Notas iniciais
Olá flores, voltei. Como estou com vários capítulos em andamento (vários mesmo, inclusive duas inéditas) resolvi postar aqui para não deixar vocês muito tempo na saudade, rsrsrsrs, já ando fazendo isto demais ultimamente. Como o titulo diz, Tommy e Cait estão começando a se tornar um casal completo, dentro e fora do quarto. Neste capitulo mais um pouco da primeira vez deles, dad e mom sendo surpreendidos pelo romance do casal, o que vai ser fonte de risos pra gente. Obrigada por acompanharem; Aguardo seus coments; Boa leitura; Bjinhos flores.

“You’re stuck on me and my laughing eyes;

I can’t pretend through I try to hide;

I like you, I like you;

I think I felt my heart skip a beat;

I’m standing here and I hardly breathe;

You got me, yeah, you got me...”

You Got Me

Colbie Cailat

Residência Merlyn (sexta, 1/10- 17:34 p.m)

Caitlin

Mordo forte o lábio inferior, suspirando, minha respiração e batimentos voltando ao normal devagar enquanto olho para o teto, o peso parcial sobre meu corpo dizendo-me que não sonhara. Não desta vez. Era real. Muito real. Deliciosamente real. E um pouco dolorido, admito.

Mesmo Thomas tendo sido gentil e cuidadoso, havia sentido mais dor do que esperava.... embora não soubesse bem o que esperar posto que sobre Esta parte especificamente do casamento, esquecera-me de fazer qualquer tipo de pergunta quando conversara com a senhora Smoak. Preocupei-me tanto em externa lhe meus medos e angústias em não me haver entregue a meu marido ainda, que acabara por esquecer-me deste detalhe não tão insignificante.

Não que estivesse a achar ruim ou mesmo a arrepender-me. De forma alguma. Fora simplesmente magnifico! Mas fora também assustador, de certa forma. Quando o senti pressionar minha intimidade com seu membro rijo, retesei-me. Por um segundo pensei que não conseguiria ir até o fim, porém Thomas foi paciente. Esperou-me relaxar, cobriu-me de beijos e caricias e por fim me fez sua por inteiro, não mais pela metade.

Sorrio, buscando compreender aquele sentimento que fazia-me sentir flutuar mesmo meu corpo estando dormente e dolorido e do nada, a lembrança das recomendações feitas por minha sogra vem-me à mente, fazendo-me rir baixinho, acabando por chamar atenção de meu marido que, apoia-se em um braço, erguendo o tronco nu, fazendo-me reter o ar.

—Cait, tudo bem? Machuquei você? Sente dor? – pergunta, preocupado, acariciando meu rosto com a mão livre.

—Não...sim...um pouquinho só!! – minto, em parte, enrugando o nariz numa careta – Doeu um pouco, mas foi .... suportável – admito por fim, vendo-o relaxar lentamente.

—Perdoe-me meu amor. Tentei ser o mais gentil possível – pede e sorrio-lhe.

—E foi – garanto, tocando-lhe o rosto – A verdade é que estava tensa, temendo não conseguir ir até o fim e acho que por essa razão deve ter doido um pouco mais...acho – pondero, insegura, sentindo meu rosto esquentar.

—Não irá doer tanto doravante – tranquiliza-me, beijando a mão carinhosamente antes de tomar meus lábios num contato calmo, a princípio, que aprofunda-se com rapidez –Fique quieta – ordena quando tenciono mover-me, causando-me espanto, sua mão segurando firme meu quadril – Ainda estou dentro de ti– avisa fazendo-me corar até a raiz do cabelo – Temi a machucar então apenas aquietei-me quando ...terminamos – explica, acariciando o local aonde sua mão repousava, provocando uma ardência gostosa que se espalha por meu corpo em ondas crescentes – É tão linda Cait! – sopra, iniciando novo beijo, abandonando minha boca segundos depois para acomodar a sua entre meus seios parcialmente expostos e num impulso levo as mãos a seu cabelo, enroscando os dedos neles, retendo-o lá, saboreando as sensações maravilhosas que aquele contato provocava, gemendo baixinho.

Sinto-me ofegar quando sua mão deixa meu quadril subindo sob a camisola sedosa, repousando ousadamente por sobre meu seio direito. Um suspiro escapa por entre meus lábios ao senti-lo massagear, apertando o bico rijo. Era ao mesmo tempo doloroso e agradável. Fecho os olhos, deliciada, sentindo-me frustrar quando cessa as caricias repentinamente.

—Cait...- chama e abro os olhos encontrando os seus, turvos, a olhar-me atentamente – Eu... quero pedir-lhe algo – diz, cuidadoso, calando-se logo a seguir, deixando-me curiosa.

—Sim? – instigo-o prosseguir.

—Eu... gostaria ...de vê-la...por inteiro...se permitir-me – pede entre temeroso e esperançoso – Sua camisola ...eu ...posso...despi-la? – pede olhando-me intensamente.

Retenho o ar ante seu pedido, travando uma luta intima entre o que minha mãe, nas poucas vezes que faláramos no assunto, as irmãs no internato e até minha sogra, diziam ser o correto a uma esposa, uma mulher “de bem”, fazer na cama, com seu marido e o que escutara de Mama Smoak... “ Thomas não espera que repita em seu leito marital o que Camille lhe dava quando deitava-se com ele....Não estou a dizer-lhe o que podem ou não fazer entre quatro paredes...Isto é entre você e vosso marido. Conversem. Sejam francos um com o outro e tudo irá bem...”

—Entenderei caso sinta-se desconfortável ou mesmo envergonhada – ouço-o dizer, tirando-me do devaneio – Esqueça. Foi tolice minha ter-lhe pedido tal coisa e...

Levo uma mão a seus lábios, silenciando-o, o surpreendendo com um beijo rápido antes de erguer os braços num consentimento mudo, atirando medo e insegurança às favas!! No fundo, queria muito ser vista por ele mesmo sabendo que sentir-me-ia envergonhada. Arrepio-me primeiramente ao senti-lo sair de mim e logo a seguir a peça sendo-me gentilmente despida por meu marido, a brisa suave a entrar pela janela tocando-me o corpo, agora inteiramente nu. Instintivamente, tento proteger-me com os braços, mas Thomas impede-me.

