O preço de uma dívida
21 For the first time
Notas iniciais
“....Sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo conduzia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações!...”
O Primo Basílio(Eça de Queirós)
Residência Merlyn (terça, 28/9 – 6:23 a.m)
Caitlin
—Thomas – faço-o parar junto ao portão – Esqueceu-se disto – estendo-lhe a munhequeira a qual era obrigado usar ao sair de casa.
—Grato – agradece-me, pegando-a, pondo-a em seu antebraço.
—Importa-se se for levar-lhe o almoço ao invés da senhora Stone? – pergunto, não dando-lhe tempo responder – Irei ter com Thea e Felicity em casa dos Queen e aproveito a caminhada, se o senhor meu marido não incomodar-se – apresso-me dizer ao perceber, pelo canto do olho, minha sogra a nos observar.
—Não incomodo-me – garante, terminando de prender o acessório repugnante, erguendo o olhar para mim – Tentarei ser liberado mais cedo para comemorarmos seu aniversário – avisa, dirigindo-me um olhar intenso que faz-me corar até a raiz do cabelo imaginando a intenção oculta por detrás da promessa – Já disse-lhe o quanto este tom de pele a deixa adorável? – provoca-me, aproximando seu rosto até tocar meus lábios num beijo rápido e casto – Até a noite – despede-se, dando-me as costas.
—Até – sopro, seguindo-o com o olhar até perde-lo de vista em meio as pessoas que dirigiam-se ao trabalho, dentre as quais reconheço meu pai. Ensaio acenar-lhe mas desisto. Sabia que não responder-me-ia mesmo que visse.
—É seu aniversário? – pega de surpresa, sobressalto-me, voltando-me para encontrar minha sogra apenas três passos donde estou.
—Sim – confirmo, envergonhada ao lembrar que presenciara o beijo.
—Agora entendo o porquê de meu filho haver preparado uma bandeja, levando-lhe o café na cama – lembra, fazendo-me corar – Não podemos deixar a data passar em brancas nuvens – diz, pensativa – Um jantar! – estala os dedos, sorridente – Daremos um jantar em comemoração. E compraremos um bolo confeitado! – anima-se – Escutei que levara a refeição a seu marido e depois irá a casa dos Queen correto? – inquire e confirmo.
—Sim. Farei uma visita a senhora Felicity e Thea em retribuição por terem vindo ver-me quando estive acamada – relembro – Meu marido disse-me não haver problema – apresso-me dizer, ela erguendo a mão.
—É esposa de meu filho minha querida, não prisioneira. Pode ir e vir sempre que desejar – afirma. Desde os eventos que culminaram em meu casamento, evitava sair à rua, acompanhada ou não, temendo, admito, sofrer algum tipo de achaque – Agora venha, arrumemo-nos para escolher seu bolo e também alguns doces. Aproveite a visita aos Queen e os convida a jantarem conosco. E também outros amigos seus que desejar – sugere enquanto entramos.
—Não quero dar-lhe trabalho minha sogra – digo, seguindo-a. Sabia o quanto era trabalhoso organizar um jantar festivo por mais simples que fosse.
—Não dar-me-á e a senhora Stone ama exibir seus dotes culinários! – exclama e a vejo, pela primeira vez, que tenha lembrança, sorrir com vontade – Agora adiante-se a prepara-se enquanto darei as instruções acerca do jantar. Tem algum prato que goste em especial? – pergunta-me.
—O que minha sogra ordenar será de meu agrado – afirmo, não querendo incomoda-la. Já estava sendo deveras atenciosa em fazer-me algo tão em cima da hora.
—Muito bem. Verei com Judith que faremos – avisa, deixando-me só aos pés da escada, dirigindo-se a cozinha.
Suspiro, seguindo para o aposento que divido com meu marido, sentando-me pesadamente sobre o colchão tão logo adentro-o, soltando novo e prolongado suspiro. As coisas não estavam acontecendo conforme planejara em minha mente. Buscava pôr a culpa no trabalho dele posto que chegava sempre tarde e muito cansado, mas no fundo sabia ser minha.
Durante o dia, mantinha-me ocupada ajudando na rotina da casa, conforme minha sogra orientara-me. A noite, após cear com meus sogros, aguardava-o, em companhia deles, a bordar roupinhas para os bebês e peças para meu enxoval (dispunha de pouquíssima coisa) para servi-lhe a janta. Somente depois nos recolhíamos, todos, a nossos aposentos para o merecido descanso.
Em algumas ocasiões era apenas o que fazíamos, ele e eu: dormíamos. Geralmente, após conversarmos um pouco sobre nosso dia. Noutras, trocávamos beijos e caricias mais ousadas, porém não havíamos ido muito além disto. Thomas mantinha a promessa que fizera-me antes de casarmos. Quanto a mim, mesmo amando meu marido, a poucos dias de completarmos um mês de casados, dividindo o mesmo leito, não conseguira entregar-me de todo. Permanecia, fisicamente falando, tão pura quanto quando casei-me.
O pior era não entender o porquê de travar sempre que Thomas procurava-me na cama, mesmo o desejando tanto quanto desejava-me. Nestas ocasiões, dava para sentir toda frustração de meu marido mesmo este negando. Também eu sentia-me frustrada, confesso. E confusa. Muito confusa, em meio a tantas novas sensações e emoções a assolar-me quando a sós. E para complicar minha situação, contrai uma gripe que me deixou acamada por três dias inteiros, obrigando-nos manter distância um do outro.
—Senhora Caitlin, a patroa a aguarda – Annette alerta-me com uma leve batida a porta.
—Descerei em um minuto – aviso, pondo-me de pé num salto, caminhando até o guarda roupas.
Abro-o, certa melancolia tomando-me ao ver as poucas e simples peças ali contidas. Não que fosse dada a luxos excessivos, como minha irmã mais velha por exemplo, entretanto, sentia falta de minhas coisas: meus vestidos, calçados, perfumes, peças intimas...Quase nada que pertencia-me escapara a fúria de minha mãe.
Não querendo demorar-me, escolho um vestido em tom azul claro com fechamento frontal, manga três quartos e uma faixa da mesma cor em tonalidade mais escura mantendo a peça intima que estava a usar bem como o que calçava . Visto-o, prendo o cabelo, pego minha bolsa, a sombrinha e vou ao encontro de minha sogra, que já aguardava-me em meio a sala. Ao ver-me, olha-me de alto a baixo, aprovando minha escolha.
Após passar mais instruções a criadagem, saímos, as duas, abrindo nossas sombrinhas tão logo chegamos ao portão. Aqueles dias o sol estava sendo impiedoso e logo cedo mostrava-se, deixando os dias quentes e as noites sufocantes.
—Apressemo-nos pois devo regressar antes da próxima mamada dos bebês – avisa-me e anuo com um gesto, esforçando-me para seguir seu passo.
Enquanto caminhamos, percebo os olhares a seguir-nos e, mesmo estando em companhia de minha sogra, a apontar-me. Sem contar os cochichos pouco discretos sempre que passávamos, fazendo-me baixar a cabeça envergonhada.
—Levante a cabeça. É uma mulher casada e honrada, de nada deve envergonhar-se – admoesta-me discretamente e obedeço-a, não sem dificuldade. Por essa razão, sinto-me imensamente grata quando o delegado Lance nos interpela.
—Bons dias senhoras Merlyn – cumprimenta-nos, fazendo uma reverencia respeitosa, voltando-se para mim – Senhora Caitlin, soube por minhas filhas que esteve acamada. Folgo em vê-la recuperada – diz, gentil, dando atenção a minha sogra – Senhora Rebeca, folgo em vê-la igualmente bem de saúde — acresce.
—Grata pela gentileza delegado – agradece ela – Como estão vossas filhas? Não pude ter com elas quando visitaram minha nora por estar a fazer o mercado e quando regressei já tinham-se ido – justifica-se.
—Estão bem. Fico-lhe grato por perguntar – retribui o delegado – Estão indo ao armazém? Desejam companhia? – prontifica-se.
—Na verdade estamos indo a confeitaria comprar algumas coisinhas. Hoje é aniversario de minha nora. Aproveitando, sinta-se convidado juntamente com vossas filhas, a jantarem conosco a fim de comemorarmos – convida.
—Nos faremos presentes com muito gosto – confirma ele, dirigindo-me um sorriso franco – Permitam-me acompanha-las – pede, sinalizando para que seguíssemos, postando-se a meu lado e de imediato os olhares e cochichos cessam.
