O pai do meu bebê
38 Renesmee
O coração batia forte no peito enquanto eu caminhava até ele. Jacob parecia completamente à vontade no meio do brilho e da sofisticação do salão — um contraste curioso entre o homem simples da fazenda e o ambiente luxuoso que eu chamava de casa. Ele estava… bonito demais, o que só me deixou mais nervosa.
— Como você soube da festa? — perguntei, tentando soar natural, mas minha voz saiu um pouco trêmula.
Ele me lançou um sorriso tranquilo, daquele tipo que fazia parecer que nada no mundo o abalava.
— Seu pai me convidou — respondeu, com um brilho divertido nos olhos. — Já que você não fez o convite.
Senti o rosto esquentar. — Eu só… não quis incomodar. Você vive cheio de trabalho na fazenda e achei que —
— Que eu não ia querer estar aqui? — ele me interrompeu com leveza. — Eu precisava te ver, Nessie.
O jeito como ele disse isso me desarmou completamente. Tentei disfarçar, ajeitando o cabelo e olhando para o outro lado. Caminhamos lado a lado em direção à mesa principal, onde meus pais conversavam com alguns convidados.
Assim que nos aproximamos, papai se virou com um sorriso discreto.
— Jacob, fico feliz que tenha aceitado o convite.
Jacob apertou a mão dele com firmeza. — Eu também, doutor Cullen. Era um convite que eu não podia recusar.
Mamãe trocou um olhar significativo com papai — aquele tipo de olhar silencioso que só os dois sabiam trocar — e sorriu.
— Nessie, por que você não apresenta o Jacob ao resto da família? — sugeriu, com a voz suave, mas com um tom que deixava claro que era uma ordem disfarçada de gentileza.
Senti o estômago embrulhar. — Agora?
— Claro, querida — ela respondeu, disfarçando o riso. — Todos estão ansiosos pra conhecê-lo.
Antes que eu pensasse numa desculpa, ouvi uma voz alegre e inconfundível atrás de mim.
— E quem é o bonitão?
Me virei e vi Alice com seu sorriso travesso e olhar curioso, analisando Jacob de cima a baixo como quem avaliava um modelo em um desfile.
— Alice — disse mamãe, com um tom divertido — este é Jacob Black, o pai do bebê que a Nessie espera.
Alice deu um gritinho de empolgação que fez algumas pessoas virarem para olhar. — Então esse é o famoso Jacob! Finalmente! — Ela segurou as mãos dele, animada. — Nossa, Renesmee, você não contou que ele era tão... encantador!
— Alice! — protestei, sem saber onde enfiar a cara.
Jacob, rindo baixo, respondeu educadamente: — É um prazer conhecê-la, senhora.
— O prazer é nosso — respondeu uma voz grave atrás dele. Era Carlisle, ao lado de Esme, Rosalie, Emmett e Jasper.
Carlisle estendeu a mão com um sorriso acolhedor. — Jacob Black, já ouvi muito sobre você.
— Espero que coisas boas — ele respondeu, firme, apertando a mão do meu avô.
— Somente boas — disse Esme, com ternura. — E seja bem-vindo à família.
Rosalie e Emmett trocaram um olhar rápido antes que Emmett se aproximasse e desse um tapa leve nas costas de Jacob. — Então é você o cara. Finalmente alguém que entende de graxa e cavalos, não só de bisturi e laboratórios.
— E de brigas — completou Jasper com um meio sorriso. — Mas, pelo jeito, você sabe lidar com elas.
Rosalie, por sua vez, cruzou os braços, avaliando Jacob com olhar afiado — e depois abriu um leve sorriso. — Ele tem porte. Gostei.
Alice bateu palmas. — Perfeito! A família Cullen aprova.
E eu? Eu estava completamente vermelha.
Sorria, concordava, mas por dentro queria desaparecer.
Jacob, no entanto, parecia se encaixar com uma naturalidade desconcertante. Ele falava com todos, trocava risadas com Emmett, ouvia Carlisle com atenção, e até Alice parecia pronta pra adotá-lo como novo irmão.
Em meio a tudo isso, olhei para ele e percebi algo que me desarmou de vez.
Jacob não estava ali apenas por educação ou por aparência.
Ele realmente queria estar ali.
Eu mal conseguia prestar atenção no que Anna e Rafaela estavam falando.
A música, as luzes, o barulho das conversas… tudo parecia distante enquanto meus olhos teimavam em voltar para o mesmo ponto.
Jacob estava do outro lado do salão.
Rindo com meu pai.
Conversando com meu avô.
Trocando piadas com Emmett.
Ouvindo Jasper com aquela calma dele.
E aquilo… aquilo mexia comigo de um jeito que eu não estava preparada para admitir.
— Ele é bem presente, hein — Anna comentou, percebendo meu olhar perdido.
— Nem parece o tipo de homem que iria fugir da responsabilidade — Rafa completou, com um meio sorriso.
Antes que eu respondesse, Alice e Rosalie apareceram, cada uma segurando um pratinho com sobremesa.
— E então? — Alice perguntou, olhando para mim como se pudesse ler meu coração. — Está gostando da festa?
— Tá… tá ótima — respondi, tentando parecer normal.
Rosalie arqueou uma sobrancelha, afiada como sempre.
