Notas iniciais
— Me conta tudo... — Ryan entrou em meu quarto, deitando em minha cama. — Estou morto por causa da balada de ontem, mas acho que consigo ouvir as novidades. — deitei-me em seu colo e ele começou a fazer carinho em meus cabelos.
— Hum, a Paloma tá saindo com um filhinho de papai arrogante... — suspirei, irritada ao lembrar-me dele. — E, eu sei que não devia, mas desabafei tudo que tive vontade de dizer para Felipe para esse garoto na casa de meus pais. Disse que ele era um aproveitador nojento. — Ryan riu, e eu o acompanhei.
— Ah meu Deus, por acaso você não está falando de Daniel Evans, está? — Ryan me perguntou, incrédulo.
— É, acho que era esse seu nome... como você o conhece?
— Você tá brincando?! O pai dele é um dos executivos mais influentes por aqui, ele vai entrar na política e tudo o mais... — respondeu-me — Além disso, eu já o vi algumas vezes no Mr. McClaire. Sempre com uma garota nova.
— Sério? Nossa, eu não fazia ideia... — murmurei, absorta em pensamentos. Então ele era mesmo um filhinho de papai.
— Mas eu acho que ele não se dá bem com a família. Pelo menos é o que todos dizem... Ou melhor, pelo menos é o que o dono do Mr. McClaire me disse. — eu estava quase dormindo com aquele carinho em meus cabelos, então, levantei-me de seu colo e sentei na cadeira ao lado. — O que aconteceu?
— Sabe como me dá sono quando alguém mexe em meu cabelo — dei um riso fraco. — Enfim, agora me diz você, como foi a balada?
— Bem, você estava certa, no final das contas — Ryan sorriu. — O barman era um cara muito interessante... trocamos celulares e email.
— Sério?! Estou muito feliz por você!
— Calma aí apressadinha... — Ryan riu. — Ele não sabe da minha opção sexual. Eu acho que ele é gay, mas... só o conhecendo melhor para ter certeza.
— Me conta sobre ele! — exclamei, sorrindo.
— O nome dele é Tyler Sugg... ele tem 25 anos e nasceu em São Francisco. Mudou para o Texas há três meses e trabalha como barman na boate desde então. Ele é, tipo, uns cinco centímetros menor do que eu. Cabelo azul...
— Azul? — me assustei.
— É, ele pinta. Ele é loiro mas descolore. Parece que já pintou de roxo, de verde piscina...
— Ah meu Deus! — ri. — Ele parece ser muito legal.
— E é! Eu falei pra ele sobre nossa banda e ele ficou realmente animado. Disse que talvez consiga tocar alguns covers nossos lá na balada.
— Se isso ficar sério, eu quero conhecê-lo! Precisa de minha aprovação.
— Tudo bem, mamãe! — mostrou a língua pra mim, rindo.
~x~
— Vocês não sabem o que aconteceu! — Tom disse, entrando na sala e parando o filme que estávamos assistindo na metade.
— HEY! — reclamei. — Eu quero saber o que acontece com a Katniss depois da explosão da barreira.
— Ela desmaia e o distrito 13 busca ela, e o Peeta é sequestrado pela Capital... — Tom disse, dando de ombros.
— O Peeta é sequestrado pela Capital? — disse, incrédula. — E o distrito 13 não foi destruído...?
— Okay, estamos fugindo do assunto principal — Tom me interrompeu. — Sabe aquele CD demo que fizemos e entregamos pro Roger?
— Quem é Roger?
— O dono do Mr. McClaire — Ryan me respondeu. — Sim, Tom, o que tem a demo?
— Então, ele estava tocando o CD um dia desses no bar, e disse que todo mundo pediu para a banda se apresentar ao vivo!
— Nossa, isso é demais! — Felipe disse.
— É sim — concordei. — Mas aquele CD demo não tem minha participação. Vocês gravaram quando eu ainda estava viajando... vocês acham que ele vai me deixar tocar com vocês?
— Mas é claro! Você é a vocalista. Ele é nosso amigo. — Tom sorriu encorajadamente.
— E quando vai ser? — virei-me para Tom, excitada.
— Segunda. Ele disse que, se os clientes gostarem mesmo, ele pode nos contratar para fazer shows no final de semana, quando o bar fica cheio — Tom disse.
— Então a gente tem que preparar músicas novas! — exclamei, pulando do sofá. — E covers. Precisamos ensaiar, precisamos...
— Tudo bem, Sam, se acalma — Ryan riu, sendo acompanhado pelos meninos.
— Tá bom! Mas eu preciso começar a compor agora! — disse, subindo as escadas para o meu quarto.
Meia hora depois, ouvi uma leve batida na minha porta. Só podia ser o Ryan...