Na confeitaria, escolho, por insistência de minha sogra, a maior torta da vitrine e mais duas bandejas: uma com salgados diversos, outra com docinhos.
—Parabéns jovem senhora Merlyn! – Alameda cumprimenta-me discretamente enquanto embala nossas encomendas, aproveitando minha sogra estar distraída a conversar com o delegado e a senhora Lacrosse.
—Sim. Parabéns e felicidades porque merece – Valquíria deseja.
—Obrigada!!!– agradeço, estendendo-lhes a mão rapidamente por sobre o balcão – Sinto não poder convida-las a participarem da comemoração – lamento.
—Não por isto. Outro dia, quem sabe, façamos-lhe uma festinha, em segredo, em casa de Mama e comemoraremos mesmo com atraso. Prometo que irá divertisse! – Val diz, piscando e rimos, a seriedade voltando a nossos rostos tão logo minha sogra aproxima-se.
—Nossa encomenda está pronta? – pergunta, parando a meu lado.
—Sim senhora – Alameda diz, pondo-as sobre o balcão.
—Grata – agradeço, sorrindo-lhe gentil.
—Deixe-me ajuda-las – o delegado oferece-se, adiantando-se a pegar tudo.
—Grata – agradeço-lhe, seguindo-o e a minha sogra, distraindo-me ao acenar as garotas , cometendo o erro de não atentar-me a quem adentrava quando volto-me para sair, chocando-me com a pessoa– Perdão senhora, não a tinha....visto – retenho o ar ao deparar-me com minha mãe e irmã – Mam...
—Poderia afastar-se? Está a barrar-nos a passagem e minha filha, caso não tenha notado, espera um filho e não pode ficar de pé por tempo excessivo – diz de maneira fria e impessoal, não olhando-me na face.
Abaixo a cabeça, pondo-me de lado, permitindo-lhes a passagem.
—Vossa filha completa anos hoje. Não irá parabeniza-la Snow? – minha sogra questiona-a, tomando-lhe a frente.
—Deve estar a confundir-se minha cara. Tenho apenas Duas filhas e ambas completam anos em Janeiro e Março respectivamente – declara com voz ainda mais fria, seguindo seu caminho.
—Pena não termos outra opção minha mãe. Este lugar está muito mal frequentado ultimamente – Yvie diz, dirigindo-me um olhar de desprezo antes de seguir nossa mãe.
—Numa coisa está correta: este lugar anda muito mal frequentado! – ouço minha sogra dizer em tom levemente alto e rio sem graça – Venha minha querida, há ainda um lugar onde iremos antes de regressarmos para casa – convida e a sigo para fora, encontrando o delegado a conversar com um de seus ajudantes.
—Senhoras, terei de deixa-las. Surgiu um assunto que requer minha atenção imediata – avisa, sinalizando a um rapazinho ali perto que costumava oferecer-se para carregar compras em troca de alguns cents – Meu rapaz, ajude as damas com suas compras. Acompanhe-as enquanto precisarem – ordena, entregando-lhe uma nota de cinco dólares – Darei o recado a minhas filhas. Tenham um bom dia senhoras – deseja, tocando a ponta do chapéu antes de rumar apressado para a delegacia em companhia do ajudante.
—Meu rapaz, adiante-se a minha residência com estes pacotes. Não quero arriscar machuca-los. Sabe onde moro não sabe? – interroga-o.
—Por certo que sim senhora Merlyn. Irei agora mesmo – apressa-se ele, fazendo-nos uma reverencia antes de girar nos calcanhares e rumar em direção a casa de meus sogros.
—Vamos indo – minha sogra chama e novamente a sigo pela rua.
Ao passarmos próximo do armazém, ambas dirigimos nosso olhar ao local em busca de Thomas, porém não o vemos. Mais adiante, descubro qual seria nossa próxima parada: a loja de modas.
—Minha sogra, que viemos fazer aqui, se me permite perguntar – quero saber, olhando-a curiosa.
—Verá – responde, misteriosa enquanto adentramos a loja.
—Senhora Merlyn, que prazer revê-la! – Madame Loraine cumprimenta-a sorridente, voltando sua atenção para mim – E esta deve ser sua jovem nora – supõe, ainda a sorrir.
—Eleonor Loraine, Caitlin Merlyn – apresenta-me e sinto uma sensação estranha ao ouvir meu nome junto ao sobrenome de Thomas ser pronunciado em público pela primeira vez.
—Hum, agora entendo o porquê de o jovem Thomas ter-se encantado. É realmente muito linda – elogia fazendo-me corar — É um prazer finalmente conhece-la meu bem – declara, me deixando ainda mais sem graça – Em que posso ser-lhes útil? – questiona.
—Hoje é aniversário de Caitlin e daremos um jantar para amigos próximos – minha sogra revela, completando -Teria algo apropriado a ela usar? Nada muito extravagante – recomenda e a olho boquiaberta.
—Evidente!! – assegura a mulher, avaliando-me de alto a baixo – Já até sei quais modelos trazer para que escolha. Sentem-se enquanto os busco – convida, indicando um pequeno sofá num canto da loja.
—E botas que combinem, por favor – acresce a senhora Merlyn, sentando-se no local indicado.
—Minha sogra, não precisa ter todo este gasto comigo – digo, sentando-me a seu lado – Estou certa de haver algo adequado entre os vestidos que tenho – minto. Não tinha nada sequer perto do modelo mais simples naquele lugar. Mesmo os vestidos que pertenciam-me e foram salvos por Liv e Adissa eram de uso diário, tal qual os que foram-me presenteados pelas meninas de Mama Smoak (como este que usava).
—Não seja tola criança! Sei bem que seu guarda roupas está praticamente vazio – surpreende-me ao declarar – Estava a recuperar-me do parto complicado quando foi morar conosco, mas se há uma coisa que sempre fiz questão é manter-me inteirada do que acontece em minha casa – afirma, olhando uma arara próxima, tocando algumas peças – Para isto conto com a senhora Stone e Annette. Aliás, aproveitemos nossa vinda para comprarmos algumas peças que sei deve estar a precisar, como estas – indica os trajes íntimos que observava e antes que possa contestar, a senhora Loraine retorna em companhia de uma jovem pouco mais velha que eu trazendo não um ou dois, mas vários vestidos.
—Prontinho. Agora já temos com o que começar! – exclama, juntando as mãos, satisfeita – Raquel, ajude a jovem senhora a prova-los – ordena.
—Pois não madame – prontifica-se a garota – Por aqui senhora – convida e hesito.
—Que espera minha nora? Siga-a – minha sogra ordena e obedeço-a.
No provador, suspiro a cada vestido que experimento, girando e olhando-me no espelho, recebendo a aprovação de minha sogra quando os exibo a ela, que faz-me provar também algumas peças intimas e duas botas, me deixando completamente encabulada quando, ao final, ordena embalarem praticamente tudo que provara e recebera seu aval mesmo eu dizendo não precisar, pagando por tudo uma vez mais. Ao deixamos a loja, levamos várias sacolas conosco posto que comprara também algumas coisas para ela e para as gêmeas.
Apesar de envergonhada, senti-me feliz, admito, como a muito não sentia-me. Gostava de compras, não nego, assim como não nego ser vaidosa e ter a chance de apresentar-me bonita ante os convidados mais tarde acariciava-me o ego. E havia Thomas também. Queria agrada-lo. Muito.
Em casa, após guardar as compras, ajudo no termino do almoço, subo, banho-me, troco de roupa e desço, encontrando meus sogros a aguardar-me. Tomamos a refeição juntos, num clima leve, meu sogro parabenizando-me pela data. Após o final, preparo a refeição que levaria a meu marido, aproveitando a companhia de meu sogro. Desta feita, quando caminho a seu lado pela rua, noto bem menos olhares sobre mim.
Separamo-nos em frente do armazém, ele seguindo para a empresa, eu para a entrada do mesmo.
—Bons dias. Poderia avisar meu marido que trouxe-lhe a refeição? – peço, o rapaz que estava a organizar as sacas voltando-se para mim.
—Bons dias senhora. Vosso marido saiu para realizar uma entrega, mas não tarda – avisa, sorrindo gentil – Irá aguarda-lo? — pergunta.
—Irei – respondo, ele apressando-me a oferecer uma cadeira, pondo-a num local discreto donde posso observar sem ser incomodada, pedindo-me licença para retomar sua lida.
