Nunca imaginei que o caminho entre o quarto e o centro cirúrgico pudesse parecer tão longo.

Caminhava ao lado da maca segurando a mão de Renesmee enquanto os corredores do hospital passavam depressa diante de nós. Enfermeiros seguiam à frente abrindo portas, Rebecca conversava em voz baixa com a equipe de anestesia e meu sogro acompanhava tudo alguns passos atrás, atento a cada detalhe. Apesar da movimentação, o único som que realmente chegava até mim era a respiração de Nessie.

Ela apertava minha mão com força.

Olhei para ela e tentei sorrir.

— Está tudo bem?

Ela fez um pequeno movimento afirmativo com a cabeça, mas seus olhos me diziam outra coisa.

— Eu estou tentando ser corajosa.

Aproximei-me da maca e beijei sua testa.

— Você não precisa fingir coragem perto de mim.

Ela sorriu de leve.

— Então eu confesso que estou morrendo de medo.

Passei os dedos por seus cabelos, afastando algumas mechas de seu rosto.

— Eu também.

Ela me olhou surpresa.

— Achei que você nunca admitiria isso.

Sorri sem humor.

— Se eu disser que estou tranquilo, vou estar mentindo para você.

Ela levou minha mão até a barriga.

— Promete que vai cuidar do nosso menino se...

Nem a deixei terminar.

— Não continua.

Balancei a cabeça.

— Nós vamos sair dessa sala juntos.

Ela fechou os olhos por um instante.

— Promete mesmo assim.

Inclinei-me até ficar bem perto do seu rosto.

— Eu prometo cuidar de vocês dois pelo resto da minha vida.

Os olhos dela voltaram a se encher de lágrimas.

A maca finalmente parou diante das portas do centro cirúrgico.

Uma enfermeira aproximou-se.

— Senhor Black, o senhor pode entrar. Já providenciamos a roupa adequada.

Enquanto me preparava, observava Rebecca orientar toda a equipe. Ela havia deixado de ser apenas minha irmã naquele momento. Era a médica responsável pela vida da minha esposa e do meu filho. Vi quando conferiu novamente os exames, conversou rapidamente com o anestesista e só então entrou na sala.

Poucos minutos depois, fui autorizado a entrar.

O ambiente era muito mais frio do que eu imaginava.

As luzes fortes refletiam sobre os equipamentos e tudo parecia organizado de uma maneira quase perfeita. Renesmee já estava preparada para a cirurgia. O anestesista terminava os últimos procedimentos enquanto Rebecca posicionava os campos cirúrgicos.

Aproximei-me imediatamente da cabeceira da cama.

Assim que ela me viu, estendeu a mão.

Segurei seus dedos entre os meus.

— Ainda está comigo?

Sorri.

— Eu não iria para lugar nenhum.

Ela respirou fundo.

— Parece que meu coração vai sair pela boca.

Levei sua mão até meus lábios.

— O meu está quase fazendo a mesma coisa.

Rebecca olhou para nós dois e sorriu discretamente.

— Vocês podem conversar à vontade, mas eu preciso que a paciente fique o mais calma possível.

Olhei para minha irmã.

— Ela vai ficar bem?

Rebecca sustentou meu olhar.

— Vai.

A resposta veio firme.

— E o JJ também.

A cirurgia começou.

Eu não conseguia enxergar exatamente o que acontecia por causa do campo cirúrgico, mas permanecia ao lado de Renesmee o tempo inteiro. Conversávamos sobre qualquer assunto que viesse à cabeça. Ela perguntou se eu achava que nosso filho teria meus olhos ou os dela. Eu disse que torcia para que herdasse o sorriso da mãe. Ela riu baixinho e respondeu que esperava que ele herdasse a paciência do pai.

Foi a última vez que a vi sorrir antes que tudo mudasse.

Poucos minutos depois, percebi que Rebecca havia parado de conversar.

Seu semblante mudou.

Ela olhou rapidamente para o monitor ao lado da cama. Depois pediu um instrumento sem alterar o tom da voz.

Meu coração acelerou imediatamente.

Observei Edward aproximar-se da mesa cirúrgica.

Os dois trocaram poucas palavras, quase inaudíveis.

Renesmee percebeu minha mudança de expressão.

— Jake...

Ela apertou minha mão.

— O que está acontecendo?

Forcei um sorriso.

— Nada.

Mas Rebecca respondeu antes que eu pudesse esconder a verdade.

