O pior desejo
18 A fuga
Notas iniciais

– Pelo visto, é uma barreira psíquica. Mas, posso abrir uma brecha e você terá a chance de tentar uma nova vida.
– O que quer dizer, Chaouz? Você vem junto comigo!
O guerreiro exclama consternado ao amigo que sorri tristemente e fala:
– Tenho implantado um chip em meu cérebro e graças à técnica da barreira que desenvolvi, eu posso bloquear o sinal. Porém, há um limite para a minha técnica e ela está começando a falhar. Se eu ousar sair daqui, ele irá liberar uma energia concentrada em meu cérebro, me paralisando. Isso se eu estiver nos limites dos campos da Red Ribbon. Senão estiver nesses limites, ele será uma bomba e vai explodir o meu cérebro. Por causa dos nossos poderes mentais, eles nos temem e fizeram isso para nos conter. Inclusive, esse mecanismo pode ser ativado a distância. Então, veja... Não posso sair. Mas, você sim.
Antes que ele pudesse protestar, Chaouz o faz flutuar com os seus poderes, sendo que os olhos dele brilhavam, ao concentra-los, canalizando-os, para fazê-lo flutuar no ar, enquanto Tenshinhan exclamava em meio às lágrimas:
– Chaouz!
– Viva, Ten-san. Muito obrigado por ser meu amigo. – ele fala enquanto chorava copiosamente, sendo que sorria por poder salvá-lo.
Chaouz consegue abrir um buraco na barreira e lança o seu amigo há vários quilômetros dali, sabendo que ele iria sobreviver e em seguida, usa os seus últimos resquícios de poder, para provocar um abalo em uma estrutura próxima dali, onde havia vários soldados se deslocando, sendo que muitos ficaram soterrados, enquanto que o caos imperava no local, para auxiliar na fuga de Tenshinhan, enquanto sorria feliz ao saber que o seu amigo estava a salvo.
Longe dali, o guerreiro se choca contra várias árvores, até que para, enquanto sente o corpo dolorido, sendo que graças ao seu treinamento, o seu corpo havia sido fortalecido.
Então, quando ele se levanta, processando os últimos acontecimentos e o que o seu único amigo no mundo fez, uma cápsula caí ao seu lado e se recorda que Chaouz havia dado uma cápsula para ele fugir.
O jovem guerreiro faz um minuto de silêncio, para depois ficar de quatro, começando a golpear a terra abaixo dele com os seus punhos, gritando por seu amigo, enquanto vertia lágrimas de dor, pois, temia o destino dele, quando descobrissem que ele foi o responsável pela fuga dele.
Então, escuta o som audível de vários alarmes sonoros e isso parece despertá-lo do estupor da dor e perda, sendo que se lembra das palavras de Chaouz e que, de fato, devia viver por ele também, embora desejasse ter uma chance de salvá-lo.
Porém, sabia que não podia ser pego, assim como sabia melhor do que ninguém que não poderia ir contra a Red Ribbon para salvar o seu amigo, recusando-se a imaginá-lo morto e lhe vem à mente, a imagem de seu sensei Tsuru e esperava que ele o ajudasse a salvar Chaouz, embora uma parte ínfima dele soubesse que não faria isso, sendo que naquele momento, queria ignorá-la, pois, o que mais desejava era poder salvar o seu único amigo.
Inclusive, jurava em pensamento, a si mesmo, que iria resgatá-lo ao conseguir ajuda.
Então, aperta a capsula e ela se transforma em um moto e fica aliviado ao ver que o tanque estava cheio, permitindo assim, que ele pudesse percorrer uma longa distância sem precisar parar em um posto de combustível.
O guerreiro sobe na moto e sai do local, correndo na velocidade máxima da mesma, pois, precisava se afastar rapidamente do local, assim como sabia que devia evitar as avenidas principais, para não sofrer o risco de ser localizado.
Afinal, o soldado que perdeu a cápsula, iria anunciar o sumiço da mesma, se fosse burro. Se fosse esperto, ficaria calado e compraria uma nova moto, escondida, pois, era sabido dentre todos, que o comandante Black não perdoava erros e perder o seu veículo podia ser considerado um erro gravíssimo, pois, denotava falta de atenção e um soldado não podia ser desatento.
Enquanto se afastava cada vez mais, ele trincava os dentes, ao pensar no destino de seu amigo, enquanto orava para que o seu sensei continuasse morando na cabana ao pé da montanha, passando a nutrir a esperança que ele iria ajuda-lo a resgatar Chaouz.
