O aperto de mão com Edward Cullen foi firme, porém calculado. Ele tinha o olhar de quem pesava cada gesto, cada palavra. Um homem acostumado a comandar.

Rebecca pigarreou atrás de nós.

— Bem, eu preciso voltar aos meus pacientes. — Olhou para mim, depois para o irmão. — Sejam civilizados.

Edward esboçou um leve sorriso e acenou com a cabeça.

— Pode deixar, doutora Finau. Prometo que ninguém sairá ferido.

Rebecca apenas revirou os olhos e saiu, fechando a porta com cuidado.

Edward me convidou a sentar. O escritório era amplo e impecável, com estantes cheias de livros, certificados emoldurados e o cheiro forte de café recém-passado. Ele se moveu até a cafeteira e serviu duas xícaras.

— Aceita? — perguntou, estendendo-me uma.

Peguei, mantendo o olhar firme.

— Claro. Mas imagino que o senhor não me chamou aqui apenas para um café.

Ele riu discretamente, o som leve, mas carregado de propósito.

— Direto ao ponto. Gosto disso. — Voltou a se sentar atrás da mesa. — E tem razão. Não o chamei apenas para um café, senhor Black. Eu o chamei para uma conversa… familiar.

Cruzei as pernas e apoiei os cotovelos nos braços da poltrona.

— Familiar? — repeti, observando-o com interesse.

Edward pousou a xícara na mesa e entrelaçou as mãos.

— Dado o fato de que, por um erro inaceitável, o senhor se tornou o pai biológico do meu futuro neto — ou neta — achei que seria sensato conhecê-lo pessoalmente.

Não pude evitar um leve sorriso.

— Então isto é o quê? Uma entrevista? Para saber se sou digno de fazer parte da família Cullen?

Ele manteve a expressão neutra, mas um leve brilho de ironia cruzou seus olhos.

— Digamos que é uma forma de conhecer o homem que, de uma forma inesperada, agora estará ligado à minha filha e à minha família.

— Justo. — Dei um gole no café, aproveitando o breve silêncio. — E o que o senhor deseja saber exatamente, doutor Cullen?

Edward se recostou na cadeira, pensativo.

— Desejo saber o que pretende fazer. Há uma jovem envolvida, minha filha, que foi submetida a algo que ninguém deveria enfrentar. Sei que o senhor não teve culpa, mas ainda assim… a vida dela mudou.

A sinceridade dele me surpreendeu. Não havia hostilidade, apenas a preocupação de um pai.

— Eu não vim aqui pra discutir culpa — respondi, firme, mas sem agressividade. — Eu só quero garantir que essa criança venha ao mundo com segurança, e que saiba que, mesmo tendo nascido de um erro, é desejada.

Edward me observou em silêncio por alguns segundos, como se pesasse a alma por trás das palavras.

— Palavras bonitas — disse, por fim. — Mas já vi muitos homens prometerem o mundo e não cumprirem nem metade.

Apoiei a xícara na mesa, encontrando o olhar dele.

— E eu já vi muitos homens julgarem antes de conhecer.

O ar pareceu ficar mais denso por um instante, até que Edward soltou um leve suspiro e recostou-se novamente.

— Está certo. Talvez eu tenha sido precipitado. Rebecca me falou bem do senhor, e confesso que sua reputação o precede.

— Não sei se isso é um elogio — retruquei com um meio sorriso. — As pessoas sempre têm algo a dizer sobre quem não se curva.

— É, nisso somos parecidos. — Edward permitiu um breve sorriso. — Mas há uma diferença essencial entre nós, senhor Black.

— E qual seria?

— O senhor ainda acredita que pode controlar o rumo das coisas. — Ele falou com calma, sem arrogância. — Eu já aprendi que, às vezes, o destino não pede permissão.

Fiquei em silêncio por um momento. Aquilo me atingiu mais do que eu esperava.

— Talvez o senhor tenha razão — respondi. — Mas, se o destino resolveu cruzar nossos caminhos, então é porque essa criança precisa de nós dois.

