O som dos monitores preencheu o quarto enquanto eu esperava Rebecca terminar de explicar tudo para mim, para Edward e para Bella.

Eu mal conseguia ficar parado.

Meu peito parecia pequeno demais para a preocupação.

Rebecca tirou os óculos, coçou a testa e disse:

— Renesmee teve uma queda brusca de pressão. É relativamente comum no quarto mês de gestação, mas no caso dela veio associada a anemia moderada e estresse físico e emocional. O corpo não aguentou.

Eu fechei os olhos, tentando segurar a raiva que subiu pela garganta.

Raiva de mim.

Raiva da situação.

Raiva de tudo o que ela tinha passado sozinha naquela manhã.

— Ela precisa descansar — Bella disse, ansiosa, passando a mão no braço da filha que ainda dormia. — Nada de sustos, discussões ou esforço. Nada.

Rebecca concordou.

— Reforce a alimentação. Hidrate bastante. E, por favor, protejam a Renesmee do que quer que esteja causando esse estresse. Ela não pode ter outra queda dessas.

Doía ouvir isso.

Doía saber que eu tinha parte nisso.

Rebecca então colocou um envelope nas minhas mãos.

— Aqui está o ultrassom. Mostra o sexo do bebê. Mas… — ela sorriu com delicadeza — imaginei que você fosse querer ver isso com ela acordada.

Eu segurei o envelope como se fosse algo sagrado.

— Vou abrir só quando ela estiver comigo — respondi. Minha voz saiu mais baixa do que eu queria.

Rebecca assentiu e saiu. Edward e Bella conversaram com mais alguns médicos no corredor.

Eu aproveitei para entrar no quarto.

Renesmee estava deitada, pálida, respirando devagar.

As mãos repousavam sobre a barriga, e aquilo… aquilo me destruiu e me remontou ao mesmo tempo.

Arrastei a cadeira para perto da cama e sentei.

Fiquei ali, observando cada movimento dela.

Cada suspiro.

Cada sombra que o monitor fazia no rosto dela.

Depois de alguns minutos, ela mexeu os dedos.

A respiração mudou.

E os olhos — meus Deus — abriram devagar, como se o mundo estivesse pesado demais pra carregar.

— Ei… — eu disse, quase num sussurro. — Tô aqui.

Ela piscou algumas vezes, tentando focar em mim.

— Jacob…? — a voz saiu fraca. — O que… aconteceu?

Aproximei minha mão da dela, mas só toquei quando ela não recuou.

— Você desmaiou, Nessie. Teve uma queda de pressão. Um susto, só isso. Já tá tudo sob controle.

Ela respirou fundo, tentando se situar.

Eu encostei minha testa na dela, sem pensar, sem medir.

— Não faz isso comigo de novo — murmurei. — Não faz isso com a gente.

Ela fechou os olhos por um instante, como se precisasse daquele toque para lembrar onde estava.

E então, pela primeira vez desde que a peguei nos braços antes do desmaio… eu consegui respirar de verdade.

Ela estava ali.

Consciente.

Comigo.

E isso era tudo que importava.


Fiquei sentado ao lado da cama, ainda com o envelope fechado na mão, quando ela abriu os olhos devagar. Parecia cansada, pálida, mas consciente. Assim que me viu, tentou se mover.

— O bebê… ele tá bem? — a voz saiu fraca, cheia de medo.

Aproximei meu rosto do dela e peguei sua mão.

— Tá sim. — falei baixo, firme. — Você desmaiou por causa da falta de descanso. Rebecca explicou. Nada grave, mas você precisa pegar leve. Pelo nosso filho… e por você.

Vi os olhos dela marejarem. Ela buscava alguma resposta no meu rosto, e eu apertei a mão dela de novo, tentando passar segurança.

— Rebecca fez o ultrassom — continuei, levantando o envelope. — Tá aqui.

Ela arregalou os olhos, preocupada outra vez.

— Mas tá tudo normal? Não tem nada errado? — perguntou rápido.

— Nada. Ele tá perfeito. — respondi com um sorriso. — Só falta a gente descobrir o que ele é.

Ela olhou o envelope como se fosse algo sagrado. Depois olhou pra mim.

— Você já abriu?

Balancei a cabeça.

— Não. Eu queria fazer isso com você. Sempre com você.