—Em seu lugar não aguardaria – ouço após haverem passado alguns minutos e ergo o olhar, deparando-me com uma das jovens que trabalhava ali – A entrega é na casa das rameiras e decerto ele irá demorar-se como demorou da outra vez. Tanto que o patrão deu-lhe bronca – diz e sinto o sangue gelar em minhas veias – Se quiser deixar a comida comigo...
—Caitlin – o chamado a interrompe. Levanto-me de imediato, sorrindo-lhe – A fiz esperar demais? – pergunta, pondo o imenso pacote que trazia nas mãos em um canto, vindo beijar-me castamente, a jovem retirando-se com expressão contrariada.
—Acabo de chegar – tranquilizo-o, erguendo a cestinha com sua refeição – Seu almoço — aviso.
—Grato – agradece – Tem um minuto? Quero mostrar-lhe algo – pergunta, ansioso.
—Sim – respondo, ele sorrindo (gesto que sempre causa-me reboliço no baixo ventre).
—Venha – convida, segurando o pacote novamente, indicando a lateral do armazém.
Sigo-o, curiosa, adentrando a imensa área de estoque do lugar. Caminhamos entre as prateleiras repletas das mais variadas coisas, parando em um cantinho discreto onde há uma mesinha, um banco e uma espécie de acolchoado, o qual forra com um tecido limpo antes de oferecer-me para sentar. O faço, colocando sua refeição sobre a mesa, cada vez mais curiosa.
—Bem, deveria ser uma surpresa, se tivesse conseguido pega-lo antes, mas agora – começa dizer, tesoura em mãos, cortando parte da embalagem, o tecido floral em tom de azul escuro com uma parte do que me parece ser bambu surgindo.
—Que vem a ser isto Thomas? – interrogo, não aguentando mais o suspense.
—O que pediu-me para tentar providenciar a fim de que pudéssemos ter um pouco de privacidade em nosso banho? – devolve com um sorriso brilhante.
—Um...biombo?? – faço o mesmo, pondo-me de pé, indo para junto dele. Toco o tecido e a armação exposta sentindo a textura – Onde conseguiu? – quero saber.
—Foi presente de Mama Smoak – revela e sinto meu estomago revirar, a princípio, em pensar ter nossa intimidade a ela. Não por Mama, mas pelo risco de Camille ouvir – Ela encomendou. Fui entregar-lhe, pediu-me que abrisse para ver e não gostou. Então propus-lhe compra e cá está! — ressume, animado – E antes que pense errado, nada disse-lhe de para quem ou o porque queria um destes – lê meu pensamento e sorrio-lhe (deveras aliviada, assumo) – Irei monta-lo assim que chegar, antes da ceia– avisa.
—Bom ter falado nisso meu marido – começo dizer, erguendo meu indicador – Vossa mãe decidiu que teríamos um jantar em comemoração a data de hoje para o qual pediu-me convidar alguns amigos íntimos. Não tive como negar-lhe, estava tão animada – justifico-me, mordendo meu lábio, receosa – Incomoda-se? – questiono a ver-lhe a expressão levemente contrariada.
—Não, de forma alguma. Merece que festejemos meu amor – declara e sinto meu rosto esquentar ante a forma carinhosa que trata-me em público, por assim dizer.
—Então por que fez esta cara? – solto antes que pudesse controlar – Perdão Thomas, não quis contraria-lo – peço.
—Não contrariou – garante, sorrindo gentil – Acontece que minha mãe adora receber e suas festas tendem demorar – explicar.
—Ah! Teme perder a hora – presumo.
—Um pouco – admite – É que...bem, planejava uma comemoração mais ...intima – confessa e sinto-me arder ao entender o que pretendia – Mas tudo bem. Ver-lhe e a minha mãe felizes e entendendo-se muito me agrada – afirma, acariciando-me a face, o silencio nos envolvendo por um tempo impreciso.
—Melhor que tome sua refeição ou esfriara – alerto, quebrando o laço que nos prendia – Far-lhe-ei lhe companhia.
—Certo – anui, pondo o biombo recostado a parede, sentando-se no banquinho, abrindo a cesta.
Observo-o enquanto come, trocando ideias vez ou outra acerca de onde montaria o objeto. Quando finda, levantamo-nos juntos (ele ajudando-me), guardo a louça e retiramo-nos pelo mesmo local que entramos.
Quando passávamos na lateral do armazém, vejo a jovem que fizera insinuações maldosas enquanto esperava meu marido a conversar com ninguém menos que Camille, esta olhando-me com desdém ao ver que as observava. O orgulho faz-me aguardar Thomas, que vinha alguns passos atrás, enlaçando meu braço ao dele, caminhando a seu lado até próximo a rua. Atrevo-me beijar-lhe os lábios demoradamente ao despedir-me, sorrindo satisfeita ao notar a cara de azedume da ruiva.
No entanto, tão logo rumo para a casa dos Queen, a insegurança volta atormentar-me, fazendo-me imaginar Thomas indo ao encontro dela após haver-me afastado, os dois beijando-se e entregando-se aos prazeres carnais (prazeres estes que tenho-lhe negado) num canto escondido qualquer, (talvez o mesmo onde tomou a refeição) rindo-se de mim.
—Pare com isto agora mesmo Caitlin. Ele não faria isto a você – admoesto-me baixinho, enxugando uma lágrima teimosa, apressando o passo, meu orgulho novamente dando as caras, dizendo-me para pôr-me ainda mais bonita logo mais à noite especialmente para ele. Ao chegar a casa de minhas amigas, encontro-as a borda em companhia da senhora Moira, Thea valendo-se de minha chegada para deixar a tarefa de lado.
—Caitlin, que bom vê-la! – comemora de forma exagerada, abraçando-me – Minha salvadora! – exclama baixinho e rio minimamente.
—Boas tardes para você também Thea – cumprimento-a, voltando minha atenção a Felicity e Moira Queen – Senhora Queen, senhora Oliver – cumprimento-as.
—Boas tardes Caitlin. Como tem passado? – Felicity pergunta e por um segundo sinto ânsias de chamar-lhe num canto, abrir-me e pedir-lhe conselhos, mas a timidez é maior.
—Bem, obrigada – pego-me a dizer – Não posso demorar-me então terei de ser breve. Minha sogra está a organizar um pequeno jantar em comemoração ao meu aniversário hoje a noite. Ficarei imensamente feliz se puderem comparecer – despejo de uma só vez, recriminando-me por parecer tão ansiosa.
—Parabéns Cait!! – Thea adianta-se, abraçando-me outra vez – Evidente que iremos...se minha mãe permitir – apressa-se, voltando-se para a mesma.
—Certamente que permito – Moira Queen libera – E minha nora e meu filho decerto também irão. Meu marido e eu já tínhamos outros planos, mas agradeço o convite e desejo-lhe muita saúde e felicidades minha querida – diz, largando seu bastidor, vindo abraçar-me – Fico feliz que vossa sogra a tenha recebido tão bem. Nós mães podemos ser meio super protetoras quando o assunto é nora...ou genro – afirma, dirigindo seu olhar a Thea.
—Então...Felicity, que acha de irmos comprar o presente de Cait e aproveitamos para fazer-lhe companhia posto que veio sozinha, pelo que vejo – comenta, olhando por sobre meu ombro.
—Fui levar a refeição a meu marido e aproveitei para vir – explico – E não preocupe-se com presente algum – aviso.
—De jeito maneira! Claro que lhe darei presente – insiste, enlaçando seu braço ao meu – Felicity??? – chama, olhando dela para a mãe alternadamente.
—Pode ir minha nora, mas não demorem-se. Quero-as em casa antes de os homens retornarem da lida – alerta, adentrando a casa enquanto Felicity vem a nosso encontro.
—Obrigada, meus dedos já estavam adormecidos!! – minha amiga cochicha, fazendo-me rir.
—Eis minha aqui – estende uma pequena bolsa a Felicity ao regressar até nós — Acredito que a quantia que pus deve ser suficiente. Aproveitem e tragam mais linhas na cor azul e branca – pede – E comprem um presente em meu nome e de Robert – ordena, cortando o protesto que ensaio com um simples olhar – Dê lembranças minhas a vossa sogra. Diga-lhe que em breve irei visita-la e conhecer as gêmeas – pede.
—Darei senhora – digo, sorrindo-lhe gentil.