—Não envergonhe-se, meu amor. És linda Cait! – elogia, olhando-me com tamanha admiração que sinto-me encabular – Minha linda Cait ...minha linda esposa! – declara, possessivo, inclinando-se devagar, me beijando intensamente, o contato de nossos corpos, pele contra pele, deixando-me inebriada.

Suspiro mais forte, ousando tocar-lhe, passeando minhas mãos por suas costas, lhe sentindo a musculatura rígida bem como o calor que emanava dele, estranhando minha própria voz ao escutar-me gemer quando sinto seus lábios deslizarem pôr minha pele, alcançando-me os seios, sugando um, depois o outro. Não saberia descrever de imediato o que senti. Um misto de torpor e calor intensos espalha-se por mim, vindos de dentro para fora, fazendo-me arfar e puxar o ar com força.

Fecho os olhos novamente, sentindo-me esquentar e esfriar numa mistura estranha e deliciosa de sensações na medida em que meu marido segue explorando-me o corpo, ora com beijos, ora sugando-me a pele, língua e dentes raspando de leve, levando-me ao êxtase.

Era maravilhoso! Simplesmente maravilhoso e não entendia o porquê ter-me sido dito que não deveria permitir-lhe ver ou mesmo tocar-me o corpo sem a barreira de roupas. Não sei como era com outras mulheres, mas ali, comigo, Thomas estava extremamente carinhoso. Em nada senti-me desrespeitada por haver-lhe permitido tamanha intimidade... É meu marido oras! penso, arqueando-me quase que de maneira involuntária quando sinto a caricia leve próxima a meu sexo.

—Thomas!! – seu nome escapa-me da boca num sopro alto e no mesmo instante o sinto cobrir-me com seu corpo novamente, minha boca unindo-se a sua uma vez mais enquanto as mãos mantêm-me quieta sob ele.

Não sei se por estar ainda sensível ou talvez mais alerta que antes, sinto quando se posiciona em minha entrada, forçando devagar, sons indecifráveis escapando de meus lábios na medida em que vai entrando em mim, sem pressa, preenchendo-me novamente. Comprimo-me ante aquela deliciosa invasão, cravando as unhas em suas costas, gemendo mais alto quando começa mover-se circularmente, parando, repetindo tal movimento uma vez mais... e outra.... e outra..., levando-me ao delírio.

—Cait...eu...mais rápido...- balbucia de forma incoerente, erguendo seu quadril, me deixando parcialmente apenas para retornar logo em seguida, mais forte, mais fundo, mais rápido...e mais... mais....Àquela altura, nossos gemidos eram tão altos e intensos que temo os sons ultrapassarem a barreira da porta de nosso quarto.

Arquejo, arqueando-me instintivamente, aumentando o contato entre nós e ao fazê-lo, Thomas solta um grunhido rouco, afundando o rosto em meu pescoço, pressionado a pele com os lábios, estreitando-me em seus braços. Fecho os olhos cravando mais as unhas em sua carne, as gotas de suor escorrendo por meu rosto, entre meus seios, mesclando-se ao dele.

Sento-me sacudida por espasmos cada vez maiores na medida em que meu marido aumenta o ritmo de suas investidas, nossa cama balançando e rangendo, uma explosão de cores e sensações intensas fazendo-me morden-lhe o ombro, abafando o grito quando me derramo a sua volta ao atingir o que agora sei ser o topo do prazer!!

Amoleço em seus braços, quase a desfalecer, Thomas acompanhar-me segundos depois, nossos corpos suados desabando sobre o colchão...Céus! como pude pensar haver-me entregue aquela noite? Como pude julgar ser somente aquilo que aconteceria quando lhe pertencesse plenamente? Estupida!! xingo-me mentalmente, sorrindo enquanto acaricio o cabelo úmido de meu marido, sua cabeça a repousar sobre meu peito, exausto.

Durante minutos incontáveis permanecemos assim, abraçados e quietos, nos acalmando aos poucos. Emito um resmungo em protesto quando o sinto sair de mim, deitando-se sem, no entanto, afastar-se de mim, mantendo seu corpo colado ao meu. Novamente lembro-me dos conselhos de minha sogra e rio, fazendo meu peito vibrar, chamando sua atenção.

—Um dólar por seus pensamentos!! – diz junto a meu ouvido, a voz ainda rouca, beijando a pele próxima a orelha, arrepiando-me – Por que ri?? – quer saber, cheirando meu pescoço.

—Estava a recordar os conselhos de vossa mãe naquela que deveria ter sido nossa noite de núpcias – revelo, ele erguendo-se parcialmente, apoiando a cabeça a mão, olhando-me curioso.

—Ela deu-te conselhos aquela noite? – pergunta franzindo o cenho e confirmo com um movimento de cabeça – Quais? – pergunta e enrugo meu nariz em nova careta.

—Vários – digo, puxando ar com força – Entre eles, para não temer posto já saber o que aguardava-me quando a sós com você, que deveria aguardá-lo sob os lençóis, do lado direito da cama pois o esquerdo era seu preferido para dormir, o quarto a meia luz ou na escuridão total, minha roupa erguida a altura da cintura, a espera para.... servi-lo – prossigo, encabulada — Eu não deveria deixá-lo adormecer sobre mim pois seu peso decerto sufocar-me-ia ou machucar-me-ia e que o deixasse dormir tranquilo após satisfeito — relembro, sua expressão de espanto causando-me riso – Bem, ao menos um conselho segui: não o deixei adormecer sobre mim! – exclamo, mordendo o lábio, abaixando a vista, envergonhada.

—Decerto que não! – anui, acariciando-me o rosto com beijos rápidos – Não acredito que lhe tenha dito tais coisas! – exclama, a passear seus dedos por minha pele delicadamente.

—Não fez por mal, estou certa – afirmo, retribuindo o carinho — Estava preocupada não apenas que o agradasse, mas também com meu bem-estar, o que é muito mais do que minha própria mãe fez – declaro, emocionada – Ela sequer hesitou em largar-me a própria sorte, em casa de Mama Smoak, para tornar-me uma....