— A pressão voltou a subir.

Olhei imediatamente para o monitor.

Os números mudavam depressa.

O anestesista também se aproximou.

Rebecca continuava trabalhando, mas sua voz já não tinha a mesma tranquilidade de antes.

— Precisamos controlar isso agora.

Vi mais pessoas entrarem na sala.

O ambiente, que até então parecia calmo, ganhou uma urgência silenciosa. Ninguém corria. Ninguém gritava. Mas todos passaram a se mover com uma rapidez que denunciava que alguma coisa havia saído do esperado.

Renesmee voltou a apertar minha mão.

— Jacob...

Olhei para ela.

Seu rosto estava pálido.

— Eu estou com medo.

Aproximei-me imediatamente.

Beijei sua testa e depois seus cabelos.

— Olha para mim.

Ela obedeceu.

— Nosso menino está quase chegando.

Senti sua mão tremer dentro da minha.

— Não me deixa.

Minha garganta fechou.

Segurei seu rosto com todo o cuidado do mundo.

— Eu nunca vou deixar você.

Ela fechou os olhos por um segundo. Quando voltou a abri-los, havia lágrimas escorrendo por suas bochechas.

Rebecca aproximou-se da cabeceira, seu semblante continuava sereno, mas eu a conhecia o suficiente para perceber a preocupação escondida atrás daquela calma.

— Jake...

Ela falou meu nome com delicadeza.

— Nós vamos precisar converter a anestesia para geral.

Olhei para ela sem entender.

— O quadro da Nessie mudou muito rápido. É mais seguro terminarmos a cirurgia com ela sedada.

Meu coração despencou.

— Mas...

Ela segurou meu ombro.

— Confia em mim.

Olhei para Renesmee e ela ainda me observava.

O anestesista aproximou-se enquanto explicava que ela começaria a sentir sono.

Segurei sua mão ainda mais forte.

— Eu te amo.

Ela sorriu com dificuldade.

— Também te amo...

Sua voz já parecia distante.

Acariciei seu rosto pela última vez.

— Da próxima vez que abrir os olhos...

Senti minha voz falhar.

— Nosso filho vai estar esperando por você.

Ela tentou responder, mas as palavras já não saíram com clareza.

Vi seus olhos perderem lentamente o foco, os dedos que apertavam minha mão começaram a relaxar.

Rebecca fez um sinal discreto para a equipe e logo depois voltou-se para mim.

Dessa vez não como minha irmã, mas como a médica responsável pela cirurgia.

— Jacob... agora você precisa sair.

Olhei uma última vez para Renesmee, beijei sua testa demoradamente e depois soltei sua mão.

Foi a coisa mais difícil que já fiz na vida.


A porta do centro cirúrgico se fechou atrás de mim com um ruído baixo, mas foi suficiente para que eu sentisse um vazio impossível de explicar. Durante toda a gravidez eu havia repetido para Renesmee que enfrentaria qualquer dificuldade ao lado dela. Naquele instante, porém, eu não podia fazer absolutamente nada. Restava apenas esperar enquanto as duas pessoas mais importantes da minha vida estavam do outro lado daquela porta.

Caminhei até a sala de espera sem saber ao certo quanto tempo havia passado. Assim que entrei, encontrei minha mãe, Rachel e Bella sentadas próximas uma da outra. As três se levantaram imediatamente quando me viram. Não precisei dizer nada. Bastou olharem para meu rosto para entenderem que a cirurgia ainda não havia terminado.

Minha mãe foi a primeira a se aproximar.

— Como ela estava quando você saiu?

Passei a mão pelo rosto, tentando afastar o cansaço.

— Assustada... mas tentando ser forte.

Minha voz saiu mais baixa do que eu esperava.

— A pressão dela voltou a subir durante a cirurgia. A Rebecca decidiu sedá-la para terminar o parto com segurança.

Vi Bella fechar os olhos por um instante.

Ela levou a mão até a boca, respirou profundamente e tentou controlar a própria ansiedade. Apesar de ser médica por conviver tantos anos ao lado de Edward, naquele momento ela era apenas uma mãe esperando notícias da filha.

Rachel segurou delicadamente meu braço.

— A Rebecca sabe exatamente o que está fazendo.

Assenti.

— Eu sei.

E realmente sabia.

Confiava na minha irmã como confiava em poucas pessoas. Ainda assim, nenhuma confiança era suficiente para diminuir a angústia de esperar.

