– OMMMMMMMMA!!! A Yoona não quer sair do banho! — Gritava Soo Young detrás da porta, a voz estridente e irritante como sempre.

– VOCÊ QUER QUE SUA IRMÃ SAIA FEDENDO POR AÍ? ELA PRECISA ARRANJAR UM MARIDO! — Gritava meu pai, provavelmente poupando esforço e voz de minha mãe.

Sabendo que ia ser instaurada uma guerra civil em casa devido ao fato do meu simples banho, pego o celular — com cuidado para não cair na banheira — e aumento o volume da minha música ao máximo.

Naega jeil jal laga

Naega jeil jal laga

Naega jeil jal laga ~

Ok, talvez eu não seja a melhor — longe disso. Mas 2NE1 era para fazer uma pessoa se sentir poderosa com essa música, e hoje eu devia parecer tudo, menos uma perdedora. Era o dia da audição do SOPA. Após mais 10 minutos de banho — que confesso, foram especialmente para irritar Soo Young — me encontro em frente ao espelho, penteando meus cabelos castanho ondulados. Bom, minha aparência não é tão ruim, com incríveis 1,68 — e me sentindo uma gigante entre as garotas-porcelana com quem me deparei na vida — pele leitosa e pálida, juntamente com nada-impressionantes olhos castanhos claros, não era o padrão de beleza que exigiam, mas também não ultrapassava os de feiúra. Coloco uma blusa preta enfeitada com pequenas correntes de metal, uma calça jeans azul escura e um dos meus all stars menos surrados. Espero que eles não levem aparência em conta, eu não sou bem uma estrela da música ou de qualquer coisa.

Ao descer as escadas, eu poderia contar que vi 3 tipos de expressões: a chata, como sempre sendo da Sooyoung. A orgulhosa, por esse ser um dia que pode definir minha vida, vinda do meu pai. A VOLTA-JÁ-PARA-O-QUARTO, da minha querida mãe.

Bom, isso parece exagerado.. porém minha mãe é uma estilista. Uma estilista e a filha ainda usa jeans surrados, sim. Esse é o maior desgosto de sua vida.

Olhando de longe, nossa família é bem surpreendente, minha mãe sempre me vestira desde pequena, era seu passatempo, assim como uma menina brinca de Barbie. Eu era a Barbie.

Porém, com o passar dos anos, ela começou a vestir idols e afins e querer que eu me vestisse da mesma maneira. Bom, péssimo jeito de não chamar atenção.

Sendo assim, sobrevivo com as minhas últimas economias em segredo dadas do meu pai, e também com as poucas roupas que sobreviveram ao meu crescimento. Triste? Não, melhor do que sair parecida com alguma das Girls Generations por aí. Calma, elas são lindas, eu é quem não sou.

– Você quer matar sua omma do coração? Você não tem consideração, criança?! – Falou ao fechar a porta do quarto, estava exagerando, claro, mas parecia que soltavam maria-fumaças de sua cabeça.

– E se alguém lá te reconhecer? Vão pensar que sua mãe não te veste… que não pensa na sua própria filha… EU VOU ME MATAR, Yoona. Enquanto eu ainda ser uma estilista, minha filha só saírá como uma princesa de casa.

– Bom, posso ser a Fiona.

Seu olhar apenas me calou. Ok. Não vou teimar.

Após alguns segundos de avaliação e minutos de um furacão chamando minha mãe, ela se conteve ao me avaliar vestindo um vestido branco colado, uma meia calça preta e um casaco também branco.

...Que frio.

– Agora sim você está aceitável, querida. — Ela me olhou com tanto orgulho que não pude evitar de sorrir. Eu gostaria de saber o nível de aceitável para a minha mãe.

– Omma, você vai me buscar hoje?

– Claro, por que?

– Acho que minhas pernas podem congelar. — sorri desajeitada, tentando encontrar uma posição confortável entre aquele vestido que não estava acostumada a usar.

– Vai logo comer, Yo. — E me apressou escada abaixo.

Por fim, resultou que não consegui comer quase nada devido ao nervosismo e ao incômodo de saber que minhas pernas estão expostas.

Ao início das despedidas, Sooyoung apenas me lançou um olhar brabo ainda pelo banho, mas também consegui enxergar um relance de ‘“boa sorte, unni”. Criança safada, eu sei que ela quer que eu a sustente. Meu pai já foi a parte mais difícil, pois o mesmo trabalha na indústria da música, inclusive em uma agência e está doido para eu tente o teste na mesma, então, imagino que com o resultado do SOPA, é minha esperança de aquietá-lo ou apenas minha desistência por sua teimosia.

– Querida, houve um problema com o figurino de uma das minhas colegas e eu preciso verificá-lo na agência, você não se incomoda de vir junto, certo? Nós estamos bem adiantadas. -Não sei o porque do convite, simplesmente vamos até lá.

