A festa seguiu animada, e aos poucos fui percebendo como aquele lugar, que há pouco tempo me parecia tão distante da minha realidade, agora estava cheio de rostos familiares. Os funcionários da fazenda conversavam e riam entre si, alguns já mais à vontade do que outros, enquanto meus amigos e familiares se misturavam naquele espaço como se sempre tivessem feito parte dali. Havia algo bonito naquilo, naquela mistura de mundos que agora se encontravam por causa de mim… por causa de nós.

Eu estava reunida com minha mãe, Esme, minhas primas Anna e Rafaela, e minhas tias Alice e Rosalie. O clima era leve, e a conversa girava naturalmente em torno da fazenda, como se todas estivessem curiosas para entender como eu estava vivendo ali.

– Então… como está sendo essa nova vida? – perguntou Esme, com aquele sorriso doce de sempre.

Sorri de volta, apoiando a mão levemente sobre minha barriga.

– Diferente – respondi com sinceridade. – No começo foi estranho… muito silêncio, pouca movimentação… mas eu estou me adaptando.

Alice inclinou a cabeça, interessada.

– E você está gostando?

Assenti.

– Estou. A fazenda tem um ritmo mais calmo… e isso às vezes faz bem. Mas… – dei uma pequena pausa, sorrindo de leve – eu sinto falta da cidade.

Rosalie cruzou os braços, observando-me com atenção.

– Isso é natural – disse ela. – Mas você vai acabar encontrando um equilíbrio.

Alice, no entanto, parecia já estar em outro assunto.

– Falando em equilíbrio… você já começou a pensar no enxoval do bebê?

Soltei uma pequena risada.

– Ainda não.

– Então precisa começar – disse Rosalie, com firmeza. – Isso não pode ficar para depois.

Olhei para minha mãe, buscando apoio, mas Bella apenas sorriu.

– Elas não vão sossegar enquanto você não resolver isso.

Balancei a cabeça, rendida.

– Tudo bem… eu já estava pensando em ir para Seattle na próxima semana – comentei. – O Jacob precisa resolver algumas coisas por lá, então eu posso aproveitar.

Os olhos de Bella se iluminaram imediatamente.

– Sério? – perguntou ela, animada. – Então você vai ficar alguns dias comigo?

– Vou – respondi, sorrindo.

Ela segurou minhas mãos com carinho, já assumindo aquele jeito protetor que sempre teve.

– Ótimo. Eu vou cuidar de você direitinho.

– Ela já está sendo muito bem cuidada – comentou Rosalie, com um leve sorriso.

– Nunca é demais – rebateu Bella, sem perder a expressão carinhosa.

Anna riu baixo.

– Tia Bella vai transformar isso em um retiro obrigatório.

– Com direito a horário para dormir e lista de alimentação – completou Rafaela, divertida.

Rimos juntas, e por um momento esqueci completamente qualquer preocupação.

Rosalie então olhou discretamente na direção do outro lado do jardim.

– Falando nisso… parece que os homens não vão parar tão cedo.

Segui o olhar dela e vi Jacob, Jasper, Edward, Emmett e Antony reunidos, completamente envolvidos em uma conversa que parecia não ter fim.

Bella suspirou, balançando a cabeça.

– Se depender do Antony… eles voltam para casa com um cavalo no capô do carro.

A risada foi geral.

– Isso não me surpreenderia nem um pouco – disse Anna.

Levei a mão ao estômago, sentindo uma leve fome surgir.

– Acho que depois de tudo isso… eu mereço alguns doces.

– Concordo plenamente – disse Rafaela.

Afastei-me do grupo com um sorriso, caminhando entre os convidados. Algumas pessoas me cumprimentavam, outras apenas sorriam, e eu retribuía, ainda absorvendo aquele momento. Segui na direção da mesa de doces, já imaginando o que encontraria ali.

Foi então que encontrei Rachel no caminho.

– Minha cunhada esta procurando algo específico? – perguntou ela, com um sorriso.

– Bem casados – respondi, olhando para a mesa.

Rachel fez uma pequena careta divertida.

– Você chegou tarde. Os da mesa acabaram.

– Sério? – perguntei, desapontada.

– Mas ainda tem na cozinha – acrescentou ela. – Eu posso ir buscar para você.

Balancei a cabeça, sorrindo.

– Não precisa. Eu mesma vou… estou indo ao banheiro mesmo.

Rachel assentiu.

– Tudo bem, mas se precisar me avisa.

– Obrigada.

Continuei caminhando, atravessando a área próxima à cozinha. O som da festa ficou um pouco mais distante, substituído pelo ambiente mais silencioso da parte interna da casa.


Entrei pela cozinha sem fazer muito barulho, observando a movimentação dos empregados que iam e vinham com bandejas, organizando tudo para a festa continuar perfeita. O ambiente era mais agitado ali dentro, diferente da leveza do jardim, mas ainda assim acolhedor. Passei por eles com um sorriso discreto, tentando não atrapalhar o trabalho de ninguém enquanto seguia em direção ao corredor.

Foi então que ouvi vozes.

Altas demais para serem ignoradas.

Parei por um instante, ainda antes da porta que levava ao corredor, e franzi levemente a testa ao reconhecer aquelas vozes. Eu já as tinha ouvido antes, várias vezes desde que cheguei à fazenda.

Leah Clearwater.

E… Lucy.

– Eu estou falando sério, Lucy – a voz de Leah soava mais baixa, mas carregada de tensão. – Você precisa ter cuidado. Não vá com tanta sede ao pote. Você ainda é apenas uma empregada da fazenda.

