Notas iniciais
Hoje tive um dia corrido, mas deu pra postar um capitulo super fofo.


Por alguns segundos, eu não consegui dizer nada. As palavras de Jacob ficaram ecoando na minha mente enquanto eu tentava entender o que estava acontecendo. Parte de mim ainda estava envolvida na alegria de rever meus pais, outra parte presa à tranquilidade que tivemos no chalé… e agora, de repente, ele estava falando em casamento. Era muita coisa ao mesmo tempo.

Olhei para ele, sentindo um leve aperto no peito, não de medo, mas de incerteza.

– Jake… – comecei, hesitante. – Podemos conversar um minuto? A sós?

Ele pareceu surpreso com o pedido, mas não recusou. Apenas assentiu, ainda me observando com atenção.

– Claro.

Segurei a mão dele e o conduzi até o quarto. Assim que fechamos a porta, o silêncio tomou conta do ambiente, diferente do clima leve da sala. Soltei a mão dele devagar e me virei para encará-lo.

Jacob deu um passo na minha direção, claramente tentando entender minha reação.

– Foi precipitado? – perguntou ele, sem rodeios, mas com um tom mais baixo, cuidadoso.

A pergunta me pegou de surpresa, mas um pequeno sorriso escapou antes que eu respondesse.

– Eu… amei as surpresas – disse, sincera. – De verdade.

Aproximei-me um pouco mais, ainda mantendo o olhar nos dele.

– Mas casamento… é algo sério.

Ele assentiu lentamente, como se já esperasse ouvir aquilo.

– Eu sei – respondeu. – E talvez eu não tenha explicado direito.

Fiquei em silêncio, esperando que ele continuasse.

– Não é exatamente um casamento como você está pensando – explicou ele. – É mais… simbólico.

Franzi levemente a testa, tentando entender.

– Simbólico?

– Eu quero te assumir como minha esposa diante de todos – disse ele, com mais firmeza agora. – Quero deixar claro que você e o nosso filho são a minha família.

As palavras dele me atingiram de uma forma inesperada.

– Mas… – ele continuou – o divórcio com a Heidi ainda não foi finalizado. Então não pode ser oficial agora.

Fiquei alguns segundos em silêncio, absorvendo aquilo. Não parecia um impulso vazio. Havia intenção, havia significado.

– Isso é importante para você? – perguntei, mais baixo.

Jacob não hesitou.

– É.

A forma direta como ele respondeu fez meu coração acelerar. Ele se aproximou mais, diminuindo a distância entre nós, e sua expressão suavizou.

– Mas se você não quiser… – acrescentou, com calma – eu entendo. A gente cancela. Não tem problema nenhum.

Havia sinceridade na voz dele. Nenhuma pressão. Nenhuma obrigação.

Respirei fundo, sentindo tudo se encaixar aos poucos dentro de mim. Eu pensei em tudo o que tínhamos vivido até ali, nas decisões que já havíamos tomado, no filho que estávamos esperando… e, principalmente, no que eu sentia por ele.

Um sorriso tímido surgiu no meu rosto.

– Eu aceito.

Jacob pareceu levar um segundo para reagir, como se quisesse ter certeza de que tinha ouvido certo.

– Tem certeza?

Assenti.

– Tenho.

Mal terminei de falar e ele me puxou para seus braços, envolvendo-me com força, mas sem deixar de ser cuidadoso. Apoiei o rosto no peito dele, sentindo o coração dele bater rápido, tão acelerado quanto o meu.


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Eu me olhava no espelho tentando reconhecer a mulher diante de mim. O vestido era simples, mas havia algo nele que fazia tudo parecer diferente. O tecido caía de forma leve sobre o meu corpo e, pela primeira vez, eu não tentei esconder o pequeno volume da minha barriga. Pelo contrário… ele estava ali, visível, como parte de mim, da minha história, do que eu estava prestes a viver.

Passei a mão de leve sobre o tecido, respirando fundo, tentando acalmar o nervosismo que insistia em crescer dentro de mim. Tudo estava acontecendo rápido, mas, ao mesmo tempo, havia uma sensação de certeza que me mantinha firme.

Atrás de mim, Anna e Rafaela conversavam enquanto me observavam pelo espelho.

– Você não faz ideia de como a minha mãe quase surtou organizando isso tudo – disse Anna, cruzando os braços, com um sorriso divertido. – Mesmo sendo algo simples.

