As horas que se seguiram à discussão com Sue passaram como um borrão diante dos meus olhos. Eu me lembrava apenas de Jacob me carregando até o quarto, da preocupação estampada no rosto de Sarah e da voz calma de Rebecca pedindo que eu respirasse devagar. No início, todos acreditaram que o mal-estar fosse consequência do nervosismo, mas bastou Rebecca me examinar para perceber que havia algo além disso. Minha pressão havia caído, as contrações de treinamento tinham começado antes do esperado e ela não quis correr nenhum risco.

Poucos minutos depois, Jacob já organizava nossa viagem para Seattle. A distância até a cidade era grande demais para ser percorrida de carro naquele estado, e ele não hesitou em mobilizar tudo o que fosse necessário. Um dos pilotos da empresa da família foi chamado às pressas, e, menos de uma hora depois, estávamos a caminho do pequeno aeroporto da região. Eu observava tudo da caminhonete sem conseguir acompanhar o ritmo dos acontecimentos. Jacob permanecia o tempo inteiro ao meu lado, segurando minha mão e repetindo que ficaria tudo bem, embora eu percebesse, pela maneira como ele apertava meus dedos, que estava tão assustado quanto eu.

A viagem de jatinho foi silenciosa. Rebecca permanecia sentada à minha frente, verificando minha pressão em intervalos curtos e fazendo perguntas que eu respondia quase automaticamente. Jacob não soltou minha mão em nenhum momento. Às vezes eu o encontrava olhando discretamente para minha barriga, como se tentasse convencer a si mesmo de que nosso filho continuava seguro ali. Eu conhecia aquele olhar. Era o mesmo que ele fazia sempre que alguma coisa fugia ao seu controle.

Aproximei um pouco mais a cabeça do seu ombro.

— Vai dar tudo certo — murmurei, tentando tranquilizá-lo.

Jacob sorriu de maneira discreta e beijou minha testa.

— Era exatamente isso que eu ia dizer para você.

Sorri de volta, mas nós dois sabíamos que aquele sorriso escondia um medo enorme.

Quando o avião pousou em Seattle, uma ambulância já nos aguardava na pista. Edward havia providenciado tudo antes mesmo de chegarmos. Assim que a equipe médica abriu a porta da aeronave, Rebecca conversou rapidamente com os profissionais e, poucos minutos depois, eu já seguia para o Hospital Cullen Medical.

Enquanto a ambulância atravessava a cidade, observei pela janela as ruas que durante tantos anos fizeram parte da minha rotina. Nunca imaginei que voltaria daquela forma, deitada em uma maca e torcendo para que meu filho permanecesse bem.

Ao chegarmos ao hospital, as portas da emergência se abriram imediatamente.

Meu pai foi o primeiro que vi.

Edward caminhou em nossa direção com passos rápidos, usando o jaleco branco sobre a roupa social. Apesar da postura profissional que tentava manter diante da equipe, bastou seus olhos encontrarem os meus para que a preocupação tomasse conta de sua expressão.

— Como ela está? — perguntou a Rebecca enquanto acompanhava a maca.

— A pressão continua instável, mas ela está consciente. Quero repetir todos os exames e monitorar o bebê nas próximas horas.

Edward assentiu sem perder o passo.

Foi então que vi Antony parado alguns metros atrás.

Meu irmão aproximou-se assim que a maca entrou no corredor.

— Ei, baixinha...

Sorri apesar do cansaço.

— Você veio.

Ele segurou delicadamente minha mão.

— Achei que fosse deixar você enfrentar isso sozinha?

Balancei a cabeça em negativa.

Antony inclinou-se um pouco mais e beijou meus cabelos com o carinho de sempre.

— Está tudo preparado. O quarto já está esperando por você.

Olhei rapidamente para Jacob, que caminhava ao meu lado desde que saímos da fazenda. Mesmo exausto, ele não se afastava nem por um segundo. Nossos olhares se encontraram, e ele apertou minha mão novamente, como se quisesse me lembrar que, independentemente do que acontecesse dali em diante, nós enfrentaríamos aquilo juntos.

