Notas iniciais
Estou escrevendo uma nova história para o novo concurso, passem la e deixem a opinião de vocês O nome é BlackSwan


Fui conduzida até a sala sem perceber exatamente como meus passos me trouxeram até ali. Minha mente ainda girava em torno das palavras que tinha ouvido na cozinha, repetindo cada detalhe com uma clareza cruel. Sentei-me no sofá, mas não consegui encontrar qualquer conforto. Meus dedos se entrelaçavam nervosamente enquanto eu tentava controlar a respiração, que insistia em sair irregular.

Sarah permaneceu ao meu lado, falando com uma calma que parecia ensaiada, como se estivesse tentando impedir que tudo saísse do controle. Ela apoiou a mão sobre a minha, num gesto de cuidado, mas aquilo não foi suficiente para aliviar o turbilhão dentro de mim.

– Renesmee, por favor, tente se acalmar – disse ela, em um tom baixo e firme. – Não é bom para você nem para o bebê se deixar levar dessa forma.

Eu ouvi, mas não consegui responder. Não ainda. Havia algo dentro de mim que precisava de respostas antes de qualquer tentativa de tranquilidade.

Foi então que Rachel entrou na sala, trazendo consigo um olhar atento, já ciente de que a situação havia se agravado.

– Leah já foi chamar o Jacob – informou ela, aproximando-se. – Ele deve estar vindo.

Aquelas palavras fizeram meu coração apertar ainda mais. Em poucos minutos, tudo o que eu temia ouvir seria confirmado… ou negado.

Sarah voltou o olhar para Lucy, que permanecia próxima à entrada, visivelmente tensa, como se não soubesse exatamente qual postura adotar.

– Lucy, é melhor você sair – disse Sarah, de forma direta, tentando retomar o controle da situação.

Antes que Lucy pudesse se mover, ergui a cabeça e falei com mais firmeza do que eu imaginava ser capaz naquele momento.

– Não.

As três me olharam.

– Ela fica – continuei, sustentando o olhar em Sarah. – Eu quero saber a verdade. E ela vai dizer isso na minha frente.

O silêncio que se seguiu foi pesado, mas ninguém contestou.

Rachel respirou fundo, percebendo que a situação exigia mais do que apenas cautela.

– Eu vou chamar a Rebecca – disse ela. – É melhor alguém da área médica estar aqui.

Assenti levemente, embora minha atenção já estivesse completamente voltada para a porta.

O tempo pareceu se alongar de forma insuportável até que, finalmente, ouvi passos se aproximando. Quando Jacob entrou na sala, sua expressão carregava surpresa e preocupação ao mesmo tempo. Ele olhou rapidamente ao redor, tentando entender o que estava acontecendo, até que seus olhos encontraram os meus.

– O que aconteceu? – perguntou ele, avançando na minha direção.

Levantei-me imediatamente.

A distância entre nós diminuiu em poucos segundos, mas, desta vez, não havia suavidade naquele encontro. Não havia o conforto que eu tinha sentido tantas vezes antes.

Apenas necessidade de resposta.

– É verdade? – perguntei, a voz firme apesar do tremor que tentava contê-la. – É verdade que a Lucy está grávida… de você?

O silêncio que se seguiu foi absoluto.

E, naquele instante, tudo o que eu queria… era que ele dissesse que não.


A expressão de Jacob mudou diante da minha pergunta. Não foi apenas surpresa. Foi algo mais profundo, mais pesado, como se ele tivesse sido atingido por algo que já sabia que viria, mas que ainda assim esperava evitar. Seus olhos deixaram os meus por um instante e se voltaram para Lucy, que permanecia imóvel perto da entrada, visivelmente tensa.

– O que você disse a ela? – perguntou ele, com a voz mais firme.

Lucy respirou fundo antes de responder, como se escolhesse cada palavra com cuidado.

– Não foi nada planejado – disse ela. – Ela ouviu a conversa… foi acidental.

Senti o chão desaparecer sob meus pés.

A confirmação não veio diretamente de Jacob, mas naquele momento, já não importava mais. O silêncio dele, o olhar que evitava o meu, a forma como tudo se encaixava… era o suficiente.

– Então é verdade… – murmurei, sentindo a voz falhar.

Levei a mão ao peito, tentando conter a sensação de queda que se instalava dentro de mim. Era como se tudo o que eu tinha começado a construir, cada pequena certeza, cada momento que parecia sólido… tivesse simplesmente desmoronado.

Jacob deu um passo na minha direção.

– Nessie… nós precisamos conversar.

Afastei-me instintivamente, como se o simples fato de ele se aproximar tornasse tudo ainda mais difícil de suportar.

