O oppa não vai se casar com você.
3 Apenas mais uma.
– Senhorita Kim? — Um homem de cabelos escuros e levemente arrepiados, vestindo um terno cujo brasão da escola era bordado em seu peito. Não era velho, aparentava ter entre 30 anos e sua postura séria tentava ao máximo me deixar descontraída ao passar pelos corredores cheio de pessoas. Algumas choravam, outras roíam as unhas — já eu, nem possuía mais -, abraçando seus parentes e dando pulos de alegria ou um choro tímido em seus ombros.
Naquele mesmo momento me peguei pensando em como reagiria, devido ao meu lado fangirl ser atacado, esqueci que aquele era o momento que definiria se meu antigo sonho de infância seria realizado, ou deveria encarar a realidade e suas consequências. Eu choraria? Não, provavelmente não. Acho que sairia rindo e dizendo “Eles é quem não me merecem!”, mas uma hora essa postura teria que ceder. Era agora ou nunca.
O moço de terno me deixara em frente a uma porta branca, ao lado de outras duas garotas. Uma segurava a mão da outra e notando a aparência, eram praticamente idênticas! Estavam vestidas como duas crianças fofas do fundamental e ao seu redor, exalavam carisma.
“Elas vão cantar um dueto” Pensei. Já era óbvio pelas suas roupas combinando e também pelos dedos entrelaçados e sua força aplicada neles, elas dependiam uma da outra. Me senti triste por não depender de um alguém.
Em um canto do corredor, um garoto fazia movimentos com seus pés e cantarolava ao fone de ouvido. Era bonito. Seus cabelos pendiam até a nuca, tingidos de um ruivo intenso e o ar ao seu redor deixava claro; ele não estava alí para perder.
Ótimo, eu era a única que aparentava ser a eliminada da rodada. Inspirador.
O primeiro a ser chamado foi o menino bonito, o setor em que nos encontrávamos era o específico para a música, logo eu não me surpreendi com a rapidez de sua audição, em dez minutos o mesmo já aparecia na porta com uma folha em suas mãos e um leve esboço de sorriso em sua cara, porém seus olhos ardiam de fogo e confiança. Era óbvio, ele havia passado.
Adeus, menino bonito. Boa sorte, quem sabe eu me torne sua fã.
Surpreendentemente fui a segunda a ser chamada, devido ao fato das garotas fofas serem um dueto, fui pulada de lugar e pronto; lá se começava meu desespero.
A música escolhida era Don’t Touch me, da Ailee linda. Se aquele era um momento para parecer uma pessoa confiante e digna igual ela, era hora. Reuni todo o resto de coragem e vergonha na cara, entrei na sala.
Era um ambiente bem iluminado, uma sala branca com poucos móveis, um piano ficava ao lado, juntamente com outros instrumentos — bom, eu não os usaria — e uma cadeira ao centro. Dei a maior das reverências a um grupo de quatro pessoas que se sentavam ao fundo. Devido a falta de óculos, não conseguia ver seus respectivos nomes ou cargos. Maldita miopía.
– Olá! Eu sou Kim Yoon Ah e peço para que cuidem de mim — digo com a voz firme, tentando me esconder entre os cabelos.
– Boa tarde, Yoona. Nós nos desculpamos por surpreendê-la ao mudar a ordem da audição, foi necessário. — Uma mulher atraente falara. — Antes de começar, mudamos o método da audição… — Que maravilha. — E gostaríamos de fazer algumas perguntas. — Decidi não interromper, apenas esperando a continuação de seu pensamento.
– Qual o motivo de ter procurado a Seul Performing Arts School? – Sua voz soava firme e alta.
Ótimo, Yoona. Qual era seu motivo mesmo? Ah! Uma lembrança de infância que possuía enquanto sua mãe ainda era viva. Aliás, uma memória que pode muito bem ser falsa! Ótimo novamente, como dizer que eu não tenho motivos?
Entre um pigarro e outro;
– Minha mãe falecera há anos, eu era muito nova… — pigarros e pigarros — e eu me lembro de um dia ter lhe falado que queria ser uma cantora. E bom… é o que eu quero. Não só cantar… mas fazer algo que alcance as pessoas. — Falo, usando todas as minhas economias de sinceridade (que não eram poucas).
– Para ser sincera, Yoona, por um momento me ofendi com suas palavras, você não tem amor ao que quer fazer? — Ótimo, ÓTIMO, MEÇA SUAS PALAVRAS, YOON. — Apenas quer nossa estrutura?
– Longe disso. — Faço outra reverência em sinal de desculpa — Me desculpe! — Eram as únicas coisas que eu podia dizer, contestar ou tentar me explicar só pioraria as coisas.
– Pois bem, nos mostre o que você tem.
Aquilo era um sinal claro, eu devia surpreendê-la ou agradá-la, se não seria chutada o mais rápido possível de lá. Peço para um funcionário do equipamento próximo para começar a batida. Ao ouvir o ritmo da música começando, não pude evitar de começar a bater palmas para acompanhar a apresentação original.
Clap, Clap.
Começo a cantar e todo o nervosismo se esvai. Acho que isso acontece com todos e não posso expressar o quão maravilhosa era a sensação. Realmente era como estar em um palco, um palco em que qualquer erro decidiria minha provável vida. Mas isso não era assim com todos?
