O pai do meu bebê
79 Jacob
A fazenda voltou a ficar movimentada ao longo da tarde. Bastou minha mãe decidir que haveria um jantar de aniversário para que todos passassem a correr de um lado para o outro. Sarah distribuía tarefas com a mesma autoridade de sempre, Rachel organizava os funcionários da cozinha e Mary caminhava pela casa opinando sobre tudo, como se nunca tivesse passado anos longe dali. De vez em quando eu ouvia alguma das três rindo na sala e imaginava que, provavelmente, estavam comentando alguma história da minha infância.
Apesar de toda aquela movimentação, eu não conseguia entrar no clima da comemoração.
Cumprimentei alguns fornecedores, conferi a entrega de flores que minha mãe havia encomendado e respondi às perguntas dos funcionários sobre o jantar, mas fazia tudo de maneira automática. Minha cabeça estava longe dali. Fazia meses que eu imaginava como seria comemorar meu aniversário com JJ nos braços e Renesmee ao meu lado. A cada nova decoração colocada na casa, a ausência dos dois ficava ainda mais evidente.
Depois de resolver o que precisava, subi para o escritório.
Assim que fechei a porta, o silêncio tomou conta do ambiente. Caminhei até a mesa e meus olhos encontraram imediatamente a fotografia que ficava ao lado do computador.
Era uma das primeiras fotos que tiramos depois que JJ nasceu.
Renesmee estava sentada na cama do hospital segurando nosso filho nos braços. Os cabelos ainda estavam um pouco bagunçados por causa da cirurgia, mas ela sorria daquele jeito que fazia seus olhos brilharem. JJ dormia completamente tranquilo, enrolado na manta azul que Bella insistia em chamar de "a manta da sorte". Eu aparecia ao lado dos dois com um sorriso que ocupava praticamente metade do rosto.
Peguei o porta-retrato nas mãos.
Passei o polegar delicadamente sobre o vidro, como se pudesse diminuir a distância que nos separava.
Não fazia sentido olhar aquela fotografia e encontrar a mesa do jantar vazia todas as noites.
Também não fazia sentido entrar no quarto que deveria estar cheio de brinquedos e ouvir apenas o silêncio.
Mary tinha razão.
Talvez eu estivesse insistindo demais para que Renesmee voltasse sem perceber que ela já havia feito concessões suficientes por nós dois.
Coloquei o porta-retrato de volta sobre a mesa.
Peguei o celular e fiquei alguns segundos olhando para a tela antes de procurar o contato dela.
Sorri involuntariamente quando vi o nome salvo.
Meu Amor.
Toquei para ligar.
A chamada durou poucos segundos.
— Oi.
Bastou ouvir sua voz para que meu dia parecesse um pouco mais leve.
— Oi, amor.
Sorri sem perceber.
— Estou atrapalhando?
— Nunca.
Ela respondeu quase imediatamente.
— O JJ acabou de acordar da soneca.
Meu sorriso aumentou.
— E como está o meu rapaz?
Do outro lado da linha ouvi uma pequena risada.
— Está muito bem.
Fez uma breve pausa antes de continuar.
— Acho que está com saudade do papai.
Fechei os olhos por um instante.
— Eu também estou morrendo de saudade dele.
Minha voz saiu mais baixa.
— E de você.
Durante alguns segundos ouvi apenas a respiração dela.
Não precisávamos dizer muita coisa para entender o que o outro sentia.
Então ouvi aquele pequeno riso que eu conhecia tão bem.
— Nós também sentimos sua falta.
Ela falou com uma doçura que fez meu peito apertar.
— Eu e o JJ.
Olhei novamente para a fotografia sobre a mesa.
— Hoje a fazenda está uma bagunça.
Ela riu.
— Deixa eu adivinhar.
— Pode tentar.
— Dona Sarah resolveu fazer festa.
Sorri.
— Acertou.
— E a Rachel deve estar ajudando.
Balancei a cabeça mesmo sabendo que ela não podia me ver.
— Também acertou.