Por um instante, ela respirou fundo, como se criasse coragem. Então pegou o envelope das minhas mãos. Eu juro que senti meu coração bater mais forte que o normal. Talvez até mais do que na primeira vez que montei num cavalo.

Ela abriu devagar, abriu o papel dobrado dentro e leu.

O sorriso surgiu aos poucos, primeiro tímido… depois cresceu. Iluminou o rosto dela todo.

— Jake… — ela levantou os olhos, brilhando. — É um menino.

Não consegui evitar. O riso saiu solto, puro. Senti um calor no peito que nunca tinha sentido na vida.

Meu filho. Nosso filho.

Me aproximei ainda mais dela, encostei minha testa na dela e sussurrei:

— A gente vai ter um garoto, Nessie. Um garoto forte, teimoso e lindo igual você.

Ela riu baixinho, e eu agradeci mentalmente por ela estar ali, por o bebê estar bem… e por esse momento ser nosso.

O primeiro de muitos.


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Rebecca fechou a pasta de exames com um cuidado que me deixou gelado. Eu não era médico, mas reconhecia aquele silêncio que antecede notícia ruim. Bella cruzou os braços devagar. Edward ficou rígido na cadeira, como se já soubesse.

Eu dei um passo à frente.

— Rebecca… aconteceu alguma coisa? — minha voz saiu mais grave do que eu queria.

Ela respirou fundo e apontou para a cadeira ao meu lado.

— Senta, Jacob. Melhor você ouvir isso com calma.

Eu sentei, mas calma era a última coisa que eu tinha.

— Eu pedi exames extras para a Renesmee — ela começou. — Só por precaução. E ainda bem que pedi. Os resultados chegaram.

Edward fechou os olhos por um instante.

— O que ela tem? — perguntei sentindo o coração bater forte demais.

Rebecca pousou a mão sobre a mesa.

— Pré-eclâmpsia.

A palavra bateu em mim como um coice.

Eu não entendia todos os detalhes, mas conhecia o suficiente para saber que não era brincadeira. Olhei para Bella. Ela estava pálida.

— Isso… isso coloca ela em risco? O bebê? — perguntei, tentando manter a voz firme.

— Coloca — Rebecca respondeu sem rodeios. — Mas ela está no início. Aos quatro meses, conseguimos controlar se cuidarmos direito. A pressão dela está oscilando. Ela precisa de descanso, pouca tensão, boa alimentação e acompanhamento constante.

Eu passei a mão no rosto, respirando fundo. O peito apertou.

— E se ela não descansar?

Rebecca me encarou como quem lembra que eu sou o pai e preciso entender direito.

— Jacob… a pré-eclâmpsia pode evoluir rápido. Pode afetar os rins, o fígado… pode causar convulsões. E sim, pode colocar o bebê em risco. Por isso a Nessie precisa de uma gravidez tranquila. Sem estresse. Sem sustos. Sem discussões.

Eu engoli seco.

Tranquila.

A palavra parecia impossível naquela confusão de vida que a gente vinha vivendo.

— A gente vai cuidar dela — Edward disse, firme, quase como um voto. — Eu prometo.

Rebecca olhou para mim.

— E você também. Ela confia em você. E isso ajuda mais do que qualquer remédio.

Eu senti o impacto daquilo direto no peito. Porque era verdade. Nessie já me deixava entrar um pouco no mundo dela… e agora, mais do que nunca, eu precisava ser porto seguro.

— Vou fazer o que for preciso — falei sem pensar duas vezes. — Tudo. Por ela e pelo nosso menino.

Bella sorriu fraco, emocionada.

Rebecca assentiu.

— Então vamos fazer isso juntos. A Renesmee pode levar essa gestação com segurança, mas depende muito do ambiente em volta dela. Nada de brigas. Nada de pressões. Nada que mexa com o emocional dela.

Edward olhou para mim e, pela primeira vez, não era o médico falando comigo. Era o pai.

— Jacob… minha filha é a coisa mais preciosa que eu tenho. Protege ela.

Eu olhei direto nos olhos dele.

— Já estou fazendo isso.

Meu peito queimava, mas não de medo.

De decisão.

Eu ia proteger a mãe do meu filho.

Eu ia proteger meu filho.

E ia lutar, com tudo que eu sou, para que os dois chegassem bem ao final dessa estrada.

Mesmo que eu precisasse enfrentar o mundo inteiro.