O pai do meu bebê
40 Jacob
Bella e Edward se aproximaram de Renesmee no mesmo instante em que ela virou o rosto pra mim.
Bella tocou o braço da filha com cuidado, como se medo e fragilidade fossem uma coisa só.
— Filha… vamos subir um pouco, por favor — ela pediu, a voz dócil. — Você não pode passar por esse estresse. O bebê sente tudo.
Renesmee respirava rápido demais.
Os olhos vermelhos, a mandíbula trêmula.
E, mesmo assim, ela tentou manter a postura firme.
— Eu só… preciso ficar sozinha — murmurou.
Bella passou o braço pela cintura dela e a conduziu devagar pelas escadas.
Eu fiquei parado, completamente duvidando se minhas pernas iam obedecer quando tentasse andar.
Quando elas sumiram no andar de cima, Edward soltou um suspiro pesado, como quem carrega o mundo nas costas.
Ele se virou pra mim.
— Jacob — disse com autoridade, mas sem agressividade — venha comigo. Vamos conversar no meu escritório.
Eu assenti, ainda confuso, ainda machucado com a maneira como Renesmee me olhou.
Segui Edward pelo corredor largo da mansão, tentando controlar a vontade de voltar e bater na porta do quarto dela só pra dizer “pelo amor de Deus, não acredita nela”.
No escritório, ele fechou a porta e fez sinal para que eu me sentasse.
Eu sentei.
Ele permaneceu de pé.
— Antes de qualquer coisa — começou ele — eu peço que não leve as palavras da Renesmee ao pé da letra. Ela está sensível. Assustada. Hormônios, ansiedade, pressão… tudo ao mesmo tempo.
Passei a mão no rosto.
— Eu sei. Mas doeu, Edward. Ela realmente acredita que eu fiz tudo isso por… interesse.
— Heidi fez um estrago considerável — ele concordou. — Ela expôs a situação à imprensa. Disse que foi vítima do hospital. Que houve fraude na inseminação. Já notificou advogados e ameaça abrir processo nas próximas horas.
Meu estômago embrulhou.
— Ela já tinha dito que faria isso — respondi, tenso. — Meu advogado me garantiu que ela não tem base nenhuma. Zero. E eu vou lutar com tudo pra impedir.
Edward assentiu, os olhos avaliando cada palavra.
— Renesmee está com medo — ele repetiu. — Medo de perder o filho. Medo de confiar em você. Medo de si mesma, até. E isso só piora quando a mídia aponta o dedo, quando advogados aparecem na porta… quando a ex-esposa do pai do bebê tenta transformar tudo num circo.
Eu respirei fundo.
— Eu e Heidi estamos divorciados — falei firme. — Já assinei os papéis. Eu não vou permitir que ela chegue perto da Renesmee. Nem do bebê.
O alívio no rosto de Edward foi imediato.
Ele respirou fundo e se sentou na poltrona em frente à minha.
— Fico… sinceramente mais tranquilo ouvindo isso. — Ele me encarou com uma sinceridade que eu não esperava. — Jacob, eu sei que a situação é complexa. Mas eu torço, de verdade… que você e Renesmee se acertem.
Aquilo me pegou em cheio.
— Se acertar…? — repeti.
Ele inclinou a cabeça.
— Vocês dois são jovens, mas são adultos. E têm algo muito precioso em comum. Se vocês conseguirem ver além do medo… além da raiva… talvez encontrem um caminho juntos.
Fiquei olhando para a mesa, sentindo a garganta fechar.
Porque, apesar de tudo o que tinha acontecido hoje…
…eu queria isso.
Eu queria que ela voltasse a confiar em mim.
Queria reconstruir o que Heidi tinha tentado destruir.
E, acima de tudo…
eu queria ser mais do que o pai do bebê dela.
Queria ser alguém que ela pudesse escolher.
Edward abriu o móvel bar, pegou duas taças e levantou a garrafa de uísque numa oferta silenciosa.
Assenti com a cabeça. Eu precisava de um gole depois daquela tempestade.
Ele serviu, me entregou a taça, e por alguns segundos ficamos em silêncio, apenas sentindo o peso da noite.
— Alec Volturi vai estar à disposição pra ajudar no que for preciso — eu disse, depois de um gole curto. — Ele é o melhor no que faz. Se Heidi realmente quiser ir adiante com esse circo, nós vamos estar preparados.
Edward assentiu devagar.
— Agradeço, Jacob. De verdade.
Antes que eu pudesse continuar, Bella apareceu na porta, com o rosto preocupado.
— Ela está mais calma — disse, entrando devagar. — Mas acabou vomitando agora pouco. Os nervos… e o estresse do dia.
Meu corpo ficou tenso no mesmo instante.
— Eu posso ver ela? — perguntei, quase sem pensar. — Por favor.
