O pior desejo
11 21 Tenkaichi Budoukai
Notas iniciais

Distante dali, em um deserto, uma caravana estava rendida, sobre a mira de um bandido armado e de um gatinho flutuante, sendo que o gato orientou, conforme voava no alto, para que as mulheres se escondessem nos veículos e elas assim o fizeram:
– Muito bem! Passem tudo o que tem de valor, ou irão se entender com a minha amiga, aqui.
Enquanto falava, exibia a imensa arma nas mãos que era uma espécie de bazuca, que fez todos ficarem apavorados e começaram a passar objetos de valor, sendo que sabiam quem era o ladrão a sua frente. Era o lobo solitário Yamcha, um temido ladrão do deserto e aquele era o seu território.
Eles somente não entendiam porque as mulheres precisavam se esconder, porém, agradeciam, pois, temiam que elas fossem estupradas, apesar de não haver boatos sobre estupros por parte do temível ladrão do deserto, ao contrário do que acontecia em outras regiões.
Então, após entregarem tudo o que tinham, com Yamcha conferido, assim como seu parceiro, Pual, ele transforma uma de suas cápsulas em sua fiel aero moto e sai dali, levantando poeira.
No caminho para o seu esconderijo, Pual comenta:
– Amanhã, o Tenkaichi Budoukai será exibido.
– Senão me engano, a transmissão vai começar às oito horas. Não me deixe esquecer, Pual.
– Pode deixar, Yamcha-sama! – ele exclama animado.
– Eu queria participar, mas, sou apenas um ladrão. Sei lutar e tudo mais. Porém, quem luta, conforme vi nos últimos torneios, são lutadores que dedicam horas e horas a fio em treinos intensos. Eu não passaria da eliminação. – ele comenta tristemente. – Ademais, não sei fazer outra coisa, além de roubar. Além disso, e se eu pegar uma oponente mulher? Não consigo nem chegar perto de uma. Quem dirá enfrentar uma garota.
Pual fica triste, pois, sabia melhor do que ninguém o intenso terror dele de mulheres e que cabia a ele a tarefa de sobrevoar as vítimas rendidas e ordenar que as mulheres se escondessem da vista dele, para que não “travasse”, fazendo assim com que ninguém conhecesse o temível ponto fraco dele e que arruinaria a sua fama.
– Não fique assim, Pual, eu conheço as minhas limitações. Se talvez, eu não ficasse daquele jeito perto de mulheres, eu poderia tentar participar.
–Um dia você irá superar, Yamcha-sama! – Pual fala com seu costumeiro alto-astral e igual otimismo.
– Eu espero Pual... Afinal, eu quero me casar, algum dia. – ele comenta enrubescido.
O seu parceiro sente pena dele, pois, sabe melhor do que ninguém a dificuldade dele em poder realizar seus sonhos, sendo estes impedidos pelo seu medo irracional de mulheres e tinha a esperança que um dia ele perdesse tal pavor e pudesse ser verdadeiramente feliz, ao realizar o seu sonho.
No dia seguinte, distante dali, Kuririn estava na sala de eliminação, enquanto que se recordava da conversa que os monges do Templo Shaorin tiveram com ele, ao fazerem ele se lembrar de como era tratado, assim como o humilharam e riram dele, sendo que sentiu a sua confiança diminuir, drasticamente, pois, o líder do grupo que o atormentava era o seu primeiro oponente após o treino de Kame-sennin.
Então, nervoso, escuta o seu número e sobe na arena de sua chave, onde o líder do grupo que vivia o maltratando havia acabado de subir, sorrido de forma prepotente e igualmente animado, pois, iria adorar fazer Kuririn se lembrar do tratamento que recebia no templo.
Então, fala sarcasticamente, após alguns minutos:
– Ah, você não fugiu? Respeito você por isso. Está preparado?
Nisso, o juiz exclama:
– Hajime!
– Não vou pegar leve!
O mais velho exclama, sorrindo, pondo-se em posição de ataque e o menor tremia e muito, apavorado, não conseguindo impedir o fluxo de recordações de quando vivia no templo.
Nisso, quando ele avança contra Kuririn para dar um soco, o jovem, apavorado, salta para o alto, tão rapidamente, que deixou o mais velho aturdido.
Então, como se a coragem o preenchesse, assim como a confiança, naqueles segundos que estava no ar e que notou que o monge embaixo dele não percebeu o seu salto e quando toca com o pé no chão ao lado do mesmo, aproveita para impulsionar o corpo para chuta-lo com todas as suas forças no abdômen, arremessando-o contra a parede atrás do mesmo, quebrando-a, fazendo-o percorrer em seguida uma longa distância dentre as barracas de doces e brincadeiras no entorno da área do Torneio, até que se choca contra outra parede, rachando-a, para em seguida cair no chão, inconsciente, sendo que os demais monges do templo que viram o golpe e a repercussão do mesmo ficaram abismados, lutando para compreender que aquilo era real, enquanto ficavam aterrorizados, assim como todos os demais lutadores do recinto.