—Jamais permitiria isto acontecer-lhe Cait!! – interrompe-me, sério, beijando-me intensamente – Mesmo que ainda estivesse atrás das grades, daria um jeito tirar-te de lá e colocar-te em segurança – afirma e sorrio-lhe – Amo-te mais que a mim mesmo. Não mediria esforços para proteger-te ainda que custar-me-ia a liberdade ou mesmo a vida – acresce, deixando-me ainda mais emocionada — Não permitiria qualquer outro tomá-la para si e não por orgulho, mas por saber que ama-me igualmente a amo – declara-se, beijando-me novamente, inclinando-se até estar sobre mim outra vez, o roçar de seu membro duro em minha coxa fazendo-me gemer – Ah, minha doce Cait! Faz noção do efeito que causa sobre mim? Do quanto a amo e desejo? – inquire com voz baixa e rouca, abandonando meus lábios, deslizando os seus por meu pescoço uma vez mais, detendo-se na curva aonde afunda o rosto, aspirando meu cheiro enquanto suas mãos inquietas recomeçam explorar meu corpo, subindo e descendo suavemente, tocando-me a intimidade com delicadeza.

—Thomas...está ...a querer-me? – arfo, sentindo a cabeça zonza ante a caricia prazerosa que seus dedos realizavam em meu sexo, sua dureza roçando-me a pele mais uma vez.

—Estou – confirma sem erguer o rosto, descendo um pouco mais até quase alcançar-me os seios, subindo com beijos rápidos, tomando-me os lábios com sofreguidão – Amo você! – repete, contra minha boca, sua língua passeando por meus lábios.

—Amo-te...igual...- sopro, retendo o ar ao senti-lo pressionar-me outra vez, penetrando-me. Desta feita, não há tempo para abafar o grito de prazer ao senti-lo afundar-se dentro de mim por inteiro, parando um segundo, dando-me tempo acostumar novamente a sua presença em meu íntimo antes de recomeçar a mover-se como fizera a pouco.

Suspiro, entregando-me uma vez mais as deliciosas sensações a mim apresentadas por meu marido. Meu amado marido!

**** Tommy (19:10 p.m) ***

O movimento sobre o colchão desperta-me e abro os olhos sem, no entanto, mover-me.

Na semiescuridão reinante no ambiente, observo Cait inclinar-se devagar, como a buscar por algo no chão, abaixando-se quando, presumo, encontra.

Em silencio, acompanho seus movimentos lentos ao vestir sua camisola...não, parecia vestir algo diferente. Minha camisa! Estava a vestir minha camisa! Havia pego e posto sobre o colchão quando chegara, à tarde, após despir a suja na intenção de vesti-la tão logo houvesse banhando-me.

Sorrio vendo-a levantar devagar, passando as mãos pelo cabelo desgrenhado (mea culpa!), arrumando-o da melhor maneira antes de caminhar, hesitante a princípio, mais firmemente a seguir, rumo a banheira por detrás do biombo.

Acostumara-me a observá-la em segredo sempre que levantava pela manhã, ocupando-se de preparar-me o banho, saboreando cada mínimo pedaço de seu corpo que conseguia vislumbrar enquanto trocava-se. Errado o fazer? Poderia estar se não a tivesse flagrado fazendo o mesmo em relação a mim, sempre com muita discrição. Fora esta descoberta, aliás, que encorajara-me fazer o pedido que fiz posto que, ao que tudo indicava, estava tão curiosa em ver-me despido quanto eu em vê-la. Ainda assim, hesitei bastante em pedir-lhe.... Arrisquei-me, bem sei, mas valeu a pena!! penso, o tilintar da alça do balde tirando-me do devaneio.

Ergo-me rápido, sentando-me.

—Cait? – chamo-a.

—Sim, meu marido?!? – responde de imediato, apenas a cabeça visível na lateral do biombo e sinto uma sensação boa ao escutá-la chamar-me de seu marido.

—Deseja banhar-se? Preciso trocar a água – aviso, fazendo menção levantar-me, detendo-me ao ver-lhe a mão aberta com a palma voltada para mim.

—Não carece. Já estou a fazer isto – diz, sorrindo – Estou acostumada, Thomas. No internato e algumas vezes em casa, eu mesma o fazia – revela na intenção de tranquilizar-me.

—Ok....mas em ambos lugares não havia acabado de acordar após haver feito amor repetidas vezes – lembro-a e mesmo sem poder vê-la claramente, sei que deve estar corada – Como estás, amor meu? Sente-te bem? Alguma dor? – quero saber, genuinamente preocupado, enrolando os lençóis a cintura a fim de esconder-me a nudez, não dando-lhe tempo responder – Ouça, deixe-me colocar a água dentro da banheira, sim. Sentir-me-ei melhor o fazendo. Os baldes estão por demais cheios e pesados – peço, prendendo o cobertor mais firmemente antes de levantar, caminhando a passos largos até ela – Esta minha camisa caiu-lhe bem. Melhor que em mim! – elogio, vendo-a enrugar o nariz numa careta graciosa.

—Não encontrei a camisola...mi amore!! – retribui, fazendo um muxoxo gracioso por sobre o ombro direito e rio, repondo o tampão da banheira o qual ela retirara a fim de fazer escorrer a água velha, pegando o balde e despejando a limpa lá dentro – Agradecida senhor meu marido! – exclama, apoiando-se em meu braço, ficando na ponta dos pés para dar-me um beijo rápido em meus lábios.

—A seu dispor, minha linda e encantadora esposa! – respondo, envolvendo lhe a cintura antes que se afastasse, retribuindo o beijo, libertando-a lentamente – Caso precise de ajuda, não hesite em pedir-me – prontifico-me, afastando-me relutante, o cortar de um relâmpago lá fora fazendo-me notar o quão escuro estava – Anoiteceu?! – questiono-me não tão baixo.

—Que disse Thomas? – ouço-a perguntar.

—Que a noite já caiu – repito, aproximando-me da janela, Cait vindo até mim.

—Quantas horas serão? Será que vossos pais já retornaram de Central City? – inquiri e coço o queixo pensativo – Thomas?? – chama ante meu silencio.

