O príncipe e a feiticeira
1 Capítulo 1 - Fogo e gelo não se misturam?
Notas iniciais
“The world can be a nasty place;
You know, I konw it, yeah;
We don’t have to fall from grace;
Put down the weapons you fight with;
And kill ‘em with kindness;
Kill ‘em with kindness;
Kill ‘em, kill ‘em, kill ‘em, kill ‘em with kindness;
Kill ‘em with kindness;
Kill ‘em with kindness;
Go ahead, go ahead go ahead now...”
Kill ‘Em With Kindness
Selena Gomez
Arredores do reino Unido (sábado, 4:55 a.m)
Narrador
—Minerva, apareça!! – o jovem príncipe chama, erguendo-se em seu cavalo, olhando a volta – Minnie, por favor! – implora, estreitando os olhos ao detectar movimento num arbusto alguns metros a sua frente – Felicity, Thea e lady Reese estão preocupadas – diz, rindo com o canto da boca — Até mesmo Tommy e Sara estão e sabe como eles são: nada os tira do sério! – brinca o loiro, o som baixo do riso infantil dando-lhe a certeza de haver atingido seu objetivo.
—Apenas por estar realmente preocupado e ser uma boa causa, irei desconsiderar sua observação desrespeitosa acerca de minha pessoa, meu caro Ollie! – o moreno afirma, parando ao lado deste, apoiando ambos os braços sobre a sela, olhando-o torto.
—Oh, perdoe-me alteza, não pretendia lhe ferir os sentimentos! – prossegue Oliver, o moreno a seu lado enrugando o nariz numa careta de desagrado.
—Agora sim feriu-me de fato!!– exagera Thomas, levando as duas mãos ao peito, sobre o coração, fingindo que cairia do cavalo.
—Não sei por que se nada disse além da verdade!! – a voz infantil exclama, fazendo ambos rirem satisfeitos, desapeando e caminhando até o arbusto diante deles, cruzando os braços em paciente espera.
—Não iremos embora sem você Minnie – Oliver avisa após algum tempo sem que a menina deixasse seu esconderijo.
—Temos o dia inteiro pela frente – Thomas completa, rolando os olhos ao escutar o bufar impaciente a suas costas.
—Não temos não, como bem sabem, vossa Alteza – o chefe da guarda real, John Diggle resmunga – É aniversário da rainha e o palácio está uma correria louca. Decerto o rei não ficara nada satisfeito em saber que nos ausentamos, por mais justo que tenha sido o motivo – discursa, uma lufada de vento mais forte seguida de um ruído baixo e agudo o pondo em alerta – Além do que, estamos muito distantes das muralhas do palácio. Não é seguro aqui – alerta, sinalizando a um dos guardas avançar alguns metros.
—E somente agora que percebeu isto!! – Barry Allen, filho de um dos alquimistas do reino reclama, olhando a volta, tenso – Não estou gostando nadinha deste lugar. Podemos ir embora? – interroga, a sensação de aflição o tomando de súbito.
—Não sem nossa pequena bruxinha!! – Tommy brinca, agachando-se – Minnie, saia por favor. Aquelas pessoas são idiotas. Sabe que a amamos do jeitinho que é não sabe? – inquire, a garotinha esticando o pescoço por entre uma fresta entre o emaranhado de folhas e galhos, olhando-os em dúvida.
—Mesmo? – devolve, mordendo o dedinho, os olhos brilhantes da cor de magenta destacando-se na pele alva.
—Mesmo – Oliver garante, sorridente, apoiando a mão no cabo de sua espada.
—Mesmo que eu tenha destruído seus escudos prediletos e entortado suas espadas? – questiona a menina, aparecendo um pouco mais – Ainda que tenha quebrado o anel de noivado que deu a Felicity sem querer ou amassado as tiaras das gêmeas ou ainda posto a perder uma fórmula ou duas de sir Allen? – acresce, Barry sobressaltando-se.
—Foi você que estourou o artefato de meu pai provocando o pequeno incêndio no laboratório? – inquire Barry, boquiaberto.
—Fez tudo isto em uma única tarde? – Sir Thawne pergunta, arqueando a sobrancelha ao vê-la confirma com um aceno, baixando o olhar, temerosa – Uau!! – limita-se dizer o loiro, coçando o pescoço.
—Ainda que tivesse posto fogo em algum cômodo do palácio a amaríamos pequena! – Tommy assegura, sorrindo-lhe.
—Não seria a gêmea número dois a ter atração por fogo? – Sir West indaga em tom divertido.
—Agatha não. É Scarlett – Minerva o corrige, aparecendo finalmente, olhando-os ainda temerosa – E quanto aos outros, não me odeiam? Ouvi chamarem-me de monstro por ...
—Quem disse isto? Diga-nos e será castigado – Oliver esbraveja, sério.
—Ollie, estamos querendo que volte conosco, não a assustar mais – Tommy admoesta-o, indicando a expressão de pavor no rosto da menina ao mesmo tempo em que sente o colete de ferro oprimindo seu peito, os demais demonstrando o mesmo incomodo.
—Desculpe-me anjo, não quis dizer isto – apressa-se em dizer o loiro, agachando-se também – Apenas zanguei-me em saber que alguém a destratou de tal maneira – afirma, esticando o braço em direção a ela – Venha aqui pequena – convida, a menina hesitando antes de o atender, segurando a mão que lhe era oferecida – Ter poderes não é uma maldição e sim uma dádiva. Não deve temê-los e sim aprender usá-los a fim de evitar acidentes – diz, carinhoso, arrumando uma mecha ruiva para trás da orelha dela.
