O outro lado do clichê
26 26 - Um toque que queima
Notas iniciais
Capítulo vinte e seis
Um toque que queima

"Por que ela teve que ir? Eu não sei
Ela não me disse
Eu disse algo de errado, agora anseio
Pelo dia de ontem.
O amor era um jogo tão fácil de se jogar
Agora preciso de um lugar para me esconder
Oh, eu acredito no dia de ontem."
(Yesterday — The Beatles)
— Audrey. — Não tinha brilho em sua voz, nem alegria e muito menos aquele apelido.
Quando se afastou de mim as lágrimas estavam correndo pelo seu rosto e a única coisa que pensava era em poder fazê-lo sorrir como antes, talvez assim teria aquele olhar que agora me deixava saudades.
— Você está horrível. — Ok, essa foi uma péssima ideia para tentar o animar e pela cara que fez concordava. — Vai para a casa?
— É o último lugar que eu quero ir. — Desabafou e eu entendia o que tinha acabado de dizer, até porque muitas vezes tentava enrolar para não voltar e ver a minha mãe naquele estado. — Posso ficar na sua?
Se fosse há um mês ou antes eu ia rir e negar, porque diria com seu jeito brincalhão e que parecia ter uma má intenção por trás, mas agora nada dava a entender que ia tentar me agarrar quando estivessemos sozinhos. Na verdade se for parar para pensar, tirando aquele dia na piscina, nem no meu quarto fez aquilo.
— Por mim tudo bem, daqui a pouco minha mãe estará aqui e vemos se te deixa ficar lá. — Mesmo que não parecesse, era a minha responsável.
— É verdade, você tem. — Apesar de ter sido uma alfinetada pela mensagem que mandei, não fiquei irritada, na verdade até me senti feliz por parecer estar um pouquinho melhor. — Por que ainda está nesse trabalho?
— Estou cumprindo meus últimos dias, fui demitida. — Claro que não continuaria depois de ter denunciado a sobrinha querida deles.
Não falamos mais nada até um carro aparecer na nossa frente, nós dois entramos e ela me olhou como se quisesse entender o que estava acontecendo, até porque a última coisa que sabia era que não eramos amigos.
— Evan, onde vai ficar? — Foi a primeira coisa que perguntei.
— Então, Sra. Campbell, se permitir queria dormir na sua casa. — Ao a encarar notei que ficou surpresa no começo, mas logo voltou a sua cara de sempre.
— A Audi sabe disso? — Aí meu Deus, o que está insinuando?
— Sim. — Estava nervoso.
— Então pode, mas já avisei que nada de netos. — Fiquei tão vermelha pela vergonha que não conseguia nem falar por um tempo.
— Ele vai ficar no sofá, mãe! — Praticamente gritei.
— E o que têm? Isso nunca impediu dois adolescentes cheio de hormonios de transar. — Me poupe dos detalhes.
— Com certeza. — Deu uma de cúmplice e ainda riram disso, eu fiquei tão constrangida que não toquei mais em nenhum assunto para não ficar pior.
Talvez toda essa conversa me faria achar que esqueceu tudo o que aconteceu, se não visse o quanto parecia triste mesmo quando era de sexo que conversava. O caminho todo até pararmos apenas olhava pela janela, já eu não conseguia deixar de observar cada reação sua enquanto pensava o que diabos tinha acontecido.
— Vamos para o meu quarto só conversar, está bom? — Ela fez uma cara digna de quinta série e ia falar algo, mas subi as escadas correndo.
Eu que não queria um histórico detalhado de como perdeu a virgindade ou que me fez uma hora dessas, muito menos na frente do Evan. Falando nele, me seguiu sem fazer alguma piada dessa vez e isso era bem preocupante. O que vai dizer? Será que já contou da aposta? Logan e ele se brigaram? Esse último não tinha certeza, porque da outra vez não ficou tão ruim assim.
