O nosso amor nunca acabara !! ReNa
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Notas iniciais
Não importa quanto tempo se passasse ou quantas vezes eu visse minha mulher, ela sempre surgia como um anjo. Há mais de 15 anos eu via seus olhos brilharem ao imaginar um novo espetáculo de dança e hoje estava prestes a iniciar outra apresentação. Eu já estava na plateia e nada de Helena aparecer. Onde estava? No instante em que a música de abertura começou ela apareceu ao meu lado.
— O que houve? Onde está nossa pequena?
— Calma, está lá atrás com a babá. Aqui ficaria muito inquieta.
— E como é ficar na plateia? – Eu sabia que ela estava emocionada.
— Hoje não sou eu quem deve brilhar. Não imagina o quanto ela está linda!
Os próximos 40 minutos foram de total deleite aos pais bobos. Eram por volta de 20 jovens bailarinas, todas entre os cinco e os dez anos, vestindo delicados e rendados vestidos brancos com detalhes em rosa claro. Obviamente meus olhos e de Helena se voltavam apenas à uma bailarina. Amanda estava graciosa segurando seu saiote e nervosa tentando manter a posição ensaiada com afinco. Não importava. Ela poderia cometer quantos erros fosse que nenhuma falha de coreografia seria capaz de apagar seu brilho. E eu fiquei ali, com os olhos cheios de lágrimas motivadas pelo orgulho. Minha filha brilhava no palco!
Na saída ela correu para meu colo.
— Eu estava bonita, papai?
— Bonita é pouco. Estava perfeita, igual a mamãe.
— Cadê ela?
— Lá fora esperando você.
— Já até sei de quem é a culpa dela não ter vindo aqui?
— A é? De quem?
— Da minha irmã hora? Aquela chorona!
— Não fala assim Amanda. Sua irmã já está grandinho e nem chora mais. – Ela me olhou com sorriso de quem vai aprontar algo e saiu correndo. – Cuidado, vai escorregar com essas sapatilhas.
Quando encontramos Helena ela estava sorrindo junto aos nossos familiares. Era fim de ano e todos já estavam aqui para comemorar o Natal conosco.Roberto, Cristina iriam embora dia 26. Rosanna e José viajariam no início do ano. Ali uma união havia surgido de uma grande amizade. Eu fiquei feliz, eles se complementavam e um proporcionava felicidade ao outro. É claro que além de Amanda outras crianças faziam a alegria de todos. Yasmin, filha de Rosa e Felipe era uma graça. Alicia tinha nos braços seu primeiro bebê com Thiago . Outra menina. Segundo Helena, daqui há alguns anos teriam uma companhia de dança completa.
Foi assim que ela deu a notícia que teríamos outra bailarina na família.
— Sabe...acho que vou ampliar o estúdio. A parte infantil principalmente. Só com as crianças da nossa família e dos amigos, temos um grupo de ballet formado.
— Não exagera amor. Nem tantas meninas.
— Mas logo teremos outra menina.
Quando ela disse isso meu coração parou e tudo o que pude dizer foi:
— Como pode eu te amar cada dia mais?
Isso foi há quase três anos e Sophia já tinha nosso coração. Hoje eu compreendia que o coração não se dividi. A cada filho ele cresce e abre espaço para dar e receber mais amor. Foi um parto mais tranquilo, mas que me deixou totalmente desesperado. Quando vi os lindos olhos claros de Sophia, quando ouvi seu choro forte e senti sua mão agarrar meu dedo, percebi que felicidade não tinha limite. E se Amanda era a copia de Helena , Sophia se parecia mais comigo. Tinha olhos negros e cabelos olhos mais escuros. Agora só faltava um menino para completar a família.
Agora mesmo, em meio a toda aquela confusão de pais na saída da apresentação, Sophia choramingava pelo meu colo. E ganhou, é claro. Quando eu aprenderia a dizer não para minhas filhas?
Fomos almoçar todos juntos em nossa casa. A confusão estava formada em meio a tantas crianças e prestando um pouco mais atenção percebi que Helena havia sumido. Subi ao nosso quarto e vi minha mãe com Helena.
— Algo errado?
— Não, apenas cansaço.
— Vou deixá-los descansar então.
— Obrigado Rosana.
Depois que minha mãe saiu eu sentei ao seu lado na cama.
— Vai me contar o que há?
— Não pode ser apenas cansaço? Vai ser sua mulher está ficando velha.
— Ontem à noite não me parecia cansada. – Ela corou. – Diz o que aconteceu. Esta o dia todo estranha. Sumiu pouco antes da apresentação de Amanda. Onde estava.
— Na rua, onde eu disse que estava.
— Amor, você não vai me convencer de que era por Sophia. Ela é uma menina tão quietinha. Já assisti apresentações com ela no colo antes. Acho que é por ser menina. Gosta de dança desde cedo.
— É, nessa família há uma predileção por meninas.
— Pode ser, mas eu ainda não desisti de um garoto.
— Não? – Os olhos dela brilharam. Vi Helena abrir a boca para falar, mas a porta se abriu e um furação chamado Amanda entreu.
— Já contou o segredo pra ele mamãe? Já? Já?
— Você não me deu tempo Amanda. – Helena sorria e minha filha corava idêntica a mãe.
— Vão dizer o que há ou não?
— Ai papai...ainda não notou? É o terceiro né? Podia saber já?
— Terceiro? – Elas queriam me enlouquecer.
— É Renê. – Helena pegou minhas mãos e colocou no ventre. – Talvez agora seja um garoto.
Eu só pude falar depois muitas lágrimas escorregaram de meus olhos.
— Ou uma terceira bailarina.
Amanda

Shopia

FIM
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