—Creio que não ou teríamos sido chamados a descer para a ceia – respondo, ponderando se o fariam de fato caso tivessem nos escutado – E não creio seja assim tão tarde também posto que se forma, ao que parece, uma tempestade. Talvez por isto tenha escurecido mais cedo – constato, o vento e novos relâmpagos precedidos por trovões confirmando minhas suspeitas – Cait, irei até o andar de baixo ter com a senhora Stone ou meus pais, caso tenha-me enganado, enquanto banha-se – aviso, já indo a cata de algo para vestir.

—Certo – anui, caminhando para a banheira.

Acabo por pegar as mesmas vestes que usava quando regressara do trabalho, vestindo-as rapidamente.

—Estou saindo Cait – aviso, recolhendo a toalha e as roupas dela do chão, pondo tudo sobre a cadeira antes de deixar nosso quarto.

Já ao passar defronte o quarto de meus pais, constata-o estar certo em presumir não haverem regressado ainda. O que me traz certo alívio. Não fomos, Cait e eu, nada silenciosos ou discretos e por certo iriam, minha mãe em especial, sentir-se incomodados, o que me leva a pensar a respeito de termos nossa própria casa e quando isto tornar-se-ia possível.

—Não muito em breve, infelizmente! – lamento comigo mesmo, descendo as escadas, estranhando o silencio reinante – Senhora Stone? Senhor Miller? — chamo nossos principais servos (haviam outros ocasionais) mas nada ouço em resposta.

Sigo direto para a cozinha notando, além da mesa posta ao passar pela sala de jantar, uma folha de papel presa sob um prato. Pego-a, lendo seu conteúdo em voz alta.

“Senhor Thomas, como anunciou-se um temporal, convoquei George e a jovem Adissa, que veio visitar vossa esposa, a irmos esperar vossos pais com as crianças e Annette. O senhor Merlyn mandara o cocheiro avisar-me, pouco depois de sua chegada, que regressariam apenas na última carruagem. Há bolo e sucos para o caso de desejarem comer algo, o senhor e vossa esposa, antes da janta, muito embora está esteja pronta. Não achei por bem ir incomodá-los em vossa...cesta, por esta razão deixo-vos este bilhete explicando nossa ausência caso venha procurar-me antes que regresse. Com carinho. Judith Stone” – sorrio de lado ao entender a mensagem nas entrelinhas, dobrando o papel – Recado recebido senhora Stone! – exclamo, erguendo a vista ante novo clarão, preocupando-me – Espero que a carruagem chegue antes que a chuva – murmuro, retomando o caminho da cozinha.

Lá chegando, deparo-me com outra mesa posta com tudo que nossa bondosa governanta dissera ter e muito mais, o ronco nada silencioso emitido por meu estômago lembrando-me que passara bastante tempo já desde que comera algo, o toque do velho carrilhão na sala de estar chamando minha atenção. Inclino-me a fim de vê-lo e a hora que anunciava: dezenove e trinta.

—Decerto Cait também está faminta. Preparo-nos apenas um lanche ou...- pondero, levando uma mão ao queixo – E ainda desejo banhar-me... — lembro, uma ideia vindo-me a mente – Por que não? Estaremos cá, sós, até a chegada da carruagem mesmo – dou de ombros, pondo-a em prática de imediato.

Dirijo-me a área externa de nossa casa, mais precisamente ao tanque aonde as roupas eram lavadas. Lá chegando, bombeio água, enchendo-o, indo ao armário ali perto aonde sabia a senhora Stone guardava as roupas limpas antes de engomá-las e levá-las aos quartos. Pego calça, camisa, ceroula e toalha limpas e, após verificar não haver de fato ninguém por perto, dispo-me, banhando-me ali mesmo, rapidamente. Enxugo-me, visto-me e retorno a cozinha, preparando uma generosa bandeja com bolos, suco e um pouco da sopa preparada para a janta. Acresço pães, geleia caseira, algumas frutas e um pouco do doce que estava sendo preparado quando cheguei à tardinha. Pego copos, talheres, guardanapo, arrumando tudo da melhor maneira possível, acrescentando uma flor ao passar pela sala de estar no caminho de volta a nosso quarto, que faço assobiando, feliz da vida.

A porta, preciso parar e apoiar-me a parede para conseguir abri-la, adentrando de costas.

—Cait, voltei – aviso, voltando-me, estranhando ao vê-la estática, de pé, segurando um coberto, a olhar nossa cama, um misto de surpresa, vergonha e medo estampado em seu lindo rosto.

Sigo seu olhar, entendendo o motivo para tal expressão. Olho a volta em busca de um local onde pudesse colocar a bandeja, acabando por deixá-la cuidadosamente sobre a cadeira aonde nossas roupas sujas permaneciam, agora dobradas organizadamente. Vou até minha esposa, tocando-lhe a face de forma a fazer-lhe desviar sua atenção para mim.

—Não há o que temer amor – afirmo, tocando seus lábios num beijo casto.

—Se vossa mãe vir...ou a senhora Stone...Thomas, saberão que mentimos! – revela o temor em sua mente refletindo-se em seus olhos – Nossos pais...minha mãe... irão odiar-me e a você por...

—Não saberão – interrompo-a dando-lhe mais um beijo – Não saberão Cait – reitero, piscando antes de ir a nossa cama, retirando o lençol manchado com a prova de sua pureza, dobrando-o, pondo-o junto a nossas roupas e estas no cesto por detrás da porta – Amanhã cedo, antes de todos acordarem, irei eu mesmo lava-las, meu amor, não se preocupe – peço, segurando-lhe e erguendo lhe gentilmente o rosto para que olhasse em meus olhos sem nada dizer, beijando-a de leve – Está com fome? – pergunto após breves minutos e acena afirmativamente – Então vamos forrar nossa cama e comer – convido, segurando sua mão, levando-a aos lábios – Que acha? – questiono, seu riso discreto trazendo-me alivio.

—Sim, meu marido – anui, enrugando o nariz quando mordo suavemente o mesmo – Pegarei novo lençol – avisa, entregando-me o coberto que tinha em mãos, indo ao armário.

Discretamente, verifico se aquele também não estava sujo, encontrando uma pequena e quase imperceptível mancha ao centro, enrolando quando aproxima-se com o forro limpo em mãos. Juntos, arrumamos parcialmente nossa cama (pretendia usá-la ainda outras vezes está noite) sentando-nos tendo a bandeja que preparei entre nós.

