O pai do meu bebê
16 Renesmee
Meu pai me esperava diante do Canlis, um dos restaurantes mais elegantes de Seattle. A fachada envidraçada refletia o céu cinzento, e o interior, visível através das amplas janelas, era acolhedor, com luzes amareladas e um piano suave ao fundo.
Quando o vi parado na entrada, vestindo um terno escuro e um olhar mais sereno do que nos últimos dias, percebi que aquele não seria apenas um almoço comum.
Ele sorriu ao me ver se aproximar.
— Pensei que fosse me deixar esperando.
— Desculpe, tive um imprevisto— respondi, retribuindo o sorriso.
Entramos, e um garçom nos conduziu até uma mesa próxima à janela, de onde se via o Lago Union coberto por uma neblina delicada. Eu estava prestes a abrir o cardápio quando duas vozes conhecidas interromperam o som ambiente.
— Espero que ainda haja lugar para nós — disse minha mãe, sorrindo ao se aproximar.
Atrás dela, vinha Antony, com o mesmo ar descontraído de sempre, mas o olhar carinhoso voltado para mim.
— Surpresa — completou ele, puxando uma cadeira.
Olhei para o meu pai, confusa.
— Eu não fazia ideia de que eles viriam.
— Eu marquei este almoço como uma reunião de família — explicou ele, com calma. — Achei que, depois de tudo o que aconteceu, seria bom estarmos juntos.
Minha mãe tocou levemente minha mão sobre a mesa.
— Só queremos que saiba que estamos com você, querida. Não há julgamento aqui, apenas amor.
As palavras dela me desarmaram por completo.
— Eu sei, mãe. — Sorri, sentindo um nó na garganta. — E isso significa mais do que posso expressar.
Antony me observou por um momento, depois disse com aquele humor discreto que sempre aliviava o ambiente:
— Eu disse ao pai que estava na hora de fazermos algo normal. E, pra esta família, um almoço em silêncio não é exatamente normal.
Rimos, e pela primeira vez em muitos dias, o som da minha risada soou natural.
O garçom trouxe o vinho e os pratos foram servidos — salmão grelhado, legumes salteados, aromas suaves que me lembravam os almoços tranquilos de quando eu era criança. Durante a refeição, falamos sobre assuntos simples: a faculdade, as viagens de Antony, as novas pesquisas do hospital. Nenhum deles mencionou a gravidez, mas havia algo reconfortante em saber que não precisavam. O apoio estava ali, silencioso, nas pequenas coisas — nos olhares, nos gestos, no cuidado.
Meu pai, que sempre fora contido, manteve um tom sereno durante todo o almoço. Em determinado momento, quando eu distraidamente olhava pela janela, ele colocou a mão sobre a minha.
— Renesmee — disse, num tom baixo, mas cheio de ternura. — Quero que saiba que tudo o que eu fizer daqui pra frente será para garantir que você esteja bem. Você, e essa criança.
Olhei para ele, com os olhos marejados.
— Obrigada, pai. Eu sei que, mesmo quando parece duro, é amor o que te move.
Minha mãe sorriu, emocionada.
— É amor o que nos move a todos.
Antony ergueu a taça de vinho, em um gesto simbólico.
— Então brindemos a isso. À família, e ao que quer que venha depois.
— À família — repetimos em uníssono.
Enquanto brindávamos, senti o calor das mãos deles e a familiaridade daquele instante. Pela primeira vez desde que tudo começara, não me senti assustada.
Naquela mesa, entre risos, olhares e lembranças, encontrei novamente o chão que havia perdido.
E percebi que, mesmo diante do desconhecido, eu não estava sozinha.
Perfeito, Suellen. Aqui está a continuação narrada por Renesmee, em um tom íntimo, elegante e humano. A cena mistura surpresa, emoção contida e tensão silenciosa — todos os sentimentos que convivem dentro de uma família tentando se reencontrar após um acontecimento que mudou tudo.
O almoço seguia tranquilo, quase leve. A conversa se misturava com o som suave do piano e o burburinho discreto do restaurante. Às vezes, eu observava meus pais trocando olhares silenciosos, como se dialogassem sem precisar de palavras. Havia algo no semblante do meu pai — aquele olhar firme e analítico, típico dele quando estava prestes a dizer algo importante.
Ele pousou os talheres, limpou os lábios com o guardanapo e, por um instante, o tempo pareceu desacelerar.
— Renesmee — começou, num tom calmo, mas deliberado. — Há algo que preciso lhe contar.
Minha mãe parou de cortar o salmão e o olhou, surpresa. Antony, que até então brincava com o celular, ergueu os olhos, atento.
— O que foi, pai? — perguntei, tentando disfarçar a ansiedade.
Ele respirou fundo antes de continuar.
— Eu conheci o pai do bebê.
Meu coração pareceu parar por um segundo. Senti a taça escorregar levemente entre meus dedos. Minha mãe o observava em silêncio, e Antony, curioso, se inclinou sobre a mesa.
— O quê? — consegui dizer, engolindo em seco.
— O nome dele é Jacob Black — explicou meu pai, com a serenidade de quem havia ensaiado aquelas palavras. — É um homem correto, responsável. Um criador de cavalos, irmão da doutora Finau. Veio me procurar ontem.
A cada palavra, eu sentia o chão se afastar um pouco mais. A ideia de que aquele homem, um completo estranho, tinha agora um laço tão íntimo comigo era quase insuportável.
— Eu não sei se quero dividir essa criança com alguém que eu nunca vi, pai — confessei, a voz mais trêmula do que eu gostaria. — Eu não pedi por nada disso… e não sei se estou pronta para ver esse homem como parte da minha vida.
Meu pai me olhou longamente antes de responder.
— Eu entendo, Renesmee. E, acredite, não espero que isso aconteça agora. — Fez uma breve pausa, olhando para minha mãe. — Mas eu pensei melhor sobre tudo. E acho que talvez o mais apropriado seja você se casar com Riley.
O silêncio à mesa foi imediato.
Minha mãe arregalou os olhos, surpresa. Antony, que acabava de tomar um gole de suco, tossiu, quase engasgando.
— Pai… o senhor está bêbado? — perguntou, entre incrédulo e divertido.
— Antony! — repreendeu minha mãe, tentando conter o riso.
Mas meu pai manteve a seriedade.
— Não estou bêbado. Estou sendo prático. — Voltou-se para mim, o olhar firme. — Não é fácil para um homem aceitar casar-se com uma jovem que espera o filho de outro. Se Riley está disposto a fazer isso, demonstra caráter. E eu respeito isso.
Fiquei completamente imóvel. Por dentro, meu peito se apertava com o peso da mentira silenciosa. Riley não sabia. Ele não fazia ideia. E, diante daquela mesa, rodeada por olhares esperançosos, eu não tive coragem de dizer nada.
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