— O Black parece gente boa. E comprometido. Você podia… dar um pouco mais de atenção a ele, Renesmee.
Eu senti o rosto pegar fogo.
— Eu… eu só estou tentando… — engasguei.
— Respirar? — Alice completou rindo. — A gente percebeu.
Anna e Rafaela começaram a rir também, e aquela sensação de estar encurralada cresceu dentro de mim.
— Tá. Eu preciso de uma bebida — falei rápido. — Uma não alcoólica. Água. Suco. Qualquer coisa.
E antes que alguém protestasse, fugi.
Atravessei o salão tentando não olhar para trás, peguei a primeira taça que vi passar numa bandeja e caminhei para o jardim. O ar fresco bateu no meu rosto e eu respirei fundo, tentando recuperar algum controle sobre o caos que era minha vida.
Levantei a taça para beber.
E foi quando ouvi a voz dele, firme, próxima demais.
— Você não deveria ingerir álcool.
Eu congelei.
Virei devagar.
Jacob estava parado ali, meio sério, meio incrédulo, com as mãos nos bolsos e aquele olhar que parecia enxergar tudo o que eu tentava esconder.
— Não é álcool — murmurei, sem saber onde colocar a mão. — Eu… eu acho que é só espumante sem álcool. Ou refrigerante. Não sei.
Ele se aproximou um passo.
— Nessie… — disse no tom calmo que mexia comigo de um jeito estranho. — Eu sei que tudo está uma confusão, mas você não precisa provar nada para ninguém. Nem fugir.
Engoli seco.
— Eu não estou fugindo.
— Está sim — ele disse, suave, mas certeiro. — De mim. Da festa. Dos sentimentos. De tudo.
Senti o ar preso na garganta.
Jacob deu mais um passo, mas sem encostar.
Só perto o bastante para eu sentir o perfume dele, o calor dele, a presença dele.
— Me devolve a taça? — ele pediu.
Eu entreguei sem protestar.
Ele cheirou.
Fez uma careta.
— Isso tem álcool — disse.
— Ah. Ótimo — resmunguei. — Mais uma coisa dando errado hoje.
Ele riu baixo, daquele jeito que deixava tudo mais leve.
— Vem comigo — falou. — Eu vou te trazer algo que você pode beber. E, se quiser… te deixo fugir por cinco minutos. Mas só cinco. Depois, você volta lá pra dentro. Com a cabeça erguida.
Eu o encarei.
Eu estava ainda estava no jardim quando Jacob voltou, caminhando pelo jardim com uma taça na mão. Ele parou bem na minha frente e me entregou.
— Suco. Cem por cento seguro. E aprovado pela doutora Rebecca — ele disse com um sorriso torto.
Eu ri, baixinho, aceitando a taça.
— Você vai ser sempre assim? Superprotetor? — perguntei, encarando-o por cima do cristal.
Ele deu um meio sorriso, aquele que fazia meu estômago dar um salto estranho.
— Acho que faz parte do meu trabalho como pai — respondeu.
Eu ergui a sobrancelha.
— Nosso trabalho como pais — corrigi.
Ele riu. Eu também.
E, de repente, tudo pareceu leve.
Levantei o olhar para o céu. As estrelas brigavam com as luzes de Seattle, aparecendo tímidas entre as árvores do jardim iluminado.
Jacob acompanhou meu olhar.
Por alguns segundos ficamos só ali, lado a lado, respirando o mesmo ar, sem pressa de voltar.
— Posso te perguntar uma coisa? — falei, ainda olhando para cima.
— Pode.
— O que você sentiu… quando soube que uma mulher que você nem conhecia estava esperando um filho seu?
Ele demorou. Pensou.
Quando respondeu, sua voz veio baixa, sincera, sem pose.
— Medo — disse. — Depois raiva. Depois… um vazio estranho.
Ele engoliu seco.
— Mas quando descobri quem você era… quando te vi no hospital… virou outra coisa. Algo que eu não sei explicar. Só sei que vi que tinha uma garota tão assustada quanto eu que precisava de mim.
Meu coração bateu no ouvido.
Eu virei o rosto devagar, surpresa demais pra disfarçar.
— Eu não esperava isso — admiti.
Ele apenas deu de ombros, sem desviar o olhar.
— Nem eu.
O silêncio que veio depois não foi constrangedor.
Foi… bonito. Calmo.
Um tipo de silêncio que abraça.
E então, como se o universo estivesse conspirando a favor, a música mudou.
Começou a tocar uma que eu amava, suave, familiar, como se tivesse saído direto de uma playlist da minha adolescência.
— Essa música… — murmurei.
— Você gosta? — ele perguntou.
— Muito.
Jacob me observou por um segundo, como se pensasse em algo.
Depois estendeu a mão, sem cerimônia.
— Vem. Dança comigo.
Eu ri, surpresa.
— Aqui? No jardim?
— Aqui mesmo. — Ele sorriu. — Ninguém vai reparar. E, se reparar… azar deles.
Eu olhei pra mão estendida.
E antes que pudesse criar desculpas ou fugir de novo… coloquei minha mão na dele.
Jacob me puxou com delicadeza, como se eu fosse feita de vidro.
E ali, entre as luzes, o som distante da festa e o brilho fraco das estrelas…
dançamos devagar.
Só nós dois.
Como se o mundo tivesse parado por um instante só pra permitir isso.
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