O namorado da minha melhor amiga!
24 Amigos são feitos de segredos.
Notas iniciais
Sentamos-nos em uma mesa para dois e o garoto pediu a mesma coisa que eu cappuccino completo, porém a calda de chocolate dobrada e chantilly.
–E então... –Dei um gole no meu café e o encarei iniciando uma conversa. – O que você sabe sobre mim.
–Bem, muitas coisas... Eu tenho uma dúvida. –Parecia pensativo mas em seguida sorriu. –Qual a sensação de ter um romance escondido em plena escola.
Engasguei-me rapidamente e comecei a tossi e o garoto deu um tapa forte em minhas costas.
Como diabos? De quem ele estava falando? Alexander ou George? Não podia perguntar, vai que ele estava apenas jogando verde, ou se não vai que eu pergunto “Alexander ou George?”, não, não podia perguntar isso.
–Do que você está falando? –Me recompus e ele revirou os olhos e sorriu.
–Você sabe muito bem... Laurence... Estou falando do professor de educação física que você pega.
Engoli seco e revirei os olhos... O que é que eu faço? O que é que eu faço?
–Você deve está me confundindo com alguém. –Que desculpa mais bosta, eu confesso!
–Você precisa aprender a mentir melhor.
Certo, já tentei a de “não sei de nada...” já tentei “Como assim, você está me confundindo!” mas já que nenhuma funcionou o jeito mesmo é a opção três: DESESPERO!
–SHIU! NÃO CONTA A NINGUÉM! –Fiz uma voz de sussurro, mas continuava a falar em voz alta.
–Não vou, a não ser que você me faça mal...
Meu coração estava disparado e minha garganta estava mais seca que o deserto do Saara, dei um gole em meu café, mas não mudou muita coisa.
–Vamos indo, no caminho conversamos. –Ele puxou um celular do bolso e parecia verificar algo. –O terceiro horário está prestes a começar.
Levantei-me e ele mesmo pagou nossa conta, aproveitei e peguei uma garrafa d’agua e enfiei na bolsa, já que ainda estava com meu café na mão.
–Ok, o que você quer de mim? Dinheiro? –Questionei ainda com a tensão em minha voz.
–Não! –O garoto sorriu e apoiou seu braço em meu ombro. –Só quero sua amizade...
Ok, o menino tem um segredo desse meu e a única coisa que ele quer é... MINHA AMIZADE!
Que porra é essa?
–Laurence... –Continuou. –Eu tenho lhe observado desde o oitavo ano e você parece ser muito divertida e eu sempre quis uma amiga, sempre quis alguém para conversar, porém ninguém nessa escola me interessou que nem você... E também, eu não aguento ficar mais sozinho na escola.
–Minha amizade? –Interpelei sem acreditar, olhei mais a frente e já estávamos na esquina da escola. –Você só quer minha amizade?
–Sim e não se preocupe, caso você não queira, não vou contar isso a ninguém, também tenho meus segredos.
Fiquei pensativa e calada por alguns minutos e pensei em algo que poderia manter nossa amizade.
–Você tem um segredo horroroso sobre mim, que poderia ferrar a minha vida em questão... –Estralei os dedos para dá ênfase. –De segundos, e amigos... Amigos precisam compartilhar segredos um com o outro é isso que os mantêm juntos.
O garoto soltou uma gargalhada e deu de ombros.
–Como posso confiar em você? –Questionou.
–Sério? Sério que você está me perguntando isso? Você tem um segredo meu que é capaz de ferrar tudo.
–Verdade... –Ele parecia inseguro, o que eu não esperava da parte dele, respirou fundo e começou a falar. –Eu... Eu perdi minha virgindade com meu primo.
WHAT THE FUCK? PRIMO? ACHO QUE ELE FICOU TÃO NERVOSO QUE CONFUNDIU PRIMO COM PRIMA!
–Prima... –Corrigi.
–Não... Eu sou gay... –Parei e o encarei... Bem que quando ele falou comigo eu desconfiei
Voltei a caminhar sem falar nada e parei na porta da escola.
