O pai do meu bebê
13 Jacob
O quarto do hotel era grande, moderno, mas frio. Nada nele tinha o cheiro ou o som de casa. Eu estava sentado à beira da cama, com uma xícara de café já gelado na mão, olhando a chuva cair pela janela de vidro. Seattle parecia sempre cinza — como se o céu refletisse exatamente o que eu sentia por dentro.
Uma batida firme na porta me tirou dos pensamentos.
— Entre — disse, deixando a xícara na mesa.
A porta se abriu, e Alec Volturi entrou. Terno escuro, olhar analítico, o mesmo jeito contido de quem sempre pesa as palavras antes de dizê-las.
— Jacob — cumprimentou, estendendo a mão. — Recebi sua mensagem. Parece que as últimas horas foram… intensas.
Soltei um meio sorriso cansado.
— Digamos que a palavra “intensas” é gentil demais.
Ele se sentou na poltrona em frente a mim, abriu a pasta que trazia e me encarou.
— Então, me conte. Desde o início.
Expliquei tudo — a inseminação feita sem meu consentimento, a troca de prontuários, a revelação de que uma jovem, completamente alheia àquilo, estava grávida do meu filho. Alec ouviu em silêncio, o maxilar tenso, apenas balançando a cabeça de tempos em tempos.
Quando terminei, ele apoiou os cotovelos nos joelhos e me olhou fixamente.
— Legalmente, a situação é complexa. Se a mãe biológica decidir levar a gestação até o fim, ela tem direitos iguais sobre a criança. A questão é: o que você pretende fazer, Jacob?
Cruzei as mãos e fiquei em silêncio por alguns segundos.
— Eu quero fazer o que for melhor pro bebê. Mas se ela decidir… não me deixar participar, eu quero saber se posso lutar pela guarda.
Alec respirou fundo.
— É possível, mas delicado. Você teria que provar que pode oferecer um ambiente melhor, sem desrespeitar o direito da mãe. E nesse caso — ele me olhou com seriedade — a história toda viria à tona. A imprensa, o hospital, tudo.
Inclinei a cabeça.
— Eu não me importo com a imprensa. Eu me importo com a criança.
Alec fez um leve aceno.
— Eu sei. Mas se isso for pra frente, você precisa estar preparado pra uma guerra longa e barulhenta.
Assenti, sem hesitar.
— Eu já passei por guerras piores.
Ele abriu um sorriso discreto.
— E quanto ao divórcio?
Suspirei.
— Quero resolver o mais rápido possível. Heidi ultrapassou todos os limites.
Alec ajeitou os papéis na pasta.
— Mesmo assim, ela ainda é sua esposa legalmente. E, por lei, tem direito à partilha de bens. Você pode contestar, claro, principalmente se conseguir provar má-fé — e no seu caso, a inseminação sem consentimento já pesa bastante.
Passei a mão no rosto, exausto.
— Faça o que for possível pra encerrar isso logo, Alec. Eu só quero seguir em frente.
Ele assentiu, guardando os documentos de volta.
— Deixe comigo.
Meu celular vibrou na mesa. Peguei-o sem muita pressa — até ver o nome na tela.
Rebecca.
Meu coração acelerou.
— Com licença, Alec. — Atendi de imediato. — Rebecca, aconteceu alguma coisa?
A voz da minha irmã veio rápida, com um tom que misturava nervosismo e alívio.
— Jake…pode vir ao hospital? Edward Cullen deseja falar com você.
Fiquei em silêncio por um instante, sentindo o estômago revirar.
— O pai da mãe do bebê?
— Sim — Rebecca respondeu. — E acho melhor você vir agora.
Olhei para Alec, que me observava em silêncio, e respondi:
— Estou a caminho.
Desliguei e fiquei parado por um instante, olhando para a chuva batendo no vidro.
Alec se levantou.
— Vai ao hospital?
— Vou — respondi, pegando o casaco. — Chegou a hora de resolver a situação.
E pela primeira vez em muito tempo, eu não sabia o que esperar.
O saguão do hospital estava cheio, como sempre. O som dos passos apressados, dos chamados nos alto-falantes e das rodas das macas ecoando pelo corredor pareciam compor uma sinfonia de rotina — uma que eu não fazia parte.
Passei pela recepção, ajustando o casaco, e me apresentei à atendente.
— Jacob Black. Tenho um encontro marcado com a doutora Rebecca Finau.
A moça checou algo na tela do computador e acenou com um sorriso profissional.
— Pode subir, senhor Black. A doutora o aguarda no terceiro andar.
Subi de elevador, o reflexo do meu rosto no espelho de aço frio me encarando de volta. Eu parecia calmo, mas por dentro o coração batia pesado. Quando as portas se abriram, Rebecca estava à espera, os braços cruzados, o jaleco impecável e o olhar preocupado.
— Você veio rápido — disse ela, meio surpresa.
— Você disse que Edward Cullen queria me ver. Achei que não era o tipo de convite que se recusa.
Ela respirou fundo.
— Ele quer falar com você sobre a filha… e o bebê.
Assenti, sem desviar o olhar.
— E o que você acha que ele quer, Beck?
Rebecca hesitou por um instante.
— Sinceramente? — perguntou, e eu apenas assenti. — Acho que ele vai querer entender até onde você pretende se envolver. Edward é um homem de princípios, mas também… de território.
Soltei um leve riso sem humor.
— Eu não temo Edward Cullen, Rebecca. Nem o sobrenome, nem a influência.
Ela me lançou um olhar de quem conhece bem minha teimosia.
— Eu sei. Mas talvez fosse bom, só dessa vez, não agir como o dono do mundo.
— Não se preocupe. — Passei a mão pelos cabelos, respirando fundo. — Eu sei me comportar.
Rebecca deu um leve sorriso e fez um gesto com a cabeça.
— Então venha comigo.
Seguimos pelos corredores amplos do hospital. O som do piso limpo sob nossas botas ecoava em meio à movimentação dos pacientes e enfermeiros. Em determinado ponto, um garoto passou correndo, rindo alto, perseguindo um balão colorido enquanto a mãe o chamava.
Por um segundo, tudo parou.
Aquela risada inocente cortou o barulho ao redor e me atingiu em cheio. O menino devia ter uns cinco anos — o mesmo que meu filho teria, se tudo desse certo. Senti um aperto no peito, uma vontade súbita de proteger algo que ainda nem estava no mundo.
Rebecca percebeu o silêncio e tocou meu braço de leve.
— Está pronto?
Assenti, engolindo o nó na garganta.
Chegamos ao corredor do setor administrativo. A placa dourada na porta dizia Presidência – Dr. Edward Cullen.
A secretária levantou o olhar assim que nos viu.
— Doutora Finau, senhor Black. O doutor Cullen os aguarda. Podem entrar.
Rebecca fez um leve sinal com a cabeça, e empurrei a porta.
O escritório era espaçoso, elegante, com grandes janelas que deixavam a luz cinzenta de Seattle invadir o ambiente. Atrás da mesa, um homem alto se levantou — terno escuro, presença imponente, olhar firme.
— Senhor Black — disse ele, estendendo a mão. — Edward Cullen.
Apertei sua mão com firmeza, sem desviar o olhar.
— Prazer em conhecê-lo, doutor Cullen.
Rebecca se manteve próxima, observando os dois em silêncio. A tensão era quase palpável. Dois homens, dois mundos, ligados por um erro que agora tinha nome, coração e futuro.
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