—Mas não quero ter poderes!! As pessoas olham-me estranho, têm medo de mim – confidencia, chorosa.
—Porque não a conhecem direito – Tommy diz, afagando-lhe o rostinho ainda úmido pelas lágrimas derramadas – Temos, todos nós, tendência a temer o que desconhecemos. Veja sir Allen, o pai não nosso amigo aqui – indica Barry com um gesto de cabeça – E sir Goodwin. Várias pessoas os temem por mexerem com fórmulas e porções entre outras coisas – lembra – E quanto a, perdoem-me todas as damas, falecidas ou não, por usar este termo ao me referir a loira em questão... – pede antecipadamente, deixando Oliver e Minerva confusos – Lady Sara Lance – cita, fazendo ambos e o demais rirem ao entenderem a referência – Quantos a temem mesmo sendo ela uma...dama!?! – brinca, a gargalhada da menina trazendo alívio aos presentes. De diversas formas – O que estou a dizer meu bem, é que todos somos temidos de alguma forma e por vezes vistos como monstros, tendo poderes especiais, como os seus, ou não, no entanto não o somos – frisa, ganhando um largo sorriso.
—Alguns o são sim – sir Thawne comenta baixinho junto a sir Diggle, que anui, atento a tudo a volta deles, uma sensação ruim o tomando – Está sentindo, não é? Essa sensação de estar sendo observado – sir Thawne indaga, voltando-se para Barry e outro guarda, que olhavam em volta, desconfiados – E não somos os únicos.
—Notei – sir John diz, fazendo seu cavalo adiantar duas passadas, estreitando os olhos.
—Mas serei castigada, não serei? – pergunta a garotinha, fazendo bico.
—Apenas sobre nossos cadáveres!! – dizem os príncipes ao mesmo tempo, a menina abrindo novo e largo sorriso.
—Então eu vou! – decide-se ela, atirando-se ao pescoço do loiro, que se acalma.
—Altezas, se já resolveram tudo, devemos ir. O dia não tarda raiar e seria aconselhável estarmos de volta ao palácio e a segurança dos muros o mais rapidamente que nos for possível– Joe West sugere, sinalizando ao guarda ir em auxílio aos príncipes, este desapeando e obedecendo, postando-se a direita de Oliver.
—E também evitar aos regentes e reis saberem desta nossa pequena...aventura – Diggle lembra, piscando para a menina, que abaixa a vista, encabulada.
—Desculpa ter causado problema – pede a garotinha.
—Você não causou nada fadinha – Oliver afirma, levantando-se, Tommy fazendo o mesmo – Aqueles que a destrataram que foram responsáveis por...
—FLECHAS!! – o grito de alerta corta-o, o guarda pondo-se a frente de seus soberanos com o escudo erguido, evitando a maioria das flechas negras que caem como chuva sobre o grupo.
—Todos bem? – John quer saber tão logo o ataque inesperado cessa, olhando em volta, direcionando sua atenção aos príncipes – Altezas??? – inquire ao mesmo tempo em que desapeia, indo até eles, o alerta de Barry vindo antes de os alcançar.
—TOMMY!! – grita o jovem, saltando ao chão – Tommy foi atingido!! – indica o ombro do príncipe fazendo Oliver voltar-se para o amigo a seu lado, retendo o ar ao ver a flecha negra caprichosamente cravada no ínfimo espaço entre o ombro e a armadura do moreno, que se ajoelha lentamente com expressão de dor.
Antes que qualquer um pudesse fazer ou dizer algo, novo alerta é dado.
—FLECHAS!! – grita o mesmo guarda, desta feita todos unindo-se em formação, erguendo escudos de maneira a formarem uma proteção, evitando mais alguém ser atingido.
—De onde estão vindo? – Thawne questiona, cerrando os punhos ao ver os corpos de dois guardas atingidos no primeiro ataque – Malditos!! – esbraveja, erguendo-se juntamente com Oliver, que pusera a pequena Minerva no chão imediatamente a suas costas, protegendo-a com seu corpo, Barry e outro guarda tão logo as flechas param de cair, tomando seus arcos em mãos e disparando diversas vezes em direções diferentes, um grito sendo ouvido não muito distante de onde encontravam-se.
—Estamos vulneráveis. Precisamos buscar abrigo – Diggle racionaliza, protegendo Tommy enquanto olha a volta a procura de um lugar para se protegerem, seu sangue gelando ao ver a figura fantasmagórica aparecer próxima ao guarda morto – Savage! – rosna o chefe da guarda real, chamando atenção de ambos príncipes.
—Savage? Então as lendas são verdadeiras? – inquire Tommy, sustentando o braço que começava ficar dormente, uma careta de dor sendo perceptível em seu rosto.
—Pensei que fora exilado – Oliver expressa, pondo seu arco em mãos, retirando nova flecha da aljava, a postos para disparar a qualquer momento.
—Essas vozes!?! Não pode ser!! – Savage vocifera, voltando atenção a eles, o cenho enrugado – Deveriam estar velhos a esta altura. Acaso os malditos elfos os beneficiaram com alguma dádiva? Ou seus alquimistas descobriram algum elixir de longevidade? – interroga mais para si mesmo, abrindo bem os olhos ao fitar o loiro e o moreno alguns metros a sua frente – Vocês não são eles.... Não ... Não são – diz, farejando o ar – Mas têm o sangue deles!! – exclama, um brilho maléfico no olhar – Filhos. Herdeiros – desvenda, rindo acintosamente – Ora vejam só! Os deuses finalmente me favoreceram pondo em minhas mãos a chance de vingança contra dois de meus algozes! – declara, satisfeito.
