O pai do meu bebê
42 Renesmee
Cheguei em casa com as pernas bambas. Anna e Rafa vinham dos dois lados, me segurando como se eu pudesse desabar a qualquer momento.
— Você não tá bem, Nessie — Anna murmurou, preocupada.
Eu só consegui balançar a cabeça. Estava tentando não chorar naquele portão. Mas, quando Bella abriu a porta e viu meu estado, tudo desmoronou.
— Filha? O que houve? — ela correu até mim, segurando meu rosto com as duas mãos.
As lágrimas simplesmente vieram, pesadas, quentes.
— Foi ela… — minha voz saiu trêmula. — Uma mulher apareceu se apresentou como Heidi Black. Ela me achou no restaurante. Disse coisas horríveis. Disse que eu armei tudo. Que eu queria um “pai rico” pro meu filho. Que Jacob só está comigo porque quer o bebê… e que ele esteve com ela na noite passada.
Bella respirou fundo, tentando organizar as informações.
— Renesmee… talvez exista alguma explicação. Você precisa falar com o Jacob antes de tirar conclusões. Ele nunca te tratou desse jeit—
— Mãe! — explodi, sem conseguir segurar. — Você tá defendendo ele?! Depois de tudo o que ela disse? Depois do que aconteceu no restaurante? Você acha MESMO que ele nunca mentiria pra mim?
Bella se calou, assustada com a minha reação.
A porta da sala abriu e Edward entrou.
— O que está acontecendo aqui? — perguntou firme, olhando primeiro pra mim e depois para Anna e Rafa.
Eu respirei fundo, tentando conter o soluço.
— A Heidi — falei com a voz embargada. — Ela foi atrás de mim. Disse que vai lutar na justiça pelo meu bebê. Disse que Jacob só está comigo por interesse. E que ele… que ele ainda está com ela.
Edward fechou os olhos por um instante, como se aquilo não fosse novidade.
E eu percebi.
Ele já sabia.
— Pai… — minha voz falhou. — Você sabia que ela queria o bebê?
Edward respirou devagar, escolhendo as palavras.
— Ela apareceu no hospital, Renesmee. E sim, tornou público o caso da troca da inseminação. Eu vinha tentando resolver isso sem te preocupar ainda mais, mas…
Mas.
Essa palavra me destruiu.
Senti minhas pernas falharem um pouco.
Meu peito apertou de um jeito quase físico, doloroso.
— Então é isso — sussurrei. — Eu sou… um escândalo. Um alvo. Um problema jurídico. Nada mais.
— Não diga isso — Bella tentou tocar meu braço, mas eu recuei.
— Eu só quero ficar sozinha — murmurei, com a garganta ardendo. — Por favor.
Subi as escadas correndo, como se precisasse fugir do mundo inteiro.
Quando entrei no meu quarto, fechei a porta e me joguei na cama.
Encolhi as pernas.
Acariciei a barriga ainda pequena, ainda discreta, mas já tão cheia de significado.
E ali, sozinha, sem ninguém pra ver, deixei a dor me vencer.
— Eu não sei em quem acreditar… — sussurrei contra o travesseiro, enquanto as lágrimas molhavam o tecido. — Eu não sei mais.
Era medo.
Era tristeza.
Era traição.
E, o pior de tudo…
Era a sensação de ter sido usada por alguém que eu realmente estava começando a amar.
Despertei com o rosto inchado e a cabeça pesada, como se tivesse chorado por horas.
Talvez tivesse.
Levantei devagar, me apoiando na cômoda, e olhei o celular.
Havia várias mensagens de Jacob, todas com poucos minutos de diferença.
“Nessie, estou indo te buscar.”
“Avise quando estiver pronta.”
“Cheguei.”
Meu coração deu um salto doloroso dentro do peito.
Por um instante, fiquei imóvel, sentindo tudo ao mesmo tempo.
Raiva.
Medo.
Ciúme.
Dúvida.
E aquela maldita esperança que insistia em não morrer.
Saí do quarto ainda meio zonza.
Quando cheguei ao corredor, ouvi a voz dele vindo lá de baixo.
— Eu só quero falar com ela, senhor Cullen. Por favor.
Ele estava ali.
Na minha casa.
Na frente dos meus pais.
Meu peito queimou.
Acelerei os passos, descendo as escadas rápido demais.
Bella disse alguma coisa, meu pai respondeu outra… mas tudo ficou abafado.
A única coisa que eu via era Jacob.
Ele estava parado perto do sofá, com o casaco ainda nos ombros, o cabelo bagunçado pelo vento, os olhos preocupados procurando por mim.
Quando me viu, ele deu um passo em minha direção.
— Nessie…—
Eu não ouvi o resto.
Ou talvez tenha ouvido, mas não importou.
A mágoa me atingiu primeiro.