–OH MY GOD! Meu primeiro amigo gay! –Sorri e o abracei forte.
O garoto retribuiu o abraço e me chamou de eufórica.
–Esse é o inicio de amizade mais louca que eu já vi em minha vida. –Sussurrou.
Soltei uma gargalhada e ele acompanhou, assim que chegamos próximos aos corredores lá estava o George falando com algumas alunas e Alexander sentado no banco sozinho... Os olhares dos dois chegaram até a mim e me encararam diferente.
“Eu não fiz nada!” Pensei.
–Bem, eu tenho aula agora. –Disse o garoto me dando um beijo na bochecha. -Não sei se irei, mas eu sei que você vai pra sua.
Afirmei e lhe dei outro beijo na bochecha.
–Seus segredos estão bem comigo! –Sussurrei.
–Digo o mesmo! –Nos abraçamos e ele saiu em direção ao corredor e se entrou ou não na sala, eu não sei, porque o olhar dos dois garotos o Loiro e o Moreno estavam me intimidando.
Caminhei desajeitada e passei pelo George e acenei.
–Bom dia, querido professor! –Uma ironia foi detectada.
–Bem professor... –Disse uma garota que me olhou de soslaio, e voltou a encarar o professor colocando seus cabelos pro lado e fixando seu olhar nele. –Depois resolvemos essa atividade.
Atividade? Revirei os olhos e cruzei os braços caminhando na direção do Alexander.
–Cadê a Susi? –Perguntei sentando ao seu lado e apoiando o cotovelo nas pernas.
–Menstruação... –Sussurrou indiferente. –Cólica...
Susi em seu período menstrual é algo bem louco, ela fica irritada com tudo ou ri com tudo, fica trancada em seu quarto comendo chocolate e assistindo filmes, aprece até que está na deprê.
–Quem era aquele? –Perguntou e me olhou de soslaio.
Eu fiquei sem entender e depois me toquei de quem ele estava falando era o Gavril.
–Meu amigo. –Sorri ao lembrar-se da nossa situação. –O Gavril.
–Amigo? Nunca o vi com você. –Murmurou indiferente.
–Tenho muitos amigos que você nunca viu comigo. –O fitei e sorri.
O garoto suspirou e se levantou e antes de ir embora me olhou e fez um não com a cabeça.
–Disfarçava pelo menos não? –Percebi irritação em sua voz e fiquei sem entender. –Penteava pelo menos o cabelo!
Eu fiquei com uma cara “Oque diabos você quer dizer com isso?” cocei a cabeça e depois perguntaria a ele o porquê disso tudo.
Me deitei no banco e pensei em gazear, porém como o dia está contra mim, George parou em minha frente e me encarou feio.
–Pra sala, senhorita Laurence. –Ordenou e em seguida me sentei e comecei a rir.
–Aprendeu essa autoridade com quem, com sua mãe? –Continuei a rir, mas ele me continuava severo.
Deus, o que diabos deu nesses garotos?
–Desrespeito, senhorita Laurence, você quer uma advertência?
CERTO! ALGUÉM APONTA MEU ERRO, PORQUE AINDA NÃO SEI O QUE FIZ DE ERRADO!
Pensamento: Okay, dessa vez quem está me confundindo são eles!
–Seria muito bom! –Falei desafiante. –Por que não anota a porra do meu nome em um papel e entrega a diretora?
Já estava na hora... O que deu neles hoje?
Existe agora o #TodosContraLaurence
Pensamento: #TodosPeguetesDeLaurenceContraLaurence, apnas corrigindo hihi!
–Se é oque você quer, pode deixar que você será chamar por essas suas atitudes.
–Vai pro inferno. –Murmurei e caminhei em direção a sala.
Sentei em meu devido lugar sem se quer pedir autorização ao professor para entrar.
–Só dessa vez, por causa da sua tpm! –Falou o professor e escutei alguns risinhos pela sala.
Cambada de filho da puta! Abaixei a cabeça e aproveitei o intervalo e o resto dos horários para dormir, ainda bem que ninguém me perturbou.