— Quer comer alguma coisa? — Dessa vez pelo menos deveria ter banana ou até pão. Depois que disse isso eu fiquei sem graça pela maneira que isso soava. Era como se estivesse jogando verde com duplo sentido para ver se caia e algo rolava. — Eu, é-
— Já saquei que não quer transar comigo, Audrey. — Por que ele dizer meu nome como é soava tão ruim? — É impossível para mim também.
Tá, vindo de quem achava inventar desculpa para ir para a cama com alguém doeu. Ficamos nos olhando por um bom tempo, cheio de suspiros e tentativas de fala por parte dele, o cabelo estava mais desarrumado que no outro dia e tinha olheiras até fundas. Apesar de não ser sacrificio nenhum ficar deste jeito com ele, minha paciência tinha acabado.
— Para que me procurou? — Fui direta.
— Estou cansado. — E deitou na minha cama do nada, fechando os olhos e virando para o lado onde ainda podia ver sua cara. — Mesmo que talvez não sejamos mais amigos, você me ouviria? — A voz saiu sonolenta e ainda assim voltou a me encarar.
Era esse talvez o momento que mais esperava desde que comecei a conhecer mais sobre a pessoa ao meu lado, sua relação com os outros dois, o que o fez chorar e tudo o que aconteceria com aquela aposta. Só que estaria preparada para ouvir toda a verdade?
— Se vai se sentir melhor. — Escondi o meu nervosismo e curiosidade na frase mais clichê possível e um sorriso amarelo. No fundo o que a gente gosta é de uma boa fofoca.
— Me sentir bem? Conta outra. — Piscava na tentativa de vencer o sono enquanto dizia isso. — Vai dizer que não quer saber por que estava chorando?
— Está bom, você tem razão. — Admiti que venceu sem lutar, até porque quanto mais enrolava, mais tarde saberia o que ia contar. Felizmente eu fiquei tempo o suficiente para entender que não ia deixar isso de lado até eu admitir.
— Pode fechar os olhos. — Estava era agoniada já e ainda bem que me obedeceu.
— Preferia ficar te vendo, mas não aguentava mais. — Deu uma risada fraca e logo parou, quem sabe foi por não ter achado graça nenhuma? — Meus pais estão se divorciando. — Então é isso?
— Sinto muito. — Fui sincera.
Virou para a frente, mas ainda podia ver suas sardas, um nariz que me causava inveja e o quanto esse maldito era bonito. Acorda, Audrey, é um assunto sério!
— Não preciso disso, preferia que já tivessem se separado. — Quando disse isso aí que minha boca se abriu. Como assim? Não conseguia entender que um filho queira seus pais longe um do outro. — São anos nesse inferno.
E eu notei quando as lágrimas vieram de novo e abriu os olhos, pouco ligava para o quanto brilhavam se vinha com um desespero e até raiva. O que você viveu, Evan? Não sei se a minha reação o deu coragem, mas logo abriu a sua boca para continuar.
— Quando tinha 7 anos foi a primeira vez que eu vi meu pai com uma outra mulher que não fosse minha mãe em casa. — Ouvi que engoliu em seco para ter noção do quanto era difícil falar dessa história em voz alta. — Mas não foi só uma, sim várias, era quase todo o dia. — Suspirou e levantou, andando de um lado para o outro enquanto se segurava para não voltar a chorar.
— Deve ter sido terrível. — Aproveitei para sentar na ponta da cama e colocar o travesseiro por cima. — O melhor era terem se divorciado mesmo.
Também foi de novo se deitar, mas apontou para meu colo em busca de uma confirmação minha e apenas colocou a cabeça ali quando aceitei. Era como se agora estivesse com medo de me fazer sentir mal, igual ao roubar um beijo meu.
