O oppa não vai se casar com você.
6 Variação de temperatura.
O Seoul Art Perfoming Schools era um complexo de prédios em tons pastéis, bem estruturados e certamente grandes, mas pelo o que reparei, pouco da sua área era realmente utilizada.
Estudantes passavam pela avenida movimentada, carros de luxo e vans com prováveis ídolos atravessavam de um lado ao outro com pressa, era um pequeno caos dentro de Seoul.
Por dentro do edifício, era como uma escola normal, sem qualquer mimos e fantasias cujo os adolescentes sonhavam antes de pisar aqui. Confesso que nunca tive criatividade o suficiente para sonhar.
A cerimônia de abertura começou atrasada, devido a grande quantidade do fluxo de veículos e fãs querendo ver seus ídolos na porta do colégio. Novamente eu estava sozinha, após enganar meus pais sobre a iniciação.
Com tropeços, pedidos de desculpas e olhares perdidos, parei no meio do ginásio utilizado, observando algumas pessoas sentadas e também o ar que se formava, ansiedade.
"— Boas vindas aos novos estudantes do Seoul Performing Art Schools — pigarreava um senhor de idade, usava um terno e tentava disfarçar sua aparência —“E bom retorno aos que estão aqui mais um ano.” — um grupo de estudantes ovacionou baixinho. -— “Imagino que fora difícil entrar aqui, mas mais difícil ainda será continuar… Vocês eram bons em suas escolas ou famílias, mas aqui não, só aceitamos cada estudante do próprio nível, subam e me provem que realmente mereciam o título de melhores.” — Sua voz soava desafiadora e a tensão logo se instalou, onde cada estudante olhava ansiosamente para o competidor ao lado.
Não tirei os olhos em momento algum, olhar para as pessoas ao lado só demonstraria o quão estava insegura. Seria bom que me achassem forte, certo?
Eu gostaria que sim.
A cerimônia foi breve e logo o ginásio ficou lotado de ansiedade de novo, cada pessoa ali tinha seu talento específico, algo pelo que tentara a audição. Observava sunbaes chamando seus calouros de setor específico. Onde estava o de música?
Avistei Jungkook poucos metros depois de um grupo de calouros. Ele sinceramente estava lindo. Seu cabelo desgrenhado, os lábios entreabertos num sorriso. Porém, tudo que é bom dura pouco, e junto de si um grupo de garotas o circulava, em alguns momentos tocavam seus cabelos e ombros, em outros enganchavam os braços. Seu desconforto era nítido.
Caminhei em sua direção. Yoona, a salvadora.
— Jungkook-sshi! — Gritei quando estava perto o suficiente.
Ele virou em várias direções até me achar, seus olhos expressavam alívio, mas sua cara não. Após alguns segundos de encarada, desviou o olhar com uma expressão tão gélida quanto o inverno.
Eu não entendo esse garoto.
Como ele pode ser tão gentil em um momento e em outros agir assim? Estava começando a ficar ofendida já.
Decidindo ser tão fria quanto ele, me virei e respondi ao sunbae que chamava o setor da música.
Por que eu deveria ligar? Eu não era nada para ele. Talvez aquele Jungkook tenha ficado no Japão. E mais uma vez, distante demais.
Após conhecer os professores de canto, dança, coreano, e descobrir que estava na mesma turma que as gêmeas do dia da audição. Finalmente, o momento mais esperado de todas as horas de escola, o intervalo.
Não conseguia esquecer aquela atitude fria. Tudo bem que ele não era muito próximo de mim, mas eu só queria ser sua… amiga.
O clima na sala de aula estava tão ótimo como o de um funeral, ninguém se conhecia, e os poucos corajosos para criar amizade, riam atrapalhando o confortável silêncio que lá se instalava. Desisti, sem lanche e sem rumo, desci as escadas, buscando a cafeteria.
A cafeteria — ou refeitório — estava lotada. As pessoas se amontoavam comprando seus lanches, enquanto outros esperavam pacientemente na fila com suas bandejas.
Com pouco dinheiro, comprei pão e me sentei em uma mesa recém-desocupada. Como meu senso de organização era um pouco maior dentro do colégio, peguei o lixo que estava lá e o levei até a lixeira. Ao voltar, me deparei com o garoto do dia de audições. Estava sentado na cadeira em minha suposta frente.
Encarando tanto a vergonha quanto o azar, voltei e me sentei em sua frente, soltando um sorriso amarelo enquanto abria o saquinho de pão.
O barulho do dormitório era a única coisa que preenchia o provável vácuo que nossa mesa estava.
— Prazer, eu sou Yoona. — Engoli em seco, oferecendo minha mão para um aperto. — Eu reconheço você, fico feliz que tenha passado. — Termino com um sorriso tímido.
— Eu sou Kwan — Ofereceu sua mão de volta, finalizando um aperto. — Eu pensei que você não tinha passado, para ser sincero.
Admirei a sinceridade dele, somos dois.
— Você está certo, até hoje não acredito que consegui. — Tagarelei — Então, em que turma está?
— Na sua. Para ser específico, uma carteira atrás da sua. — Kwan declarou indiferente.
Realmente, eu não consigo fugir de situações como esta.
— Então… você quer ser um idol, é? — Eu estava interrogando o pobre garoto, em uma tentativa falha de ser simpática.
