Notas iniciais
Boa leitura :)

(31/12/2013)

Eu estava petrificada na frente da casa de banda havia dez minutos. De repente, todas as memórias reprimidas do meu passado voltaram como um furacão e eu tive medo. Medo do que aconteceria quando visse Tom pela primeira vez depois de todos esses anos. Medo do que poderia sentir ao encontrá-lo. Por que achei que tivesse superado, mas não. Não se pode superar uma coisa dessas. Todos esses anos de estrada me fizeram andar em círculos e me trouxeram novamente ao início. Pela primeira vez tive medo do futuro. Suspirei, tocando a campainha.

— Samantha Jones! — ouvi Ryan gritar e, um segundo depois, a porta se abriu, revelando um Ryan completamente diferente de cinco anos atrás. Mas não tive tempo de dizer nada por que Ryan logo me pegou no colo e entrou na casa.

— Me solta, seu idiota! — gritei, rindo e dando um soco em seu braço, então ele me jogou no sofá da sala.

— Mal agradecida — me mostrou a língua, rindo.

— Dude, acho que alguma coisa está queimando na cozi... — Tom descia as escadas do segundo andar quando pousou o olhar em mim, congelando — S-Samantha!

— Oi Thomas. — murmurei, olhando para as minhas unhas. Eu estava tão sem fala quanto ele. Eu amava aquele garoto, e saber que não íamos ter a mesma amizade de antes me matava.

— Hum... — Ryan murmurou, incomodado. — eu vou dar uma olhada no que está queimando na cozinha. — disse, nos deixando á sós no cômodo. Tom desceu as escadas.

— Essa viagem fez bem para você, não?! — disse ele, de modo irônico, me olhando de cima á baixo. Não pude culpá-lo por isso.

—Sim, me fez bem — concordei, olhando-o mais atentamente. Seus músculos agora eram aparentes, mas seu sorriso era falso, assim como seus olhos, sem brilho. Ele não estava bem e talvez a culpa fosse toda e inteiramente minha.

— Adivinhem — Felipe entrou na sala, mas eu não consegui desviar meus olhos de Tom. — Queimamos toda a ceia, então vamos pedir pizza.

— Eu, hum... vou dar uma saída. — Tom sussurrou, abrindo a porta da sala e me deixando sozinha com um Felipe atônito.

— O que aconteceu? — Felipe perguntou, virando-se para mim.

— Eu aconteci — murmurei, de cabeça baixa.

xxx

Já se passava das dez horas e Tom ainda estava fora, o que me deixou realmente preocupada. Ele foi embora por minha culpa, então eu deveria me afastar dos garotos.

— Eu acho que vou procurar por Tom. — disse eu, listando mentalmente os lugares em que ele poderia estar. Ryan virou-se para mim.

— Tem certeza? — disse, olhando para mim com preocupação.

— Sim. A culpa foi minha, de qualquer maneira — suspirei. — Vou me afastar da banda.

— Você não pode fazer isso! — Ryan protestou. — É a vocalista!

— Além do mais, Tom tem que esquecer e seguir em frente. Fazem o quê, cinco anos? — Felipe disse. Troquei olhares de compreensão com Ryan, suspirando. Felipe não podia entender.

— Tudo bem, mas eu preciso encontrá-lo — respondi, pegando a chave do meu carro.

XxxxX

Estacionei o carro na frente do prédio de Tom, procurando por suas chaves na minha bolsa. Quando éramos namorados, ele me deu a cópia da chave do prédio, a qual eu ainda guardava. Tranquei o carro e caminhei a passos largos até o edifício. Qual era mesmo o andar dele? Abri o portão e andei pelo hall de entrada até os elevadores. Aquele era mesmo o prédio mais bonito — e caro — de toda a cidade, mas nunca estranhei pois aquele apartamento pertencia aos pais de Tom antigamente. Estalava os dedos e rezava para que ele estivesse lá e não em um bar qualquer se embebedando, enquanto o elevador subia lentamente até meu destino. Quando a porta do elevador abriu no décimo primeiro andar, corri para o apartamento 112B, procurando pela chave certa no chaveiro, quando a porta se abriu.

— Graças a Deus — murmurei, abraçando-o forte.

— Hum... o que faz aqui? — Tom se desvencilhou do meu abraço, me olhando com uma careta.