Foi nesse momento que a sala voltou a se encher. Ouvi passos e vozes, e quando me virei, vi Bella e Edward entrando, acompanhados por Rebecca e Rachel. O olhar da minha mãe se fixou em mim imediatamente, preocupado, atento, enquanto meu pai avaliava a situação com uma tensão evidente.

– O que está acontecendo? – perguntou Bella, aproximando-se.

Mas eu não respondi a ela.

Meu olhar permaneceu em Jacob.

– Eu só quero a verdade – disse, com mais firmeza agora, embora a emoção ainda estivesse presente em cada palavra.

Ele respirou fundo, passando a mão pelo rosto antes de falar.

– Nessie, me escuta… eu vou te explicar.

Balancei a cabeça, sentindo uma mistura de dor e indignação crescer dentro de mim.

– Explicar o quê, Jacob? – questionei. – Quando você ia me contar isso?

O silêncio que se seguiu foi suficiente para que a resposta se tornasse ainda mais dolorosa.

Bella se aproximou de mim, segurando meu braço com cuidado.

– Renesmee, tenta se acalmar…

Edward também deu um passo à frente, com o olhar fixo em Jacob, claramente esperando uma explicação.

– Isso não é o momento para você se exaltar – disse ele, tentando manter a voz controlada.

Mas eu já não conseguia simplesmente aceitar aquilo.

– Não é o momento? – repeti, sentindo a frustração transbordar. – Quando seria o momento então? Quando o bebê dela nascer

Jacob deu mais um passo, agora visivelmente tenso.

– Eu estava tentando te poupar disso – disse ele, com a voz mais firme.

– Poupar? – retruquei. – Me esconder a verdade é te poupar, não a mim!

A discussão começava a ganhar intensidade, e eu já não conseguia controlar o tom da minha voz.

– Eu tinha o direito de saber – continuei. – Eu me casei com você , Jacob!

Ele passou a mão pelo cabelo, claramente perdendo a paciência.

– E você acha que eu não sei disso? – respondeu, agora mais alterado.

– Então por que não me contou? – insisti.

A tensão na sala aumentou de forma quase palpável.

– Porque não era o momento! – disse ele, elevando a voz pela primeira vez.

– Não era o momento para quem? – rebati, sentindo os olhos arderem. – Porque para mim, esse momento chegou do pior jeito possível!

Bella apertou levemente meu braço, tentando me conter.

– Nessie, por favor…

Mas eu já não conseguia parar.

Jacob respirou fundo, tentando se controlar, mas havia algo na forma como eu o pressionava que parecia levá-lo ao limite.

– Você está sendo imatura – disse ele, de repente.

As palavras dele ecoaram na sala.

E aquilo… foi o que mais doeu.

Senti como se algo dentro de mim tivesse sido quebrado naquele instante, de forma irreversível.

Porque não era mais apenas sobre a verdade.

Era sobre a forma como ele escolheu lidar com ela.


As palavras dele ecoaram dentro de mim de um jeito que eu não consegui ignorar. Imatura. Aquilo ficou reverberando como um golpe direto, não apenas pela forma como foi dito, mas pelo momento em que foi dito. Senti algo crescer no meu peito, uma mistura de dor, raiva e um ciúme que eu nem tentei esconder.

– Imatura? – repeti, rindo sem humor. – Talvez a Lucy seja mais madura do que eu, não é?

O silêncio que se seguiu foi pesado, mas eu não esperei por resposta. Não queria ouvir nada naquele instante. Antes que alguém tentasse me impedir, virei-me e saí da sala, os passos rápidos, quase atropelados, enquanto ignorava completamente a voz de Jacob me chamando atrás de mim.

– Nessie, espera! – ouvi ele gritar. – Me escuta!

Mas eu não parei.

Subi as escadas sem olhar para trás, sentindo as lágrimas ameaçarem cair, mas me recusando a deixar que isso me enfraquecesse naquele momento. Abri a porta do quarto com mais força do que pretendia e fui direto para o guarda-roupa, puxando a porta e começando a pegar algumas roupas sem muito cuidado.

Eu só precisava sair dali.

Precisava respirar.

Mal tive tempo de pensar muito antes de ouvir a porta sendo aberta novamente atrás de mim. Jacob entrou, e o som da fechadura girando me fez perceber que ele tinha trancado a porta.

– O que você está fazendo? – perguntou ele, a voz ainda carregada de tensão.

Nem me virei de imediato.

– Vou para Seattle – respondi, seca, enquanto puxava mais algumas peças. – Com os meus pais.

Ouvi os passos dele se aproximando.

