Notas iniciais
Boa leitura :)

Segunda-feira. Primeiro dia de aula na faculdade, e o primeiro dia que me apresentaria com a banda depois de voltar da viagem, estava muito ansiosa. Ryan e Tyler — Tyler praticamente morava na casa da banda agora, mas eles ainda não estavam namorando de verdade, — me deixaram no estacionamento e me deram um beijo na bochecha.

— Divirta-se no seu primeiro dia — Tyler sorriu.

— Obrigada garotos. — murmurei, e caminhei até a secretaria para pegar a grade de aulas e saber exatamente em qual prédio eram minhas classes. Faziam cinco anos que saíra daquele colégio, e o único lugar do qual me lembrava era meu bom e velho terraço. Terraço o qual eu passara a última noite antes de ir embora daquela cidade. O terraço que me fazia esquecer de tudo. Olhei no mapa e caminhei até o prédio que indicara ser a classe de Engenharia, e me escorei na parede, pegando meu celular e plugando meus fones de ouvido. Mas antes que conseguisse ouvir alguma música, ouvi Daniel gritando meu nome, e o focalizei, com um sorriso no rosto. Ah, não.

— O que foi, Evans? Já não basta ter me esgotado a paciência sexta á noite? — bufei, revirando os olhos.

— Olha, Samantha, eu não sei bem o porque de você ter me tratado daquela maneira sexta mas eu te perdoo. — soltei um riso anasalado. Como ele podia ser tão cara de pau?! — Você nem ao menos me conhece, e eu não sou nada daquilo que você disse.

— Tudo bem, tanto faz — murmurei, acenando com a mão para encerrarmos o assunto em questão, e desencostei-me da parede, pegando minha mochila e caminhando até a porta de entrada do prédio, mas antes que conseguisse chegar até a porta, Daniel segurou meu braço, me fazendo olhá-lo nos olhos.

— Não! Cacete Samantha, eu estou tentando ser legal aqui e você me trata dessa maneira. E porque tem tanta certeza de que eu sou assim? — gritou. Novamente, me assustei com o fato de conseguir tirá-lo do sério com somente uma frase.

— Por que eu já tive experiências com garotos da sua laia — disse, focalizando um ponto qualquer, e me desvencilhei de Daniel com um puxão.

— Eu já disse que não sou assim, garota. — murmurou ele, e eu sorri.

— Então prova — provoquei, e caminhei para a porta do prédio.

~x~

Á tarde, Felipe fora me buscar no colégio para me levar até a casa da banda. Não conversamos muito, aliás não trocamos nem mesmo uma palavra, pois ainda estava muito irritada com nossa discussão de sábado, e mais ainda com o fato de ele estar tratando Tyler de maneira rude.

— Então... hoje é um dia especial, hein? A primeira vez que cantaremos como uma banda desde a volta de Samantha — Ryan sorriu, abraçando-me. — O que acham de cantarmos alguma música das nossas primeiras composições?

— Não sei não... — murmurei. Aquelas músicas eram muito pessoais para mim, pois fora na época em que estava namorando Tom, e não queria ter de reviver aqueles sentimentos. — Acho melhor cantarmos aquela que compus com Tom e depois o cover de “Madness” e “Best of you”.

— Pode ser — Ryan percebeu o que havia acabado de sugerir, e sussurrou um pedido de desculpas em meu ouvido.

— Tudo bem — Felipe disse — Então vamos ensaiar novamente essa sua música, pois quero arrumar algumas coisas no arranjo da bateria.

~x~

— Estou nervosa — murmurei, passando os olhos pelas mesas. Haviam, no mínimo, duzentas pessoas ali. Aquele pub era muito, muito movimentado.

— Não esquenta — Tyler murmurou, abrindo um sorriso encorajador — Você vai se sair bem. É uma das poucas cantoras da atualidade que canta bem sem ter de usar auto tune na voz. — riu-se ele, e eu sorri.

— Obrigada. — Tyler agora ficava nos bastidores conosco, pois Ryan havia alegado a Roger que ele era seu “amigo”. — De qualquer maneira, esse é o maior público com o qual tive de lidar até hoje. Em Minnesota, eram somente a família da minha amiga e mais umas cinquenta pessoas. Nada tão grande, não em um lugar tão grande como esse.

— Sam, quando assinarmos contrato com uma gravadora, faremos shows em arenas com mais de mil pessoas. — Ryan disse. — Isso não é nada.