Não consegui permanecer sentado.

Levantei-me outra vez e comecei a caminhar lentamente pelo corredor. Dava alguns passos, voltava, olhava para a porta do centro cirúrgico e recomeçava o mesmo percurso. Perdi a conta de quantas vezes fiz aquilo. O relógio na parede parecia não sair do lugar, e cada minuto aumentava um pouco mais a sensação de impotência.

Em determinado momento, parei diante da grande janela do corredor.

A chuva fina que caía sobre Seattle transformava as luzes da cidade em pequenos reflexos espalhados pelo asfalto. Encostei a testa no vidro frio e fechei os olhos por alguns segundos.

Pensei na primeira vez que vi Renesmee sem imaginar que ela era a mãe desconhecida do meu filho.

No fim de semana que passamos no chalé.

No casamento improvisado no jardim da fazenda.

Em todas as vezes que ela colocava minha mão sobre a barriga para que eu sentisse JJ se mexer.

Fiz uma única oração.

Não pedi riqueza.

Não pedi sucesso.

Nem mesmo respostas para toda a confusão que envolvia Lucy.

Pedi apenas que minha esposa voltasse para mim.

E que nosso filho tivesse a oportunidade de crescer cercado pelo amor que já sentíamos por ele.

— Jake...

A voz de Bella me fez abrir os olhos.

Virei-me imediatamente.

Edward caminhava pelo corredor em nossa direção ainda usando a roupa do centro cirúrgico. Seus cabelos estavam desalinhados e havia sinais claros de cansaço em seu rosto.

Bella foi a primeira a alcançá-lo.

— Edward...

Ela segurou as duas mãos do marido antes mesmo que ele dissesse qualquer coisa.

Vi Edward sorrir discretamente.

Foi um sorriso pequeno.

Mas suficiente para aliviar parte do peso que carregávamos havia horas.

— Ela está bem.

Bella deixou escapar um suspiro que parecia estar preso desde que a cirurgia começara.

Edward acariciou seu rosto.

— A Nessie está bem.

Meu coração voltou a bater com força.

Dei dois passos na direção deles.

— E o bebê?

Edward voltou o olhar para mim.

Seu sorriso aumentou um pouco.

— O JJ também está bem.

Senti minhas pernas perderem um pouco da força.

Passei as mãos pelo rosto e abaixei a cabeça por alguns segundos.

Nunca imaginei que duas frases tão simples pudessem trazer tanto alívio.

Edward continuou.

— Como nasceu antes do tempo, a equipe de neonatologia o levou para uma avaliação completa. É um procedimento normal em casos de prematuridade. Eles querem monitorar a respiração, a temperatura e fazer todos os exames necessários antes de entregá-lo para vocês.

Assenti várias vezes.

— Posso vê-lo?

— Em alguns minutos.

Minha ansiedade aumentou imediatamente.

— E a Nessie?

Edward colocou a mão no meu ombro.

— A Rebecca ainda está terminando os últimos procedimentos, mas ela já está sendo levada para o quarto de recuperação.

Olhei para ele quase sem conseguir esconder a emoção.

— Ela vai acordar logo?

— A anestesia geral leva algum tempo para passar completamente, mas não deve demorar.

Ele sorriu.

— Logo você poderá estar ao lado da sua esposa... e conhecer o seu filho.

Ouvir aquelas palavras fez algo dentro de mim finalmente relaxar.

Durante horas eu havia convivido apenas com o medo de perder tudo.

Agora existia uma única certeza.

Dentro daquele hospital, em algum lugar entre a maternidade e a UTI neonatal, meu filho havia acabado de chegar ao mundo.

E eu estava prestes a conhecê-lo.


Edward permaneceu conosco apenas o tempo suficiente para responder às nossas perguntas. Logo voltou para a maternidade, deixando claro que Rebecca continuava acompanhando Renesmee de perto e que a equipe neonatal terminava os primeiros cuidados com o bebê. Assim que ele se afastou pelo corredor, senti um peso enorme deixar meus ombros. Pela primeira vez desde que a cirurgia começara, consegui respirar sem a sensação de que o peito estava sendo esmagado.

Bella enxugou discretamente as lágrimas e sorriu para mim.

— Eu disse que ela ficaria bem.

Sorri de volta.

— Eu ouvi... só não consegui acreditar enquanto não vi o Edward saindo por aquela porta.