Naquele instante, enquanto era conduzida pelos corredores do hospital onde cresci vendo meu pai trabalhar, tive a estranha sensação de que uma nova etapa da nossa história estava começando. Eu só não imaginava que, antes do nascimento do nosso filho, ainda precisaríamos enfrentar a maior prova do nosso casamento.


NARRADO POR RENESMEE

As horas seguintes foram consumidas por exames. Assim que cheguei ao hospital, Rebecca organizou uma equipe inteira para me acompanhar. Enfermeiras entravam e saíam do quarto levando amostras de sangue, monitorando minha pressão e verificando os batimentos do bebê em intervalos curtos. Meu pai acompanhava tudo de perto, mas fazia questão de deixar Rebecca tomar todas as decisões. Além de obstetra, ela era minha cunhada, e naquele momento eu confiava nela como confiaria em poucas pessoas.

Jacob permaneceu ao meu lado durante todo o tempo.

Não importava quantos profissionais entrassem no quarto ou quantos aparelhos fossem ligados ao meu redor, sua mão continuava segurando a minha. Em alguns momentos eu o observava em silêncio. Ele tentava aparentar tranquilidade, respondia às perguntas dos médicos com serenidade e até conseguia sorrir quando percebia que eu estava prestes a chorar. Mas eu conhecia aquele homem melhor do que ninguém. Bastava olhar em seus olhos para perceber o quanto estava assustado.

O último exame da manhã foi o ultrassom.

Rebecca apagou parte das luzes do quarto enquanto uma enfermeira aplicava o gel sobre minha barriga. A tela se iluminou imediatamente, revelando a imagem do nosso filho. Bastou ouvir o coração dele preenchendo o ambiente para que eu respirasse um pouco mais aliviada.

— Está ouvindo, JJ? — Jacob disse baixinho, acariciando minha mão. — Esse coração forte puxou ao pai.

Sorri sem tirar os olhos do monitor.

— Forte igual ao pai.

Rebecca também sorriu, mas logo sua expressão voltou a ficar séria. Ela passou o aparelho pelo meu abdômen mais algumas vezes, medindo cuidadosamente alguns parâmetros. Depois permaneceu em silêncio por mais tempo do que eu gostaria.

Olhei para ela.

— Rebecca...

Ela não respondeu imediatamente.

Continuou analisando a tela, fez mais algumas imagens e só então pediu que a enfermeira anotasse alguns dados.

Meu coração voltou a acelerar.

— Aconteceu alguma coisa?

Rebecca desligou o aparelho e puxou uma cadeira para sentar ao lado da cama.

Seu jeito calmo era reconfortante, mas eu já a conhecia o suficiente para perceber quando precisava escolher cuidadosamente as palavras.

— Nessie, o bebê está muito bem.

Soltei o ar que nem havia percebido estar prendendo.

— Os batimentos estão ótimos, ele está ativo e o desenvolvimento dele corresponde exatamente ao tempo de gestação.

Olhei rapidamente para Jacob.

Ele sorriu para mim, mas Rebecca ainda não havia terminado.

— O problema não é o JJ.

Voltei minha atenção para ela.

— Então o que é?

Rebecca cruzou as mãos sobre o colo antes de responder.

— Você desenvolveu um quadro de pré-eclâmpsia.

A palavra me fez franzir a testa.

Ela percebeu que eu não havia compreendido completamente e continuou.

— Sua pressão começou a subir rapidamente depois do estresse que você passou ontem. Os exames também mostram alterações que indicam que seu organismo está começando a sofrer.

Jacob imediatamente se inclinou para a frente.

— Isso é grave?

Rebecca assentiu com sinceridade.

— Pode se tornar grave se insistirmos em prolongar a gestação.

Meu olhar voltou automaticamente para a barriga.

