O oppa não vai se casar com você.
5 Maneira estranha.
Queria eu que meus dias seguidos de trabalho fossem tão tranquilos quanto os primeiros. Meus ouvidos captavam entre conversas e entregas de café, que os garotos fariam novamente outros shows no Japão, antes do início das aulas de Kookie, partindo no dia seguinte.
E é claro, eu não iria junto.
Era uma manhã fria de quinta-feira e eu já estava nos aposentos dos figurinos, olhando minha mãe trabalhar com suas fitas e mais fitas sobre o corpo dos garotos. Ela esticava sua fita amarela sobre os braços de Jin, que mantinha uma postura séria e profissional, como se fosse a estátua de um deus imóvel.
Se minhas amigas estivessem aqui…
Cada um se encontrava em um canto da sala, Namjoon estava sentado com seus tradicionais fone de ouvido e os olhos fechados. Ele era realmente maduro, como um líder.
A música que tocava na TV logo acima de nós, suspensa em uma parede, era Touch my body, das Sistar, logo imaginei que J-Hope começaria seu show.
Acreditem, através das telas de um computador já é engraçado de se ver. Imaginem aquela visão cômica em sua frente. Jimin logo se juntou ao movimento exagerado da dança.
Não consegui evitar, soltei um risinho agudo e mantive um sorriso no rosto enquanto observava os dois.
– Os hyungs te divertem tanto assim? – Uma voz soara atrás, me fazendo tremer, quantas vezes sonhava com aquela voz de anjo?
Me virei, imediatamente tirando o sorriso da cara. Jeon Jungkook já estava vestido, experimentando suas novas roupas de apresentação, estava bonito mesmo sem maquiagem, aliás, era realmente bonito SEM maquiagem. Me lembrei do que minha mãe me dissera na noite anterior, quando questionei a necessidade de medir os meninos. “Jeon, aquela criança não para de crescer!” e soltei uma risada ao imaginar.
– Eu gosto de ver o quanto vocês são felizes. – Fui sincera. – É algo muito doce.
Ele mordera os lábios, soltando um sorriso tímido também. Sinto ter visto um lampejo de choque entre seus olhos.
– Me desculpe. — Soara frio e se afastando de mim.
Eu imaginava o quanto ele era tímido, mas aquela frieza na voz e o choque entre os olhos só me deixava imaginar que ele não gostava de mim. Aliás, quem gostaria?
Já faziam horas que eu não comia. Tudo bem, isso aparentemente não é um problema tão grande. Mas no meu caso, era pedir uma briga com o meu complicado corpo.
Esperei pacientemente minha mãe terminar suas tarefas com Jin e pedi entre murmúrios com ela, que somente acenou com as mãos, me despachando e chamando RapMonster para seu novo lugar.
A BigHit não era uma agência grande, seu prédio também não. Mas eu tive a capacidade de me perder entre seus corredores.
Com a graça divina e algumas voltas em círculos, finalmente consegui chegar a um aparente refeitório. Uma bancada com vários pratos se encontrava organizada e as pessoas passavam retirando seus itens. Várias mesas estavam espalhadas pelo local, porém poucas ocupadas, somente por alguns funcionários que riam e cochichavam animadamente com os outros.
Olhei as opções que tinha para comer e não consegui encontrar algo que não me desse enjoo, não que eu seja fresca, mas realmente não conseguia comer e não tinha ânimo algum para isso.
Peguei uma tigela de arroz e me sentei em um mesa afastada, ao lado de uma janela grande e que somente mostrava a neve caindo ao chão. Dias nevados me alegravam.
Após uma cutucada e outra com a colher na tigela, não conseguia comer e apenas ficava divagando canções que nunca foram escritas, sobre como seria o Japão ou até mesmo como seriam minhas aulas no departamento de Música da escola.
– Eu não sei o que o arroz fez para você, mas acho que você já deve tê-lo feito aprender uma lição com tantas “pancadas” nele. – Suga falara, me fazendo olhar para a frente e vê-lo se sentando em uma cadeira.
Soltei uma risada.
– Estou o torturando por ser arroz e não carne. – Debochei – Mas ele só sabe me falar que não é sua culpa por ter nascido assim. – Ok, vamos parar de ser estranha, Yoona?
– Garota má. — Exclamou, dando uma dentada em seu kimchi.
