Meu peito doía de nervoso, mas eu me mantinha firme.

Riley estava ali parado, no meio da sala da casa do meu avô, com todos olhando para ele como se fosse uma ameaça.

E de certa forma era.

Edward avançou um passo, sério.

— Tirem ele daqui, agora.

Dois seguranças já deram um passo à frente, mas eu levantei a mão.

— Espera.

Senti Jacob ao meu lado tensionar.

Ele estava inquieto desde o momento em que Riley entrou.

E quem podia culpá-lo? Eu estava grávida, o clima estava pesado e aquilo tinha tudo para dar errado.

Rebecca, mais atrás, falou num tom baixo, preocupado.

— Nessie… você não pode se exaltar. Lembra do diagnóstico.

Eu respirei fundo, tentando controlar o tremor das minhas mãos.

— Eu estou bem. Juro. Só… me dêem um minuto — falei, olhando para meu pai.

Jacob imediatamente negou.

— Não. Eu não vou deixar você sozinha com ele assim.

Olhei para ele. De verdade.

Com o coração.

E pedi.

— Por favor.

Ele cerrou o maxilar, como se engolisse algo que doía.

Mas ainda assim, a resposta foi:

— Não.

Antes que eu pudesse insistir, Sarah tocou o braço dele.

— Jacob… — ela disse num tom firme, maternal. — Se vocês querem seguir em frente juntos, essa conversa precisa acontecer. Ela precisa resolver isso.

Jacob fechou os olhos por um instante.

Bella completou, olhando para Edward:

— Você já interferiu demais na vida da nossa filha. Deixa ela resolver essa parte. Renesmee sabe o que está fazendo.

Edward passou a mão pelos cabelos, claramente contrariado, mas se rendeu.

Um por um, todos foram saindo da sala, ainda lançando olhares preocupados para mim.

Até que ficamos só eu e Riley.

Silêncio.

Ele abriu a boca.

— Nessie, eu—

— Não — interrompi, levantando a mão. — Quem vai falar agora sou eu.

Minha voz saiu firme, mesmo com meu coração correndo uma maratona dentro do peito.

— Você entrou aqui porque quer me machucar… ou porque quer se justificar. Mas eu não vou deixar você fazer isso de novo comigo. Então agora você vai ouvir.


Fiquei ali, parada no meio da sala enorme, tentando manter a respiração estável enquanto Riley recuava alguns passos. Ele parecia menor do que eu lembrava. Menor do que o amor que eu já senti por ele um dia. Menor do que a dor que ele me causou. Menor do que o medo que eu carregava agora, por mim e pelo meu filho.

Mas eu não podia desabar. Não na frente dele.

Eu ergui o queixo, segurei o braço da poltrona ao lado para me manter firme e soltei o ar devagar.

— Agora sou eu quem vai falar — minha voz saiu trêmula, mas clara. — Você veio aqui pra acusar meu pai. Certo… então vamos começar de verdade, Riley. Foi o meu pai que te obrigou a trair? Foi Edward Cullen que te empurrou pros braços da Victoria?

Ele piscou. Uma, duas vezes.

Como se tivesse levado um tapa.

— Nessie… eu… — ele começou.

— Não — levantei a mão. — Não inventa desculpa. Não mente pra mim. Meu pai não te obrigou a nada. Você fez porque quis. Porque achou que podia me enganar. Porque achou que eu nunca saberia.

Ele baixou o olhar, mas eu continuei.

— Foi meu pai que te obrigou a dizer pra mim me livrar do bebê? — senti meu peito arder, mas não parei. — Foi ele? Ou foram as suas próprias palavras? Porque eu me lembro perfeitamente. Eu lembro da sua voz. Eu lembro do seu rosto enquanto dizia aquilo.

Riley engoliu seco.

— Eu estava com medo… eu—

— Todos nós estávamos — interrompi. — Mas eu nunca virei as costas pra você. E você virou pra mim na primeira dificuldade. E hoje vem aqui, na minha casa, no meu noivado, pra colocar a culpa no meu pai por escolhas que foram suas?

Ele não respondeu.

