O pai do meu bebê
37 Renesmee
Olhei meu reflexo no espelho por longos segundos. O vestido azul-claro caía solto sobre o corpo, leve, confortável, mas era impossível não notar a mudança — minha cintura estava um pouco mais larga, o formato do meu corpo começava a se transformar. Toquei a barriga com cuidado, sem saber se devia sorrir ou chorar. Ainda era cedo, mas algo dentro de mim já dizia que aquela mudança era só o começo.
Respirei fundo, soltei o cabelo e passei um batom discreto. Eu não queria parecer abatida — não no aniversário do meu avô. A noite seria longa, e Alice e Rosalie tinham passado dias preparando a recepção. Se eu aparecesse com cara de quem chorou a semana inteira, Alice provavelmente teria um colapso fashion.
Quando saí do quarto e desci as escadas, encontrei meus pais na sala, prontos, elegantes como sempre. Mamãe foi a primeira a me notar.
— Olha só pra você… — disse Bella, com aquele sorriso terno que só ela tinha. — Está linda, minha filha.
Senti o coração amolecer. — Obrigada, mãe. — Me aproximei e a abracei, sentindo o perfume familiar de lavanda e o calor do colo dela. Por um instante, o mundo pareceu mais leve.
Papai nos observava com aquele ar contido de sempre, mas o olhar dele era cheio de orgulho. Ainda assim, foi Antony quem quebrou o momento, surgindo com o paletó meio torto e o humor habitual.
— Podemos ir? — disse, olhando para o relógio. — Porque, se demorarmos mais cinco minutos, tia Alice vai surtar e ligar trinta vezes.
Mamãe riu. — Ele não tá errado.
— E eu não tô disposta a enfrentar Alice Cullen de mau humor — completei, tentando esconder o nervosismo com uma piada.
Papai pegou as chaves do carro e fez um gesto com a cabeça. — Então vamos.
Saímos juntos da mansão, os quatro. A noite estava fria, o céu encoberto, mas havia algo aconchegante naquele instante — nós caminhando lado a lado, como uma família unida, mesmo depois de tudo o que tinha acontecido.
Por um momento, deixei de lado os medos, as dúvidas, o futuro incerto.
Apenas senti.
E percebi que, apesar de tudo, ainda existiam coisas boas esperando por mim.
O salão escolhido para a recepção era o Fairmont Olympic Hotel, um dos lugares mais elegantes de Seattle. O saguão brilhava sob a luz dos lustres de cristal, e o som suave do piano ecoava ao fundo, misturando-se às conversas animadas e ao tilintar das taças.
Assim que chegamos, avistei meus avós no centro do salão. Esme estava radiante em um vestido verde-esmeralda, e Carlisle, impecável como sempre, cumprimentava os convidados com aquele sorriso gentil e educado que parecia fazer qualquer um se sentir bem-vindo.
Assim que nos viram, os dois abriram um largo sorriso e vieram em nossa direção.
— Finalmente! — disse Esme, abrindo os braços para abraçar mamãe e depois a mim. — Eu estava contando os minutos pra ver vocês.
Carlisle se aproximou de papai e o envolveu num abraço firme. — Edward, meu filho, você não mudou nada.
Papai riu baixo. — O senhor também não. Ainda parece capaz de dar plantão de doze horas sem pestanejar.
— Não me tenta, porque às vezes eu sinto falta — respondeu Carlisle, com aquele brilho divertido nos olhos.
Esme abraçou Antony com o mesmo carinho de sempre e, por fim, voltou-se para mim. — Renesmee, minha querida. Você está linda!
— Obrigada, vovó — disse, sorrindo. — E vocês? Como foi o cruzeiro? Gostaram da surpresa?
Carlisle deu uma risada leve. — Gostar é pouco. Foi maravilhoso. Mas, pra ser sincero, eu mal saí do navio e já fui sequestrado pela sua avó pra essa festa.
— Não reclama — retrucou Esme, divertida. — Você sabe que adora uma boa comemoração.
