Por Renesmee

O celular vibrou de novo na minha mão. Eu já tinha ignorado tantas chamadas dele nos últimos dois dias que o peito doía de culpa. Mas não dava mais para fugir. Respirei fundo e atendi.

— Oi… — minha voz saiu fraca.

— Nessie? — a voz dele veio carregada de alívio. — Graças a Deus, até que enfim você atendeu. Eu já estava ficando maluco.

Fechei os olhos, lutando contra as lágrimas.

— Desculpa, Riley… eu só… precisava de um tempo.

— Alice disse que você estava doente. Eu quase fui até sua casa. — Ele parou um segundo, e a voz ficou mais baixa, vulnerável. — Fala pra mim, você tá bem mesmo?

Eu engoli em seco, tentando manter a voz firme.

— Tô… ou pelo menos, tentando ficar.

Ele suspirou, aquele suspiro que eu conhecia bem, cheio de preocupação e amor.

— Você tá estranha comigo, Ness. Distante. Fiz alguma coisa errada?

— Não, Riley… não é nada disso. — Mordi o lábio, sentindo o peso da mentira que ainda não tinha coragem de revelar. — É comigo. Eu só… não sei como explicar.

Houve um silêncio do outro lado. Então ele disse, suave:

— Eu te amo, você sabe disso, né?

Meu coração apertou.

— Eu sei… e eu também te amo.

— Então deixa eu te ver. — Ele insistiu, a voz quase implorando. — A gente conversa, você me fala o que tá acontecendo. Eu só quero estar perto de você.

Olhei para o vazio do meu quarto, como se pudesse encontrar coragem no ar.

— Tá… amanhã. No Kerry Park. Quatro da tarde.

— Eu vou estar lá. — Ele falou com firmeza, como quem faz uma promessa.

Quando desliguei, fiquei parada, o celular ainda quente na mão. Suspirei fundo, o estômago embrulhado de medo.

Riley não fazia ideia do que eu carregava dentro de mim. E como faria para dizer que estava grávida… de alguém que não era ele?

Perfeito, vou escrever esse momento intimista entre mãe e filha, ainda narrado por Renesmee, trazendo a carga emocional do reencontro após dias de isolamento.

O sol já estava alto quando finalmente criei coragem de abrir a porta do quarto. O corredor parecia diferente depois de três dias sem sair dali, como se a casa tivesse mudado junto com a minha vida.

Desci devagar, sentindo minhas pernas fracas, e encontrei minha mãe na cozinha. Ela estava preparando café, o rosto cansado, mas quando me viu, abriu um sorriso pequeno, aliviado.

— Você saiu… — disse, deixando a caneca de lado para me olhar.

Assenti, com a voz baixa:

— Não aguentava mais ficar lá dentro.

Ela se aproximou e me envolveu com um olhar atento, como quem inspeciona se a filha ainda está inteira depois da tempestade.

— Seu pai mal ficou em casa nesses dias — explicou, como se quisesse justificar a ausência dele. — Passou mais tempo no hospital do que aqui.

Senti um aperto no peito.

— Ele ainda está com raiva de mim, não é?

— Ele está com raiva de tudo — respondeu com calma. — Mas não de você, filha. Só não sabe lidar com isso ainda.

Respirei fundo, deixando as palavras dela ecoarem, e depois baixei a cabeça.

— Mãe… eu me sinto confusa. Perdida. Não sei o que fazer.

Ela tocou meu rosto, os dedos quentes contra minha pele fria.

— Eu sei, Nessie. É normal se sentir assim. Mas escuta… a sua vida não acabou. Ela só tomou um rumo diferente. E eu vou estar com você em cada passo.

Não aguentei mais. As lágrimas vieram e minha voz se quebrou.

— Eu tenho medo, mãe. Medo do que vai ser da minha vida… do que as pessoas vão pensar… do que vai acontecer comigo.

Ela não hesitou. Me puxou para os braços dela, e eu desabei contra seu peito.

— Você não está sozinha, filha. — Senti sua mão afagar meus cabelos, enquanto sua voz suave preenchia o vazio dentro de mim. — Eu vou te apoiar em tudo. Sempre.

Fechei os olhos e me permiti ficar ali, protegida no colo da minha mãe, como se o mundo lá fora não existisse.