Longe dali, mais precisamente na Torre de Karin, o jovem Upa, sem saber da libertação de Piccolo Daimaou, comemorava o feito de ter conseguido pegar a jarra de Karin, enquanto que o sennin sorria orgulhoso, considerando a idade do mesmo, sendo que ele era um rapaz dedicado, educado, gentil e com um coração puro, enquanto que acreditava que o fato dele subir e descer a torre em dias alternados, apenas para visitar o túmulo de seu pai e cuidar do mesmo, depositando algumas flores, enquanto orava, auxiliou no desenvolvimento dele.
Karin não pode evitar a recordação da dificuldade em remover a coleira dele do pescoço, pois, ela era eletrônica, até que, usando os seus poderes, consegue removê-la, assim como forneceu uma roupa de treino ao mesmo.
Quando Upa bebe a água não se sente estranho e o sennin fala, sorrindo:
– Não é a choushinsui. É apenas uma água comum.
– Então...? – Upa fica surpreso.
– Na verdade, o esforço de pegar a jarra deste Karin, assim como subir e descer da Torre, fez você ficar mais forte, como deve ter notado ao longo desses anos.
O jovem olha para as mãos e fica surpreso, até que sorri e fala:
– Muito obrigado, Karin-sama!
– Por nada... Agora, você irá usar a Nyoiboi para subir até o Templo de Kami-sama, para ser treinado.
– Irei treinar com Kami-sama?! – ele fica embasbacado, sendo que nunca imaginou que seria digno de tal honra.
– Você é forte, gentil, tem um coração bom, puro e a alma de guerreiro. Tem todos os requisitos para ter a minha aprovação.
– Nunca imaginei que algo assim, aconteceria!
– Porém, durante o treinamento de Kami-sama, não poderá visitar o túmulo de seu genitor.
Upa fica triste, mas, sabe em seu íntimo, que o seu pai ficaria feliz se ele prosseguisse, em vez de ficar preso no passado, conforme ele lhe ensinou, assim como se recorda dele contar dos grandes guerreiros do passado, seus ancestrais e o fato que dedicaram a sua vida na proteção da natureza e das Terras sagradas por inúmeras gerações e que os mesmos, recebiam as graças do sennin da Torre, quando morriam, ao cumprirem com o seu dever.
Então, após alguns minutos, ele fala:
– Quero visitar o meu pai, uma última vez.
– O visite... E aproveite para contar a novidade. Após treinar com Kami-sama, se desejar, poderá voltar a rever o túmulo.
– É bom saber disso e acredito que esse tempo de treinamento será bom para o meu amadurecimento.
– Com certeza, jovem.
Então, o jovem guerreiro desce e se aproxima do túmulo de seu genitor, para depois se ajoelhar e orar, começando a contar sobre o término do seu treinamento e o fato que iria treinar com o Deus da Terra.
Após alguns minutos, se afasta e sobe na Torre, para em seguida receber um guizo de Karin, estranhando o mesmo, para depois o sennin leva-lo até o alto, onde avista uma espécie de bastão vermelho, sendo este uma réplica criada pelo Deus da Terra, já que o original, não se encontrava mais no planeta.
– Segure no bastão e fale “Encolha, Nyoiboi”. Depois, que segurar na ponta dele, fale: “Estenda, Nyoiboi”.
– Sim, Karin-sama... Muito obrigado por tudo. – ele agradece emocionado.
– Por nada... Estou curioso para saber o quanto você irá evoluir no treino com Kami-sama.
– Encolha, Nyoiboi!
O bastão encolhe e o jovem guerreiro pega no bastão e exclama, sorrindo imensamente:
– Estenda, Nyoiboi!
Então, conforme o bastão o levava para o alto, ele se despede com lágrimas nos olhos:
– Adeus, Karin-sama!
– Até daqui a alguns anos, jovem Upa. – o sennin sorri, enquanto acenava para o jovem, olhando-o, até o mesmo sumir de sua vista.
Então, ele volta para dentro de seu templo e observa a Terra, ficando triste ao ver o caos e a destruição que Piccolo estava fazendo, auxiliado por suas crias.
Após quatro meses, longe dali, Tenshinhan seguia velozmente por uma estrada rudimentar de terra, passando a reconhecer o local, como sendo onde seu sensei morava, sendo que ele desviava de várias cidades, assim como baixava o seu ki, quando via um ser verde voando no ar e por causa disso, demorou mais do que o esperado.
Nesse interim, ele descobriu que o rei dos demônios retornou após século, sendo que ele e as suas crias estavam subjugando a Terra e que quatro regiões do planeta já haviam sido destruídas, sendo que o caos reinava, não havendo policiamento e nem os serviços mais básicos, enquanto imperava a violência com saques, roubos, estupros e diversos assassinatos, obrigando todos a se armarem para se protegerem, sendo que na dúvida, as pessoas matavam outras quando se aproximavam demais.