Se recuperando, parcamente, o juiz declara:
– O número noventa e três é o vencedor.
Kuririn desce da arena, olhando para as suas mãos, estupefato ao ver o quão poderoso ele ficou, sem que percebesse e conforme lutava contra os seus oponentes, vencendo-os, ganhava ainda mais confiança e após várias batalhas, foram definidos os oito lutadores.
Então, foi avisado que haveria um intervalo de meia hora, para que depois, os vencedores de cada chave, fossem chamados para saberem a ordem das batalhas, sendo que anunciaram para o público os guerreiros que sobreviveram as eliminatórias.
Animado, ele sai da área e procura Kame-sennin, sendo que após quinze minutos, fica chateado em não encontra-lo.
Então, Muten Roshi aparece ao lado dele, e fala:
– Vi que passou das eliminatórias. Meus parabéns, Kuririn.
– Muito obrigado! Foi tudo graças ao senhor, Muten Roshi-sama! – ele exclama feliz.
– Não, Kuririn. Foi o seu esforço e dedicação aos treinos que fizeram isso. Você já era um guerreiro nato. Só precisa aprimorar ainda mais, assim como deve amadurecer como um autêntico guerreiro de artes marciais, conforme adquire conhecimento e experiência. – Muten fala, deixando Kuririn emocionado pelas palavras de seu mestre.
– Vamos começar o Tenkaichi Budokai em instantes. Os oitos competidores, por favor, reúnam-se na sala principal do templo. Haverá monges para orienta-los. – um dos organizadores fala pelo circuito interno de auto falantes.
– Agora vá, Kuririn. Vou assistir as batalhas.
– Muito obrigado, Muten Roshi-sama. – ele agradece e se curva, para em seguida pular o muro para o outro lado.
Porém, após alguns minutos, a sua felicidade é sugada, violentamente, quando descobre qual é o seu oponente, após retirar o número de uma caixa de madeira, enquanto estava aterrorizado e igualmente paralisado, pois, enfrentar Bactéria, era no mínimo apavorante, pois, seu mau cheiro era demasiadamente horrível, enquanto que todos os demais estavam com pena dele, sendo que Bactéria gargalhava gostosamente.
Mais tarde, o juiz sobe na arena e nisso, o público vibra, quando ele fala:
– Agora, vamos dar início ao vigésimo primeiro Tenkaichi Budokai! Agora anunciaremos as lutas da primeira rodada.
Nisso, a multidão bate palmas, para depois ele anunciar as batalhas:
– Na primeira luta, teremos Bactéria contra Kuririn! Na Segunda luta! Jackie Chun contra Mori! Terceira luta! Lanfang contra Namu! Quarta luta! Murik contra Giran!
Então, após alguns minutos, o juiz chama os dois primeiros lutadores para a arena:
– Bactéria e Kuririn!
Kuririn estava aterrorizado, enquanto bactéria exibia um sorriso arrogante na face e ria levemente.
Após alguns minutos, frente aos ataques fedorentos de Bactéria, Kuririn está no chão, pois, por causa do fedor, precisava tapar o nariz com as mãos, o impedindo de ataca-lo efetivamente.
Naquele momento, Bactéria esfregava a sua enorme bunda no rosto do jovem, que se encontrava tonto por causa do fedor, até que se levanta, enquanto que o guerreiro careca se encontrava deitado, a beira da inconsciência, sendo que o juiz começa a contagem, já que ele estava caído.
Jackie Chun assistia a batalha e considerava que o certo seria deixar o seu discípulo perder.
Porém, achava um ultraje o mesmo perder para algo grotesco e pateticamente fraco, sendo que poderia deixa-lo sem confiança no futuro e isso não era bom.
Afinal, nunca era bom o guerreiro possuir a confiança em excesso, assim como a falta dela.
Então, decide ajuda-lo e exclama:
– Você não tem nariz, jovem!
Kuririn olha na direção da voz e vê que era um idoso com roupa chinesa e após apalpar o rosto, se recorda que não tem nariz e frente a isso, se levanta, exclamando:
– É mesmo!
– Nossa! O participante Kuririn levantou! Incrível! Ele está de pé!
– Muito obrigado, senhor! – exclama sorrindo para Jackie chun, que consente com a cabeça.
Nisso, põe-se em guarda e fala:
– Tudo bem... Aqui vou eu!
Bactéria fala, em um misto de surpresa e raiva:
– Não tem nariz? Você é estranho!
Então, após alguns minutos, sorri de forma prepotente e fala:
– Mas, meus odores não são as únicas armas que eu tenho!
Após exclamar, vitorioso, começa a aspirar o ar pelas narinas, enquanto o juiz fica apavorado e exclama no mínimo aterrorizado, sendo que colocou uma máscara para neutralizar os odores fétidos de Bactéria, desde o início da batalha:
– É tão sujo o seu catarro! Conseguirá o participante Kuririn evitar completamente seu catarro, que faz até mesmo os elefantes fugirem?