Rafaela soltou uma pequena risada.

– Anna… quando se trata da tia Alice, nada é simples.

Bella, que estava ao meu lado, ajeitando um pequeno detalhe do meu cabelo, concordou com um leve riso.

– Isso é verdade – disse ela. – Sua tia tem uma ideia muito particular do que significa “simples”.

As três riram juntas, e eu não consegui evitar rir também. Aquela leveza ajudava a diminuir um pouco a tensão que eu sentia.

– Pelo menos ela não resolveu colocar mil flores e luzes por toda a fazenda – comentei, tentando entrar no clima.

– Não porque ela não quis – respondeu Anna rapidamente. – Foi porque alguém a convenceu de que o Jacob teria um ataque.

Rafaela assentiu.

– E mesmo assim ela tentou negociar.

Balancei a cabeça, rindo baixo, enquanto levava a mão ao peito por um instante, sentindo meu coração bater mais rápido do que o normal.

Bella percebeu.

– Nervosa meu amor? – perguntou, com suavidade.

Olhei para ela pelo espelho e sorri, um pouco sem graça.

– Um pouco mãe.

Ela segurou minha mão com carinho.

– É normal.

Respirei fundo outra vez, tentando absorver aquele momento. Minha mãe estava ali. Minhas primas estavam ali. Eu não estava sozinha.

Continuamos a conversar e nosso momento foi interrompido por uma batida leve na porta.

Bella se afastou para abrir. Assim que a porta se abriu, Sarah apareceu do outro lado. O olhar dela veio direto para mim, e o sorriso que surgiu foi sincero, quase orgulhoso.

– Você está linda, querida.

Senti meu rosto esquentar levemente com o elogio.

– Obrigada Sarah…

Sarah deu mais um passo para dentro, mas logo voltou a olhar para Bella com um ar decidido.

– É melhor levá-la para o jardim – disse ela. – Antes que o Jacob tenha um colapso de ansiedade.

Anna riu baixo.

– Ele está tão nervoso assim?

Sarah cruzou os braços, ainda sorrindo.

– Mais do que imagina.

Olhei para meu reflexo mais uma vez, sentindo o nervosismo se misturar com algo diferente, algo bom de senti, mamãe terminou os últimos detalhes do meu cabelo e saímos juntas do quarto.


Desci as escadas com cuidado, sentindo o coração bater mais forte a cada passo que me aproximava da porta. O som das vozes do lado de fora começava a ficar mais claro, misturado com o vento suave que atravessava a fazenda. Quando finalmente atravessei a porta e coloquei os pés no jardim, tive a sensação de que estava entrando em um cenário que não parecia real.

Todos estavam ali.

Minha família, a família de Jacob, alguns funcionários da fazenda e amigos próximos. Havia um clima acolhedor, íntimo, mas ao mesmo tempo carregado de significado. Não era uma grande cerimônia, mas tudo tinha sido preparado com um cuidado que tornava aquele momento especial de um jeito único.

O jardim estava decorado com uma delicadeza que só podia ser obra da minha tia Alice. Pequenos arranjos de flores brancas e em tons suaves estavam distribuídos ao longo do caminho, presos em suportes de madeira rústica. Luzes delicadas haviam sido penduradas entre as árvores, formando um céu iluminado que começava a se destacar com o cair da tarde. O altar havia sido montado sob uma estrutura simples de madeira, adornada com flores e tecidos leves que se moviam com o vento, criando uma atmosfera suave e quase mágica.

As cadeiras estavam organizadas de forma harmoniosa, mas sem rigidez, permitindo que tudo parecesse natural, como se aquele espaço sempre tivesse sido feito para aquele momento.

Por um instante, esqueci de respirar.

Então eu o vi.

Jacob estava próximo ao altar, conversando com Billy e Edward, mas no instante em que nossos olhares se encontraram, ele parou. A expressão dele mudou completamente, como se todo o resto ao redor tivesse deixado de existir.

Ele veio na minha direção sem hesitar.

Cada passo que ele dava parecia diminuir a distância entre o que éramos antes… e o que estávamos prestes a nos tornar.

Quando ele finalmente parou diante de mim, seus olhos percorreram meu rosto, meu vestido, e voltaram para os meus com uma intensidade que me fez sorrir sem perceber.

