O pai do meu bebê
23 Jacob
uma semana depois...
O sol estava alto, castigando o pasto, e o cheiro de feno recém-cortado se misturava ao da terra molhada da madrugada.
Zeus, o cavalo que me tirara o sono na semana anterior, já pastava tranquilo. Eu observava seus movimentos, com a cabeça cheia de coisas que não tinham nada a ver com cavalos.
Estava mergulhado em uma planilha mental de custos quando ouvi passos leves atrás de mim.
Virei-me e vi Lucy caminhando pelo campo, usando um vestido simples e um sorriso que destoava da manhã pesada.
Ela carregava uma cesta nas mãos.
— Trouxe um lanche — disse ela, parando ao meu lado. — Achei que você não tivesse lembrado de comer.
Sorri, meio sem graça.
— Eu até lembrei… só não tive tempo.
Ela sentou-se na cerca, abrindo a cesta. O cheiro de pão e café se espalhou no ar.
Por alguns minutos, comemos em silêncio, ouvindo apenas o som dos animais e do vento.
Foi ela quem quebrou o silêncio.
— Sobre o que aconteceu naquela noite… ou o que quase aconteceu — disse, sem me olhar —, eu queria que você soubesse que não precisa se desculpar.
Coloquei o copo térmico no chão e respirei fundo.
— Lucy, eu não quero ser injusto com você. Aquela noite foi confusa pra mim.
— Pra mim também — respondeu ela, dando de ombros. — Mas confusão às vezes é o que faz a gente se sentir vivo.
Fiquei em silêncio por alguns segundos, escolhendo as palavras com cuidado.
— Eu tô num momento em que não há espaço pra ninguém novo na minha vida. — admiti, olhando o horizonte. — Tenho uma briga judicial com a Heidi, e… em breve vou ter outra, com a mãe do meu filho.
Ela se virou pra mim, surpresa, mas sem fazer drama.
— Então é verdade? Você vai lutar pela guarda?
Assenti.
— Sim. Não quero perder a chance de estar na vida do meu filho.
Lucy ficou quieta por um instante, como se digerisse tudo. Depois, deu um pequeno sorriso.
— Eu não vim aqui pra pedir um lugar, Jacob. Eu sei que seu coração tá um campo de batalha.
— Lucy…
— Me escuta — interrompeu, a voz suave. — Eu não quero nada de você. Nenhuma promessa, nenhum compromisso. Só quero te mostrar que você ainda pode ser feliz, mesmo que por alguns minutos.
Olhei pra ela. O cabelo balançava com o vento, o olhar firme, sem um traço de piedade.
Havia uma sinceridade desconcertante naquela mulher.
— Eu não sei se consigo… — murmurei.
Ela se aproximou, devagar.
— Então deixa eu tentar por você. — Sussurrou. — Não vou cobrar nada.
O mundo pareceu ficar em silêncio.
Quando ela tocou minha mão, senti algo simples, real — algo que não me pedia nada em troca.
E, talvez por isso, eu acabei cedendo.
Antes que eu respondesse, ela se inclinou e me beijou. Foi um beijo calmo no começo, meio hesitante, mas que logo ganhou força. Senti o gosto doce do café que ela devia ter tomado há pouco, o toque leve dos dedos dela no meu pescoço.
Quando percebi, ela já me puxava pela camisa em direção ao estábulo mais afastado. O coração batia forte, e por um segundo pensei em recuar, mas não consegui. O jeito como ela me olhava parecia pedir que eu parasse de pensar.
O estábulo estava quieto, só o som dos cavalos respirando e o estalar leve da madeira com o vento lá fora. Lucy me puxou mais uma vez, e dessa vez eu não resisti. Era como se parte de mim precisasse daquela fuga — um jeito de calar a mente por alguns minutos.
O beijo dela era urgente, cheio de vontade. As mãos tremiam um pouco quando me tocavam, como se ela quisesse provar algo, talvez a si mesma. Eu deixei acontecer. Não havia sentimento ali, só o calor do momento, a necessidade de esquecer o que me esperava fora dali.
Encostei-a na parede de madeira, sentindo o corpo dela se moldar ao meu. O cheiro de feno e terra misturado ao perfume leve dela deixava o ar pesado, quase sufocante. Os movimentos foram rápidos, intensos, sem palavras. Era como se cada toque servisse apenas para abafar o vazio que eu carregava.
Por dentro, eu sabia que não era justo com ela. Lucy merecia alguém inteiro, e eu estava longe disso. Eu estava quebrado, dividido entre raiva, cansaço e uma responsabilidade que crescia a cada dia.
Quando tudo terminou, ela encostou a cabeça no meu ombro, ainda sem dizer nada. Fiquei ali por alguns segundos, respirando fundo, sentindo o silêncio pesar entre nós. Então me afastei devagar, procurando a camisa jogada no chão.
Vesti-me sem pressa, tentando juntar o que restava de lucidez. Lucy me olhou, um sorriso cansado no rosto. Eu não quis enganar ninguém — nem a ela, nem a mim. Aquele momento foi só o que foi: uma tentativa falha de esquecer.
— A gente pode se ver à noite? — ela perguntou, com a voz baixa.
Eu hesitei antes de responder. — Pode.
Ela sorriu e me deu um beijo leve, o tipo de gesto que merecia mais do que eu podia oferecer. Saí dali com o gosto amargo de quem sabia que tinha cruzado uma linha, e que, no fundo, nada dentro de mim tinha realmente mudado.
Assim que entrei em casa, senti o cheiro familiar de café fresco misturado com o de pão assado. Minha mãe estava na cozinha, mexendo em alguma panela, e me olhou com aquele ar de quem já sabia mais do que dizia.
— Por onde você andava, Jacob? — ela perguntou, sem tirar os olhos da frigideira.
— O dia foi puxado, mãe. Tive muito trabalho nos estábulos — respondi, tentando soar natural. — Onde está o pai?
— No quarto — ela disse com um suspiro. — Está em um daqueles dias em que a dor não dá trégua.
Assenti, preocupado. — Depois vou lá falar com ele.
Sarah se virou e me encarou com aquele olhar afiado de mãe que não deixa nada passar. — O advogado ligou. Disse que tentou falar com você o dia inteiro.
Peguei o celular do bolso e percebi que estava desligado. — Deixei o telefone desligado, nem percebi. Vou ligar pra ele agora.
Antes que eu pudesse sair da cozinha, ela se aproximou, segurando uma colher na mão e arqueando a sobrancelha. — Jacob Black… você está usando perfume feminino?
Congelei por um segundo, e o leve sorriso no canto da boca dela me desarmou completamente.
— Deve ser do estábulo, mãe. Lucy apareceu por lá, levou lanche, e provavelmente o cheiro ficou em mim — falei rápido, tentando parecer distraído.
— Deixou o perfume em você… — ela respondeu, cruzando os braços — Jacob sei que é um homem feito, mas não se envolva com a filha do Harry....
— Preciso de um banho dona Sarah — respondi, beijando o rosto dela antes de sair.
Subi para o meu quarto e fechei a porta atrás de mim. Sentei na beira da cama, respirei fundo e peguei o celular. O visor mostrava várias chamadas perdidas de Alec e uma de Paul.
Disquei o número do advogado e esperei.
— Finalmente, Black — a voz de Alec soou do outro lado, meio irritada.
— Deixei o celular em casa. O que houve?
Enquanto ele começava a falar, me encostei na cabeceira da cama, sentindo o peso do dia me cair sobre os ombros. E algo me dizia que a conversa não seria leve.
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