– Geoteuron bad bad girl, sogeun deo bad bad girl – Cantei, imitando seu rap em Boy in Luv. — Isso soou tão como a Senhora Kim. Tem certeza de que você não é meu irmão?
– Uma coisa é certa, se fosse, você não estaria aqui, eu nunca deixaria minha irmã conhecer esses caras. – soltou um sorriso. –Aliás, ótima voz, vou ter cuidado para não perder minha posição no BTS.
Corei por um breve momento, olhando para os lados e encontrando vários olhares curiosos para a minha… ou nossa mesa? Apenas os ignorei e sorri, continuando nosso jogo, ou pelo menos era isso que eu considerava.
– Sou uma humilde pessoa que ainda precisa aprender muito para isso – falei com uma vozinha humilde, piscando os olhos. Eu só imagino como essa visão estaria cômica de fora. Por que eu estava sendo tão idiota?
– Compor você já sabe – atacou – só falta ter o charme e o apetite igual a mim.
Ótimo, eu não tenho charme.
– Estou profundamente tocada por ser chamada de garota sem sal, com licença, não estou sendo paga para ferirem meus sentimentos. – Fingi uma pose ofendida. Ok, nem estava sendo paga.
– Coma um pouco do arroz — disse com a boca meio cheia – e eu retiro minhas palavras, garota sem sal.
– Isso é trapaça. — Declarei.
– Talvez o arroz tenha mais sal que você. – Essa doeu.
Fingindo perder a paciência, dei uma colherada e mastiguei com prazer.
– Posso sentir o gosto das suas palavras sendo retiradas. – Imitei um tom arrogante. Espero que ele estivesse mesmo em uma brincadeira interna.
– Ok… — levantou as mãos, como se tivesse se rendido – você ganhou, eu retiro minhas palavras. Por enquanto...
Eu me sentia igual uma criança, ele certamente era parecido com a minha mãe. Tinha usado o mesmo artifício que ela! Usando desafios para me fazer comer. Bela teimosia.
– Então… – pigarreei. – No que você se baseia quando fala que eu sei compor?
Ele hesitou por um tempo, entre algumas colheradas e outras respondeu:
– Quando você falou a mesma coisa que eu achava, ou você tinha bom gosto ou também compunha, visto que você tem cara, pensei, “por quê não?” – Bela conclusão, eu tenho “cara”.
– Suga? Você é estranho.
– Diz isso porque não conviveu tempo o suficiente com o V.
Realmente.
Fiquei o observando comer silenciosamente, algumas vezes ele parava e me fazia perguntas, em que respondia de maneira evasiva, por outros momentos, acabávamos nos atacando de novo. Estar com ele era confortável, se não doesse a cada sorriso que me lançasse.
Talvez a dor não era por causa de seus sorrisos, mas sim porque meu corpo não aguentava mais. Me apoiei na lateral da mesa e pisquei nervosamente, minha visão escurecia e a tontura era iminente, minha pressão estava caindo.
– Yoon Ah? — perguntou.
– Maldita pressão. — Resmunguei, caindo aos poucos no chão.
Ouço o rastejo de uma cadeira e prontamente Suga estava ao meu lado, me encostando na parede.
Eu podia ouvir vozes perguntando “Ela está bem?” “Onde está a Sra.Kim?” “Yoongi?”, mas isso só piorava a situação, era horrível ficar no breu. Dizem os médicos — vulgo minha mãe — que ficar em posição fetal ajudava, logo me encolhi na parede, apenas esperando o efeito passar.
Não era motivo de pânico, eu já estava acostumada com aquele incômodo.
– Escuta, eu vou te dar um pouco de sal, coloca ele em baixo da sua língua. — Yoongi disse calmamente.
E senti os pequenos grãos entre meus lábios. Era sal, mas por que a única coisa que eu sentia era o toque doce de seus dedos?
Após alguns minutos, minha visão voltara com um Suga em minha frente, aliviado.
– — — — — -
– Você vai comer algo, NEM QUE SEJA SALGADINHO. – As palavras de minha mãe soavam furiosas quando eu lhe contara o ocorrido.
– Até parece que vai ter algo desse tipo aqui… – resmunguei, certamente não haveriam porcarias num lugar como aquele.
– Aqui – Taehyung brotara do nada, esticando suas mãos com um pacote de batatas e sorrindo igual uma criança.