— Eu adoro, sim. — Ele olhou para ela com carinho e depois voltou o olhar pra mim. — Mas o melhor presente é ver minha família reunida assim.
Fiquei um pouco sem jeito sob aquele olhar — tão cheio de orgulho e ternura, mas com um toque de seriedade também.
— Você está… diferente, Renesmee — disse ele, após um breve silêncio.
Tentei disfarçar, sorrindo. — Diferente como?
— Mais madura — respondeu, desviando o olhar para a multidão, como se já soubesse das mudanças em mim. — Depois da festa, quero conversar com você, tudo bem?
Assenti, sentindo o estômago revirar de leve. — Tudo bem, vovô.
Esme me puxou novamente para um abraço, animada. — Agora, sem mais conversas sérias. Hoje é uma noite pra celebrar.
O salão estava cada vez mais cheio, e o som das risadas familiares logo se misturou à música suave que vinha do palco. Eu estava conversando com Esme quando ouvi uma voz animada atrás de mim:
— Que bom que chegaram!
Me virei e vi Alice avançando com seus saltos brilhantes e um sorriso que parecia iluminar o salão. Atrás dela vinham Jasper, sempre com aquele ar sereno, Rosalie impecável como uma modelo saindo de uma capa de revista, e Emmett, que já me cumprimentava de longe com um aceno exagerado.
E, claro, logo atrás deles estavam Anna e Rafaela, minhas primas queridas — e cúmplices das minhas maiores confusões.
Alice me envolveu num abraço apertado, o perfume floral dela me cercando. — Olha só pra você, Nessie! Está ainda mais linda do que nas fotos que sua mãe mandou!
Rosalie, com um sorriso orgulhoso, tocou meu cabelo. — Essa cor fica perfeita em você, querida. É delicada e marcante ao mesmo tempo.
Antony, ao lado, fingiu indignação. — Impressionante como vocês duas passam por mim como se eu fosse invisível.
Emmett riu alto, dando um tapa no ombro dele. — Relaxa, garoto, você não compete com uma mulher grávida.
— Emmett! — reclamei, rindo e corando ao mesmo tempo.
Todos riram juntos, o clima leve e alegre. Era bom ver todos ali — a família reunida, como há tempos não acontecia.
Foi então que Anna e Rafaela se entreolharam com aquele olhar cúmplice de quem estava prestes a aprontar algo.
— Vem, Nessie! — disse Rafa, puxando meu braço. — Os doces estão lindos, e a tia Alice vai surtar se a gente não provar logo.
— É, e você precisa comer por dois agora! — completou Anna, me arrastando pelo salão enquanto todo mundo ria.
Fomos até a mesa de sobremesas, que era praticamente uma obra de arte: macarons, tortas, mini cheesecakes e uma torre de chocolates que parecia saída de um sonho.
Enquanto eu observava tudo, Anna me cutucou. — E então… como estão as coisas?
Suspirei, pegando uma taça de mousse. — Mais calmas. Eu diria… estáveis.
Rafa arqueou uma sobrancelha, desconfiada. — Isso quer dizer que o drama esfriou ou que você tá só tentando se convencer disso?
Dei um pequeno sorriso. — Quer dizer que Jake7 tem ajudado muito.
Anna arregalou os olhos, com um sorrisinho travesso. — Jake, é?
Revirei os olhos. — É o apelido dele, Anna.
— Aham. — Ela cruzou os braços, fingindo inocência. — Então agora vocês já estão nesse nível de intimidade, é isso?
Rafaela gargalhou, balançando a cabeça. — Ai, Nessie, até seu jeito de dizer o nome dele entrega tudo.
— Vocês duas são insuportáveis — resmunguei, sentindo o rosto queimar. — Ele é só um amigo, tá bom?
Anna apoiou o queixo nas mãos, fingindo drama. — Só amigo… por enquanto.
— Anna! — exclamei, rindo sem conseguir esconder o constrangimento.