— Eu estava preocupada com você — respondi, olhando para o chão.

— Hum... okay. — disse ele. —Você quer entrar? — assenti e ele me deu espaço para entrar em sua sala de estar. Engoli em seco, escolhendo palavras.

— Tom, eu sei... — gaguejei, segurando o choro em minha garganta. — Eu sei que nosso término não foi legal, sei que você sofreu e ainda sofre por conta dele, e estou ciente também que devo te dar uma explicação. Eu só peço para que não envolva a banda. Você não sabe o quanto senti sua falta e a falta dos meninos nesses anos, e não sei se vou conseguir ficar sem vocês...

— Você se lembra do nosso primeiro beijo? — perguntou ele, olhando para mim. Fiz uma careta. Como poderia esquecer?

Flashback: (20/02/2005)

— Eu aposto que você não consegue tocar essa música inteira no meu teclado — desafiei Tom, dando um sorriso malicioso. Ouvíamos toda a discografia do Blink-182 — minha banda preferida na época —, no quintal de minha casa.

— Vamos deixar a aposta mais interessante então — disse ele, sorrindo. — Se eu conseguir tocar, quero um beijo seu.

— Fechado! — exclamei, sem pensar duas vezes. É claro que eu não podia imaginar que um garotinho de quatorze anos soubesse tocar piano. E então ele começou a cantar.

“Hello there.

The angel from my nightmare.

The shadow in the background of the morgue…”

Quando ele chegou no refrão, eu já estava pra lá de surpresa, e até encantada.

“Don’t waste your time on me.

You’re already the voice inside my head.

(I miss you, miss you…)”

— Quero meu beijo — murmurou ele ao acabar a música.

— Não valeu! — gritei, indignada. — Você deve ter ensaiado essa música.

— É claro que não — respondeu ele. — Só ensaiamos aquelas músicas suas hoje. Eu tenho um dom, Sam.

— Ah, mas eu não vou te beijar — ri, ficando subitamente nervosa. Eu nunca tinha beijado ninguém na vida, e com certeza não queria beijar meu companheiro de banda.

— Você tem que me beijar! Fizemos uma aposta e eu ganhei. Esse era o trato.

— Eu já disse que não vou te beijar! — exclamei, sentindo minha mão soar. — Eu nem sei por que você quer tanto me beijar.

— Tudo bem — disse ele, levantando a mão em sinal de rendição. — De qualquer maneira, já está ficando tarde e minha avó deve estar preocupada, preciso ir. — levantou-se e caminhou lentamente pelo jardim, comigo á seu lado.

— Bem, até amanhã. — murmurei, mas tudo que obtive de resposta foi um puxão pela cintura, e seus lábios colados nos meus. Não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo. Instintivamente, minhas mãos rumaram para sua nuca. Meu coração batia forte contra as costelas, minhas pernas estavam bambas como gelatina, e senti algo estranho quando sua língua encontrou meus lábios, pedindo por passagem. Ele não deveria saber que eu era nova nisso?

— Eu queria te beijar por que estou apaixonado por você. — sussurrou ele, colando nossas testas e olhando em meus olhos com afeição.

— Isso explica muita coisa. — ri, corando e escondendo meu rosto em seu ombro. Ele me puxou para mais perto e ficamos assim, abraçados, pelo que pareceram horas á fio.

Fim do flashback.

— Naquele dia nós prometemos ser sinceros um com o outro, mas não vi sinceridade em suas palavras da última vez que nos vimos. Eu não sei o que aconteceu ou por que você terminou comigo mas eu me importava com você. Eu te amava. — disse ele. — Ainda te amo. — eram essas as palavras que eu temia ouvir.

— Eu sei — sussurrei, olhando para ele. Ponderei contar a verdade para Tom, mas isso só iria trazer más lembranças, então deixei para lá. — Eu me importo muito com você Tom. De verdade. Mas eu não vou voltar com você. Nunca mais.

— Mas por que não? — grunhiu ele.

— Por que é doloroso demais — sussurrei, mais para mim mesma do que para ele. — Agora, por favor, será que nós podemos ir para a casa da banda para passarmos a virada do ano com quem realmente importa? — pedi, sorrindo para ele.

Notas finais
Reviews? Estou sentindo falta de alguns reviews de algumas de minhas leitoras que sempre comentam. Aonde estão vocês?