—Temos de proteger os príncipes – sir Thawne diz em tom baixo, os olhos sagazes buscando por rotas de fuga, o mago rindo alto uma vez mais.
—Não há para onde fugir. Estão em campo aberto meu caro! – anuncia, abrindo os braços – A caverna mais perto encontra-se cerca de quatrocentos metros naquela direção – indica um ponto distante a sua esquerda – Se acha que consegue ser mais rápido que flechas, carregando seus mortos e um ferido, vá em frente. Divirta-me!! – desdenha, exibindo todos os dentes em desafio, Thawne tencionando atacá-lo.
—É isto que ele quer. Separar-nos – West adverte, retendo-o – Teremos mais chance se ficarmos juntos – afirma.
—Não têm chance alguma meu caro! Estão cercados, caso não tenha notado ainda, e seu precioso príncipe foi atingido por uma de minhas flechas envenenadas. Muito em breve definhara lenta e dolorosamente, até morrer – anuncia, esfregando as mãos – Mas não fiquem tristes. Pegaram-me num dia generoso. Irie abreviar o sofrimento dele.... e o vosso!! – afirma, erguendo a mão e ao fazê-lo seus arqueiros disparam sem aviso prévio, mago abrindo a boca, estupefato, quando a chuva de flehas é retida em pleno ar – Mas o quê.... – inclina-se de um lado para o outro até visualizar a garotinha ruiva de mãos erguidas e expressão assustada – Ora... ora...ora... o que temos aqui!! – abaixa-se até ficar da altura da menina, rindo com o canto da boca – Então agora os monarcas fazem uso de magos e feiticeiras? – questiona, olhando-a atentamente – Não é muito jovem para tal?? – inquere, massageando o queixo por cima da barba.
—Não fazemos uso de pessoas, tenham elas poderes ou não. Não somos como você! – Tommy declara, revoltado, inclinando o corpo quando a dor o acomete acabando por cair de joelhos sendo prontamente amparado por Oliver, este largando seu arco.
—Tommy! – exclama, o temor estampado em sua face ao amparar o amigo – Aguente firme – pede, dirigindo um olhar tenso a Diggle e outro preocupado a Minerva, que esforçava-se em impedir os artefatos caírem sobre eles – Precisamos protegê-los. Aos dois – determina, John anuindo com um gesto, pondo-se em posição de defesa a menina enquanto West e Thawne reagrupam os guardas em volta de Tommy e Oliver, que tenta erguer-se.
—Não, meu príncipe. Permaneça aonde está. Poderemos proteger a todos um pouco melhor se ficarmos nestas posições – pede o guarda que alertara do ataque.
—Proteger? Acha mesmo que pode proteger seus soberanos com estes ridículos escudos? Ou estará pondo sua fé nesta garotinha medrosa que mal consegue manter-se de pé!! – ironiza, passando a falar com a mesma de maneira sedutora – Escute minha pequena preciosidade, que acha de deixar estes seres desagradáveis que desejam apenas usufruir de seus poderes e...
—Sir Dig, que é usufruir?? – a menina pergunta, franzindo o cenho, encarando o chefe da guarda sem descuidar das flechas.
—Quer dizer usar algo ou alguém em proveito próprio – explica o homem, rindo minimamente ao notar a confusão no rostinho vermelho pelo esforço – Significa fazer você trabalhar para nós sem nada lhe dar em troca ou como se isto lhe fosse uma obrigação apenas por sermos seus superiores, entende? – indaga.
—Sim – responde a menina, dando atenção ao mago novamente – Não sou obrigada trabalhar pra ninguém!! Sou irmã deles!! – declara a garotinha, emocionando os príncipes.
—Mesmo? Foi isto que disseram? Então mora num palácio como uma princesa de ...
—Moro sim!! – afirma a menina, sorridente, desbancando o mago..., mas irritando-o também.
—Neste caso, ficará feliz em morrer com seus.... irmãos – ameaça, sinalizando seus arqueiros prepararem-se para nova saraivada de flechas – Vejamos do que é capaz menininha! – desafia, fazendo-a tremer.
—Dig.... — chama a garotinha em busca de apoio.
—Estamos aqui meu bem – apoia-a, segurando seus ombros pequenos.
—Minnie, nada que acontecer aqui será sua culpa está ouvindo? – Tommy declara, sorrindo-lhe fraco, enrugando o cenho, confuso, ao soltar o ar com mais força, o gesto provocando “fumaça” – O que está acontecendo Ollie? – inquire o moreno.
—Eu...não sei – assume o loiro, soprando o ar, olhando em volta, vendo o mesmo efeito repetir-se quando os demais respiram.
—Estão sentindo? – inquire a garotinha, relaxando minimamente – É como se o inverno estivesse chegando! – exclama, baixando as mãos quando uma forte lufada de vento gélido arremessa longe a ameaça das flechas.
—Não foi o inverno que chegou... foi a morte branca!! – o guarda exclama, soltando ar que reitera nos pulmões, o medo expressando-se em sua face.
—Ohhh.... Droga!! – Savage bufa, olhando seus homens, irritando-se ao notar que alguns já recuavam discretamente, ameaçando correr– Covardes! – rosna, a voz imperiosa ecoando através do ar em conjunto com mais vento
—Como ousa adentrar meus domínios mago?? – questiona a feiticeira, o vento soprando mais forte.
