O pai do meu bebê
45 Renesmee
Eu estava deitada entre travesseiros extras, tentando encontrar uma posição que não apertasse minha barriga e nem minha cabeça. Desde o diagnóstico eu sentia como se cada pequeno incômodo pudesse ser um sinal de alerta. A ideia de algo acontecer com meu bebê me deixava apavorada. Por isso, ver a porta se abrir e Jacob entrar no quarto já me deixava mais leve.
Ele tinha aquela expressão séria de sempre quando estava preocupado, mas o olhar suavizava assim que batia em mim.
— Como você tá? — ele perguntou, vindo até a cama.
— Bem… dentro do possível — respondi com um sorriso pequeno.
Ele sentou ao meu lado e, antes de falar qualquer coisa, me puxou devagar para os braços dele. Eu me encaixei ali como se fosse o lugar mais natural do mundo. Nos últimos dias, Jacob praticamente não saiu de perto de mim. Quando eu acordava, ele estava ali. Quando eu dormia, ele ainda estava ali. Eu tentava não demonstrar, mas isso me dava forças.
— Eu preciso ir pra fazenda amanhã — ele disse num tom baixo, como se tivesse medo de que eu interpretasse errado. — Não posso ficar tanto tempo longe dos negócios. Embry é ótimo, mas tem coisas que só eu posso resolver.
Meu peito apertou na hora. Eu sabia que era o certo. Sabia que ele tinha uma vida inteira longe daqui. Mas, mesmo assim, doeu.
— Eu entendo… — murmurei, sem conseguir esconder a tristeza. — Só… vou sentir saudade.
Ele afastou só o suficiente para olhar meu rosto. Passou o polegar na minha bochecha, lento, como quem pensa antes de falar.
— Eu também vou sentir — ele confessou. — Mais do que eu imaginei que sentiria. E isso é… complicado.
Eu ri de leve, encostando a testa na dele.
— Complicado por quê?
— Porque eu sei que você está em boas mãos aqui — ele disse, olhando pelo quarto como se enxergasse meu pai e Antony passando pela porta. — Você tem um pai médico, um irmão médico, todo mundo pronto pra te proteger. Mas… eu ainda prefiro estar aqui. Eu fico mais tranquilo quando tô perto de você.
Meu coração derreteu. De verdade.
— Eu também prefiro você aqui… — falei baixinho, sincera.
Os olhos dele ficaram quentes, daquele jeito que me desmontava.
— É? — ele sorriu torto. — Prefere mesmo?
— Aham — confirmei, tocando o rosto dele com a palma da mão. — Muito.
Ele aproximou o rosto devagar, como se me desse tempo pra recuar. Eu não recuei. Pelo contrário, me adiantei e uni nossos lábios num beijo suave, cheio de saudade antecipada. Ele respondeu na mesma medida, me puxando com cuidado pela cintura, sem apertar demais, como se eu fosse algo frágil e precioso.
Quando o beijo terminou, ele encostou a testa na minha e respirou fundo, como se guardasse aquele momento pra levar com ele.
— Eu volto rápido, Ness — prometeu. — Prometo mesmo.
E eu acreditei. Porque naquele instante, ali nos braços dele, parecia impossível que ele ficasse longe por muito tempo.
Passamos a manhã inteira juntos no quarto.
Falamos de livros, rimos de uns vídeos idiotas na TV, discutimos nomes para o bebê e até brigamos de brincadeira porque ele insistia que o nosso filho ia gostar de cavalos e eu dizia que não necessariamente.
O tempo passou tão rápido que eu nem percebi quando a porta se abriu.
Mamãe apareceu com um sorriso doce.
— Vocês dois… — ela disse, colocando as mãos na cintura. — Estão na maior calma do mundo e eu lá embaixo tentando segurar seu pai para não subir a cada cinco minutos. O almoço está pronto.
Eu me animei na hora. Finalmente ia sair do quarto.
Jacob levantou primeiro e estendeu a mão para mim.
Quando eu tentei me apoiar para levantar, ele simplesmente me pegou no colo como se fosse óbvio.
— Jake! — protestei rindo. — Eu posso andar.
— Pode — ele concordou. — Mas não vai. Não enquanto estiver descendo e subindo escadas. Nem pensar.
Olhei para minha mãe pedindo ajuda, quase implorando.
Ela só riu.
— Eu não vou entrar nessa, querida. Ele está certo.
Jacob sorriu vitorioso.
— Isso aí, sogra.
— Jake! — sussurrei, escondendo o rosto no ombro dele, morrendo de vergonha.
— O quê? — ele riu. — Eu só estou me adiantando.
Eu não disse nada.
Só deixei meu braço envolver o pescoço dele enquanto ele me carregava pelo corredor, firme, confiante… como se eu fosse o bem mais precioso que já segurou na vida.
O almoço estava animado e, por alguns minutos, consegui esquecer o incômodo na cabeça e o peso constante na barriga. Nós estávamos reunidos na sala de jantar, a mesa grande decorada com flores claras. Meu pai e Antony pareciam ter entrado em um universo à parte com Jacob.
— Então você cria Andaluzes? — meu pai perguntou, curioso de verdade. — São cavalos de porte impressionante.
Jacob sorriu daquele jeito cheio de calma dele.
— Já tive outras raças, mas os Andaluzes… — ele deu um leve gesto com a mão. — São especiais. Inteligentes, firmes e com um temperamento que eu admiro.
Antony se inclinou na cadeira, animado.