Ela segurou minha mão por um instante.

— Você ficou apavorado.

Olhei para o chão e soltei uma pequena risada.

— Acho que nunca senti tanto medo na minha vida.

Sarah aproximou-se e passou o braço pelos meus ombros.

— Isso acontece quando a gente ama de verdade.

Assenti em silêncio.

Era exatamente aquilo.

Nunca tive medo de enfrentar trabalho pesado, negociar fazendas ou resolver problemas que pareciam impossíveis. Mas ficar do lado de fora daquela sala sem poder fazer nada por Renesmee foi a maior prova de impotência que já vivi.

Alguns minutos depois, Rebecca apareceu no corredor ainda usando a roupa cirúrgica. Diferente de Edward, ela trazia no rosto o cansaço de quem havia passado horas concentrada em uma única missão.

Assim que me viu, abriu um sorriso.

— Pai.

Não consegui evitar.

Sorri na mesma hora.

— Então é oficial?

Ela riu.

— É oficial.

Aproximei-me imediatamente.

— Como ela está?

— Dormindo.

Rebecca retirou a touca cirúrgica enquanto falava.

— A anestesia geral ainda vai demorar um pouco para passar completamente. Quando acordar, provavelmente estará desorientada e um pouco sonolenta, mas isso é esperado.

Assenti.

— Posso vê-la?

— Claro.

Ela colocou a mão no meu braço.

— Só não espere conversar muito com ela agora. Talvez nem se lembre da primeira vez que abrir os olhos.

Olhei rapidamente para Bella.

Ela sorriu.

— Vá.

Voltei minha atenção para Rebecca.

— E o JJ?

O sorriso dela aumentou.

— Quer conhecê-lo primeiro ou prefere ver a Nessie?

A pergunta me pegou desprevenido.

Pensei por alguns segundos.

— Primeiro a mãe.

Rebecca assentiu.

— Imaginei que responderia isso.

Seguimos juntos pelo corredor da maternidade. Enquanto caminhávamos, ela começou a explicar como haviam sido os últimos minutos da cirurgia.

— Depois que você saiu, a pressão dela estabilizou rapidamente. Conseguimos terminar o procedimento sem outras complicações.

Respirei aliviado.

— E o parto?

Rebecca sorriu.

— Foi rápido.

Olhei para ela, curioso.

— Ele chorou?

Ela riu discretamente.

— Muito.

Sem perceber, acabei sorrindo também.

— Igual ao pai.

— Não.

Ela balançou a cabeça divertida.

— Bem mais bravo.

Continuamos andando até chegar ao quarto onde Renesmee já descansava.

Rebecca abriu a porta devagar.

O ambiente estava silencioso.

Renesmee permanecia deitada, ainda sob efeito da anestesia. Os cabelos espalhavam-se sobre o travesseiro, e sua respiração tranquila fez meu coração finalmente encontrar um pouco de paz. Aproximei-me da cama quase sem fazer barulho.

Segurei sua mão com cuidado.

Ela continuava quente.

Passei o polegar lentamente sobre seus dedos e permaneci alguns segundos apenas observando seu rosto.

— Obrigado... — murmurei tão baixo que apenas eu consegui ouvir.

Rebecca permaneceu alguns passos atrás, respeitando aquele momento.

Depois de alguns minutos, ela aproximou-se novamente.

— Está pronto?

Olhei para ela.

— Para quê?

Ela sorriu daquele jeito que só uma tia orgulhosa conseguiria sorrir.

— Para conhecer o homem mais novo da família Black.

Olhei mais uma vez para Renesmee.

Inclinei-me sobre a cama e beijei demoradamente sua testa.

Inclinei-me sobre a cama e beijei demoradamente sua testa.

— Já volto, amor.

Passei a mão pelos cabelos dela mais uma vez antes de soltá-la devagar. Rebecca esperou em silêncio perto da porta, respeitando aquele momento.

Saí do quarto de Renesmee ao lado de Rebecca, mas meus olhos insistiam em voltar para a porta que acabávamos de fechar. Ver Nessie dormindo tranquila depois de tudo o que aconteceu trouxe um alívio que eu já não acreditava sentir naquele dia. Ainda assim, eu só conseguiria respirar completamente quando ela despertasse e pudesse segurar nosso filho nos braços.