—Primeiramente, bom dia Frost! Bom vê-la, melhor dizendo, ouvi-la novamente – ironiza o mago, estreitando os olhos na tentativa de visualizá-la – Em segundo lugar...Como assim Eu adentrei seus domínios? E quanto a eles? Estavam aqui antes de mim. Irrite-se com eles antes!! – protesta de maneira infantil, fazendo com que os príncipes e seus guardas trocassem um olhar divertido mesmo em meio a situação na qual encontravam-se.
—Não os vi ameaçando uma criança com o fez, mago – contesta a feiticeira, sua voz trazendo mais vento e neve.
—Então este é o problema? – inquire — Não ameacei criança alguma, ameacei pequenina? – Savage comete o erro de perguntar, olhando de maneira fingidamente gentil para a menina.
—Ameaçou sim – responde Minerva, de pronto – E assustou também!! – reclama ela, agarrando-se a perna de Diggle – E machucou meu irmão – acusa.
—Ora sua pequena diabinha! – Savage rosna, fazendo menção ir até ela, a ventania intensificando-se até tomar a forma de uma nevasca forte que vai aumentando, gradativamente.
Pesados flocos de neve caem sobre os homens e animais acompanhados por vento intenso, obrigando-os agarrarem-se uns aos outros a fim de não serem arrastados. Logo o chão começa a ficar fofo, a neve acumulando-se sobre os corpos encurvados, o frio fazendo-os tremerem.
Assustados, a maioria dos capangas de Savage bate em retirada, provocando sua ira expressa em forma de xingamentos e palavrões que se perdem na medida em que o próprio vê-se obrigado a recuar diante da força da tempestade.
—Nos encontraremos outras vezes feiticeira. E neste dia irá arrepender-se de haver-se intrometido em meu caminho! – ameaça, tentando em vão vê-la mais uma vez – O mesmo vale para vocês meus caros príncipes. De uma próxima não serei tão piedoso...Se houver uma próxima! – insinua, o riso sarcástico perdendo-se lentamente em meio ao uivar do vento.
—Alteza, temos de nos abrigar ou morremos, todos, de frio! Além de que o príncipe Thomas carece de cuidados urgentes!! – Eddie discursa junto ao ouvido de Oliver, que anui com um menear, forçando a vista em direção sudoeste.
—Savage mencionou uma caverna para lá – relembra – Temos de tentar chegar no lugar se quisermos sobreviver a ...- seu raciocínio sendo cortado pelo pedido infantil.
—Feiticeira, por favor nos ajude! Se meu irmão morrer a culpa terá sido minha. Veio a minha procura e por isso foi ferido – argumenta a menina olhando fixamente para o mesmo ponto que Thomas – Por favor, não o deixe morrer por minha causa! – implora a pequena com lágrimas nos olhos, a tempestade cessando quase que imediatamente, para surpresa dos homens.
—Sigam a trilha e encontrarão ajuda para salvá-lo – ordena a feiticeira sem mostrar-se, instantes antes de a nevasca dissipar completamente, restando apenas a neve acumulada sobre e a volta deles.
—Onde ela está? A feiticeira, onde está? E sobre qual trilha falava? – Barry questiona, espantado, olhando em todas direções tão logo consegue erguer-se.
—Aquela trilha – John indica, surpreso, o único caminho livre de neve nas redondezas, seguindo reto a direita de onde estavam – Quanto a feiticeira.... não a vi em momento algum. Apenas senti sua presença e não somente pela neve e frio – relata, ajudando Tommy erguer-se, Oliver e os demais levantando-se aos poucos – Sigamos a trilha – comanda, apoiando o príncipe.
—Devemos confiar em alguém cuja alcunha é morte branca?? – Thawne questiona, admirando-se ao notar a calma aparente de suas montarias que em momento algum tentaram fugir.
—Não temos escolha. Tommy precisa de ajudar e não podemos arriscar cavalgar até o palácio sem retirar a flecha e tratar o ferimento – Oliver pondera, estendendo a mão a Minerva – Venha pequena – convida, a menina obedecendo, deixando-se pôr sobre a cela – Joe, siga a frente com Barry. Eddie e Scott, na retaguarda. Paul, a nossa esquerda. Seguirei com Diggle, Tommy e Minerva, ao centro – ordena o príncipe, sendo prontamente obedecido – Consegue levá-lo John? – quer saber ao ver o chefe da guarda balançar.
—Sim, alteza. Estava apenas retirando suas armas e o posicionando melhor a fim de diminuir a dor – explica, entregando a espada e o arco de Tommy ao guarda Paul – Sigamos em frente – comanda, o grupo iniciando a caminhada através do vale, seguindo pela trilha demarcada na neve, que persistia firme apesar de o sol já haver despontado.
—O sol nasceu e sequer notamos – o guarda Scott comenta, segurando as rédeas de seu cavalo e do de Tommy, enrugando cenho – Apenas eu estou a achar estranho a neve não estar a derreter? — inquire
—Não – responde o grupo em uníssono.
—Eu a vi – Minerva diz de repente, Oliver olhando-a confuso – A feiticeira branca, eu a vi assim que se aproximou. Esteve bem perto de onde sir Barry se encontrava. Na verdade, se ele esticasse o braço totalmente a sua direita, a teria tocado – garante a menina.
—Sério?? – Barry pergunta, voltando-se assustado, quase tropeçando em um galho – Como não a vi?? – espanta-se, dirigindo um olhar atônito a Joe, que dá de ombros.
—Em determinados momentos julguei ter visto um vulto passar entre nós e sumir rapidamente – diz o segundo em comando da guarda real – Pensei tratar-se de alguma ilusão causada pelo frio intenso – acresce, atento ao caminho.