– Muito obrigada, Taehyung. – minha mãe se virara para sorrir e reverenciar. Mas ao recobrar sua atenção para mim, o demônio voltara. – Coma isso e se sente, você não é necessária por enquanto.
Emburrada por passar tanta vergonha, me sentei em uma cadeira no canto da sala, ao lado dos provadores dos meninos, que já não os utilizavam mais.
O movimento da sala acabara, ambas as pessoas que se encontravam já estavam deitadas sobre algumas cadeiras. O silêncio logo cobrira toda a agitação do dia. Estar em um ambiente como aquele, onde só se houvia a respiração profunda dos que dormiam, só me fizera acabar dormindo também.
Cenas ecoavam em meus sonhos, em um momento eu estava novamente na audição do SOPA, recebendo um não. Em outro eu estava dando aula como professora e Sooyoung era minha aluna — esse foi o pior, realmente um pesadelo — e em outro eu via Jeon Jungkook.
Ok, esses sonhos já eram demais. Abri os olhos, sonolenta, piscando lentamente, tentando assemelhar a realidade.
Jungkook...?
Conseguia ver sua pele leitosa e desnuda através de uma pequena brecha — não o suficiente — entre as cortinas do provador. Seus músculos recém adquiridos — porém definidos — estavam a mostra. Fiquei maravilhada com aquela visão, certamente não tinha acordado… ou tinha?
Fechando os olhos e os abrindo novamente após alguns minutos, não havia mais nada lá e nem vestígio que houvera. Certamente era um sonho. Um bom sonho.
Já passavam das 6 horas e os preparativos estavam prontos, visto que não éramos mais úteis — minha mãe, porque eu sempre fui inútil lá – estávamos dispensadas.
Senhora Park, enquanto estávamos na porta, lamentou o fato de minha mãe não ir, enquanto os outros meninos a reverenciavam por seu trabalho duro. Durante essas lamentações, se desataram em uma conversa animada.
Me afastei, já a esperando no corredor.
Yoongi veio até mim com uma piscadela e um sorriso maroto.
– Realmente você tem sal depois de hoje – ironizou. Talvez ele estava zombando do fato de ter que me dar aquilo na boca?
– Ohh, Yoongi-sshi, você é o meu herói! — Fingi uma voz apaixonada, balançando minhas mãos.
Atrás de Suga, Jungkook zombara.
– Woah, ela é realmente assim? – Apontara para mim enquanto o questionava.
– Toda donzela é assim quando alguém que tem a minha beleza a salva.
É, ele realmente estava zombando aquela situação.
Suga-hyung, eu realmente preciso aprender com você. — Jungkook pôs uma das mãos em seus ombros, firme, sua voz zombeteira me impressionava, nunca o tinha imaginado assim.
– Estou perdida. – choraminguei.
– Perdida você já esteve hoje. – Disse Suga, apontando para os corredores.
Espera, algo soava errado aí...
– Como você sabe?! — Indaguei com a voz alta.
– Espera… — Jungkook pôs as mãos pra cima — o que aconteceu, hyung?
– Eu estava indo para o refeitório e a vi indo em direção a sala de práticas, fiquei me perguntando e acabei seguindo, aí que está, ela não sabia para que direção ia, após cinco voltas entre as salas, finalmente achou o refeitório. Fiquei impressionado, seu senso de orientação é assustador.
QUE VERGONHA.
Jungkook começara a rir, seu riso doce eclodia pelo corredor.
Minhas bochechas provavelmente estavam muito vermelhas.
Minha mãe me salvara ao passar por nós, fazendo uma última reverência e avançando pelo corredor. – Vamos, Yoona.
Me virei para os dois rapazes que riam entre si e os reverenciei.
– Até mais, garota má. – Yoongi soltou uma piscadela. Desconfio que ele estava sempre brincando comigo.
– Vejo você no primeiro dia de aula. Se cuide! – Jungkook sorria amarelo ao dizer isso.
– Boa sorte no Japão, estarei torcendo por vocês, Voltem em segurança. – Forcei um sorriso meigo, entre vergonha.
Segui minha mãe já impaciente e quando os perdia de vista já, Jungkook se virara e gritara para mim.
– Não se perca!
Era a mesma voz que havia me falado para dar o meu melhor. Ele ligava tanto assim?
– Vou tentar! — Fiz um “OK” com as mãos e com um sorriso grande.
Ao lado, Min Yoongi parecia perplexo com o jeito que Jungkook agira.
Eu também.
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