Rebecca caminhava ao meu lado pelos corredores da maternidade enquanto explicava como seriam as próximas horas. O parto havia acontecido antes do previsto e, por isso, JJ permaneceria em observação até que a equipe tivesse certeza de que respirava sem dificuldade, mantinha a temperatura corporal e se alimentava normalmente. Eu prestava atenção em tudo o que ela dizia, fazendo perguntas sempre que alguma dúvida surgia. Queria entender cada detalhe. A partir daquele momento, qualquer informação sobre meu filho parecia importante.

Paramos diante de uma grande janela de vidro.

Do outro lado, a equipe neonatal seguia trabalhando em silêncio. Havia outros bebês na unidade, mas Rebecca apontou discretamente para um berço aquecido próximo ao fundo da sala.

— É aquele.

Meu olhar acompanhou a direção de sua mão.

Por alguns segundos permaneci completamente imóvel.

Era pequeno.

Muito menor do que eu havia imaginado durante todos aqueles meses. Usava um gorro azul que escondia boa parte dos cabelos, e uma manta branca o envolvia quase por inteiro. Um dos enfermeiros ajustava cuidadosamente um sensor preso ao seu pezinho enquanto outra profissional anotava algumas informações em uma prancheta.

Sem perceber, aproximei-me ainda mais do vidro.

— Posso entrar?

Rebecca sorriu.

— Já terminaram os primeiros procedimentos. Vou pedir que preparem você.

Alguns minutos depois, uma enfermeira me entregou um avental descartável, uma touca e orientou que higienizasse cuidadosamente as mãos. Fiz tudo exatamente como ela explicou, tomado por uma ansiedade que nunca havia experimentado.

Quando atravessei a porta da unidade neonatal, senti um respeito quase involuntário pelo silêncio daquele lugar. As vozes eram baixas, os passos discretos e cada profissional parecia executar seus movimentos com uma delicadeza impressionante.

A enfermeira aproximou-se do berço.

— Papai?

Assenti.

Ela sorriu.

— Venha conhecê-lo.

Aproximei-me devagar.

Durante toda a gravidez imaginei inúmeras vezes aquele momento. Pensei em como seria seu rosto, em quem ele lembraria, em qual seria minha reação quando finalmente o visse. Nenhuma daquelas imagens chegou perto da realidade.

Meu filho dormia profundamente.

Seu nariz era pequeno, o rostinho ainda um pouco avermelhado pelo nascimento recente e os lábios faziam um leve movimento, como se procurassem alguma coisa enquanto sonhava. Estendi a mão com receio, quase sem coragem de tocá-lo.

— Pode fazer carinho nele — disse a enfermeira. — Ele reconhece a voz dos pais.

Passei a ponta dos dedos por sua mãozinha.

Ela era tão pequena que um de seus dedos envolveu apenas a ponta do meu indicador.

Naquele instante senti um aperto no peito que rapidamente deu lugar a uma emoção difícil de explicar.

Sorri sem perceber.

— Oi, campeão...

Minha voz saiu baixa.

— Eu sou o seu pai.

Ele continuou dormindo por alguns segundos.

Então moveu levemente a cabeça e fechou a mãozinha com um pouco mais de força em volta do meu dedo.

Ri sozinho.

— Já é teimoso igual à sua mãe.

A enfermeira também sorriu.

— Ele tem um bom peso para um prematuro. Está reagindo muito bem.

Continuei olhando para ele.

Procurei alguma característica minha e encontrei muito pouco. Os cabelos, mesmo escondidos pelo gorro, tinham um tom acobreado que não deixava dúvidas sobre quem ele lembrava.

— Rebecca...

Ela aproximou-se.

— Hum?

Sorri sem desviar os olhos do berço.

— Ele é a cara da Nessie.

Minha irmã olhou para o sobrinho e concordou.

— Também achei.

Balancei a cabeça, ainda admirando aquele rostinho tão pequeno.

— Ela vai dizer que venceu essa disputa.

Rebecca riu baixinho.

— E provavelmente vai ter razão.

Passei mais alguns minutos ao lado do berço, observando cada pequeno movimento dele. Pela primeira vez em muito tempo, minha cabeça ficou em silêncio. Não pensei na acusação de Lucy, na discussão com Sue, na fazenda ou nos problemas que ainda nos esperavam quando voltássemos para casa.

Naquele momento, existiam apenas meu filho, o som tranquilo da sua respiração e a vontade enorme de levá-lo até o quarto para que Renesmee finalmente pudesse conhecê-lo.