Houve um breve silêncio, seguido por uma resposta que fez algo dentro de mim se contrair.

– Por enquanto – respondeu Lucy, com um tom firme. – Porque eu carrego na barriga um Black.

Meu corpo ficou imóvel.

– Um filho de Jacob – ela continuou, sem hesitar. – Assim como o da ruiva sem graça.

O mundo ao meu redor pareceu desaparecer. Por um segundo, eu não consegui respirar.

Meu coração começou a bater tão forte que eu tive a impressão de que poderia ouvir o som ecoando no próprio silêncio da casa. As palavras ficaram repetindo na minha mente, uma atrás da outra, sem que eu conseguisse organizá-las.

Sem perceber, empurrei a porta e o som chamou a atenção das duas.

Leah e Lucy se viraram ao mesmo tempo, o olhar delas mudou imediatamente ao me ver ali, havia surpresa, tensão, culpa, mas eu já não estava mais interessada nas expressões delas.

Meus olhos estavam fixos em Lucy.

Dei alguns passos à frente, sentindo as pernas um pouco mais pesadas do que o normal, mas sem parar.

– Lucy… – minha voz saiu mais baixa do que eu pretendia, mas firme o suficiente. – O que foi que você disse?

Ela abriu a boca, mas não respondeu de imediato. O olhar dela se moveu rapidamente, como se buscasse uma saída.

– Nessie… você entendeu errado – tentou dizer, desviando.

Balancei a cabeça devagar.

– Não – interrompi, sentindo o peito apertar. – Eu ouvi muito bem.

Dei mais um passo.

– Você disse que está grávida.

O silêncio tomou conta do ambiente.

– E o filho é do Jacob.

As palavras saíram com mais força agora, como se finalmente tivessem encontrado um caminho para fora.

Lucy permaneceu em silêncio por um instante, e aquilo foi pior do que qualquer resposta imediata.

Porque, naquele momento… o silêncio dela dizia tudo.


O silêncio que tomou conta da cozinha parecia pesado demais para ser ignorado. Eu sentia meu coração bater com força no peito, como se estivesse tentando me alertar de algo que eu ainda não queria aceitar completamente. Meus olhos permaneciam fixos em Lucy, esperando que ela dissesse qualquer coisa que pudesse negar o que eu tinha acabado de ouvir.

Mas foi Leah quem falou primeiro.

– Renesmee, você entendeu errado – disse ela, tentando manter a calma, embora a tensão fosse evidente em sua voz.

Balancei a cabeça lentamente, sentindo uma mistura de incredulidade e dor crescer dentro de mim.

– Eu não entendi errado – respondi, com mais firmeza agora. – Eu sei exatamente o que eu ouvi.

Lucy abriu a boca, como se fosse dizer algo, mas antes que qualquer palavra saísse, Leah se colocou levemente à frente, como se tentasse protegê-la daquela situação.

– Isso não é o que você está pensando – insistiu Leah.

Meu olhar voltou imediatamente para Lucy, ignorando completamente a tentativa de Leah de conduzir a conversa.

– Então diga você – falei, dando mais um passo à frente. – Lucy, me diz se isso é verdade.

Ela hesitou.

E aquela hesitação foi o que mais me feriu.

– Você está grávida do Jacob? – repeti, agora sem conseguir esconder a emoção na minha voz.

Lucy abriu a boca novamente, mas Leah a interrompeu mais uma vez.

– Não é assim, Renesmee, você precisa se acalmar primeiro…

– Eu não preciso me acalmar! – interrompi, sentindo a voz falhar no final da frase. – Eu preciso da verdade!

O ar parecia mais pesado dentro daquele espaço. Nenhuma delas respondia, e isso só tornava tudo pior.

Foi então que ouvi passos apressados entrando na cozinha.

Sarah.

Ela parou logo na entrada, o olhar percorrendo nós três com atenção. Bastou um segundo para que ela percebesse que algo estava errado.

– O que está acontecendo aqui? – perguntou, com a voz firme.

Virei-me imediatamente para ela, sentindo que aquela era a confirmação que eu precisava.

– A senhora sabia? – perguntei, sem rodeios. – Sabia que a Lucy está grávida?

Sarah ficou imóvel.

E naquele instante… eu entendi.

Meu coração afundou de uma vez.

– Então é verdade… – murmurei, mais para mim mesma do que para qualquer outra pessoa.

Ela tentou se aproximar, a expressão mudando para algo mais cuidadoso.

– Nessie, me escuta… não é o momento para tirar conclusões precipitadas…

Dei um passo para trás, afastando-me levemente.

– A senhora sabia – repeti, olhando diretamente para ela. – E ninguém me disse nada.

Minha respiração estava descompassada agora, e eu sentia o peso de tudo aquilo cair sobre mim de uma forma esmagadora.

Sarah respirou fundo, tentando manter a calma.

– Eu queria te poupar disso até termos certeza… – começou.

– Certeza do quê? – interrompi, com a voz carregada de dor. – Do fato de que o homem com quem acabou de me casar vai ter um filho com outra mulher?

O silêncio que se seguiu foi ainda mais doloroso.

Sarah fechou os olhos por um breve instante, como se buscasse as palavras certas.

– Leah – disse ela, com mais firmeza agora. – Chame o Jacob.

Leah não discutiu. Apenas assentiu e saiu rapidamente, deixando o ambiente ainda mais tenso.

E eu permaneci ali, no meio da cozinha, sentindo como se tudo o que eu tinha começado a construir estivesse desmoronando diante de mim.