— Mas ainda faltavam algumas semanas...

Ela segurou minha mão.

— Eu sei.

Minha garganta começou a apertar.

— O bebê corre perigo?

— Neste momento, não.

Rebecca respondeu sem hesitar.

— Justamente por isso precisamos agir antes que a situação mude.

Olhei para Jacob procurando alguma resposta que diminuísse meu medo.

Ele aproximou sua cadeira da cama e passou a mão pelos meus cabelos.

— Amor...

Balancei a cabeça.

— Eu não queria que ele nascesse agora.

Minha voz saiu embargada.

— Eu também imaginava que teríamos mais tempo.

Jacob levou minha mão aos lábios e depositou um beijo demorado sobre ela.

— Meu amor, olha pra mim.

Esperei que ele continuasse.

— Nosso filho não precisa nascer no dia que planejamos.

Ele sorriu daquele jeito tranquilo que sempre conseguia me acalmar.

— Ele só precisa nascer na hora certa para ficar bem.

As lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto.

— Eu estou com medo.

Jacob enxugou uma delas com o polegar.

— Eu sei.

Depois apontou discretamente para Rebecca.

— Mas olha onde nós estamos.

Olhei ao redor do quarto.

— Seu pai é um dos melhores médicos que conheço, se eu irmão um dos melhores anestesista.

Depois sorriu para Rebecca.

— Minha irmã é uma obstetra excepcional.

Voltou a olhar para mim.

— E o nosso filho já provou várias vezes que é tão teimoso quanto a mãe.

Acabei rindo entre as lágrimas.

Rebecca aproveitou aquele momento para completar.

— O Jacob tem razão. Esse tipo de situação é muito mais comum do que parece, Nessie. O JJ já está completamente formado. Os pulmões estão maduros, ele tem um ótimo peso para a idade gestacional e todos os exames mostram que está pronto para nascer.

Ela apertou delicadamente minha mão.

— Se esperarmos mais, aumentaremos os riscos para vocês dois. Se fizermos o parto agora, estaremos escolhendo o momento mais seguro.

Fechei os olhos por alguns segundos, tentando aceitar que o encontro com meu filho aconteceria antes do que imaginei.

Quando os abri novamente, encontrei Jacob sorrindo para mim.

Ele segurou minha mão com firmeza.

— Daqui a algumas horas...

Olhou para minha barriga.

— Finalmente vamos conhecer o nosso menino.


A partir do momento em que Rebecca decidiu pelo parto, o quarto ganhou um movimento constante. Enfermeiras entravam e saíam conferindo exames, ajustando medicações e explicando cada etapa do procedimento. Tudo acontecia de maneira organizada, mas eu tinha a impressão de que o tempo corria mais depressa do que eu conseguia acompanhar. Enquanto uma enfermeira colocava a pulseira de identificação no meu braço, outra verificava novamente minha pressão. Rebecca permanecia ao meu lado praticamente o tempo inteiro, conversando comigo de forma tranquila e respondendo todas as perguntas que surgiam, mesmo aquelas que eu repetia mais de uma vez por causa do nervosismo.


Jacob não saiu do meu lado nem por um minuto.

Ele permanecia sentado ao lado da cama, segurando minha mão como se aquele simples gesto fosse capaz de impedir que qualquer coisa ruim acontecesse. De vez em quando eu o observava em silêncio. Tentava parecer calmo, fazia pequenas brincadeiras para me distrair e respondia às enfermeiras com educação, mas seus olhos denunciavam a mesma ansiedade que eu sentia. Era a primeira vez que nos preparávamos para conhecer nosso filho, e nenhum dos dois imaginava que aquele momento chegaria daquela maneira.

— Está pensando em quê? — perguntou ele, percebendo que eu o observava.

Sorri de leve.

— Em como tudo mudou tão depressa.

Ele levou minha mão até os lábios e a beijou.

— Também imaginei muitas vezes como seria esse dia.

— E era assim?