— Eu sei, eu sei — sussurrei, tentando me acalmar.

~x~

Decidimos começar com os covers de “Madness”, do Muse e “Best of You”, do Foo Fighters, e terminar com nossa música original. Quando entrei no “palco”, as palavras me fugiram. Entrei em pânico por alguns segundos, varrendo o estabelecimento com os olhos novamente. Muitas pessoas.

— Sam — Ryan sussurrou, e segurou em minha mão, sorrindo. — Você consegue. — respirei fundo, e com a voz trêmula, nos apresentei:

— Meu nome é Samantha, este é Ryan no baixo, Tom na guitarra e vocal, e Felipe na bateria, e somos o “Switched My Medicine” — dei um meio sorriso, e comecei a cantar.

“I've got another confession to make

(Eu tenho outra confissão a fazer)


I'm your fool

(Eu sou um tolo por você)
Everyone's got their chains to break

(Todos têm suas correntes para quebrar)
Holding you

(Que te seguram)
Were you born to resist

(Você nasceu para resistir)
Or be abused?
(Ou para ser abusado?)”

Percebi que haviamos feito a escolha certa ao escolher aquela música para fazer o cover. Todos a conheciam, e estavam prestando atenção em nossa apresentação. Pude perceber até algumas pessoas sorrindo e apontando para mim. Isso era bom, certo? Quero dizer, estávamos cantando a música de um cara super foda do ramo musical, um ídolo para a banda — Dave Grohl, e parecia que todos estavam curtindo.

“Is someone getting the best,

(Alguém está tirando o melhor)
The best, the best, the best of you?

(O melhor, o melhor, o melhor de você?)
Is someone getting the best,

(Alguém está tirando o melhor)
The best, the best, the best of you?

(O melhor, o melhor, o melhor de você?)”

Apesar de tudo, aquela música tinha um significado enorme para mim. Por muitos anos, tiraram o melhor de mim. Minha mãe, meu pai, o colégio… e sei que aquela música significava muito para outras pessoas naquele mesmo estabelecimento.

“I needed somewhere to hang my head

(Eu precisava de algum lugar para me enforcar)
Without your noose

(Sem seu laço)
You gave me something that I didn't have

(Você me deu algo que eu não tinha)
But had no use

(Mas não tinha uso)
I was too weak to give in

(Eu era muito fraco para desistir)
Too strong to lose

(Muito forte para perder)
My heart is under arrest again

(Meu coração está preso novamente)
But I break loose

(Mas eu me liberto)
My head is giving me life or death

(Minha cabeça está me dando vida ou morte)
But I can't choose

(Mas não consigo escolher)
I swear I'll never give in

(Eu juro que nunca vou desistir)
I refuse

(Me recuso)”

Talvez todos estavam espantados por uma garota cantar uma música composta e cantada por um homem. Mas eu não me importei, de verdade. Aquilo era energizante, para dizer o mínimo. Mas a parte mais importante daquela música para mim estava chegando, e talvez eu não conseguisse cantar. Talvez não, eu não conseguiria. Por isso, toquei no ombro do Tom, e ele continuou. Tentei ao máximo não deixar as lágrimas escaparem de meus olhos, e Ryan percebeu o quanto estava transtornada quando Tom começou a cantar e eu tive de parar de tocar a guitarra e sair do palco.

“Has someone taken your faith?

(Alguém tirou sua fé?)
It's real, the pain you feel?

(É real a dor que você sente?)
The life, the love you'd die to heal

(A vida, o amor que você morreria para curar)
The hope that starts

(A esperança)
The broken hearts

(Os corações partidos)
Your trust

(Sua confiança)
You must confess

(Você deve confessar)”

A música estava acabando, e sabia que os garotos pediriam desculpas e sairiam do palco assim que ela acabasse para saber o que acontecera. Sabia que Tom, mais do que ninguém, gostaria de saber. Então tive de me recompor, e voltar para cantar a última parte com a banda. Não deixaria aquilo acabar com minha noite, não mesmo.

“I've got another confession, my friend

(Eu tenho outra confissão, meu amigo)
I'm no fool

(Não sou nenhum tolo)
I'm getting tired of starting again
(Estou começando a ficar cansado de começar novamente)

Somewhere new

(Em um lugar novo)
Were you born to resist or be abused?

(Você nasceu para resistir ou ser abusado?)
I swear I'll never give in

(Eu juro que nunca vou desistir)
I refuse
(Eu me recuso).”

