O pai do meu bebê
53 Renesmee
A sala estava iluminada pelas luzes quentes espalhadas pelo teto, um burburinho leve preenchia o ambiente e meus tios conversavam animados com os pais de Jacob. Eu me sentia estranhamente leve, mesmo com o coração acelerado desde o beijo que trocamos no jardim. Voltar para o meio da festa, com a mão dele entrelaçada na minha, parecia… certo. Tão certo que chegava a assustar.
Ficamos juntos perto da mesa com aperitivos enquanto as famílias se misturavam.
Sarah conversava com Esme como se fossem amigas há anos. Billy ria de algo que Carlisle contou. Meu pai observava tudo com um orgulho discreto, e minha mãe sorria para mim sempre que nossos olhares se encontravam. Parecia que, por um segundo, todas as confusões, dores de cabeça, escândalos e brigas… tinham ficado do lado de fora daquela casa.
Jacob encostou o ombro no meu de um jeito carinhoso, simples, que me arrepiou inteira.
— Sabe que está cada dia mais linda, não é? — ele murmurou só para mim.
— Você só está tentando me deixar convencida — respondi rindo baixinho.
— Estou só dizendo a verdade — ele apertou minha mão. — Hoje especialmente.
Eu ia responder, mas Jacob inspirou fundo, como se estivesse reunindo coragem, e ergueu a voz o suficiente para chamar atenção.
— Pessoal… — ele anunciou.
Os murmúrios diminuíram.
Minhas tias pararam de conversar.
Rafaela e Anna viraram como duas antenas apontadas para nós.
Meu pai cruzou os braços, curioso.
Minha mãe levou a mão à boca, como se previsse algo.
E meu coração… disparou.
Jacob então virou de frente para mim, os olhos fixos nos meus como se só existíssemos nós dois na sala.
Vi quando ele respirou fundo mais uma vez.
Eu juro que o mundo parou por um segundo.
Jacob estava ali, bem no meio da sala, cercado por toda a minha família, mas olhando só pra mim. O sorriso dele era aquele que derretia qualquer defesa minha. Então, sem aviso, ele respirou fundo e… se ajoelhou.
Meu coração foi pra garganta.
As conversas cessaram. Alice segurou o ar. Minha mãe levou a mão à boca. Eu senti minhas mãos tremendo.
Jacob abriu a caixinha devagar, revelando um anel simples e lindo, e levantou os olhos para mim com aquela expressão intensa que sempre me desmontava.
— Renesmee Cullen — ele começou, a voz firme mas cheia de emoção — eu passei anos achando que a vida já tinha me dado tudo o que podia. Que eu já tinha lidado com perdas demais. Que não existia nada que pudesse mudar meu destino.
Ele deu uma risadinha curta, nervosa.
— Aí… você caiu na frente do meu carro. — Todo mundo riu baixinho. Eu também. — E eu pensei que seria só um susto. Mas virou tudo. Descobri que você era a mãe do meu filho. Que o destino é teimoso. E que às vezes ele força as coisas que a gente não teria coragem de aceitar sozinho.
Meu peito apertou. Ele continuou.
— Você me deu algo que eu achava que nunca ia ter. Uma família. Um propósito. Uma paz que eu já tinha desistido de procurar. E, sem perceber, você me devolveu a esperança. — Ele passou a mão pelos cabelos, emocionado. — E olha… eu sei que foi tudo do jeito mais maluco possível. Acidente de laboratório, brigas, medo, confusão. Mas nada disso muda o fato de que… eu me apaixonei por você. E não foi pouco.
Meu coração derreteu ali, sem chance de recuperação.
— Eu quero estar com você em cada etapa. No primeiro choro do nosso filho. Nos seus dias ruins. Nas suas vitórias. Quero acordar e ver você dormindo do meu lado. Quero construir uma vida do zero, desse jeito improvisado mesmo, mas nosso. — Ele respirou fundo. — Então… se você deixar… eu quero ser seu marido.
Houve um silêncio.
Tipo aquele silêncio bonito, cheio de sentimento.
Eu senti as lágrimas escorrendo. Dei um passo à frente, segurando o rosto dele com as duas mãos.
— Jake… — minha voz saiu trêmula, mas firme — é claro que eu aceito.
Ele soltou um suspiro como se o mundo tivesse saído das costas dele. Levantou devagar e me puxou pela cintura. E aí eu o beijei. Um beijo cheio de tudo o que meu coração guardou esses meses. Amor. Medo. Alívio. Esperança.
Quando o beijo terminou, a sala inteira explodiu em aplausos.
Alice chorando. Rosalie sorrindo. Emmett gritando "eu já sabia". Minha mãe abraçada ao meu pai, que parecia dividido entre orgulho e pânico. Billy secando os olhos discretamente. Sarah apertando as mãos no peito, emocionada.
E Jacob?
Jacob só me olhava como se eu fosse a maior escolha da vida dele.
No fundo, eu sabia que aquele não era o fim de nada. Era só o começo do que o destino tinha decidido unir muito antes de a gente entender.
E … eu me permiti não ter medo disso.