Dirigir até o Kerry Park foi como atravessar um campo minado. Cada esquina parecia me engolir em pensamentos pesados. O volante tremia sob minhas mãos suadas, e eu respirava fundo, tentando encontrar forças para dizer a Riley o que precisava ser dito.

“Você está grávida.”

As palavras ensaiadas repetiam-se na minha mente, mas nenhuma delas parecia suficiente. Como contar algo que eu mesma ainda não compreendia?

O rádio ligado em volume baixo não conseguia abafar o som do meu coração martelando. Quando finalmente virei na rua que levava ao parque, senti o estômago embrulhar. Estacionei o carro devagar, respirei fundo e enviei uma mensagem rápida:

“Cheguei.”

Não demorou para a resposta aparecer na tela.

“Estou perto do mirante, te esperando.”

Fechei os olhos, buscando coragem. Então abri a porta do carro e caminhei pelo parque. O ar frio de Seattle me envolveu, mas o que fez minhas pernas tremerem não foi o vento.

Foi a visão que se abriu diante de mim.

Uma faixa branca pendurada entre duas árvores, iluminada por pequenas luzes, dizia:

“Nessie, casa comigo?”

Flores estavam espalhadas pelo chão, formando um pequeno caminho. E ali, no fim, estava Riley. O homem que eu conhecia desde a adolescência, o namorado que sempre me tratou como um tesouro.

Ele sorriu ao me ver e se aproximou, com os olhos marejados.

— Surpresa… — disse, a voz trêmula. — Eu não consegui esperar mais.

Antes que eu pudesse reagir, Riley se ajoelhou diante de mim, tirou do bolso uma caixinha azul-marinho e a abriu. Dentro, um anel simples, mas lindo, refletia as luzes da cidade ao fundo.

— Renesmee Cullen… você aceita se casar comigo?

Senti meu mundo girar. Parte de mim queria gritar a verdade ali mesmo, acabar com a ilusão. Mas outra parte… a parte que tremia de medo, só conseguia pensar em como eu não suportaria destruir aquele sorriso nos lábios dele.

Então, com o coração pesado, eu sorri.

— Sim.

Riley deslizou o anel em meu dedo, se levantou e me envolveu em um abraço apertado. O parque inteiro pareceu aplaudir em silêncio, mas dentro de mim, uma tempestade se formava.

Eu acabava de aceitar me casar com ele… sem contar nada sobre o bebê que crescia dentro de mim.

Eu ainda tentava me recuperar do pedido, estavamos parados diante do mirante iluminado pelas luzes da cidade. Riley não parava de sorrir, os olhos brilhando como nunca.

— Eu não consigo parar de pensar em tudo que vem pela frente — disse, ainda segurando minhas mãos. — Nossa vida juntos… eu quero falar com o seu pai logo. Quero que ele saiba que vou cuidar de você.

Meu coração disparou. Apertei a mão dele com delicadeza.

— Riley, espera. Por favor… deixa que eu fale com meu pai primeiro.

Ele franziu o cenho, o sorriso diminuindo um pouco.

— Você sabe que ele não gosta de mim, Ness. Ele nunca me aceitou.

— Isso não importa — respondi firme, mesmo com o nó na garganta. — O que importa é o que eu sinto por você.

Ele respirou fundo, desviando o olhar para a cidade.

— Eu sei que não estou à altura de uma Cullen. — A voz dele saiu baixa, sincera. — Mas quando eu fizer sucesso no basquete, quando conseguir minha vaga… você vai se orgulhar de mim.

Olhei para ele, sentindo as lágrimas ameaçarem outra vez.

— Eu já tenho orgulho de você, Riley. Não precisa provar nada.

Ele sorriu de volta, como se aquelas palavras fossem tudo que precisava ouvir. Então me puxou para perto, e nossos lábios se encontraram.

O beijo foi doce, quente, cheio de promessa. Senti a mão dele em minha nuca, firme, enquanto a outra me envolvia pela cintura. Eu me entreguei, deixando meu corpo colado ao dele, sentindo sua respiração se misturar com a minha.

Quando nos afastamos, encostei a cabeça em seu peito, ouvindo as batidas fortes do coração dele.

E foi ali, no silêncio daquele abraço, que a lembrança da gravidez me atingiu como uma faca. O bebê que crescia em mim. O segredo que me esmagava por dentro.

Fechei os olhos, tentando congelar aquele momento, mas uma pergunta não saía da minha mente:

Será que esse noivado resistiria quando a verdade viesse à tona?