—Já eu senti um frio intenso que ia muito além do vento. Parecia cortar-me os ossos!! – guarda Paul exclama, esfregando um braço – Agora entendo por que a chamam de morte branca!! – exclama.
—Se a feiticeira nos quisesse mortos, estaríamos, assim como Savage e seus homens – Eddie diz, sério – Por que não o fez é a grande questão – pondera, reflexivo.
—Não que esteja reclamando! – guarda Scott exclama, provocando risos discretos, aliviando, em parte, o clima tenso.
—Talvez por não a termos ameaçado ou por ter-nos visto desde o início e saber a razão pela qual adentramos seu ... Sabia que ela havia demarcado território Dig? – Oliver pergunta, não o dando tempo responder -Tommy, como está? – quer saber, estranhando o silencio do amigo, que caminhava com dificuldade mesmo contando com o apoio do chefe da guarda.
—Cansado – responde o moreno, ofegante, o suor escorrendo lhe pela face mesmo estando ainda relativamente frio.
—Não seria melhor o colocarmos sobre um cavalo? – Barry sugere, preocupado.
—Não, pode cair e ferir-se mais – John descarta – E caminhar ajuda a mantê-lo desperto. Desmaiar antes de tratarmos o ferimento não será nada bom – acresce – Respondendo sua pergunta alteza, sim, sabia sobre um provável território demarcado pela feiticeira branca. A última patrulha avançada relatara haver escutado boatos acerca disto, porém não verificaram a veracidade por razões óbvias– informa, olhando em volta– Só não percebi que havíamos vindo tão longe – murmura.
—E quem os condenaria por temerem a morte branca? – guarda Paul questiona – Eu é que não!! – completa, fazendo o mesmo que John.
—Nem eu — Oliver anui – Não os condenaria e também não notei havermos distanciado tanto dos murros do palácio – admite, preocupado, buscando com o olhar alguma construção que lhes fosse fornecer socorro a Tommy – Começo a pensar que caímos numa armadilha da bruxa – pensa em voz alta.
—Penso o mesmo – Eddie anui, empertigando-se de repente – Ou talvez não! – retifica-se de repente, indicando a cabana que surgia após uma curva alguns metros a frente – Parece que a feiticeira não mentiu afinal – diz, trocando um olhar preocupado com Oliver.
—Estejam alertas – previne o loiro, deixando seu arco preparado para atirar – Olá. Alguém em casa?? – chama tão logo se aproximam, a porta da cabana abrindo-se quase ao mesmo tempo em que uma jovem aparece do lado esquerdo da mesma carregando uma pequena cesta contendo verduras e folhas consigo, parando ao lado do rapaz alto e magro que saíra de dentro do imóvel ao escutar o chamado – Precisamos de ajuda. Meu amigo foi ferido por uma flecha envenenada – avisa, cobrindo, discretamente, o brasão da família real, John fazendo o mesmo nos trajes de Thomas, os demais imitando-os cuidadosamente – Disseram-nos que aqui encontraríamos ajuda – informa, omitindo quem dera tal informação, parando próximo ao jovem casal, fechando os olhos ao escutar Minerva falar.
—Foi a feiticeira branca quem nos mandou seguir a trilha. Disse que encontraríamos ajuda para meu irmão – declara a menina enquanto Oliver a retirava da cela – Vão ajudá-lo, não é? Por favor senhorita!! – implora, unindo as mãos, os jovens trocando um rápido olhar antes de o rapaz tomar a frente, respondendo.
—Entrem – convida, a jovem precipitando-se ao interior da cabana sem nada dizer, o rapaz, sustentando a porta aberta a fim de permitir-lhes passar.
—Tirem sua armadura e camisa com cuidado. Esperem que prepare o emplasto antes de retirar a flecha – ordena a moça, indicando uma cama no canto da sala, John obedecendo-a tendo Oliver e Eddie a seu lado – Ralph, atice o fogo, esquente água para uma infusão e traga-me compressas limpas – comanda, ele seguindo suas instruções sem pestanejar – Precisamos ser rápidos, o veneno já começa agir – alerta, inclinando-se sobre Tommy tão logo Oliver e John o deitam após despirem parte de suas veste conforme ordenara-lhes, verificando o ferimento com atenção.
Volta-se ligeiro, indo a uma mesa próxima aonde começa macerar algumas folhas que retira da cesta, o cheiro forte e ao mesmo tempo doce espalhando-se pelo cômodo, provocando diferentes reações naqueles que o sentiam.
—Está pronto – anuncia alguns minutos depois, levando o pilão contendo a massa em tom verde e marrom consigo, postando-se ao lado da cama – Podem retirar a flecha– libera, aguardando alguém o fazer.
Sem nada dizer, John aproxima-se, sinalizando a Eddie e Oliver fazerem o mesmo.
—Segurem-no enquanto puxo-a – ordena, posicionando-se, os dois mais jovens postando-se um de cada lado, segurando braços e tronco de Thomas com firmeza – Prontos? – pergunta, ambos acenando afirmativamente – No três – avisa, encarando o príncipe, que anui com um aceno, preparando-se – Três!! – exclama o chefe da guarda, retirando a flecha de ponta negra com um movimento único e preciso, provocando um grito de dor.
—Esqueceu o dois e o um!! – resmunga Thomas enquanto o deitam novamente, Oliver espremendo os lábios num riso discreto.