Não tinha resposta.

— Você não acreditou em mim nem quando eu falei do erro no hospital — continuei. — Você não acreditou nem quando eu disse que nunca te trai. A verdade é que… — a voz falhou um pouco — você faria tudo igual. Mesmo que meu pai não tivesse movido um dedo. Porque quem você é… sempre esteve aí. Eu só demorei pra ver.

Riley deu um passo pra trás, finalmente percebendo que não tinha mais espaço ali.

— Nessie… eu…

— Não, Riley. Não faz sentido você estar aqui. — respirei fundo. — O que existiu entre nós acabou. De verdade. Então… por favor… vai embora.

Ele ficou parado por um segundo. Depois virou o rosto, sem coragem de me encarar novamente, e saiu.

Assim que a porta se fechou, as forças simplesmente me deixaram.

Sentei no sofá e senti as lágrimas queimarem minha visão. Não era só tristeza. Era exaustão. Era medo. Era tudo acumulado nos últimos meses.

Antes que eu pudesse limpar o rosto, ouvi passos rápidos.

Jacob.

Ele se ajoelhou na minha frente sem hesitar, como se estivesse salvando algo precioso. Suas mãos quentes seguraram meus braços e ele me puxou devagar até o peito dele.

— Ei… — ele sussurrou contra meu cabelo. — Eu tô aqui.

E foi quando finalmente deixei o corpo relaxar, afundando naquele abraço forte, seguro, que parecia dizer sem palavras:

Você não está sozinha. Nunca mais.


Rebecca terminou de examinar minha pressão e o bebê.

O quarto estava silencioso, só dava pra ouvir meu coração e o dela batendo firme dentro de mim.

Ela olhou para mim com aquele jeito seguro que sempre me acalma.

– Você está bem – disse num tom calmo. – E o bebê também. Foi só estresse.

Eu soltei o ar devagar, como se estivesse tirando um peso das costas.

Jacob ficou ao meu lado o tempo todo, com a mão na minha perna, como se quisesse garantir que eu não fosse desmaiar de novo.

Eu levantei o olhar e vi meu pai parado na porta.

A expressão dele… destruída.

Ele se aproximou um pouco, quase com cuidado demais, como se tivesse medo que eu quebrasse.

– Filha… – a voz falhou. – Me perdoa. Eu só quis te proteger.

Proteção.

Essa palavra doeu.

Eu balancei a cabeça, sentindo aquela mistura de tristeza e mágoa subir de novo.

– Pai… isso que você fez não é proteção – minha voz saiu baixa, mas firme. – É controle. E me machucou.

Os olhos dele fecharam por um segundo. Parecia mais velho do que realmente era.

Eu virei para Jacob.

– Eu quero ir embora.

Bella deu um passo, preocupada.

– Filha… talvez seja melhor você passar a noite aqui. Amanhã Jacob te busca com calma. Você ainda está fraca.

Antes que eu respondesse, Rebecca colocou a mão no ombro da minha mãe.

– Ela está bem, Bella. Eu vou acompanhar tudo de perto. Prometo.

Jacob ficou de pé e deslizou a mão nas minhas costas, me ajudando a levantar sem esforço.

Bella vinha com um sorriso triste e os olhos brilhando.

– Cuida dela, por favor – ela pediu a Jacob.

– Com a minha vida – ele respondeu, sério de um jeito que só fez meu coração apertar.

Eu a abracei forte, tentando passar pra ela a segurança que eu mesma tentava juntar dentro de mim.

– Mãe, eu estou bem. De verdade.

Edward ficou parado atrás, completamente derrotado. Não conseguiu nem falar.

Ele só me olhou como se estivesse perdendo uma parte de si.

Eu não consegui encará-lo por muito tempo.

Ainda doía demais.

Me despedi de todos, um por um, enquanto Jacob mantinha a mão na minha cintura, como se tivesse medo de me perder no meio da sala.

Quando finalmente chegamos até a porta, senti o último olhar do meu pai nas minhas costas.

Mas eu não parei.

Era a hora de começar uma nova página da minha vida.