A imagem de Heidi me mostrando aquelas fotos, falando dele, falando deles, caindo sobre mim de novo como um peso insuportável.
Sem pensar, sem respirar, sem dar chance pra ele explicar nada…
Eu cheguei perto o suficiente para sentir o perfume dele.
E bati.
A bofetada estalou no ar.
Bella ofegou.
Meu pai arregalou os olhos.
Jacob… Jacob levou a mão à bochecha devagar, surpreso, sem nem tentar se defender.
— Renesmee…? — ele sussurrou, sem entender nada.
Mas eu não deixei nem ele terminar.
— Você é um mentiroso! — minha voz saiu quebrada, trêmula, quase um grito. — Eu já sei de tudo, Jacob. De tudo.
Ele parecia perdido. Realmente perdido.
— Do que você está falando? — perguntou, com o coração no rosto.
Eu senti as lágrimas subindo de novo, ardidas.
— Da sua mulher, Jacob.
Da Heidi Black. Ela me procurou com os advogados dela.
Jacob empalideceu.
Como se alguém tivesse arrancado o ar do peito dele.
Mas eu não dei a ele tempo pra reagir.
— Ela disse que você vai lutar pela guarda total da criança — falei, a voz falhando. — que ja tem tudo preparado, que só se aproximou de mim para construir imagem, parecer o pai perfeito.
Ele deu um passo, desesperado.
— Nessie isso não é verdade —
— CHEGA! — gritei, sentindo a barriga endurecer com a tensão. — Eu não quero ouvir você. Eu acreditei na sua preocupação, na sua gentileza...
Jacob ficou imóvel.
Doía só de ver a expressão dele.
Mas a dor dentro de mim era maior.
Muito maior.
Eu virei o rosto para esconder o tremor dos meus olhos…
…e nesse momento eu percebi, pela primeira vez,
que talvez meu coração estivesse quebrando por alguém que eu nem deveria .
Eu estava sentada na cama, ainda tremendo, o rosto molhado de lágrimas e a garganta ardendo de tanto chorar. Minha mãe estava ali comigo, de joelhos ao lado da cama, uma mão nas minhas costas enquanto eu tentava respirar.
Eu tinha vomitado de nervoso.
Tinha gritado.
Tinha desabado.
E agora, eu era só um pedaço de dor encolhido nos lençóis.
— Filha… — Bella falou num tom tão calmo que quase me quebrou de novo. — Isso tudo… é só medo do bebê? Ou tem medo de perder o pai do bebê também?
Eu engoli seco.
A pergunta caiu no meu peito como um peso que eu não queria encarar.
Olhei pra ela, mas não consegui responder.
Porque a resposta era grande demais.
Verdadeira demais.
Bella suspirou e ajeitou meu cabelo atrás da orelha, como quando eu era criança.
— Renesmee… eu te conheço. — Ela sorriu de leve, de um jeito triste. — Eu vi seus olhos brilharem cada vez que o Jacob chegava perto. Vi a forma como você ficava mais calma quando ele entrava no quarto. Vi como você o procura mesmo quando não percebe.
Eu fechei os olhos. Uma lágrima escapou sem minha permissão.
— Eu… não… — minha voz falhou.
— Tudo bem sentir isso — minha mãe insistiu com carinho. — Não precisa se culpar. Você não escolheu essa situação. Mas você está vivendo ela. E é natural se apegar a quem está vivendo ao seu lado.
Eu cobri o rosto com as mãos.
— Mas ele… — minha voz saiu embargada — mãe… e se ele realmente… estiver usando tudo isso? E se a Heidi estiver certa? E se ele só… só quiser o bebê?
Bella passou a mão no meu cabelo, lenta e protetora.
— Se ele quisesse só o bebê, filha… ele não estaria te procurando do jeito que ele procura. Não estaria enfrentando a ex-esposa. Não estaria falando com seus pais. Não estaria aqui na sala agora, implorando pra te ver.
Meu peito apertou de novo.
Eu me deitei no colo dela, como não fazia há anos.
E ali, no colo da minha mãe, a verdade finalmente saiu.
— Eu acho que… — minha voz tremeu. — Eu acho que me apaixonei por ele, mãe.
Bella soltou um suspiro longo, cheio de compreensão, e acariciou minha cabeça como fazia quando eu tinha pesadelos.
— Então você deve deixar ele se defender, Renesmee. — Ela disse baixinho. — Porque ninguém merece ser condenado sem ter voz. Nem mesmo o homem por quem você se apaixonou.
Eu fiquei ali, chorando baixinho.
Tentando reunir coragem.
Tentando encontrar clareza no meio de tanta confusão.
E tentando admitir — pelo menos pra mim mesma — que a mágoa doía tanto porque Jacob importava.
Importava demais.
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