—Afastam-se por favor – Ralph pede, munido da vasilha com água morna e várias compressas, posicionando-se ao lado da garota, ambos acercando-se do príncipe a fim de cuidar do ferimento.
Compenetrada, a garota senta-se no banquinho que puxara com o pé de sob a cama, molhando a compressa entregue-lhe por Ralph na água morna, limpando o ferimento e seu entorno cuidadosamente, repetindo o gesto mais duas vezes. A seguir, inclina-se mais sobre ele, tapando parte da visão de Oliver e os demais, que observavam a tudo atentamente, espalmando a mão sobre o local atingido durante alguns segundos, a região tornando-se arroxeada como se fora exposta a frio intenso, provocando um curto gemido e certa inquietação por parte de Thomas fazendo com ela cessasse o contato. A seguir, introduz minimamente seu dedo indicador na ferida a fim de retirar qualquer impureza que porventura pudesse conter , provocado novos gemidos e protestos, ignorando-os, repetindo a operação até dar-se por satisfeita.
A seguir, pega uma quantidade generosa do emplasto que preparara, pondo-a sobre o ferimento, fazendo com que parte entrasse no ferimento, espalhando um pouco nas bordas. Põe outra quantidade menor sobre um pedaço de tecido o qual comprime sobre o local, Ralph assumindo seu lugar quando pede enquanto ela desenrola as ataduras. Os dois trabalham juntos, envolvendo parte do ombro e tórax do príncipe num curativo preciso e firme, ambos estancando e olhando em direção a porta de trás da cabana ao escutarem-na ser aberta de supetão, um outro jovem de pele morena e cabelos longos e negros adentrando sem aviso prévio.
—Caitlin, Ralph, não imaginam o que vi nos cam...pos!! – estanca ele, surpreso – Ou talvez imaginem!! Olá – cumprimenta, erguendo a mão, rindo amarelo.
—Ramon, pegue uma caneca com a infusão e traga até aqui – ordena a garota sem dar-lhe chance falar mais alguma coisa, voltando dar atenção a Thomas.
—Certo – anui Ramon, indo rapidamente a um armário, pegando uma caneca onde despeja parte do líquido fumegante e novamente o cheiro forte e doce invade o ambiente, provocando novas reações naqueles que o aspiram – Aqui – diz, entregando-a a Caitlin – Hã.... eles... como vieram parar aqui?? – cochicha ao ouvido de Ralph, olhando do guarda postado a porta de entrada da cabana para suas armas alternadamente, este devolvendo o olhar, desconfiado.
—Adivinha não?!? – devolve Ralph, em tom igualmente baixo.
—Frost?? Sério!?!? – questiona, enrugando o cenho – O que ela...
—Mais infusão – Caitlin interrompe o diálogo sussurrado, olhando-os com dureza, ambos calando-se de imediato.
—Oook!! – exclama Ramon, pegando a caneca, enchendo-a novamente antes de devolver a Caitlin, que faz com que Thomas beba todo o líquido mais uma vez, mesmo ele protestando, para somente então deixá-lo deitar-se.
—O que deveria ser feito o foi. A ferida está limpa e coberta, as ervas já começam agir, a infusão ajudará no combate ao veneno e a febre que certamente terá nos próximos dias, o que é esperado – enumera Caitlin, pondo-se de pé, voltando-se, olhando diretamente para Oliver e John – O curativo deve ser trocado a cada oito horas nos dois primeiros dias e o ferimento limpo com água morna. Este intervalo pode ir aumentando conforme vá melhorando, o mesmo valendo para a infusão que também pode ser usada para lavar o local – recomenda, enxugando as mãos a encará-los, um silencio curto repleto de significados se fazendo presente por algum tempo.
—Perdoe-me Milady, mas entendi erroneamente ou está nos expulsando de vossa residência? – Oliver interroga-a, estreitando os olhos, desconfiado e irritado.
—De forma alguma meu Lord!! – Ralph adianta-se responder, tomando a frente de Caitlin – Minha irmã quis apenas informar, adiantadamente, quais cuidados vosso amigo irá necessitar quando se forem, e que o fizemos agora, nada mais – assegura, sorrindo, simpático – Evidente meus senhores podem permanecer o tempo que desejarem em nossa humilde residência – prontifica-se, fazendo uma reverência exagerada – Perdoem-na se não se fez entender – pede, o encarando, tenso, o loiro o encarando de volta, um novo e incomodo silencio caindo sobre eles.
—Ollie, estou com sede!! – Minerva quebra-o, segurando a mão do loiro, que baixo o olhar para ela – E tenho fome também – acresce a garotinha, corando minimamente.
—Mas que indelicadeza de nossa parte, minha irmã! Não oferecemos nada a nossos hóspedes – Ralph exclama, voltando-se para Caitlin, que arqueia a sobrancelha em resposta.
—Talvez porque estivéssemos ocupados cuidando do ferido?! – indaga ela de volta com certa rudeza, não o dando chance retrucar – Sentem-se, se desejarem. Irei servi-lhes algo para comer e beber – avisa, sorrindo apenas para a menina – Gosta de bolo de frutas pequenina? – pergunta, estendendo-lhe a mão, que prontamente é aceita.
—Sim. Muito Milady – responde a ruivinha, animando-se.
—Bom – diz Caitlin, conduzindo-a a mesa – Ramon, por favor, ponha mais água no fogo para que possa fazer mais chá – pede, ele atendendo-a – Os senhores podem sentarem-se. Meus irmãos e eu iremos servi-los agora – anuncia ela após sentar a garotinha e servir-lhe uma fatia de bolo, voltando assumir uma atitude distante e formal, deixando Oliver intrigado.