– Nessie…

Antes que eu pudesse pegar mais alguma coisa, senti a mão dele segurar meu braço com cuidado, mas firme o suficiente para me fazer parar. Virei-me de uma vez, encarando-o, ainda tomada pela irritação.

– Me solta.

Ele não soltou.

Apenas manteve o olhar fixo no meu, agora mais controlado, mas ainda intenso.

– Você não vai a lugar nenhum.

Soltei uma pequena risada incrédula.

– Eu não vou?

– Não assim – respondeu ele, com mais firmeza. – Não fugindo de mim desse jeito.

Puxei o braço, tentando me soltar.

– Isso não é fugir, Jacob. É ter o mínimo de respeito por mim mesma.

Ele apertou um pouco mais o meu braço, sem machucar, mas deixando claro que não iria simplesmente me deixar sair.

– Então me escuta primeiro.

– Eu já ouvi o suficiente! – rebati, sentindo a voz falhar no final. – Eu ouvi que você me escondeu algo enorme… e ainda me chamou de imatura quando eu reagi!

Ele respirou fundo, tentando manter o controle.

– Eu errei em não te contar antes – disse ele, finalmente. – Mas eu não fiz isso para te machucar.

Balancei a cabeça, sentindo as lágrimas começarem a cair apesar de tudo.

– Mas machucou.

O silêncio caiu entre nós por um instante, pesado, carregado de tudo o que ainda não tinha sido resolvido.


Fiquei alguns segundos em silêncio depois das últimas palavras dele. Minha respiração ainda estava descompassada, e eu sentia o coração apertado, como se estivesse tentando encontrar um ritmo que já não era o mesmo. Parte de mim ainda queria sair dali, descer as escadas, ir embora sem olhar para trás. Mas outra parte… a parte que ainda confiava nele, ainda precisava ouvir.

– Me escuta… por favor – disse Jacob, dessa vez com a voz mais baixa, menos dura.

Fechei os olhos por um instante, tentando organizar tudo dentro de mim. Quando os abri novamente, já não havia tanta resistência no meu olhar. Não era perdão. Ainda não. Mas era um espaço.

Soltei o ar devagar e me afastei dele, caminhando até a cama. Sentei-me na beirada, passando as mãos pelo rosto antes de olhar para ele novamente.

– Fala.

Jacob pareceu perceber que aquele era o único momento que teria, e não desperdiçou.

Ele se aproximou devagar, mantendo uma certa distância, como se respeitasse o espaço que eu ainda precisava.

– Eu errei em não te contar – começou, direto, sem tentar suavizar. – Eu sei disso.

Eu não disse nada. Apenas o observei.

– Quando a Lucy me procurou… – ele continuou, passando a mão pelo cabelo – ela disse que estava grávida. Mas eu não tive certeza de nada naquele momento.

Franzi levemente a testa.

– Como assim?

– O tempo da gravidez – explicou ele. – Ele pode dizer muita coisa. Pode confirmar… ou não… se eu realmente sou o pai.

Aquilo fez meu peito apertar de novo.

– Então você ainda não sabe?

Ele balançou a cabeça.

– Não com certeza.

A resposta não trouxe alívio. Apenas mais confusão.

– E você achou melhor guardar isso? – perguntei, com a voz mais baixa agora, mas ainda carregada de dor.

– Eu achei melhor ter certeza antes de te colocar nesse meio – respondeu ele. – Porque, se não fosse meu… eu estaria te machucando à toa.

Desviei o olhar por um instante, tentando processar aquilo. Parte de mim entendia o que ele estava dizendo. Outra parte ainda se sentia traída.

– E o que aconteceu entre vocês? – perguntei, voltando a encará-lo.

Ele hesitou por um segundo, mas respondeu.

– Foi antes de eu te conhecer.

Aquela resposta veio direta, sem rodeios.

– Não significou nada além disso – acrescentou. – Foi uma noite. Só isso.

Engoli em seco, sentindo um aperto estranho no peito, uma mistura de ciúmes com algo mais difícil de definir.

– E mesmo assim… pode ter sido o suficiente – murmurei.

Ele assentiu, sério.

– Pode.

O silêncio voltou a se instalar entre nós, mas agora era diferente. Não era apenas tensão. Era reflexão.

Abaixei o olhar para minhas mãos, que repousavam sobre meu colo, e por instinto levei uma delas até minha barriga. Meu filho… nosso filho… estava ali, completamente alheio a tudo aquilo.

– Eu precisava saber disso por você… – disse, mais baixo, quase como um desabafo.

Jacob deu mais um passo na minha direção.

– Eu sinto muito amor.

Levantei o olhar novamente, encontrando o dele.

– Me perdoa, eu só tentei te proteger.

Pela forma como ele me olhava eu conseguia enxergar que ele dizia a verdade.