— Então realmente deve estar uma bagunça.
Nós dois rimos.
Era bom conversar com ela daquele jeito, sem discutir sobre a fazenda, Lucy ou qualquer outro problema.
Respirei fundo antes de tocar no assunto que realmente motivara aquela ligação.
— Amanhã é o jantar do meu aniversário.
Ela permaneceu em silêncio, esperando que eu continuasse.
— Eu estava pensando...
Passei a mão pelos cabelos.
— Esse pode ser o aniversário mais feliz da minha vida.
Ela não respondeu.
Continuei.
— Se você aceitar trazer o nosso menino para passar o dia comigo.
Do outro lado da linha tudo ficou silencioso.
Conhecia aquele silêncio.
Renesmee estava pensando.
Esperei sem interrompê-la.
Depois de alguns segundos, falei novamente.
— Você não precisa ficar preocupada.
Procurei escolher cada palavra com cuidado.
— Vem pela manhã, passa o dia comigo, participa do jantar e, se quiser, eu mesmo mando o jatinho levar vocês de volta para Seattle logo cedo.
O silêncio voltou.
Meu coração começou a acelerar.
Eu não queria pressioná-la.
Muito menos fazê-la lembrar da conversa que tivemos sobre a fazenda.
Queria apenas passar algumas horas ao lado da minha família.
Finalmente ouvi sua voz.
— Você promete que, na manhã seguinte, eu volto para Seattle?
Sorri imediatamente.
— Eu prometo.
Ela respirou fundo.
— Então...
Consegui imaginar seu sorriso antes mesmo que terminasse a frase.
— Eu vou.
Fechei os olhos e deixei escapar um suspiro que nem percebia estar prendendo.
— Obrigado.
Ela riu baixinho.
— Acho que quem vai ficar mais feliz é o JJ.
— Tenho quase certeza de que sou eu.
Ela voltou a rir.
Era um som que eu sentia falta todos os dias.
Levantei-me da cadeira e caminhei até a janela do escritório, olhando os campos da fazenda.
— Vou mandar o jatinho buscar vocês amanhã cedo.
— Está bem.
Sua voz soava mais leve do que no início da ligação.
— O Bebê Jake e eu estaremos prontos.
Sorri sozinho.
Só de imaginar os dois chegando à fazenda, a casa já parecia muito menos vazia.
Guardei o celular no bolso sem conseguir esconder o sorriso. Fazia tempo que eu não terminava uma conversa com Renesmee daquele jeito. Nos últimos meses, quase todas acabavam girando em torno da mesma discussão. A fazenda. Lucy. A volta para casa. Pela primeira vez, tínhamos falado apenas de nós, do nosso filho e da saudade que sentíamos um do outro. Aquilo bastou para tornar meu dia muito mais leve.
Saí do escritório e desci a escada com passos rápidos. Assim que entrei na sala, encontrei minha mãe, Rachel e Mary sentadas diante de uma mesa coberta por amostras de flores, guardanapos e alguns papéis que, certamente, faziam parte da organização da festa.
Sarah foi a primeira a levantar os olhos.
— Já terminou de trabalhar?
Em vez de responder, aproximei-me dela e beijei seu rosto.
— Boa tarde para a senhora também.
Ela sorriu surpresa.
— Esse bom humor não estava aí há meia hora.
Mary observava a cena com um sorriso divertido.
— Acho que eu sei o motivo.
Cruzei os braços.
— Sabe?
Ela fez uma expressão inocente.
— Você viu um passarinho azul?
Acabei rindo.
— Melhor do que isso.
As três voltaram a atenção para mim.
— A Renesmee vem para a festa.
O sorriso de Sarah surgiu imediatamente.
— Ela aceitou?
Assenti.
— Aceitou.
Minha mãe levou as mãos ao peito, visivelmente feliz.
— Graças a Deus.
Rachel também sorriu.
— E o Bebê Jake?
— Vem junto, é claro.
Mal terminei a frase e Sarah já começou a pensar em voz alta.
