Eu ainda estava com o coração acelerado quando parei no meio da sala. Nem sabia se estava com raiva, medo ou só cansada. A gravidez, a pressão, meu corpo mudando, todo mundo opinando sobre tudo. Jacob veio atrás de mim, mas não se aproximou de imediato. Ele respeitou meu espaço. Ficou ali, a alguns passos, me observando como se tivesse medo de dizer a frase errada.

Meus pais e Antony chegaram logo depois, todos falando ao mesmo tempo. Eu só queria silêncio.

— Não precisa ficar nervosa — Jacob disse, com a voz baixa, tentando me alcançar.

— Como que eu não vou ficar nervosa? — respondi sem olhar pra ele. — Jacob… eu não quero casar. Não agora. Nem sei se quero algum dia. Eu tô cansada de todo mundo decidir a minha vida. Eu mal consigo respirar.

Meu pai franziu o cenho, confuso, e minha mãe tentou se aproximar, mas Jacob levantou a mão num pedido gentil.

— Por favor… deixem a gente conversar — ele pediu.

Edward hesitou, mas acabou concordando. Bella segurou minha mão por um segundo antes de soltar. Antony foi o último a sair, revirando os olhos como se estivéssemos em um drama de novela. Quando a porta fechou, eu senti o silêncio cair entre nós dois.

Jacob deu dois passos lentos, como se estivesse entrando numa área proibida.

— Desculpa — ele disse, e não soou vazio. Soou real. — Eu devia ter perguntado como você se sentia antes de abrir a boca. Devia ter pensado que pra você tudo isso é muito maior do que pra mim.

Eu respirei fundo, ainda irritada, mas menos explosiva.

— Você não pode decidir minha vida, Jacob. Ninguém pode.

Ele assentiu.

— Eu sei. E eu não quero decidir nada por você. Eu só… — ele esfregou a nuca, nervoso de verdade pela primeira vez — eu só tô tentando fazer o que parece certo. Pra você. Pro bebê. Pra gente… se você ainda quiser um “a gente”.

Meu peito apertou.

— Eu só queria ter escolha… — sussurrei.

Jacob deu mais um passo. Agora estava perto o bastante pra eu sentir o cheiro dele.

— Eu tô tentando dar essa escolha pra você. E se eu falhei, eu assumo. Eu não quero te pressionar, Renesmee. Nunca. — Ele fez uma pausa longa. — Mas uma coisa eu preciso dizer… porque guardar isso tá me matando.

Meu coração disparou no mesmo instante.

— O quê?

Ele levantou a mão devagar e tocou meu rosto com a ponta dos dedos.

— Eu te amo.

Meu estômago virou.

Meus olhos também.

Ele continuou.

— Não é impulso. Não é piedade. Não é responsabilidade. É amor. Eu me apaixonei por você antes mesmo de saber seu nome. Antes de saber do bebê. Antes de saber de qualquer coisa.

Eu senti o ar sumir.

Jacob respirou fundo, a voz saindo quase num sussurro.

— Então se você não quiser casar agora… eu respeito. Se quiser esperar… eu espero. Se não quiser casar nunca… eu vou continuar aqui do mesmo jeito. Eu não tô com você por obrigação. Eu tô porque… eu escolhi você.

Eu fechei os olhos um segundo, deixando as palavras dele baterem, afundarem, acalmarem o que estava gritando dentro de mim.

Quando abri os olhos, Jacob estava me olhando como se eu fosse feita de vidro.

Eu dei um passo pra frente.

E outro.

Até ficar tão perto que senti a respiração dele na minha boca.

— Jacob… — minha voz quase não saiu — eu também te amo.

O rosto dele mudou. Ficou mais leve, mais vivo, mais… vulnerável.

Eu toquei o peito dele, sentindo o coração acelerado igual ao meu.

— Mas você precisa andar no meu ritmo — acrescentei. — Não no ritmo da minha família. Nem no seu. No meu.

Ele assentiu sem hesitar.

— No seu ritmo. Sempre.

Eu suspirei, finalmente sentindo que alguém me ouvia.

Jacob então me puxou devagar pela cintura, como se tivesse medo de eu fugir. E eu deixei. Porque ali, nos braços dele, pela primeira vez em muito tempo… eu me senti segura.

E quando ele me beijou, eu percebi que pela primeira vez… aquilo era uma escolha minha. Só minha.

E eu escolhi ele.


Eu ainda estava tentando recuperar o fôlego depois daquele beijo quando Jacob segurou minha mão como se ela fosse a coisa mais natural do mundo. Meu rosto queimava e eu ainda sentia o gosto dele nos meus lábios. Era estranho e ao mesmo tempo… tão certo.

Respirei fundo para me recompor.

— Jake… — comecei, sem coragem de encarar os olhos dele.

Ele tocou meu queixo, fazendo meu olhar subir. Aquilo sempre me desmontava.

— Pode falar — disse ele, com aquela voz calma que me dava paz.

Eu engoli seco.

— Antes de tudo isso acontecer… o Riley me pediu em casamento. — As palavras saíram quase num sussurro. — Mas… não era real. Não era nada daquilo que eu achava que era.

Jacob franziu o cenho, mas não interrompeu. Eu gostei disso. Ele sempre me escutava.