– Você está linda – disse ele, com a voz mais baixa.

Senti meu rosto aquecer, mas não desviei o olhar.

– Você também está… – respondi, deixando escapar uma pequena risada nervosa.

Ele não disse mais nada. Apenas segurou meu rosto com cuidado e se inclinou para um beijo doce, tranquilo, como se quisesse acalmar qualquer resquício de nervosismo que ainda existia dentro de mim.

Quando nos afastamos, ele entrelaçou nossos dedos com firmeza.

– Pronta? – perguntou.

Olhei ao redor mais uma vez, para as pessoas que estavam ali, para a minha família, para aquele lugar que agora também era meu.

Depois voltei o olhar para ele.

– Sim, estou.

E assim, de mãos dadas, caminhamos juntos até o altar… prontos para dar o próximo passo da nossa história.



Quando paramos diante do altar, senti o mundo ao meu redor desacelerar. As vozes, o vento, até mesmo o som dos meus próprios passos pareceram se afastar, deixando apenas aquele momento, aquele espaço, e as mãos de Jacob firmes nas minhas. Eu podia sentir o calor dele, a segurança, como se tudo o que viesse depois começasse exatamente ali.

Antes que qualquer um de nós dissesse algo, Billy avançou com sua cadeira até ficar à nossa frente. O olhar dele percorreu Jacob por um instante, carregado de algo que misturava orgulho e memória, antes de finalmente falar.

– Eu vi esse rapaz crescer – começou ele, com a voz firme, mas emocionada. – Vi cada escolha, cada erro, cada acerto… e posso dizer, com toda certeza, que ele se tornou um homem melhor do que eu poderia ter imaginado.

Jacob apertou levemente minha mão, e eu senti o quanto aquelas palavras significavam para ele.

Billy então voltou o olhar para mim.

– Renesmee… você chegou à nossa família de uma forma que ninguém poderia prever. Mas, ainda assim, foi como se sempre houvesse um lugar esperando por você aqui.

Senti meu peito apertar levemente, emocionada.

– Hoje, eu não ganho apenas uma nora – continuou ele. – Eu ganho uma filha. E quero que você saiba que, nesta casa, você sempre será protegida, respeitada e amada.

Engoli em seco, tentando conter a emoção que subia pela minha garganta.

Billy voltou a olhar para Jacob.

– E você, meu filho… cuide dela. Porque agora a felicidade dela também é sua responsabilidade.

Jacob assentiu, sério.

Billy então recuou, dando espaço para meu pai.

Edward deu um passo à frente, e por um instante eu vi o conflito no olhar dele. Mas quando falou, sua voz saiu firme, apesar de carregada de emoção.

– Renesmee sempre foi… tudo para mim – disse ele, olhando diretamente para mim. – Desde o momento em que nasceu, eu soube que faria qualquer coisa para protegê-la.

Ele respirou fundo antes de continuar.

– E talvez… eu tenha exagerado nisso algumas vezes.

Um leve sorriso surgiu entre os convidados, mas eu sabia que aquilo era mais do que uma brincadeira.

Edward voltou o olhar para Jacob.

– Jacob… eu não vou dizer que foi fácil aceitar tudo isso. Não foi. Mas hoje, olhando para vocês dois… eu entendo.

Ele deu mais um passo, aproximando-se um pouco mais.

– Eu só te peço uma coisa – disse, com firmeza. – Cuide dela. Faça minha filha feliz.

Jacob sustentou o olhar dele sem hesitar.

– Eu prometo.

Houve um breve silêncio, carregado de significado, antes que Edward assentisse e recuasse.

Então, finalmente, ficamos apenas nós dois.

De frente um para o outro.

De mãos dadas.

Eu senti meu coração acelerar novamente, mas dessa vez não havia medo. Apenas emoção.

Jacob foi o primeiro a falar.

Ele apertou minhas mãos com mais firmeza, como se quisesse garantir que eu permanecesse ali com ele, e seus olhos não deixaram os meus em nenhum momento.

– Eu nunca planejei nada disso – começou ele, com a voz calma, mas carregada de sentimento. – Nunca imaginei que minha vida mudaria dessa forma… e muito menos que isso começaria do jeito que começou.

Ele fez uma pequena pausa, respirando fundo.

– Mas, em algum momento… eu percebi que não era sobre como tudo começou. Era sobre você.