— Não sabe o quanto, Drey. — O apelido não me deixou tão aliviada assim, porque era como se viesse uma bomba depois dessa frase. — Com 11 anos ele me obrigou a transar com uma delas. — A voz embargada e eu coloquei a mão em seu cabelo e fiz um cafuné. Não era só para o consolar, mas a mim também. Me atingiu em cheio. — E lá estava eu na sala com uma mulher e meu pai do lado, que me deu um tapa quando brochei e não saiu de lá até que eu tivesse... — Quando parou achei que tinha sido por mim e tentei me afastar, mas pegou na meu braço para que voltasse com o carinho. — Terminado.
E do nada me peguei chorando igual a uma criança que perdeu seu brinquedo, porque me vi nele, no seu medo, no que experimentou. Mesmo que James não tivesse sequer chegado perto do que queria comigo, era um pesadelo, só imagino se fosse ele. Evan então me olhou com a expressão mais preocupada que eu já tinha visto e tocou em meu rosto com as mãos trêmulas.
Se fosse apenas para limpar minhas lágrimas e parecesse tão inocente, ou o momento era o mais triste possível, por que eu sentia queimar? Era saudade? Isso não era certo! Eu me assustei tanto com isso que dei um pulo, até o Miller se surpreendeu e abaixou a mão. Pelo jeito eu deixei alguém mais chateado.
— Depois dela foram mais algumas e eu nunca dizia não, nem quando o que eu mais queria era que a pessoa mudasse de ideia. — Foi um sussurro que quase não saiu da sua boca. — Eu via meu pai me batendo e dizendo que "tenho de ser macho" toda a vez. — Ainda bem que estava de olhos fechados, porque se me encarasse enquanto dizia isso nem sabia como seria. Era tão pesado.
— Nem sei o que dizer. — E tudo o que pensei só envolvia meu passado e não queria interromper seu desabafo. — Por que está me contando algo tão íntimo seu? — A verdade é que não merecia depois de ter pedido para me deixar em paz.
— Mesmo que não ache, você é uma das pessoas que mais confio. — Sério? Antes que pudesse responder me pediu com os dedos para que voltasse a fazer cafuné, e se a forma como fechou seus olhos e sorriu era sinal de que estava gostando, então continuaria até que ficasse melhor. — Eu só queria desabafar e te ver pelo menos um pouco.
Será que está falando de quando queria saber sobre os três? Talvez não fosse falar disso, mas o que acabou de contar era bem mais importante. Era errado eu estar feliz por isso?
— E por que seus pais ainda estão juntos? — É, essa dúvida ainda ficava rondando a minha cabeça.
— A minha mãe descobriu faz pouco tempo que ele tinha uma amante. — Será que foi nessa hora que chorou no banheiro depois de terminar a ligação? — Ela me culpou por ter escondido e não estamos nos falando tanto, além de que os dois se brigam direto e meu pai se nega a sair de casa.
— Agora posso dizer que sinto muito? Espero que isso termine logo. — É oficial, eu sou péssima consolando, mas não queria ficar xingando a sua família ou perguntando o porquê de não negar transa se isso causa tanto trauma. — Deve ser péssimo ficar transando e beijando sem querer.
— Não é sempre assim. — Reclamou como se eu tivesse questionando a sua masculinidade. — E beijo nem ligo. — Como assim? — Eu sei que para você é importante, mas para mim é só normal. — Talvez minha cara tenha entregado que não gostei da sua resposta.
Com isso ficamos em silêncio, não sabia se agora dizia um segredo meu ou perguntava sobre a aposta e dos três. Que chato era ficar nisso de novo só de voltarmos a nos aproximar.
— Eu apenas não gosto que qualquer homem me toque. — Falei como se fosse nada, mas dava de ver que queria mais. Era agora a hora em que eu falava tudo? Respirei e inspirei várias vezes antes de abrir a boca. — Você lembra aquela vez que uma pessoa estava me seguindo?
— Está falando do James? — Não creio que sabe até o nome. Será que minha mãe contou dele? — Que foi? O Logan me contou que foram a delegacia. — Verdade, tinha me esquecido disso.