Edward desviou o olhar por um instante, e pela primeira vez vi algo além do médico e do homem influente: vi o pai preocupado, vulnerável.

Ele assentiu devagar.

— Talvez precise mesmo.

O silêncio que se seguiu não foi hostil, mas pesado. O tipo de silêncio que existe entre dois homens que compreendem a gravidade do que compartilham.

O silêncio entre nós se estendeu por alguns instantes. Edward parecia medir cada palavra, como se não quisesse dar um passo em falso. Eu já estava acostumado a lidar com homens assim — os que acham que o controle é um hábito, não uma escolha.

Ele pigarreou, quebrando o clima tenso.

— Posso fazer uma pergunta pessoal, senhor Black?

— Claro — respondi, apoiando o cotovelo no braço da cadeira.

— Quantos anos o senhor tem?

— Trinta e dois — respondi sem hesitar. — Nasci e cresci em Forks. E, nos últimos dez anos, tenho dedicado minha vida à minha fazenda.

Edward assentiu, interessado.

— Rebecca mencionou algo sobre cavalos, mas não entrou em detalhes.

Dei um leve sorriso.

— Tenho uma pequena propriedade. Só alguns hectares. Crio puro-sangue árabes. — Fiz uma pausa breve. — São animais temperamentais, inteligentes… e caros.

Edward arqueou uma sobrancelha, divertido.

— Uma fazendinha pequena, diz ele… — sorriu de lado. — O senhor é mais modesto do que eu esperava.

Retribuí o sorriso.

— Não costumo medir valor em números, doutor Cullen. Mas, se sua preocupação é saber se o meu filho — ou filha — terá o que precisa, pode ficar tranquilo. Essa criança nunca vai faltar de nada.

Por um instante, algo no semblante dele se suavizou.

— Vejo que não é apenas um homem de recursos, mas de convicções. — Deu um pequeno gole no café e olhou para mim novamente. — E isso é raro.

— Convicção é o que sobra quando a vida tira todo o resto — respondi. — E, no meu caso, ela já tirou muita coisa.

Ele assentiu, pensativo. O respeito começou a preencher o espaço onde antes havia desconfiança.

— Rebecca me disse que o senhor quer conhecer minha filha — disse, por fim.

— Sim — confirmei. — Não quero forçar nada, doutor Cullen. Mas acho importante ela saber que eu não sou um estranho indiferente. Eu quero estar presente, seja qual for a decisão dela.

Edward observou minha expressão por alguns segundos, como se tentasse medir a sinceridade no meu tom. Então, falou mais baixo, mas com firmeza:

— Renesmee é uma menina doce, mas ainda é muito jovem. Só tem vinte anos. E, francamente, está apavorada.

Assenti.

— E tem todo o direito de estar.

— Eu pretendo conversar com ela — continuou Edward. — Quero que ela entenda que o senhor não veio aqui para tirar nada dela. Talvez, com isso, ela se sinta segura o suficiente para conhecê-lo.

— Eu agradeço — falei com sinceridade. — Não estou aqui pra invadir a vida de ninguém. Só quero fazer o que é certo.

Ele se levantou, e eu fiz o mesmo.

— Então faremos assim. — Edward ajeitou o paletó. — Retorne amanhã à tarde. Eu terei conversado com Renesmee até lá.

Estendi a mão.

— Combinado.

Apertei a mão dele novamente — firme, mas agora com respeito mútuo.

— E, senhor Black — disse ele antes que eu saísse. — Espero que saiba que, apesar de todo o caos, fico aliviado em ver que o pai do meu neto é um homem decente.

Dei um leve sorriso.

— O destino tem um senso de humor curioso, doutor Cullen. Mas, pelo visto, até ele sabe escolher bem.

Edward riu baixo, e pela primeira vez o ar na sala pareceu menos pesado.

Deixei o escritório sentindo que algo importante havia mudado — não apenas entre nós, mas dentro de mim.