—Vamos indo – Thea convida, praticamente arrastando Felicity e eu – Antes que ela mude de ideia e resolva vir conosco, impedindo-nos fofocar um pouco! – brinca.
Seguimos, as três, pela rua até um lojinha que ainda não conhecia. Até a tinha visto após ser resgatada, mas não tivera oportunidade ir conhecer. Descubro tratar-se de um mini armazém especializado em bibelôs e outros artigos delicados para ornamentação da casa e presentes de ultima hora para todas as idades. Lá, Felicity e Thea fazem-me escolher três presentes: um em nome do senhor e senhora Queen, outro em nome dela e do marido, e o terceiro pela própria Thea. Também compram lembranças, que levariam consigo ao jantar, para as bebês. Ali não senti-me tão desconfortável quanto na modista por serem presentes então não iria paga-los mesmo. No entanto, ao sentir vontade de comprar alguns bibelôs que gostaria de pôr em meu aposento, sinto-me mal pois não trazia comigo um cent sequer!
Na verdade, não dispunha de dinheiro algum desde que deixara a casa de meus pais. Antes, meu pai dava-me uma mesada que supria minhas necessidades básicas e sempre que desejava algo mais, bastava pedir-lhe. Agora não posso fazer o mesmo pois ambos, Thomas e eu, dependemos de meu sogro para tudo. Confesso que este pensamento incomoda-me deveras.
Após findarmos as compras, Thea e Felicity acompanham-me a casa dos Danvers e dos West para que pudesse convida-los. Apenas quando a tarde já adiantava-se consigo regressar para casa.
—Perdoe-me a demora minha sogra – peço mal adentro, largando as sacolas junto a escada, dirigindo-me a cozinha aonde ela e a senhora Stone aviavam os preparativos para o jantar – Em que posso ajudar? – prontifico-me, pondo a louça do almoço de Thomas sobre a pia após retira-la da cesta.
—Está quase tudo pronto jovem senhora, não se preocupe– a governanta avisa-me.
—Pode ajudar com a louça e talheres e depois arrumar a mesa enquanto Annette não desce. Todos virão? – minha sogra quer saber, completando antes que respondesse – Antes que esqueça-me, aquela jovem que servia-lhe está aqui a ajudar-nos – comunica.
—Virão – confirmo – Adissa está aqui? – repito, surpresa.
—Sim – confirma calmamente – Veio trazer-lhe um presente de vossa irmã, ofereceu-se a ajudar e acabei aceitando – explica – Ela e Annette estão a banhar e arrumar Davi e as gêmeas para a ceia. Tomei a liberdade de convida-la... – avisa, calando-se quando a porta da frente abrir-se naquele exato momento, meu sogro adentrando – Chegou mais cedo senhor meu marido? – pergunta, precipitando-se ao encontro deste – Algum problema? – questiona-o.
—Do contrário!– rebate, entusiasmado – Minha nora, senhora Stone, aproximem-se, tenho novidades – pede e obedecemos – Fui convocado a uma reunião com o prefeito juntamente com o senhor Queen, o senhor Crumble e o senhor Palmer. Darhk conseguiu a verba que precisava para construção do porto – anuncia – E adivinhem quem será responsável, juntamente com Queen e Palmer, em erguer as edificações, as docas e tudo o mais que preciso for? – interroga-nos.
—Malcom, isto é maravilhoso!! – minha sogra comemora.
—Mais do que maravilhoso meu amor. Agora sim poderei me reerguer de vez e o principal: libertar Thomas!! – declara, fazendo minha sogra soltar um gritinho ao ser pega e erguida do chão e a mim unir as mãos e fechar os olhos em agradecimento.
—O que está acontecendo?? – abro os olhos, voltando-me, deparando-me com Thomas, que adentrara pela cozinha trazendo o biombo consigo.
—Vosso pai tomara parte na construção do porto de Starling! – adianto-me, indo a seu encontro – E poderá liberta-lo meu amor – comemoro, pendurando-me, num impulso, em seu pescoço – Perdão meu marido – peço, sem graça, tentando afastar-me, ele não permitindo.
—Porto? Starling terá um porto? — indaga, ainda retendo-me, meu sogro contando-lhe o que acabara de dizer-nos.
—Não ficou feliz por seu pai ? – minha sogra questiona-o ante seu silencio.
—Evidente que sim minha mãe – garante, encarando o pai – Estou imensamente feliz...mas peço-lhe que priorize reerguer a firma e acertar as dividas com aqueles que não quiseram permanece a seu serviço meu pai. Aprendi a lidar com Chase e posso aguardar que o faça antes de libertar-me – assegura, não dando chance meu sogro contestar – Por favor, peço-lhe que me atenda. Irei sentir-me mal caso priorize a mim e não a firma e seus trabalhadores. Suportei até agora, posso suportar mais um pouco – reitera, meu sogro vindo até nós, levando uma mão a seu ombro.
—Não tem ideia do quanto suas palavras deixam-me orgulhoso filho! – declara, visivelmente emocionado, dirigindo seu olhar para mim – Fez um bem imenso a este rapaz minha nora e por isto ser-lhe-ei eternamente grato – afirma e coro – Farei o que me pede Thomas e prometo-lhe, aos dois, não apenas encurtarei sua servidão como providenciarei terreno para construirmos vossa casa – avisa, emocionando-me, um silencio repleto de significados pousando sobre nós.
—Certo... Agora que comemoramos, deixem-nos terminar a janta para não atrasarmos – minha sogra ordena, limpando o rosto discretamente, enrugando o cenho – Que vem a ser isto Thomas? – aponta o pacote.
—Meu presente para minha esposa – comunica ele, soltando-me e seu pai, pegando o embrulho – Um biombo para que Cait possa trocar-se mais à vontade – declara, sorrindo.
—Que gentileza meu bem! – minha sogra exclama, pondo ordem mais uma vez – Neste caso adiante-se se pretende monta-lo antes da ceia e nos deixe retomar os preparativos. Teremos convidados, vossa esposa avisou-o? – quer saber.
—Hã, falando nisso...- meu sogro toma a palavra – Sei que estamos a comemorar seu aniversario minha nora, mas diante dos fatos, tomei a liberdade de convidar o prefeito bem como os demais participantes do consórcio a virem cear conosco. Espero que não incomode-se – avisa.
—De forma alguma meu sogro – digo, notando pelo canto do olho a insatisfação de meu marido.
—Então melhor aumentarmos a comida Judith – minha sogra pondera, preocupada – E providenciar mais bebida – acresce, voltando-se para o marido.
—Farei isto agora mesmo – avisa ele, apresando-se a sair.
—Não creio ira faltar comida senhora. Temos mais que suficiente – a senhora Stone diz, dirigindo-se a cozinha seguida por minha sogra ainda a questiona-la.
—Chateou-se meu marido? – pergunto tão logo nos vemos a sós, acariciando lhe o braço.
—Em parte – admite, erguendo o biombo – Como disse no almoço, pensava em algo mais íntimo e agora não poderemos ter – lamenta – Mas tudo bem. Afinal teremos outros aniversários a comemorarmos juntos – diz, sorrindo-me.
—Teremos – anuo, olhando-o atentamente.
—Melhor ir montar logo isto para que já possa fazer uso de seu presente – adianta-se, me dando um beijo casto na fronte antes de subir.
—Minha nora, a mesa – sou chamada a lida e volto-me, obedecendo-a, dedicando-me na escolha, limpeza e arrumação da mesa, ganhando o reforço de Adissa e Annette, que descem após haverem concluído sua tarefa, os bebês sendo postos em seu cantinho na sala, dormindo tranquilas, enquanto Davi faz questão de ajudar-nos.
Atarefada, mal noto a hora passar, percebendo já haver anoitecido apenas quando Thomas passa pela cozinha a carregar água para nosso quarto. Minha sogra dispensa-me para que fosse aprontar-me, encarregando Adissa e Annette finalizarem o que faltava.
Subo, adentrando o quarto sem aviso prévio, surpreendendo meu marido seminu (o que perturba-me deveras) a terminar de vestir-se.
—Desculpa – peço, retendo o ar em meus pulmões – Devia ... ter... batido – balbucio, sem desviar o olhar de seu peito desnudo.
—Estou praticamente pronto – avisa – Já troquei a água para você. Deseja que sai? – questiona, retribuindo meu olhar.
