentamente.

—Não preocupe-se senhorita. Saberão seguir-nos – Cisco garante, assobiando, falando algo em sua língua que os faz porem-se em alerta, seguindo-nos assim que nos pomos em cavalgada.

—Filhotes de lobos seguindo-nos como cães! – ouço Barry comentar após alguns minutos – Se contar, ninguém dar-me-á crédito! – acresce e sorrio, feliz, pela primeira vez nos últimos dias.

***Starling City (quarta,4/8- 9:16 a.m)***

Narrador

Os sinos anunciam a entrada da noiva na igreja praticamente lotada precedida por suas damas de honra e uma pequena dama em cuja cesta encontravam-se as alianças. Quase todos os moradores encontravam-se assistindo ao casamento de Evelyne Snow e Harry MacKinney.

Do lado de fora, curiosos e menos afortunados que não foram convidados pela família apinhavam-se a fim e ver algo, as jovens casadouras suspirando ante a visão do belo vestido.

Impacientes em suas posições laterais no altar, Thea Queen, Kara Danvers, Íris West e a irmã da noiva, Oliva Snow, mexiam-se a tal ponto que certa altura são repreendidas por suas respectivas mães e madrasta, aquietando-se cabisbaixas.

Na assembleia, Felicity Queen e Laurel Lance esforçavam-se por sorrir polidamente.

—Sente-se mal meu bebê? Está tão inquieta? – Donna Smoak sussurra, inclinando-se no banco detrás, recebendo um olhar agressivo da mãe da noiva. Fora convidada apenas por agora ser parte da família Queen.

—Caso esteja, diga-me e nos retiramos minha nora – Moira Queen pede.

—E eu as seguirei...em solidariedade – Laurel diz, rindo sem graça.

—Impressão minha ou estão a buscar uma desculpa para retirarem-se? – Felicity interroga, olhando-as pelo canto do olho.

—Sendo honesta, sim – Laurel adianta-se admitir, suspirando – Tão sem proposito os Snow realizarem uma festa desta magnitude estando a filha mais nova ainda desaparecida! – exclama, revoltada – Ainda se fosse algo simples, discreto, vá lá – acresce.

—Minha cara, Evelyne Snow McKinney JAMAIS fará algo discreto em sua vida! – Donna Smoak afirma, estranhando a troca de olhares entre a filha e a mais velha dos Lance – Que há? Acaso sabem de algo que não sabemos? – questiona a loira, o chamado do celebrante por silencio fazendo-as calarem um tempo.

—Não respondeu, bebê. Sente algo? – Donna insiste em tom baixo.

—Não, não estou. Trata-se apenas de uma sensação estranha...como se algo estivesse prestes acontecer – responde a loira, massageando o colo, dando atenção o altar mais uma vez.

—Se há alguém que se oponha a esta união, que fale agora ou cale-se para sempre – pede o celebrante, aguardando alguns segundos antes de prosseguir os ritos normais, aguardando os votos dos noivos para finalizar a cerimonia – Pelos poderes a mim revestidos, os declaro marido e mulher. Pode beijar...

—ELES VOLTARAM! – o grito precedido pelo escancarar das portas do templo fazendo todos presentes voltarem-se surpresos e assustados em direção as mesmas – O DELEGADO VOLTOU E NÃO ESTÁ SOZINHO!! – anuncia o garoto, voltando-se, saindo tão inesperadamente quanto surgira, Thea Queen e Olivia Snow saindo do transe ao mesmo tempo, segurando as barras de seus vestidos, disparando pela nave da igreja em direção à rua, parando após descerem as escadas, ambas levando as mãos ao peito, retendo o ar enquanto lágrimas caem mansamente.

—Oliver!! – Felicity sopra, surgindo ao lado delas tendo Laurel, Moira e Donna por companhia, Dominique e Carla Snow sendo os próximos a surgirem seguidos de perto pelo celebrante, os noivos e demais membros da assembleia – Oliver! – repete a loira, correndo ao encontro do marido.

—Eles conseguiram! – Thea diz baixinho, emocionada – ELES CONSEGUIRAM!! – grita a jovem ao visualizar Thomas e Caitlin, erguendo as mãos para o céu, pulando abraçada a Olivia.

“.... E se quiser saber pra onde eu vou;

Pra onde tenha sol, é pra lá que eu vou...”

Notas finais
O vestido é o que pensei para Yvie. De agora em diante as coisas....complicam um pouco mais para nosso casal, por incrível que pareça! Até breve. Bjinhos flores