—Agradecidos Milady, mas devemos declinar. Está ficando tarde e temos um longo caminho de volta a cidade – John agradece, fazendo uma reverência breve, sinalizando aos guardas saírem.
—Ah John, temos tempo ao menos para uma fatia de bolo e um pouco de chá. Estou faminto e o bolo parece-me delicioso! – Barry protesta – E ainda temos de pensar em uma forma de levar Tommy que não pondo-o sobre um cavalo – acrescenta, sentando-se ao lado de Minerva, aceitando bolo e chá que lhes eram oferecidos – Grato Milady – agradece, dando uma mordida generosa na fatia – Hummm, muito bom – elogia, suspirando.
—Ele não pode cavalgar. Nem hoje nem nos próximos dias – Caitlin adverte, cortando e servindo mais fatias em pratos, Ralph ajudando-a.
—Vê?? Não podemos partir antes de resolver esta questão – diz Barry, satisfeito, aceitando mais bolo e chá – Grato Milady – agradece novamente.
—Barry está certo John. Não podemos ir sem uma forma adequado de levá-lo – Oliver concorda, indo até Tommy, levando a mão a fronte do amigo, preocupado – E como acaba de dizer, temos um longo caminho. Estarmos minimamente alimentados será providencial – acresce, olhando Caitlin – Que tipo de erva é esta que usou? Não lembro de tê-la visto ou mesmo sentido seu cheiro antes – quer saber, pegando uma folha, macerando-a com os dedos, cheirando, o odor exalado fazendo-o recordar-se de manhãs ensolaradas, risos e conversas ao redor da mesa posta em meio aos jardins do palácio.
—Athelas – é a resposta seca que dá-lhe Cait, servindo Joe West, que agradece com um aceno, olhando-a intrigado quando afasta-se.
—Erva do rei!?! – questiona Diggle, surpreso ao vê-la confirmar com um aceno – Pensei que fora extinta anos atrás. Muitos anos atrás – comenta ele.
—Em algumas regiões sim – informa ela, servindo Oliver – Separarei algumas para que levem consigo. Outras ervas podem ser usadas quando ele estiver mais forte. Por hora é preferível usar apenas Athelas – recomenda, fazendo menção afastar-se, sua mão sendo retida por Tommy, que despertara.
Durante longos segundos os dois se encaram sem nada dizer, Caitlin quebrando o vínculo invisível que os prendia pelo olhar, soltando-se delicadamente, sorrindo doce antes de se afastar, saindo pela porta dos fundos em direção ao quintal.
—Quem...é ela? -Tommy sussurra, seguindo-a com o olhar.
—Não deveria estar preocupado com o que te aconteceu ao invés de flertar com uma desconhecida?!? – Oliver questiona-o, rindo com o canto da boca.
—Você me conhece.... não perco ... a chance ... de flertar com uma bela mulher – brinca Tommy, entrecortada mente, rindo sem vontade, a resposta de Oliver adiada pelo retorno de Caitlin.
—Eis aqui uma boa quantidade. Embalarei para que levem – avisa, colocando-as numa sacola de pano, está numa cesta – Porei algumas frutas e um bolo para a viagem – diz, andando de um lado para o outro.
—Além do que, ela parece estar louquinha para livrar-se de nós! – Oliver sussurra junto ao ouvido do amigo, fazendo-o rir minimamente.
—Fazendo novas ....amizades...com seu charme, meu amigo?– provoca-o, seguindo cada passo que a jovem dá com o olhar – O que o leva pensar que deseja...livrar-se de nós? – questiona, dando atenção ao loiro, que faz uma careta de desagrado.
—Talvez porque esta já é a segunda vez que sugere, indiretamente, nossa partida! – exclama, ficando sério no mesmo instante– E reconheço estar certa. Não devemos nos demorar muito. Além da distância, não podemos arriscar um novo encontro com Savage...e ainda temos de buscar os corpos dos guardas mortos – lembra, entristecendo.
—Aquele maldito!! – Tommy xinga, tentando erguer-se, a dor no ombro fazendo-o desistir – Irá pagar por isto, eu juro – afirma, decidido.
—Sim. Mas não agora. Não hoje – Oliver anui, pondo a mão em seu ombro cuidadosamente – E a punição começou ao ser vencido tão facilmente pela Feiticeira – lembra o loiro, rindo divertido – Ficou fulo por ela o haver desbancado tão rapidamente — lembra.
—Eu a vi – Thomas revela, pegando-o de surpresa – A vi perto de Barry – reitera, indo de encontro ao que Minerva dissera – É linda Ollie. Simplesmente linda! – elogia, suspirando.
—Tommy, flertar com uma bela desconhecida é uma coisa. Mas flertar com a morte é outra bem diferente. E perigosa, meu amigo. Muito perigosa – adverte-o, preocupado, a aproximação de Minerva os interrompendo.
—Tommy, acordou. Que bom!! – anima-se a menina, subindo no banquinho, envolvendo o pescoço dele com os braços, beijando-lhe a bochecha – Fiquei com tanto medo que morresse – confessa, deitando a cabeça no ombro do moreno.
—Mas não morri minha pequena. Estou bem, parte graças a você, que não deixou aquele crápula intimidá-la e reteve a segunda tentativa dele em nos atingir – lembra, afagando o cabelo da menina, retribuindo o beijo.
—E a Frost, que o enxotou e nos mandou vir aqui para Caitlin curar você – acrescenta, erguendo-se, olhando em direção a jovem – Ela é linda, não é? Tanto quanto a feiticeira branca – elogia a ruiva, enrugando o nariz ao rir.
