O pai do meu bebê
43 Renesmee
Eu estava sentada na janela, com as pernas encolhidas e a testa apoiada no vidro frio. A conversa com minha mãe ainda rodava na minha cabeça.
Ela dizendo que meus olhos brilhavam quando Jacob estava por perto.
Ela dizendo que eu precisava permitir que ele se defendesse.
E eu… tentando não admitir, nem para mim mesma, o que sentia.
Respirei fundo, acariciando a barriga numa tentativa de me acalmar, quando a porta do meu quarto abriu devagar.
Jacob entrou.
E meu coração disparou.
Ele parecia tenso, mas determinado. Parou alguns passos dentro do quarto e encontrou meus olhos, como se buscasse permissão antes mesmo de falar.
— Posso sentar? — ele perguntou, apontando para a beira da cama.
Demorei um segundo para responder.
Depois, assenti.
Ele sentou, as mãos apoiadas nas próprias pernas, tentando parecer mais tranquilo do que realmente estava. Eu fiquei na poltrona, observando, esperando… temendo.
— A primeira coisa que você precisa saber… — ele começou, a voz firme mas suave. — Heidi não é mais minha esposa. Nós estamos divorciados. Os papéis já estão assinados.
Senti algo dentro de mim se mover.
Surpresa.
Alívio.
Confusão.
Tudo misturado.
Antes que eu pudesse reagir, ele continuou:
— E a segunda coisa… — levou a mão à nuca, num gesto quase tímido. — Quando Rebecca disse que eu ia conhecer a mãe do meu filho, eu esperava tudo. Tudo mesmo. Menos encontrar você. A mesma garota que eu quase atrop elei naquele dia no parque.
Meu coração tropeçou.
Eu me lembrava daquele dia com detalhes absurdos.
— Desde aquele dia… — ele disse mais baixo — você não saiu da minha cabeça. Eu tentei ignorar. Juro que tentei. Mas não deu.
Senti a muralha que eu vinha segurando rachar por dentro.
Jacob se levantou da cama e veio até mim devagar.
Parou na minha frente.
Calmo, aberto, sincero.
— Eu estou do seu lado, Renesmee — falou com firmeza. — Nem Heidi, nem ninguém, vai tocar em você ou no nosso filho. Não enquanto eu estiver aqui. E eu vou estar.
Levantei quase sem perceber.
Quando dei por mim, estava tão perto que sentia a respiração dele tocar a minha pele.
Meu corpo agiu antes da minha mente: minha mão subiu devagar e tocou o rosto dele.
Quente.
Firme.
Meu.
— Jake… — sussurrei, finalmente admitindo o que estava tentando esconder de mim mesma.
Ele segurou minha cintura com cuidado, como se esperasse que eu mudasse de ideia.
Eu não mudei.
— Eu estou completamente apaixonado por você — ele falou, num fio de voz que arrepiou minha espinha. — Desde a primeira vez que te vi.
Um sorriso escapou de mim, pequeno, tímido, mas real.
Eu já não queria esconder nada.
Dei um passo que ainda faltava e o beijei.
O beijo começou leve, quase inseguro.
Depois ganhou força, ganhou calor.
E tudo aquilo — a dor, o medo, a confusão — derreteu como se nunca tivesse existido.
O beijo dele tinha um gosto quente, urgente e ao mesmo tempo tão cuidadoso que meu peito parecia pequeno demais pra tudo que eu sentia.
Quando nossas bocas se separaram devagar, ainda próximas, eu fiquei ali, tentando respirar direito enquanto Jacob me olhava como se estivesse vendo algo precioso.
Ele ergueu a mão e segurou meu queixo com delicadeza, o polegar roçando minha pele como se pedisse mais um instante só nosso.
— Se for pra ganhar beijos assim depois… — ele disse, com aquele sorriso torto que me desmontava — eu não me importo de levar uns tapas de vez em quando.
Minha cara ardeu na hora.
— Desculpa — murmurei, sem saber onde enfiar a vergonha, enquanto tocava o rosto dele. — Eu estava… perdida. Assustada. E com raiva também.
— Eu sei — ele respondeu baixinho. — Mas agora você me ouviu. Isso é o que importa.
Antes que eu pudesse pensar, já estava me inclinando de novo.
Jacob me puxou pela cintura e nossas bocas se encontraram outra vez, mais lentas, mais profundas.
Um beijo que parecia resposta.
Promessa. Então o barulho da porta se abrindo fez a gente se afastar rápido.
— Ai… desculpem! — minha mãe disse, parada no batente com uma expressão tão surpresa quanto divertida. — Eu… claramente interrompi alguma coisa.
Meu rosto queimava.
Jacob limpou a garganta, virou um pouco de lado como se estivesse tentando parecer menos evidente.
— Mãe… — consegui dizer, sem saber se ria ou se me escondia dentro do armário. — Está tudo bem. A gente… conversou.
Um sorriso aliviado iluminou o rosto dela.
— Fico tão feliz em saber disso — Bella respondeu, entrando mais um passo. — Vocês dois merecem paz. Principalmente você, filha.
Eu senti o peito se aquecer.
Bella sorriu com aquele jeito dela que sempre me acalmou desde criança.
— Já que tudo está resolvido… — ela disse, animada — Jacob poderia ficar e jantar conosco.
Eu pisquei, surpresa.
Tinha esquecido completamente que eu e Jake íamos sair hoje.
— A gente ia jantar fora — falei, me virando para ele. — Jake… tudo bem se for amanhã?
Ele sorriu daquele jeito leve que me desmontava toda vez.
— Melhor ainda — respondeu. — Amanhã você já vai estar mais tranquila.
O calor subiu pelo meu rosto. Bella percebeu.
— Ótimo — ela disse. — Então vou avisar o seu pai pra não ficar andando de um lado pro outro feito um leão preso. E vou pedir para arrumarem a mesa.
Eu sorri, aliviada e agradecida.
— Obrigada, mãe.
Ela estava quase saindo quando senti algo estranho.
Uma pressão no peito.
O ar ficou pesado.
— Mãe… — murmurei, tentando me apoiar na cama. — Eu… acho que…
Tudo começou a girar.
Jacob deu um passo rápido na minha direção.
— Nessie? — ele chamou, a voz ficando distante. — Ei, olha pra mim. O que você está sentindo?
Eu tentei responder, mas o chão pareceu sumir dos meus pés.
As luzes ficaram borradas.
A voz da minha mãe ficou aguda e desesperada.
— Edward!
Meu corpo perdeu força e, antes que eu caísse, senti os braços de Jacob me envolverem com força, me segurando como se eu fosse a coisa mais preciosa do mundo.
— Nessie, fica comigo… — foi a última coisa que ouvi, abafada.
E então tudo ficou escuro.
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