Devoramos (literalmente!) tudo que havia trago, não ficando satisfeitos. Nem eu nem ela. Por isto, decidimos descer a cozinha a fim de reforçarmos a refeição, o que fazemos, lavando e arrumando o que sujáramos quando terminamos, levando água, mais suco e alguns doces e bolo em nova bandeja ao retornamos para o quarto.

—Terá havido algum problema para que meus sogros se terem atrasado? — Cait questiona, preocupada, sentando-se sobre o colchão.

—Não, problema nenhum, tranquilize-se amor – asseguro, estendendo-lhe o bilhete escrito por Judith – Virão na última carruagem, que deve estar próxima a chegar – aviso enquanto ela lê, seu rosto tingindo-se de vermelho e espremo os lábios para não rir. Sabia exatamente a qual conclusão chegara.

—Céus Tommy, que estarão a pensar a senhora Stone e Adissa?? Que imagem farão a nosso.... a meu respeito agora? – questiona-me, mordendo o lábio de uma forma inconscientemente provocante.

—Estão a pensar que somos um casal apaixonado e muito feliz!! – exclamo, inclinando-me até apossar-me de sua boca num beijo apaixonado – Mas, se isto a preocupa, seremos mais...cuidadosos doravante. Ao menos tentaremos ser!– corrijo-me, fazendo-a corar ainda mais – Amo vê-la assim, sem graça! – admito, afastando a bandeja, inclinando-me sobre ela, obrigando-a deitar-se, iniciando um novo beijo o qual cesso apenas quando sentimos necessidade de respirar, mantendo-nos, no entanto, na mesma posição – Sei que já perguntei isto antes, mas necessito certificar-me que realmente está bem. Como sente-se? – quero saber, apoiando-me em um braço, acariciando lhe rosto e ombro delicadamente.

—Estou bem – garante, levando a mão a meu peito, brincando com a gola de minha camisa – Estava a sentir-me um pouco mole, parecia entorpecida...um pouco cansada – enumera, envergonhada, fazendo nova careta – Após banhar-me, senti-me melhor – garante, seus olhos procurando os meus – E meu marido, como sente-se? – quer saber, não disfarçando a ansiedade.

—Feliz, apaixonado...desejoso de fazer minha esposa tão feliz quanto estou a sentir-me! – afirmo, roubando-lhe seguidos beijos, fazendo-a rir – Cait, posso fazer-lhe uma pergunta? – questiono, olhando-a sério.

—Por certo que sim – responde, ainda a brincar com minha camisa.

—O que a fez mudar de ideia? Digo...por que hoje, agora? Não que esteja a reclamar, de forma alguma – apresso-me a dizer – Estava até um pouco ansioso, admito – confesso.

—Não exatamente o quê, mas quem – começa, cautelosa, mordendo o lábio novamente (o que dificulta-me concentrar no que dizia) – E o porquê...bem, meu marido acaba de elucidar: ansiedade. Minha e sua – afirma, suspirando e enrugo o cenho, confuso.

—Não entendo – digo, olhando-a atentamente.

—Como sabe, após o almoço fui a casa dos Lance ajudar nos bordados e roupas para o bebê que a senhora Felicity espera – lembra e anuo com um gesto – E como também deve lembrar-se, havíamos tentado...fazer o que fizemos a pouco na noite anterior e novamente nada conseguíramos – prossegue, corando intensamente – Sei o quanto cada negativa de minha parte o frustrava mesmo dizendo-me o contrário e também eu começava a sentir-me assim – admite, para minha surpresa, fazendo uma pausa mais longa para voltar a falar. Pressinto que não devo forçar então apenas aguardo-a continuar – Quando passava defronte o armazém, o vi atendendo uma senhora e sua filha, julgo. Notei a maneira como a garota lhe sorria e dirigia-lhe olhares languidos quando não estava olhando – conta, torcendo o nariz de forma graciosa – Desagradou-me deveras não apenas o gesto em si mas por ter-me feito recordar as palavras de Camille no dia de nosso casamento...que não vou repetir porque não quero que zangue-se – adianta e suspiro, resignado – Tal fato serviu para deixar-me insegura ...mais insegura e temerosa de que cansasse-se de esperar-me ceder – revela, levando a mão a meus lábios ao perceber que pretendia protestar – Sei o que disse-me tantas vezes, mas creia-me, não é fácil dar-se por convencida que de fato o faria. Não sou tola Thomas. No curto tempo em que estive em casa da senhora Smoak, aprendi que homens tem certas necessidades, mais que nós mulheres, e que se as esposas não as satisfizerem buscarão quem o faça e exatamente nisto residia meus maiores temores — relata de maneira surpreendentemente calma – Tais pensamentos me consumiam e quando de uma pausa para fazermos um lanche, Felicitty e a senhorita Laurel questionaram-me o porque de estar tão calada e distante. Acabei por desabafar acerca de minhas inseguranças, revelando-lhes nossa situação, ai peço que desculpe-me – diz rápido – Estava a fazê-lo quando a senhora Smoak chegou sem que a víssemos....- nova pausa seguida por um longo suspiro – Resumindo, Mama pediu para sermos deixadas a sós e após fazer-me contar-lhe tudo que passava-se em meu coração e mente, como estava triste e insegura por não conseguir entregar-me, deu-me conselhos e puxões de orelha, não exatamente nesta ordem! – conta, fazendo uma careta rápida – Fez-me ver o quão tola estava sendo e que a única ameaça a meu casamento e felicidade era eu mesma. Acalmou-me, aconselhou-me e fez-me sentir mais segura tal qual uma mãe deve fazer com sua filha – declara, baixando o olhar, triste, silenciando novamente.

—Não a toa recebeu este apelido – quebro-o, segurando-lhe o queixo gentilmente, erguendo seu rosto para mim – Mama é uma mulher especial com todos que a cercam – afirmo, afagando sua face.

—É sim. Gostaria que fosse minha mãe. Disse-lhe isto antes de sair correndo feito uma maluca, o que deve ter deixado minhas amigas preocupadas – presume – Terei de dar-lhes uma explicação qualquer quando nos vermos novamente – pondera.