— Eu não estou te comparando com ele — continuei, apertando a mão de Jacob entre as minhas. — Só… eu quero que com você seja diferente. Quero que seja verdadeiro. Quero ter tempo de… — suspirei, procurando a palavra certa — sentir.

Ele sorriu de um jeito tão carinhoso que quase me derreteu ali mesmo. Depois levou minha mão à boca e beijou devagar.

— Eu entendo, Nessie. E respeito cada coisa que você sente. — Ele falou perto demais, e meu coração bateu forte. — Mas eu quero você comigo. Na fazenda. Com calma, do nosso jeito. E o Edward…

— Meu pai não decide a minha vida — o interrompi antes que ele terminasse, meio surpresa comigo mesma. — Eu tenho vinte anos, não dois. Eu vou com você.

A expressão dele mudou completamente. Primeiro surpresa. Depois um sorriso lento, cheio daquele orgulho bobo que deixava tudo quente aqui dentro.

— Vai conseguir enfrentar seu pai? — ele perguntou com aquele tom provocador que me fazia querer beijá-lo de novo.

Eu soltei o ar, meio rindo, meio nervosa.

Ele segurou meu queixo de novo e aproximou o rosto.

— Posso sugerir uma coisa?

— O quê? — perguntei, já desconfiando da bagunça que vinha aí.

Jacob pegou delicadamente meu dedo e passou o polegar por onde a aliança costumava ficar.

— Eu posso colocar uma aliança aqui… só pra acalmar os ânimos do velho Cullen. — Ele piscou. — E a gente só casa quando você decidir. Pode ser daqui um ano… ou no aniversário de dezoito anos do nosso filho que ainda nem nasceu.

Eu não aguentei. A gargalhada simplesmente escapou.

— Jake — falei entre risos — você não presta.

— Mas você gosta de mim — ele retrucou, chegando mais perto.

E era verdade. Tão verdade que dava medo.

Eu assenti, ainda rindo, ainda corada, ainda completamente entregue.

E no final… eu acabei cedendo. Como se meu coração já tivesse decidido por mim.


Eu estava dobrando algumas roupas em cima da cama, tentando colocar a cabeça em ordem antes de começar a arrumar as malas, quando ouvi a porta abrir devagar. Minha mãe entrou com uma bandeja nas mãos e aquele olhar doce que sempre me desmontava.

— Trouxe o jantar — ela disse, colocando a bandeja sobre a escrivaninha antes de vir se sentar ao meu lado.

Senti seu perfume familiar e, por um instante, tudo pareceu um pouco mais fácil.

— Você tem certeza disso, meu amor? — Bella perguntou baixinho, observando cada detalhe do meu rosto. — Sobre aceitar o pedido de casamento do Jacob. Você não precisa fazer isso para agradar o seu pai. Nem para agradar o Jacob. A decisão tem que ser sua.

Eu respirei fundo e deixei um sorriso tranquilo aparecer.

— Mãe… eu só vou ficar noiva. Nada de casamento agora. E o Jacob concordou. Ele disse que espera o tempo que eu precisar.

Os olhos da minha mãe suavizaram, como se aquilo tirasse um peso enorme das costas dela. Ela segurou minha mão e apertou de leve.

— Foram meses muito intensos, Renesmee. Você passou por tanta coisa… e mesmo assim continuou de pé. Eu admiro isso em você.

Olhei para minha barriga, que já começava a ganhar forma por baixo da camiseta larga. Passei a mão ali, devagar, como se meu toque pudesse proteger aquela vidinha por dentro.

— Eu tive muito medo, mãe — confessei. — No começo eu achava que não ia conseguir. Mas agora… agora que eu realmente vejo esse bebê crescendo aqui… eu amo tanto ele. Tanto.

Minha mãe sorriu daquele jeito que aquecia o peito, puxou meu rosto e me deu um beijo na testa.

— E ir morar com o Jacob… é uma mudança grande — ela disse. — Não só por ele. Mas porque é uma vida diferente. Uma fazenda. Uma rotina nova. Um mundo novo. Eu só quero ter certeza de que você está fazendo isso porque quer. Porque sente que é o certo.

Respirei fundo de novo, sentindo aquela mistura de ansiedade e paz que o nome dele sempre trazia.

— Ele me faz sentir… segura — murmurei. — Eu sei que é estranho. Tudo foi rápido demais. Mas quando ele está perto, eu sinto que posso respirar. Que nada vai dar tão errado quanto parece na minha cabeça.

Bella ficou em silêncio por um instante, me observando como se enxergasse além das minhas palavras.

— Então você está indo pelo motivo certo — ela disse enfim. — Não por obrigação. Não por pressão. Mas porque ele te faz bem.

Assenti, sentindo meu peito aquecer.

— Eu sei que é uma mudança enorme, mãe. Mas… acho que estou pronta. E, pela primeira vez em muito tempo, eu estou indo por escolha minha.

Minha mãe sorriu como quem queria chorar de orgulho.

— Então eu vou estar com você em cada passo.

E quando eu a abracei, percebi que, apesar de todo o caos, eu finalmente estava começando a construir a minha própria história. Com meu bebê. E com Jacob.