Senti meus olhos se encherem de lágrimas enquanto ele continuava.

– Eu me apaixonei pela mãe do meu filho – disse ele, sem desviar o olhar. – Pela forma como você enfrentou tudo isso, pela sua força, pela sua coragem… e pela maneira como você, mesmo sem querer, trouxe luz de volta para a minha vida.

Minha respiração falhou por um instante.

– Eu não sei se consigo prometer uma vida perfeita – continuou ele. – Mas eu posso prometer que vou estar ao seu lado em tudo. Que vou lutar por você, por nós… todos os dias.

Ele aproximou um pouco mais nossas mãos.

– E que vou amar você… do jeito mais verdadeiro que eu sei.

As lágrimas já escorriam pelo meu rosto quando ele terminou.

Respirei fundo, tentando encontrar forças para falar.

– Eu também nunca planejei nada disso – comecei, com a voz um pouco trêmula. – Sempre imaginei que minha vida seguiria outro caminho… outra ordem… outro tempo.

Olhei para nossas mãos unidas antes de voltar a encará-lo.

– Mas, em meio a toda essa confusão… você apareceu.

Sorri levemente, mesmo com as lágrimas.

– E eu me apaixonei pelo pai do meu bebê.

Vi o olhar dele suavizar ainda mais.

– Me apaixonei pela forma como você cuida de mim… pela forma como me faz sentir segura, mesmo quando tudo parece estar desmoronando.

Apertei as mãos dele com mais força.

– Eu não sei o que o futuro reserva para nós… mas sei que quero viver tudo isso com você.

Minha voz saiu mais firme no final.

– Porque, mesmo sem planejar… você se tornou a melhor parte da minha história.


Por um instante, ninguém disse nada.

O silêncio que se formou após nossos votos não era vazio. Era cheio. Cheio de emoção, de significado, de tudo o que tínhamos acabado de dizer um ao outro. Eu ainda sentia minhas mãos entre as de Jacob, firmes, quentes, como se ele estivesse me mantendo ali, ancorada naquele momento.

Então ele se aproximou.

Não houve pressa, nem necessidade de palavras. Apenas um olhar, aquele mesmo olhar que parecia sempre me encontrar, me entender, me escolher.

Quando seus lábios tocaram os meus, o mundo ao redor simplesmente desapareceu.

O beijo foi calmo, profundo, carregado de tudo o que não precisávamos mais dizer. Eu senti as mãos dele segurando meu rosto com cuidado, como se aquele instante fosse algo precioso demais para ser apressado. Meus dedos se fecharam levemente na camisa dele, puxando-o um pouco mais para perto, como se quisesse garantir que aquilo era real.

E era.

Quando nos afastamos, ouvi os aplausos.

Primeiro suaves… depois mais fortes, mais cheios, ecoando por todo o jardim. As vozes, os risos, tudo voltou de uma vez, como se o mundo tivesse retomado seu movimento. Olhei ao redor ainda com o coração acelerado e vi os rostos sorridentes, minha família, a família dele, todos compartilhando aquele momento com a gente.

Senti uma lágrima escapar, mas dessa vez era leve.

Jacob segurou minha mão novamente, e eu sorri para ele, ainda sem acreditar completamente que tudo aquilo tinha acabado de acontecer.

Foi então que a voz de Antony cortou o momento.

– Muito bonito, muito emocionante… – começou ele, com aquele tom típico que sempre antecedia alguma provocação.

Eu já sabia que vinha alguma coisa.

– …mas alguém pode, por favor, me dizer quando a comida vai ser servida?

As pessoas começaram a rir imediatamente.

Antony cruzou os braços, fingindo seriedade.

– Porque eu respeito o amor de vocês dois… mas eu também respeito o meu estômago.

As risadas aumentaram, e até eu não consegui segurar.

– Antony! – reclamei, rindo.

Ele deu de ombros, sem qualquer vergonha.

– O quê? Casamento bom é casamento com comida boa.

Jacob soltou uma risada ao meu lado, balançando a cabeça.

– Tem certeza que ele não é filho do Emmett?– comentou baixo.

– Ele herdou o humor do tio Emmett– respondi, ainda rindo.

Naquela fazenda, cercada por risos, aplausos e pelas pessoas que amávamos… eu senti que, não importava o que ainda viria, aquele era o começo de algo que valia a pena viver.