Enquanto Bactéria se preparava para lançar seu catarro, ele suava frio, pois, precisava desviar e, portanto, decide prestar extrema atenção nos movimentos de seu oponente.
Então, o adversário lança o catarro e o jovem guerreiro careca consegue desviar a tempo, pulando para o lado e depois, impulsionando o corpo, avança contra o seu oponente, que não viu os movimentos de Kuririn e lutava para compreender o que ocorreu.
Nesse interim, o jovem guerreiro dá um chute lateral no rosto de Bactéria, fazendo o mesmo cair e quando ameaçava se levantar, ele corre até o oponente ainda caído, semi erguido e baixa as calças, peidando na cara do mesmo, fazendo-o ficar inconsciente, perante o odor.
– Nossa! Que virada sensacional! O participante Kuririn consegue uma vitória maravilhosa!
Enquanto isso, o público está batendo palmas, igualmente animado, pelo fato de alguém tão pequeno ter derrotado um gigante.
– Afinal, mesmo para o Bactéria, os gases fedem! – o juiz exclama em um misto de animação e alívio.
Então, após alguns minutos, sobem vários monges para a arena munidos de escovões e panos, passando a limpar a arena, sendo que outros dois monges borrifavam perfume no ar, desodorizando o local, enquanto que o juiz anuncia:
– Agora, nos estamos limpando o ringue. Por favor, esperem até terminamos de desodorizar!
Algumas horas depois, Kuririn encontrava-se sentado atrás da área onde foi realizado o torneio, enquanto suspirava, ao se recordar que não foi capaz de derrotar Jackie Chun, enquanto que descobriu que mais pessoas sabiam lançar o Kame Hame Ha, assim como havia outras pessoas no mundo, tão fortes quanto o seu mestre.
Mesmo chateado, ele acompanhou as batalhas e viu a final entre Jackie chun e Girian, que conseguiu vencer seus oponentes graças ao fato de voar e por usar sua técnica, Guru-Guru-Gum, prendendo firmemente o oponente, o impedindo de fazer qualquer movimento e graças a isso, pode derrotar Namu, sendo que acabou perdendo frente ao poder e experiência de Jackie chun.
Ele suspira pela milionésima vez, até que surge Kame-senin, após pegar o cheque na identidade de Jackie chun, que se amaldiçoou por ter colado firmemente a peruca e que, por causa disso, demorou muito tempo para tirar a mesma da cabeça.
Ao se aproximar, vê seu discípulo triste e pergunta em tom de confirmação:
– Está triste por não ter chegado ao final?
– Sim... Muten Roshi-sama.
– Mas, veja o quanto conquistou... Além disso, você ainda é jovem e começou o caminho de guerreiro a pouco tempo. Claro que não terá chances contra alguém experiente como Jackie Chun. Você perdeu para alguém muito poderoso e isso não deveria ser motivo de vergonha ou tristeza. Você lutou muito bem. Infelizmente, você ficou nervoso e também há o fator experiência, se considerarmos a idade dele e os seus movimentos de luta.
– Eu lutei bem, Roshi-sama? – ele pergunta, sentindo que diminuía a sua tristeza e que começava a ficar animado, sentindo a sua confiança ressurgir.
– Claro que sim! Você é jovem e chegou as semifinais! Só por isso, deveria se sentir orgulhoso e se deseja derrotar Jackie Chun, treine vigorosamente e aprimore seus conhecimentos. Tire o que você aprendeu nas batalhas de hoje, as assimilando. Sempre haverá alguém mais poderoso do que você no mundo.
Kuririn seca os olhos, pois, chorou emocionado, enquanto se conformava com a derrota e sorri:
– Muito obrigado, Muten Roshi-sama. O senhor está certo.
– Vem, vamos comer algo. Tem um restaurante muito bom aqui perto. Depois, vamos descansar e na parte da manhã, pegaremos o primeiro avião para o continente mais próximo da minha ilha.
– Quer dizer, que posso continuar morando na ilha? – Kuririn pergunta maravilhado.
– Claro.
– Muito obrigado! Eu não tenho um lar. Muito obrigado, mesmo!
Claro que Kuririn sabia o motivo de Muten Roshi fazer questão dele voltar para a ilha.
Afinal, limpava a casa e cozinhava muito bem, ao ponto de Kame-senin não esconder o fato que apreciava a sua comida e não achava ruim o verdadeiro motivo de querer ele na ilha, pois, poderia conseguir algumas dicas de treino com o mesmo.
– Se prepare, que irei passar um regime de treinamento severo, para que possa participar do próximo torneio.
– Muito obrigado!
– Vamos, Kuririn.
Nisso, eles se afastam do Tenkaichi Budokai.
Há centenas de quilômetros dali, nas Terras de Karin, o sennin da Torre descia da Torre pela terceira vez após séculos, exibindo em seu semblante o mais puro pesar e dor, enquanto observava a paisagem desoladora, assim como o seu coração ao se recordar dos fatídicos acontecimentos daquele dia, enquanto que os seus pés faziam um caminho já conhecido.
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