— Sim, ele foi morar com a gente faz uns três anos e aí que tudo começou, só não batia na minha mãe, mas em mim também. — Não parecia tão surpreso, mas ainda assim via preocupação. — Era por qualquer coisa, não parou por ai. — Não imaginava que seria tão dificil contar o que passei.
Ele quando viu parou me encarou e deu um sorriso que, mesmo sendo amarelo, me confortou. Era como se tivesse me entendido e, mais, me dava coragem para continuar sem precisar falar nada.
— Eram apenas comentários sobre o meu corpo, o quanto era muito magra, mas que mesmo que a maioria não curtisse ele achava bonito. — Por que estou querendo chorar por causa de um idiota desses? Evan apertou minha mão e eu via o quanto estava querendo matar o meu ex padrasto. — Um dia eu o flagrei me espiando tomar banho. — Virei o rosto para tentar me acalmar. — Depois ficou visitando meu quarto e tentando ficar sozinho comigo, mas mesmo que tentasse ter algo a mais eu não deixei, juro que lutei muito contra. — Era tão vergonhoso dizer isso.
— Drey, não precisa jurar, eu acredito. — Disse tão pouco, mas tanto para mim.
Quando vi já estavamos nos abraçando, sentia todo seu corpo perto do meu, seu nervosismo e a delicadeza com que correspondeu quando tomei atitude. Era tão estranho que não tivesse a vontade de o empurrar, pelo contrário, era como se não quisesse que acabasse. O que isso significa?
— Mas não foi até o fim. — Nem chegou perto. — Eu o denunciei e por isso estava atrás de mim. — Tentei falar tudo o mais rápido possível, como tirar um curativo, porém ainda parecia doloroso.
— Obrigado. — Até me afastei a cabeça para o olhar, não queria que esse momento terminasse.
Pelo jeito alguém não queria isso, porque logo abriu a porta e nos observou por um tempo, como se vendo se estavamos nos agarrando ou até treinando para ter bebês para ela cuidar.
— Já arrumei o sofá para você. — Essa era a nossa deixa.
Mesmo que tivesse me largado, ainda sentia um formigamento onde encostou. Por um segundo pensei em perguntar para a minha mãe o que era, todavia mudei de ideia quando lembrei que ficaria me zoando por isso e dizer para usar camisinha.
— Boa noite, sonhe comigo. — Se despediu com aquela piscadinha que eu odiava quando já estava na porta, tudo parecia mais leve e eu sorri junto com ele.
— Boa noite. — Foi num sussurro e dito depois que nem estava mais lá. Era como se tudo o que dissesse depois dessa nossa noite mexesse comigo, não era nem de longe como antes que queria matá-lo quando jogava suas piadas.
Talvez eu até corrigiria para pesadelo, só que o que comentou era como se fosse uma praga, porque eu estava sonhando acordada com ele. De tudo aquilo o que mais ficava na minha mente era quando tocou meu rosto e o abracei, era como se ardesse, me causando até febre e suador só de imaginar.
Diferente de tudo o que eu tinha experimentado antes, nem com o Logan ou qualquer outra situação e por isso me deixava tão alterada. O pior é que o tempo foi passando e eu não conseguia tirar da cabeça, nem sua expressão, seu jeito e a sensação. Que ódio, eu só queria dormir, mas agora preciso de muita água.
— Audrey, que está fazendo aqui? — Está acordado ainda?
— Sede. — Fui monossílaba e nem sequer o olhei enquanto caminhava até a geladeira, na verdade fiquei até surpresa que não gritei pelo susto.
A alegria de beber algo bem gelado não tem preço, ainda mais quando todo meu corpo parecia queimar. Só que isso não adiantou por muito tempo, ainda mais quando vi o Evan deitado no sofá me encarando, era como se mesmo com pouca luz pudesse adivinhar tudo o que estava sentindo e pensando.
— Que foi? — Falei até um pouco braba.
Para que fiz isso? Se levantou na hora e estava sem camisa, engoli em seco e dei uns passos para trás. Mesmo desviando já era tarde, aquela visão passava como replay e não estava gostando nada disso.