—E por que o fez? Sair correndo, quero dizer – inquiro, acomodando-me melhor a seu lado, puxando os travesseiros, que os ponho sob nossas cabeças.

—Porque decidira vir para casa, preparar-lhe um jantar maravilhoso, arrumar-me com esmero e depois de cearmos , quando nos recolhêssemos, seria sua! – declara de um folego só, ruborizando como nunca antes – E queria tentar o fazer antes de meus sogros regressarem pois sabia que depois poderia ser acometida por meus temores além da vergonha e desistir. Por isto corri e ao chegar precisei subir direto para o quarto para banhar-me ao invés de ir ter com a senhora Stone acerca do jantar pois estava deveras suada – conclui, enrugando o nariz em nova careta graciosa.

—E que bom veio para cá antes, assim pulamos algumas etapas!! – exclamo, levando a mão a sua cintura, trazendo-a mais perto – Confesso haver-me surpreendido quando a escutei dizer o que desejava, especialmente por não estar escuro ainda – admito, beijando e mordendo levemente a ponta de seu narizinho arrebitado.

—Também surpreendi-me comigo mesma – confessa, acariciando meu braço a envolver- lhe a cintura – Mas não arrependo-me de nada – garante e sorrio, meu corpo começando reagir sua caricia, que agora concentrava-se em meu peito.

—De nada? Nem mesmo ter-me atendido o pedido pouco comum a um marido fazer, até onde sei? – arrisco-me perguntar.

—Uhum, uhum...nada – reitera – E se o atendi foi porque também eu desejava sentir meu marido mais ...perto – afirma, ousadamente pondo a mão para dentro da gola, tocando minha pele, explorando tal criança curiosa...Criança!!!

Levanto de um salto, assustando-a, alcançando a porta rapidamente.

—Thomas, aonde vais? – questiona-me, sentada sobre o colchão a olhar-me, confusa.

—Lugar nenhum – respondo, girando a chave na fechadura – Apenas garantindo que certo pirralho curioso adentre nosso quarto novamente sem ser chamado! — relembro, retornando a cama e ambos rimos.

—Bem lembrando – diz, ficando séria – Não zangou-se por haver exposto nossa intimidade a senhora Smoak, zangou-se? – quer saber.

—Depois do resultado de tal conversa? Não mesmo!! – asseguro, puxando-a para mim de surpresa, fazendo com que soltasse um gritinho curto – Além do mais, Mama é de confiança – afirmo, olhando-a intensamente antes de me apossar de seus lábios uma vez mais – Céus, como seu gosto é bom! Poderia beijá-la indefinidamente sem nunca me enjoar!! – declaro, fazendo-a deitar-se, cobrindo-a com meu corpo, um novo e mais intenso beijo deixando-nos sem ar ao final.

—A-apenas beijar-me? – indaga, deixando-me confuso – Disse que poderia beijar-me indefinidamente. Apenas isto deseja de mim? – questiona, deliciosamente atrevida, o rosto afogueado pelo ar ainda em falta.

—Não – respondo, deslizando meus olhos por seu corpo – Na verdade....- começo, detendo-me em seus olhos – Pensava se estaria disposta amar-nos novamente – sugiro, já a abrir-lhe os botões do vestido – Mas apenas se assim o quiser – digo, inclinando-me para beijar-lhe o colo macio no limite imposto-me pelo decote, demorando-me na caricia ousada antes de ergue meu olhar, reencontrando o seu, tão turvos quanto os meus deveriam estar – Minha esposa o quer?? – pergunto embora adivinhasse a resposta.

—Sim. Eu quero meu marido! – responde e sorrio, erguendo-me o suficiente para despir a camisa sob seu olhar desejoso, reflexo do meu, beijando-a ardentemente antes de ajudá-la a despir-se, fazendo o mesmo logo a seguir, enfiando-me sob o cobertor em sua companhia, amando-a mais uma vez.

*** Narrador (20:33 p.m) ***

—Ah, que alívio chegar finalmente em casa! – Rebeca Merlyn exclama, adentrando a residência pela cozinha, as duas jovens aias, cada uma a segurar um bebê, e a governanta, trazendo o pequeno Davi no colo, a seguindo de perto – O dia foi agradável, divertido, proveitoso, porém extremamente cansativo. Tudo que desejo agora é banhar-me, jantar e dormir como se não houvesse amanhã – declara, animada, as garotas rindo minimamente – Judith, por favor leve Davi para o quarto. Decerto irá tirar a noite de um sono posto que comeu como um louco! Fome não sentirá tão cedo – pede, a mulher fazendo uma rápida mesura antes fazer o que lhe fora ordenado – Podem colocar a meninas no cercadinho, cá embaixo mesmo. Ainda hei de amamentá-las uma vez mais antes de cear com meu marido – ordena, descalçando as luvas – Quando o fizerem, providenciem água morna para que possa banhá-las. Subirei a buscar os pijamas – acresce, fazendo menção sair, a governanta, que retornava, a impedindo.

—Não é necessário senhora. Trouxe os pijamas das bebês, bem como tudo que precisaremos para o banho – avisa, erguendo ambos os braços de onde pendiam os objetos citados.

—Ah, minha sempre eficiente Judith! Não sei que faria sem sua ajuda – elogia, servindo-se de um copo com água, a governanta rindo gentil, voltando-se para as aias, dando-lhes as ordens para o serviço.

—Annette, pegue a banheira na área aí fora e arme-a no cantinho – indica o local — Adissa, dispa-as, com cuidado enquanto amorno um pouco d’água para... – estanca, retendo o ar, trocando um olhar cúmplice com a jovem aia, esta abaixando a vista, espremendo os lábios a fim de conter o riso.

—Que barulho foi este?? – Rebeca pergunta, sobressaltando-se ao escutar o som novamente, erguendo o rosto para o teto enquanto caminha em direção a sala – Esta vindo do andar de cima!! – exclama, aguçando os ouvidos.

—Parece algo sendo arrastado senhora – Annette comenta, parada no pórtico entre a cozinha e a sala, franzindo a testa ao escutar o som outra vez – Ou rangendo e batendo n’algum lugar – corrige-se – E parece estar vindo d’algum quarto! – insinua, fazendo Rebeca voltar-se ligeiro, encarando a governanta desconfiada.