— Então preciso avisar a Leah para trocar toda a roupa de cama do quarto deles. Também vou pedir para limparem o quarto do JJ e conferir se o berço continua montado. Faz semanas que ninguém entra lá.
Olhei para ela.
— Mãe, eu ia pedir justamente isso...
Ela interrompeu meu agradecimento antes mesmo que eu falasse.
— Não precisa pedir.
Sorriu daquele jeito acolhedor que só ela conseguia.
— Eu mesma vou cuidar disso.
Pegou uma pequena lista que estava sobre a mesa e caminhou em direção à cozinha, chamando uma das funcionárias pelo nome antes mesmo de desaparecer pelo corredor.
Observei minha mãe se afastar.
Era impossível não perceber o quanto ela também sentia falta de Renesmee e do neto.
Quando voltei a olhar para a sala, encontrei Rachel e Mary me observando em silêncio.
As duas trocaram um olhar rápido, daqueles que apenas irmãos e velhos amigos conseguem entender sem precisar dizer uma palavra.
Franzi a testa.
— O que foi?
Rachel sorriu.
— Nada.
Olhei para Mary.
— Você também está com essa cara.
Ela riu.
— É que faz uma semana que escuto você falar da sua esposa.
Apoiou o cotovelo no braço do sofá.
— Finalmente vou conhecer a senhora Black.
Sorri sem perceber.
— Você vai gostar dela.
Mary inclinou levemente a cabeça.
— Pela maneira como você fala, acho difícil não gostar.
Fiquei alguns segundos em silêncio.
Era curioso perceber que, mesmo depois de todos os problemas que enfrentávamos, bastava alguém mencionar Renesmee para que eu sorrisse daquele jeito.
Mary percebeu.
— Está vendo?
Olhei para ela sem entender.
Ela apontou discretamente para o meu rosto.
— Faz tempo que eu não via esse sorriso.
Balancei a cabeça, divertindo-me.
— Não exagera.
Rachel deu uma pequena risada.
— Ela não está exagerando.
Aproximei-me da janela da sala e olhei para a varanda iluminada pelo sol do fim da tarde.
— Acho que só estava com saudade da minha família.
Mary levantou-se do sofá e parou ao meu lado.
— Então aproveita amanhã.
Voltei o olhar para ela.
— Porque, quando a Renesmee chegar, esquece essa história de convencer a coitada a voltar para a fazenda.
Ela sorriu de lado.
— Amanhã é dia de matar a saudade. O resto pode esperar.
Sorri novamente.
Pela primeira vez em muito tempo, concordei completamente com ela.
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Não demorou muito para minha mãe descobrir que eu e Embry estávamos roubando os doces antes do início da festa.
Na verdade, quem teve a ideia foi ele.
Eu apenas tive a infeliz decisão de acompanhá-lo.
Sarah apareceu na cozinha justamente quando Embry colocava mais um brigadeiro no prato.
Cruzou os braços e nos lançou aquele olhar que conhecíamos desde crianças.
— Vocês dois têm quantos anos?
Embry continuou mastigando como se nada tivesse acontecido.
— Muitos.
— Não parece.
Olhou para mim.
— E você ainda incentiva.
Levantei as mãos em sinal de rendição.
— A culpa foi dele.
Embry apontou imediatamente para mim.
— Mentira.
Sarah balançou a cabeça, já rindo da nossa cara.
— Fora da minha cozinha.
Nenhum dos dois discutiu.
Pegamos os últimos doces antes que ela percebesse e saímos da casa ouvindo minha mãe reclamar que aqueles dois homens nunca cresceriam.
Assim que descemos a varanda, Embry deu uma gargalhada.
— Ela continua igual.
Sorri.
— Continua.
Começamos a caminhar sem destino pela fazenda. O sol já estava baixo, espalhando uma luz alaranjada pelos campos. Alguns funcionários terminavam o expediente enquanto os cavalos eram levados de volta aos estábulos. Era um daqueles fins de tarde tranquilos que eu sempre gostei de observar.