—Não precisa – sopro, sentindo meu rosto esquentar – Temos o biombo agora –lembro-o, baixando a vista, quebrando o laço invisível que nos prendia, dirigindo-me a banheira – Pode findar arrumar-se enquanto banho-me– digo, evitando olha-lo ao passar, indo esconder-me detrás do biombo, estrategicamente posicionado por ele de forma a permitir-me despir-me, banhar-me e trocar-me sem ser vista – É uma bela peça. Não entendo porque Mama não gostou – digo a guisa de puxar assunto, despindo-me rapidamente, entrando na banheira.
—Segundo disse, a cor não combinava com a decoração do quarto– conta em tom divertido – Tenho para mim que desagradou-lhe a estampa. Encomendou uma coisa e enviaram outra – pressupõe.
—Pode ser – anuo, banhando-me, lembrando que pretendia fazer-lhe uma surpresa, logo, ele precisava sair. Temo pedir-lhe que o faça e ser mal interpretada.
—Estou pronto – avisa e mordo o lábio buscando uma solução a meu dilema, ele fazendo-o por mim – Irei descer e recepcionar os convidados juntamente com meus pais. Aguardo-a lá embaixo – diz, e respiro aliviada.
—Não me demorarei – aviso, atenta, saindo da banheira quando escuto a porta ser fechada.
Enrolo-me em uma toalha e sigo para a pequena cômoda que meu sogro pusera semana passada. Sento-me no banco, escovo e prendo meu cabelo apenas de um lado deixando o restante solto, fazendo uso dos presentes que Liv mandara-me: uma pequena caixa de maquiagem e perfumes. Três. Meus perfumes!
Após finalizar ali, levanto-me, indo até a cadeira, descobrindo a roupa que escolhera usar. Visto a peça intima e logo em seguida o vestido, agradecendo por ser um modelo que permitia-me fazê-lo sem ajuda. Calço uma das botas de cano curto que minha sogra comprara, pondo-me de pé defronte o espelho, analisando-me cuidadosamente, gostando do que via.
Respiro fundo antes de deixar o quarto, seguindo a passos firmes ao andar de baixo que, para minha surpresa, encontrava-se cheia. Estanco, emocionada, ao reconhecer nossos amigos. Todos haviam vindo comemorar comigo mais um ano de vida. Até mesmo Killi e Cisco estavam ali...- Até meus filhotes vieram!! – surpreendo-me, dando mais alguns passos, estancando novamente ao ver Thomas a minha espera no sopé. Lindo. Venço os degraus que restavam num segundo, aceitando a mão que estendia-me.
—Está encantadora meu amor!! – elogia, beijando minha mão – Ainda mais encantadora – corrige-se, me dando outro beijo, desta feita nos lábios.
—Obrigada. Digo o mesmo de você – retribuo, presa em seu olhar, esquecendo-me do mundo a nossa volta até sentir o focinho úmido tocar minha mão – Prateada!! – agacho-me, afagando o pelo prata e macio.
—Hei não vale. Não pode furar a fila sendo você feroz ou não espertinha! – Thea ralha e ergo o olhar em sua direção – Saiba que a conheço a mais tempo, portanto, caia fora! – ordena, fazendo todos rirem.
Ponho-me de pé com a ajuda de Thomas, recebendo seu abraço carinhoso, dedicando-me a cumprimentar todos, um a um, deixando os filhotes por último.
As horas seguintes são as melhores nos últimos tempos e fazem-me esquecer até mesmo a ausência de meus pais e tudo de ruim que antecedera esta data a exceção de meu casamento.
Thomas posta-se a meu lado todo o tempo, sempre gentil e carinhoso, atento e divertido, seu sorriso e olhar fazendo-me sentir a mulher mais feliz na face da terra e por isto tomo uma decisão: iria entregar-me na próxima vez que me procurasse. Aquela noite se assim desejasse. Iria ser sua por completo não mais pela metade!
*** Três dias depois (1/10, 6:15 a.m) ***
Tommy
Despeço-me de Cait no portão, como habituara-me fazer, seguindo meu caminho diário ao armazém, estancando ao escutar chamarem-me.
—Tommy, bons dias. Disporia de um tempinho para uma conversa rápida? – Ollie pergunta, Eddie e Ray a seu lado.
—Não muito infelizmente – respondo, olhando-os um a um – Que houve? Algum problema? – interrogo ante suas expressões taciturnas.
—Não exatamente – Ray responde e enrugo o cenho – Por que não o acompanhamos até próximo o armazém e no caminho contamos as novidades? — sugere.
—Boa ideia. Podemos? – Eddie questiona e anuo com um aceno.
—Evidente. Na verdade, Chase não está no armazém logo que abre. Chega por volta das sete e meia. Poderemos conversar lá, mas terei de fazê-lo enquanto trabalho. Sempre há algum serviço a esperar-me – aviso.
—Está ótimo – Ollie concorda e retomamos a caminhada num passo lento.
—Então, que há de tão urgente? – inquiro, curioso.
—Para começar, o delegado recebeu ontem, no inicio da noite, um telegrama com o resultado do exame para identificar o defunto que encontramos nos escombros onde ficava a firma de vosso pai – Eddie revela – Trata-se do senhor Okley, antigo proprietário do armazém. Lembra dele? – pergunta.
—Claro. Todos julgaram haver fugido com uma das meninas da casa de Mama após vender o armazém a Chase – relembro.
—Ao que parece, se o fez, arrependeu-se. Em algum momento regressou, em segredo, por alguma razão que não saberemos. Não mais. Assim como não saberemos porque foi morto – Ollie lamenta.
—Isto ainda podemos descobrir mas será difícil posto que já passou-se um bom tempo de sua morte – Eddie pondera.
—Para mim Chase é o responsável direta ou indiretamente – Ray declara – Nunca engoli aquela conversa de Okley haver-lhe passado o ponto por um preço irrisório como parte do pagamento de uma dívida de jogo – conclui.
—Raymond e suas teorias da conspiração!- Eddie o provoca, rindo curto – Muito embora esta faça sentido – diz, ficando sério.
—Se assim foi, não poderia a viúva saber de algo? – questiono.
—Pouco provável mas posso verificar. Irei com o delegado quando for comunicar-lhe a descoberta – conta meu amigo – Ah, também descobri a quem pertence o camafeu que entregou-me, aquele que retirou do homem assassinado sobre a caverna onde abrigava-se e por tabela a provável identidade do morto – relembra – Trata-se, caso não tenha sido roubado, de um federal infiltrado na gangue do Snart — revela.
—Como soube disto? – quero saber.
—Por acaso. Estava com a joia quando acompanhei o delegado até a tal testemunha, que iria ficar na cidade apenas um dia e ainda está aqui, e ela reconheceu como sendo dela – faz nova revelação, nos surpreendendo – O homem na foto era ou é seu irmão . Falou que tinha entregue ao tal federal para que mandasse protege-lo posto que Snart o ameaçara – conta.
—E por que ele faria isto? – Ray adianta-se.
—Porque ela era amante dele e inclusive tem um filho e...
—Como é?? – Ray, Ollie e eu questionamos juntos, parando de súbito.
—Ela tem um filho de Snart – repete – Foi para proteger o garoto e evitar o mesmo tornar-se herdeiro do pai, que decidiu testemunhar contra ele – conta, fazendo aspas no ar — Leonard Snart não é um bandidinho ralé como alguns pensam. Ele é barra pesada, porem esperto e inteligente, por isto nunca foi sequer acusado dos crimes que cometeu e poucos o ligam a gangue cujo cabeça faz todos julgarem ser Rory – afirma.
—Neste caso ela corre sério risco – comento, retomando a caminhada – Quanto tempo ainda ficara em Starling? – quero saber.
—Até o agente Rossi regressar para busca-la – informa – Enquanto obedecer as ordens dadas pelo delegado rigorosamente, o risco é menor embora exista – afirma ao pararmos defronte o armazém – Até agora tem dado certo e esperamos continue. Ter Snart e seu bando a cercar-nos não é nada agradável – acresce – Bem, era isto que tinha a dizer-lhe. Vou-me indo. Preciso render Lacrosse na delegacia. Qualquer novidade informar-lhe-eis Nos vemos outra hora – despede-se.
—Vou com você. Fiquei de passar na estribaria para ver como estão os cavalos que meu pai comprou – Ray avisa, despedindo-se, seguindo juntamente com Eddie.