— Pode entrar — gritei, ainda tentando achar uma palavra que rimasse com ‘arte’, sem sucesso.
— Sou eu — me assustei ao ver Tom parado na frente da porta.
— Hum... o que está fazendo aqui? — indagei, incomodada. Não queria estar sozinha com Tom.
— Estava pensando em te ajudar com as músicas — ele deu de ombros, sentando-se ao meu lado na cama.
— Tudo bem, mas compor nunca foi o seu forte — disse eu.
— Sei disso, mas estou querendo fazer parte das composições dessa vez. Quero ver se consigo alguma obra prima — riu-se ele, pegando meu caderno e lendo as letras.
— “You’re a work of art… I wanted you bad from the start.” — Tom completou. Fiquei perplexa.
— E você dizendo que não sabe compor... — murmurei, rindo. — Eu nunca teria pensado nessa palavra pra rimar com ‘arte’.
— Ás vezes você só precisa de um novo começo — ele sorriu pra mim, dessa vez era um sorriso verdadeiro, pude sentir seu rosto todo se iluminar.
— Você está certo. — correspondi seu sorriso, e então ele se inclinou para meus lábios. Meu coração já estava batendo descompassado antes mesmo do nosso tão esperado beijo.
— Eu senti tanto a sua falta — ele sussurrou perto de meus lábios, antes de me beijar apaixonadamente. No mesmo instante, flashbacks de cinco anos atrás voaram pela minha mente, e senti vontade de chorar. Empurrei-o gentilmente, segurando as lágrimas em meus olhos e sentindo o nó subir por minha garganta. — Sam, não, por favor eu... você sabe o quanto nós nos amamos. Isso não pode acabar.
— Me perdoe Tom, mas eu não consigo, eu não posso, eu... — as primeiras lágrimas teimaram em sair, então não consegui segurar mais. Desabei na cama, chorando contra meu travesseiro.
— Sam, por favor, me diz de uma vez por todas por que você terminou comigo. Por que a gente não pode recomeçar? — Tom me perguntou. Eu não conseguia olhá-lo nos olhos.
— Eu não posso! Nunca poderei te dizer! — abafei meus gritos com o travesseiro, mas, ainda assim, Tom ouviu.
— Por que? Por que você acha que não sou forte o bastante pra ouvir a verdade? — gritou ele em resposta. — Eu passei cinco anos longe do amor da minha vida, sem saber seu paradeiro, sem saber se eu voltaria a vê-la... fui forte por cinco anos.
—Não sou o amor de sua vida! — exclamei, me sentindo mal. Muito mal. Levantei meu olhar pra ele e senti tudo girando á minha volta. — Você merece muito mais do que uma garota tão quebrada como eu — murmurei, levantando-me da cama e caminhando até o banheiro do meu quarto. Eu iria vomitar. Ajoelhei-me na frente do vaso sanitário e, um segundo depois, senti o gosto azedo de bile subir á minha garganta, e vomitei. Tom correu em meu auxílio, ajoelhando-se ao meu lado e fazendo carinho em minhas costas. Quando todas as substâncias possíveis se esvairam de meu corpo, me levantei, com a perna trêmula, e parei diante da pia, sem me olhar no espelho. Escovei os dentes e virei-me para encarar Tom, que mantinha uma expressão preocupada no rosto.
— Me desculpe, Sam. — ele murmurou, me pegando no colo.
— O que...? — disse, sem entender.
— Você está fraca, acaba de vomitar tudo que tinha no corpo. — disse ele, depositando-me em minha cama, e me dando um beijo na testa. — Faremos o seguinte: Vou te preparar uma sopa, trago pra cá, a gente janta e termina de compor as músicas juntos, beleza?
— Tudo bem... — respondi.
~x~
— Acabamos de compor três músicas novas! — Tom exclamou, sorrindo.
— Vocês dois, tipo... juntos? — Felipe perguntou, boquiaberto. — Mas o Tom não sabe compor!
— Claro que sabe! — respondi, dando um soquinho de leve no braço de Tom — Ele mentiu pra gente por todo esse tempo. As músicas que fizemos juntas ficaram incríveis!
— Então queremos ouvir — Ryan disse, encorajando-nos. Seu celular fez um “bip” avisando mensagem e ele abriu, rindo logo em seguida. — Hum, gente, esse amigo meu, Tyler... ele vai passar por aqui hoje, tudo bem?
— Quem é esse? — Felipe perguntou.
— Ah, eu o conheci na balada ontem á noite. Ele é barman. — Ryan deu de ombros.
— Óbvio que ele pode vir, vou adorar conhecê-lo — sorri para Ryan, piscando em seguida.
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