—Judith, com a pressa em evitarmos a chuva esqueci-me de perguntar-lhe: meu filho e minha nora, aonde estão que não foram a nosso encontro?? – quer saber, arqueando a sobrancelha ao notar tanto a mais velha quanto Adissa corarem – Eles... já se encontram em casa, por um acaso? – inquire, fechando os olhos e puxando o ar com força ao escutar o mesmo ruído repetir-se – Judith...

—O senhor Thomas chegou no meio da tarde. Houve algum problema no armazém e foi liberado mais cedo – começa dizer, cortando a patroa, que a observa atentamente, entrelaçando os dedos – A jovem senhora chegou pouco depois, apressada, e subiu diretamente para o quarto...aonde o jovem senhor Merlyn já estava.... aonde os deixamos ao sair... — faz uma pausa curta – E aonde suponho ainda estejam desde então – conclui, Adissa girando nos calcanhares, retornando ao cercadinho onde pusera as bebês, cruzando com Malcom Merlyn, que entrava carregando uma caixa.

—Beca, onde quer que ponha isto? – pergunta o empresário, encarando a esposa – Que há? Algo errado acontecendo em casa? – questiona, voltando-se para a governanta, que nega com um gesto de cabeça – Por que estas caras então? – interroga, erguendo o olhar para o teto ao escutar o ranger agudo – Mas o que está a acontecer?? — interroga.

—Seu filho e a esposa, é isto que está a acontecer Malcom!! – Rebeca exclama, brava, sinalizando a governanta que os deixasse, esta obedecendo de imediato.

—Nosso Filho e Nossa Nora? – indaga, enfatizando cada palavra – Não entendo. Que tem eles? – questiona, pondo a pesada caixa sobre o aparador dando total atenção a esposa.

—Tem que Thomas chegou mais cedo da lida e esposa pouco depois, segundo Judith informou-me. Ambos subiram para o quarto e estão por lá até estas horas!! – bufa, abrindo boca e olhos ao escutar novos sons – Isto foram...

—Foram o que pareceram ser e não preciso que nomeie, Beca – Malcom corta-a, erguendo a mão, olhando o teto ao escutar mais rangidos.

—Malcom, faça alguma coisa!! – protesta Rebeca, batendo o pé.

—Como?? Fazer alguma coisa tipo...?? – retruca ele, abrindo os braços, tentando não rir.

—Tipo alguma coisa, oras!! – exaspera-se – Bata a porta, reclame, use sua autoridade de pai...qualquer coisa contanto que os faça parar ou ao menos silenciarem!! – enumera, pegando-o pelo braço, arrastando-o até a escadaria – E pare de rir!! – reclama.

—Não estou...- Malcom tenta argumentar, desistindo ante o olhar ameaçador da esposa, que bufa ao ouvir novos gemidos, apontando o andar superior da casa – Estou indo. Já estou indo!! – exclama o empresário, subindo rapidamente os degraus, caminhando a passos largos pelo corredor até parar diante da porta do quarto do filho, escutando por um breve segundo – Até que enfim algum sinal de vida neste quarto! – murmura para si mesmo, não disfarçando o riso satisfeito, sacudindo a cabeça ao lembrar da esposa no andar de baixo – Como se fôramos diferente!! – relembra, batendo com firmeza a porta – Thomas, chegamos – avisa, sentindo-se ridículo, aguardando resposta.

< Certo meu pai > ouve, sustentando a vontade de rir ante a evidente falta de ar que transparece na fala do filho.

—Iremos nos banhar, sua mãe e eu, e depois os aguardamos na sala para a ceia. Tenho novidades filho. Ótimas novidades – anuncia, tamborilando os dedos na perna enquanto espera-o responder.

< Sim senhor > é a resposta curta que recebe, abrindo um sorriso divertido ao escutar parte da bronca que a nora dá no filho, fazendo o caminho de volta para a sala em busca da esposa, seguindo as vozes em direção a cozinha quando não a encontra.

—Perdoe-me senhora, deveria ter avisado ao senhor Thomas antes de sair, mas é que... bem, senti-me desconfortável em fazê-lo – ouve a governanta justificar-se.

—Acalme-se senhora Stone. Não há do que sentir-se culpada – Malcom adianta-se em dizer, chamando atenção de todos para si – A bem do que, mais dia menos dia iriamos passar por isto. Aliás, penso que demorou por demais em...

—Annette, leve as meninas para cima por favor, e depois providencie acomodações para a senhorita Adissa. Ela pernoitara conosco e não aceito recusas – adverte, cortando o protesto que a jovem aia ensaiava, entregando a bebê que segurava a garota – Judith, poderia pedir ao senhor Miller que providenciasse água para nosso banho? – solicita, a governanta fazendo uma breve reverência antes de sair – Malcom Merlyn, acaso perdeu o juízo?? – inquire tão logo são deixados a sós, fuzilando-o com o olhar – Como pôde fazer um comentário tão sem proposito em frente os empregados? Por mais que estejam conosco a anos e nos sejam fiéis, este é o tipo de coisa que não se comenta – ralha, estapeando o marido ao vê-lo rir –E não ria!! Este assunto é deveras sério meu marido – ratifica – E se o senhor não preocupa-se com o que podem dizer de nosso filho, eu preocupo-me – acusa, cruzando os braços, brava.

—Evidente que preocupo-me. É meu único filho homem. Meu varão!! – afirma tranquilamente, levando um punhado de amendoins torrados a boca – E justamente por isto estou feliz – justifica-se, explicando-se ante o olhar inquisidor da esposa – Beca, não era você mesma a comentar comigo, noutro dia, o quão estranho o casamento de nosso filho parecia ser? Não estava a reclamar que, pelo andar da carruagem, os netos custariam a vir posto que não escutarmos um só ruído vindo lá de dentro? – relembra, erguendo os braços para defender-se dos tapas desferidos pela esposa.

—E precisavam romper o silencio duma só vez? Numa única tarde? – resmunga, fazendo bico – Tem noção do quão constrangedor foi escutar certos...sons em plena tarde?? – inquere, encarando o marido, séria.

—Já é noite – Malcom rebate fazendo-a rolar os olhos.