— Não, eu acho isso ridículo, pessoas sem orgulho e que aceitam perder sua vida e família fazem isso. — Cortou friamente. — Mas pelo visto, você já tem um fã. — Um sorriso malicioso deslizou por seus lábios.
— Fã? — Estava começando a me arrepender de ser simpática, tinha algo em seu olhar que me congelava.
— O idolzinho do hip-hop não para de olhar para cá. — Deu uma risada. — Mesmo rodeado de garotas, esse cara tem coragem.
— Provavelmente ele está encarando a sua beleza. — Ironizei, o “idolzinho do hip-hop” não estava olhando em minha cara.
— Eu sei que sou bonito, mas eu prefiro garotas. — Pegou uma mecha de meu cabelo.
Retirei sua mão no mesmo momento. Por que ele estava sendo tão folgado daquele jeito?
— Calma, eu só estou brincando. Estou me divertindo com as reações do idolzinho. — Apontou para o pão praticamente intocado. — Você não vai comer?
Enquanto olhava para baixo, Kwan bagunçou meu cabelo e saiu.
Que intimidade é essa?!
Confesso que enquanto conversávamos, todas as partículas do meu ser queriam olhar para trás e confirmar sua teoria. Pela primeira vez na vida fui forte, e não me deixaria vencer por essa tentação.
Ao terminar de comer, passei por Jungkook — que mais parecia com uma estátua —, mas sentia seu olhar como pedaços de gelo me atingindo. Ao subir as escadas, sentia minhas pernas bambas.
O dia terminou com uma incrível aula de Cálculo, cuja soma do meu entendimento resultava em zero. Sinto saudades de quando achava que estudar música não envolvia matemática. Agora, junto com o “x”, teria que encontrar o meu sucesso.
Os mesmos carros amontoados de manhã já haviam retornado aos seus respectivos lugares, enquanto as minhas pernas estavam voltando para o seu legítimo lugar também: o ponto de ônibus.
Não sabia se haveria trabalho na Big Hit hoje. Mas minha vontade de voltar para a cama estava tão grande quanto a de ficar nela de manhã.
Estava brigada com o meu “chefe”, não imaginava o menor motivo disso, além de estar pensando diversas vezes na cena do refeitório.
Chutando algumas pedras pelo caminho enquanto passava pelas laterais do colégio, o vento passeava em contorno de minhas roupas, o sol batia incessavelmente em meu rosto e isso provavelmente estava me causando delírios.
Um dos delírios era ouvir a voz dele.
— Yoon Ah! — Jungkook puxara meu braço para parar. Ele estava usando uma… máscara?
Mas o mais estranho ainda, estava falando comigo?
Seu olhar era um pouco perdido, mas não a frieza que eu havia enfrentado o dia todo. Nesse mesmo momento, lembrei o quanto estava furiosa.
— Você lembrou que eu existo agora? O que foi? Precisa de algo? — Respondi friamente — Eu só queria saber o motivo de ter me ignorado o dia todo! Você tem ideia de como isso é horrível quando a pessoa não sabe nem o que fez? — Explodi, mas não gritando. Minha voz estava estranhamente suave.
— Escuta… — colocou as mãos no bolso, claramente desconfortável após minha explosão. — Você não entende o quanto as pessoas podem entender errado, e isso com certeza vai tornar sua vida mais difícil… — Pausou para pensar… — Qualquer contato mínimo...
— Você prometeu que ia me ajudar. — Estava agindo como uma criança, sabia que ele estava certo. — Você não estava assim antes da viagem. — Choraminguei. — Eu realmente preciso ser tratada como uma pessoa má? É realmente confuso tomar gelo e ignorância o dia todo. — Olhei para baixo, não havia reparado no quão nervosa estava.
— E eu vou, você é minha amiga. Olha, desculpa… eu realmente não sei lidar com isso. — Soltou um sorriso bobo.
Aquele sorriso…
Eu realmente sou uma idiota por apenas sentir saudades dele.
Senti meu coração bater mais calmo, após horas acumulando mágoa, reparara que nossas mãos ainda não haviam se soltado. E em seus olhos, Jungkook não havia notado ainda.
— Tudo bem. Eu não sei porque estou tão sensível assim… — Sussurrei. E não sabia mesmo.
Ao fundo, apenas pude ouvir a voz familiar e derretida de Suga.
— Yoon Ah? … Jungkook? — estava parado ao lado da vã, apenas alguns metros de nós. Seu olhar era apreensivo, como se estivesse analisando toda a cena.
Jungkook soltou minha mão como se o diabo fugisse da própria cruz.
— Hyung! — Se virou, exclamando com um sorriso radiante.
Cumprimentei Yoongi com uma reverência e antes de qualquer tipo de perguntas já estava com os pés preparados para correr daqueles olhos analíticos
— Com licença, eu vou perder o ônibus se continuar aqui. Jungkook, obrigada pelas suas orientação por hoje. — Menti, mordiscando os lábios. — E Suga-sshi, me desculpe por ter que sair tão apressada. — Sem dar tempo de resposta, me virei e parti em passos apressados para o ponto de ônibus.
Zeus, que hoje não tenha trabalho. Eu estou perdida.
Fale com o autor