Embry terminou o último doce e limpou as mãos na calça.
— Então...
Olhou para mim.
— O que está acontecendo?
Franzi a testa.
— Como assim?
— Você está pensando em alguma coisa.
Respirei fundo antes de responder.
— Acho que vou comprar uma casa em Seattle.
Embry parou de andar.
Olhou para mim como se tivesse ouvido errado.
— Espera.
Deu uma pequena risada.
— Você?
Assenti.
— Eu.
— O mesmo Jacob que dizia que nunca conseguiria viver longe da fazenda?
Sorri.
— Esse mesmo.
Embry permaneceu alguns segundos em silêncio.
Depois voltou a caminhar ao meu lado.
— O que mudou?
Olhei para os campos à nossa frente.
— O JJ.
Minha resposta saiu sem que eu precisasse pensar.
Continuei andando enquanto organizava as ideias.
— Eu não quero ser aquele pai que aparece dois dias por semana porque o trabalho não permite mais do que isso.
Embry ouviu sem interromper.
— Quero acompanhar cada fase dele. Quero vê-lo aprender a engatinhar, dar os primeiros passos, falar as primeiras palavras... Quero estar presente quando tudo isso acontecer.
Passei a mão pelos cabelos.
— E a Mary me fez enxergar uma coisa que eu estava ignorando.
Embry esperou.
— A Renesmee abriu mão de muita coisa desde que tudo isso começou.
Respirei devagar.
— Ela deixou a cidade onde vivia, mudou completamente de rotina, veio morar na fazenda, enfrentou uma gravidez inesperada, um casamento, um processo na Justiça, o acidente com a Lucy...
Balancei a cabeça.
— Ela cedeu em praticamente tudo.
Olhei para meu irmão.
— Talvez tenha chegado a minha vez.
Embry abriu um sorriso discreto.
— Finalmente alguém conseguiu fazer você pensar como marido.
Dei uma leve cotovelada nele.
— Engraçadinho.
Ele riu.
— Estou falando sério.
Continuou caminhando.
— Acho que você está tomando a decisão certa.
Olhei para ele.
— Você acha?
— Acho.
Embry respondeu sem hesitar.
— A fazenda não vai desaparecer porque você passou a morar em Seattle.
Fez um gesto ao redor.
— Eu, o Sam, o Billy... todo mundo sabe exatamente como isso funciona.
Apoiou a mão no meu ombro.
— Pode cuidar da sua família sem ficar preocupado com esse lugar.
Sorri sinceramente.
— Obrigado.
Ele deu de ombros.
— Você faria a mesma coisa por mim.
Antes que eu respondesse, ouvimos uma voz atrás de nós.
— Jacob.
Parei imediatamente.
Reconheci quem era antes mesmo de me virar.
Lucy caminhava em nossa direção.
Assim que se aproximou, seus olhos passaram rapidamente por Embry.
— Eu estava procurando você.
Meu irmão percebeu no mesmo instante que aquela conversa não era para três pessoas.
Coçou discretamente a nuca.
— Acho que vou ver se o Sam precisa de ajuda nos estábulos.
Olhei para ele.
Sabia perfeitamente que era apenas uma desculpa. Embry fez um pequeno aceno com a cabeça antes de se afastar pelo caminho de terra, deixando apenas nós dois próximos à cerca dos piquetes.
Esperei até que ele desaparecesse de vista, só então voltei minha atenção para Lucy.
Ela permanecia parada diante de mim, mantinha as mãos unidas à frente do corpo e evitava me olhar diretamente nos olhos.
Quebrei o silêncio.
— O que você quer, Lucy?
Ela demorou alguns segundos antes de responder.
Quando finalmente levantou o rosto, havia uma mistura de insegurança e expectativa em sua expressão.
— É verdade o que todo mundo está comentando?
Franzi a testa.
— Eu não sei o que estão comentando.
Lucy respirou fundo.
— A Renesmee...
Fez uma pequena pausa.
— É verdade que ela voltar para a fazenda?
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