— Eu vi uns vídeos no TikTok, pai. Os bichos dançam. Literalmente.
Jacob riu.
— Não é bem dançar… mas quase.
Eu observava os três conversarem e uma sensação estranha me tomou. Era… paz. Jacob ali, sentado na mesa da minha família, falando com meu pai como se fosse algo natural.
Mas então minha mãe resolveu entrar no assunto que ela mais amava no mundo: bebês.
— Falando em temperamento… — Bella sorriu para mim. — Como nosso pequeno está hoje?
Senti minhas bochechas esquentarem. Jacob olhou para mim também, como se a pergunta fosse para nós dois.
— Ele mexeu bastante de manhã — respondi, tocando a barriga sem perceber. — Acho que não gostou de eu acordar cedo.
— Ou gostou — Jacob disse com carinho. — Talvez só queira chamar atenção.
Meu pai levantou as sobrancelhas, divertido, e eu tive que desviar o olhar.
O clima estava tão leve que, quando Jacob limpou a garganta, eu nem desconfiei.
— Eu… — ele olhou primeiro para meus pais e só depois para mim. — Vou precisar voltar para a fazenda amanhã.
A informação caiu como um peso no meu peito. Eu sabia que isso ia acontecer, claro… mas ouvir em voz alta doía mais do que eu esperava.
Meu pai assentiu, compreensivo.
— Imagino. Administrar uma fazenda daquele tamanho não é simples.
Jacob respirou fundo, firme, como se estivesse tomando coragem para o que vinha depois.
— Sim. Mas… — então ele olhou direto para mim, e meu coração perdeu um compasso. — Eu gostaria de levar Renesmee comigo.
A frase entrou pelos meus ouvidos, mas demorou alguns segundos para fazer sentido. Eu pisquei. Minha mãe arregalou os olhos de surpresa. Antony travou no meio de um gole de suco.
E meu pai… meu pai apenas inclinou a cabeça, analisando cada detalhe.
Eu só conseguia pensar em uma coisa: ele queria que eu fosse com ele. Para a fazenda dele. Para o mundo dele.
— Eu… — minha voz saiu fraca, baixa. — Me levar? Para a fazenda?
Jacob manteve o olhar firme, mas suave.
— Sim. — Ele apoiou o antebraço na mesa, como alguém que tem certeza do que sente. — Vai ser mais tranquilo para você. Ar puro, pouco estresse… e eu vou conseguir cuidar de você e do bebê de perto.
Senti o estômago se contrair — e não era enjoo.
Era outra coisa.
Algo quente. Aterrorizante. Doce.
Bella segurou meu braço de leve, quase como um incentivo silencioso.
Meu pai permaneceu sério, mas não hostil. Ele só estudava Jacob… como se estivesse medindo o tamanho da verdade por trás das palavras dele.
E eu…
Eu estava tentando respirar, porque a ideia de ir com Jacob não me causava medo.
Causava vontade.
Muita.
Eu ainda estava rindo da piada do Antony quando ouvi a voz do meu pai ficar séria.
O clima na mesa mudou.
— Renesmee não pode simplesmente ir morar com você — meu pai disse, firme, olhando para Jacob. — Ela está grávida… de você. E apesar de eu confiar em você, Jacob, não acho correto ela sair da nossa casa assim, sem um compromisso real entre vocês dois.
Eu quis me enfiar debaixo da mesa.
Minha cara queimou inteira.
— Pai… — murmurei quase sem voz. — Pelo amor de Deus…
Antony caiu na gargalhada, batendo a mão na mesa.
— Meu pai é um museu ambulante. Um compromisso? Que ano estamos?
Bella deu um tapa leve no braço dele, tentando esconder o riso.
Jacob, ao contrário de mim, estava tranquilo. Tranquilo demais. Ele pegou o copo e tomou um gole de suco como se meu pai não tivesse jogado uma bomba no meio do almoço.
— Edward… — minha mãe tentou amenizar. — Você poderia ter sido um pouco mais… suave.
— Eu estou sendo suave — ele respondeu, cruzando os braços.
Eu já estava planejando fugir pela porta da cozinha quando Jacob finalmente falou.
Calmo. Sério. Como se estivesse dizendo a coisa mais natural do mundo.
— Na verdade… eu concordo com o senhor.
Meu coração gelou.
Eu pisquei, sem entender.
Ele continuou:
— O senhor está certo. Nessie merece algo sólido. Algo seguro. Eu não levaria a sua filha para viver comigo desse jeito.
Eu soltei o ar devagar, achando que ele ia encerrar por aí.
Mas aí Jacob respirou fundo, olhou para o meu pai…
e falou a frase que detonou meu sistema nervoso.
— Então eu caso com ela.
O copo escorregou da minha mão.
— O quê? — saiu quase num grito, fino, desesperado, horrorizado.
Antony praticamente caiu da cadeira de tanto rir.
Minha mãe levou a mão à boca.
Meu pai congelou, arregalando os olhos.
E eu?
Eu fiquei olhando para Jacob como se ele tivesse acabado de me pedir para saltar de um penhasco sem paraquedas.
— Jacob… — eu sussurrei, perdida. — Como é que é?
Ele virou o rosto para mim, tão calmo, tão seguro, que me deu vontade de bater e abraçar ao mesmo tempo.
— Eu disse que caso com você. Se isso deixar seu pai tranquilo…
Eu afundei na cadeira, o rosto ardendo.
Meu mundo inteiro virou de cabeça pra baixo em três segundos.
De novo.
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