—Bem, eu tenho um tempinho ainda antes de ir ter com meu pai na empresa – Ollie comenta, me encarando – Não tive oportunidade de perguntar-lhe antes, então faço-o agora: que está achando da vida de casado? – questiona-me, pondo a mão sobre meu ombro, sorridente.
—Boa – murmuro – Em verdade...- hesito.
—O que?? Algum problema entre você e sua esposa? – pressupõe, encarando-me.
—Além de ela Não ser minha esposa de fato ainda?? – despejo, fazendo-o enrugar o cenho – Tenho que confessar-lhe algo que está a incomodar-me, mas não aqui – olho de lado, indicando o beco, Ollie seguindo-me – Menti quando disse ter feito Cait minha quando estávamos perdidos – confesso após certificar-me não haver ninguém por perto.
—Você o que?? – espanta-se.
—Menti. Digo, não fui totalmente honesto – corrijo-me, narrando lhe resumidamente tudo que passara-se desde nosso primeiro beijo no lago até o jantar em casa dos Snow, deixando-o pasmo e silencioso um tempo ao final da narrativa.
—Tommy, tem consciência que isto é tão grave quanto o que disse ter feito? – questiona-me e aceno afirmativamente.
—Tenho, mas agora não há como voltar atrás – digo.
—E quer? Deseja encerrar seu casamento? – inquire.
—Não, de forma alguma! – apresso-me dizer, percebendo a aproximação de dois funcionários – Amo minha esposa e não quero ou posso perde-la – afirmo.
—Pois então meu amigo, aconselho-o não deixar, em hipótese alguma, nunca ninguém, além de pessoas de sua confiança, saber a verdade ou terá sérios problemas e não apenas com vossos familiares – afirma, abaixando o tom de voz ao notar os funcionários aproximando-se – E trate de consumar seu casamento. Há mais de uma forma de a verdade vir a tona. Nenhuma delas será agradável a você ou a sua esposa!
*** Residência Lance (15:33 p.m) ***
Narrador
—Não é justo! Os pontos de Cait são tão lindos e delicados, tão perfeitos, enquanto os meus são estas aberrações!! – Íris West resmunga, parando sua tarefa, as demais fazendo o mesmo momentaneamente.
—Não dramatize Íris! – Laurel Lance exclama, rolando os olhos, interrompendo a pintura que fazia – Se passasse menos tempo seguindo vosso pai pela cidade e mais praticando faria pontos belos também – admoesta-a, sua irmã fazendo uma careta de desagrado.
—Acontece que nem todas presentes desejam tornarem-se pacatas e cordatas donas de casa minha irmã! Algumas almejam mais que isto – Sara afirma, mordendo a língua tão logo as palavras saem de sua boca.
—Acontece que ser dona de casa não é necessariamente sinônimo de pacata e cordata Sara. Ao menos não precisa ser – Felicity contesta-a, interrompendo seu bordar, espreguiçando-se antes de falar novamente – Também almejo mais, mesmo tendo-me casado, e sei que posso contar com o apoio de meu marido – assegura.
—E como pode! Ollie seria capaz de dar-lhe tudo que desejar para fazer o que bem quiser, mesmo que sejam explosivos! – Thea brinca, provocando risos – E Raymond igualmente caso venha a casar-se com ele – insinua, fazendo a loira bufar.
—Acaso não escutou o que a senhora Felicity disse ? Casamento não é prisão Sara Lance!! – Kara exclama, dobrando uma peça de roupa que findara, pondo-a na pilha a seu lado.
—Será? – questiona a loira, olhando-as uma a uma – Tomemos por base o que Thea disse. Oliver Forneceria tudo que Felicity desejasse e sabem por que? – interroga, respondendo a si mesma – Porque ela não ganha o próprio dinheiro! Depende dele para comprar até mesmo seus trajes íntimos. Não pode comprar nada que queira ou ir a cidade vizinha ou ainda viajar sem que precise pedir-lhe. Isto, minhas amigas, é Sim prisão para mim – insiste – Nós mulheres saímos do julgo de nossos pais para o de nossos maridos. Trocamos de dependência, nada mais. É com isto que não conformo-me e nunca irei conformar-me – assegura, erguendo o queixo.
—Devo concorda, mas com ressalvas – Felicity diz, olhando-a séria – Sei que necessito do dinheiro de meu marido agora. Antes dependia de minha mãe – relembra – No entanto, caso decida montar um negócio, Oliver irá apoiar-me inclusive financeiramente, mesmo sabendo que teria minha fonte de renda e tornar-me-ia independente. E todos, inclusive os homens, dependem do auxílio de alguém para começar a vida – argumenta, esticando-se novamente.
—Cansada? Quer parar um pouco? – Laurel questiona-a, preocupada.
—Quero, se não importa-se. Ando mais sonolenta por conta do bebê — admite, sorrindo ao passar a mão sobre o ventre – Doutor Hallowey tranquilizou-me dizendo ser normal nos primeiros meses. Melhor que enjoos frequentes! – exclama, causando mais risos.
—Façamos uma pausa então – decide a Lance mais velha – Aproveitemos para lanchar. Querem ir a mesa ou preferem que permaneçamos aqui no alpendre? – questiona, olhando-as uma a uma.
—Podemos servi-nos lá e retornarmos para cá. Esta tão mais fresco aqui fora! – Kara sugere.
—Concordo – Thea anui, levantando-se – Pode deixar que preparo-lhe um prato minha cunhada – oferece-se, dirigindo-se ao interior da casa sem aguardar resposta, Kara e Íris seguindo-a de pronto.
—Melhor segui-las antes que levem a senhora Belmont a loucura! – Laurel diz, levantando e seguindo-as.
—Perdoem-me, não quis ser grosseira ou magoa-las com minha observação – Sara pede, olhando de Felicity para Caitlin – É apenas como sinto-me... o que não significa dizer que repudio totalmente o casamento, especialmente quando o fazemos com alguém que amamos, como é vosso caso– acrescenta, sorrindo gentil — Apenas desgosta-me a forma como a sociedade nos trata em relação a isto, dizendo para anularmo-nos em submissão a nossos maridos – justifica-se, enrugando o cenho ao indicar Caitlin com um gesto de cabeça, Felicity entendendo a mensagem silenciosa.
—Sabemos Sara e entendemos seu ponto de vista...não é mesmo Caitlin? – pergunta, a jovem permanecendo a bordar, silenciosa – Cailtin, ouviu-me? – insiste Felicity, sobressaltando-a ao tocar-lhe o braço.
—O que?? – Caitlin inquire, olhando-as confusa.
—Ok, respeitamos seu silencio até agora mas já chega! – decreta a loira, fazendo-a por o bastidor de lado e encara-la – Que acontece a você Cailtin? Está estranha desde que chegou. Mesmo não comentando nada, notamos sua tristeza – afirma, segurando-lhe as mãos – Algo a incomoda? Acaso alguém a destratou no caminho até aqui? Ou vossos sogros não aprovaram ter vindo? – interroga-a.
—Do contrário Felicity. Minha sogra ficou satisfeita em saber que não ficaria em casa o dia inteiro, sozinha, após partir em companhia de meu sogro com as crianças e Annette até Central City, muito menos destrataram-me na rua – assegura a jovem.
—Então qual o problema? Porque há um, não negue. Transparece em vossa face – insiste Felicity.
—Acaso Thomas a maltratou? – Sara inquire recebendo um olhar repreensivo de Felicity – Pode acontecer, não pode? Mesmo estando apaixonados e sendo recém...
—Estou perdendo meu marido! – Caitlin solta, cortando-a.
—Oi? – Felicity e Sara indagam juntas – Como assim está a perde-lo? Mal casaram-se. Estão em lua de mel, em fato. Ou deveriam estar – pondera a Lance mais nova, dirigindo um olhar confuso a Felicity.
—Mas não estamos – Cait diz, baixando o olhar tristonha – E tudo por minha culpa! – exclama – Estou a perde-lo, dia após dia, por medo de entregar-me! – afirma, não dando chance nenhuma das duas contestar – Thomas não foi totalmente honesto quando disse haver-me possuído antes de casar-nos e eu, por ignorância, admito, corroborei posto que mesmo minha mãe julgava haver-me entregue a ele ao ver sangue em minhas vestes, mas hoje, relembrando , percebo tratar-se de minhas regras que estavam a chegar, mas não tinha noção disto e como tínhamos nos beijado e trocado caricias mais intimas e também algo machucou-me quando Thomas deitou-se sobre meu corpo aquela noite então julguei, erroneamente, que tínhamos ido até o fim, mas não aconteceu...nem lá nem aqui. Ainda sou virgem!! – despeja num folego só, deixando a Felicity e Sara zonzas.