Claro… não seria incômodo algum se ela não parasse em frente a BigHit.

...BIGHIT????????

Ok, alguém se lembra da minha declaração do primeiro capítulo? Sobre ser o equilíbrio, pendurada em cima do meu lindo muro? Pois é, o muro caiu.

Eu sabia que minha mãe trabalhava com idols e seus figurinos, mas saber que ela cuidava de um dos grupos que eu mais estava APAIXONADA no momento, meu lado fangirl não estava preparada.

Ao estacionar, retira o cinto e pergunta:

– Você quer descer?

NÃO!

– Pode ser. — Abro a maldita boca com o tom mais desinteressado do mundo.

Cada corredor que ultrapassava, toda porta branca entreaberta, fechada, aberta, em construção, eu apenas observava maravilhada e procurava figuras dentro dela. Bom, eu sou uma fã, isso não está errado, certo?

Uma voz feminina chama minha mãe ao fim do corredor, apenas acompanho silenciosamente e entro no paraíso. E o paraíso se trata de uma sala organizada… ou pelo menos estava. Com uma mesa centralizada e várias cadeiras espalhadas preguiçosamente pelo recinto, o branco se destacava juntamente a outras três figuras que se encontravam lá. Acho que meu coração parou.

É claro que eu os conhecia, porém os que se encontravam, eram quase da mesma altura. Cada um exalava seu próprio encanto e eu me embriagava com cada olhar. Eu sabiam quem eram; mas eles não sabiam o mesmo de mim. Talvez nunca saberiam.

Taehyung, com seu jeito rebelde, se encontrava atrás de Jungkook e sua doçura, transformando-o numa marionete humana e o fazendo movimentar os braços. Enquanto Yoongi estava sentado junto ao celular.

– Sra. Kim, eu lhe peço perdão por te chamar aqui quando tudo estava pronto e só nos veríamos no fim da semana. — Continuou a mulher, reprimindo Pinnochio e Gepeto com seu olhar.

– Tudo bem, eu já seguia esse caminho mesmo. — Respondeu gentilmente. Onde estava aquele furacão que passou pelo meu quarto?

– Obrigada mesmo! Então, as correntes das roupas de JungKook se romperam, a touca do Suga precisa ser reparada e fixada do jeito que só você sabe, surgiu um imprevisto, desculpe novamente! — Se curvou — E V está aqui só porque ele é o V mesmo. — Acrescentou.

Não pude deixar de soltar um risinho, esses eram os garotos que eu esperava encontrar.

E foi assim que perdi minha mãe, que acabara ficando imersa em trabalho. A senhora que nos recepcionou — logo acabei sabendo que se chamava senhorita Park — me pediu para sentar em uma das cadeiras e assim o fiz. Ansiosa por estar lá, ansiosa pela audição, ansiosa por eles.

Yoongi era o mais próximo, e assim fiquei observando o mesmo, cantarolando e batendo na mesa, provavelmente em busca de alguma batida. Me aproximei disfarçadamente tentando captar alguma coisa, não porque provavelmente era dele, mas sim porque me… atraía.

Ao primeiro olhar flagrante, dei um pulo e olhei para o lado, buscando outro foco de atenção — e por favor, naquela sala haviam vários.

V iniciava uma dança estranha — nada anormal — e JungKook o seguia, sincronizando alguns passos, seria perfeitamente menos anormal se tivesse uma batida, mas eram tão bons que conseguiam fazer sem o mesmo. Nesse momento me senti um pato, era totalmente incapaz de dançar, quem dera tão livre assim.

Minha mãe então lembra que tem uma filha e que ela precisa sofrer com a ansiedade de uma audição, então pedindo desculpas com uma reverência e conversando com os garotos;

– Eu volto em algumas horas, tenho que levar minha filha para uma audição! – Declarou com a voz cheia de alegria. Seria uma pena se eu não passasse.

– Omo! Ela vai tentar a SOPA? — Sra. Park indagou, maravilhada com o orgulhoda minha mãe. – Nosso Kook vai ser seu sunbae!

E eu encontro o olhar de JungKook, o mais rápido que um trovão para fugir de garotas. Apenas senti meu rosto rubro enquanto via o dele ganhar um tom avermelhado. Sempre soube daquela timidez fofa.

Antes de deixar meu lugar para prestar reverências, peguei um bloquinho de notas que sempre mantinha na minha bolsa, para caso: ser sequestrada, lista de compras do mercado, uma canção de música e entre outras coisas. Anotei algumas palavras em um papel verde claro e o deixei sob a mesa.

Prestando as reverências para a Sra. Park e aos garotos, já estando na porta ouço uma voz alta e masculina atrás de mim;

– Dê o seu melhor! –E naquele momento eu ganhei inspiração para passar.