Várias vezes, ele foi quase alvejado, quando passou próximo de algumas propriedades.
Soube também que grande parte do exército da Terra foi subjugada e os poucos que restaram, se encontravam protegendo um único lugar, onde havia sobreviventes e onde, ainda, imperava alguma ordem e serviços mais básicos, sendo este local, a capital do planeta, onde havia o palácio real.
Em relação a Red Ribbon, ele soube que haviam perdido, pelos menos, setenta por cento do exército, sendo de conhecimento geral que eles possuíam uma base secreta, uma vez que as da superfície estavam sendo atacadas, enquanto redirecionam tropas e recursos para a base secreta principal, que se localizava no subsolo e que era o orgulho do comandante Black e do Doutor Gero.
Ele trinca os dentes ao imaginar o que aconteceu com Chaouz, sendo que ainda nutria esperanças de encontra-lo vivo, enquanto que procurava o sensei de ambos, para avisar o que aconteceu, enquanto orava para que os ajudasse.
Então, o jovem transforma a moto em cápsula, guardando-a. Após algumas horas, ao avistar a casa de madeira dentre o vale, percebe que Piccolo e os seus capangas não haviam chegado naquela região, ainda, por ela ser demasiadamente remota, uma vez que ele estava concentrando os seus ataques em grandes centros urbanos, pelo que ele descobriu, há algumas semanas atrás, através da boca de ocasionais sobreviventes.
Porém, por medida de segurança, ele ocultava o seu ki, após aprender com um artista marcial errante, que em troca de comida e água, ensinou sobre o ki e como ocultá-lo.
Tenshinhan se aproxima da casa, sentindo-se feliz ao notar vozes nela e ao se aproximar ainda mais, estanca no local, conforme ouvia a conversa entre Tsuru e o Tai Pai Pai.
Na cabana, os dois tomavam sake e o mais velho fala:
– Quem diria que eles iriam dar algum lucro. Pelo menos, serviram para isso, sendo que sinto uma ínfima lástima em relação à Tenshinhan. Já, Chaouz, não foi um desperdício. Não achei que aquele ser medíocre e bastardo, fosse se converter em uma boa fonte de dinheiro.
– Eu também nunca imaginei que poderiam ser uma boa fonte de renda. Eu sou conhecido no submundo e quando anunciei as habilidades daquele garoto estúpido ao sargento e sobre o fato de você, nii-san, ser o sensei, os olhos dele, praticamente, esbugalharam e aceitou prontamente o meu preço, sendo que me surpreendi, ao ver que aquele bastardinho valia algo, apesar de não ser um guerreiro. Foi uma sorte para nós, que eles precisavam de psíquicos.
– Verdade... E me surpreendi, que mesmo dividindo entre nós dois, conseguimos uma quantia considerável.
– Para mim, equivalem a quatro meses de assassinato... E agora, que está “livre”, pode voltar a ser um assassino.
– Com Piccolo Daimaou por aí? Não. Inclusive, nem sei se estão requisitando assassinatos. – Tsuru fala pensativo.
– Na verdade, estão surgindo propostas de grandes guerreiros para serem guarda-costas e muitos assassinos, com a queda dos pedidos de serviço, estão aderindo a serem guarda-costas dos milionários. O salário é muito bom, ainda mais perante esses tempos tenebrosos.
– Tem lógica... Talvez, eu me candidate.
– Faz bem... Poderá ganhar uma grana excelente... Inclusive, perante esses tempos sombrios, vou dar uma pausa nos assassinatos.
– Então, vamos juntos.
– Sim.
Tenshinhan se afasta, enquanto chorava de ira e dor, sentindo que seu coração sangrava pela traição, pois, ele confiava em seu sensei, desde que o encontrou, quando era pequeno, perdido em uma floresta.
Claro, ele sabia que ele não tinha carinho por ele e por Chaouz, mas, não esperava que concordasse, friamente, com a venda deles a Red Ribbon, como senão fossem nada, assim como comemorava a venda rentável, ao ver dele.
Além disso, seu sangue ferveu a menção de Chaouz e sentiu uma intensa vontade de matá-los.
Porém, temia não ser capaz de vingar Chaouz, assim como poderia acabar morto, sendo que jurou a si mesmo, que ia ficar mais forte e que iria atrás deles para matá-los, nem que fosse a última coisa que fizesse em vida.
Ele se afasta, sem que percebessem a sua presença e quando se afasta, consideravelmente, pega a moto e parte sem rumo, sem saber o que fazer, assim como não sabia como salvar o seu amigo.
Três meses depois, longe dali, em uma pequena cidade ao pé da montanha, Kuririn estava socorrendo algumas pessoas, conforme as retirava dos escombros, após o ataque de um dos capangas de Piccolo, sendo que se revoltava, por não ser capaz de fazer nada contra eles.
