Notas iniciais
penultimo capitutlo

Casar duas vezes com a mesma mulher era a certeza de ter feito a escolha certa para toda a eternidade. Minha Helena se tornou minha mulher no mesmo momento em que pus meus olhos nela no clube de danças latinas onde nos conhecemos. Mesmo que ela tivesse dito não naquela noite, eu jamais teria desistido e conquistá-la teria se tornado o objetivo de minha via. Não foi necessário conquistá-la, ela disse sim facilmente. Então concentrei minhas forças em reconquistá-la em cada dia de nossa união.

Sabia de meus erros, em especial o que nos deixou afastados por meses e a colocou em risco junto com nossa princesinha. O que nos mantinha juntos e apaixonados era que mesmo com todos esses erros, ambos continuamos entendendo um ao outro. Nos amávamos e nos tratávamos como a verdadeira família que agora, com a chegada de Amanda, nós realmente somos.

Aqui estava eu, exatos 60 dias após eu convidar Roberto para entregar a filha em meus braços, estou desesperado aguardando no altar e tentando sorrir para os convidados. Realmente era a primeira vez que casávamos com toda esta organização e protocolo, nossa primeira união fora muito simples. Agora seria completo. Mas precisava demorar tanto? Avistei minha mãe.

— O que há? Ela está atrasada.

— Logo ela estará aqui. Foi difícil arrumá-la, Amanda não aceitava sair de seu colo.

— Ela podia ter ficado aqui comigo.

— Não, não podia. Nos ampliamos a tradição dos casamentos. O noivo foi proibido de ver o vestido da noiva e da filha.

Eu não poderia ter uma mãe melhor. Ela largou tudo pela minha felicidade e de Alicia, abdicando inclusive de uma vida afetiva. Se bem que agora isso parecia estar mudando. Ela e meu tio estavam mais próximos do que nunca e isso é bom, eles sempre se deram bem, sempre se complementaram, mas nunca se permitiram viver juntos, provavelmente em respeito ao meu pai. Não que eu e muito menos Alicia fossemos nos importar com isso. Eu tinha uma relação muito mais duradoura com Jose e Alicia sequer se lembrava de papai.

E nesse momento ele estava ali sendo atencioso com os convidados enquanto eu me desesperava pelo atraso de Helena. Meu Deus, o que houve? Isso não era normal.

— Calma meu filho. Ela já vem.

— Só vou me acalmar depois pai.

Foi então que a marcha nupcial começou a tocar e eu me virei para encontrá-la. Um verdadeiro anjo caminhando em minha direção, guiada pelo pai, como eu sempre quis. O vestido era feito em um tecido brilhante, com decote em V e mangas longas e rendadas nos punhos. Lindo! Caminhava um pouco lentamente demais para o meu gosto, mas logo chegou. Roberto me deu um frio aperto de mão, era pouco, mas já um avanço se comparado a como nos tratávamos há poucos meses. Fizemos os votos de forma simples e verdadeira:

— Eu, Renê Magalhães aceito Helena Fernandes como minha esposa para honrá-la e amá-la, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença, por todos os dias de nossa existência.

— Eu, Helena Fernandes aceito Renê Magalhães como meu marido para honrá-lo e amá-lo, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença, por todos os dias de nossa existência.

Depois disso o padre pediu pelas alianças e eu, muito confiante, coloquei a mão no bolso onde elas estavam e...o encontrei vazio. Droga! O que está acontecendo? Elas estavam aqui. De repente ergui os olhos pronto para pedir um milhão de desculpas para Helena por estragar seu casamento, só parei quando vi um lindo sorriso em seus lábios e vi todos os convidados se virarem em direção a porta.

Minha mãe caminhava lentamente com Amanda nos braços. Linda, em uma réplica em miniatura no vestido da mãe. Minha anjinha sorria e quando chegou perto deu os braços para eu lhe dar colo. Eu fui para pegá-la, mas minha mãe não permitiu.

— Agora não Amanda. O papai tem que casar com a mamãe. Filho, olhe o pulso dela.

Eu fui olhar a delicada pulseira feita com uma fita de cetim ainda sem entender bem. Aí vi o par de alianças atado.

Eu as peguei, dei um beijo em minha menina e podemos seguir com a cerimônia. Terminamos a cerimônia e fomos para a recepção. Então eu pude fazer o discurso que sempre quis. Levei Amanda comigo para o palco.

— Conheci minha Helena há mais de 8 anos e ela tornou minha vida plena, perfeita. Tão perfeita que jamais vi possibilidade dela ficar ainda mais perfeita. Então, quando ela teve desperto o instinto maternal, não soube valorizar. Cheguei muito perto de jogar fora o amor, a minha família, a minha vida. Por isso eu devo a Helena muito mais do que todos aqui podem perceber. Foi ela quem me ensinou a realmente amar, a aceitar os sonhos dos outros. Foi ela que me conquistou, foi ela que lutou por Amanda e a trouxe ao mundo para encher nossa vida de alegria. Hoje me pergunto o que seria de nós, se não fosse por Amanda em casa. O natal que se aproxima será o mais especial de todos porque agora temos uma criança no lar, as férias serão planejadas pensando em Amanda, nossa vida gira entorno dela. Simplesmente porque é com a felicidade dela que ganhamos a nossa. Muito obrigado Helena, por me perdoar, por me amar e por me dar essa linda família.

Depois do coquetel deixamos Amanda com os avós e, mesmo com dor no coração, fomos para nossa segunda noite de núpcias. Alí nossa vida recomeçaria, desta vez sem traumas ou mentiras.

comentem viuuu

Notas finais
comentem seus danadinho heheheh