Jacob soltou uma pequena risada.

— Nem de longe.

Aproximei um pouco mais o rosto do dele.

— Eu queria que fosse mais tranquilo.

— Eu também.

Ele acariciou meu rosto com delicadeza.

— Mas, se no final desse dia nós estivermos segurando o nosso filho nos braços, acho que vou esquecer completamente como ele começou.

Aquelas palavras aqueceram meu coração.

Antes que eu pudesse responder, ouvi uma batida suave na porta.

— Pode entrar — disse Jacob.

A porta se abriu devagar.

Minha mãe entrou no quarto com os olhos já marejados.

Assim que me viu deitada na cama, abriu um sorriso que misturava preocupação e ternura. Caminhou até mim sem dizer nada e segurou meu rosto entre as mãos exatamente como fazia quando eu era criança e alguma coisa me assustava.

— Minha menina...

Bastou ouvir sua voz para que eu sentisse as lágrimas voltarem.

— Mãe...

Ela inclinou-se e beijou minha testa demoradamente.

— Eu vim o mais rápido que consegui.

Segurei sua mão.

— Eu estou com medo.

Bella sorriu com a delicadeza de quem conhecia aquele sentimento.

— Eu sei.

Sentou-se ao meu lado na cama e começou a acariciar meus cabelos.

— Sabe qual é a única diferença entre você e eu neste momento?

Balancei a cabeça.

— Não.

Ela sorriu.

— Quando você nasceu, eu também estava morrendo de medo. Achava que não seria forte o suficiente, que alguma coisa daria errado, que eu não saberia cuidar de você quando chegasse a hora.

Olhei para ela surpresa.

— Você nunca me contou isso.

— Porque, quando você nasceu, todo aquele medo desapareceu.

Bella apertou minha mão com carinho.

— A primeira vez que olhei para você, percebi que nenhuma mãe está realmente preparada para aquele momento. Nós apenas descobrimos uma força que nem sabíamos que existia.

As lágrimas escorreram pelo meu rosto sem que eu tentasse escondê-las.

— E se eu não conseguir?

Ela sorriu e enxugou meu rosto com o polegar.

— Você já conseguiu.

Franzi a testa.

— Como assim?

Bella levou delicadamente a mão até minha barriga.

— Esse menino passou por um processo, por acusações, por viagens, por noites sem dormir, pelo susto de ontem... e continua aí, forte, esperando para conhecer os pais.

Ela voltou a olhar para mim.

— Isso aconteceu porque você cuidou dele todos os dias.

Respirei fundo.

Minha mãe tinha o dom de dizer exatamente aquilo que eu precisava ouvir.

Ela aproximou o rosto do meu e falou baixinho:

— Daqui a pouco você vai escutar o choro do seu filho pela primeira vez.

Sorriu emocionada.

— E, quando isso acontecer, todo esse medo vai perder espaço para uma felicidade que eu nem consigo colocar em palavras.

Olhei rapidamente para Jacob.

Ele também estava emocionado.

Percebi seus olhos brilhando enquanto observava a conversa entre nós duas.

Bella estendeu a mão para ele.

— Venha aqui.

Jacob aproximou-se da cama.

Minha mãe segurou nossas mãos e as uniu sobre minha barriga.

— Vocês formaram uma família muito bonita.

Olhou primeiro para Jacob.

— Cuide dela como prometeu no dia do casamento.

Depois voltou-se para mim.

— E você nunca se esqueça de que escolheu um homem que atravessaria o mundo para proteger vocês dois.

Olhei para Jacob e sorri entre as lágrimas.

Ele apertou minha mão com delicadeza.

Naquele momento, pela primeira vez desde que Rebecca falou sobre a cirurgia, senti que o medo começava a dar lugar à expectativa. Nosso filho estava prestes a nascer, e eu percebia que não enfrentaria aquele momento sozinha. Minha família inteira estava ali, cercando JJ de amor antes mesmo de ele abrir os olhos para o mundo.