O pai do meu bebê
7 Renesmee
Riley me deixou em casa com um último beijo demorado. Eu o vi partir e, por um instante, desejei poder viver apenas naquela bolha onde nada de errado existia. Mas assim que empurrei a porta da frente, o peso da realidade caiu sobre mim.
A sala estava iluminada, e meus pais me esperavam. Minha mãe em pé, encostada no batente da parede, os braços cruzados, mas com o olhar preocupado. Meu pai sentado na poltrona de couro, inclinado para frente, as mãos unidas e o rosto carregado.
— Precisamos conversar, Renesmee — disse ele, sem rodeios. A voz saiu grave, cortante.
Fechei a porta atrás de mim e deixei a bolsa no sofá, tentando esconder o nervosismo.
— Tá bem… — respondi, quase num sussurro, e me sentei na cadeira diante dele.
Meu pai respirou fundo e começou:
— Hoje falei com os advogados do hospital. Já protocolei uma ação administrativa contra as enfermeiras que estavam envolvidas na troca de prontuários. Elas vão responder por isso.
Olhei para ele, tentando entender onde queria chegar.
— E…? — incentivei.
Ele apertou os dedos, desviou o olhar por um instante, depois voltou a me encarar.
— Eles foram claros comigo. A lei te protege nesse tipo de situação. Você não tem culpa de nada. É uma vítima. — A voz dele ficou ainda mais pesada. — Então… se você não quiser seguir adiante com essa gravidez, não precisa.
Fiquei imóvel. As palavras demoraram para fazer sentido, como se fossem em outra língua. Quando finalmente entendi, senti o sangue sumir do meu corpo.
— O quê? — minha voz saiu trêmula, quase sem ar. — Você tá sugerindo que eu… que eu interrompa a gravidez?
Meu pai sustentou o olhar, mas não disse nada. O silêncio dele foi pior do que qualquer resposta.
— Eu não acredito nisso! — gritei, levantando de repente. — Eu não acredito que ouvi isso de você, pai! Você, que jurou salvar vidas, que veste esse jaleco como se fosse uma armadura… agora olha pra mim e diz que eu posso simplesmente… apagar uma vida?
Minha mãe deu um passo à frente, tentando me acalmar.
— Nessie, filha, calma… não é isso… seu pai só está tentando—
— Tentando o quê, mãe? — a interrompi, as lágrimas escorrendo. — Tentando limpar o nome dele?
Virei para encarar meu pai novamente, sentindo a voz tremer de raiva.
— Me responde, pai: você tá preocupado comigo, com o meu futuro, ou com o que a sociedade vai falar quando descobrirem que a filha perfeita do doutor Edward Cullen engravidou sem nem ter estado com alguém?
Ele fechou os olhos, o maxilar travado, sem conseguir falar. Minha mãe finalmente me puxou contra o peito, acariciando meus cabelos enquanto eu chorava descontrolada.
Meu pai finalmente abriu os olhos e se levantou da poltrona. Caminhou até mim com as mãos nos bolsos, como se estivesse tentando controlar a própria raiva.
— Renesmee, você precisa entender… ter uma criança não é simples. Principalmente quando não é planejada. — A voz dele saiu firme, mas havia uma nota quase desesperada por trás. — Você só tem vinte anos, ainda tem uma vida inteira pela frente. Faculdade, carreira, sonhos. Você não faz ideia do que está dizendo quando afirma que vai levar isso adiante.
Limpei as lágrimas com as costas da mão, respirando fundo para não desmoronar na frente dele.
— Eu não vou enfrentar isso sozinha, pai. Eu tenho pessoas comigo.
Ele soltou uma risada curta, sarcástica, que me feriu mais do que qualquer grito.
— Pessoas com você? Quem? — deu um passo à frente, os olhos faiscando. — Seu namorado? Aquele garoto que não tem onde cair morto?
Meu coração acelerou. Senti meu sangue ferver.
— Riley é muito mais do que você imagina! — retruquei, erguendo o queixo. — E eu vou me casar com ele.
O silêncio caiu pesado. O rosto do meu pai ficou vermelho de raiva, e quando ele falou, sua voz ecoou pela sala.
— Casar? Só por cima do meu cadáver!
O grito dele reverberou nas paredes, mas eu não fiquei para ouvir mais. Virei as costas, sentindo o peito arder, e subi as escadas às pressas.
Atrás de mim, ouvi minha mãe tentando acalmar a situação, mas já não importava. Bati a porta do meu quarto e me joguei na cama, enterrando o rosto no travesseiro.
As lágrimas vieram sem controle, quentes, salgadas, sufocando minha respiração. Tudo o que eu queria era desaparecer, porque naquele momento parecia que meu mundo tinha desabado de uma vez.
E eu só conseguia pensar: como poderia ser tão doloroso lutar pelo direito de ser ouvida… na minha própria casa?
Eu ainda chorava quando ouvi a porta do quarto se abrir devagar. O colchão afundou levemente quando minha mãe se sentou ao meu lado. Ela não disse nada de imediato — apenas passou os dedos nos meus cabelos, do jeito que fazia quando eu era criança.
— Filha… — sua voz saiu suave, um sussurro que me fez soluçar ainda mais. — Eu sei que dói. E sei que as palavras do seu pai foram cruéis. Mas escuta: eu vou ficar do seu lado. Não importa qual escolha você faça, eu vou estar aqui. Sempre.
Me virei para ela e deitei a cabeça em seu colo. Senti o calor do abraço que eu tanto precisava.
— Mãe, eu tô perdida… — confessei, com a voz embargada. — Eu não sei o que fazer.
Ela afagou meu rosto com carinho, enxugando minhas lágrimas com o polegar.
— Nessie, você tem pensado tanto em tudo… mas não parou para pensar em uma coisa. — Sua voz ficou mais baixa, quase cautelosa. — No pai desse bebê.
Meus olhos se arregalaram. Ergui o olhar para ela, confusa.
— E se ele não quiser essa criança, mãe? Se ele a rejeitar?
Minha mãe suspirou, como se também carregasse esse peso.
— É isso que preocupa o seu pai. Ele tem medo de você se machucar ainda mais… de enfrentar isso sem apoio. Mas, ainda assim, nada justifica a forma como ele falou com você.
Fiquei em silêncio, os olhos fixos no teto, sentindo o coração apertar de novo. As lágrimas já não vinham, mas havia algo mais pesado do que elas dentro de mim.
Quem era o pai dessa criança que eu esperava?
Será que algum dia eu o conheceria?
Ou ele seria apenas uma sombra no meu destino?
Me aconcheguei mais no colo da minha mãe, tentando achar ali um pouco de força. Mas, no fundo, a dúvida começava a me consumir.
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