Confesso, quase me atrapalhei seriamente com a música. Mas a alegria de cantar e o tom poderoso que imaginava ser o da Ailee — mas era o meu — me contagiava mais ainda a continuar.
No fim da música, fui recuperando levemente meu sentido de vergonha e… Ok, já havia o perdido. Eu havia me deixado levar totalmente por aquele sentimento “estrela do pop” que nos atinge quando estamos em uma madrugada sozinha ouvindo música, aquele sentimento que podemos ser reconhecidos.
O silêncio tomou a sala. Não era algo bom.
A moça que anteriormente havia falado comigo, agora se encontrava cochichando com as outras três pessoas presentes na bancada. Pela dificuldade da visão, não podia assemelhar muito suas expressões. A maneira era rezar. Essa seria uma boa hora para me tornar religiosa?
– Yoona? — Virou-se para mim com uma voz suave. Apenas ergui as sobrancelhas, em busca de uma resposta.
– Vamos ser sinceros, os motivos são realmente levados em conta aqui e os seus não eram muito fortes. Mas sua voz é. Nós fomos agradavelmente surpresos com isso. — Sorri, as coisas estavam dando certo? – Mas também queremos que entenda, a SOPA é uma escola difícil para ser admitida, mas o mais difícil ainda é se formar nela, nós somos rígidos e acho que você já tem reparado nisso. Reparamos seus deslizes na apresentação, deslizes simples e amadores, coisas que não devem ser cometidas. – Oh, tudo que é bom dura pouco… – Mas, decidimos que você talvez possa nos surpreender. Parabéns, você passou. Me surpreenda.
“Parabéns, você passou.” Ouvi essas palavras e demorei entre 30 segundos para associar à realidade. EU PASSEI?!
Meu corpo automaticamente começou a fazer profundas reverências e eu sentia como se tivesse bolas em minha garganta. Eu seria uma cantora? Eu? Calma. Não se iluda. NÃO SE ILUDA. Você não sabe o que pode acontecer amanhã…
MAS POR HOJE EU TENHO CHANCE!
– Obrigada, obrigada, muito obrigada! – Suspirei, com a voz carregada de agradecimento.
– Leve o seu documento da audição para a secretaria e tire as demais duvidas lá, entendido?
Afirmei com a cabeça, pegando a folha com o homem de terno de antes. Talvez eu seja idiota ou puxa-saco, mas quando estava saindo da sala, me virei e falei:
– Eu não vou decepcionar.
Eu não vou...certo?
Após arquivar a documentação na secretaria, aguardei minha mãe no estacionamento, sem ter dado pista alguma no telefone sobre o resultado; alguns minutos depois, a mesma chega com seu pequeno carro, como se estivesse competindo em um racha.
– Você passou? Você não passou? Por que não falou logo no celular?! FILHA INGRATA! – Ela me abraçava a cada pergunta. Eu realmente amo a senhora Kim, mesmo não sendo minha mãe verdadeira.
– Omma, você me ama independente da resposta que eu te dar? – Faço um beicinho como uma criança.
– Eu te dou…. – sua voz séria esganiçada começou a me assustar.
– Tudo bem, tudo bem. Hoje vamos comer carne, porque eu passei! – E pulei lhe dando outro abraço. Talvez a felicidade que não tinha expressado no momento do choque, havia expressado agora.
No fim, para melhorar o dia, tive que voltar à BigHit.
– Sua mãe não terminou o trabalho, vai demorar mais tempo do que esperava — declarou ao sair do carro.
Omma, eu sei que você também quer se exibir um pouco. Só por hoje. Seguindo o mesmo caminho de antes, fui deixada na mesma sala de antes enquanto minha mãe trabalhava em um cômodo ao lado. Eu estava sozinha, eles não estavam lá. Decepcionante.
Me lembrei do papel que tinha deixado sobre a mesa e voltei a olhá-lo.
“Intocado” suspirei, mas mesmo assim o pegando. Voltei a ler as palavrasque lá tinha deixado. Por que você é tão intrometida, Yoona?
“Não pude não notar os seus murmúrios, e sou uma intrometida, me desculpe. Mas acho que a primeira versão ficara melhor, é mais… você. Continue dando o seu melhor, fighting!”
Como eu era boba.
“Eu concordo. Obrigado.”

Eram os dizeres na folha do verso, juntamente com um desenho de uma caricatura com uma bandana sorrindo, um "autorretrato".
Acho que meu coração falhou, eu tinha sido respondida.
Que bom que a sala estava vazia, pois eu não quero nem imaginar o quão corada estava.
Lembrei das palavras da Sra.Park em relação ao meu teste; “Será a hunbae do nosso Kook” e depois de tanta correria pelo dia, me tocara, eu realmente passei, eu conseguiria vê-lo! Ele seria apenas um sênior, mas devia tratar bem seus calouros… e ele seria meu… oppa? No colégio?
Revirei a cabeça e juntamente esses sonhos idiotas, provavelmente tudo seria normal como sempre, a diferença é que eu suspiraria cada vez o que veria nos corredores. Nada anormal. Mas se eu ainda pudesse falar sobre aquela história...esquece, ele nem mesmo me reconhecera.
Eu acho que no fim, era mais uma garota achando que me casaria com o oppa.
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