A porta se abriu devagar e a doutora Rebecca entrou com seu jaleco impecável, o cabelo preso em um coque firme e uma expressão tranquila. Ela parecia surpresa ao encontrar meus pais tensos e eu com o rosto ainda molhado pelas lágrimas.

— Doutor Cullen? — disse, olhando primeiro para o meu pai. — Por que a urgência? Aconteceu alguma coisa?

Meu pai não perdeu tempo. Pegou os papéis sobre a mesa e os entregou a ela com firmeza.

— Esses são os exames da minha filha. Os resultados indicam gravidez.

Rebecca ergueu as sobrancelhas, surpresa, e começou a folhear os documentos. Quanto mais lia, mais franzia a testa.

— Isso não pode estar certo… — murmurou. — Renesmee não está grávida.

Meu coração disparou.

— Eu disse! — exclamei, olhando para o meu pai. — Os exames estão errados, eu sabia!

Rebecca ergueu os olhos para mim, com uma calma que me trouxe algum alívio.

— Há oito semanas eu mesma acompanhei sua rotina, Renesmee. Você fez apenas exames preventivos, nada que justificasse esse resultado. Deve haver uma confusão de prontuários.

Meu pai fechou a mão em punho, claramente incomodado.

— Pode confirmar isso?

Rebecca assentiu, decidida.

— Vamos fazer um ultrassom. É o único jeito de esclarecer agora.

Concordei, respirando fundo. Minha mãe me ajudou a levantar, ainda segurando minha mão, e seguimos pelos corredores até a sala de ultrassom. O som dos nossos passos ecoava, cada vez mais pesado, como se o chão me puxasse para baixo.

Dentro da sala, Rebecca preparou os equipamentos enquanto eu me sentava na maca, tentando não tremer.

— Renesmee, você notou algum atraso menstrual nos últimos meses? — perguntou com delicadeza.

Suspirei.

— Eu… sempre atraso. Desde os quinze. Por isso comecei a fazer exames de rotina a cada quatro meses. Nunca confiei muito no meu próprio ciclo.

Rebecca assentiu, como se estivesse juntando as peças de um quebra-cabeça.

— Entendo. Então vamos ver o que está acontecendo.

Deitei na maca, ajeitando a blusa e posicionando o abdômen de acordo com a orientação dela. O gel frio encostou na minha pele e me fez estremecer. Minha mãe segurou meu braço, enquanto meu pai cruzava os braços, rígido, como se não conseguisse respirar até ouvir a verdade.

Eu fechei os olhos e tentei me preparar para o que estava por vir.

Perfeito, vou dar sequência à cena no ultrassom, mostrando o impacto da descoberta e as reações fortes de cada personagem, mantendo a narração pela voz de Renesmee.

O silêncio na sala só foi quebrado pelo som do aparelho ligando. O coração batia tão rápido que parecia ecoar no meu ouvido. Rebecca passou o transdutor em meu abdômen e, em segundos, a tela se iluminou com uma imagem que eu não soube decifrar.

Foi ela quem falou primeiro:

— Aqui está… — sua voz saiu suave, mas firme. — Renesmee, você realmente está grávida. Oito semanas, aproximadamente.

Meu corpo gelou. Senti o chão sumir debaixo de mim.

— Isso é impossível… — sussurrei, negando com a cabeça. — Não pode ser… Não pode!

Meu pai explodiu.

— Impossível? — ele ergueu a voz, os olhos faiscando. — Renesmee, você tinha uma vida inteira pela frente! Faculdade, planos, futuro! E agora… isso?

As lágrimas inundaram meus olhos antes mesmo que eu pudesse me controlar. A voz dele me feria como lâminas.

— Pai, eu não… eu não… — soluços me cortavam a fala.

— Doutor Cullen, basta! — Rebecca tentou intervir, mas ele não a ouviu.

Foi minha mãe quem agiu. Bella se colocou entre nós, segurou o braço dele e, com firmeza, disse:

— Você vai sair agora, Edward. Está machucando a sua filha.

— Bella… — ele tentou argumentar, mas ela foi mais dura:

— Agora!

Meu pai me lançou um último olhar, tomado de frustração e raiva, e saiu da sala acompanhado dela. O silêncio que ficou foi preenchido apenas pelo som baixo do equipamento ainda ligado.

Rebecca desligou o aparelho e se aproximou de mim. Pousou a mão em meu ombro e, vendo meu choro, simplesmente me abraçou.

— Calma, querida. Você não está sozinha nisso.

Abracei-a de volta, com força, como se precisasse me agarrar em alguém para não desabar.

— Eu não posso estar grávida… — murmurei entre lágrimas. — Riley e eu nunca tivemos nada. Eu sou virgem.

Rebecca me afastou um pouco, olhando fundo nos meus olhos. Seu semblante endureceu, mas não em reprovação — em preocupação.

— Então alguma coisa muito errada aconteceu aqui, Renesmee. — Ela respirou fundo. — E eu vou descobrir o que foi.

As lágrimas continuaram a escorrer, mas pela primeira vez senti que alguém acreditava em mim.

Já era noite quando finalmente consegui voltar para casa. O quarto estava mergulhado em penumbra, a única luz vinha da lua filtrada pela janela. Eu fiquei ali, imóvel, olhando para fora como se a escuridão pudesse me dar respostas.

O celular vibrava sem parar na minha mão. O nome de Riley piscava na tela pela décima vez, mas eu não conseguia atender. O peso daquela palavra — grávida — ainda ecoava em mim como um trovão.

O silêncio da casa era sufocante. Eu sabia que meu pai estava trancado no escritório, remoendo a raiva, enquanto minha mãe tentava costurar o impossível entre nós. O clima era insuportável.

Foi então que ouvi batidas leves na porta. Antes que eu pudesse responder, Antony entrou como se fosse dono do espaço, carregando uma caixa de pizza equilibrada em um braço e duas latas de refrigerante na outra mão.

— Emergência médica: uma dose de queijo derretido para a paciente — disse, sorrindo torto.

Não consegui evitar o riso.

— Tony, você nasceu no pai errado. Devia ser filho do tio Emmett.

— Já me disseram isso — respondeu, com fingida seriedade, enquanto deixava a caixa e as latas na mesinha ao lado da cama. — Mas a genética não mente. Felizmente, herdei do papai apenas o cérebro. A parte ranzinza ficou com ele.

Revirei os olhos, mas o coração se aqueceu. Ele se sentou ao meu lado e abriu a pizza, o cheiro tomando conta do quarto.

— Vai dar tudo certo, Nessie — disse em tom mais suave. — Eu prometo. E já vou avisando: serei o tio mais presente que essa criança vai ter.

Senti meus olhos marejarem de novo. Deitei a cabeça no ombro dele, encontrando naquele gesto a paz que o dia inteiro me tinha negado.

Antony deu um gole na sua lata de refrigerante, e depois soltou mais uma das suas pérolas.

— Mas olha, você precisa ver o lado bom. Vai entrar para a história como a segunda mulher virgem a dar à luz ao filho do espirito santo.

A gargalhada escapou de mim antes que eu pudesse controlar. Ri alto, de verdade, pela primeira vez desde a manhã.

— Você é impossível, Tony.

— E você é minha irmãzinha. — Ele sorriu, passando o braço por cima dos meus ombros. — E não importa o que aconteça, eu vou estar aqui.

Naquele instante, percebi que, apesar do caos, eu ainda tinha onde me apoiar.