Eu estava rindo de alguma piada da Anna quando senti alguém tocar meu ombro. Virei e vi um dos seguranças do meu pai. O homem estava sério demais para ser algo simples.
— Senhorita Renesmee… o senhor Biers está lá fora — ele falou baixo. — Ele insiste em entrar.
Meu coração quase saiu pela boca.
Riley.
O nome dele pareceu ecoar na minha cabeça.
Anna arregalou os olhos. Rafa colocou a mão na boca.
— Você… você quer que eu peça aos seguranças para afastá-lo? — o homem perguntou.
Engoli seco.
Eu não sabia o que Riley queria, mas fugir não ia resolver.
— Deixa ele entrar — falei, sentindo minha voz tremer.
Anna segurou meu braço assim que o segurança se afastou.
— Nessie, tem certeza? — ela perguntou baixinho.
— Não — admiti. — Mas eu preciso saber o que ele quer.
Rafa me abraçou de lado.
— A gente fica por perto, tá? Qualquer coisa é só chamar.
Assenti e respirei fundo.
Jacob estava do outro lado da sala conversando com Charlie, Carlisle e meu pai. Ele ria de alguma coisa que Emmett tinha dito. Ele parecia tão… em paz. A visão dele me deu força.
Porque agora eu não estava mais sozinha.
O segurança abriu caminho e Riley entrou.
Ele parecia cansado, abatido… e nervoso.
Passou os olhos pela sala inteira até me encontrar.
Quando me achou, deu dois passos em minha direção.
A sala ficou em silêncio.
Eu senti olhares chegarem de todos os lados.
Respirei fundo.
Segurei minha barriga.
E me preparei para o que viria.
O segurança ainda estava parado na porta quando Riley entrou no salão.
Um murmúrio percorreu a família toda.
Meus dedos gelaram.
Eu respirei fundo e caminhei até ele.
— Riley… o que você quer aqui? — minha voz saiu baixa, mas firme.
Ele deu aquele sorriso torto, carregado de ironia.
— Só passei pra ver a linda festa de noivado — disse, encarando o salão como se estivesse visitando um circo. — Bem elegante. Bem… planejada.
Meu estômago se revirou.
Não era um elogio.
Era veneno.
— Riley… — repeti, impaciente. — Fala logo. Por que você veio?
Antes que ele abrisse a boca, Jacob surgiu ao meu lado, como se tivesse sentido meu nervosismo de longe. Ele se colocou levemente à frente, protetor.
— Algum problema? — Jacob perguntou, a voz calma, mas firme.
Edward logo apareceu também, a expressão fechada.
— O que ele está fazendo aqui? — meu pai questionou o segurança. — Quem permitiu a entrada dele?
Riley cruzou os braços e encarou meu pai com uma audácia que eu nunca tinha visto nele.
— Engraçado você perguntar isso, doutor Cullen. Medo que sua filha descubra a verdade?
Meu peito travou.
— Que verdade? — perguntei, olhando primeiro para Riley e depois para meu pai, que ficou completamente imóvel.
Riley me encarou por alguns segundos, saboreando cada segundo da tensão.
— Você não sabe, né, Nessie? — ele disse com um tom quase piedoso. — Claro que não. O papai aqui não contou.
Jacob deu um passo à frente, os olhos escuros atentos, prontos para reagir se necessário.
— Riley — ele disse, medindo as palavras — cuidado com o que vai falar.
Mas Riley riu.
— Relaxa, Black. Talvez você também deva ouvir… já que vai entrar pra família. — Então ele voltou a olhar pra mim, e seu sorriso morreu. — Talvez seu noivo goste de saber que nada nessa história foi coincidência. Que o seu pai… manipulou cada parte desse circo.
Meu coração caiu no estômago.
— Riley, do que você está falando? — minha voz saiu trêmula.
Edward tentou se aproximar, mas Riley ergueu a mão, sem medo.
— Fica aí, Cullen. Já basta o que você fez.
O salão inteiro estava em silêncio.
Jacob colocou a mão nas minhas costas, como se quisesse me ancorar.
— Fala logo — pedi, a garganta ardendo. — O que o meu pai fez?
Riley respirou fundo, como se estivesse prestes a soltar a bomba que guardou para o momento perfeito.
— Ele garantiu que você e o milionário do interior se conhecessem. — Riley apontou para Jacob sem esconder o veneno. — Ele garantiu que esse noivado existisse. Ele tratou de tirar cada pedra do caminho. Até eu.
Meu coração parou.
Jacob ficou tenso, mas não disse nada.
Eu não conseguia olhar para ninguém além de Riley.
— Ele me ajudou a conseguir o teste no Seattle Storm — Riley continuou, a voz agora cheia de mágoa. — Ele sabia que, quando eu fosse contratado, eu ia embora. Que eu nunca ficaria ao seu lado carregando um filho que não é meu. Ele sabia. Ele contava com isso.
Foi como levar uma facada.
Riley limpou uma lágrima rápida — pela primeira vez sincera — e acrescentou:
— Seu pai… me comprou.
Um silêncio pesado caiu entre nós.
Eu virei devagar para olhar para Edward.
E pela primeira vez na vida… eu não reconheci meu próprio pai.
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