—É sim – concorda Tommy, procurando a jovem com o olhar – Caitlin... – repete o nome baixinho, sem deixar de olhá-la.
—Altezas, devemos partir. O dia adianta-se e temos um longo caminho pela frente – adverte John, aproximando-se.
—Está certo – Oliver anui, enrugando o cenho – Como faremos? Tommy não deve cavalgar e temos os corpos...
—Hã...perdoem-me a intromissão, mas não há corpos no campo donde, suponho, vieram – Ramon avisa, aproximando-se cuidadoso – Sei disto porque passei por lá quando a caminho daqui – completa.
—Impossível!! Dois de meus homens caíram em virtude das flechas. Como podem ter-se esvaído como fumaça?? – inquire John, tenso.
—Talvez não estivessem mortos, apenas feridos – supõe Ramon – Podem haver despertado após terem partido e estarem desorientados a vagar po aí. Se quiserem, posso procurá-los – sugere.
—Não se faz necessário. Ordenarei a Scott, Paul e West irem a frente verificar o que diz – dispensa John, desconfiado, voltando-se para Oliver – Meu Lord, devemos partir. Agora – enfatiza.
—Está bem – anui mais uma vez o loiro, respirando profundamente – Thomas cavalgara comigo e você levara Minnie – determina, afastando a menina com carinho, ajudando o moreno a sentar-se.
—Não é recomendável – Caitlin adverte mais uma vez, entregando a cesta a John.
—Podem levar nossa carroça – Ralph sugere de repente.
—Não irá fazer-lhes falta? – John questiona, recolhendo a armadura enquanto Oliver ajuda Thomas vestir a camisa.
—Não – Caitlin garante, sorrindo gentil quando a menina vem até ela, afagando a cabeça de Minerva com carinho.
—Neste caso, aceitamos a oferta – Oliver diz, apoiando Thomas, auxiliando-o caminhar em direção a porta tendo John a seu lado.
—Buscarei a carroça – Ramon avisa, saindo pela porta dos fundos.
—E eu pegarei mais bolo e frutas, para o caso de encontrarem os guardas pelo caminho – Ralph avisa, seguindo-o.
—Eu a vi – Minerva começa dizer, segurando a mão de Caitlin, fazendo com ela a olhasse – A Frost. Eu a vi – reitera, sorrindo – E Tommy também – acresce – Ela é bonita. Muito bonita. E você também. De fato, ambas são lindas!– elogia, a jovem sorrindo discretamente, conduzindo a menina para fora logo atrás de Oliver e John sem nada dizer .
Defronte a cabana, os guardas ajudam Ramon e Ralph atrelarem o cavalo de Thomas e outro a carroça. Em seguida, John faz com que Tommy deite-se o mais confortavelmente possível, Minerva sentando-se a sua cabeceira, a cesta com ervas e comida sendo posta ao lado da menina juntamente com a armadura e armas do príncipe, os demais montando seus cavalos, agrupando-se em torno da carroça enquanto o guarda Paul assume as rédeas .
—Mandarei a carroça ser-lhes devolvida tão logo cheguemos em casa – Oliver avisa – Sou-lhes imensamente agradecido em ter-nos socorrido e principalmente salvo a vida de meu amigo. Não se arrependerão de o ter feito – assegura o loiro, fazendo uma reverência pomposa, os três retribuindo, em silencio.
—Em frente, marchem!! – John comanda, West, Scott e Eddie assumindo a dianteira, cavalgando rápido a fim de tentarem encontrar os corpos ou mesmo os guardas feridos no ataque, Barry e Oliver ao lado de Dig – Preocupado, alteza!? – John questiona o loiro enquanto se afastam da cabana.
—Também – admite ele, dando uma última olhada em direção ao trio de pé defronte a construção, voltando-se para o chefe da guarda novamente – Estranhando como esta construção nunca dantes foi mencionada em nenhum relato de nossas patrulhas avançadas ou mesmo de algum viajante – pondera, a atenção ambos sendo chamada pela observação feita por Barry.
—Apenas eu estou achando estranho a neve não haver derretido ainda?? – inquire o rapaz, olhando-os confuso.
—Não – respondem Oliver e John ao mesmo tempo, trocando um olhar de preocupação enquanto seguem afastando-se.
—Lembre-me de ensinar-lhe algumas boas maneiras para evitar novos vexames na próxima vez – Ralph provoca-a, levando as mãos aos bolsos, voltando-se para Caitlin.
—Não haverá uma próxima vez – responde seca, sua voz soando forte, os olhos assumindo a tonalidade branca, girando nos calcanhares, seguindo para a casa sem esperar resposta.
—Não?? – inquire Ralph, ele e Ramon trocando um olhar cúmplice antes de a seguirem de volta ao interior da cabana, Ramon dirigindo seu olhar uma última a comitiva.
—Algo me diz que este foi apenas o primeiro encontro!! – murmura, tomando forte respiração antes de fechar a porta.
“....We’re running out of time;
Chansing our lies;
Everyday a small piece of you dies;
Always somebody;
You’re willing to fight, to be right;
Your lies are bullets;
Your mounth’s a gun;
And no war in anger;
Was ever won;
Put out the fire before igniting;
Next time you’re fighting;
Kill ‘em with kindness;
Kill ‘em with kindness;
Kill ‘em, kill ‘em, kill ‘em, kill ‘em with kindness;
Kill ‘em with kindness;
Kill ‘em with kindness;
Go ahead, go ahead, go ahead now”

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