Bella hesitou.
— Jacob… eu não sei se—
— Ele deve ir — Edward interrompeu, firme. — Renesmee precisa ouvi-lo. E precisa ouvir a verdade.
Bella olhou do marido para mim, depois suspirou com aquela delicadeza que só ela tinha.
— Certo… venha comigo.
Saímos do escritório.
O corredor estava silencioso, exceto pelo som distante da festa lá fora.
Bella caminhava devagar, como se tivesse medo de me levar até lá rápido demais.
Parou diante de uma porta branca.
— Ela está lá dentro — sussurrou. — Por favor… seja gentil.
Assenti.
Bella se afastou e eu respirei fundo antes de empurrar a porta.
O quarto estava em meia-luz.
Renesmee estava sentada numa poltrona próxima à janela, a perna dobrada, o rosto apoiado na mão, olhando para o jardim escuro como se procurasse respostas ali.
Ela não virou imediatamente quando ouviu meus passos.
Mas eu sabia que ela tinha me reconhecido.
Eu senti.
Fui até ela devagar, deixando espaço, deixando ar.
— Renesmee — falei baixo. — Eu queria… conversar com você. Se você permitir.
Ela fechou os olhos por um instante, como se estivesse lutando contra algo dentro dela.
Quando abriu, ainda havia magoa… mas também cansaço.
— Eu ouvi a sua esposa — disse, a voz fraca e dura ao mesmo tempo. — Acho justo ouvir você também.
O alívio foi tão grande que eu quase tive que respirar duas vezes.
Me aproximei um pouco mais, mas ainda mantendo distância suficiente pra ela não se sentir encurralada.
— Obrigado — murmurei.
Ela não respondeu.
Só ficou ali, olhando pra mim com uma mistura de raiva, fragilidade… e algo mais que eu não sabia nomear.
Eu me ajoelhei, não tão perto, mas perto o bastante para que ela me visse sem precisar erguer o queixo.
— Eu só quero te contar a verdade — disse com calma. — E te pedir que… pelo menos por alguns minutos… esqueça o que a Heidi disse.
Ela puxou o ar, tensa, mas não desviou o olhar.
— Fale — respondeu.
E ali, naquele quarto silencioso…
era a primeira vez, desde que tudo começou, que ela realmente abria espaço para me ouvir.
Eu respirei fundo e dei um passo mais perto dela.
— Posso sentar? — perguntei, apontando para a beira da cama.
Renesmee hesitou só um segundo, depois concordou com a cabeça.
Sentei, mantendo as mãos sobre as pernas, tentando não parecer tão tenso quanto eu estava. Ela continuou na poltrona, mas agora me olhava direto.
— A primeira coisa que você precisa saber… — comecei. — Heidi não é mais minha esposa. Nós estamos divorciados. Os papéis já estão assinados.
Vi a expressão dela mudar.
Um pequeno baque.
Susto, surpresa, alívio… tudo junto, passando nos olhos dela antes que ela tentasse esconder.
Continuei.
— E a segunda coisa… — passei a mão na nuca, meio sem jeito. — Quando Rebecca disse que eu ia conhecer a mãe do meu filho… eu esperava tudo. Menos encontrar você. A mesma garota que eu quase atropelhei naquele dia no parque.
O canto da boca dela tremeu.
De surpresa.
De lembrança.
— Desde aquele dia… — falei mais baixo. — Você não saiu da minha cabeça. Eu tentei ignorar. Juro que tentei. Mas não deu.
Ela piscou devagar, como se eu tivesse acabado de derrubar uma muralha inteira com uma frase.
Levantei da cama e caminhei até a poltrona.
Parei na frente dela.
Calmo.
Aberto.
— Eu estou do seu lado, Renesmee — falei firme. — Nem Heidi nem ninguém vai tocar em você ou no nosso filho. Não enquanto eu estiver aqui. E eu vou estar.
Ela se levantou devagar, como se algo dentro dela tivesse soltado.
Ficou tão perto que eu senti a respiração dela tocar meu peito.
E então, sem aviso, ela tocou meu rosto com uma das mãos.
Suave.
Quente.
Meu coração disparou.
— Jake… — ela sussurrou, como quem finalmente aceita algo que estava evitando sentir.
Eu segurei sua cintura, devagar, pedindo permissão com o olhar.
Ela não se afastou.
— Eu estou completamente apaixonado por você — confessei num fio de voz. — Desde a primeira vez que te vi.
O sorriso dela foi pequeno, tímido… e lindo.
E antes que eu pudesse dizer qualquer outra coisa, ela se aproximou mais e me beijou.
O beijo começou leve, quase um toque.
Depois ganhou calor.
E tudo que tinha sido dor, medo e confusão naquela noite… virou outra coisa.
Algo simples.
Algo certo.
Algo nosso.
Fale com o autor