— Foi só tomar água mesmo? — Apesar do fundo de malícia, via que falava sério, se aproximou de mim e eu corri do outro lado. Para quê? Me via sentada onde estava dormindo. — O que você quer? — Parou do meu lado e a minha boca abriu e fechou várias vezes com sua pergunta.
Talvez fosse me arrepender a vida toda pelo que irei dizer, mas não estava aguentando mais. O calor, a curiosidade e a forma que me encarava com aqueles olhos verdes pioravam totalmente a situação. Eu só queria muito entender o que era tudo isso.
— Você pode me tocar? — Até virei para um lado que não o visse antes de dizer, tamanha era a vergonha que sentia, mas era como se algo tomasse meu corpo.
— Acabou de se ouvir? Estamos sozinhos. — O olhar quando tive coragem foi como se o fizesse perder a fala por um instante. — Não quero te causar mais trauma. — Que foi isso? Por quê? É tão ruim assim fazer o que pedi?
— Esquece, foi idiota da minha parte depois do que me contou. — Fui com a esperança de que só fosse por causa do seu trauma, talvez estivesse tentando parar de dizer "sim" a todas. — Não deve querer e tudo bem, vou indo, tchau.
Quando dei um poucos passos senti uma puxada no meu braço e eu de novo lá naquele sofá. Me soltou e ficamos ali parados, até levantar a mão e a colocar no meu rosto com certo cuidado, via que tremia enquanto fazia carinho na minha bochecha. Já eu sentia de novo como se tudo onde tocasse queimasse, era tão esquisito, mas bom ao mesmo tempo.
— Assim? — Ele queria minha aprovação?
— Tem como fechar os olhos? — Pedi, porque o encarar enquanto fazia isso era muito constrangedor, porque confirmava que eu tinha feito aquele pedido ousado no meio da noite e estando só nós dois. — Se quiser pode ir mais para baixo. — Queria ver se me sentiria assim em outros lugares ou teria agonia alguma hora.
— Fale quando parar.
Tocou das minhas pálpebras ao nariz e quando vi estava em meus lábios, pensei que senti-lo em um lugar desses me deixaria pior, porém ainda sentia aquele rastro de fogo e formigamento. Abri a boca e seu dedo foi parar dentro e encostando na língua, só que seguiu para o queixo antes que eu fizesse a loucura de talvez o lamber. Que está acontecendo comigo? É melhor ir embora?
A sua outra mão foi parar na minha barriga e eu parei de respirar por um momento porque a sensação parecia tão forte, talvez por estar vestida com um pijama fino que mal me protegia. E até ia me afastar, se não sentisse na hora que tocava um ponto mais acima e me causasse arrepios.
Eram meus seios? A resposta era um redondo sim e toda aquele ardor aumentava ao continuar me acariciando ali como se nada fosse, seus olhos ainda fechados não ajudaram a acalmar minha respiração dessa vez. Sei lá quando aconteceu, porém me via fazendo barulhos estranhos e até suspirando. Eu queria parar, mas por que minha voz não saia?
— Deu por hoje. — Evan fez questão de acabar com isso por mim e vi que me encarava de um jeito envergonhado. Era tão surreal que parecia miragem. — Desculpa, não era essa minha intenção. — Não deveria, no entanto sua seriedade me deixou chateada de alguma forma.
Parecia a procura de algo do seu lado e então eu notei o porquê de estar tão estranho. Estava duro? Foi por minha causa? Devo tê-lo constrangido com minha encarada, pois rapidamente colocou a almofada por cima. Tentei sussurrar algumas coisas na tentativa de me desculpar, mas ninguém no mundo poderia traduzir o que dizia. Por isso mesmo resolvi acabar com isso logo e correr para longe dessa sala, do que ainda sentia pelo meu corpo e, principalmente, dele.
Onde você foi se meter, Audrey?
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