Ela deu de ombros, divertida. — Ué, não me olha assim. Eu só tô torcendo pra esse amigo continuar te fazendo sorrir desse jeito.
E eu, por mais que quisesse negar, senti o calor subir ainda mais pelo rosto.
Porque, no fundo, sabia que ela tinha razão.
A música estava alta, vibrante, e o salão inteiro parecia brilhar sob as luzes douradas. As risadas ecoavam, as taças se chocavam, e por um instante, a vida parecia leve outra vez.
O parabéns para o meu avô foi emocionante — Alice, claro, tinha preparado uma entrada triunfal com bolo, velas e uma orquestra que surgiu do nada. Carlisle, sempre elegante, agradeceu com um breve discurso sobre família, amor e “como Esme ainda consegue ser mais bonita a cada aniversário dele”, o que fez todos rirem e Esme corar como uma garota de vinte anos.
Depois disso, a festa se transformou num turbilhão de alegria. Anna e Rafaela, animadas, me puxaram pelo braço.
— Anda, Nessie! — disse Rafa, já se balançando ao ritmo da música. — Você precisa dançar!
— Eu? — perguntei rindo. — Eu não danço desde o último baile da faculdade.
— Então hoje vai dançar — disse Anna, determinada. — E não aceito desculpas de grávida!
Antes que eu protestasse, já estava no meio da pista, cercada por risadas, vestidos rodando e a música invadindo o corpo.
Por alguns minutos, esqueci tudo — o peso, as dúvidas, os olhares.
Apenas ri e dancei, como fazia antes de tudo mudar.
Mas o vibrar do celular na minha bolsa me tirou do transe. Parei, ofegante, e toquei o braço de Rafaela.
— Volto já, prometo.
Ela assentiu, ainda rindo, e eu me afastei do salão, indo para um dos corredores laterais do hotel — mais calmo, com menos luz. Peguei o celular e olhei o visor.
Jacob.
Senti um frio leve no estômago antes de atender.
— Oi, Jake.
A voz dele veio firme, mas com aquele tom de cuidado que eu já começava a reconhecer.
— Oi, Nessie. Tudo bem?
— Tudo. Quer dizer… mais ou menos. Mas agora tô dançando com minhas primas e comendo bolo, então acho que isso conta como "bem". — Sorri, tentando soar leve.
Ouvi ele rir do outro lado. — Que bom ouvir você rindo.
— E você? — perguntei. — Como tá?
— Correndo com uns papéis da fazenda… e pensando se você tomou as vitaminas hoje.
Revirei os olhos, sorrindo. — Jake, você virou meu nutricionista agora?
— Só um homem preocupado — respondeu, no mesmo tom tranquilo. — Então tomou?
— Esqueci — admiti, rindo. — Mas assim que chegar em casa, eu tomo. Prometo.
Houve um silêncio breve, e então a voz dele veio carregada de algo mais sério.
— Eu imaginei que você fosse dizer isso.
— E o que tem demais? — perguntei, confusa. — Vou tomar mais tarde, pronto.
— Não precisa. — A voz dele mudou de tom, mais próxima, quase sorridente. — Porque eu vim pessoalmente resolver isso.
Por um instante, achei que tivesse entendido errado.
— Como é que é?
Antes que eu perguntasse de novo, olhei em direção à entrada do salão — e meu coração parou por um segundo.
Jacob estava ali.
De pé, imponente, com um terno escuro que parecia feito sob medida e aquele olhar calmo, firme, que me desarmava sempre.
As mãos nos bolsos, o sorriso de canto e a presença dele tomando o espaço, como se o mundo tivesse diminuído de tamanho ao redor.
— Jake… — murmurei, ainda surpresa. — Você tá brincando, né?
Do outro lado da linha, ouvi o tom satisfeito dele.
— Não. E, se não for incômodo, acho que posso até te entregar as vitaminas pessoalmente.
Sorri, sentindo o coração acelerar sem saber dizer se o que eu sentia era surpresa… ou algo muito mais perigoso.
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