Não deixei os rapazes falarem nada, e engatei o solo de guitarra de nossa música, antes que eles parassem a apresentação.

“You’ve switched, switched, switched my medicine

(Você trocou, trocou, trocou meus remédios)

I’m not like this

(Eu não sou assim)

But since you’ve switched my medicine

(Mas desde que você trocou meus remédios)

Our memories have returned

(Nossas memórias retornaram)

Why you did this?

(Por que você fez isso?)

I’ve told you a thousand times

(Eu te disse mil vezes)

I’m willing to take the risk?

(Estou disposta a correr o risco?)

I can’t think straight

(Não consigo pensar direito)

When you place your hands on my waist

(Quando você coloca suas mãos em minha cintura)”

Eu disse que não posso colocar sentimentos em minha música, certo? Mas acho que toda letra de música tem um significado, mesmo que você não saiba na hora que a compõe. Como tinha composto essa música com Tom, no quarto, logo depois de nosso beijo, é claro que aquela música era sobre isso. E ele sabia.

“You told me: You’re a work of art

(Você me disse: você é uma obra de arte)

I wanted you bad from the start.

(Eu te quis muito desde o começo)

But love is not that easy

(Mas o amor não é assim tão fácil)

We have our problems

(Nós temos nossos problemas)

And you know

(E você sabe)

We can’t solve them

(Que não podemos resolve-los)

But when we kiss,

(Mas quando nos beijamos)

Oh, when we kiss

(Oh, quando nos beijamos)

I forget about all this

(Eu esqueço sobre tudo isso)

Because you’ve switched my medicine

(Por que você trocou meus remédios).”

Não sabia o que esperar do público do pub. Com certeza, aquela música era muito diferente de tudo que já tinham ouvido. Claro, tinha uma pegada de rock e o riff de guitarra era demais, mas… não sei, talvez não era o tipo de rock que eles ouviam normalmente. Saímos do palco, e, como se como eu tivesse previsto, Tom veio falar comigo.

— Sam — suspirei, preparada para as perguntas. — Por que parou de cantar aquela, justo aquela parte da música? — virei-me para ele, engolindo em seco.


— Porque eu lembrei da gente. Mais precisamente, eu lembrei de você — murmurei, o nó na garganta. — Eu me senti mal por… você sabe.

— Por você saber que eu ainda te amo? — concordei com a cabeça. — E aquelas músicas que fizemos, o que significa? O que significou para você, exatamente?

— Olha, eu... — olhei para frente de repente, e suspirei de alívio. Daniel estava vindo em nossa direção. Não que eu gostaria que fosse ele, mas queria fugir daquela conversa. Não gostaria de conversar sobre meus sentimentos por Tom naquele lugar.

— Oi — murmurou ele, e Tom enrijeceu no lugar, desconfortável. Não entendi o motivo de ele agir daquela maneira, mas aquilo o fez se afastar, o que foi bom.

— Daniel, o que... o que está fazendo aqui?

— Venho aqui de vez em quando para... — ele hesitou, nervoso. Olhou para o chão. — Para ouvir as novas bandas — estreitei os olhos. Pelo quanto ele demorou para responder, eu sabia muito bem a razão de sua vinda ao pub. Garotas.

— Hum...

— Eu não sabia que você tinha uma banda! — exclamou ele, mudando rapidamente de assunto. Garoto esperto.

— É... bem... eu tinha uma banda quando morava aqui, há uns quatro anos atrás mas aí eu me mudei e a gente se separou. Agora fizemos uma pequena reunião. — respondi, pegando um martíni da bandeja que o garçom entregava. Uma das vantagens de ser maior de idade, apesar de ter visto Daniel com uma lata de cerveja. Acho que o dono do pub e ele eram muito próximos mesmo.

— Hum... eu estou aqui com um amigo. Não quer se sentar na nossa mesa? Cabe mais uma — brincou ele.

Notas finais
Heyooooooo!!!! Capítulo 7 chegou mais cedo. Já é natal? HAHAHA Seguinte galera: postei esse capítulo hoje pois talvez não esteja em casa na sexta á noite. Mas, caso eu esteja em casa, postarei mais um capítulo saído do forno pra vocês. Espero que tenham gostado desse capítulo, eu adorei escrevê-lo. As músicas "tocadas" foram 'Best of You', do Foo Fighters, e 'Switched My Medicine', canção original :D É isso aí... reviews? beijos.