—Mas não era quando começaram! – insiste, encarando-o, séria.

—A senhora Stone reclamou, é por isto sua zanga? – quer saber.

—Evidente que nossa boa Judith não reclamou. Nem Adissa, coitada. Veio pedir abrigo por uma noite e se depara com...com.... – gesticula, zangando-se ao vê-lo rir novamente – Malcom, gostaria muito que levasse este assunto a sério!! Já imaginou como será doravante agora que eles resolveram...se soltar?? – questiona-o, exasperada.

—Meu bem, sabíamos ser este um risco que corríamos ao trazê-los para morar conosco. São jovens, apaixonados e nem sempre é possível controlar o entusiasmo – argumenta – Acaso esqueceu-se de como erámos quando casamos? – relembra – Aliás, como somos ainda hoje!! – corrige-se, mexendo as sobrancelhas sugestivamente, conseguindo arrancar um sorriso discreto da esposa – Eu sei que deverá ser um pouco incômodo para nós como para eles também decerto o é – pondera – Ter de ouvir certas coisas, mas faz parte. Meus pais passaram pelo mesmo lembra? – compara.

—Lógico!! – Rebeca exclama – Inclusive foi está mesma cama a causa de minha vergonha no dia seguinte a nossa noite de núpcias! – lembra – O maldito ranger foi escutado por todos em casa de meus sogros!! – bufa, batendo o pé – Até parece que vossa mãe fez de propósito só para me deixar sem graça – acusa, Malcom soltando uma gargalhada, puxando-a para si.

—Muito provavelmente o fez, mas não pelas razões que supõe – diz ele, roubando-lhe um beijo.

—Mesmo?? E por quais seriam então?? – quer saber Rebeca, virando o rosto quando tenta beijá-la novamente, escondendo o riso divertido por tabela.

—Para certificar-se que cumpriria seu papel de esposa e eu o meu de marido e já estávamos a providenciar-lhe netos!– afirma, fazendo com que ela o encarasse, surpresa — E certamente cumpria ordens de meu pai. Fez o mesmo a meu irmão. Com outra cama, claro – revela, ficando sério de repente – Deixando as lembranças de lado, há algo bem mais preocupante nesta situação – afirma, pensativo – Se estavam a controlar-se, e ai seriam merecedores de um prêmio – brinca, rindo sem vontade – Se estavam a controlar-se em dar vazão ao que sentiam e aguardavam ficarem a sós para extravasarem, ou realmente são silenciosos e hoje foi uma exceção, menos mal posto que, em qualquer dos casos, por mais estranho e fora do comum que fosse, o casamento estaria sendo consumado como se deve, diariamente. O normal a um casal jovem e apaixonado – repete, encarando a esposa – Agora, se todo aquele silencio tinha outro motivo que não timidez, nosso filho estaria em sérios apuros! – exclama, uma ruga de preocupação formando-se entre seus olhos.

—Como assim em apuros? Por qual motivo? – Rebeca pergunta, preocupada, o marido demorando-se um segundo para dar-lhe a resposta.

—Temo que Thomas tenha nos faltado com a verdade quando disse haver-se deitado com esta moça – responde, deixando-a tensa.

—Como pode ser isto? Não disse-me que ele respondeu todas as perguntas feitas pelo senhor Snow? – questiona, Malcom acenando afirmativamente – Então como se o faz possível que tenha mentido? E quanto a senhora Snow? Ela atirou o pobre moça no prostibulo sem pestanejar por julgar haver-se entregue a nosso filho!! E quanto nossa nora, por qual razão corroborou?? — inquire

—Amor – Malcom responde, massageando o queixo – Amor é a única explicação que vejo caso tenham, ambos, terem nos faltado com a verdade tendo planejado ou não – presume – A menina estava para ser entregue a outro. Dom já havia recusado o pedido de Thomas em fazer-lhe a corte. Talvez fora esta a única saída a verem para ficarem juntos – conclui.

—Mentir perante nós e os pais dela? Perante os amigos que arriscaram-se indo em seu socorro, perante a sociedade sabendo haverem consequências sérias para ambos?? – interroga, balançando a cabeça, confusa – Malcom, o que fizeram... se fizeram... Thomas poderia ficar preso por anos a fio e ela ser obrigada a deitar-se com... poderia... iria tornar-se uma rameira!!! Como puderam arriscar-se tanto??- exaspera-se, a princípio, deixando os braços caírem pesadamente al longo do corpo – E tudo por um ódio que sequer sabemos donde vem!! – entristece-se, ambos silenciando, o som de vozes vindas tanto da sala quanto do quintal fazendo-os saírem da inércia.

—Este assunto pode esperar. Por hora, desejo saber a verdade sobre esta união – declara, tencionando levantar-se, a esposa o impedindo.

—Espere meu marido. Não os coloquemos contra a parede com acusações – pede, ouvindo o filho brincar com as irmãs – Deixemos que sejam eles a nos contarem o que de fato aconteceu, se aconteceu, está bem? – sugere, sorrindo carinhosamente ao vislumbrar Caitlin segurando a neném – Afeiçoei-me a menina. É doce, carinhosa, prestativa e gentil. E ama nosso filho – enumera – Mesmo que tenham nos faltado com a verdade, é perdoável, afinal, Thomas tentou fazer o certo, não é mesmo? – defende-o, o marido respirando profundamente, refletindo um segundo antes de responder.

—Farei o que me pede por hora, minha esposa – concorda, levantando-se – Mas desejo esclarecer os fatos até para poder defender nosso filho, caso se faça necessário – argumenta, conduzindo-a ao encontro do jovem casal, guardando para si os temores relacionados a possíveis consequências que o filho ainda poderia enfrentar caso suas suspeitas viessem a se confirmar e por fatalidade algum dos envolvidos descobrisse...Uma coisa é certo: não permitirei ninguém prejudicar ou maltratar meu filho e minha nora. É questão de honra protegê-los doravante!! , determina em sua mente.

"...Oh, I just can't get enough;

How much do I need to fill me up?

It's feel so good it must be love;

it's everything that I've been dreaming of;

I give up, I give in, I let go, let's begin;

Cause no matter what I do;

Oh , oh, my heart is filled with you..."

Notas finais
Até breve. Bjinhos flores