Ele até tentou enfrenta-los, quando eles surgiram pela primeira vez.
Porém, quase morreu no processo e se salvou, graças ao fato de te ficado inconsciente, sendo coberto por vários entulhos, enquanto que tivera a sorte da criatura não desejar investigar se o matou ou não, limitando-se a se afastar do local.
Quando ele despertou, tudo o que viu foram escombros e corpos. Diversos corpos de adultos e crianças, sendo que via bichinhos de pelúcia e vários brinquedos ensanguentados, assim como rasgados e destruídos, fazendo o seu coração se restringir, enquanto gritava a plenos pulmões, tentando extravasar sua dor e ira, assim como vergonha.
Desde então, passou a seguir os capangas de Piccolo, esperando que conseguisse salvar algumas pessoas, após a vila ser atacada, pois, Piccolo estava ordenando o ataque a vilas menores, uma vez que todas as cidades grandes foram destruídas segundo os boatos, espaçados, oriundos das bocas dos parcos sobreviventes, sendo que várias vezes, ele deteve bandidos e malfeitores, inclusive armados, para salvar inocentes e perdeu as contas de quantos estupros ele evitou e outros, em que eliminou os estupradores, sendo que se amargava, de que, muitas vezes, havia chegado tarde demais e o que ele mais odiou foi ver crianças pequenas sendo estupradas.
Ele nunca sentiu tanta vergonha de ser um humano, como sentiu nesses instantes ao ver tal barbárie, matando os culpados a socos ao descontar seu ódio e ira pelos atos deles, enquanto chorava e gritava de raiva.
Naquele momento, ele estava terminando de salvar algumas pessoas, ao retirar os escombros de cima delas. Muitas choravam, outras estavam em choque e tinha aquelas que esmurravam o chão, sendo que via corpos soterrados, assim como diversos incêndios, além de pessoas sendo queimadas vivas, sem que tivesse qualquer chance de ajuda-las, assim como, os vários feridos.
Era sempre uma zona caótica de guerra. Ou melhor, extermínio a seu ver, enquanto que a indignação e revolta aumentavam em seu ser, não conseguindo impedir a sensação de se sentir um inútil.
Após ajudá-los, se dirige até a próxima vila, sentindo que várias energias vitais se extinguiam, enquanto sentia-se desolado e triste, pois, teria que esperar o ataque terminar, para tentar salvar aqueles que estavam soterrados, controlando o seu ki para ocultá-lo, aprendendo sobre o mesmo com um mestre de artes marciais, que salvou do desmoronamento de sua casa, quando a mesma foi destruída por um dos capangas de Piccolo, assim como havia salvado a neta dele.
Ele ensinou sobre o ki e a controla-lo, como prova de sua gratidão, além de mostrar os fundamentos da arte de voar, ou bukujutsu, como ele chamava a técnica. Kuririn havia conseguido dominar em duas semanas, para depois se despedir do mestre e de sua neta, que estava sendo treinada, para ser capaz de se defender em tempos tão tenebrosos.
Próximo dali, Tenshinhan continuava vagando sem rumo e sem saber o que fazer, até que avista um ser verde de quatro braços na estrada e rapidamente, transforma a moto em cápsula e guarda a mesma, passando a ocultar o seu ki, enquanto que se escondia atrás de uma árvore.
Ele nota que o capanga de Piccolo olhou na direção que ele estava, como se analisasse algo, por alguns minutos, até que dá de ombros e passa a se concentrar em matar as pessoas.
Dentre vários veículos tombados e muitos pegando fogo, assim como viu corpos fragmentados e outros carbonizados, havia um ônibus infantil que estava tombado e ele tirava uma a uma das crianças sobre os gritos da que segurava em sua mão e das outras, para depois ver, horrorizado, que ele ficava em cima do ônibus e esquartejava lentamente a criança, usando os seus quatro braços, fazendo jorrar o sangue dela naquelas que estavam no ônibus, enquanto que ele gargalhava, para depois pegar a próxima.
Claro, Tenshinhan há alguns meses atrás, queria ser um assassino, assim como Tao Pai Pai, uma vez que o idolatrava no passado e por causa disso, antigamente, ficava ansioso para cometer o seu primeiro assassinato, sendo que atualmente, tais planos mudaram, após a vil traição de seu sensei.
Além disso, era incólume ao fato de que um ser, fizesse aquilo com uma pobre criança e continuasse fazendo, tirando uma a uma, sendo que seu sangue fervia e ele trincava os dentes, sentindo um ódio intenso tomá-lo.
Então, quando ele ia fazer algo, percebe que um vulto surge da mata adjacente à rodovia com o ônibus tombado e carros destruídos.
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