—Sabia que algo não estava certo! – ouvem e voltam-se, deparando-se com Donna Smoak a observa-las – Meus instintos gritavam haver algo errado na narrativa de Thomas mesmo ele tendo respondido as perguntas de vosso pai na delegacia – afirma ela, pondo a bandeja que trazia sobre a mesinha próxima, sentando-se defronte Caitlin – Vocês nem pensem vir para cá agora!! – alerta de repente, dedo em riste, voltando-se – Sei que é vossa casa senhorita Laurel, mas peço-lhe permissão para conversar, a sós...- dirigi seu olhar para a filha e Sara — com Cailtin e apenas ela – pede.
—À vontade senhora Smoak – libera Laurel, fazendo as garotas retornarem para o interior da casa, Felicity e Sara levantando e seguindo-as silenciosamente, deixando-as sós.
—Agora meu bem, conte-me exatamente o que aconteceu desde antes até esta data no que refere-se a vossa relação com Thomas. Não esconda-me nada – pede, enxugando o rosto da moça carinhosamente, a jovem hesitando um segundo antes de repetir o que ela escutara ao chegar com calma, parando para responder uma ou outra pergunta feita pela loira – Agora entendo o porquê Monsenhor não permitiu-lhes dividir o mesmo teto antes de casa-los! – exclama ao termino da narrativa, rindo divertida – É uma raposa esperta este seu servidor, Senhor! – diz, olhando para o céu ainda a sorrir.
—De nada adiantou a esperteza a qual refere-se, Mama, se estou a perde-lo! – Cait lamenta-se, a loira dando-lhe atenção novamente – Não permiti meu marido consumar nosso casamento, em breve as pessoas decerto estranharão não termos filhos e logo começarão as maledicências a nosso respeito outra vez. É certo que Thomas não irá gostar se questionarem sua masculinidade e perdera a paciência comigo e então meu casamento acabara antes mesmo de existir! Irá abandonar-me ou pior: manterá as aparências enquanto se satisfaz com Camille. Ela sim sabe como agrada-lo na cama! – prediz a jovem, enxugando o rosto com o tecido em suas mãos.
—E suponho tenha sido a própria a dizer-lhe isto não é meu bem? – indaga, Cait confirmando com um aceno de cabeça, fazendo a mais velha puxar o ar com força antes de falar outra vez – Pois bem, com aquela senhorita entendo-me depois. Agora o importante é tirar estas bobagens de sua cabecinha! – exclama, tocando-lhe a fronte com o dedo – Para começar, apaguemos este quadro tenebroso que pintou em sua mente. Thomas a ama e não irá larga-la por ninguém ou por qualquer bobagem. Arriscou-se para tê-la e não fez em vão. Quer prova maior do que tem-lhe dado diariamente, aguardando-a pacientemente? – questiona, não a deixando responder – Em segundo lugar, fala como se jamais fosse entregar-se a seu marido. O ama e igualmente arriscou-se para estar ao lado dele, que certamente reconhece Sua prova de amor – afirma, afagando lhe a face – Em terceiro lugar, não deveria dar atenção ou valor excessivos ao que Camille ou qualquer outra mulher tenha-lhe dito, direta ou indiretamente. Caso não tenha percebido, é apaixonada por Thomas e nutria certas esperanças mesmo ele nunca as tendo alimentado – garante.
—Mas.... sempre a procurava quando ia a sua casa, era favorita dele – Cait argumenta, retendo o choro a muito custo.
—Da mesma forma que Alameda é a favorita do prefeito, Valquíria do Blood e assim por diante – argumenta Donna, abrindo os braços – É normal os homens que frequentam minha casa elegerem uma, dentre as garotas, com quem prefiram deitar, o que não significa estarem apaixonados e o fato de ela haver dito que sabia agrada-lo, bem, todas precisam saber como agradar seus clientes, são pagas para isto – diz, pratica, empertigando-se – Este é meu negócio: descobri e realizar as fantasias sexuais do homens, permiti-lhes, com restrições evidente, fazer com minhas meninas o que não podem ou não querem fazer com as esposas....
—E como posso competir com isto? – interrompe-a jovem.
—E quem disse que precisa competir? – devolve a loira – Caitlin, os homens, incluindo vosso marido, buscam divertir-se em casas como a minha mas escolhem damas para casarem-se (..Com raras exceções!! )– Thomas não espera que repita em vosso leito marital o que Camille lhe dava quando deitava-se com ela– afirma, a jovem olhando-a confusa – Deixe-me tentar ser mais clara: se ele quisesse tê-la em sua cama todas as noites, seria a ela que desposaria e não você, minha querida. E não é a ela e sim a você que ama. É por você que aquele coração bate mais forte. Foi por você que correu todos os riscos, infringiu todas as regras, mandou às favas o bom senso e a razão!! – exclama arrancando-lhe um sorriso curto – E é por você que espera, pacientemente. É por ama-la que aguarda seu sim...O mesmo amor que sente por ele e que a guiara e dirá a hora certa....
—E como saberei se a hora certa já não passou?? – questiona, ansiosa.
—Da mesma forma que minha Felicity soube a hora certa em entregar-se ao marido mesmo estando a encontrarem-se as escondidas por meses a fio....ao menos assim pensavam, os dois! – pisca, fazendo Cait rir – Saberá quando estiver pronta, creia-me – afirma, encarando-a, séria e pensativa — Quando estiver com seu marido em vosso quarto logo mais, esteja apenas com ele e ninguém mais. Esqueça vossos pais, os dele, as línguas ferinas... esqueça Camille ou qualquer outra mulher que tenha dito haver-se deitado com ele anteriormente. O que passou não importa. Ele é seu agora. Escolheu estar com você – aconselha – E, se por um acaso pedir-lhe mais do que pode ou deseja dar, avise-me que terei um particular com ele! – pisca novamente – Não estou a dizer-lhe o que podem ou não fazer entre quatro paredes, longe de mim! Isto é entre você e vosso marido. Conversem. Sejam francos um com o outro e tudo irá bem – tranquiliza-a, surpreendendo-se com o abraço que recebe.
—Obrigada Mama. Por tudo – Cait agradece, afastando-se devagar – Gostaria que fosse minha mãe — declara, emocionada, deixando um beijo na bochecha da loira antes de sair apressada.
—O que está olhando bebê? Nunca viu alguém com um cisco nos olhos? – questiona Donna, Felicity vindo abraça-la.
—Não sei se tenho-lhe dito isto ultimamente mas digo-lhe agora: amo você mãe! – declara, repetindo o gesto de Caitlin
*** Residência Merlyn (16:35 p.m) ***
—Era a jovem senhora Merlyn? – Judith Stone indaga, interrompendo a limpeza da prataria quando a porta de entrada é aberta abruptamente dando passagem a Caitlin.
—Sim – Adissa confirma, parando também – Será que devo ir ter com ela? –questiona a jovem aia, tencionando segui-la.
—Não faz-se necessário minha cara – responde Judith – Ademais, o senhor Thomas já encontra-se em casa e decerto chamara caso precisem de algo. Terminemos nossa tarefa – convida, ambas voltando-se a concentrarem-se na tarefa que faziam.
No andar superior da casa, Caitlin adentra o quarto tão bruscamente quanto adentrara a residência, ofegante, estancando ao deparar-se com Thomas de pé junto a banheira, a toalha presa em sua cintura sendo a única peça a cobrir- lhe a nudez.
Olham-se um segundo, ambos surpresos.
—Cait? Algum problema? Alguém a perseguia? – interroga, preocupado, indo a janela verificar a rua.
—Na-nada...problema algum – gagueja ela, recuperando o fôlego – Apressei-me demais a chegar logo em casa e...- cala-se quando ele volta-se para ela – E quanto a ti, que houve? Não costumas chegar a estas horas – interroga, aproximando-se lentamente do marido.
—Tivemos um problema no armazém... Ratos...Chase foi obrigado fechar mais cedo para desratizar o prédio. Após tudo estar armazenado e protegido, dispensou-me – explica, olhando-a atentamente.