Quando o sinal tocou, na hora de ir, automaticamente acordei, peguei minhas coisas e saí da sala, porém antes me bati com o biel, que me passou seu número e eu prometi que depois mandaria uma mensagem.
Para minha sorte: NINGUÉM ROUBOU MINHA BICICLETA!
Montei nela e fui direto para casa.
Minha mãe estava em casa, sentada no sofá assistindo... Isso é raro...
Passei direto e fui para cozinha, e como ela sempre faz: Macarronada!
–Tudo bem? –Perguntou e eu apenas balancei a cabeça afirmando.
Peguei meu celular do bolso já que apitava e vi uma mensagem do Pedro “Passo ai às oito horas!”. Porra, a festa, como pedir a minha mãe?
–Mãe... –Parei de comer e me aproximei sorrindo. –Hoje tem uma reunião de amigos às oito horas, posso ir?
–Reunião? Sei... –Ela não desgrudou os olhos da televisão e me respondeu com um tom do tipo “Me engana que gosto!”
–Prometo voltar cedo! –Estava quase de joelhos implorando.
–Certo, você tem até a meia noite!
Estava óbvio para a população MUNDIA, QUE LAURENCE ESTARIA INCAPACITADA DE CHEGAR MEIA-NOITE! Mas eu já estou inventando uma desculpa!
–Te amo! –Sorri e voltei a comer e respondi a mensagem do Pedro.
“Chame-me de Cinderella, tenho que chegar em casa meia-noite!”
“Ops... Acho que essa cinderela vai ter que mudar a história!” –P
“Vamos tentar!”
Antes que ele respondesse comecei a bocejar, estava morrendo de sono.
“Vou descansar! Mais tarde eu acordo e nos falamos!”
“Certo, beijo!”
Fui para o quarto e me joguei na cama, estava morrendo de sono, maldita/divertida/inesquecível tarde com George.
Preguei os olhos e o sono veio em questão de segundos.
Acordei desnorteada por volta das sete horas, tentei me situar onde eu estava e percebi que tinha babado.
–Mãe? –Chamei e depois me levantei quase levando uma queda e percebi que essa hora minha mãe não estava em casa e sim trabalhando.
Peguei meu celular novamente e verifiquei as mensagens.
“Pode me explicar seu cabelo bagunçado e aquele chamego com um rapaz ai?!” –G.
Agora entendi, eles pensaram que... Meu Deus, não acredito que pensaram nisso!
Minha vontade foi de mandar os dois irem para merda, mas preferi deixar para lá.
“Não durma demais!” –P.
Sorri com sua “advertência” e fui ao banheiro, tomei um banho de quarenta e cinco minutos no mínimo.
Enrolei meu cabelo na toalha e fui atrás de uma roupa decente.
Meus olhos bateram logo de cara com um vestido cor bege, cintura média preso por um cinto dourado, era confortável e ao mesmo tempo sexy.
Sem pensar duas vezes o joguei na cama, peguei uma sapatilha preta com algumas lantejoulas da mesma cor — Não estava afim de usar salto.
Sequei meus cabelos na base do secador, passei um lápis, delineador e um batom vermelho, que fazia meus lábios parecerem ser maiores.
Calcei minha sapatilha e enquanto checava minha bolsa colocando um pouco de dinheiro... Vai que... E coloquei meu celular que estava apenas com quarenta por cento de bateria... É HOJE QUE DONA JUDITH ENLOUQUECE!
Escutei a campainha tocar e eu sabia que era o Pedro, peguei minha chave coloquei na bolsa e sair.
–Tudo pronto? –Perguntou enlaçando seu braço no meu.
–Sim! –Assenti sorrindo.
–Porra Laurence, como eu vou consegui não me concentrar nesses lábios.
Sorri e para provocar mordisquei seu lábio seguido de um selinho e o encarei maliciosa.
– Vai valer a pena não borrar ele agora!
Ele assentiu e me levou até o seu carro.
E hoje seria uma festa... Sem Susi. Sem Alexander. Sem George. Apenas Pedro, pessoas desconhecidas e eu... Sorri e sabia que eu iria sair de lá no pior estado possível, mas a diversão iria valer a pena!
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