—Ahhh... – murmura Cait, chegando mais perto, acompanhando as gotículas de água a deslizarem pelo tórax do marido indo morrer no tecido felpudo da toalha presa a cintura deste– Sujou-se com o veneno? – pergunta, levando a mão primeiramente a boca, mordendo o polegar sem desviar o olhar do peito de Thomas.
—Não. Uma saca de farelo estourou sobre mim quando a removia de um local para outro. Será outro a aplicar o vene.... que está fazendo? – questiona-a, sentindo a pele arrepiar-se ao toque dos dedos delicados que seguem o trajeto das gotas por seu corpo – Cait.... não faça...- gagueja, fechando os olhos, saboreando o calor das mãos que agora espalmam-se em seu peito úmido, a respiração tornando-se pesada na medida em que ela as movimenta, sem pressa, subindo até a base do pescoço apenas para descer lentamente, repousando nas laterais de seu corpo um segundo antes de começarem refazer o mesmo caminho....Controle-se Thomas. Apenas...controle-se!, ordena a si mesmo mentalmente, sentindo-se mais e mais excitado com a doce e inconsciente tortura da esposa.
Para Cait, tudo era uma grande novidade.
Apesar de já o haver visto seminu diversas vezes, quase todas a noite, era a primeira vez que atrevia-se tocá-lo. Tencionara fazê-lo vez ou outra, mas sempre reprimia-se temendo ser mal interpretada... O que mudara então? , era a pergunta em sua mente enquanto deliciava-se a explorar o abdômen do marido, expandindo seu “território” gradativamente. Agora alcançava-lhe os ombros, deslizando por seus braços até as mãos, entrelaçando os dedos brevemente, soltando-se antes que ele a retivesse, tocando o abdômen outra vez...” Ele é seu agora. Escolheu estar com você...É por ama-la que aguarda seu sim.”...as palavras de Donna ecoam em sua alma, dando-lhe coragem...
—Cait?? – Tommy chama-a, retendo as mãos que alcançavam a toalha, a voz rouca pelo desejo latente e já visível sob o tecido.
Em resposta ela ergue o rosto, olhando-o nos olhos, um brilho novo fulgurando neles.
“From this moment, life has begun;
From this moment you are the one;
Right beside you is where I belong;
From this momento on...”
“...O mesmo amor que sente a guiara e dirá a hora certa...”— É esta a hora – sopra, fazendo-o enrugar o cenho sem entender – Quero ser sua...por inteiro – declara, surpreendendo-o, deixando-o estático e mudo um segundo.
—Você...está certa disto? – pergunta, olhando-a intensamente, sorrindo ao vê-la confirmar com um aceno, afagando o rosto da amada, inclinando-se até tocar-lhe os lábios delicadamente a princípio, aumentando a pressão ao enlaçar-lhe a cintura, colando seus corpos, um suspiro sôfrego escapando por entre os lábios dela – Cait!! – sussurra sem cessar o contato, erguendo-a em seus braços ainda a beija-la, pondo-a no chão junto a cama delicadamente.
Quando o ar lhes falta, cessa o beijo sem, no entanto, perde o contato visual. Lentamente, Thomas leva as mãos aos botões do vestido da esposa, abrindo-os um a um, fazendo o tecido escorregar pelo corpo delicado suavemente até cair-lhe ao chão sob seus pés, beijando-a mais uma vez...
“...From this moment, I have been blessed;
I live only, for your happiness;
And for your love, I give my last breath;
From this moment on...”
Cessando novamente o contato, agacha-se, soltando o cadarço das botas, descalçando-as delicadamente, pondo-se de pé ao terminar, levando uma mão ao rosto de Cait numa caricia terna que a faz fechar os olhos, entreabrindo os lábios num convite mudo. Uma vez mais apossa-se de sua boca, desta com avidez, o beijo sendo intenso desde o início, despertando-a....
“...I give my hand to you with all my heart;
I can’t wait to live my life with you;
I can’t wait to start;
You and I will never be apart;
My dreams came true because of you...”
Movida pelo instinto, Cait envolve lhe o pescoço com os braços, aumentando a pressão do beijo ao ficar na ponta dos pés. A reação dele é imediata. Soltando um grunhido rouco, aperta-a mais contra si, fazendo-a sentir o quanto a desejava. Erguendo-a outra vez, deita-a sobre o colchão, cobrindo-a com seu corpo, controlando-se ao máximo para não assusta-la...
“...From this moment, as long as I live;
I will love you, I promise you this;
There’s nothing, I wouldn’t give;
From this momento n...”
Sem pressa, desliza uma mão pela lateral do corpo de Cait ao mesmo tempo em que abandona lhe a boca, os lábios descendo pelo pescoço, beijando e sugando levemente a pele, detendo-se no decote da peça intima, a mão livre soltando o laço, abrindo o decote um pouco mais, provocando gemidos baixos e roucos ao fazer o tecido ceder dando-lhe acesso ao vale entre seus seios. Durante alguns minutos, explora a região, ora subindo aos ombros, ora descendo, beijando delicadamente colo e os montes parcialmente expostos, fazendo-a ofegar, enroscando os dedos delgados em seu cabelo, retendo-o quando ameaça afastar-se...
“...You’re the reason I believe in love;
And you’re the answer tom y prayers from up above;
All we need is just the two o fus;
My dreams came true because of you..”
Após mais alguns beijos e caricias, Thomas ergue o rosto, satisfeito ao ver-lhe a expressão enlevada. Sentindo-se mais seguro, retoma as caricias e beijos não ultrapassando o limite imposto pelas vestes intimas dela. Ao atingir seu limite de resistência, desliza as mãos uma vez mais pelo corpo de Cait alcançando a barra da roupa, levantando-a lentamente até expor-lhe o sexo. Sem pressa, beijando-a sempre, encaixa uma perna entre as dela, forçando-a delicadamente abri-las. Intensificando as caricias, toca-a na intimidade provocando gemidos altos, a umidade acentuada dizendo-lhe que estava pronta a recebe-lo.
Com calma, traz sua outra perna, posicionando-se inteiramente entre as dela, soltando e puxando a toalha que lhe envolvia a cintura, atirando-a ao chão, ficando totalmente nu. Interrompe o beijo, olha-a nos olhos num pedido mudo, o consentimento vindo num menear lento de cabeça. Apoiando-se em um braço para sustentar o próprio peso, Thomas guia seu membro ereto até a entrada úmida de Cait, que retém o ar ao sentir a pressão leve. Devagar, ele começa a penetra-la, parando sempre que sente resistência, aguardando-a relaxar antes de prosseguir, penetrando-a um pouco por vez, o esforço que fazia em controlar-se a fim de não machuca-la quase indo por agua abaixo quando Cait, por instinto, ergue seu quadril de encontro ao dele, obrigando-o segura-la, evitando enterrar-se em sua intimidade com força exagerada.
Reassumindo o controle da situação, termina de penetra-la em movimentos precisos, um grito abafado escapando dos lábios da jovem. Aquietando-se após fazê-lo, Thomas dá a Cait tempo para acostumar-se com sua presença dentro dela antes de começar mover-se, “moendo” o quadril em movimentos circulares, arrancando mais gemidos e sussurros desconexos de Cait. Erguendo-se, sai parcialmente dela apenas para voltar a entrar numa estocada forte, abafando parte do grito alto com um beijo intenso, repetindo o movimento duas, três, quatro vezes fazendo-a arquear-se ao mesmo tempo em que crava as unhas em suas costas. Sentido o ápice aproximar-se, aumenta o ritmo de suas investidas guiado pelos gemidos e sussurros que escapam por entre os lábios de Cait, sustentado o corpo delicado quando este estremece segundos antes de libertar-se pela primeira vez num gozo pleno que a faz amolecer em seus braços, ele próprio libertando-se após mais duas investidas, deixando-se cair sobre ela.
—Cait...minha Cait...toda minha ...- sussurra-lhe junto ao ouvido – Minha vida...meu amor...são seus pra sempre – declara-se afundando o rosto na curva do pescoço dela, beijando e sugando a pele, não vendo o sorriso acompanhado pelas lágrimas que caem mansamente...
“...You’re the reason I belive in love;
And you’re the answer to my prayers from up above;
All we need is just the two of us;
My dreams came true because of you;
From this moment, as long as I live;
I will love you, I promise you this;
There is nothing, I wouldn’t give;
From this moment, I will love you;
As long as I live;
From this moment on!”

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